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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

100 ANOS DE LEÔNIDAS DA SILVA



















6 de setembro de 2013.

Centenário do nascimento de Leônidas da Silva.

Dia de confirmar que crer sem ver é mais saboroso.

Dia de lembrar o quanto o esporte pode ser mágico.

Dia de apreciar a arte feita com os pés.

Dia de acreditar que existe algo de divino no futebol.

Dia de desejar a veracidade absoluta da reencarnação.

Dia de lamentar pelos que acham que são apenas 22 homens atrás de uma bola.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

FLAMENGO X BOTAFOGO: 100 ANOS DO CLÁSSICO DA RIVALIDADE


Leônidas da Silva, Zizinho, Nilton Santos, Didi, Garrincha, Zico... Lendas sagradas do futebol – não só do nosso, mas de todo o mundo – e protagonistas na história de Flamengo versus Botafogo, o Clássico da Rivalidade, que comemora o seu centenário neste 13 de maio de 2013.

Hoje, um século depois do primeiro confronto, se tornou impossível contar a vida do Flamengo sem falar do Botafogo, ou a do Botafogo sem falar do Flamengo. Na verdade, não existe como falar de futebol brasileiro sem um capítulo mais que especial para o Clássico da Rivalidade.

Capítulo que começa com o gol único de Mimi Sodré na vitória alvinegra em 13 de maio de 1913, partida de inauguração do Estádio General Severiano. Que passa pelo biênio 1926/1927, quando as históricas palmeiras da Rua Paissandu viram um implacável Flamengo sapecar 8 a 1 e, logo no jogo seguinte, o Botafogo se vingar com inapeláveis 9 a 2. Que conta o lendário “Jogo do Senta”, de 1944, onde o Fogão de Heleno de Freitas fez 5 a 2 e viu os jogadores do Flamengo sentarem no gramado em protesto à arbitragem, enquanto os torcedores alvinegros gritavam “Senta pra não apanhar de mais!”.

Que delicia com o espetáculo de Garrincha no título alvinegro do Carioca 1962. Que recorda a decisão da Taça Guanabara de 1968, na qual Gérson “Canhotinha de Ouro” liderou a goleada botafoguense por 4 a 2 sobre seu ex-clube. Que lembra a torcida flamenguista a lançar um urubu com a bandeira rubro-negra em campo e consagrar apelido e mascote do clube após triunfo num Maracanã com 150 mil presentes, em 1969.

Que encanta com o show do “Furacão” Jairzinho no inesquecível 6 a 0 botafoguense em 15 de novembro de 1972, dia do aniversário flamenguista. Que deixa viva a façanha de Renato Sá ao colocar um ponto final nos 52 jogos de invencibilidade do Flamengo, em 1979 – ele que, pelo Grêmio, um ano antes, fizera o gol que interrompera a sequência botafoguense nas mesmas 52 partidas sem derrotas, recorde nacional. Que arrepia com o chutaço vingativo de Andrade, que estufou as redes e fez Flamengo seis, Botafogo zero, em 1981.

Que acelera todos os corações envolvidos quando o pé direito de Maurício tirou o Fogo de uma fila de 21 anos. Que faz rir e chorar com a dancinha do centroavante flamenguista Gaúcho, autor do gol na final da Taça Rio de 1991, que colocou fim no sonho botafoguense do Tri. Que arrepia com o “Vovô Garoto” Júnior no comando do Fla Penta Campeão Brasileiro, em 1992, com direito até a churrasco com presença do então botafoguense Renato Gaúcho, para deixar os alvinegros ainda mais furiosos. Que vive o drama do zagueiro Márcio Teodoro diante do genial Romário, no título rubro-negro da Taça Guanabara de 1995. Que escreve o triunfo dos reservas botafoguenses que eliminou o Fla de Sávio e Romário da Taça Guanabara de 1997.

Que caminha pela hegemonia rubro-negra entre 2007 e 2009, quando o Rubro-Negro venceu nada menos do que cinco finais contra o Bota (3 Cariocas, 1 Taça Guanabara e 1 Taça Rio). Que coloca Loco Abreu na galeria de ídolos alvinegros, após histórica cavadinha que recuperou a estima dos botafoguenses com a Taça Rio e o consequente Carioca de 2010.

O melhor de tudo não é passear pelos grandes momentos desta pulsante rivalidade. É saber que, se o futuro repete o passado, Flamengo e Botafogo ainda darão muitas histórias e emoções para todos os amantes do futebol.

domingo, 3 de março de 2013

FELIZ ANIVERSÁRIO, ZICO





















Ser Flamengo é uma religião.



É comungar, ter fé, literalmente abraçar o próximo,
“se sentir um vencedor a cada gol”.


É louvar aquele que é a representação humana
de todos os ideais rubro-negros.

Aquele que abriu mares com passes clarividentes,

atravessou montanhas com dribles incandescentes,

transformou o simples em estupendo, o nada em ouro.


Multiplicou torcedores, fez uma nação se tornar onipresente,

é querido, idolatrado, amado até pelos que não viram seus milagres.


É comemorar o Natal no dia 3 de março.

Feliz Aniversário, Zico.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

BATE-PAPO COM NILTON SANTOS, ESPECIALISTA EM ESCOLAS DE SAMBA E AMANTE DO FUTEBOL


Doutor em Antropologia Cultural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especialista em desfile de escolas de samba e amante do futebol, Nilton Silva dos Santos conversou com o FUTEBOLA sobre a relação histórica entre estas que talvez sejam as duas mais reveladoras instituições sociais brasileiras: o carnaval e o futebol.

FUTEBOLA: Historicamente e/ou sociologicamente, seria possível estabelecer algum parentesco entre samba e futebol?
NILTON SANTOS: O primeiro concurso organizado de escolas de samba teve o Jornal dos Sports como um dos patrocinadores. Existe, sim, um parentesco entre o esporte e o carnaval. O nascedouro desta forma moderna de competição entre escolas teve o Jornal dos Sports, na figura do Mário Filho, como um de seus organizadores.

FUTEBOLA: Quando jogador do Barcelona, Romário queria dois dias de folga para vir ao Brasil curtir o carnaval. Cruyff, então treinador, disse que daria os dias livres ao “Baixinho” caso ele marcasse dois gols no jogo seguinte. Romário, craque como poucos, cumpriu o pedido e ganhou seu carnaval. Já Edmundo, em 1999, ganhou folga da Fiorentina para poder pular o carnaval carioca, o que muitos dizem ter sido a senha para o time de Florença desandar no Campeonato Italiano. Você acha que o futebol brasileiro deveria parar no Carnaval e dar tempo livre aos jogadores?  
NILTON SANTOS: Há especificidades nos calendários futebolísticos mundo afora. No Campeonato Inglês sempre se joga no dia 1º de Janeiro. Acho que seria interessante se nós entendêssemos a importância do Carnaval e não tivéssemos jogos, por exemplo, na Quarta-feira de Cinzas. Cidades de todo Brasil param durante o carnaval e seria interessante que o futebol também respeitasse esta festa e os desdobramentos que ela acarreta sobre as pessoas.

FUTEBOLA: Você acredita que, como o futebol brasileiro, as escolas de samba se afastam cada vez mais de suas raízes e vão em direção a uma modernidade que não necessariamente representa uma evolução?
NILTON SANTOS: Não sou saudosista. Eneida [escritora da obra História do Carnaval Carioca] dizia que as piores coisas para o carnaval são os saudosistas e a polícia. Vejo escolas de samba nas quais as comunidades estão fortemente vinculadas. Não podemos mais dizer que as escolas serão compostas somente com as pessoas que moram em tal morro, tal favela, tal bairro... A escola de samba agrega pessoas dos mais diferentes estratos, e muitas da própria comunidade. E o caso da Beija-Flor é notório, pois ela sempre ganha notas altas nos quesitos que exigem o canto, a dança, o conjunto, a entrega, a harmonia... Ela pode perder notas em enredo ou samba-enredo, mas nos quesitos que envolvem o comprometimento com a escola ela vai bem. E poderíamos citar outros exemplos, como a Imperatriz, na área da Leopoldina, a Viradouro, em Niterói, e outras mais tradicionais. Neste sentido as escolas ainda são parte da sua localidade, por mais que existam setores diversos, oriundos de outras partes da cidade, que convergem para as escolas de samba.

FUTEBOLA: Hoje em dia, falta carnaval no jogo brasileiro?
NILTON SANTOS: Acho que perdemos, nos últimos tempos, a liberdade do toque de bola, do drible, e a própria postura de alguns jogadores com outros mais habilidosos, com o chutão, a falta, a agressão, a intimidação, é uma prova. Isto tem a ver com uma concepção de futebol que desde as categorias de base privilegia não o menino habilidoso, mas o mais alto e forte, porque ele será um bom zagueiro ou cabeça de área. Isto que inventaram agora de que o jogador é muito bom para desarmar no meio-campo, mesmo que ele não saiba o que fazer com a bola depois. Retomar a habilidade, a intimidade com a bola é o que precisa ser feito. É até curioso se pensamos em certas figuras que andaram militando no futebol brasileiro, símbolos que retratam um pouco do nosso panorama, como a tal da Era Dunga, que para mim foi um momento triste do futebol. Tentaram dizer que foi um exagero, mas, do meu ponto de vista, foi o marco de um futebol limitado. Quando você vê Xavi e Iniesta, no Barcelona, fica gritante a diferença de um meio-campo que sabe tocar, sabe lançar, e um que tem pouca intimidade com a bola. Por mais que tenha força, raça e empenho, a habilidade deixa a desejar.

FUTEBOLA: Nos últimos quatro anos, você foi julgador de enredo no Grupo de Acesso das Escolas de Samba. O que seria um enredo nota 10 relacionado ao futebol?
NILTON SANTOS: O futebol dá uma infinidade de possibilidades. Lembro-me da Beija-Flor, com o enredo “o Mundo é uma Bola”. A bola como objeto, a Copa do Mundo como evento... Dá samba, dá carnaval. Se for oficializado que os enredos, em 2014, sejam sobre futebol, cada carnavalesco saberá dar uma leitura própria. Há uma multiplicidade de possibilidades: os que trouxeram a bola ao Brasil – escoceses ou ingleses? –, como o futebol se espalhou pelo país, como os inventores do futebol não são os melhores, como o Brasil ganhou cinco Copas do Mundo, o êxodo de jogadores brasileiros, os clássicos locais... 

sábado, 22 de setembro de 2012

FUTEBOL COM HISTÓRIA - MANDANTES PRA LÁ DE ESPERTOS



No futebol, assim como em qualquer esporte, é impossível triunfar de véspera. São muitos os fatores que aumentam o favoritismo de um lado ou de outro, mas vencer antes do apito inicial, nunquinha. Um dos grandes produtores da sensação de “já ganhou” é o fator casa, como se a Copa do Mundo de 50, maior memória de um mandante derrotado na história do futebol nacional – quiçá mundial – não estivesse presente nos livros.

Os benefícios de atuar em casa são inúmeros, desde a ausência da necessidade de viajar até o apoio da torcida, privilégios que influem diretamente nas estruturas física e psicológica da equipe. Porém, a história guarda dois exemplos de vantagens em ser o anfitrião que são, ao mesmo tempo, folclóricos e de rara esperteza.

Um deles possui como protagonista o infinito zagueiro Mauro Galvão, único nome a receber o prêmio Bola de Prata da Revista Placar, equivalente a estar na Seleção do Campeonato Brasileiro, em três décadas: 1979 e 1985, pelo Internacional, e 1997, quando defendia o Vasco. E foi justamente com a camisa cruz-maltina que o já experiente zagueiro pôs em prática uma vantagem de jogar em casa que poucos seriam capazes. Em São Januário, Mauro Galvão e seus companheiros utilizavam um poste que se encontrava fora das quatro linhas como referência para realizar a linha de impedimento, que, assim, ficava menos “burra”.

A praticidade do treinador Zezé Moreira, um treinador cuja importância tática para o futebol brasileiro é imensurável, também é digna dos mais efusivos aplausos. Diante das dificuldades de Tonho, seu lateral na época em que comandava o Bahia, em encontrar o momento certo para alçar a gorduchinha na área rival, Zezé teve a genial ideia de utilizar os cartazes de publicidade como guia. Deste modo, aconselhou seu jogador a sempre receber a bola na altura da propaganda da Tinturaria Oriente e a cruzar na área logo que chegasse ao cartaz do Café Tamoio. A evolução de Tonho foi enorme!

Tanto a linha de impedimento liderada pelo Mauro Galvão quanto os ensinamentos de Zezé Moreira, mostram muito de uma das principais características da cultura futebolística brasileira: a esperteza. Não no sentido de ludibriar juízes ou adversários, pois isto é picaretagem, mas esperteza no sentido de encontrar maneiras para, com o que tem em mãos, superar os obstáculos que surgem no caminho.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

BATE-PAPO COM CARLOS ROBERTO, CRAQUE DO BOTAFOGO NOS ANOS 60 E 70


Um encontro com Carlos Roberto, meio-campista botafoguense no inesquecível time do final dos anos 60 e, atualmente, treinador, rendeu um precioso bate-papo, onde o craque comentou momentos-chave de sua carreira dentro das quatro linhas. Espero que os amigos aproveitem...

Os treinos nas categorias de base nos anos 60, quando o preparo físico ganha espaço e relevância.
Depois da Copa do Mundo de 1966 o futebol mudou muito, virou o “futebol força”. Para nós, brasileiros, porém, foi uma maravilha, pois conseguimos aliar a habilidade à força. Ficamos com uma condição física mais evoluída sem abdicar das qualidades técnicas. Hoje em dia, não vemos mais isso, e sim a pura força física, o que é ruim para o futebol brasileiro. O DNA do nosso futebol é a ginga, a malícia, a alegria, sem deixar de ser competitivo.

A mescla da experiência e da prata-da-casa para formar um grande esquadrão.
Aquele time do Botafogo, Campeão da Taça Brasil de 1968, Bicampeão da Taça Guanabara 67/68, Bicampeão Carioca 67/68, e que excursionava sempre, foi todo formado na escolinha, nas divisões de base do clube. A espinha dorsal do time tinha o Manga no gol, o Leônidas na zaga e o Gérson, que viera do Flamengo. Os demais eram jogadores feitos no próprio clube.

Gérson, Roberto Miranda, Paulo Cézar Caju, Jairzinho, Rogério... os craques do ataque ajudavam na marcação ou você corria por eles?
Quando falamos em time, falamos do entendimento entre defesa, meio-campo e ataque. Apesar de grandes jogadores, existia também muito entrosamento, que permitia um futebol que sabia a hora de defender e de atacar, sem deixar de ser vistoso e bonito, como fazia o Botafogo daquela época.

Ausência na Copa do Mundo de 1970
Era um parte da Seleção Brasileiro no ano de 1968. Depois, quando o Zagallo assumiu o cargo de treinadores, pensei que estaria dentro da lista. Porém, tive uma contusão a um mês da Copa do Mundo que me atrapalhou bastante. Fiquei na expectativa, entrei na relação inicial de 40 nomes, mas não aconteceu. Mas o Brasil foi muito bem representado pelo Piazza, que depois foi para a zaga, e pelo Clodoaldo.

A chegada ao Santos, em 1976, pós-Era Pelé
A saída do Pelé do Santos foi o divisor de águas. Todos sentiram muito, os torcedores, os diretores, e a confiança de alguns ficou abalada. Não a minha, pois estava de chegada do Rio de Janeiro, mas, apesar de bons nomes (Clodoaldo e Aílton Lira, por exemplo), não peguei uma fase boa. A cobrança era muito pesada e alguns jogadores não suportaram. 

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

PARABÉNS PELO CENTENÁRIO E MUITO OBRIGADO, NELSON RODRIGUES!


Existem momentos no qual o futebol transcende, e seus ramos brotam por outras áreas de nossa vida, não como algo secundário, mas como protagonista. Muitas destas vezes devido à política e outras tantas à guerras, mas houve um homem que precisou apenas de palavras para tornar o futebol um universo sem fim. O que os seus olhos enxergavam dentro e ao redor das quatro linhas nenhum outro alcançou, e, muito provavelmente, jamais alcançará. Este homem, este patrimônio nacional, esta lenda, Nelson Rodrigues, comemoraria, hoje, 100 anos, caso ainda tivéssemos o imensurável prazer de tê-lo entre nós.

O futebol era muito mais futebol nas crônicas de Nelson Rodrigues. O “complexo de vira-latas”, que, até Pelé, Garrincha e brilhante companhia, na Suécia, em 1958, não deixava nós, brasileiros, nos sentirmos em pé de igualdade com os europeus, é de uma grandeza sociológica que só os especiais são capazes de criar. Assim como o “Sobrenatural de Almeida”, uma obra-prima da relação entre misticismo e esporte, que faz até o mais cético dos céticos pensar duas vezes antes de desprezar sua existência.

Por sorte do futebol brasileiro, Nelson Rodrigues amava este esporte e lhe emprestava toda sua genialidade. Sem suas palavras, nossos craques e clubes, a Seleção Brasileira e até mesmo nós, os torcedores, seriam menores. Sabe quando algum inconveniente surge do nada, em um momento onde sua empolgação está no ápice, e diz: “Mas porque você gosta disso? São apenas homens correndo atrás da bola”. Pois, bem, amigos, graças a Nelson Rodrigues, o futebol se tornou muito – mas muito! – maior do que isso.

Muito obrigado, Nelson Rodrigues, e Parabéns!

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

BATE-PAPO COM O CRAQUE-CIGANO ELÓI


Campeão do Mundo e Europeu, Bola de Prata em 1981, época onde nossos maiores craques ainda jogavam por aqui, integrante de times inesquecíveis do América e do Ceará, passagens por gigantes como Botafogo, Fluminense, Vasco, Internacional, Santos. Este é o craque Elói, que nas linhas abaixo conta sua trajetória no futebol para os amigos leitores do FUTEBOLA.  

1) Primeiramente, você poderia contar como foi sua passagem pelas categorias de base, até estrear no profissional do Juventus-SP? Participou de muitos testes em outros times até chegar ao "Moleque Travesso"? Quando teve a certeza de que seria jogador de futebol?

Eu comecei a jogar futebol em Andradina (SP). Na época, não tinha jogos ao vivo na TV e era quase impossível acompanhar um ídolo. Tinha o Rivelino como referência, pois meu pai era corintiano, e na Copa do Mundo de 70, a primeira ao vivo, me apaixonei definitivamente pelo futebol e a sonhar em jogar num time grande do Brasil. Andradina disputava a 3ª Divisão de São Paulo, mas por um amigo, Wilson Periquito, que jogava no Araçatuba, fui indicado para jogar no AEA. Aí, quando o Juventus foi fazer uma partida amistosa contra o AEA, eu joguei muito bem e o treinador Milton Buzzeto me levou para o “Moleque Travesso”. Fui ter a certeza de que seria um jogador conhecido quando comecei a sonhar com situações na carreira como: jogar no Maracanã, receber um prêmio, o Motorádio, que era dado na década de 70 para o melhor jogador em campo, receber a Bola de Prata. E devido a minha aplicação nos treinamentos e com a graça de Deus, consegui uma carreira que para mim foi quase perfeita.

2) Depois de um tempinho na Portuguesa, você chegou ao Internacional de Limeira e, no Brasileiro de 1981, apesar de sua equipe não ter realizado um grande Campeonato, você conquistou o prêmio Bola de Prata da Revista Placar. Quais foram os principais motivos para você ter se destacado tanto neste Brasileirão?

O Inter de Limeira tinha um bom time e contava com um dos melhores meias com quem já joguei, chamado Toinzinho (ex-jogador do Santos). Como eu morava do lado do campo ficava praticando mesmo depois dos treinos acabarem, e este foi o grande segredo.

3) Em 1982, ao lado de grandes nomes como o zagueiro Duílio e o centroavante Luisinho Guerreiro, você conquistou a Torneio dos Campeões e a Taça Rio com o América. Como foi fazer parte de um dos maiores times da história do Ameriquinha?

Era o capitão do Santos e gozava de prestígio no clube e, por isso, me acharam louco quando optei pelo América. Porém, tinha um sonho de jogar no Maracanã e esta era a primeira oportunidade do sonho se realizar. Por sorte minha foi o time mais família que joguei na vida, jogadores sempre juntos com as esposas, com a família, e isso ajudou a ser uma equipe muito unida. Ter sido Campeão em dois campeonatos pelo América foi muito gratificante, pois ficamos na história do clube, além de eu ter sido o capitão e o artilheiro nas competições.

4) O bom futebol do América continuou no Vasco da Gama, onde você atuou por apenas seis meses. Tempo suficiente para realizar um ótimo Brasileirão de 1983 e chamar a atenção do Genoa (ITA). Como foi o curto período no Vasco, ao lado do Roberto Dinamite, e o que faltou para você conseguir desenvolver seu grande futebol na Itália?

Foi um grande orgulho ter jogado no Vasco com um ídolo como o Roberto Dinamite. O presidente, Antônio Soares Calçada, não queria me vender para Itália, mas me falou que seria injusto me segurar, já que os valores, na época, eram insuperáveis para o Brasil. Quando fui para a Itália, iria para o Milan, pois havia feito um torneio espetacular com o Santos, em Milão, contra o próprio Milan, Internazionale, Peñarol... Fiz um gol antológico que deixou o estádio de pé, aplaudindo. Porém, veio uma pedida muito alta do Santos e acabei não vendido na janela seguinte. Aí veio o Genoa, que eu não sabia que era uma equipe que lutava para não cair. Por isso a minha dificuldade de jogar num time sem objetivo nenhum, com jogadores velhos e desinteressados, e o pouco sucesso. Fiz muitos gols por lá, mas, infelizmente, o objetivo não foi alcançado.

5) Em Portugal, com a camisa do Porto, apesar de não ter sido titular absoluto, você conquistou os títulos mais renomados de sua carreira: a Copa dos Campeões da Europa e o Mundial Interclubes de 1987. O que tem para dizer sobre tão importantes conquistas?

O Porto fez um time igual ao Barcelona atual, com a contratação de dois grandes jogadores para cada posição. Foi o melhor time que fiz parte dos 20 clubes que eu tive o prazer de jogar. Era indiscutivelmente superior a todos na época. Acredito que jogamos 65 jogos no ano e perdemos quatro ou cinco. Quanto a não ser titular em todos os jogos, isto é natural na Europa. No Barcelona, por exemplo, três ou quatro jogam sempre e o resto faz um rodízio, coisa que brasileiros não gostam. Brasileiro é fominha e quer jogar todas. Voltei por isso e me arrependi depois, mas valeu.

6) Antes de ir para Portugal, em 1985, você vestiu a camisa do Botafogo. Depois que voltou, já em 1992, atuou pelo Fluminense. Como foram as passagens por estes dois gigantes cariocas?

Por Botafogo e Fluminense tenho lembranças de grandes clássicos no Maracanã e belos gols por ambas as equipes. E jogar no Fluminense me fez acreditar que nunca é tarde para sonhar, pois joguei no Tricolor Carioca com 38 anos.

7) Com quase 40 anos, em 1994, você esteve em campo em todas as partidas da grande campanha vice-campeã do Ceará na Copa do Brasil, onde o "Vovô" eliminou o Palmeiras e o Internacional e vendeu caro a derrota na decisão para o Grêmio. Conte um pouquinho deste inesquecível momento vivido no Ceará e qual o segredo para jogar em alto nível até os 40 anos.

No Ceará vivi uma experiência muito boa, pois antes eu tinha sido artilheiro cearense jogando pelo Fortaleza, com gols espetaculares no Castelão. Pelo Ceará, só não fomos Campeões da Copa do Brasil porque a diretoria era muito amadora e não quis me ouvir. Antes do primeiro jogo decisivo contra o Grêmio, no Castelão, uma quarta-feira, jogaríamos contra o Fortaleza no domingo. Era um jogo importante para o Fortaleza, mas não para nós, e pedi para eles deixarem o time descansar para enfrentar o Grêmio. Resultado: o jogo contra o Fortaleza foi duríssimo, teve quatro expulsões, o Ceará ficou muito desgastado e só conseguiu um empate por 0 a 0 contra o Grêmio, em casa.

8)  Por último, se pudesse escolher um ano como o melhor de sua carreira, qual seria? E por qual motivo?

Na minha vida profissional e amadora no futebol seria injusto escolher um ano de destaque. Todos os meus anos de carreira foram de muita alegria e prazer. Agradeço a Deus por todos os anos da minha vida como jogador de futebol.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

FLUMINENSE COMEMORA 60 ANOS DA COPA RIO


Há exatas seis décadas, 60 redondos anos, o Fluminense erguia um dos troféus mais importantes de sua laureada história: a II Copa Rio. Desde os cabeças-duras mais radicais até os mais conscientes argumentadores, sempre existirá a discussão sobre a Copa Rio ser sinônimo ou não de Mundial Interclubes, mas dois de agosto não é dia de o torcedor tricolor se preocupar com debates.

É dia de comemorar um título conquistado de maneira invicta, diante de adversários do mais elevado quilate, todos eles então campeão ou vice em seu respectivo país – com exceção do Corinthians, pela ausência de um torneio de caráter nacional no Brasil. É dia de aplaudir a classificação na 1ª fase sem sofrer sequer um golzinho, em um grupo com Sporting (POR), Grasshoppers (SUI) e Peñarol (URU). É dia de se orgulhar pelo histórico triunfo por três a zero sobre o Peñarol de Ghiggia e Schiaffino, simplesmente os autores dos gols da vitória uruguaia sobre o Brasil no trágico jogo derradeiro da Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã.

É dia de sorrir pela goleada de 5 a 2 no segundo jogo semi final contra o fortíssimo Áustria Viena (AUS), que contava com quatro nomes que terminariam a Copa do Mundo de 1954 na 3ª colocação, dentre eles o refinado Ernst Ocwirk. É dia de exalar felicidade pelo triunfo na decisão diante do Corinthians do goleiro Gimar dos Santos, do “Pequeno Polegar” Luizinho e do “Gerente” Cláudio, esquadrão Tri Paulista e Tri do Rio-São Paulo entre 1950 e 1954. É dia de satisfação com o time montado pelos conceitos táticos do treinador Zezé Moreira, um dos mais relevantes treinadores do nosso futebol.

É dia de celebrar o lendário goleiro Castilho, tão bom, mas tão bom, que muitos lhe creditavam poderes sobrenaturais. Ele sofreria gols em apenas dois dos sete jogos realizados pelo Flu na Copa Rio. É dia de mostrar alegria pela inesquecível muralha formada pela dupla Píndaro e Pinheiro. É dia de se emocionar com Bigode, que ignorou qualquer abalo psicológico pela repetição do duelo do Mundial de 50 com o Ghiggia e marcou o ponta uruguaio com perfeição. É dia de muitos “urras” para Jair Santana, Édson e Quincas, nomes essenciais na conquista.

É dia de mostrar os dentes pelos cinco gols do artilheiro Marinho, dois deles contra o Peñarol, cuja chuteira está banhada em bronze e exposta nas Laranjeiras. É dia de bater palmas para o também goleador do torneio Orlando Pingo de Ouro, que quando o Áustria Viena vencia o duelo semi final por 2 a 1, marcou dois gols e virou o placar para o Flu. É dia de deixar aparente a honra por a camisa tricolor ter sido vestida por Telê Santana, aquele que nunca parava em campo, o ponteiro dos segundos, para o cronista Mário Filho. É dia de se gabar pela genialidade do “Mestre” Didi, um artista de criatividade inigualável. É dia de esbanjar bom humor por Carlyle, Róbson, Lino, Vilalobos, Nestor e Simões, todos Campeões da Copa Rio de 1952. Uma glória notável, marcante para o Fluminense Football Club se tornar o gigante que é hoje em dia.

PARABÉNS, FLUMINENSE!!! PARABÉNS, TRICOLORES!!!

terça-feira, 24 de julho de 2012

FUTEBOL COM HISTÓRIA - O FUTEBOL NOS JOGOS OLÍMPICOS - PARTE 2



Mil novecentos e cinquenta e dois foi o ponto de partida de dois momentos-chave do futebol olímpico. Os Jogos de Helsinki foram os primeiros a contar com a participação da Seleção Brasileira e marcaram o início de uma longa supremacia dos países do bloco comunista, cujos atletas eram “sustentados” pelo governo e, por isso, considerados amadores. A mágica Hungria de Puskás (1952), a científica União Soviética do “Aranha Negra” Yashin (1956) e a poderosa Polônia de Lato (1972) foram os maiores destaques do período, que ainda viu os títulos da Iugoslávia (1960), mais dois da Hungria (1964 e 1968), Alemanha Oriental (1976) e Checoslováquia (1980).

A superioridade dos comunistas era tamanha que os times brasileiros nem faziam cosquinhas. Um exemplo: em 1972, nos Jogos de Munique, a Verde-Amarela formada por nomes como Falcão, Roberto Dinamite, Dirceu, Pintinho, Rubens Galaxe e Abel Braga foi eliminada ainda na 1ª fase após derrotas para Dinamarca e Irã e um empate diante da Hungria. Na edição seguinte, em Montreal, 1976, com o goleiro Carlos, Edinho, Júnior “Capacete” e Batista, o Brasil chegaria um pouco mais longe, porém as derrotas para a Polônia de Lato e a União Soviética de Blokhin – olha a força do bloco comunista mais uma vez! – dariam fim ao sonho da primeira medalha olímpica no futebol.

Primeira medalha olímpica esta que seria de prata e chegaria em 1984, quando o estádio Rose Bowl, em Los Angeles, recebeu mais de 100 mil presentes na derrota decisiva da equipe brasileira de Gilmar Rinaldi, Mauro Galvão e Dunga para a França. Quatro anos mais tarde, em Seul, com um elenco que contava com os futuros Campeões do Mundo de 1994 Taffarel, Jorginho, Mazinho, Bebeto e Romário, alem de craques do quilate de Ricardo Gomes, Andrade, Valdo, Neto e Geovani, a Seleção voltaria a cair diante dos comunistas. Vitória da União Soviética por 2 a 1 na final e mais uma prata para o Brasil.

A Espanha de Guardiola e Luis Enrique fizeram a alegria do seu povo ao levar o ouro em Barcelona, 1992, e, em seguida, seria a vez dos africanos. Depois de começar a colocar as manguinhas de fora com uma monumental goleada de 4 a 0 da Zâmbia sobre a Itália, em 1988, e com o bronze de Gana, em 1992, a África se tornaria um capítulo especial do futebol olímpico através do futebol extrovertido da Nigéria de Kanu e do Camarões de M’Boma, que traumatizaram os brasileiros e subiram ao lugar mais alto do pódio em Atlanta (1996) e Sydney (2000). Se nos Estados Unidos o Brasil de Ronaldo “Fenômeno”, Bebeto, Rivaldo e Roberto Carlos teria o consolo da medalha de bronze, na Austrália nem isso.

E para deixar os torcedores brasileiros ainda mais sedentos pela inédita medalha dourada, a Argentina atropelou todo mundo que se colocou na sua frente – 12 vitórias em 12 partidas – e ficou com o ouro em Atenas (2004) e Pequim (2008). Na China, o Brasil, depois de ser engolido por Riquelme e Messi, terminou, mais uma vez, bronzeado.

Daqui a poucos dias, pela terceira vez em Londres, o futebol fará sua 25ª aparição nas Olimpíadas, e os olhos dos amantes deste esporte estarão voltados não só para um possível e histórico embate entre Brasil e Espanha, mas para o retorno do Uruguai à competição após 84 anos, para as surpresas não mais tão surpreendentes que vêm da África, para o papel que a Seleção da Grã-Bretanha poderá desempenhar como anfitriã, para os sempre presentes em futebol de alto nível México, Japão e Coreia do Sul... Que comecem os Jogos!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

FUTEBOL COM HISTÓRIA - O FUTEBOL NOS JOGOS OLÍMPICOS - PARTE 1


Quando torneios como Copa América, Eurocopa e Copa do Mundo ainda começavam a florescer como pensamentos na cabeça de alguns idealizadores, já existia uma competição de futebol que reunia selecionados mundiais para apresentar a arte com a bola nos pés. Eram os Jogos Olímpicos.

Apesar de disputado nas edições de 1900 e 1904 – ambas contaram com apenas três participantes cada e foram vencidas por equipes representantes de Grã-Bretanha e Canadá, respectivamente – o futebol olímpico começaria a caminhar mais fortemente a partir das Olimpíadas de 1908, já sob o manuseio da FIFA. Daí em diante a caneta que escreve a história do futebol olímpico passou por diversas mãos.

Em Londres (1908) e Estocolmo (1912) os “Pais do Futebol” mostraram a mesma classe com a qual seus clubes deliciavam torcedores em viagens ao redor do mundo e a Grã-Bretanha terminou com a medalha dourada. Após a ausência do evento em 1916, devido à I Guerra Mundial, a Bélgica fez valer o fator casa e conquistou os Jogos da Antuérpia, em 1920. As últimas duas edições de Olimpíadas pré-Copa do Mundo de futebol, em 1924 (Paris) e 1928 (Amsterdã), ficariam marcadas pelos triunfos uruguaios e o brotar de um dos maiores esquadrões que o Planeta Bola já viu: a “Celeste Olímpica” de Nazassi, Andrade, Cea e outros ótimos mais.

Los Angeles, em 1932, não contou com o futebol em seu programa olímpico – umas fontes “culpam” o nascimento da Copa do Mundo em 1930 e outras a vontade dos Estados Unidos de valorizar o Futebol Americano –, mas o “esporte bretão” voltaria em 1936, em Berlim, numa das edições mais comentadas dos Jogos. E com o futebol não seria diferente, tanto pela eliminação da Alemanha para a Noruega, com a presença de Adolf Hitler no estádio, como pela surpreendente virada peruana sobre a forte Áustria (4 a 2) que seria anulada.

Os austríacos reclamariam e por questões claramente políticas – apesar de as justificativas pelo cancelamento terem sido a invasão de campo por torcedores do Peru, maus tratos dos jogadores peruanos perante os austríacos e dimensões do campo menores do que as oficiais – outro duelo foi marcado, desta vez, com portões fechados. A Seleção Peruana não só se negou a participar da nova partida como toda a delegação do país abandonou os Jogos. E mais, a delegação colombiana, em apoio, fez o mesmo.

A medalha dourada em Berlim terminaria com a Itália do treinador Vittorio Pozzo, comandante da Azzurra que conquistara o Mundial de 1934 e também levantaria, em um futuro próximo, o de 1938. A ganância por poder que já dava sinais de força nas Olimpíadas de Berlim chegaria ao ápice com a II Guerra Mundial e, consequentemente, a não realização dos Jogos de 1940 e 1944. O retorno em Londres, no ano de 1948, viria com a consagração de um trio de ouro, chamado, carinhosamente, Gre-No-Li. Gunnar Gren, Gunnar Nordahl e Nils Liedholm levariam a Suécia à glória máxima e, mais tarde, colocariam, juntos, seus nomes na galeria de ídolos do italiano Milan.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

100 ANOS DE UM PATRIMÔNIO DO ESPORTE MUNDIAL


Como descobrimos através da genialidade incomparável de Nelson Rodrigues, o Fla-Flu nasceu 40 minutos antes do nada. E já que seria de uma petulância sem perdão discordar do mestre, vale ressaltar que o comemorado neste 7 de julho de 2012 não serão os 100 anos de existência do Fla-Flu, mas, sim, o centenário da primeira vez que estes dois colossos duelaram em um campo de futebol.

Fla-Flu. Uma expressão pequenina, que qualquer criança poderia dizer antes mesmo de mamã ou papá, mas de um valor imensurável. Graças à iluminada sabedoria de Mário Filho, que transformou o na época sem apelo termo Fla-Flu – usado pela primeira e até então praticamente única vez em 1925, para batizar um selecionado composto apenas por jogadores dos dois clubes – na mais perfeita representação de um clássico do futebol. Daí para a invenção do Gre-Nal, San-São, Atle-Tiba, Ba-Vi foi um pulo. O poder do Fla-Flu é tão grande que transcende o futebol. Quem nunca ouviu uma tentativa de valorização de um clássico não-futebolístico através da frase: “Fulano contra Beltrano é o Fla-Flu deste esporte”.

E Mário Filho faria muito mais por este patrimônio do esporte além de reinventar o termo Fla-Flu. Com suas palavras mágicas, estimulou o sadio duelo entre as torcidas rubro-negra e tricolor. Quem levaria mais bandeiras? Mais balões? Faria a batucada mais animada? Soltaria mais foguetes? Como disse Nelson Rodrigues, “Mário Filho transformou o domingo de Fla-Flu num domingo de carnaval”. Nada contra alvinegros ou celestes, mas, convenhamos, amigos, não existe embate de cores mais lindo do que o de um Fla-Flu. Seja nas arquibancadas ou no gramado, entre os uniformes.

Listar os personagens que fizeram história ao longo dos cem anos de rubro-negros contra tricolores só é menos impossível do que contar todas as pelejas inesquecíveis. Até mesmo porque, como uma vez falou Stan Lee, lenda das revistas em quadrinhos, toda revistinha é a primeira de algum leitor. Na mesma linha de raciocínio, todo Fla-Flu é o primeiro de algum torcedor, o que por si só já faz com que muitos dos jogos aparentemente não tão históricos tenham um sabor especial no coração de incontáveis.

Quando Flamengo e Fluminense estiverem perfilados, segundos antes do primeiro trilar do apito para o clássico deste domingo, pelo Campeonato Brasileiro, a atmosfera estará repleta das mais inadjetiváveis memórias. Memórias que nasceram no distante 1912, quando pai e filho rebelde se enfrentaram pela primeira vez, sem terem a ideia de que davam o pontapé inicial na mais bela rivalidade clubística do futebol mundial.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

MUITO MAIS DO QUE CABELO E BARBA


“Venci e agora minha barba e meus cabelos são um símbolo de liberdade”, Afonsinho.
(O Estado de São Paulo, 16 de fevereiro de 1972)

Vive-se um tempo onde craques e pernas-de-pau se importam mais com a aparência do que o hilário personagem Zé Bonitinho. Dentre brincos, munhequeiras, cordões e vestimentas, são os cabelos modernos que mais chamam a atenção. Tem moicano, de trancinhas coloridas ou não, rastafári, com desenhos, com nomes, com escudo do clube, à la Cascão e até aqueles impossíveis de explicar com poucas palavras. Mas houve uma época onde uma simples barba e o cabelo comprido se transformaram em símbolos de liberdade, de vitória contra um sistema que se propunha a controlar todos os passos dos jogadores, dentro e fora das quatro linhas.

A partir da segunda metade da década de 60, mais pontualmente após a Seleção Brasileira ter sido eliminada na 1ª fase da Copa do Mundo de 1966, teve início uma revolução no futebol verde-amarelo. Em síntese, força e resistência físicas, organização tática, ocupação de espaços, jogador-peça, time-máquina, objetividade e coletividade se tornaram palavras-chave no vocabulário do nosso jogo. Muitos possuem a ideia de que a Seleção Tricampeã do Mundo em 1970 era pura arte, mas basta contar que um relatório da Organização Mundial de Saúde considerou a equipe brasileira a mais bem preparada fisicamente de todo o torneio e que o zagueiro Brito foi eleito o atleta de melhor preparo físico da competição para vermos que os brasileiros tinham algo mais além do futebol genial.

Um pouco mais de aprofundamento e a lembrança de que o país vivia uma ditadura militar e que não eram raros integrantes do exército nas instituições do futebol – vide o Capitão Cláudio Coutinho, preparador físico da Seleção de 70 – torna mais alcançável o comportamento dos jogadores como soldados e dos times como exércitos, com regras e organização. Mas esta militarização não se restringiu ao jogo em si. Os dirigentes e treinadores dos clubes nacionais exigiam comportamento impecável dos seus comandados fora dos gramados. A disciplina militar e a disciplina esportiva se tornavam, então, sinônimos.

Foi neste contexto que um nome se ergueu contra tamanho controle: Afonsinho. Contratado pelo Botafogo junto ao XV de Jaú, Afonsinho foi Bicampeão Carioca em 1967 e 1968 ao lado de craques como Gérson, Jairzinho, Roberto Miranda e Paulo Cezar Caju. Mas não era titular absoluto, e isto o chateava. Bastante. A ponto de se desentender com o treinador Zagallo em um torneio no México e acabar emprestado ao Olaria. Pelo Alvianil da Bariri, em excursão ao Oriente Médio e Extremo Oriente, um novo desentendimento, desta vez com um diretor do clube, acabou com o desligamento de Afonsinho da delegação. Ao invés de retornar direto para o Brasil, o craque passou um período na França, longe do futebol, e vivenciou de perto todo o momento de contestação social, cultural e política que o país vivia.

De volta ao Brasil e ao Botafogo, Afonsinho ostentava uma barba nascente e cabelos que começavam a se alongar. O treinador, Zagallo, e o diretor Xisto Toniato não gostaram da nova aparência do habilidoso meia, que não aceitava a influência dos disciplinadores em sua vida. Sem meias palavras, a situação se tornou a seguinte: ou Afonsinho raspava a barba e cortava o cabelo ou não jogaria no Botafogo. E como na época vigorava a Lei do Passe, ou seja, o jogador tinha seu passe preso ao clube, que poderia vendê-lo, emprestá-lo ou “prendê-lo” a seu bem querer, não seria exagero dizer que a carreira de Afonsinho esteve prestes a terminar.

Porém, o jogador foi à luta pelos seus direitos e, após verdadeiras batalhas jurídicas, conquistou o Passe Livre. Virou bom exemplo para os que não aceitavam o controle dos clubes sobre suas vidas e péssimo exemplo para os que ganhavam dinheiro e poder com o sistema de dominação sobre os jogadores. Entrou para a história do futebol brasileiro como um ícone de rebeldia. E de liberdade.

Referências
Afonsinho e Edmundo – A rebeldia no futebol brasileiro. Autor: José Paulo Florenzano. Editora Musa.

sexta-feira, 9 de março de 2012

FUTEBOL COM HISTÓRIA - MARKETING E FUTEBOL, UMA AMIZADE ANTIGA

Faz poucos dias que, após muito disse me disse, o Flamengo e a empresa Traffic enfim romperam relações e o Clube da Gávea passou a arcar com a íntegra do salário de Ronaldinho Gaúcho. Uns dizem que o valor de mais de um milhão por mês é um absurdo, enquanto outros afirmam que, agora, o Fla poderá explorar a imagem do craque com ações de marketing e por isso terá um grande retorno do investimento.

Já não é de hoje que marketing e futebol passeiam de mãos dadas e a imagem de um craque passou a ser tão importante quanto a de um lutador do antigo Telecatch. As contratações de David Beckham, tanto pelo Real Madrid quanto pelo Los Angeles Galaxy, são provas concretas, mesmo tendo o inglês certa intimidade com a pelota, principalmente quando ela parada. No Brasil, uma das pioneiras ações de marketing da história se deu no longínquo ano de 1934, para onde viajaremos nas linhas abaixo.

Início da década de 20 e um garoto com nascentes pelos debaixo dos braços estreava pelo Grêmio. Era Luiz Carvalho, conhecedor profundo do caminho das redes. O menino centroavante emendava um gol atrás do outro e estes o tornaram o gremista com mais tentos marcados sobre o rival Internacional e um dos principais nomes do Tricolor Gaúcho na época amadora, ao lado de Eurico Lara e Foguinho. Falando em época amadora, Luiz Carvalho necessitava trabalhar para se sustentar, e o fazia em uma firma de vinhos chamada Scalzilli. E foi justamente a relação do craque com a bebida presente na Santa Ceia que originou uma das primeiras – seria a primeira? – transações marqueteiras do nosso futebol.

Corria o ano de 1934 e produtores vinícolas do Rio Grande do Sul tinham a intenção de aumentar a venda da bebida no Rio de Janeiro, onde competiam com vinhos importados. Sabedores de que o grande mercado consumidor de vinhos era a colônia portuguesa, os gaúchos decidiram explorar a boa imagem de Luiz Carvalho, que já atuara um curto período pelo Botafogo e pela Seleção Carioca, e o ofereceram ao Vasco, clube dos lusos. Assim, em novembro de 1934, Luiz Carvalho partiu com destino à “Cidade Maravilhosa” para colocar a serviço do Cruzmaltino os seus imparáveis chutes de virada, que pegavam os zagueiros e os goleiros desprevenidos.

Foi um tiro certeiro dos sulistas. Ao lado do fenomenal Feitiço, Luiz Carvalho marcou oito gols no Campeonato Carioca da Federação Metropolitana de Desportos de 36 (na época existiam dois torneios no Rio de Janeiro) e foi essencial para o Vasco levantar o caneco estadual. Com os gols de Luiz Carvalho e o título conquistado fica redundante dizer que os portugueses tiveram um ano de 1936 regado a taças de vinho. E que os produtores gaúchos viviam com um sorriso do tamanho do rosto.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

DEZ! NOTA DEZ!

O Carnaval se aproxima e é impossível ficar indiferente a tamanha euforia popular. Que o digam os boleiros, que perdem o pouco foco que possuem nesta época do ano e se esbaldam em desfiles, blocos, bailes, camarotes, abadás... Cada canto deste imenso Brasil possui suas festas carnavalescas características, e, no Rio de Janeiro, o mundialmente conhecido desfile das escolas de samba é ansiosamente aguardado pelos foliões. A década de 20 marca o nascimento das primeiras escolas de samba, mas foi somente a partir dos anos 60 que estas e os desfiles começaram a se transformar no “Maior Show da Terra”.

Ao longo de tantos anos de escolas na avenida, não foram poucos os sambas-enredo que cantaram o futebol em suas letras, fossem direta ou indiretamente. Quando digo indiretamente, digo das homenagens realizadas a ilustres brasileiros que volta e meia são – ou eram, no caso dos que já partiram – vistos ao lado do futebol. Lamartine Babo, autor dos hinos dos cariocas América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, foi homenageado pela São Carlos, em 1973. Falando em hinos, Lupicínio Rodrigues, criador do belo hino do Grêmio, foi enredo da Unidos do Jacarezinho, em 1987.

Sérgio Cabral, o pai, e Chico Anysio, vascaínos daqueles que possuem o coração em forma de cruz de malta e conhecedores de futebol, viraram samba, no ano de 1997, da Em cima da hora e da Arranco, respectivamente. Chico Buarque, um apaixonado pela bola, como mostram sua canção “O Futebol” e seu famoso time de pelada, o Politheama, foi cantado pela tradicionalíssima Mangueira, em 1998. Para fechar o bloco dos ilustres cujas participações só valorizam o futebol, Nelson Rodrigues, o dramaturgo e cronista esportivo inigualável, protagonizou nada menos do que três sambas-enredo diferentes, cantados pela Tupy de Brás Pina (1982), Império da Tijuca (1994) e Unidos da Tijuca (2001), além de ainda ser o enredo da Viradouro neste 2012.

Falemos agora dos clubes, ou melhor, do centenário dos clubes cariocas. Em 1995, a Estácio de Sá, com o samba de título “Uma vez Flamengo...” homenageou os 100 anos do Rubro-Negro da Gávea, enquanto, três anos depois, em 1998, o primeiro século de vida do Vasco foi o enredo escolhido pela Unidos da Tijuca sob o nome de “De Gama a Vasco, a epopéia da Tijuca”. Um fato curioso envolve estes dois sambas-enredo. Apesar de a Estácio de Sá, em 1995, ter ficado a apenas 3,5 pontos do título, e de a Unidos da Tijuca ter sido rebaixada no carnaval de 1998, os versos “Vamos vibrar meu povão (é gol, é gol) / A rede vai balançar, vai balançar / Sou Vasco da Gama, meu bem / Campeão de terra e mar” são sempre cantados pelos vascaínos, enquanto o refrão “Cobra coral / Papagaio vintém / Vesti rubro-negro / Não tem pra ninguém” é ignorado pelos flamenguistas. No entanto, estranho mesmo foi o fato de a Rocinha ter homenageado o centenário do Fluminense em 2003, sendo que o Tricolor das Laranjeiras completara seu centésimo aniversário um ano antes.

Menos do que deveriam, os grandes craques também inspiram as escolas. Se não, vejamos. Só para ficar nas escolas mais tradicionais temos: “Negra origem, negro Pelé, negra Bené” – Caprichosos de Pilares (1998); “O glorioso Nilton Santos... Sua bola, sua vida, nossa Vila” – Vila Isabel (2002); “O Brasil é penta, o R é 9 - O fenômeno iluminado” – Tradição (2003). Não se sabe a veracidade, mas dizem que a Vila Isabel, que estava no Grupo de Acesso em 2002, só não retornou para o Grupo Especial com o enredo que homenageava Nilton Santos porque um julgador se enganou ao dar uma de suas notas.

Por último, mas longe de ser menos importante, temos “O mundo é uma bola”, que embalou o desfile da Beija-Flor no ano de 1986. Muitos conhecedores de sambas-enredo afirmam que o futebol nunca foi tão bem representado na avenida como neste desfile, que teve Joãozinho Trinta como carnavalesco e Neguinho da Beija-Flor como intérprete. No entanto, um dilúvio bíblico, quase igual ao que Noé enfrentou com sua arca, estava no caminho da Escola de Nilópolis, que acabou na 2ª colocação do Carnaval de 1986.

É isso, meus amigos. O FUTEBOLA deseja um perfeito carnaval para todos, com muita responsabilidade, folia e, claro, futebol.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

FUTEBOL COM HISTÓRIA - DEDINHOS, PARA QUE LHES QUERO?

Em um intervalo de dias que quase podemos contar nos dedos, os nomes dos dois maiores goleiros do futebol brasileiro desde a aposentadoria do Taffarel começaram a aparecer acompanhados da pequena, mas tenebrosa, palavra “dor”. A do palmeirense Marcos, nos joelhos, o fez pendurar as luvas, enquanto a do tricolor Rogério Ceni, no ombro, o deixará alguns meses fora dos gramados.

Coincidentemente juntas no tempo, as dores de Marcos e Ceni não são as primeiras nem serão as últimas sentidas por aqueles que vestem a camisa número um. Dois casos de contusões de goleiros, porém, chamam a atenção pelo amor ao trabalho e pela total falta de vaidade, no sentido ruim da palavra, dos seus protagonistas. E que protagonistas! Falo de Castilho e Manga, nomes obrigatórios em qualquer eleição que pretende apontar o maior arqueiro de nossa história.

Por ordem cronológica, comecemos por Castilho, goleiro de imensurável qualidade debaixo das traves e que sempre tinha a sorte ao seu lado, o que lhe rendeu o apelido de “Leiteria”. Corria o ano de 1957 e Castilho, já um verdadeiro símbolo tricolor, sofria com repetidas contusões no dedo mindinho da mão esquerda. Os médicos responsáveis por dar um fim ao incômodo problema, os doutores Paes Barreto e Dourado Lopes, chegaram à conclusão de que enxerto ou correção seriam as medidas mais adequadas. No entanto, o tempo em que ficaria fora dos gramados, sem poder defender as cores do seu amado Fluminense, e a falta de confiança na melhora integral do dedinho fizeram Castilho tomar uma decisão inimaginável: amputar o pedaço do dedo que tanto lhe atormentava. (http://www.futebolarj.blogspot.com/2012/01/uma-imagem_12.html)

Manga foi um goleiro tão especial que no dia 26 de abril, data de seu nascimento, comemora-se o “Dia do Goleiro”. Se apenas um clube pudesse escolher o Manga para ser o melhor goleiro de sua história, haveria uma verdadeira guerra entre Sport, Botafogo, Internacional e o uruguaio Nacional. Manga, diferente de Castilho, enfrentou problema não com um, mas com os dois dedinhos. Seus dedos mínimos eram tão tortos, mas tão tortos, que quem não o conhecesse não acreditaria que ele ganhava a vida agarrando bolas. Os motivos para estas deformações? O arrojo de Manga. Foi em duas saídas nos pés dos atacantes adversários, uma em 1965, contra o São Cristóvão, e outra em 1967, diante do Flamengo, ambas com a camisa do Botafogo, que o goleiro fraturou os dedinhos. O detalhe é que o Botafogo já estava com a vitória encaminhada nas duas partidas e, mesmo assim, Manga continuou defendendo a meta como se fosse sua casa. Tanto em 1965 quanto em 1967, Manga retirou o gesso do dedinho antes do tempo determinado pelo médico Lídio Toledo para, assim, voltar mais rápido a salvar o Botafogo, atitude que lhe causou as deformações. (http://www.futebolarj.blogspot.com/2012/01/uma-imagem_30.html)

Quando o amigo escutar que a vida de goleiro exige sacrifícios, não deixe de lembrar destas duas legendas do nosso futebol: Castilho e Manga.

Nota: os links acima mostram imagens de Castilho e Manga, destacando os problemas que tiveram com seus dedinhos.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

FUTEBOL COM HISTÓRIA - AS GUERRAS MUDAM AS APARÊNCIAS


Uma guerra não traz consequências somente no campo de batalha. Política, economia, cultura e esporte são alguns dos diretamente influenciados pela “música de terror” tocada por metralhadoras, tanques e aviões de combate. Quando o assunto é futebol, a não realização das Copas do Mundo de 1942 e 1946, devido à 2ª Guerra Mundial, e o conflito armado interrompido no Congo Belga, em 1969, para que os nativos pudessem ver o Santos de Pelé jogar, são fatos conhecidos.

Dentro deste amplo universo criado pela relação futebol/guerra, a coluna “Futebol com História” de hoje contará mudanças, digamos, na aparência que as duas Grandes Guerras causaram em três dos maiores clubes brasileiros. Por ordem cronológica, vamos iniciar pela interferência da I Guerra Mundial no uniforme do Flamengo.

O Clube de Regatas do Flamengo nasceu em 1895, porém o futebol só chegaria a ele em 1912, através de um movimento liderado pelo atacante Alberto Borgeth que levou nove jogadores abandonarem o Fluminense. O primeiro uniforme do futebol flamenguista não foi o das tradicionais listras horizontais – este era o do remo, que não permitia o seu uso no futebol –, mas sim um com quatro grandes quadrados, dois vermelhos e dois pretos, em posições alternadas, que ficou conhecido como “papagaio-de-vintém”. No entanto, no biênio 1914/1915, o Fla conquistaria os seus dois primeiros títulos estaduais com outro uniforme, o “cobra-coral”, que apresentava listras horizontais vermelhas e pretas e, entre estas, listras mais finas da cor branca. Sim, amigos, o Flamengo já foi tricolor.

Pois bem, em 1916, por conta da 1ª Guerra Mundial (1914-1918), a Alemanha era, para os brasileiros, entre outros, o grande vilão do planeta. E quais eram as cores que representavam o Império Alemão? Vermelho, preto e branco. Sendo assim, para não criar nenhum tipo de associação com os alemães, o Flamengo abandonou o uniforme “cobra-coral” e passou a utilizar o mesmo dos remadores, com listras horizontais vermelhas e pretas. Sem o branco.

Saltemos agora para a década de 40, quando quem causava pânico em todo o planeta era a 2ª Guerra Mundial (1939-1945). Desta vez, os rivais brasileiros eram os países do Eixo, representados principalmente pela Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini. Foi neste panorama que, 1942, Getúlio Vargas ordenou/obrigou que todo clube que tivesse o nome relacionado com espanhóis, italianos e alemães o mudasse. E foi assim que dois clubes tradicionais e campeões chamados Palestra Itália, um em Minas Gerais e outro em São Paulo, originaram os hoje gigantes Cruzeiro e Palmeiras, respectivamente.

O primeiro jogo da Sociedade Esportiva Palmeiras, vejam só, foi a decisão do Campeonato Paulista de 1942, contra o São Paulo. Os jogadores palmeirenses – craques do quilate de Oberdan Cattani, Junqueira, Og Moreira, Waldemar Fiume e Lima – entraram em campo com a bandeira do Brasil. No entanto, o gesto não os impediu de receberem vaias e xingamentos que fariam qualquer senhora de idade cair dura para trás. O fim do jogo, que não ocorreu no tempo que deveria, pois um baita pega-pa-capá fez o juiz o encerrar mais cedo, decretou a primeira glória do Palmeiras, vencedor do duelo por 3 x 1. Já em Minais Gerais, o Cruzeiro não tardaria a conquistar títulos, que vieram a granel com o Tri Mineiro de 43/44/45 comandado pelo grande atacante Niginho.


Pois é, amigos, não é exagero dizer que três das maiores instituições esportivas brasileiras ganharam fortes traços característicos por causa da intolerância presente nos brasileiros diante de uma Guerra Mundial.