ARGENTINA – 5ª COLOCADA NA COPA DO MUNDO DE 1966
ELENCO
Goleiros: Antonio Roma, Rolando Irusta, Hugo Gatti
Defensores: Roberto Perfumo, Silvio Marzolini, Roberto Ferreiro, Nelson López
Meio-Campistas: José Varacka, Oscar Calics, Carmelo Simeone, Antonio Rattín, José Omar Pastoriza, Rafael Albrecht, Juan Carlos Sarnari, Jorge Solari
Atacantes: Mario Chaldú, Alberto González, Alfredo Rojas, Ermindo Onega, Oscar Más, Aníbal Tarabini, Luis Artime
CAMPANHA
Argentina 2 x 1 Espanha
Argentina 0 x 0 Alemanha Ocidental
Argentina 2 x 0 Suiça
Argentina 0 x 1 Inglaterra
Nas vésperas da Copa do Mundo de 1966, que seria realizada na Inglaterra, não havia ninguém que ousasse dizer que o Brasil não era o favorito ao título. Após se consagrar Bi-Campeão em 58/62, Pelé, Garrincha e cia chegavam à “Terra da Rainha” como os principais candidatos à conquistar o caneco. Bem, este favoritismo passou longe de se concretizar e, após perder para Hungria e Portugal, o Brasil foi eliminado ainda na primeira fase da competição. Porém, não podemos dizer que, por este motivo, o futebol Sul-Americano fez feio na Copa do Mundo, afinal a Seleção Argentina apresentou um grande futebol e terminou entre as 5 melhores equipes do planeta.
Dois anos antes do Mundial, em 1964, o futebol argentino mostrou sua força na Taça das Nações, realizada no Brasil. Neste torneio, nossos “hermanos” enfrentaram, e venceram, Brasil, Inglaterra e Portugal. Para se ter idéia do show argentino, o Brasil levou uma sapecada no Pacaembu por 3 x 0, com Pelé em campo e tudo. Não podemos deixar de ressaltar também a força de Inglaterra e Portugal, respectivamente Campeã e 3º lugar na Copa do Mundo de 1966. Entretanto, a Seleção Argentina que iria disputar o Mundial era bem diferente da Campeã do Torneio das Nações. A da Copa era bem mais forte.
Como diz a velha máxima do futebol, todo grande time começa por um grande goleiro. Defendendo a meta da Seleção Alvi-Celeste estava Antonio Roma, o “Tarzan”, apelido recebido devido aos vôos e saltos que dava para agarrar a pelota. Roma é uma verdadeira lenda da história do Boca Juniors. Falando em lenda do Boca Juniors, não dá para esquecer de Antonio Ubaldo Rattín. Líder e comandante do grande Boca da primeira metade da década de 60, que conquistou três Campeonatos Nacionais (62/64/65), Rattín era daqueles que amarrava a chuteira com as veias, fosse em jogo de seu clube ou da Seleção, e para algum atacante batê-lo, deveria suar muito. Ainda compondo o sistema defensivo argentino, um craque muito conhecido do torcedor brasileiro, em especial do torcedor cruzeirense. Aos 23 anos, o zagueiro Perfumo já mostrava toda sua qualidade na defesa do Racing e da Seleção. Em um futuro próximo, conquistaria, pelo Racing, nada menos do que o Mundial de Clubes de 1967, e, pelo Cruzeiro, faria espetacular dupla de zaga com Wilson Piazza, no início da década de 70. E tem mais! José Albrecht, que seria Campeão Argentino de 1968 invicto, com a equipe do San Lorenzo conhecida como “Los Matadores”, não era um defensor comum. Além de muita capacidade defensiva, Albrecht é, de acordo com a IFFHS (International Federation of Football History & Statistics), o sétimo defensor que mais gols marcou em partidas válidas pela Primeira Divisão do futebol mundial.
Se a Argentina estava otimamente servida de defensores, o mesmo pode se dizer do seu trio ofensivo. O comando do ataque ficava com o centroavante Luis Artime. Sobre ele, vamos às palavras de Hans Henningsen, autor do livro “Os Melhores Jogadores Sul-Americanos do Século XX”. Ele disse: “Sinônimo de gol. Demolidor, sagaz, inteligente, ótimo posicionamto, não era muito habilidoso mas protegia a pelota como poucos.”*. O torcedor brasileiro teve um curto contato com o artilheiro Artime, pois ele teve uma passagem por Palmeiras e Fluminense e, apesar de pouco tempo atuando em nossos gramados, claro que deixou sua marca muitas vezes. A dupla que teria a missão de deixar Artime na cara do gol era das grandes do futebol mundial: Onega/Más. A maior prova de o quanto Onega era um cracaço de bola foi que, apesar de ter atuado no River Plate em mais de uma década, seu único título foi o Argentino de 57, quando atuou em somente 1 jogo, e, mesmo assim, ele está entre os maiores ídolos da história do clube. Muito inteligente, criativo e com grande velocidade de raciocínio, era um dos pilares da equipe alvi-celeste. Dividindo com ele a responsabilidade de servir Artime estava o ponta-esquerda Oscar Más, que se utilizava de toda sua velocidade para marcar uma tonelada de gols.
A Argentina passou pela fase de grupos da Copa com grande autoridade. Bateu a forte Espanha, do histórico meia Luis Suárez e empatou com a Alemanha Ocidental, de ninguém menos que Franz Beckembauer e que seria a Vice-Campeã do torneio. A vitória sobre a Suiça fechou com chave-de-ouro a participação argentina na 1ª fase da Copa. Nas quarta-de-final, um duríssimo jogo contra a Inglaterra, que só foi decidido após a expulsão do capitão Rattín. O motivo? O juiz alemão Rudolf Kreitlen supostamente não ficou satisfeito com sua expressão facial enquanto reclamava. Como não entendia o que Rattín dizia, o argentino pediu um tradutor em campo mas não foi atendido, mandou o craque para o chuveiro. Após este caso, a FIFA decidiu implantar a utilização de cartões para a melhor comunicação entre juízes e jogadores.
* “Os Melhores Jogadores Sul-Americanos do Século XX” – Hans Henningsen
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sexta-feira, 5 de março de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
GRANDES SELEÇÕES DA COPA DO MUNDO - ESCÓCIA 1974
ESCÓCIA – 9ª COLOCADA NA COPA DO MUNDO DE 1974
ELENCO
Goleiro: David Harvey, Thomson Allan, Jim Stewart
Defensores: Sandy Jardine, Danny McGrain, Jim Holton, Martin Buchan, John Blackley, Willie Donachie, Gordon McQueen, Erich Schaedler
Meio - Campistas: Billy Bremner, David Ray, Jimmy Johnstone, Peter Cormack, Donald Ford, Tommy Hutchison
Atacantes: Peter Lorimer, Kenny Dalglish, Joe Jordan, Denis Law, Willie Morgan
Técnico: Willie Ormond
CAMPANHA
Escócia 2 x 0 Zaire
Escócia 0 x 0 Brasil
Escócia 1 x 1 Iuguslávia
A Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental, ficou marcada pelo surgimento de uma Seleção que muitos consideram uma das melhores que a Copa já viu: o “Carrossel Holândes”. Krol, Cruyff, Neeskens e cia, encantaram o planeta bola com um futebol dinâmico e de uma qualidade técnica impressionante e só foram parados na final do torneio porque encontraram os anfitriões, comandados Franz Beckenbauer. Porém, o texto que vem a seguir, não é para falar sobre a “Laranja Mecânica”, mas sim de uma Seleção que, acreditem, foi eliminada na 1ª fase da competição tendo conquistado uma vitória e dois empates.
Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1974, a Escócia enfrentou a Tchecoslováquia e a Dinamarca na disputa pela vaga. Dois fatos merecem ser ressaltados: o primeiro deles é que a Escócia, ao conquistar a classificação, deixou fora da Copa do Mundo a Tchecoslováquia, que em 1976 conquistaria nada menos do que a Eurocopa e o outro destaque vai para a chinelada de 4 a 1 que a Escócia aplicou na Dinamarca, em Copenhage(DIN). Se a Escócia não chegava na Copa do Mundo para brigar pelo caneco, também estava longe de chegar para ser um saco de pancadas.
Como ocorre atualmente, os jogadores da Seleção Escocesa estavam divididos entre os clubes do próprio país e os ingleses. Dentre os jogadores que atuavam na Inglaterra, estavam dois dos maiores jogadores escoceses e aqueles que, na época, eram os mais experientes da Seleção Escocesa: Denis Law e Billy Bremner. Apenas uma frase seria suficiente para definir a qualidade de Denis Law: Law é o segundo maior artilheiro da história do Manchester United, atrás apenas de Bobby Charlton. A década de 60 foi o período de glória de Denis Law, quando conquistou dois títulos do Campeonato Inglês (64/65 e 67/68), conquistou a Copa dos Campeões da Europa (67/68), apesar de uma contusão no joelho o tirar dos últimos jogos e, para fechar suas honras com chave de ouro, conquistou em 1964 o prêmio Bola de Ouro como melhor jogador europeu. Enquanto Denis Law era uma grande estrela ofensiva, Billy Bremner era um meia defensivo que com muita raça e espírito de liderança se tornou para muitos o maior jogador da história do Leeds. Tendo atuado quase 20 anos no Leeds, Bremner também conquistou dois títulos (68/69 e 73/74) e foi 5 vezes vice do Campeonato Inglês além ter chegado em uma final da Copa dos Campeões da Europa (74/75), quando perdeu para o Bayern de Munique de Franz Beckenbauer. Suas quase 600 partidas pelo Leeds, jogadas com impressionante garra, lhe renderam uma estátua na frente do Estádio Elland Road, guardando para a eternidade sua importância para o clube.
Dos clubes escoceses, o destaque ficava por conta do jovem Kenny Dalglish. Diferente de Denis Law, que aos 34 anos já era um jogador consagrado e estava terminando sua carreira, Dalglish ainda estava começando a mostrar seu potencial. E que potencial! Com 23 anos e atuando pelo Celtic, ele chegou à Copa do Mundo de 74 com três títulos do Campeonato Escocês (71/72, 72/73 e 73/74) e quase 100 gols na carreira. Ninguém tinha dúvidas de que Dalglish seria um grande jogador, porém ele se tornou mais. Se tornou uma lenda. Em 1977, Dalglish chegaria ao Liverpool para conquistar 6 títulos do Campeonato Inglês (78/79, 79/80, 81/82, 82/83, 83/84 e 85/86) além de 3 Copa dos Campeões da Europa (77/78, 80/81 e 83/84). Nas vésperas da Copa do Mundo de 74, Dalglish já estava se consolidando como principal jogador do Celtic e o Mundial seria uma grande oportunidade de mostrar todas suas qualidades.
Logo no sorteio dos grupos da Copa do Mundo, a Escócia não teve muita sorte e caiu no mesmo grupo de Brasil, Iugoslávia e Zaire. Na estréia, uma fácil vitória por 2 a 0 sobre os africanos serviu para diminuir o nervosismo por disputar uma competição tão difícil. Contra o Brasil de Rivelino e Jairzinho, dupla de craques Campeões da Copa de 70, e a Iugoslávia do grande meia Acimovic, vieram dois empates que mostraram como a Escócia era uma equipe de alto nível. Porém, como Brasil e Iugoslávia venceram a frágil equipe do Zaire por maior diferença de gols, respectivamente 3 x 0 e 9 x 0, os escoceses foram eliminados do torneio e não conseguiram fazer a Escócia passar de fase pela primeira vez na história da Copa do Mundo.
ELENCO
Goleiro: David Harvey, Thomson Allan, Jim Stewart
Defensores: Sandy Jardine, Danny McGrain, Jim Holton, Martin Buchan, John Blackley, Willie Donachie, Gordon McQueen, Erich Schaedler
Meio - Campistas: Billy Bremner, David Ray, Jimmy Johnstone, Peter Cormack, Donald Ford, Tommy Hutchison
Atacantes: Peter Lorimer, Kenny Dalglish, Joe Jordan, Denis Law, Willie Morgan
Técnico: Willie Ormond
CAMPANHA
Escócia 2 x 0 Zaire
Escócia 0 x 0 Brasil
Escócia 1 x 1 Iuguslávia
A Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental, ficou marcada pelo surgimento de uma Seleção que muitos consideram uma das melhores que a Copa já viu: o “Carrossel Holândes”. Krol, Cruyff, Neeskens e cia, encantaram o planeta bola com um futebol dinâmico e de uma qualidade técnica impressionante e só foram parados na final do torneio porque encontraram os anfitriões, comandados Franz Beckenbauer. Porém, o texto que vem a seguir, não é para falar sobre a “Laranja Mecânica”, mas sim de uma Seleção que, acreditem, foi eliminada na 1ª fase da competição tendo conquistado uma vitória e dois empates.
Nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 1974, a Escócia enfrentou a Tchecoslováquia e a Dinamarca na disputa pela vaga. Dois fatos merecem ser ressaltados: o primeiro deles é que a Escócia, ao conquistar a classificação, deixou fora da Copa do Mundo a Tchecoslováquia, que em 1976 conquistaria nada menos do que a Eurocopa e o outro destaque vai para a chinelada de 4 a 1 que a Escócia aplicou na Dinamarca, em Copenhage(DIN). Se a Escócia não chegava na Copa do Mundo para brigar pelo caneco, também estava longe de chegar para ser um saco de pancadas.
Como ocorre atualmente, os jogadores da Seleção Escocesa estavam divididos entre os clubes do próprio país e os ingleses. Dentre os jogadores que atuavam na Inglaterra, estavam dois dos maiores jogadores escoceses e aqueles que, na época, eram os mais experientes da Seleção Escocesa: Denis Law e Billy Bremner. Apenas uma frase seria suficiente para definir a qualidade de Denis Law: Law é o segundo maior artilheiro da história do Manchester United, atrás apenas de Bobby Charlton. A década de 60 foi o período de glória de Denis Law, quando conquistou dois títulos do Campeonato Inglês (64/65 e 67/68), conquistou a Copa dos Campeões da Europa (67/68), apesar de uma contusão no joelho o tirar dos últimos jogos e, para fechar suas honras com chave de ouro, conquistou em 1964 o prêmio Bola de Ouro como melhor jogador europeu. Enquanto Denis Law era uma grande estrela ofensiva, Billy Bremner era um meia defensivo que com muita raça e espírito de liderança se tornou para muitos o maior jogador da história do Leeds. Tendo atuado quase 20 anos no Leeds, Bremner também conquistou dois títulos (68/69 e 73/74) e foi 5 vezes vice do Campeonato Inglês além ter chegado em uma final da Copa dos Campeões da Europa (74/75), quando perdeu para o Bayern de Munique de Franz Beckenbauer. Suas quase 600 partidas pelo Leeds, jogadas com impressionante garra, lhe renderam uma estátua na frente do Estádio Elland Road, guardando para a eternidade sua importância para o clube.
Dos clubes escoceses, o destaque ficava por conta do jovem Kenny Dalglish. Diferente de Denis Law, que aos 34 anos já era um jogador consagrado e estava terminando sua carreira, Dalglish ainda estava começando a mostrar seu potencial. E que potencial! Com 23 anos e atuando pelo Celtic, ele chegou à Copa do Mundo de 74 com três títulos do Campeonato Escocês (71/72, 72/73 e 73/74) e quase 100 gols na carreira. Ninguém tinha dúvidas de que Dalglish seria um grande jogador, porém ele se tornou mais. Se tornou uma lenda. Em 1977, Dalglish chegaria ao Liverpool para conquistar 6 títulos do Campeonato Inglês (78/79, 79/80, 81/82, 82/83, 83/84 e 85/86) além de 3 Copa dos Campeões da Europa (77/78, 80/81 e 83/84). Nas vésperas da Copa do Mundo de 74, Dalglish já estava se consolidando como principal jogador do Celtic e o Mundial seria uma grande oportunidade de mostrar todas suas qualidades.
Logo no sorteio dos grupos da Copa do Mundo, a Escócia não teve muita sorte e caiu no mesmo grupo de Brasil, Iugoslávia e Zaire. Na estréia, uma fácil vitória por 2 a 0 sobre os africanos serviu para diminuir o nervosismo por disputar uma competição tão difícil. Contra o Brasil de Rivelino e Jairzinho, dupla de craques Campeões da Copa de 70, e a Iugoslávia do grande meia Acimovic, vieram dois empates que mostraram como a Escócia era uma equipe de alto nível. Porém, como Brasil e Iugoslávia venceram a frágil equipe do Zaire por maior diferença de gols, respectivamente 3 x 0 e 9 x 0, os escoceses foram eliminados do torneio e não conseguiram fazer a Escócia passar de fase pela primeira vez na história da Copa do Mundo.
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
GRANDES SELEÇÕES DA COPA DO MUNDO - ÁUSTRIA 1934
ÁUSTRIA - 4ª COLOCADA NA COPA DO MUNDO DE 1974
ELENCO
Goleiros: Platzer, Raftl, Franzl
Defensores: Cisar, Sesta, Janda, Schmaus
Meio - Campistas: Smistik, Urbanek, Wagner, Hofmann
Atacantes: Zischek, Bican, Sindelar, Viertl, Horvath, Hassmann, Braun, Kaburek, Schall, Stroh, Walzhofer
Técnico: Hugo Meisl
CAMPANHA
Áustria 3 x 2 França
Áustria 2 x 1 Hungria
Áustria 0 x 1 Itália
Áustria 2 x 3 Alemanha
ELENCO
Goleiros: Platzer, Raftl, Franzl
Defensores: Cisar, Sesta, Janda, Schmaus
Meio - Campistas: Smistik, Urbanek, Wagner, Hofmann
Atacantes: Zischek, Bican, Sindelar, Viertl, Horvath, Hassmann, Braun, Kaburek, Schall, Stroh, Walzhofer
Técnico: Hugo Meisl
CAMPANHA
Áustria 3 x 2 França
Áustria 2 x 1 Hungria
Áustria 0 x 1 Itália
Áustria 2 x 3 Alemanha
A Copa do Mundo de 1934, realizada na Itália, não contou com duas das principais Seleções da época. O Uruguai, ressentido com a ausência de algumas equipes européias no Mundial realizado por lá, em 1930, se negou a participar desta edição da Copa. Vale lembrar que o Uruguai além de ter sido Campeão do Mundo, em 1930, também havia conquistado os títulos olímpicos em 1924 e 1928. Outra potência que esteve ausente na Itália foi a Inglaterra, que ainda preferia viver isolada do restante do planeta bola. Porém, o torneio teve a honra de contar com o que foi um dos principais representantes do futebol-arte em todos os tempos: a Áustria do treinador Hugo Meisl.
Hugo Meisl foi o comandante e idealizador desta que era a sensação européia no início dos anos 30. Praticando um jogo de toques curtos, refinados e rápidos, a Áustria envolvia seus oponentes, com um futebol inovador e diferente. A beleza apresentada pela equipe em campo, que lhe rendeu o apelido de “Wunderteam” (Time Maravilhoso), está relacionada a alguns conceitos de Hugo Meisl. O treinador exigia que sua equipe não desse os famosos chutões para frente, buscando a rápida ligação com o ataque, mas sim que a bola percorresse de pé em pé até o campo ofensivo. Entretanto, a maior contibuição dada pelo treinador foi que com ele surgiu o embrião do Futebol Total. Reparem em suas palavras e se assustem com tamanho conhecimento de futebol ainda na década de 30: “Os onze jogadores devem estar em permanente movimento para impedir o adversário de adivinhar as suas intenções. Mesmo um médio, se tiver oportunidade, deve avançar no terreno e surgir, de surpresa, na área adversária, mas, nesse mesmo instante, um seu colega deve imediatamente ocupar o seu posto em campo subitamente vazio pelo seu adiantamento no ataque.”*.
Se Meisl era quem organizava a equipe fora de campo, dentro das quatro linhas, quem liderava o Wunderteam era Matthias Sindelar, considerado por muitos como o atacante mais completo pré-2ª Guerra Mundial. Sindelar possuía uma qualidade técnica imensurável, grande facilidade para balançar as redes e devido ao seu porte físico franzino e a leveza com que flutuava em campo recebeu o apelido de “Homem de Papel”, apelido este que o marcaria para sempre. Além do futebol vistoso que mostrava dentro das quatro-linhas, o envolvimento com a política tornou Sindelar um personagem ainda mais lendário. No meado de década de 30, a Áustria foi anexada ao território alemão e com a equipe de futebol não foi diferente. A Seleção Alemã esperava contar com os grandes jogadores austríacos, porém Sindelar, judeu e muito contrário à ideologia de Hitler, se negou constantemente a vestir outra camisa que não a da Áustria. E teve mais! Em uma partida amistosa para celebrar a unificação dos países, a Áustria venceu a Alemanha por 2 a 0 e, após marcar seu gol, Sindelar comemorou com muito entusiasmo, na frente da tribuna onde se encontravam oficiais nazistas. Pouco tempo depois, Sindelar, o “Mozart do Futebol”, foi encontrado morto, ao lado de sua namorada, asfixiado por monóxido de carbono. Acidente? As autoridades disseram que sim.
Voltando ao Mundial de 1934, a Áustria chegava para a competição com um retrospecto impressionante. Apenas números não podem traduzir o encanto que o “Wunderteam” gerava na Europa, mas eles são incríveis. Reparem em alguns triunfos obtidos pela Seleção Austríaca, antes da Copa do Mundo: Suécia (4 x 1), Escócia (5 x 0), Alemanha (6 x 0), Suiça (8 x 1), Hungria (8 a 2), Bélgica (6 a 1), França (4 a 0) e Bulgária (6 a 1). Simplesmente inacreditável.
Iniciada a competição, a Áustria eliminaria a França e a Hungria e conquistaria o direito de enfrentar os donos da casa, a Itália, na fase semi-final. Existem muitos boatos, envolvendo esta partida, de que o ditador italiano Mussolini havia “conversado” com o árbitro antes da partida e este beneficiado a Itália. O fato, porém, é que Sindelar não conseguiu escapar da dura marcação de Luis Monti e o “Time Maravilhoso” não teve forças para bater o futuro Campeão do Mundo. Foi uma derrota que impediu uma brilhante Seleção conquistar o mundo, mas em nenhum momento diminuiu sua importância para o planeta bola.
*http://www.planetadofutebol.com/article.php?id=918
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