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terça-feira, 16 de julho de 2013

FIGURINHA CARIMBADA - ACÁCIO



















Acácio Cordeiro Barreto

Nascido em 20 de janeiro de 1959

Clubes
Americano (RJ) – 1978 a 1979
Serrano (RJ) – 1980 a 1982
Vasco – 1982 a 1991
Tirsense (POR) – 1991 a 1992
Beira-Mar (POR) – 1992 a 1995
Madureira (RJ) – 1995

Títulos

Campeonato Carioca – 1982, 1987 e 1988 – Vasco
Campeonato Brasileiro – 1989 – Vasco
Troféu Ramon de Carranza – 1987, 1988 e 1989 – Vasco
Copa América – 1989 – Seleção Brasileira

Seleção Brasileira

7 jogos e 8 gols sofridos

- Foi pelo Vasco, durante quase uma década, que Acácio viveu o ápice de sua carreira. No entanto, antes mesmo de chegar à Colina o goleiro já dava alegrias à torcida cruz-maltina. Em 1980, o Serrano, com um inesquecível gol de Anapolina, venceu o Flamengo por 1 a 0 na parte final do Campeonato Carioca, resultado que praticamente colocou fim ao sonho rubro-negro de conquistar um ainda inédito Tetra Estadual em sua história. Mas se, indiscutivelmente, Anapolina foi o grande nome daquela noite, o arqueiro do Leão da Serra Acácio também foi essencial para este que é o maior triunfo do clube de Petrópolis.

- Diferente do folclórico Anapolina, que pouco depois optou pelo amadorismo, Acácio, em menos de dois anos, assumia o lugar de Mazarópi e a responsabilidade de defender a meta vascaína na reta decisiva do Cariocão de 1982. Com ele no gol, o Vasco venceu as três últimas partidas do torneio – duas contra o rival Flamengo e uma contra o América – e conquistou o título Estadual. O primeiro de muitos canecos que Acácio levantaria pelo clube de São Januário nos quase 10 anos que se seguiriam. O mais importante deles o Brasileirão de 1989, quando pegou tudo na final diante do São Paulo, no Morumbi, num jogo em que um gol de Sorato deu o título ao Vascão.

- As grandes atuações com a cruz-de-malta no peito renderam mais do que troféus a Acácio. Renderam também marcas expressivas, como os 879 minutos sem sofrer gols no Brasileiro de 1988, e convocações para a Seleção Brasileira. Disputou sete partidas como titular do Escrete, mas, após uma derrota por 4 a 0 para a Dinamarca, perdeu a vaga para Taffarel e acabou no banco de reservas na campanha vitoriosa da Copa América de 1989 e na Copa do Mundo de 1990.


- A passagem de Acácio pelo futebol português não foi das melhores e, até hoje, o assunto mais comentado por lá acerca de seu nome envolve possíveis pressões externas que teria recebido, quando guarda-metas do Beira-Mar, para facilitar uma vitória do Porto, então na briga pelo título.

terça-feira, 9 de abril de 2013

FIGURINHA CARIMBADA - RUBENS SALLES
























Rubens de Moraes Salles

Nascido em 14 de outubro de 1891

Faleceu em 21 de julho de 1934

Clubes:
Paulistano (1906 até 1920)

Títulos:
Campeonato Paulista – 1908, 1913 (APEA), 1916 (APEA), 1917, 1918 e 1919 – Paulistano

Dinâmico, completo e tático são adjetivos que não costumam acompanhar os craques que fizeram parte dos primeiros anos do futebol brasileiro, lá pelos idos da década de 1910. No entanto, é impossível falar do center-half (centromédio) Rubens Salles sem tais palavras.

Durante os mais de 10 anos em que vestiu a camisa do lendário Paulistano, Rubens Salles apresentou um futebol que, taticamente, estava acima de sua época. Seu fôlego privilegiado lhe permitia trabalhar como uma sanfona, ora a avançar, ora a recuar, e quando chegava ao ataque o fazia com protagonismo, pois contava com um chute tão potente que deixava os goleiros sem ação.

Sempre enérgico dentro de campo, comandou não só o Paulistano durante a gloriosa década de 10 – que terminaria com o até hoje único Tetra Paulista (16/17/18/19) da história – como também a recém-nascida Seleção Brasileira. Rubens Salles foi um dos onze históricos jogadores que venceram o clube inglês Exeter City por 2 a 0, em 21 de julho de 1914, naquele que foi o primeiro jogo da Seleção Brasileira. E mais, no mesmo ano, no dia 27 de setembro, em Buenos Aires , foi o autor do gol da vitória nacional sobre a Argentina por 1 a 0 que deu ao Brasil a Copa Roca, seu primeiro título.

Cerca de dez anos após pendurar as chuteiras, em 1930, Rubens Salles voltou a viver o futebol de perto, desta vez como treinador do São Paulo da Floresta – que em 1935, após extinto, foi refundado como o atual São Paulo Futebol Clube. E a mescla entre os conhecimentos de Rubens Salles e a categoria de cracaços como Friedenreich, Waldemar de Brito e Araken Patuska culminou com grandes campanhas. Entre 1930 e 1934, o São Paulo da Floresta foi Campeão Paulista de 1931 e quatro vezes vice.

sexta-feira, 15 de março de 2013

FIGURINHA CARIMBADA - VICTOR ETCHEGARAY
























Victor François Etchegaray

Nascido em 7 de abril de 1878

Faleceu em 13 de julho de 1915

Clubes:
Fluminense (1902-1909)

Títulos:
Campeonato Carioca – 1906, 1907, 1908 e 1909 – Fluminense

Chamar um player do início do século XX de elegante, numa época onde o britanismo imperava no ainda nascente futebol brasileiro, pode até parecer redundante. No caso de Victor Etchegaray, porém, a elegância não era demonstrada somente fora de campo, com seu portentoso bigode. Dentro das quatro linhas, este que foi o primeiro grande back a defender o Fluminense, era de um futebol refinadíssimo.

Na verdade, a história de Victor Etchegaray no futebol é anterior a do próprio Fluminense, clube do qual foi um dos fundadores, em 1902. Em 1º de agosto de 1901, no Rio Cricket and Athletic, na cidade de Niterói (RJ), Oscar Cox conseguiu reunir, pela primeira vez, companheiros para realizar uma partida do esporte que ele tivera contato durante seus estudos na Suíça, o então desconhecido futebol. Um destes companheiros era Victor Etchegaray, que teve seu pai e sua irmã como dois dos 15 espectadores a presenciarem este momento histórico.

Oscar Cox e Victor Etchegaray seriam companheiros outras tantas vezes com o uniforme branco e cinza – e não tricolor – do Fluminense. Na primeira partida da história do clube, no dia 19 de outubro de 1902, contra o Rio Football Club, Victor Etchegaray teve a honra de ser o capitão na estrondosa vitória por 8 a 0.

Nos primeiros anos desta hoje mais que centenária história, Victor Etchegaray foi grandioso. Em 8 de setembro de 1903, o Fluminense fez contra o São Paulo Athletic, Campeão Paulista e que contava com ninguém menos do que Charles Miller em seu ataque, o último de três amistosos interestaduais na “Terra da Garoa”. Após empatar com o Internacional e vencer o Paulistano, o Flu, tendo em Victor Etchegaray sua figura de maior destaque, não tomou conhecimento do poderio adversário e venceu por 3 a 0.

Esta foi a força que fez o Fluminense dominar o Campeonato Carioca em seus primeiros anos e, entre 1906 e 1909, conquistar um Tetra até hoje nunca superado. Victor Etchegaray, é claro, foi um dos pilares e esteve presente em todas as conquistas, desta vez com a companhia de seu irmão Emile, um goleador nato.

quinta-feira, 7 de março de 2013

FIGURINHA CARIMBADA - NONÔ
























Nome Claudionor Gonçalves da Silva

Data de nascimento 01 de janeiro 1899

Faleceu em 24 de julho de 1931

Posição atacante

Clubes
Flamengo (1921 até 1930)

Títulos
Campeonato Carioca – 1921, 1925, 1927 – Flamengo

Seleção Brasileira – 1 jogo


Mil novecentos e vinte e cinco. Este é o ano que deve ser digitado na máquina do tempo para quem quiser conhecer um pouco da história de Claudionor Gonçalves da Silva, o Nonô, maior artilheiro do Flamengo nos anos 20 e primeiro jogador a superar a marca de 100 gols com a camisa rubro-negra.

Falar apenas que Nonô foi artilheiro e Campeão Carioca neste ano de 1925 é menosprezar o que este grandalhão e mortífero atacante aprontou nos históricos gramados de Laranjeiras, General Severiano, Campos Salles e, principalmente, Rua Paysandu, então casa do Mengão. Foi lá, observado pelas centenárias palmeiras que rodeavam o campo, que Nonô deixou a piedade de lado e em duas partidas contra o SC Brasil foi às redes nada menos do que nove vezes – quatro nos 8 a 0 do 1º turno e cinco nos 6 a 0 do segundo.

Mas não foi só o “indefeso” SC Brasil que sofreu com as finalizações letais de Nonô no Cariocão de 1925. Os rubros do América, “Campeões de 13, 16 e 22”, como canta o seu belo hino, viram o atacante flamenguista marcar quatro vezes na goleada de 5 a 1 do 1º turno e outras duas na vitória por 4 a 0. Vitória esta última que deu ao Rubro-Negro o seu quinto título carioca. Nonô terminaria o ano com 30 gols assinalados em 21 jogos. Uma marca digna do lendário Arthur Friendenreich.

Este ano fulminante na carreira do craque não chegou de repente, sem avisar. Desde o início da década de 20, Nonô era, um ano sim o outro também, o artilheiro do clube na temporada. Seus gols já haviam ajudado o Fla a ser Campeão, ou melhor, Bicampeão do Rio em 1921, e lhe tornado, em 1923, o primeiro flamenguista artilheiro de um Carioca.

Em 15 de agosto de 1926, Nonô esteve em campo e, claro, deixou sua marca no 8 a 1 sobre o Botafogo, maior goleada conseguida pelo Fla no clássico contra o Alvinegro. No ano seguinte, ainda faria parte do elenco e contribuiria com dois gols em dois jogos para o título de 1927, mas sua brilhante saga com a camisa que pesa muitas libras já se aproximava do final, que chegaria em 1930, um ano antes de seu prematuro falecimento por tuberculose.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

FIGURINHA CARIMBADA - ZAGUE




















Nome José Luís Alves dos Santos
Data de nascimento 10 de agosto de 1934
Posição Centroavante

Clubes:
Botafogo (BA) – até 1956
Corinthians – 1956 a 1961
Santos – 1961
América (MEX) – 1961 a 1970
Veracruz (MEX) – 1970 a 1971

Títulos:
Copa México – América – 62/63 e 63/64
Liga Mexicana – América – 65/66

Destaques:

- Um dos grande celeiros de craques do nosso futebol é a Bahia. Foi lá, na “Terra de Todos os Santos” que o menino José Alves começou a se tornar amigo da bola e ganhou o apelido que carregaria por toda a vida: Zague. O apelido tem origem na criatividade de uma de suas tias, que sempre o via correr em zigue-zague pelas areias das praias de Salvador. Zague já não era mais criança quando começou a marcar gols pelo Botafogo-BA, gols estes que o levariam para o Corinthians, em 1956.

- No “Timão”, Zague teve aquilo que pode se chamar, sem tirar nem por, de estreia perfeita. Em plena Vila Belmiro, o jovem de 22 anos não tomou conhecimento do Santos, colocou dois “peixes na rede” – como diria o saudoso locutor Waldir Amaral – e ajudou seu Corinthians a golear por quatro a zero. O tempo mostraria que estes seriam somente os primeiros dois de mais de cem gols com a camisa corintiana, número que o coloca na seleta lista de 17 artilheiros centenários do clube.

- Depois de uma rápida passagem pelo Santos, onde atuou ao lado do “Rei” Pelé, Zague aportou no México em 1961, para vestir o uniforme do América. Amigos, é bem provável que nem o próprio centroavante imaginasse o sucesso que lhe esperava. Com um futebol aguerrido, letal e, claro, muitos gols, Zague não tardou a se tornar um ídolo azulcrema. Devido ao seu posicionamento sempre à frente dos seus companheiros de ataque, a espera da redonda que, invariavelmente, ele empurraria para o fundo do barbante, Zague recebeu dos mexicanos o apelido de “Lobo Solitário”. Ao final de sua passagem pelo América, o saldo era de encher os olhos. Zague se tornara o maior goleador estrangeiro da história do clube – novamente com mais de cem gols marcados – e conquistara duas Copas e uma Liga Mexicana, esta, tão importante, que é merecedora de um capítulo à parte nos livros sobre o América.

- A importância do título da Liga na temporada 65/66 se dá pelo fato de ter sido o primeiro do América na era profissional do futebol mexicano (iniciada em 1943) e por ter colocado fim a uma fila de 37 anos. E esta foi uma conquista com tempero brasileiro, já que, além de Zague, artilheiro do torneio com 20 tentos anotados, o América contava com o Bicampeão Mundial Vavá, o autor do primeiro gol do Estádio Azteca, Arlindo, e o canhoto habilidoso Moacyr.

- A ligação de Zague com o América foi tão intensa que passou para o seu filho, Luís Roberto Alves. Zaguinho, como previsivelmente ficou conhecido, deu continuação ao trabalho do pai de maneira irretocável e acabou por se tornar, simplesmente, o maior artilheiro da história do América (209 gols). Mexicano de nascimento, Zaguinho disputou, entre muitas competição com “La Verde”, a Copa do Mundo de 1994.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

FIGURINHA CARIMBADA - PITA



Nome Edivaldo Oliveira Chaves

Data de nascimento 04 de agosto de 1958

Posição meio-campo


Clubes

Santos (1977 a 1984)

São Paulo (1985 a 1988)

Racing Strasbourg – FRA (1988 a 1989)

Guarani (1989 a 1990)

Fujita – JAP (1991 a 1992)

Nagoya Grampus – JAP (1993)

Internacional de Limeira – SP ( 1994)


Títulos

Campeonato Paulista – 1978 – Santos

Campeonato Paulista –1985 e 1987 – São Paulo

Campeonato Brasileiro – 1986 – São Paulo


Destaques


- O ano era 1978. O futuro galã dos cinemas Tom Cruise ainda nem sonhava em interpretar Ethan Hunt nos cinemas e uma missão impossível se apresentava na bela cidade de Santos: encontrar um único torcedor santista que não sentisse saudades do Pelé. Desde que o Rei arrumara suas malas para se aventurar em campos estadunidenses que o Alvinegro Praiano não fazia bom papel no Campeonato Paulista. E quando no fim de agost, o Paulistão teve início, um time santista repleto de garotos não prometia a volta do futebol da “Era de Ouro”. Porém, jogo vai, jogo vem, e, com um futebol jovial, arisco e cheio de impetuosidade, os meninos da Vila se tornaram os... “Meninos da Vila”. Pita, nosso “Figurinha Carimbada”, distribuía passes que mais eram notas de música clássica, enquanto, mais à frente, Nílton Batata, Juary e João Paulo formavam um trio de ataque puro Rock´n Roll e que deixava qualquer defesa de cabelo em pé. E foi assim, com muita jovialidade e um Pita – de apenas 20 anos! – envergando a lendária camisa 10 santista como ela merecia, que o “Peixe” superou o São Paulo na decisão e levantou o caneco do Paulistão de 1978.


- Depois de mais alguns anos jogando uma bola redondinha pelo Santos, como espelha os dois prêmios Bola de Prata que conquistou em 1982 e 1983, Pita trocou a Vila Belmiro pelo Morumbi e foi desfilar sua categoria com a camisa do São Paulo. Não mais em início de carreira, o meia levaria, também, a experiência adquirida no período em que formou um magnífico tripé de meio-campo com Clodoaldo e Aílton Lira no Alvinegro Praiano. E por uma daquelas que só o destino sabe aprontar, Pita, antigo craque dos “Meninos da Vila”, iria fazer parte do esquadrão conhecido como “Menudos do Morumbi”. Recheado de promessas como Müller, Silas e Sidney, o time são-paulino recebeu este apelido em alusão a uma famosa banda porto-riquenha de muito sucesso na época. Com esta garotada, a precisão e preciosidade de Pita nos passes e os gols de Careca, o Tricolor Paulista viveria um triênio glorioso, com os títulos Paulistas de 1985 e 1987 e o Brasileiro de 1986, quando colocou nada menos do que seis jogadores, entre eles, claro, Pita, na Seleção do torneio.


- Já trintão, Pita foi mostrar sua arte em gramados europeus. Porém, assim como ocorreu com muitos cracaços brasileiros – Renato Gaúcho, Edmundo e Marcelinho Carioca, são só três exemplos – o período vivido no “Velho Continente” não foi dos melhores para Pita, que disputou a temporada 1988/1989 pelo Racing Strasbourg, da França. O ex-santista e tricolor até balançou as redes algumas vezes, mas o quilate de suas apresentações já não era o mesmo e o Racing acabou rebaixado para a 2ª Divisão Francesa. Antes de pendurar as chuteiras, Pita ainda defenderia o Guarani, bateria uma bolinha no incipiente futebol japonês e, por fim, teria o uniforme da Internacional de Limeira como o último de sua brilhante carreira.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

FIGURINHA CARIMBADA - VASCONCELOS




Nome Severino Vasconcelos Barbosa

Data de nascimento 05 de Julho de 1950

Posição meio-campo

Clubes
Alecrim – RN (até 1970)
Náutico – PE (1970 a 1974)
Palmeiras – SP (1975 a 1976)
Internacional –RS (1976 a 1978)
Colo-Colo – CHI (1979 a 1985)
Barcelona – ECU (1985 a 1986)
La Serena – CHI (1987 a 1988)
Universidad de Chile – CHI (1989)
Palestino – CHI (1990 a 1992)

Títulos
Campeonato Pernambucano – 1974 – Náutico
Campeonato Chileno – 1979, 1981 e 1983 – Colo-Colo
Copa Chile – 1981 e 1982 – Colo-Colo
Campeonato Chileno 2ª Divisão – 1989 – Universidad de Chile

Destaques

- Entre o ano de 1963 e 1968, o Náutico se tornou o primeiro clube Hexa Campeão Pernambucano. Como o Campeonato na “Terra do Frevo” era bastante tradicional – fora disputado pela primeira vez em 1915 – muitos pensaram que esta marca de seis títulos consecutivos do Alvi-Rubro não seria ameaçada tão cedo. Porém, logo em sequência, o Santo Cruz começou a enfileirar canecos e, em 1973, se tornou Penta Campeão Pernambucano. Assim sendo, já no ano de 1974, os torcedores do Náutico poderiam perder a honra de bradar aos quatro cantos que eram os únicos com seis títulos estaduais seguidos. Começa o torneio de 1974 e, de maneira invicta, o Santa Cruz conquista o 1º turno e torna ainda mais clara a ameaça ao status do Naútico de único Hexa. E é neste exato momento que surge o nosso “Figurinha Carimbada” de hoje. Ao lado de nomes que não tardariam a se tornar conhecidos do futebol brasileiro – como o goleiro Neneca, Campeão Brasileiro de 1978 pelo Guarani e que chegou a possuir uma marca de 1636 minutos sem sofrer gols, e Jorge Mendonça, craque de enorme criatividade que disputaria a Copa do Mundo de 1978 – Vasconcelos mostrou todo o seu futebol e foi essencial para o Náutico vencer o 2º turno invicto. Na grande decisão só deu “Timbu”: duas vitórias por 1 x 0 e manutenção do apelido de “Único Hexa”, que perdura até os dias de hoje.

- A visibilidade adquirida após o Pernambucano de 1974 fez a dupla Jorge Mendonça/Vasconcelos ser contratada pelo Palmeiras. Porém, se Jorge Mendonça não demorou para brilhar ao lado do “Divino” Ademir da Guia – cujo fato de estar em fim de carreira não diminuiu uma gota da sua enorme genialidade –, Vasconcelos não teve a mesma sorte e, depois deste período no Palmeiras e de um outro em Porto Alegre, no Internacional, foi parar no Chile. Mal sabia o que lhe esperava. Logo em seu ano de estreia vestindo a camisa do Colo-Colo, Vasconcelos encantou o chilenos com um futebol cheio de técnica e ajudou o clube a reconquistar o Campeonato Nacional após sete anos de seca. E o amor com o Colo-Colo seria o mais longo da vida de Vasconcelos: sete temporadas e mais de 200 partidas. Tempo o suficiente para conquistar outros dois Campeonatos Chilenos, duas Copas Chile e deixar para sempre na memória dos torcedores as magias realizadas em conjunto com Carlos Cazely, uma lenda do futebol chileno.

- E se engana o amigo que acredita que a história de “Vasco” no futebol chileno foi exclusivamente escrita com a camisa branca do Colo-Colo. Em 1989, já beirando os 40 anos, o meia foi contratado pela Universidad de Chile, simplesmente o maior rival do Colo-Colo. A missão: recolocar “La U” na 1ª Divisão Chilena. Ignorando o peso da idade, Vasconcelos participou de 25 dos 33 jogos da campanha cujo final foi de felicidade para a torcida azul, com a conquista do título e do retorno à elite.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

FIGURINHA CARIMBADA - PEDRO BASÍLIO






Nome Pedro Basílio Filho

Data de Nascimento 02 de Março de 1951

Faleceu em 21 de Novembro de 2007

Posição Zagueiro

Clubes
Fortaleza – CE (1969 a 1974, e 1982 a 1988)
Internacional – RS (1972)
Botafogo – RJ (1973)
Sport – PE (1975)
Ceará – CE (1976 a 1981)

Títulos
Campeonato Cearense – 1973, 1974, 1982, 1983, 1985 e 1987 – Fortaleza
Campeonato Pernambucano – 1975 – Sport
Campeonato Cearense – 1976, 1977, 1978, 1980 e 1981 – Ceará

Destaques
- Poucos zagueiros, ou melhor, poucos jogadores tiveram uma carreira tão vitoriosa no futebol nordestino como Pedro Basílio. Ainda jovem, aos 18 anos, Pedro Basílio fez parte da histórica equipe do Fortaleza que se sagrou Vice-Campeã da Taça Brasil de 1968. E foi justamente no “Tricolor de Aço” que o zagueirão escreveu o seu nome com o grafite mais forte, ao conquistar nada menos do que sete títulos estaduais. Destes, vale destacar o de 1983, quando o Fortaleza montou uma das maiores equipes do Nordeste – apelidada de “Máquina” – que, além do nosso “Figurinha Carimbada”, contava com o habilidoso ponta Júlio César Uri Geller, o centroavante Luizinho das Arábias (artilheiro do certame com 33 gols) e o ex-vascaíno Marquinhos. Realmente um timaço!

- Quem também teve o privilégio de contar com o futebol de Pedro Basílio foi o Ceará, grande rival do “Tricolor de Aço”. No “Vovô”, Pedro Basílio jogou ao lado do Sérgio Gomes, para muitos o maior goleiro da história do clube, durante o Tri Cearense de 76/77/78. O zagueiro ainda conquistaria, já sem a companhia de Sérgio Gomes, o Bi de 80/81. Depois deste período no Ceará, voltou ao Fortaleza, e a história deste retorno é uma das mais saborosas de nosso futebol. Reza a lenda que, desesperado por não conseguir um bom zagueiro desde a saída de Pedro Basílio, dirigentes tricolores adotaram uma estratégia diferente para repatriá-lo. Primeiro foi agendada uma reunião com o Ceará, onde o Fortaleza faria a proposta de trocar Pedro Basílio pelo ponta Mazolinha – o mesmo que, pelo Botafogo, realizou o cruzamento para Maurício marcar, contra o Flamengo, o gol do histórico título carioca de 1989, que colocou fim à fila botafoguense de 21 anos. Depois, os dirigentes tricolores deram uma grana para o Pedro Basílio e o pediram para gastar tudo bebendo cerveja e, assim, aparecer para a reunião do dia seguinte com uma baita cara de ressaca. Chegada a hora da reunião, Mazolinha aparece todo arrumadinho, de barba feita e cabelo penteado, enquanto Pedro Basílio mais parecia um trapo velho. Resultado: os dirigentes do “Vovô” se espantaram com a diferença no estilo dos jogadores e o Fortaleza recebeu o aparentemente acabado Pedro Basílio e mais uma bela grana em troca do jovem Mazolinha.

- Fora do estado do Ceará, Pedro Basílio teve rápidas passagens por Internacional, onde fez dupla de zaga com o magnífico Figueroa, Botafogo e Sport, esta última com maior destaque. No “Leão da Ilha”, foi um dos principais responsáveis pelo fim da fila de títulos que durava longos 13 anos, período no qual o Náutico conquistou sete canecos e o Santa Cruz cinco. Enquanto no ataque rubro-negro Dadá Maravilha não parava de marcar gols – foram 32 em todo o torneio, 12 a mais do que o vice-artilheiro Jorge Mendonça – na defesa, Pedro Basílio era uma verdadeira muralha. Para se ter uma ideia do quilate desta equipe, Campeã Pernambucana de 1975, ela recebeu o apelido de “Seleção do Nordeste”.

- Pelo invejável currículo que conta com portentosos 12 títulos cearenses e pela enorme qualidade defensiva, Pedro Basílio ganharia, em 2003, o título de Craque da Era Castelão pelas mãos da Crônica Desportiva e da Secretaria de Esporte e Cultura do Ceará.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

FIGURINHA CARIMBADA - CHINESINHO





Nome Sidney Colônia Cunha

Data de nascimento 15 de setembro de 1935

Faleceu 16 de abril de 2011

Posição Meia-Armador

Seleção Brasileira – 17 Jogos e 7 Gols

Clubes

Rio-Grandense – RS (1954)
Internacional – RS (1955 a 1958)
Palmeiras – SP (1958 a 1962)
Modena – ITA (1962 a 1963)
Catania – ITA (1963 a 1965)
Juventus – ITA (1965 a 1968)
Lanerossi – ITA (1968 a 1972)
New York Cosmos – EUA (1972)
Nacional – SP (1973 a 1974)

Títulos

Campeonato Gaúcho – Internacional – 1955
Campeonato Pan-Americano – 1956 – Seleção Brasileira
Campeonato Paulista – 1959 – Palmeiras
Taça Brasil – 1960 – Palmeiras
Copa Roca – 1960 – Seleção Brasileira
Copa da Itália – 1965 – Juventus
Campeonato Italiano – 1967 - Juventus


- Entre 1956 e 1968, o futebol gaúcho viveu o período que ficou conhecido como “12 em 13”, pois dos 13 Campeonatos Estaduais disputados, o Grêmio do lendário zagueiro Aírton “Pavilhão” conquistou nada menos do que 12 títulos. Um ano antes desta “Era Tricolor”, porém, um dos grandes jogadores que os nossos gramados já viram começava a se destacar pelo Internacional. Seu nome? Sidney Colônia Cunha, mas todos o conheciam como Chinesinho, apelido que veio do pai, Chinês, jogador histórico no Rio Grande do Sul. O ano de 1955 foi o de estréia de Chinesinho com a camisa colorada e, ao lado de craques do mais alto quilate como Florindo, Oreco, Bodinho e Larry, o jovem de apenas 20 anos não tadaria a levantar seu primeiro caneco. O título conquistado foi o do Campeonato Gaúcho, onde Chinesinho, inclusive, marcou o único gol da vitória vermelha sobre o Pelotas no primeiro jogo da decisão do torneio. No ano seguinte, em 1956, a Seleção Gaúcha teve a difícil missão de representar o Brasil no Pan-Americano do México e, com a ajuda de Chinesinho, autor de um gol decisivo na final diante da Argentina, se sagrou Campeã.

- Depois de uma passagem não muito longa, contudo marcante, pelo Internacional, Chinesinho aportou no Palmeiras no ano de 1958 para, definitivamente, escrever o seu nome na história do futebol brasileiro. O craque jogou tanta bola no Palmeiras que Ademir da Guia, dando os primeiros passos no futebol, ora ficava no banco de reservas, ora atuava como volante, pois a posição de meia-armador ninguém tirava de Chinesinho. Foi com o ex-colorado responsável por arquitetar as tramas ofensivas que o Verdão conquistou dois de seus mais importantes títulos: o Supercampeonato Paulista de 1959, sobre o Santos de Pelé, e a Taça Brasil de 1960, com uma sonora goleada de 8 x 2 na decisão contra o Fortaleza. Aqui vai a escalação da espetacular equipe que venceu o Santos por 2 x 1 no jogo decisivo do Paulistão de 1959: Valdir de Moraes; Djalma Santos, Valdemar Carabina, Aldemar e Geraldo Scotto; Zequinha e Chinesinho; Julinho Botelho, Américo Murolo, Romeiro e Nardo. Técnico: Oswaldo Brandão. É ou não é uma verdadeira Seleção?

- Apesar de não ter participado da Copa do Mundo de 1962 – Didi e Mengálvio foram os meias da Seleção Brasileira Bicampeã do Mundo no Chile – as grandes atuações de Chinesinho nos gramados brasileiros o levariam ao Calccio, comprado pelo Modena por um valor inacreditável para a época. Somente com o dinheiro da sua venda, o Palmeiras reformou o Palestra Itália e ainda comprou alguns grandes jogadores, como o zagueiro Djalma Dias e o atacante Tupãzinho. Na Itália, o craque conseguiria bem mais do que a amizade do tenor Luciano Pavarotti, torcedor fanático do Modena. A marcante passagem do gaúcho pela “Velha Bota” teve como ponto máximo a conquista do Scudetto da temporada 1966/1967, pela Juventus. Somente para termos uma dimensão do quanto o futebol de Chinesinho encantou os italianos, vale apresentar aqui um trecho de uma entrevista do Roberto Baggio, melhor jogador do mundo em 1993. “Era 1973, meu pai disse que me levaria, pela primeira vez, a um estádio de futebol. Era o Estádio Menti, em Vicenza, e fazia muito frio. Era inverno. Um inverno tão rigoroso que proibia uma criança de apenas seis anos sair de casa. Mas, para essa criança, era um sonho poder ver seu ídolo, o craque Chinesinho, jogar”. Este é Chinesinho, um cracaço que deixou fãs por todos os gramados em que desfilou seu encantador futebol.

Referências Bibliográficas
Enciclopédia da Seleção - Ivan Soter - Opera Nostra Editora
Divino – A Vida e a Arte de Ademir da Guia – Kleber Mazziero de Souza – Editora Gryphus

segunda-feira, 14 de março de 2011

FIGURINHA CARIMBADA - SIDNEY PULLEN




NOME Sidney Pullen

DATA DE NASCIMENTO 14 de julho de 1885

FALECIMENTO na década de 50

POSIÇÃO

Atuou em diversas posições, dentre elas de center-half e de inside-foward, o que podemos aproximar, grosseiramente, para volante e meia, respectivamente.

CLUBES
Paissandu – RJ (1910 a 1914)
Flamengo (1914 a 1925)

SELEÇÃO BRASILEIRA

3 jogos

TÍTULOS
Campeonato Carioca – 1912 – Paissandu
Campeonato Carioca – 1914, 1915, 1920 e 1921 – Flamengo

DESTAQUES

- Em seus primeiros anos de existência no Brasil, o futebol foi enormemente influenciado pelos ingleses. Não era para menos, já que os ingleses são os “Pais do Futebol” e o esporte começou a se desenvolver por aqui quando Charles Miller retornou de seus estudos na Inglaterra, em 1894, com duas bolas debaixo dos braços e, como ele disse para seu pai, “graduado em futebol”. Nas duas primeiras décadas do século XX, não eram somente jogadores britânicos que desfilavam por nossos gramados, mas também existiam “clubes britânicos”, como o São Paulo Athletic Club, que conquistou os três primeiros Campeonatos Paulistas, o Rio Cricket and Athletic Association e do Paissandu Cricket Club, estes dois no Rio de Janeiro. E é justamente no Paissandu que se inicía a história do nosso “Figurinha Carimbada” da vez, Sidney Pullen.

- Nascido em Southampton, em 1885, Sidney Pullen chegou no Brasil ainda criança, após seu pai ser transferido para uma fábrica no Rio de Janeiro. Com apenas 15 anos de idade, em 1910, ele já defendia as cores do Paissandu e, dois anos mais tarde, entrou para a história ao conquistar o Campeonato Carioca de 1912 pelo clube azul e branco. E este não foi um campeonato qualquer. Com certeza você já deve ter escutado ou lido a frase: “O Flamengo nasceu do Fluminense”. Pois é verdade. No final de 1911, após o Fluminense levantar mais um caneco estadual, oito integrantes decidiram sair do clube e fundar uma seção de futebol no Clube de Regatas do Flamengo, ou seja, o Flamengo que disputou a Carioca de 1912, foi praticamente o Fluminense Campeão de 1911. No entanto, o Paissandu esteve impossível em 1912, com destaques para o inside-foward, como chamavam na época, Sidney Pullen e para o centroavante Harry Robinson, autor de 26 dos 64 gols da equipe no torneio. O Flamengo? Teve que se contentar com o vice-campeonato.

- Se 1912 havia sido um ótimo ano para Sidney Pullen, 1913 não ficaria atrás. Em 1910, aquele que era talvez o principal clube amador da Inglaterra, o Corinthians – que inspirou a fundação do Sport Club Corinthians Paulista – esteve no Brasil em excursão. Os ingleses venceram todos os seus jogos e ainda obtiveram goleadas impressionantes, mesmo se levarmos em consideração o nível do futebol que era jogado por aqui e na “Terra da Rainha”. Um exemplo: Corinthians 10 x 1 Fluminense. Em 1913, o Corinthians voltou ao Brasil em nova excursão, contudo a história foi diferente e desta vez eles retornaram para casa com uma derrota na bagagem. No dia 21 de agosto, a Seleção do Rio de Janeiro, contando com uma atuação inesquecível de Sidney Pullen, conquistou uma Vitória – assim mesmo, com “V” maiúsculo - por 2 x 1. Vejam o que o Jornal do Commercio escreveu sobre a apresentação de Sidney Pullen: “O centro de avante dos brasileiros Mimi, Welfare e Sidney excedeu a toda a expectativa. Estes elementos, quer collectiva, quer individualmente foram de uma actividade à toda prova”. Uma curiosidade: o goleiro do selecionado carioca neste triunfo foi Harry Robinson, o mesmo que fora artilheiro do Carioca de 1912 pelo Paissandu.

- Em 1914, o Paissandu abandonou a prática do futebol e Sidney Pullen foi defender as cores do Flamengo, chegando ao clube junto com seu pai, Hugh Pullen, que mais tarde se tornaria tesoureiro do clube. Foi Hugh Pullen o responsável por importar da Alemanha o uniforme com as cores vermelho, preto e branco e que ficou conhecido como cobra coral. Devido à 1ª Guerra Mundial, o Flamengo decidiu retirar o branco do uniforme, pois vermelho, preto e branco eram as cores da bandeira alemã. De acordo com o livro “Um jogo inteiramente diferente”, o anglo-brasileiro Sidney Pullen (anglo por parte do pai e por ter nascido em Southampton e brasileiro por parte da mãe) foi de considerável influência para a retirada do branco do uniforme flamenguista.

- A história de Sidney Pullen no Flamengo não está relacionada somente com as cores e o uniforme da equipe. Dentro de campo, o craque jogou uma barbaridade e foi um dos principais jogadores da equipe enquanto esteve por lá. Dentre todos os canecos conquistados por ele pelo Fla – de acordo com o site flamengo.com.br foram nada menos do que 16 – os destaques ficam por conta dos quatro Cariocas. Vestindo a camisa rubronegra, Sidney Pullen se sagrou duas vezes Bicampeão Estadual, a primeira em 1914/1915 e a segunda em 1920/1921. Uma curiosidade sobre este grande personagem do mundo da bola: entre os dois Bicampeonatos citados acima, Sidney Pullen lutou pela Inglaterra na 1ª Guerra Mundial.

- As excelentes atuações de Sidney Pullen nos títulos estaduais de 1914 e 1915 o credenciaram a disputar o Campeonato Sul-Americano de 1916, disputado em Buenos Aires, pela Seleção Brasileira. De acordo com a obra “O negro no futebol brasileiro”, escrito pelo Mario Filho, a Seleção encontrou enormes dificuldades para convencer os organizadores do torneio sul-americano que Sidney Pullen era brasileiro: “Os argentinos não acreditaram que um brasileiro tivesse aquele nome bem inglês, aquela cara mais inglesa ainda”. Contudo, nem mesmo a presença de Sidney Pullen em campo evitou que o Uruguai conquistasse o primeiro Sul-Americano de Seleções da história. Vale ressaltar que Sidney Pullen é o único anglo-brasileiro que já vestiu a camisa da nossa Seleção.

REFERÊNCIAS

Um Jogo Inteiramente Diferente – Aidan Hamilton
O Negro no Futebol Brasileiro – Mario Filho
Enciclopédia da Seleção – Ivan Soter

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

FIGURINHA CARIMBADA - NININHO





Nome: Octávio Fantoni

Data de nascimento: 4 de abril de 1908

Faleceu em 8 de fevereiro de 1935

Posição: médio-esquerdo

Clubes:

Palestra Itália – MG (1922 a 1923 e 1925 a 1931)
Avante – MG (1924)
Lazio – ITA (1931 a 1935)

Seleção Italiana – 1 jogo

Títulos:

Campeonato Mineiro – 1926, 1928, 1929 e 1930

Antes de começarmos a falar sobre a carreira do grande Octávio Fantoni, o Nininho, um rápido esclarecimento. Em 1942, o Palestra Italia (MG) trocou de nome para Cruzeiro Esporte Clube. O motivo? A Itália era um país inimigo do Brasil na II Guerra Mundial, diga-se de passagem foi o país onde nossas forças mais atuaram durante o conflito, e não era bem visto um clube brasileiro ter o nome de Palestra Itália. Por motivo semelhante o Palestra Itália (SP) passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras. Bom, amigos, agora sim podemos falar sobre o nosso Figurinha Carimbada.


Destaques:

- Fundado em 1921, o Palestra Itália levantaria o seu primeiro troféu mineiro em 1926 para logo tomar gosto pelo negócio: em 28/29/30 seria Tricampeão Estadual. Nesta histórica conquista do Tri, o Palestra era um verdadeiro esquadrão, que contava, por exemplo, com o “artista” ponta-direita Piorra, o artilheiro de mão cheia Ninão, que se chamava João Fantoni e era primo de Nininho, além do próprio Nininho. Atuando como médio-esquerdo, Nininho era daqueles jogadores chamados de "policial". Assim como a missão de um policial é proteger e servir, esses foram os trabalhos que Nininho executou com raríssima qualidade nos gramados mineiros e italianos. Jogador de muita força e grande capacidade de roubar bolas sem cometer faltas, Nininho também era dono de dribles categóricos e passes perfeitos. Além de tudo, era de uma vontade digna de um herói, capaz de estar com a perna engessada em um dia e sair de campo com a camisa encharcada de suor no seguinte.

- Em 1931, os primos Nininho e Ninão embarcaram para a Itália, onde iriam defender a Lazio. Vale dizer que Leonízio Fantoni, o Niginho, e Orlando Fantoni, irmãos de Ninão e, claro, primos de Nininho, também se destacaram pelo Palestra Itália e pela Lazio. Ou seja, a família Fantoni foi uma verdadeira fonte de craques para estes dois clubes. Atuando no duro futebol italiano, Nininho continuou o gigante de sempre. A prova disso foi a convocação para disputar a partida contra a Grécia pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1934 (nota: mesmo sendo país sede do Mundial de 1934 a Itália precisou disputar as Eliminatórias, sendo o único anfitrião na história a ter que decidir no campo uma vaga para o torneio). Com dois brasileiros em campo, já que o ex-corintiano Filó foi companheiro de Nininho nesta partida, os italianos atropelaram os gregos com uma goleada por 4 x 0. Por sinal, pouco tempo após este confronto Filó seria Campeão Mundial com a Itália, se tornando o primeiro brasileiro a conquistar o caneco da Copa do Mundo. “E por que o Nininho não estava ao lado de Filó?” – o amigo deve estar perguntando. Pois, infelizmente, uma contusão afastou o ex-palestrino do Mundial.

- Provavelmente, os mais íntimos de Nininho devem ter ficado tristes com a não convocação para a Copa do Mundo de 1934. No entanto, a ausência no Mundial não era nada perto do que iria ocorrer no dia 20 de janeiro de 1935. Em duelo contra o Torino, Nininho disputou uma bola com o também brasileiro Benedito e cortou o nariz. Talvez por não ter parecido um ferimento grave, talvez pela já citada heróica força de vontade, o craque permaneceu em campo até o fim do jogo. Nem Nininho, nem os médicos, nem torcedores poderiam imaginar que, por causa deste ferimento no nariz, Nininho viria a falecer pouco mais de duas semanas depois. Comprovando o carinho que tinham pelo brasileiro, milhares de fãs do craque, não somente os da Lazio, estiveram presente nas ruas de Roma para se despedir deste verdadeiro colosso do nosso futebol.

Referências
Páginas Heróicas – Jorge Santana. Editora DBA.
laziowiki.org

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

FIGURINHA CARIMBADA - ROBERTO CAVALO



Nome: Roberto Fernando Schneiger

Data de nascimento: 13 de abril de 1963

Posição: meio-campo

Clubes:

Atlético Paranaense (1985 até 1988)
Criciúma (1989 até 1992)
Vitória (1993 e 1994)
Botafogo (1994 e 1995)
Sport (1995 até 1997)
Avaí (1997)

Títulos:

Campeão Paranaense – 1985 e 1988 – Atlético Paranaense
Campeão Catarinense – 1989, 1990 e 1991 – Criciúma
Campeão da Copa do Brasil – 1991 – Criciúma
Campeão Catarinense – 1997 – Avaí

Destaques:

- Depois de se profissionalizar e ter atuado por aproximadamente quatro anos no Atlético Paranaense, o meia Roberto Cavalo chegou ao Criciúma em 1989 para, com seus potentes chutes, que lhe renderam o apelido, entrar para a história do futebol catarinense. Logo no ano de sua chegada, Roberto já colocou a faixa de Campeão Estadual no peito, feito que iria se repetir em 1990 e 1991. E foi também em 1991, ano do Tri Estadual do Tigre, que o futebol de Santa Catarina alcançou seu ápice em termos nacionais. O motivo? Comandado pelo treinador Luiz Felipe Scolari, o Criciúma realizou uma memorável campanha e se sagrou Campeão da Copa do Brasil de maneira invicta. Durante a caminhada, o Tigre passou por difíceis adversários como Atlético Mineiro e Goiás antes de chegar à decisão do torneio, contra o também invicto Grêmio, e conquistar o caneco após dois empates (0 x 0 no Heriberto Hulse e 1 x 1 no Olímpico). Aqui vai a equipe Campeã da Copa do Brasil de 1991: Alexandre, Sarandi, Vilmar, Altair e Itá; Roberto Cavalo, Gélson e Grizzo (Vanderlei); Zé Roberto, Soares e Jairo Lenzi. Técnico: Luiz Felipe Scolari. E a gloriosa passagem de Roberto pelo Tricolor Catarinense não parou na Copa do Brasil. No ano seguinte, o Tigre disputou a Taça Libertadores e terminou na excelente quinta colocação. Com Roberto Cavalo e o ponta-esquerda Jairo Lenzi jogando o fino da bola, o Criciúma terminou a primeira fase, a fase de grupos, em 1º lugar, superando o São Paulo e os bolivianos San José e Bolívar. Nas oitavas-de-final viriam duas vitórias contra o Sporting Cristal (PER) e a classificação para um novo confronto contra o São Paulo. Desta vez, porém, pelas quartas-de-final, o Tigre não conseguiu vencer o Sampa de Telê Santana, Zetti, Cafu, Raí, Palhinha e companhia, que caminhava firme e forte para a conquista da América e do Mundo.

- Como que para provar que craque que é craque joga em qualquer canto, Roberto Cavalo saiu do Sul para o Nordeste e pendurou sua foto na galeria de ídolos do Vitória. Ao lado de jogadores que viriam a se consagrar Campeões da Copa do Mundo de 2002, casos do goleiro Dida e do volante Vampeta, além de nomes como Paulo Isidoro e o atacante “capoeirista” Alex Alves, Roberto Cavalo fez parte da histórica equipe que se tornou Vice-Campeã Brasileira de 1993. Após uma excelente campanha, onde conseguiu nove vitórias e quatro empates nos seus 16 jogos da primeira fase, quando enfrentou equipes, digamos, de menor porte (algo semelhante ao módulo amarelo da Copa União de 1987 e da Copa João Havelange de 2000), o Vitória alcançou a vaga para a fase final do Brasileirão. Esta fase final seria da seguinte maneira: foram formados dois grupos de quatro equipes cada onde ocorreriam confrontos de ida e volta, com os primeiros colocados se garantindo na grande final. E mesmo diante de fortíssimos adversários, o Leão continuou a dar um show de bola. Logo na primeira partida desta fase final, Roberto Cavalo marcou o único gol da vitória sobre o Flamengo de Renato Gaúcho e Marcelinho Carioca. No jogo seguinte, novo triunfo, desta vez por 2 x 1 sobre o Corinthians de Rivaldo e Viola. Depois destas duas vitórias, o Rubro-Negro Baiano empatou seus quatro jogos seguintes, dois contra o Santos e novamente contra Corinthians e Flamengo. Destes quatro empates, Roberto Cavalo balançou as redes em três, tendo marcado um antológico gol de falta contra o Corinthians em um Morumbi com mais de 65 mil torcedores. Na decisão, o Vitória não resistiu a um dos maiores esquadrões da história do futebol brasileiro, o Palmeiras do treinador Vanderlei Luxemburgo, que era uma verdadeira Seleção Brasileira e contava com Antônio Carlos, Cléber, Roberto Carlos, César Sampaio, Mazinho, Zinho, Edílson, Edmundo e Evair.


- Depois das memoráveis passagens pelo Criciúma e pelo Vitória, Roberto Cavalo jogaria ainda pelo Botafogo, onde disputou a final da Recopa Sul-Americana ao lado de Wagner, Wilson Gottardo e Túlio Maravilha - perdeu para o São Paulo por 3 x 1, em duelo realizado no Japão - e também foi Vice-Campeão Pernambucano com o Sport, em 1995. Fechando a carreira com chave de ouro, Roberto, para a tristeza dos torcedores criciumenses, conquistou o Campeonato Catarinense de 1997 com o Avaí.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

FIGURINHA CARIMBADA - KRUGER



Nome: Dirceu Krüger

Data de nascimento: 11 de abril de 1945

Posição: meia

Clubes:

Britânia – PR (1963 até 1965)
Coritiba (1966 até 1976)

Títulos:

Campeonato Paranaense – 1968, 1969, 1971, 1972, 1973, 1974 e 1975 – Coritiba

Destaques:

- Dirceu Krüger talvez seja o maior ícone da história do Coritiba, clube que é sua segunda casa – seria a primeira? – há mais de 40 anos. Após terminar sua vida de jogador, em 1976, Krüger já exerceu diversas funções no Coxa, trabalhando com profissionais e com a divisão de base. Mas no início de sua vida no futebol, ele não foi tão “bonzinho” com o clube alviverde. Aos 19 anos, atuando pelo já extinto Britânia, Krüger infernizou não só o Coritiba, mas também o Atlético e o Ferroviário, na época o trio-de-ferro curitibano. Em um duelo contra o Coritiba, ele deixou o zagueirão Nico, um dos pilares da equipe do Coxa, sentado no chão com um leve e sutíl drible. E assim era o futebol de Krüger, um canhoto de muita leveza, velocidade e precisão nos passes e chutes, estilo que lhe renderia mais tarde o apelido de “Flecha Loira”. Provavelmente o Coritiba já estava de olho no futebol do jovem Krüger há um tempo, mas o fato é que um mês após o drible desconcertante no zagueiro Nico ele foi contratado pelo clube que até hoje, 44 anos depois, conta com sua dedicação.

- Os primeiros dias de Krüger no Coritiba foram inacreditáveis. Em 27 de fevereiro de 1966, data de sua estréia, o rival seria o forte Grêmio, que entre 1956 e 1968 conquistaria nada menos do que 12 títulos gaúchos, em uma partida amistosa. O Grêmio vencia a partida por 1 x 0 quando, aos 44 minutos do 2º tempo, o estreante Krüger driblou ninguém menos do que Aírton Pavilhão, maior defensor da história do Grêmio, e empatou o placar. E teve mais! Nas sete partidas seguintes que disputou, o “Flecha-Loira” sacudiu o filó em todas elas.

- Se o ano de 66 foi bom para Krüger, o de 68 seria ainda melhor. Logo no início do ano, ele e seus companheiros teriam pela frente o Santos. A equipe santista, que seria Tri-Paulista (67/68/69), não poderia contar com Pelé para o duelo em Curitiba. Entretanto, mesmo sem a presença do “Rei”, o Santos era um time do mais alto nível. Ou vocês acham que um onze que contava com Orlando Peçanha, Lima, Rildo, Toninho Guerreiro e Edu, não era forte? Pois bem, diante de tão valoroso rival, o Coritiba conseguiu uma grande vitória por 3 x 1, com o último gol alvi-verde tendo entrado para a história. Após o Santos diminuir o placar para 2 x 1, aos 44 minutos do 2º tempo, o jogo poderia se complicar para o Coritiba. Porém, logo após a saída de bola, Krüger e Wálter, uma dupla inesquecível para o torcedor coxa-branca, foram tabelando desde o grande círculo até o gol santista e Wálter fechou o marcador. Em 1968, Krüger ainda se tornaria Campeão Paranaense, após uma final contra o rival Atlético que foi decidida somente aos 45 minutos do 2º tempo, com um gol de seu companheiro Paulo Vecchio dando o empate e o título ao Coxa. Vale ressaltar que na primeira partida da decisão, vencida pelo Coritiba por 2 x 1, Krüger foi o autor do segundo gol alvi-verder. No final do ano, para comemorar o título paranaense, o Coritiba enfrentou a Seleção Brasileira no jogo da entrega das faixas. Diante de Rivelino, Gérson, Paulo César Caju, Jairzinho e Pelé, o Coxa fez um excelente jogo e só foi derrotado aos 44 minutos da 2ª etapa, quando Zé Carlos colocou 2 x 1 no placar. Uma das maiores honras da carreira de Krüger foi ter sido o capitão do Coritiba nesta partida.

- No dia 11 de abril de 1970, justamente no dia de seu aniversário, Krüger recebeu um verdadeiro presente de greco. Em um duelo contra o Água Verde-PR, o meia dominou um passe no peito e, ao tentar encobrir o goleiro Leopoldo, acabou se chocando com o adversário. A pelota ultrapassou a linha do gol, mas os torcedores coritibanos não comemoraram. O motivo? Krüger estava estendido no chão. O ídolo alviverde foi diretamente para o hospital e foi constatado que suas alças intestinais haviam se rompido. Para se ter idéia da gravidade do quadro, o jogador chegou a receber extrema-unção no hospital. Porém, aos poucos, com o apoio de todos os torcedores, não só os do clube que defendia, Krüger foi se recuperando e voltou ao futebol. Acreditem, amigos, apenas sete meses após ter recebido extrema-unção, ele voltou aos gramados em uma excursão pelo mundo. Nesta excursão, o “Flecha-Loira” marcaria um dos gols mais bonitos da sua carreira, na vitória por 4 x 1 contra a Seleção da Argélia, ao driblar quatro defensores e chutar quase sem ângulo. Apesar de continuar sendo um jogador de extrema importância para o Coritiba, como mostrou o Campeonato Paranaense de 1972, quando ele marcou o gol do título contra o Atlético (a final foi realizada em dois jogos, com vitória do Coritiba por 1 x 0 e depois empate em 0 x0), a contusão abdominal incomodava muito o craque. Foi por este motivo, as dores e o medo de piorar a situação, que Krüger, o “Flecha-Loira”, grande ídolo do Coritiba, abandonou os gramados em 1975.

sábado, 13 de março de 2010

FIGURINHA CARIMBADA - HÉLIO “SHOW”



Nome: Hélio Ribeiro Alves

Data de nascimento: 21 de junho de 1948

Posição: goleiro

Clubes:

Ceará (1969 até 1975)
ABC – RN (1976 até 1978)
Portuguesa (1978 e 1979)
Botafogo – PB (1980)
Treze – PB (1981 até 1983 e 1983 até 1986)
Ferroviário – CE (1983)
América – RN (1987 e 1988)

Títulos:

Campeonato Cearense – 1971 e 1972 – Ceará
Campeonato Norte-Rio-Grandense – 1976 e 1978 – ABC
Campeonato Paraibano – 1981, 1982 e 1983 - Treze
Campeonato Norte-Rio-Grandense – 1987 – América

Destaques:

- Hélio é uma figura lendária do futebol nordestino. Sempre com muito sucesso pelos clubes que defendeu, Hélio ganhou o apelido de “Show”, que sempre veio colado ao seu nome, pelos malabarismos e vôos que realizava para agarrar a pelota e impedir o gol adversário. Alguns diziam que era muito catimbeiro e reclamava demais com o juiz, mas o fato é que, por onde passou, foi idolatrado pelos torcedores. Para se ter idéia da importância do goleiro na região Nordeste, ele é considerado o maior goleiro da história do Ceará, do ABC e do Treze.

- Hélio “Show” apareceu para o futebol no grande time do Ceará do início da década de 70. Pode-se dizer que o ano de 1972 foi o mais importante na carreira de Hélio “Show”, pois foi quando ele ganhou destaque no cenário do futebol nacional. Após conquistar o Bi-Campeonato Cearense, um fato de extrema relevância, pois o Ceará estava sem conquistar um título estadual desde 1963, o goleiro teve duas atuações consecutivas que entraram para a história, no Brasileirão de 72. Primeiro, o Ceará visitou o Fluminense de Gérson “Canhotinha de Ouro”, no Maracanã, e, com uma atuação espetacular de Hélio “Show”, garantiu o empate em 0 x 0. Cinco dias depois, Corinthians e Ceará se enfrentaram em um Pacaembu com quase 70 mil torcedores. O Timão contava com craques do calibre de Rivelino e Paulo Borges, porém não conseguia balançar as redes de maneira alguma. O motivo? Hélio “Show”, claro. O arqueiro cearense estava mais inspirado do que nunca. Não importava de onde viesse a pelota, o goleirão a impedia de ultrapassar a linha. Porém, o inesperado resolveu aparecer e dar uma rasteira em Hélio “Show”. Aos 45 minutos da 2ª etapa, um cruzamento para a área encontrou Sicupira. O atacante do Timão desviou a redonda que foi parar nas mãos de Hélio “Show”, porém o goleirão se atrapalhou e colocou-a para dentro do próprio gol. Sua atuação nesta partida foi tão sensacional, que nem mesmo a bobeada que deu a vitória ao adversário lhe tirou o título de melhor homem em campo.

- Durante os três anos que passou no ABC, suas atuações foram tão marcantes que na eleição para escolher a Seleção do ABC do século XX, onde votaram ex-presidentes do clube, conselheiros, jornalistas e notórios torcedores, totalizando 23 votantes, ele foi escolhido o goleiro titular. Após rápida passagem pela Portuguesa, Hélio “Show” foi contratado pelo Botafogo da Paraíba em 1980. Acho que nem ele esperava que este fosse um ano tão espetacular, tanto para ele quanto para o clube. Em um intervalo de uma semana, o Botafogo-PB venceu, no Maracanã, o Flamengo de Zico, que seria o Campeão do torneio naquele ano, e o Internacional de Mauro Galvão, Jair, Mário Sérgio, entre outros. Ambas as vitórias foram pelo placar de 2 x 1 e, por estes triunfos, o clube paraibano recebeu o apelido de “Matador de Tri-Campeões”. Explicando o apelido: Em 1979, o Flamengo havia se sagrado Tri-Carioca (78/79/79 especial) e o Internacional Tri-Brasileiro (75/76/79).

- Após passagem pelo Botafogo-PB, o já veterano Hélio “Show” foi contratado pelo rival Treze-PB, que entrava no sexto ano sem conquistar o caneco estadual. E, para variar, Hélio “Show” se tornou ídolo da torcida. Suas defesas espetaculares e experiência ajudaram o clube a conquistar não só o título em 1981, mas o Tri-Paraibano (81/82/83). Na decisão de 1983, em um duelo contra o Campinense, o Treze acreditava ter ser sagrado Campeão com um empate em 0 x 0 e a torcida saiu do estádio comemorando em uma grande passeata. Porém, como o regulamento era muito confuso, o Campinense protestou e conseguiu que a FPF (Federação Paraibana de Futebol) marcasse uma melhor de três para decidir o torneio. Foi então que o comentarista esportivo Humberto de Campos, bastante conhecido na região, declarou que os torcedores do Treze deveriam fazer uma passeata de ré, já que não eram Campeões. Após empatar o primeiro jogo por 0 x 0 e vencer o segundo por 2 x 0, o Treze bateu o Campinense na terceira partida por 2 x 1 e se sagrou Tri. A torcida? Saiu do Estádio Amigão de costas, para devolver a provocação do famoso comentarista.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

FIGURINHA CARIMBADA - ZENON



Nome: Zenon de Souza Farias

Data de nascimento: 31 de março de 1954

Posição: meia

Seleção Brasileira – 5 jogos*

Clubes:

Hercílio Luz – SC (1972)
Avaí (1973 a 1975)
Guarani (1976 a 1980 e 1988 a 1990)
Al Ahly – SAU (1980)
Corinthians (1981 a 1985)
Atlético Mineiro (1986 a 1988)
Portuguesa (1988)
Maringá – PR (1990)
São Bento – SP (1991 a 1992)

Títulos:

Campeonato Catarinense – 1973 e 1975 – Avaí
Campeonato Brasileiro – 1978 – Guarani
Campeonato Paulista – 1982 e 1983 – Corinthians
Campeonato Mineiro – 1986 – Atlético Mineiro

Destaques:

- Logo em seu início de carreira, em Santa Catarina, Zenon já colocou seu nome na história do futebol local. Em seus três anos pela equipe avaiana o jovem meia conquistou dois títulos estaduais e mostrou toda a categoria que, anos mais tarde, todo o país iria conhecer. Por esta passagem muito vitoriosa e marcante, apesar de curta, Zenon foi eleito para a Seleção do Avaí de todos os tempos.**

- Em 1976, o Guarani passou a contar com os passes e lançamentos precisos e preciosos, além, claro, da maestria nas cobranças de faltas de Zenon. E foi em 1978 que o craque entrou para a história do futebol brasileiro, quando o Bugre, comandado pelo técnico Carlos Alberto Silva, conquistou o caneco do Campeonato Brasileiro. Do goleirão Neneca até o genial centroavante Careca, ainda em início de carreira, mas já com o faro de gol característico, a equipe era grandiosa, e o tripé de meio-campo foi dos maiores que nosso país já viu. O multi-campeão e lendário Zé Carlos, até hoje o jogador que mais atuou pelo Cruzeiro na história, o rápido e habilidoso Renato, que mais tarde também entraria para a galeria de ídolos do São Paulo e do Atlético Mineiro, e, para completar, o maestro Zenon. A importância de Zenon na conquista nacional foi imensa. No jogo que ficou marcado como aquele que provou que o Guarani podia conquistar o título, a vitória sobre o fortíssimo Internacional, por 3 a 0, em pleno Beira-Rio, Zenon fez um dos gols mais bonitos da história do Brasileirão ao limpar toda a defesa Colorada. E teve mais! No jogo de volta da semi-final contra o Vasco, em um Maracanã com mais de 100 mil torcedores, Zenon marcou nada menos do que os dois gols esmeraldinos, na vitória por 2 a 1. Para fechar com chave-de-ouro, na primeira partida da decisão contra o Palmeiras, ele sacudiu o filó na vitória do Bugre por 1 a 0. Após a vitória no jogo de volta, também por 1 a 0, mas desta vez com gol de Careca, o troféu foi para Campinas. Histórico!

- Após a saída do Guarani e uma passagem pelo futebol da Arábia Saudita, Zenon chegou ao Corinthians para fazer parte de um dos times mais lendários do futebol brasileiro: a Democracia Corintiana. Ao lado de craques do calibre de Wladimir, do “Doutor” Sócrates e de Casagrande, Zenon foi Bi-campeão Paulista. Mas esta equipe entrou para a história por outro motivo. Pela primeira vez um clube de futebol viveu um ambiente democrático, onde os jogadores tinham grandes poderes junto aos dirigentes, e o futebol esteve diretamente relacionado com o processo de reabertura política vivido pelo Brasil, após a ditadura militar. Este Corinthians foi mais que apenas um time de futebol. Durante praticamente meia década de Timão, Zenon atuou em mais de 300 partidas, tempo o suficiente para entrar para a galeria de craques históricos.

- Após fazer parte de grandes esquadrões do Avaí, Guarani e Corinthians, Zenon ainda foi o maestro de um timaço do Atlético Mineiro que possuía uma linha de frente sensacional. Zenon era o cérebro da equipe alvi-negra e tinha a grata missão de abastecer o veloz e driblador Sérgio Araújo, seu antigo companheiro no Guarani Renato, que estava substituindo Edivaldo, convocado para a Seleção Brasileira e o goleador Nunes. Este foi o último grande momento do artilheiro Nunes que, se aproveitando muito bem dos milimétricos passes de Zenon, marcou nada menos do que 26 gols na campanha do Campeonato Mineiro de 1986.

*Enciclopédia da Seleção - Ivan Soter - Opera Nostra Editora
** http://sou.avaiano.vilabol.uol.com.br/selecaodetodosostempos.htm

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

FIGURINHA CARIMBADA - VÁLTER MARCIANO





Nome: Válter Marciano de Queiróz

Data de nascimento: 15 de setembro de 1931

Faleceu em 21 de junho de 1961

Posição: ponta-de-lança

Seleção Brasileira – 7 jogos*

Clubes:

Ypiranga – SP (1951 a 1952)
Santos (1953 a 1954)
Vasco (1955 a 1957)
Valencia – ESP (1957 a 1961)

Títulos:

Campeonato Carioca – 1956 – Vasco

Destaques:

- Jogador de uma qualidade técnica imensa e inteligência do mesmo tamanho, Válter Marciano iniciou sua carreira em São Paulo e logo chamou a atenção do Vasco da Gama. E não tardaria para o craque entrar na história do Gigante da Colina. Em 1956, em um dos maiores esquadrões já montados pelo Vasco, Válter foi essencial para a conquista do Campeonato Carioca. Na equipe que contava com nada menos do que a dupla de zagueiros que seria titular na conquista brasileira da Copa do Mundo de 1958, Bellini/Orlando, Válter Marciano era o cérebro do magnífico setor ofensivo formado por Sabará, Livinho, Vavá e Pinga. Leiam agora as palavras do gênio Nelson Rodrigues sobre a participação de Válter no Carioca de 1956: “De uma maneira geral acha-se que a grande figura da equipe vascaína foi Válter. E justiça se lhe faça: - é um jogador extraordinário, que faz um futebol rápido, penetrante e objetivo.”**


- Em 1957, pelo Torneio de Paris, Válter Marciano fez aquela que é considerada sua maior atuação. Após vencer a forte equipe francesa do Racing, por 3 a 1, o Vascão foi para a decisão do torneio contra o Real Madrid. Isso mesmo, o Real Madrid de Alfredo Di Stéfano e Raymond Kopa, duas das maiores lendas da história do futebol. Porém, não teve pra ninguém. Com uma atuação de encher os olhos dos franceses, o craque vascaíno marcou dois gols e ainda esculpiu uma jogada genial que terminou nos pés do companheiro Livinho e no fundo da rede. No final, vitória do Cruzmaltino por 4 a 3 e mais um caneco para São Januário.

- A histórica e inesquecível atuação de Válter contra os “Merengues” fez com que o grande craque fosse contratado pelo Valencia e, na Espanha, continuou mostrando toda sua genialidade. Após conseguir se naturalizar espanhol, Válter ficou perto de defender a Seleção da Espanha na Copa do Mundo de 1962, mas um trágico acidente automobilístico lhe tirou a vida pouco tempo antes do torneio.

*Mini-Enciclopédia do Futebol Brasileiro – Lance!
**O Berro Impresso das Manchetes – Crônicas Completas da Manchete Esportiva 55 - 59

domingo, 13 de setembro de 2009

FIGURINHA CARIMBADA - JAIR



Nome: Jair Gonçalves Prates

Data de nascimento: 11 de julho de 1953

Posição: meia-direita e atacante

Clubes:

Internacional (1974 a 1981 e 1984)
Cruzeiro (1981)
Peñarol – URU (1982 a 1984)
Juventus – SP (1984)
Barcelona – EQU (1985 a 1986)
Huracán – URU (1986 e 1991 a 1992)
ABC (1986 a 1987) 
Vitória (1988)
Juventude (1988 a 1989)
Lajeadense – RS (1990)

Seleção Brasileira – 1 jogo e nenhum gol marcado

Títulos:

Campeonato Gaúcho – 1974, 1975, 1976, 1978 – Internacional
Campeonato Brasileiro – 1975, 1976 e 1979 – Internacional
Campeonato Uruguaio – 1982 – Peñarol
Taça Libertadores – 1982 – Peñarol
Copa Intercontinental – 1982 – Peñarol
Campeonato Equatoriano – 1986 – Barcelona

Destaques:

- Na gloriosa década de 70 para o Internacional, despontaria um dos grandes jogadores que o que o futebol brasileiro já produziu: Jair Prates. Já no primeiro título brasileiro conquistado pelo Inter, em 1975, Jair, mesmo sempre a entrar no decorrer das partidas, já mostrava seu excelente futebol. Para se ter uma idéia, no histórico duelo contra a "Máquina Tricolor" de Rivelino e Paulo Cézar Caju, logo que entrou, Jair deu lindo passe para Carpeggiani decretar a vitória colorada por 2 a 0. Em pleno Maracanã! Na campanha do Bicampeonato, em 1976, as participações de Jair passaram a ser constantes e ele atuou em 22 dos 23 jogos. Foi em 1976, por sinal, que o craque ganhou o apelido que lhe marcaria para o resto da vida. Após um vitória do Inter sobre o Grêmio, no Estádio Olímpico, Dadá Maravilha, o lendário centroavante que parava no ar, descreveu assim o gol da vitória: “O Príncipe Jajá deu um passe perfeito para o Rei Dadá, que não desperdiçou e mandou para as redes”. A partir daí, Jair ficou conhecido no mundo do futebol por Príncipe Jajá.

- Apesar das já citadas ótimas apresentações com a camisa vermelha do Internacional em meados dos anos 70, quando conquistou dois Campeonatos Brasileiros e três Gaúchos (74/75/76), foi só no final da década que o Príncipe ganhou status de uma das estrelas da companhia. Formando um dos maiores setores de meio-campo da história do futebol nacional ao lado de Mário Sérgio, Batista e Falcão, Jair ajudou o Internacional a levantar o Brasileirão de 1979 de forma invicta. Vale ressaltar que até os dias atuais nenhuma equipe conseguiu repetir o feito de vencer o Brasileiro sem ser derrotada. Na vitoriosa campanha, Jair assinalou 9 gols e foi o artilheiro da equipe colorada, e, inclusive, sacudiu o filó na decisão contra o Vasco.

- Em 1982, pelo tradicional clube uruguaio Peñarol, o Príncipe Jajá atingiu o auge de sua carreira. Além da conquista do Campeonato Uruguaio, uma campanha excelente na Taça Libertadores levou o clube de Montevidéu ao seu quarto título continental. No torneio sul-americano, o Peñarol teve seis duelos contra equipes brasileiras - a enfrentou Grêmio, São Paulo e Flamengo, por duas vezes cada: foram nada menos do que cinco vitórias. O triunfo sobre o Cobreloa (CHI) na decisão deu ao clube o direito de enfrentar o Aston Villa pela Copa Intercontinental. Sem se importar com a famosa força do futebol inglês na época, pela sexta vez seguida uma equipe da “Terra da Rainha” conquistava a Liga dos Campeões da Europa, Jair acabou com o jogo e o Peñarol venceu por 2 a 0. O gol marcado e o belíssimo futebol mostrado, rendeu ao Príncipe Jajá o prêmio de melhor homem em campo.