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sexta-feira, 26 de setembro de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO – SANTOS 2 X 1 GOIÁS - 2004


Santos 2 x 1 Goiás

Campeonato Brasileiro 2004 – 41ª rodada

Data: 14 de novembro de 2004

Estádio Eduardo José Farah, Presidente Prudente (SP)

Santos: Mauro; Leonardo, Ávalos e André Luís (William); Paulo César, Fabinho, Elano (Marcinho), Flávio (Luís Augusto) e Léo; Basílio e Deivid. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Goiás: Harley; André Dias, Renato e Asprilla; Paulo Baier (Tiago), Danilo Portugal, Josué, Rodrigo Tabata e Jadílson; Alex Dias (Douglas) e Leandro (Cléber). Técnico: Celso Roth.

Gols: Paulo Baier (Goiás), aos 10’ do primeiro tempo; Basílio (Santos), aos 39’, e William (Santos), aos 40’ do segundo tempo.

Faltavam sete minutos para o apito final do embate contra o Goiás e a situação santista era de enorme tensão. O placar apontava vitória de um a zero para os esmeraldinos, gol do infinito Paulo Baier. Os autofalantes anunciavam em sequência os gols do líder do campeonato, o Atlético Parananese, que sapecava meia dúzia no Criciúma. O dia anterior vira um triunfo acachapante do São Caetano sobre o Cruzeiro, que, com os três pontos, ia tomando a segunda posição do Peixe. Para completar o drama, Robinho e Elano, principais figuras da equipe praiana, não estavam em campo: o primeiro liberado por problemas particulares (mais tarde seria revelado o sequestro de sua mãe) e, o segundo, havia sido substituído por contusão ainda no primeiro tempo.

Caso a derrota para o Goiás se concretizasse, as chances santistas de seguir na briga pelo caneco do Brasileirão sofreriam um golpe e tanto. E isso estava bem próximo de acontecer, pois, mesmo com um homem a mais desde a etapa inicial (o zagueiro goiano Renato Silva havia sido expulso), o Santos não conseguia colocar a bola na rede. Parecia bater com água mole em pedra dura. Água mole... Pedra dura... Ué, não diz o ditado que tanto bate até que fura? Pois furou. Em dois minutos que se tornariam históricos na campanha santista, Basílio e Willian marcaram, o Peixe virou o placar e seguiu firme e forte rumo ao título. Título que acabaria por conquistar pouco mais de um mês depois.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO – PALMEIRAS X FLAMENGO –2009


Palmeiras 0 x 2 Flamengo

Campeonato Brasileiro 2009 – 30ª rodada

18 de outubro de 2009

Palestra Itália, São Paulo (SP)

Público: 26.462 pagantes

Palmeiras: Marcos; Wendel, Maurício, Danilo e Armero; Edmílson, Souza (Marquinhos), Cleiton Xavier e Diego Souza; Robert (Ortigoza) e Vágner Love. Técnico: Muricy Ramalho.

Flamengo: Bruno; Léo Moura, Aírton, Ronaldo Angelim e Juan; Maldonado, Willians, Toró (Fierro) e Petkovic (Welinton); Zé Roberto (Lenon) e Adriano. Técnico: Andrade.

Gols: Petkovic (Flamengo), aos 24 minutos do primeiro tempo e aos 16 minutos do segundo tempo.

Quando o Brasileirão de 2009 chegou a sua 30ª rodada, a recuperação do Flamengo já estava consolidada. Depois de terminar as 19 rodadas do primeiro turno na modesta 10ª colocação, o Rubro-Negro adentrava o Palestra Itália para enfrentar o então líder Palmeiras (de Marcos, Diego Souza, Vágner Love e Muricy Ramalho) ostentando a melhor campanha do returno. Antes do apito inicial, os flamenguistas pensavam em disputar uma vaga para Libertadores do ano seguinte. Após o último trilar, sonhar com o hexa não seria nenhum delírio.

E o grande responsável por fazer nascer este sonho nas mentes rubro-negras foi o sérvio Petkovic, que, aos 37 anos, retornara ao clube poucos meses antes sem gerar um pingo de expectativa sobre seu futebol. Porém, como brilhantemente disse uma vez o mestre Nelson Rodrigues, “o tempo é uma convenção que não existe nem para o craque, nem para mulher bonita”. Inspirado como muito já se vira, Petkovic anotou dois gols da mais pura magia – um após costurar toda a defesa palmeirense e outro olímpico – e encaminhou, ou melhor, decretou a vitória do clube da Gávea.

Algumas rodadas depois, o que parecia impossível se concretizou e o Flamengo de Bruno, Léo Moura, Adriano e Pet levantou a taça depois de ter assumido a liderança apenas na penúltima rodada. É difícil precisar o momento mais crucial da arrancada rubro-negra rumo à zona nobre da tabela, mas o data em que o sonho do hexa ganhou contornos de realidade está marcada na história: 18 de outubro de 2009.

sábado, 6 de setembro de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CRUZEIRO 2 X 6 FLUMINENSE - 2005

Cruzeiro 2 x 6 Fluminense

Campeonato Brasileiro 2005 – 24ª rodada

Data: 07 de setembro de 2005

Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Cruzeiro: Fábio; Maurinho, Marcelo Batatais, Moisés e Anderson; Maldonado, Wágner, Diogo e Adriano Gabiru (Lopes); Kelly (Martinez) e Adriano Louzada (Diego). Técnico: Paulo César Gusmão.

Fluminense: Kléber; Gabriel, Gabriel Santos, Igor e Juan; Marco Aurélio (Milton do Ó), Arouca, Felipe (Preto Casagrande) e Petkovic; Leandro (Beto) e Tuta. Técnico: Abel Braga.

Gols – Primeiro tempo: Kelly (Cruzeiro), aos 14’ e Petkovic (Fluminense), aos 30’. Segundo tempo: Petkovic (Fluminense), aos 8’, Gabriel (Fluminense), aos 11’, Wágner (Cruzeiro), aos 22’, Beto (Fluminense), aos 30’, Gabriel (Fluminense), aos 38’ e Tuta (Fluminense), aos 41’.

Quando o meio-campista Felipe sentiu uma contusão e pediu para sair e, logo depois, o Cruzeiro abriu o placar com o atacante Kelly, a noite do dia sete de setembro de 2005, no Mineirão, parecia não ser mesmo do Fluminense. Porém, um time que tem um gênio pode esperar tudo, e o Flu tinha Petkovic, que, em dois lances daqueles que mereciam ser eternizados em esculturas, virou o placar.

Primeiro, o Gringo, que então vestia a camisa oito tricolor, costurou toda a zaga celeste antes de marcar e, depois, já no segundo tempo, acertou uma canhota de pura categoria para iniciar a vitória do Flu. Ou melhor, a Vitória, assim mesmo, com “V” maiúsculo, pois o que veio pela frente foi um tsunami de gols em verde, branco e grená.


Até a metade da etapa final, quando Gabriel, pelo Flu, e Wágner, pela Raposa, haviam deixado o escore em três a dois, era possível dizer que o confronto estava em aberto, apesar de o Cruzeiro estar com um homem a menos (o lateral-esquerdo Anderson fora expulso). Porém, nos últimos 15 minutos, como se fosse uma máquina de fazer gols, Beto, Gabriel e Tuta transformaram o já ótimo triunfo tricolor em uma goleada avassaladora por seis a dois. Uma noite que nenhum torcedor do Fluminense se esquece. E do Cruzeiro também não...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CORITIBA 1 X 0 ATLÉTICO MINEIRO - 1985


Coritiba 1 x 0 Atlético Mineiro

Campeonato Brasileiro 1985 – primeiro jogo da semifinal

Data: 24 de julho de 1985

Estádio Couto Pereira, Curitiba (PR)

Coritiba: Jairo; André, Heraldo, Gomes e Dida; Almir, Toby e Marco Aurélio; Edson, Gil e Índio. Técnico: Ênio Andrade.

Atlético Mineiro: João Leite; Nelinho, Luizinho, Olivera e Jorge Valença (João Luís); Elzo, Éverton e Paulo Isidoro; Sérgio Araújo, Edvaldo e Reinaldo. Técnico: Cento e nove.

Gol: Heraldo (Coritiba), aos 13’ do segundo tempo.

Depois de um frágil primeiro turno, uma recuperação brilhante para vencer o seu grupo no returno e o triunfo subsequente numa chave que contava com Sport, Joinville e Corinthians, o Coritiba chegava a fase semifinal do Brasileirão de 1985 para encarar seu maior desafio: um Atlético Mineiro que era uma verdadeira seleção em preto e branco. Com o goleiro João Leite, o lateral Nelinho, o zagueiro Luizinho, o meia Paulo Isidoro e, principalmente, o atacante Reinaldo, pode-se dizer, sem exageros, que o Galo contava com um cracaço em cada setor.

O jogo de ida, disputado num Couto Pereira lotado, teve momentos de agitação dentro e fora de campo. Fora dele, um apagão paralisou o confronto durante 20 minutos e o coxa-branca Edson ainda foi atingido por uma garrafa atirada por sua própria torcida, que, com certeza, não o visava. Dentro das quatro linhas, o Coritiba, com duas bolas na trave, ameaçou mais a meta defendida pelo João Leite do que o Atlético assustou o arqueiro Jairo. Aqui uma baita de uma curiosidade: João Leite e Jairo são os jogadores que mais vezes vestiram a camisa do Atlético Mineiro e do Coritiba, respectivamente.

No fim do jogo, o Coritiba acabou por levar a melhor com um gol do lateral Heraldo e garantiu a vantagem do empate para o jogo de volta, no Mineirão. Vantagem que, por sinal, se mostrou mais do que essencial, pois o confronto em BH terminou com o placar mudo e colocou o Alviverde na decisão do campeonato. Mas, este, amigos, já é outro bate-papo...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO – CORINTHIANS 1 X 2 GRÊMIO – 1982


Corinthians 1 x 2 Grêmio

Campeonato Brasileiro de 1982 – primeiro jogo da semifinal

Data: 11 de abril de 1982

Morumbi, São Paulo (SP)

Corinthians: César; Zé Maria, Gomes, Wágner e Wladimir; Paulinho, Zenon (Joãozinho) e Sócrates; Eduardo (Mário), Casagrande e Biro Biro. Técnico: Mário Travaglini.

Grêmio: Leão; Paulo Roberto, Vantuir, De León e Paulo César; Batista, Paulo Isidoro e Bonamigo; Tarciso, Baltazar (Paulinho) e Tonho (China). Técnico: Ênio Andrade.

Gols: Paulo Roberto (Grêmio), aos 5’ e Tarciso (Grêmio), aos 19’ do primeiro tempo. Sócrates (Corinthians), aos 5’ do segundo tempo.

Após bater o São Paulo na final do Brasileiro de 1981 e levantar o primeiro caneco nacional de sua história, o Grêmio voltou ao Morumbi em 1982 para mais um jogo de caráter decisivo, desta vez contra o Corinthians e pela fase semifinal. Assim como no triunfo histórico diante do São Paulo, lá estavam craques do quilate do goleiro Leão, do zagueiro De León, do volante Batista, do meia Paulo Isidoro, do ponta Tarciso e do centroavante Baltazar.

O Corinthians, por sua vez, chegava para lutar por uma vaga na decisão depois de ter disputado a Taça de Prata (a segunda divisão da época, que dava vaga para o campeonato da primeira divisão do mesmo ano) e ganhado força e confiança ao passar, junto com o Flamengo, por um grupo da morte que ainda tinha Atlético Mineiro e Internacional. Comandado pelo genial Sócrates e com toda a torcida a seu favor, o Timão era só esperanças para realizar uma grande apresentação no jogo de ida e largar na frente.

No entanto, com menos de 20 minutos de jogo o Grêmio já havia mostrado toda sua força ao abrir dois a zero no placar, gols de Paulo Roberto e Tarciso. O Corinthians partiu com tudo na busca por diminuir o prejuízo, mas defesas sensacionais de Leão, uma atuação impecável de De León e o grande posicionamento de Batista à frente da zaga dificultaram, e muito, a vida dos paulistas, que só conseguiram superar a muralha tricolor na base do talento de Sócrates: o Doutor deixou sua marca de cabeça, aos 5 minutos da etapa final, e quase empatou em um lance esplêndido em que chapelou o zagueiro Vantuir e finalizou para defesa de Leão.


No fim, o Grêmio acabou levando a melhor e deixou muito bem encaminhada a classificação para a decisão, classificação esta que iria confirmar três dias depois, com nova vitória, desta vez no Olímpico.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CORITIBA X FLUMINENSE - 2009


Coritiba 1 x 1 Fluminense

Campeonato Brasileiro de 2009 – 38ª rodada

Estádio Couto Pereira, Curitiba (PR)

6 de dezembro de 2009

Coritiba: Vanderlei; Rodrigo Heffner (Márcio Gabriel), Pereira, Jeci e Renatinho; Jailton, Leandro Donizete, Pedro Ken (Carlinhos Paraíba) e Marcelinho Paraíba; Marcos Aurélio e Ariel (Rômulo). Técnico: Ney Franco.

Fluminense: Rafael; Cássio, Gum e Dalton; Mariano, Diogo, Maurício, Darío Conca e Marquinho (Dieguinho); Alan (Adeílson) (Equi González) e Fred. Técnico: Cuca.

Gols: Marquinhos (Fluminense), aos 27’ e Pereira (Coritiba), aos 35’ do primeiro tempo.

Foi em 2009 que o Fluminense fez o impossível. Em 31 rodadas disputadas, o Tricolor havia conquistado míseras cinco vitórias, e qualquer cálculo matemático, do mais simples ao mais complexo, apontava para a degola. O rebaixamento era questão de tempo. Mas eis que vieram duas vitórias sensacionais contra os mineiros Atlético e Cruzeiro, times que brigavam na parte nobre da tabela. Nascia o time de guerreiros. Em uma sequência inesquecível para qualquer tricolor, mais quatro triunfos foram alcançados: Palmeiras, Atlético Paranaense, Sport e Vitória. Faltava apenas um passo para o impossível.

O Fluminense chegou à última rodada fora da zona de rebaixamento, mas, em caso de revés, poderia ser ultrapassado por Botafogo e Coritiba. E era justamente o Coritiba o rival da vez, o que tornava o último passo tricolor para a salvação uma batalha sem precedentes. Toda a tensão que seria vivida no Couto Pereira ficou explícita com menos de um minuto de jogo, quando o Coxa quase abriu o placar. A pressão sobre o Tricolor não seria pequena. O gol de Marquinhos, em chutaço de fora da área, poderia tranquilizar a situação do Flu, mas ele foi rapidamente respondido por uma cabeçada do zagueiro Pereira, que igualou o escore em um a um.

No segundo tempo, o Coxa nem criou muitas chances para virar o resultado, mas o nervosismo era palpável na capital paranaense. Qualquer centímetro em qualquer segundo mudariam quem dentre Fluminense e Coritiba iria para o inferno. Quem ousasse encostar em um tricolor ou um alviverde naquele momento corria o risco de levar um choque. E neste cenário chegou o apito final para decretar a impossível salvação do Flu e dar início a uma pancadaria vergonhosa por parte dos desesperados torcedores do Coritiba. Ali, o time de guerreiros conseguia a sua maior façanha.

sábado, 2 de agosto de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - VASCO 1 X 1 PARANÁ - 1999


Vasco 1 x 1 Paraná

Campeonato Brasileiro 1999 – 14ª rodada da primeira fase

19 de setembro de 1999

São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Vasco: Carlos Germano; Alex Oliveira, Odvan, Mauro Galvão e Maricá (Felipe) (Fabrício); Amaral, Fabiano Eller, Paulo Miranda e Juninho Pernambucano, Donizete (Géder) e Edmundo. Técnico: Antônio Lopes.

Paraná: Régis; Wilson (Patrício), Milton do Ó, Adilson e Branco (Everaldo); Reginaldo, Pingo (Nélio), Fernando Diniz e Hélcio; Jorginho e Washington. Técnico: Valdir Espinosa.

Gols: Edmundo (Vasco), aos 37’ do primeiro tempo e Everaldo (Paraná), aos 38’ do segundo tempo.

Quem nunca ouviu um vascaíno dizer, diante de um erro de arbitragem contra o cruz-maltino, “na época do Eurico Miranda isso não acontecia”? Durante as décadas em que viveu intensamente a vida política do Vasco, Eurico Miranda forjou uma personalidade que lhe fazia parecer o próprio dono do clube, mesmo quando não era nem o presidente. Uma das atitudes que mais contribuiu para a construção da ideia de que o Vasco era propriedade particular de Eurico Miranda se deu em 1999, em duelo contra o Paraná, em São Januário, pela 14ª rodada do Brasileirão.

O pré-jogo foi de pura festa para os vascaínos pela comemoração da partida 500 de Antônio Lopes como treinador do clube, e o belo gol do ídolo Edmundo, aos 37 minutos do primeiro tempo, animou ainda mais o lotado São Januário. Mas antes que a partida chegasse ao intervalo, a felicidade cruz-maltina começou a virar fumaça com a expulsão de Juninho Pernambucano pelo árbitro Paulo César de Oliveira. Com a vantagem numérica, o Paraná voltou mais assanhado para a segunda etapa e começou a criar chances de empatar. A situação, que não era nada confortável para o Vasco, ficou ainda menos com mais uma expulsão, desta vez de Alex Oliveira.

Com dois jogadores a mais, o Paraná se mandou ao ataque e empatou aos 38, em cabeçada de Everaldo. Tudo apontava para uma pressão final paranaense quando, aos 42, Mauro Galvão se tornou o terceiro vascaíno expulso. Com apenas oito jogadores em campo, o Vasco iria conseguir se segurar? Ninguém nunca vai saber, pois o então vice-presidente Eurico Miranda invadiu o gramado bradando que o árbitro Paulo César era um irresponsável, e, por receio de invasão dos torcedores, que gritavam euforicamente “Eurico! Eurico! Eurico!”, a partida foi encerrada, aos 42 minutos, por falta de segurança.

Um dos momentos mais vergonhosos da história do Vasco e do futebol brasileiro, que ficou eternizado na declaração do meio-campista cruz-maltino Paulo Miranda, ainda em campo: “Eles são dirigentes do Vasco, mandam em São Januário e com certeza fazem o que quiserem”. 

domingo, 27 de julho de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - BOTAFOGO 6 X 0 FLAMENGO - 1972


Botafogo 6 x 0 Flamengo

Campeonato Brasileiro 1972 – Primeira fase – 20ª rodada

Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Público: 46.279 pagantes

15 de novembro de 1972

Botafogo: Cao; Mauro Cruz, Osmar, Valtencir e Marinho Chagas; Carlos Roberto, Nei Conceição e Ademir (Marco Aurélio); Zequinha, Fischer (Ferreti) e Jairzinho. Sebastião Leônidas.

Flamengo: Renato; Moreira, Chiquinho, Tinho, Rodrigues Neto; Liminha, Zanata (Mineiro) e Paulo Cézar Caju; Rogério (Caio Cambalhota), Fio e Humberto. Técnico: Zagallo.

Gols: Jairiznho (Botafogo), aos 16’; Fischer (Botafogo), aos 35’ e Fischer (Botafogo), aos 41’ do primeiro tempo; Jairiznho (Botafogo), aos 23’; Jairiznho (Botafogo), aos 38’ e Ferreti (Botafogo), aos 42’ do segundo tempo.

A primeira fase do Brasileirão chegava próxima ao seu fim, e Botafogo e Flamengo, cada um em seu grupo, se encontravam na briga para seguirem vivos no torneio. Para o clássico válido pela 20ª de 25 rodadas, o Fla não poderia contar com seus dois craques gringos, o zagueiro paraguaio Reyes, machucado, e o atacante argentino Doval, suspenso, desfalques que, sem dúvidas, tornariam menos pedregoso o caminho que o Botafogo teria pela frente.

Um caminho que desde cedo se mostrou repleto de flores, cores e doces para os alvinegros. Jairzinho “Furacão” e “El Lobo” Fischer, as maiores esperanças botafoguenses de bola na rede, estiveram impossíveis, imparáveis, incontroláveis, inigualáveis... O um a zero que Jairzinho colocou no placar, Fischer transformou em três a zero ainda no primeiro tempo. E como a máxima diz que “três vira, seis fecha”, Jairzinho seguiu infernal após o intervalo: fez o quarto e o quinto, este de letra.

Enquanto os rubro-negros choravam como cataratas o presente de aniversário que recebia naquele 15 de novembro de 1972, os sorrisos dos botafoguenses quase circundavam toda a cabeça de tão largos. E ficaram ainda mais abertos e iluminados com a falta de misericórdia de Ferreti, que anotou o sexto tento. Pelos nove anos que se seguiram, não teve um flamenguista Brasil afora que não tenha escutado um botafoguense a exclamar: “Nós gostamos de voSEIS”! Nove anos, pois, em 1981, o Flamengo celebraria a vingança. Mas esta, amigos, é uma outra história...

sábado, 19 de julho de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - VITÓRIA X CORINTHIANS 1974


Vitória 1 x 0 Corinthians

Campeonato Brasileiro de 1974 – Segunda Fase – 2ª rodada

Estádio Fonte Nova, Salvador (BA)

Vitória: Joel Mendes; França, Válter, Dutra e Roberto; Paulo Valença, Natal e Mário Sérgio; Osni, Davi e André Catimba. Técnico: Bengalinha.

Corinthians: Armando; Galli, Vágner, Baldochi e Wladimir; Tião, Washington (Severo) e Adãozinho; Marco Antonio Visgo, Vaguinho e Roberto Miranda. Técnico: Luisinho.

Gol: Osni (Vitória), aos 28’ do segundo tempo.

O retorno do Campeonato Brasileiro deste ano de 2014 apenas três dias após o fim da Copa do Mundo é um dos sintomas da desorganização do nosso futebol, pois evidencia a falta de prestígio da principal competição nacional frente à CBF, que a organiza a toque de caixa. No entanto, amigos, acreditem, já foi pior.

No mesmo dia 3 de julho de 1974 em que a Holanda de Cruyff não deu chances à seleção brasileira, em Dortmund, e se garantiu na decisão da Copa do Mundo, foram realizados nada menos do que do que dez jogos do Brasileirão. E não jogos quaisquer, mas sim partidas quase decisivas para apontar quem seriam os semifinalistas. Caso de Vitória versus Corinthians.

Na fase inicial, o Vitória havia feito excelente campanha com apenas duas derrotas em 19 jogos, mas o revés para o Nacional logo na rodada de abertura da segunda fase colocava o Leão Baiano em situação delicada: triunfar contra o Corinthians, na Fonte Nova, era essencial e, para isso, o Rubro-Negro precisaria de uma jornada inspirada do seu inesquecível trio ofensivo formado por Mário Sérgio, André Catimba e Osni.

O Alvinegro Paulista contava com grandes jogadores como Baldochi e Roberto Miranda, tricampeões Mundiais com o Brasil em 1970, além do ídolo Wladimir, mas podemos dizer que a missão baiana se tornou, digamos, menos difícil pelas ausências dos craques corintianos Zé Maria e Rivellino, a serviço da seleção na Copa do Mundo.

No fim, o Vitória soube “agradecer” o presente dado pela seleção brasileira e venceu por um a zero, gol do pequenino e infernal Osni, e seguiu vivo até a última rodada, quando um empate com o futuro campeão Vasco o tirou das semifinais.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - PALMEIRAS X SANTOS - 1997


Palmeiras 5 x 0 Santos

Campeonato Brasileiro 1997 – Primeira Fase – 20ª rodada

Data: 21/09/1997

Estádio Palestra Itália, São Paulo (SP)

Palmeiras: Velloso; Pimentel, Roque Júnior, Agnaldo Liz e Júnior (Wágner); Rogério, Galeano, Zinho e Alex (Eriberto); Oséas (Euller) e Viola. Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Santos: Zetti; Baiano (Ânderson Lima), Ronaldão, Narciso e Rogério Seves; Jean (Marcelo Passos), Arinélson (Alexandre), Marcos Bazílio e João Santos; Caio e Macedo. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

Gols: Oséas (Palmeiras), aos 16’; Oseás (Palmeiras), aos 42’; Alex (Palmeiras), aos 45’ do primeiro tempo. Viola (Palmeiras), aos 9’ e Viola (Palmeiras), aos 40’ do segundo tempo.

Diz o dito popular, longe de qualquer comprovação científica, que nada melhor para se curar uma ressaca oriunda de bebedeira do que mandar ver na cerveja. Assim, seguindo esta linha um tanto quanto insana, nada seria melhor para curar a ressaca causada por uma goleada do que sofrer uma nova goleada, certo? Com certeza não. Que nos diga o Santos...

Quando o Alvinegro Praiano foi ao Palestra Itália, em setembro de 1997, a cabeça ainda estava inchada pelo 6 a 0 sofrido para o Palmeiras, pouco mais de um ano antes, pelo Campeonato Paulista. E por uma daquelas peças que o futebol adora pregar, Vanderlei Luxemburgo, que era o treinador palmeirense nos 6 a 0, agora comandava o Santos na busca por curar a enxaqueca. Quem também fizera história pelo Alviverde e agora defendia as cores santistas era o goleiro Zetti, que como goleiro palmeirense na década de 80 havia conseguido a façanha de passar 1.238 minutos sem sofrer gols.

Num cenário típico do futebol brasileiro, Djalminha, Rivaldo, Muller e Luizão, os arquitetos ofensivos palmeirenses no 6 a 0 de 1996, já haviam deixado o clube. No Brasileiro de 1997, quem tentava fazer o Alviverde imponente era o quarteto formado por Zinho, Alex, Oséas e Viola. Um baita quarteto! O Palmeiras não teve piedade da dor de cabeça santista e foi enfiando uma bola atrás da outra no fundo do barbante praiano. Um a zero com Oséas, dois a zero com Oséas, três a zero com Alex, quatro a zero com Viola e cinco a zero com Viola. Um verdadeiro show de bola!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - BAHIA X SPORT - 1988


Bahia 0 x 0 Sport

Campeonato Brasileiro 1988 – Quartas de Final

Estádio Fonte Nova, Salvador, (BA)

01de Fevereiro de 1989

Público: 58.429

Bahia: Ronaldo; Tarantini, Paulo Robson, João Marcelo e Claudir; Gil Sergipano, Paulo Rodrigues, Gil e Bobô (Dico Maradona); Zé Carlos, Charles (Osmar) e Sandro. Técnico: Evaristo de Macedo.

Sport: Flávio; Betão, Wágner, João Pedro e Marco Antônio (Ailton); Dinho, Ribamar e Zico (Neco); Robertinho, Nando e Edson. Técnico: Carlos Gainete.

Um mata-mata nordestino foi um dos grandes momentos do Brasileirão de 1988. De um lado o Bahia, que havia sido o terceiro colocado no somatório geral dos dois turnos iniciais, mas, pelo regulamento, só conseguiu se classificar porque o Vasco vencera o seu grupo nestes dois turnos, abrindo, assim, uma vaga. Do outro, o Sport, que vinha numa crescente empolgante e chegava às quartas de final com a credencial de vencedor do seu grupo no segundo turno.

Depois de empatarem em um gol no jogo de ida, na Ilha do Retiro, Bahia e Sport prometiam muita emoção para o duelo na Fonte Nova. Tanta emoção que dentre os quase 60 mil presentes estava Sebastião Lazaroni, então treinador da Seleção Brasileira. O Tricolor de Aço avançaria em caso de empate no tempo normal e na prorrogação. Ao Leão restava buscar incessantemente a vitória.

E apesar de Lazaroni ter afirmado que “houve um predomínio maior sempre da marcação”, as chances de gols apareceram para ambos os lados. Somente na etapa inicial, o centroavante baiano Charles participou de três dos chamados melhores momentos. O Sport, até pela obrigatoriedade da vitória, não ficou atrás, mas suas grandes oportunidades surgiram apenas na prorrogação.


Foram duas as chances, ambas finalizadas pelos pés do atacante Nando Lambada e defendidas pelas mãos do goleiro Ronaldo, a segunda já no último minuto do segundo tempo da prorrogação. Foi a defesa da classificação. A defesa que até hoje os tricolores baianos não esqueceram. E os rubro-negros pernambucanos também não.  

sábado, 31 de maio de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - ATLÉTICO MINEIRO X SÃO PAULO - 1977

Atlético Mineiro 0 (2) x (3) 0 São Paulo

Campeonato Brasileiro de 1977 – Final

Mineirão, Belo Horizonte (MG)

05 de março de 1978

Público: 102.974

São Paulo: Waldir Peres; Getúlio, Tecão, Bezerra e Antenor; Chicão, Teodoro (Peres) e Darío Pereyra; Viana (Neca), Mirandinha e Zé Sergio. Técnico: Rubens Minelli.

Atlético Mineiro: João Leite, Alves, Márcio, Vantuir e Valdemir, Toninho Cerezo, Ângelo e Marcelo (Paulo Isidoro), Serginho, Caio (Joãozinho Paulista) e Ziza. Técnico: Barbatana.

O Brasileirão de 1977 seria decidido em jogo único. Para o famoso “torcedor de tabela”, aquele que baseia suas mais profundas análises na tábua de classificação, o Atlético Mineiro era grande favorito ao título, já que chegava invicto à final contra o São Paulo, tendo liderado todos os seus grupos nas três fases anteriores. No entanto, desde um certo 16 de julho de 1950, nós, brasileiros, sabemos que não se deve apontar favoritismo em um jogo decisivo entre dois gigantes.

Se o Atlético tinha o goleirão João Leite, o São Paulo tinha o goleiraço Waldir Peres. Se o Atlético tinha a categoria de Toninho Cerezo, o São Paulo tinha a classe de Darío Pereyra. Se o Atlético podia apostar na impetuosidade do garoto Paulo Isidoro, o São Paulo tinha os dribles incandescentes do jovem Zé Sérgio. E se o Atlético não iria poder contar com o imparável Reinado, artilheiro do torneio com 28 gols, o São Paulo também não teria na sua escalação o matador Serginho Chulapa, vice-artilheiro, com 18 tentos.

Ambos os atacantes estavam suspensos, e não seria exagero colocar a maior parte da culpa da falta de bolas no barbante durante os 120 minutos do confronto (tempo normal e prorrogação) na conta das ausências de Reinaldo e Serginho. O empate mudo levou a decisão para a disputa de pênaltis. João Leite defendeu as duas primeiras cobranças tricolores (Getúlio e Chicão) e colocou o Galo à frente, mesmo com o desperdício de Toninho Cerezo, pois Ziza convertera o seu. O são paulino Peres e o atleticano Alves também foram às redes. Os mineiros estavam ainda mais próximos do caneco.


Foi aí que veio a reviravolta. Enquanto Antenor e Bezerra transformaram em gols para o Sampa as suas batidas, Joãozinho Paulista e Márcio mandaram as suas por cima da meta. Fim de papo. A histórica campanha invicta e o Mineirão com mais de 100 presentes não foram suficientes para deixar a taça em BH. Ela pegaria o avião para o Morumbi, paparicada pelos grandes campeões de 1977.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CORINTHIANS X CRUZEIRO - 2010


Corinthians 1 x 0 Cruzeiro

Campeonato Brasileiro 2011 – 35ª rodada

Estádio do Pacaembu, São Paulo (SP)

Público pagante: 35.935

13 de Novembro de 2010

Corinthians: Julio Cesar; Alessandro, Chicão, William e Roberto Carlos (Leandro Castán); Ralf, Jucilei, Elias e Bruno César (Jorge Henrique); Dentinho  (Danilo) e Ronaldo. Técnico: Tite.

Cruzeiro: Fábio; Jonathan, Léo, Gil e Gilberto ; Fabrício  (Wallyson), Henrique, Marquinhos Paraná e Montillo (Roger); Wellington Paulista (Farias) e Thiago Ribeiro . Técnico: Cuca.

Gol: Ronaldo (Corinthians), aos 43’ do segundo tempo

Aqueles que são contra a implantação de um maior grau de tecnologia (bola com chip, replay televisivo) para auxiliar os juízes e bandeirinhas têm como principal argumento que isto traria fim às interessantes discussões sobre a arbitragem. “O que seriam interessantes discussões sobre arbitragem?” – o amigo poderia perguntar. Pois bem, seriam aquelas relacionadas com a interpretação do juiz, pois não existe nada de interessante, por exemplo, em debater sobre um impedimento não marcado que a TV mostra constantemente que deveria ter sido.

E é justamente um lance que gerou, gera e ainda gerará muitas interessantes discussões de interpretação que colocou o confronto entre Corinthians e Cruzeiro válido pela 35ª rodada do Brasileiro de 2010 na história. Com quatro rodadas por jogar, o campeonato já se encontrava em seu momento decisivo, e a luta pelo título envolvia, além de alvinegros paulistas e azuis mineiros (ambos empatados na segunda colocação com 60 pontos), o líder Fluminense (61). Ou seja, não era uma lutinha qualquer, amigos, e sim uma guerra na qual um simples deslize poderia custar o caneco.

Este cenário decisivo fazia da tensão um protagonista no Pacaembu, e a cada lance de ataque – e não foram poucos – ela ganhava ainda mais força, à medida que as unhas perdiam em tamanho. Comandada por Montillo e Thiago Ribeiro, a Raposa não dava descanso ao arqueiro Julio Cesar, enquanto Ronaldo, pelo Timão, era o perigo de sempre. E foi o próprio Ronaldo que, pertinho do apito final, recebeu um encontrão do zagueiro Gil dentro da área e caiu no chão.

Para muitos foi contato de jogo. Para outros tantos, falta clara. O árbitro Sandro Meira Ricci compartilhou com a opinião do segundo grupo, assinalou pênalti e o Fenômeno decretou a vitória corintiana. Este, sim, amigos, um dos raros lances de arbitragem que vale a pena ser discutido. 

sábado, 24 de maio de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - INTERNACIONAL X CRUZEIRO - 1988

Internacional 2 x 0 Cruzeiro

Campeonato Brasileiro de 1988 – Quartas de Final

Estádio Beira-Rio, Porto Alegre (RS)

Público: 55.026

Internacional: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aguirregaray, Nenê e Casemiro; Luís Fernando Flores, Edu Lima (Dacroce) e Leomir; Norberto, Maurício e Nílson (Hêider). Técnico: Abel Braga.

Cruzeiro: Pereira; Balu, Gilson Jáder, Gilmar Francisco e Genilson; Betinho, Edson Souza (Ramon) e Paulo Isidoro; Edson, Careca e Robson (Vilmar). Técnico: Carlos Alberto Silva.

Gols: Nenê (Internacional), aos 9’ e Maurício (Internacional), aos 21’ do segundo tempo.

Quando Internacional e Cruzeiro pisaram no gramado do Beira-Rio para o jogo de volta da fase quartas de final do Brasileirão de 1988, não era a primeira vez que eles se enfrentavam em uma fase final de competição nacional. Muito pelo contrário, esta era nada menos do que a nona vez que colorados gaúchos e azuis mineiros mediam forças em um momento decisivo. E o retrospecto, até então, era amplamente favorável ao Inter, que vencera três partidas (com destaque para a decisão de 1975), empatado cinco e nunca havia sido derrotado.

Como um destes empates ocorrera justamente no jogo de ida das quartas de final de 1988 (zero a zero, no Mineirão), o Cruzeiro tinha a obrigação de vencer o rival pela primeira vez em um momento decisivo para seguir vivo no torneio. No entanto, para a alegria vermelha e tristeza azul, o tabu não foi quebrado.


Foi um embate suado, tenso, com expulsões (Luis Carlos Winck e Gilmar Francisco) e que só começou a ser definido na segunda etapa. Mais uma vez, melhor para o Inter, que com a segurança de sempre do goleiro Taffarel e gols do zagueiro Nenê e do atacante Maurício – o mesmo que faria história no Botafogo alguns meses depois – voltou a superar a Raposa e se garantiu na semifinal do Brasileirão de 1988.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - BOTAFOGO X GRÊMIO - 1978

Botafogo 0 x 3 Grêmio

Campeonato Brasileiro 1978 – Terceira Fase

20 de julho de 1978

Estádio Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Botafogo: Zé Carlos; Beto, Fred, Renê e Serginho; Mendonça, Clóvis e Manfrini (Luisinho); Cremílson, Dé e João Paulo. Técnico: Zagallo

Grêmio: Corbo; Vílson, Ancheta,Vicente e Ladinho; Tadeu, Valderez (Iúra) e Leandro; Tarciso, Everaldo e Renato Sá. Técnico: Telê Santana.

Gols: Renato Sá (Grêmio), aos 26’; Renato Sá (Grêmio), aos 27’ e Leandro (Grêmio), aos 37’ do segundo tempo.

Imaginem entrar em campo com o peso de ostentar a maior invencibilidade da história do futebol brasileiro (52 jogos) e do Brasileirão (42). Pois esta era a sensação do Botafogo ao pisar no gramado do Maracanã para um decisivo confronto com o Grêmio. Imaginem, agora, sair de campo após marcar dois dos três gols que colocaram fim às citadas séries invictas alvinegras. Pois esta foi a sensação do ponta-esquerda tricolor Renato Sá.

O duelo, pela penúltima rodada da terceira fase, era decisivo para saber quais os dois dentre os oito clubes do grupo S se classificariam para a fase mata-mata. Ao Botafogo apenas a vitória interessava. Não apenas para manter suas invencibilidades, mas porque o Grêmio era o líder do grupo e o Palmeiras vinha colado no cangote alvinegro. Em campo, o que não faltava no embate entre botafoguenses e gremistas era candidato a estrela da noite. Em campo e no banco, pois os treinadores eram ninguém menos que Zagallo, no comando Bota, e Telê Santana, no do Grêmio.

Mas o dia 20 de julho de 1978 parecia já ter dono. O refinado Mendonça? O explosivo Dé Aranha? O xerifão Ancheta? O flecha Tarciso? Nenhum deles. Aquela quinta-feira foi de Renato Sá, que com dois gols – Leandro faria o terceiro – decretou o maiúsculo triunfo gremista e colocou ponto final na histórica sequência do Botafogo, que ainda acabaria por perder a vaga no mata-mata para o Palmeiras.


Anos depois, em 1979, o Flamengo, embalado por 52 jogos sem derrota, enfrentaria o Botafogo com a oportunidade de superar o recorde do próprio clube de General Severiano. Diante de mais de 140 mil presentes no Maracanã, o Fogo venceu o clássico por um a zero. Sabem quem fez o tento da vitória, amigos? Pois é, Renato Sá, então ponta alvinegro e para sempre o carrasco dos invencíveis. Mas essa já é outra história...

sábado, 10 de maio de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CORINTHIANS X SÃO PAULO - 1990


Corinthians 1 x 0 São Paulo

Campeonato Brasileiro de 1990 – Segundo Jogo da Final

16 de Dezembro de 1990

Morumbi, São Paulo (SP)

Público – 100.858

Corinthians: Ronaldo; Giba, Marcelo Djian, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano e Neto (Ezequiel); Fabinho, Tupãzinho e Mauro (Paulo Sérgio). Técnico: Nelsinho Baptista.

São Paulo: Zetti; Cafu, Antonio Carlos, Ivan e Leonardo; Flávio, Bernardo e Raí (Marcelo Conti); Mário Tilico (Zé Teodoro), Eliel e Elivélton. Técnico: Telê Santana.

Gol: Tupãzinho (Corinthians), aos 9’ do segundo tempo

Quando amanheceu o domingo 16 de dezembro de 1990, o Palmeiras tinha dois troféus da Taça Brasil, do Robertão e do Campeonato Brasileiro em sua prateleira, o Santos havia conquistado nada menos do que cinco vezes a Taça Brasil e uma o Robertão, e o São Paulo vencera o Brasileirão em duas oportunidades. Em outras palavras, dos gigantes paulistas, apenas o Corinthians nunca tinha sentido o gostinho de um título nacional. A angústia da fiel torcida alvinegra, porém, acabaria em poucas horas.

À tarde, o Morumbi recebeu mais de 100 mil torcedores, a maioria de corintianos, todos aflitos, para a segunda partida decisiva do Brasileiro daquele ano. Como se não bastasse ser uma finalíssima, ainda era um clássico. Corinthians versus São Paulo. São Paulo versus Corinthians. Ao Timão bastava o empate, pois vencera pelo placar mínimo o primeiro jogo, mas Luciano do Valle deu o tom exato do cenário do primeiro tempo ao soltar pela televisão um “O Corinthians está num sufoco danado! Danado!”.


Cafu, Leonardo, Raí, Mario Tilico e companhia tricolor davam um trabalho enorme ao goleiro Ronaldo e os corintianos mais antigos encontravam em suas memórias, mesmo contra a vontade, as marcantes derrotas em Brasileiros anteriores. Foi então que surgiu, aos 9 minutos da etapa final, o histórico gol de Tupãzinho. Um gol suado, na raça, no coração. Um gol com cara de Corinthians, que deu a um time com cara de Corinthians, liderado por um craque Neto com cara de Corinthians, um título Brasileiro com cara de Corinthians. 

domingo, 4 de maio de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - FLAMENGO X PALMEIRAS - 1979


Flamengo 1 x 4 Palmeiras

Campeonato Brasileiro de 1979 – Terceira Fase

Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Público: 112.047

09 de Dezembro de 1979

Flamengo: Cantarelli; Toninho, Manguito, Dequinha e Júnior; Paulo César Carpeggiani, Adílio (Beijoca) e Zico; Reinaldo (Carlos Henrique), Cláudio Adão e Tita. Técnico: Cláudio Coutinho.

Palmeiras: Gilmar; Rosemiro, Beto Fuscão, Polozzi e Pedrinho; Pires, Mococa e Jorge Mendonça; Jorginho (Carlos Alberto Seixas), César (Zé Mário) e Baroninho. Técnico: Telê Santana.

Gols: Jorge Mendonça (Palmeiras), aos 11’ do primeiro tempo; Zico (Flamengo), aos 9’, Carlos Alberto (Palmeiras), aos 24’, Pedrinho (Palmeiras), aos 31’ e Zé Mario (Palmeiras), aos 44’ do segundo tempo.


Foi no Brasileirão de 1979, o mais inchado da história com incríveis 94 clubes - coisas da Ditadura e a política do “onde a Arena vai mal, mais um time no nacional”. O regulamento pitoresco, porém, não impediu grandes jogos, como o Flamengo versus Palmeiras da terceira fase. Tanto os rubro-negros como os alviverdes haviam passado sem dificuldades por Comercial e São Bento, os outros componentes do grupo, e duelaram num Maracanã com mais de 100 mil presentes por uma vaga na semifinal.

O Verdão tinha a vantagem do empate e ficou em situação ainda mais doce quando o craque Jorge Mendonça abriu o placar, logo aos 11 do primeiro tempo. Ao Fla, só restava atacar com corpo e alma, e Zico, Tita, Cláudio Adão e companhia se lançaram à frente, dando um trabalho enorme ao goleiro Gilmar. Como que para mostrar que não iria apenas se resguardar, o Palmeiras deu uma escapulida no fim da etapa inicial e o avante César, dentro da pequena área, acertou o travessão. O segundo tempo prometia...

Nove minutos após a volta dos vestiários, o árbitro Carlos Martins assinalou pênalti em Zico e o próprio Galinho igualou o placar. “Dá pra virar! Dá pra vencer!” – pensaram os milhões torcedores rubro-negros. Ledo engano... Esbanjando preparo físico, consciência tática, cabeça no lugar e bola nos pés, os comandados de Telê Santana não se intimidaram com o cenário, minaram pouco a pouco as forças rubro-negras e chegaram a uma goleada monumental, com gols de Carlos Alberto, Pedrinho e Zé Mario. 

sábado, 26 de abril de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - PALMEIRAS X FLUMINENSE - 2012


Palmeiras 2 x 3 Fluminense

Campeonato Brasileiro 2012 – 35ª rodada

Prudentão, Presidente Prudente (SP)

11 de Novembro de 2012

Palmeiras: Bruno; Wesley, Maurício Ramos, Henrique (Román) e Juninho; João Denoni, Marcos Assunção (Luan), Correa e Patrick Vieira; Obina (Maikon Leite) e Barcos. Técnico: Gilson Kleina.

Fluminense: Diego Cavalieri; Bruno (Diguinho), Leandro Euzébio, Gum e Carlinhos; Edinho, Jean e Thiago Neves; Wellington Nem (Marcos Júnior), Fred e Rafael Sóbis (Valencia). Técnico: Abel Braga.

Gols: Fred (Fluminense), aos 45’ de primeiro tempo; Maurício Ramos (Palmeiras-contra), aos 8’; Barcos (Palmeiras), aos 16’; Patrick Vieira (Palmeiras), aos 19’ e Fred (Fluminense), aos 42’ do segundo tempo.

Foi épico! Foi vibrante! Foi de tirar o fôlego! O que Fluminense e Palmeiras fizeram naquele domingo foi de ressuscitar defunto. Os tricolores adentraram o gramado com chances de sair dele como campeões brasileiros, chances estas que se tornaram quase certeza quando Fred e Maurício Ramos, contra, colocaram dois a zero no placar e o vascaíno Alecsandro fez o gol de empate diante do Atlético Mineiro, único rival do Flu na briga pelo título. Se tudo seguisse assim, o caneco já poderia ser endereçado para as Laranjeiras.

Porém, o desesperado Palmeiras, que vivia uma árdua luta contra o rebaixamento, tirou forças sabe-se lá de onde e num piscar de olhos igualou tudo, com Barcos e Patrick Vieira. Faltavam uns 30 minutos para o fim. E que minutos! O Alviverde se mostrava imponente e ostentava sua fibra. O Tricolor lutava com amor e vigor. E nesse momento, fez a diferença em favor do Fluzão o fato de contar com os dois melhores jogadores daquele campeonato.


O goleiro Diego Cavalieri, que salvou milagrosamente o que seria o tento da virada palmeirense, e o artilheiro Fred, que com a precisão de quem sabe tudo de grande área fez o gol do ponto final, o gol da vitória histórica, o gol do título.

sábado, 19 de abril de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - BOTAFOGO X SÃO PAULO 2007


Botafogo 0 x 2 São Paulo

Campeonato Brasileiro 2007 – 18ª rodada

Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

08 de Agosto de 2007

Botafogo: Marcos Leandro; Juninho, Renato Silva e Luciano Almeida (Adriano Felício); Joílson, Túlio, Leandro Guerreiro, Lúcio Flávio (Ricardinho) e Jorge Henrique (Alessandro); André Lima e Dodô. Técnico: Cuca.

São Paulo:  Rogério Ceni; Alex Silva, Breno e Miranda; Reasco (Hernanes), Josué, Richarlyson, Leandro (Diego Tardelli) e Jorge Wagner; Dagoberto (Júnior) e Borges. Técnico: Muricy Ramalho.

Gols: Alex Silva (São Paulo), aos 18 minutos do 2º tempo, e Leandro (São Paulo), aos 28 minutos do 2º tempo.

Chamar de decisão antecipada poderia ser um exagero, afinal era apenas a 18ª de um total de 38 rodadas, mas que aquele Botafogo versus São Paulo teve clima de final, isso teve. O Tricolor entrou no Maracanã como o líder do Brasileirão 2007 (34 pontos conquistados em 17 partidas). O Fogo, por sua vez, vinha na segunda colocação, com 32 pontos e um jogo a menos que o rival da noite. Em poucas palavras, quem vencesse o duelo no “Maior do Mundo” dormiria aconchegante na ponta da tabela.

O retrospecto de 25 jogos sem perder no Maracanã, o apoio de quase 50 mil alvinegros nas arquibancadas e o estilo ofensivo dos comandados de Cuca fizeram o Botafogo mais presente no ataque. Chutes de fora da área foram disparados e bolas foram bem cruzadas sobre a área tricolor, mas nada capaz de tirar o São Paulo do eixo. O time treinado pelo Muricy Ramalho realmente sabia como controlar um jogo, como não deixar o adversário crescer e, o principal, como vencer partidas deste tipo.

Esta, em particular, o Sampa venceu com gols na etapa final: Alex Silva, de cabeça, e Leandro, em veloz arrancada, este último após uma infantil expulsão do volante Túlio ter deixado o Bota com apenas 10 homens. O triunfo solidificou o São Paulo na liderança, de onde não sairia mais até o capitão Rogério Ceni erguer a taça de Campeão. Já para o Botafogo, o revés foi a chave para uma queda de rendimento que fez o clube terminar o torneio na nona colocação.

sábado, 7 de dezembro de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - VASCO X ATLÉTICO PARANAENSE - 2004


Vasco 1 x 0 Atlético Paranaense

Campeonato Brasileiro 2004 – 45ª rodada

São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

12 de dezembro de 2004

Vasco: Everton; Henrique, Fabiano (Gomes) e Daniel; Thiago Maciel, Ygor, Coutinho, Júnior (Marco Brito), Petkovic e Daniel; Anderson. Técnico: Joel Santana.

Atlético Paranaense: Diego; Marinho, Rogério Corrêa e Marcão; Raulen (Pingo), Alan Bahia (Morais), Fabiano, Fernandinho e Ivan; Denis Marques e Washington. Técnico: Levir Culpi

Gol: Henrique (Vasco), aos 21’ do segundo tempo.

“Foi um gol feito com raiava, Henrique?”, perguntou o repórter. “Muita, muita raiva”, respondeu o zagueiro vascaíno, ainda no calor do fim da partida. E que partida! No dia 12 de dezembro de 2004, Vasco e Atlético Paranaense se enfrentaram pela penúltima rodada do Brasileirão em um lotado São Januário. Lotado para dar forças ao Cruz-Maltino na inglória luta contra o rebaixamento. Bem próximo à zona da degola, o Vasco precisava desesperadamente dos três pontos diante de um Atlético Paranaense que se encontrava no lugar mais nobre na tabela: a liderança. E mais, caso vencesse em São Januário e o Santos não batesse o São Caetano, o Furacão conquistaria, com uma rodada de antecedência, o caneco nacional. Chances para isso não faltaram, as mais claras pelos pés dos atacantes Washington e Denis Marques. Mas, aos 21 minutos do segundo tempo, veio o momento que faria o zagueiro Henrique explodir de alegria e raiva. Alegria por ter enfiado a cabeça na bola e transformado o cruzamento de Petkovic no gol da vitória. Raiva por todo o clima pré-jogo que havia sido criado, com insinuações de que os atleticanos já teriam até comprado champanhe e bacalhau para comemorar o título. Título que, muito por causa da cabeçada inesquecível de Henrique, terminaria nas mãos do Santos.