sexta-feira, 23 de abril de 2010

COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA 2010 - 1ª FASE

Olá amigos do FUTEBOLA!

Internacional 3 x 0 Deportivo Quito – Beira-Rio, Porto Alegre (RS)

Dependendo apenas de suas forças para se classificar para a próxima fase da Libertadores, o Internacional entrou em campo com tudo e engoliu o fraco time do Deportivo Quito.

Iniciando a partida com aquela que é, em minha opinião, a melhor formação tática para explorar a potencialidade de seus jogadores, o Inter mostrou, desde o apito inicial, um futebol de quem é sim um forte candidato ao caneco continental. Diferente do que ocorreu, por exemplo, na estréia contra o Emelec, quando entrou em campo com uma formação muito cautelosa, o Colorado iniciou o jogo com um belo quarteto ofensivo. Andrezinho e D’Alessandro eram os responsáveis por arquitetar as jogadas ofensivas e Walter e Alecsandro os homens de ataque. Some à este pelotão de frente as avançadas de Nei e Kléber, os laterais que estiveram em excelente noite. E cá entre nós, com uma dupla de volantes da qualidade defensiva de Guiñazu e Sandro o Inter não precisa mesmo atuar com três zagueiros. Para melhorar ainda mais a situação colorada, logo aos 3 minutinhos o Andrezinho acertou um chute preciso e precioso da ponta direita da área e abriu o placar. Sou um grande fã do futebol do Andrezinho já faz algum tempo. Jogador de muita habilidade e qualidade no passe, sua qualidade que mais me impressiona é o chute certeiro, seja com a pelota rolando ou com ela parada. Uma curiosidade sobre o meia: em 2007, atuando pelo Pohang Steelers da Coréia do Sul, ele foi campeão coreano e melhor jogador da competição nacional.

Com a vantagem no placar, o Internacional jogou leve como uma pluma e fez uma das melhores atuações de um clube brasileiro que vi nesta Libertadores. Alternando os lados do campo, apesar de ter iniciado a partida muito concentrado pela direita, e sempre com muitos jogadores no campo ofensivo, as chances de ampliar o marcador surgiram em grande quantidade. Enquanto isso, Guiñazu e Sandro bloqueavam qualquer tentativa do Deportivo Quito de incomodar a defesa colorada. Só no 1º tempo o centroavante Alecsandro teve 4 chances de ampliar o placar, mas desperdiçou todas e o jogo foi para o intervalo com apenas o gol do Andrezinho. Nos minutos iniciais da 2ª etapa, o Internacional viveu seu pior momento na partida, quando o Deportivo, comandado pelo bom meia chileno Donoso, que havia acabado de entrar, e pelo arisco Arroyo, foi em busca do empate. Este período onde o Inter recuou em excesso durou 15 minutos, tempo suficiente para Kléber colocar a bola na cabeça de Bolívar e o zagueiro sacudir o filó. Com 2 x 0 contra, a equipe equatoriana murchou e o Colorado voltou a dominar inteiramente as ações ofensivas. D’Alessandro apareceu mais no jogo e quase balançou as redes em duas oportunidades. Já nos acréscimos, o jovem meia Giuliano, que havia entrado no lugar do exausto Andrizinho, acertou um chutaço e deu números finais ao jogo. Giuliano é um ótimo jogador e pode ser muito importante para o Inter, porém, para mim, Andrezinho e D’Alessandro devem ser titulares absolutos desta equipe. A qualidade no passe e o dinamismo que eles fornecem para o time gaúcho são imprescindíveis para o bom funcionamento colorado.

A vitória do Internacional foi mais comemorada no Rio de Janeiro do que no Rio Grande do Sul, afinal ajudou, e muito, o Flamengo. Agora, nas oitavas, o Colorado vai pegar o Banfield (ARG). Não será nada fácil.

JOGADA RÁPIDA!

Com a vitória do Corinthians sobre o Independiente Mellín (COL) e a consequente classificação do Timão em 1º lugar geral, teremos nas oitavas um duelo histórico. Flamengo x Corinthians. Corinthians x Flamengo. A Libertadores vai tremer!!!

segunda-feira, 19 de abril de 2010

UMA IMAGEM...



Após a cabeçada dada no zagueiro Materazzi e consequente expulsão na final da Copa do Mundo de 2006, Zinedine Zidane sai de campo sob o olhar da Taça FIFA, que minutos depois seria conquistada pela "Squadra Azzurra".

domingo, 18 de abril de 2010

TAÇA RIO - FINAL

Flamengo 1 x 2 Botafogo – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Com uma atuação pra deixar seus torcedores orgulhosos o Botafogo venceu o Flamengo na decisão da Taça Rio e conquistou o título carioca sem a necessidade dos jogos finais e com todos os méritos.

Desde o apito inicial até a metade da 1ª etapa, o Botafogo, em minha opinião, jogou seus melhores minutos no ano de 2010. Com muita força na marcação, o Fogão não deixava o Flamengo respirar em campo e ainda conseguia criar suas oportunidades de abrir o placar. Comandado pelo meia Renato Cajá, que fazia ótima partida, o Alvi-Negro se aproveitava dos já rotineiros buracos no sistema defensivo do Fla e assustava o goleiro Bruno. Aos 21 minutos, Ronaldo Angelim ignorou as palavras do juiz Gutemberg de Paula Fonseca, que havia chamado a atenção dos jogadores que se agarravam na área, e, após a bola ser cruzada, cometeu pênalti em Fábio Ferreira. Na cobrança, Herrera não arriscou e colocou a pelota no meio do gol e o Fogão em vantagem. Daí até o final da etapa, o Bota recuou buscando explorar os contra-ataques que não ocorreram e, com isso, o Flamengo passou a rondar a área do goleiro Jefferson. A entrada do meia-ofensivo Vinícius Pacheco no lugar do volante Toró, logo aos 24 minutos, deixou o Flamengo mais impetuoso. Uma cabeçada do Angelim, outra do Adriano e um velotrol do mesmo Adriano passaram perto da meta alvi-negra e o Fla, sempre pelos lados do campo, se postava melhor ofensivamente. Aos 45 minutos, após belíssima jogada de Michael pela direita, a bola sobrou nos pés de Vagner Love e o artilheiro do Cariocão não perdoou. O Botafogo poderia ter controlado melhor a posse de bola e sua vantagem, mas deixou o Flamengo crescer em campo e a bobeada no finalzinho da 1ª etapa poderia atrapalhar as pretensões da equipe de conquistar o Estadual já neste jogo.

A vontade do Fogão de conquistar o caneco sem precisar disputar mais dois jogos ficou comprovada quando Joel, aos 13 minutos, colocou o talismã Caio no lugar do apenas esforçado Túlio Souza. Se antes do intervalo o principal ponto positivo do Fogão era a marcação, e quem mais sofreu com ela foi o lateral-direito do Fla Léo Moura, muito bem vigiado pelo improvisado Somália, esta alteração poderia diminuir o poder defensivo alvi-negro. Porém, como diz o ditado, “quem não arrisca, não petisca”. Se o Bota queria o título, precisava arriscar. Caio não entrou como de costume, mas com ele, Herrera, Loco Abreu, e Edno, que logo depois entrou no lugar de Renato, o Botafogo não teria como não buscar o ataque. A medida que o tempo passava, o jogo se tornava mais quente. Aos 19 minutos Vinícius Pacheco, que entrou muito bem e tornou o lado esquerdo do Flamengo a melhor opção de ataque da equipe, deu uma linda arrancada e deixou Love na cara do gol, mas Fábio Ferreira, que diga-se de passagem teve uma excelente atuação, salvou o Fogão. A resposta do Bota não tardou. Se neste jogo o uruguaio Loco Abreu não estava sendo bem acionado pelo alto, os defensores do Flamengo foram responsáveis por transformar as bolas aéreas alvi-negras em gols. Aos 26 minutos, em nova bola alçada na área, o experiente e sempre tranquilo Maldonado agarrou Herrera, cometeu um pênalti infatil, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Herrera até tomou a iniciativa de cobrar novamente, mas a responsabilidade ficou com Loco Abreu que, com toda a categoria do planeta, deu uma cavadinha e colocou o Fogão novamente em vantagem. Novamente o Botafogo teria espaços para contra-atacar, com o agravante de contar agora com os velozes Caio e Edno. Porém, praticamente não deu nem tempo de o Bota se organizar para os contra-golpes e Fahel abraçou Ronaldo Angelim na área, cometendo o terceiro pênalti da partida. Pela marcação da penalidade, o argentino Herrera cuspiu abelhas africanas e foi expulso por reclamação. Opinando sobre a atuação do árbitro Gutemberg de Paula Fonseca, acredito que ele teve uma excelente performance em uma partida que foi muito difícil de ser apitada e, em nenhum momento, mudou sua postura dentro do jogo. Também deve estar incluído dentro dos elogios ao juiz o fato de ele ter acertado na marcação das três penalidades e das duas expulsões. Voltando ao jogo, o triste Adriano foi o encarregado de cobrar a penalidade e empatar o placar para o Flamengo, tarefa que ele não conseguiu cumprir. Com uma cobrança de péssima qualidade, o “Imperdor” desperdiçou o pênalti e consagrou o goleirão Jefferson.

A penalidade perdida fez o Flamengo se perder ainda mais em campo e o Botafogo podia ter matado a partida em dois contra-ataques, sendo que no segundo deles, aos 38 minutos, o Caio perdeu um gol sem goleiro. Aos 40 minutos, Andrade resolveu colocar Petkovic em campo e foi o gringo que fez o torcedor botafoguense arrancar todas as suas unhas. Desde seu retorno ao Flamengo, Petkovic vem vestindo a camisa 43, pois foi aos 43 minutos do 2º tempo que ele marcou o lendário gol de falta contra o Vasco, que deu ao Fla o título carioca de 2001. Pois então, novamente aos 43 minutos, o Flamengo teve uma falta ao seu favor e Pet teria a chance de se tornar mais ídolo ainda da nação rubro-negra. E tem mais! Se conseguisse balançar as redes, o gringo colocaria 2 x 2 no placar, resultado que traz excelentes lembranças recentes para os rubro-negros em duelos contra o Fogão. De nada adiantou para o Fla as coincidências. A falta de Pet bateu na trave e ainda deu tempo de Somália e Jefferson salvarem o Botafogo em mais duas outras oportunidades.

Finalmente aos 48 minutos veio o apito que deu fim ao jogo, ou melhor, ao jogaço e libertou o grito de Campeão preso nas gargantas alvi-negras fazia três Cariocas consecutivos. O Fogão teve diversas virtudes na partida que lhe garantiu a histórica conquista. Considero aos aplicações na parte tática e na marcação como duas grandes qualidades deste mais novo Campeão Carioca, porém o que me encheu os olhos foi a vontade mostrada por cada jogador alvi-negro. No dia 13 de janeiro escrevi aqui mesmo no FUTEBOLA o seguinte comentário: “Analisando o conjunto formado pelos jogadores que permaneceram e os que foram contratados pelo Fogão, de uma coisa o torcedor alvi-negro pode ter certeza: não vai faltar raça e força de vontade neste time. Alessandro, Antônio Carlos, Leandro Guerreiro, Herrera e Loco Abreu, só para citar alguns, são jogadores que colocam o coração na ponta da chuteira.”. Amigos, foi essa garra que fazia os jogadores vibrarem em cada lateral conquistado, em cada bola roubada, em cada segundo do jogo. Foi essa garra que tornou o Glorioso o Campeão Carioca de 2010.

PARABÉNS, FOGÃO!!!

Grandes Clássicos - Santos x São Paulo 1933

Olá amigos do FUTEBOLA!

Hoje é dia de San-São na Vila Belmiro. Jogo importante, valendo vaga na final do Paulistão. Ao longo dos anos, estes dois grandes clubes protagonizaram inúmeros confrontos históricos, sendo que um dos mais importantes foi um amistoso. Isso mesmo, um dos duelos mais marcantes entre Santos e São Paulo foi um amistoso, e é justamente sobre ele que o “Grandes Clássicos” de hoje vai falar.

Se fizéssemos uma retrospectiva dos anos mais importantes da história do futebol brasileiro, acredito que dois deles brigariam pelo posto de número um: 1933 e 1958. Foi em 1958 que o Brasil conquistou pela primeira vez uma Copa do Mundo, colocando para escanteio o famoso “complexo de vira-latas” criado por Nélson Rodrigues e aliviando um pouco da dor causada pelo “Maracanazzo”. Porém de 58 falaremos em outra oportunidade. Hoje vamos contar uma história ocorrida em 1933, ano da chegada do profissionalismo e que mudou por completo o rumo do futebol brasileiro.

A adoção do profissionalismo por nossos clubes não foi um processo pacífico. Novas Ligas e Associações foram criadas, alguns clubes fecharam suas portas e grandes jogadores brasileiros foram impedidos de atuar na Copa do Mundo de 1934, pois não estavam filiados à CBD (Confederação Brasileira de Desportos), órgão que comandava nosso futebol e era o principal pólo de defesa do amadorismo. Mas a sementinha estava plantada e a hipocrisia, já que diversos clubes defensores do amadorismo pagavam seus craques nas escuras, não tardaria a cair. Para inauguração da nova era, a APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos), um dos principais pilares de sustentação do profissionalismo, escolheu São Paulo e Santos para realizarem o primeiro jogo de futebol profissional da história do Brasil.

Antes de falarmos sobre este histórico San-São, vale fazer uma ressalva. Nesta época, o São Paulo Futebol Clube era conhecido por São Paulo da Floresta e havia sido fundado em 25 de janeiro de 1930 (alguns meios de comunicação datam 26 de janeiro como dia da fundação) pela união da Associação Atlética das Palmeiras (que não possui nenhuma relação com o Palmeiras que conhecemos hoje) com o Club Athlético Paulistano. Em 14 de maio de 1935, após contrair uma grande dívida devido à compra de uma nova sede, o departamento de futebol do São Paulo Futebol Clube foi extinto e a parte administrativa foi fundida ao Clube de Regatas Tietê. Completamente inconformados com o fim do Tricolor Paulista, alguns apaixonados sócios decidiram trazer o clube de volta e, após um processo que durou aproximadamente 7 meses, mais precisamente em 16 de dezembro de 1935, o São Paulo Futebol Clube foi refundado. Simplificando, podemos dizer que o grande São Paulo foi fundado em 1930 e passou um pequeno período inativo em 1935.

No ano de 1933, o torcedor santista não estava muito esperançoso com a equipe. Entre 1927 e 1931, o Santos havia terminado o Paulistão em 2º lugar em quatro oportunidades, exceto 1930 quando foi o 3º lugar. A melhor ilustração da grande qualidade desta equipe santista do final da década de 20 era o poder de sua linha ofensiva, que em 1927 fez o Santos se tornar o primeiro time a anotar 100 gols no Campeonato Paulista, atingindo a inacreditável marca de 6,25 gols por jogo. Porém, em 1933, a dupla Feitiço e Araken Patuska, simplesmente os dois maiores artilheiros da história do Santos pré-Pelé, não estavam mais no clube. E para deixar o torcedor santista ainda mais preocupado, quem, desde 1930, contava com a elegância e faro de gol de Araken era o rival no jogo de nascimento do profissionalismo, São Paulo.

O goleiro santista na época era excelente debaixo das traves, porém seria ainda mais importante pro clube depois de se aposentar dos gramados. Após fornecer ao Alvi-Negro Praiano suas qualidades de grande goleiro, Athiê Jorge Cury, que quando jogador era simplesmente Athiê, se tornou presidente do Santos Futebol Clube, melhor dizendo, se tornou o presidente que mais tempo ocupou o cargo na história do clube, de 1945 e 1971. Pois é, durante os anos mais vitoriosos do Santos, a conhecida Era-Pelé, o presidente do clube era o ex-goleiro Athiê. Na outra ponta do campo, lá no ataque, o destaque ficava por conta de Mário Seixas. Em 1922, ainda com 20 anos, Seixas, então atuando pelo Americano-RJ já mostrava grande qualidade chegando a ser convocado pela Seleção Brasileira. Pelo Santos, o atacante marcaria 67 gols em quatro anos (1931-1935) e faria parte da equipe que seria Campeã Paulista em 1935.

Se em 1933 o Santos, apesar de contar com alguns ótimos jogadores, não era um esquadrão, não podemos dizer o mesmo do São Paulo. Em 1933, o Tricolor era realmente um “Esquadrão de Aço”, apelido que recebeu na época. Vejamos algumas sapatadas que o Sampa aplicou em seus rivais no ano:

SÃO PAULO 7 X 1 YPIRANGA (SP)
SÃO PAULO 5 X 0 SÃO BENTO (SP)
SÃO PAULO 5 X 1 VASCO DA GAMA
SÃO PAULO 7 X 1 SÍRIO (SP)
SÃO PAULO 7 X 3 FLAMENGO
SÃO PAULO 7 X 4 AMÉRICA (RJ)
SÃO PAULO 12 X 1 SÍRIO (SP)
SÃO PAULO 6 X 1 CORINTHIANS – maior goleada da história do clássico
SANTOS 2 X 6 SÃO PAULO, na Vila Belmiro
FLUMINENSE 2 X 5 SÃO PAULO, no Estádio das Laranjeiras

Amigos, não teria como ser diferente. Com a linha ofensiva que o São Paulo possuía, balançar as redes estava longe de ser uma tarefa difícil. Como citei anteriormente, ninguém menos do que Araken Patuska estava presente na linha de frente tricolor. Sempre com sua brilhantina no cabelo e um bigodinho bem cultivado, Araken mostrava elegância também com a pelota nos pés. Além de muito habilidoso, Araken sabia como sacudir o filó. Pelos lados do campo, o Sampa possuía dois dos que viriam a ser figurinhas obrigatórias em qualquer eleição dos maiores pontas da história do futebol brasileiro. Pela direita, Luizinho Mesquita mostrava um futebol repleto de qualidades. É uma tarefa quase impossível escolher uma característica principal dentre as muitas que o craque possuía, já que era um ponta de grande velocidade, driblador nato e parecia jogar com uma régua amarrada nas chuteiras, tamanha a precisão de seus cruzamentos e chutes. Vale ressaltar que todas estas qualidades de Luizinho estiveram a serviço da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1934 e 1938. Se em 1933 Luizinho já era um dos pilares do Tricolor, sendo importantíssimo desde a conquista do caneco paulista em 1931, no outro lado, pela ponta-esquerda, um novato começaria a mostrar seu futebol neste ano. Apenas uma coisa era mais forte e potente do que os chutes do ponta que chegara ao São Paulo, vindo do Juventus. Era seu nome: Hércules. Uma frase sensacional de Geraldo Romualdo da Silva, um dos nossos grandes cronistas esportivos, definiu bem o futebol de Hércules. De acordo com ele, Hércules possuía “um canhão no pé esquerdo e um míssil no direito”. Esta frase foi dita durante a passagem de Hércules pelo Fluminense, na segunda metade dos anos 30, quando ele se consagrou como um dos maiores pontas da história do futebol brasileiro.

Assim como Hércules, um outro futuro cracaço de bola começava a mostrar sua categoria com a camisa tricolor. Sabem aquele tipo de jogador que faz gols como se fosse a coisa mais fácil do mundo? Pois é, Waldemar de Brito era um deles. Só para ilustrar a relação estreita que Waldemar possuía com as redes, na sua primeira temporada pelo São Paulo, esta mesmo de 1933, ele se sagrou artilheiro do Campeonato Paulista e Torneio Rio-São Paulo. Entretanto, assim como o goleiro do Santos Athiê, que ficou mais famoso após abandonar as quatro-linhas, Waldemar de Brito também escreveu seu nome na eternidade após largar os gramados. O motivo? Ter levado para o Santos um escurinho que ele assistiu nos campinhos de Bauru e que mais tarde se tornaria o maior jogador de futebol de todos os tempos. Foi o artilheiro tricolor Waldemar de Brito quem “descobriu” Pelé.

Bom, acredito que um ataque que contava com Luizinho, Waldemar de Brito, Araken Patuska e Hércules já tiraria o sono de qualquer sistema defensivo que teria a missão de pará-lo. Mas acreditem, ainda faltava a estrela principal, o maior jogador brasileiro da era do amadorismo: Arthur Friedenreich. Reza a lenda que Fried marcou mais de 1000 gols na carreira, o que está escrito até mesmo no Guiness Book Of Records. Estes gols foram contabilizados por seu pai e mais tarde por um amigo, cuja a família perdeu os dados após seu falecimento. Mas Fried fazia tantos, mas tantos gols, que uma recontagem feita pelo pesquisador Alexandre Costa para o livro “O Tigre do Futebol”, que diga-se de passagem é um livraço que já li duas vezes, apontou 556 gols em 561 partidas, o que resulta em uma média de 0,99 gols por jogo. Além desta capacidade extraterrestre de marcar gols, Fried também era um leão, ou melhor, um tigre em campo. Foi no Sul-Americano de 1916, o primeiro realizado, que Friedenreich recebeu o apelido de “El Tigre”, devido à sua grande agilidade e ainda maior garra. Apesar do nome e da descendência alemã, Fried era um brasileiro como poucos. Uma passagem do citado livro de Alexandre Costa nos mostra isso com perfeição: “Os confrontos entre Brasil e Argentina sempre foram regados a muita rivalidade, violência e até um pouco de futebol. Em 1921, o Paulistano foi convidado para uma rápida excursão aos nossos vizinhos platinos. Mais técnicos, os brasileiros suportaram bem a pressão adversária, arrancando um suado 1 x 0. Inesquecível, porém, foi o que aconteceu perto do fim da partida. A torcida local, enfurecida, afinal sua seleção perdia para um clube, ateia fogo em uma bandeira do Brasil. Do campo, Friedenreich vê a chocante cena e fica louco da vida. Abandona o jogo e sai correndo, alucinado, em direção à bandeira que se esvaia em chamas. Com sua camisa, apaga o incêndio e consegue salvar um pequeno pedaço do manto que, para Fried, seria uma relíquia guardada até sua morte. O estádio inteiro ficou impressionado com a atitude do Tigre brasileiro. Foram longos 60 segundos de um silêncio ensurdecedor.”

A partida estava datada para o dia 12 de março e uma curiosidade marcava a escalação do São Paulo. O goleiro, os zagueiros e os médios tricolores, todos, sem nenhuma exceção, fariam sua primeira partida com a camisa do São Paulo. Destes estreantes, o médio Zarzur era o destaque. Recém-contratado junto ao Vasco, clube onde formou junto com o uruguaio Figliola e o argentino Dacunto a famosa linha-média conhecida como “Três Mosqueteiros”, Zarzur possuía liderança e qualidade defensiva que seriam de gigantesca importância para o São Paulo. Mais duas novidades estavam presentes na escalação são-paulina. Para a alegria dos tricolores, Friedenreich, que era dúvida para o jogo, pois estava contundido, foi confirmado. Por outro lado, Luizinho amanheceu doente e seria substituído por Patrício. Muitos torcedores do Sampa viajaram até Santos para assistir ao confronto e, como sempre ocorreu na história do futebol, aproveitaram para tirar sarro dos santistas chamando-os de “peixeiros”. O que os tricolores não sabiam era que esta simples brincadeira com o povo praiano originaria o apelido de “Peixe” que até hoje acompanha o Santos. Como se não bastasse a importância do duelo que estava por começar, um grande fato já estava sendo escrito na história do futebol paulista, afinal em qualquer canto deste Brasil Santos e “Peixe” são sinônimos.

A partir do apito inicial, cada segundo de jogo seria marcante. Teria o futebol profissional brasileiro o seu primeiro escanteio, a primeira falta, o primeiro lateral... E adivinhem quem foi o encarregado de ser o autor do gol de número 1 da história do profissionalismo? Isso mesmo, só poderia ter sido ele. Aos 18 minutos da 1ª etapa Fried dribla seu marcador e, de canhota, sacode o barbante. O São Paulo permanece mostrando seu poder ofensivo e o futuro presidente Athiê sofria para tentar contê-los. Já no finalzinho do 1º tempo, aos 45 minutos, Fried inicia mais uma jogada e, desta vez, rola a pelota para Araken Patuska ampliar o placar. Logo após o intervalo, o atacante santista Logu diminui a vantagem tricolor e parece que vai colocar fogo no jogo, mas os torcedores tricolores nem se assustaram, pois com Waldemar de Brito em campo, não tem placar em branco. Em menos de 10 minutos, mais precisamente aos 21 e 29 da 2ª etapa, Waldemar balançou as redes duas vezes e transformou o jogo em goleada. O Santos não tinha nem idéia do que fazer para parar o “Esquadrão de Aço”. Fechando o caixão praiano, Fried e Araken tabelam novamente e o último colocou 5 x 1 no placar.

Somente em 1937, após muitas disputas e jogos de interesses entre defensores do amadorismo e do profissionalismo, o futebol profissional se consolidou no Brasil quando, em troca de se manter no comando do futebol do país, a CBD aceitou o profissionalismo. E tudo começou lá em 1933, quando o “Esquadrão de Aço” de Friedenreich, Araken Patuska e cia goleou o Santos em plena Vila Belmiro.

Santos 1 x 5 São Paulo
12 de março de 1933
Vila Belmiro – Público: desconhecido
Gols: 1º tempo: Friedenreich (SPa) aos 18’ e Araken (SPa) aos 45’; 2º tempo: Logu (San), Waldemar de Brito (SPa) aos 21’, Waldemar de Brito (SPa) aos 29’ e Araken (SPa) aos 41’.
Santos: Athiê; Meira e Garcia; Waldomiro, Bisoca (Dino) e Alfredo (Bisoca); David, Armandinho (Victor), Catitu (Strauss), Seixas e Logu.
São Paulo: Moreno; Sylvio Hoffmann e Iracino; Ferreira, Zarzur e Orozimbo (Rapha); Patrício, Waldemar de Brito, Friedenreich, Araken e Hércules.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

COPA LIBERTADORES DA AMÉRICA 2010 - 1ª FASE

Universidad Católica 2 x 0 Flamengo – San Carlos de Apoquindo, Santiago (CHI)

Em uma partida que devia ser tratada como uma final pelo Flamengo, o Rubro-Negro preferiu passear em campo e deixou a decisão de sua classificação, que agora não depende mais apenas de suas próprias forças, para a última rodada.

Posso estar enganado e acredito que muitos irão discordar de minha opinião, porém acredito que Adriano e Kléberson são responsáveis diretos por esta atuação ridícula do Flamengo em Santiago. Mas se eles nem jogaram, como podem ser culpados? Explico. Para mim, toda esta apatia que o Flamengo apresentou em campo tem relação direta com as recentes atitudes de Adriano, como não estar se esforçando nem um pouco para entrar em campo em jogos de extrema importância e, quando presente, não demonstrar nenhuma felicidade por estar ali. O fato de não estar comemorando os gols que marca é o claro exemplo da apatia do “Imperador”. Lembram quando, em 2002, o centroavante Luizão utilizou o Grêmio para se recuperar de lesão e ir para a Copa do Mundo? O mesmo parece estar acontecendo no momento com o volante Kléberson, que claramente não está com a cabeça no Flamengo. Este ano não foram raras as vezes em que ele evitou dividir bolas com o medo de se contundir e, devido à esta falta de profissionalismo, seu futebol caiu absurdamente, sendo o Flamengo o maior prejudicado. Se dois dos principais jogadores do Flamengo, justamente os que estão (estavam?) mais perto de disputar a Copa do Mundo, demonstram tamanha apatia, nada mais normal do que os companheiros serem contagiados. Pode até ser que nos próximos jogos, mais importantes até do que os últimos, o Flamengo amarre as chuteiras com as veias e mostre a raça que os torcedores admiram, entretanto não é o que eu acredito que irá ocorrer.

Falando sobre o duelo em Santiago, o Flamengo foi literalmente engolido pela Universidad Católica. Se os chilenos entravam em campo como franco atiradores, pois é quase impossível eles conseguirem se classificar, a situação deles ficou ainda mais tranquila após abrirem o placar logo aos 2 minutos. Em uma jogada iniciada e finalizada pelo argentino Díaz, que para variar contou com a colaboração da estabanada defesa rubro-negra, a Universidad abriu o placar e pôde atuar o restante da partida leve como uma pluma. Com dois meias muito técnicos e criativos, o próprio Díaz e Mirosevic, a Universidad usou e abusou da fragilidade defensiva do Fla para criar oportunidades de gols. E não foram só os habilidosos meias que infernizaram o goleiro Bruno. O participativo centroavante Morales e os alas Valenzuela, presença constante no campo de ataque, e Silva, autor do segundo gol, no fim do 1º tempo, se juntavam à Díaz e Mirosevic e o Flamengo não tinha nem idéia de como impedir a avalanche de oportunidades criadas. Vale muito ressaltar que, apesar de não estarem realizando uma partida decisiva, a Universidad teve uma atuação de altíssimo nível em todos os aspectos. Tanto tecnicamente quanto taticamente os chilenos deram um banho de bola no Flamengo.

Após o intervalo, Andrade tentou modificar a postura do Flamengo com as entradas de Vinícius Pacheco e Fierro nos lugares de Petkovic e Willians, porém a equipe não evoluiu muito. Melhorou um pouquinho, mas os contra-golpes chilenos levavam mais perigo ao Bruno do que os ataques rubro-negros aos goleiro Garcés. Na principal chance flamenguista Juan acertou um chute cruzado na trave, porém logo depois os chilenos responderam com uma tabela entre Días e Mirosevic que Morales chutou para a fora após receber a pelota a uma distância de alguns palmos do gol. Placar final: Universidad Católica 2 x 0 Flamengo. Merecidíssimo.

A próxima semana talvez seja a mais importante do ano para o Flamengo. Andrade e seus comandados devem entender isso o mais rápido possível, ou a Gávea irá tremer.

JOGADA RÁPIDA!

Vasco e Fluminense conquistaram importantes vitórias fora de casa na Copa do Brasil contra, respectivamente, Corinthians-PR e Portuguesa. Após a eliminação no Carioca, encaminhar a classificação para a próxima fase da Copa do Brasil foi o melhor que poderia acontecer à dupla.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

UMA IMAGEM...



A maior prova de amor à Camisa Canarinho.

domingo, 11 de abril de 2010

TAÇA RIO - SEMI-FINAL PARTE 2

Olá amigos do FUTEBOLA!

Flamengo 2 x 1 Vasco – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Apoiado sobre o futebol dos seus dois melhores jogadores em 2010, Vágner Love e Léo Moura, o Flamengo bateu o Vasco, se classificou para a finalíssima da Taça Rio e duelará novamente contra o Botafogo.

A partida no Maraca começou quentíssima, com o Vasco tendo um gol anulado logo aos 4 minutos, pois Élton se apoiou sobre Juan antes cabecear e colocar a pelota no fundo do gol. O Flamengo, diferente do que estamos acostumados a ver, não tentava manter o controle da posse de bola, mas sim atraía o Vasco para o seu campo e buscava o contra-golpe. E foi assim que o Rubro-Negro abriu o placar. Aos 11 minutos, o centroavante Bruno Mezenga recebeu a bola longe da área e lançou Vágner Love, que driblou Fernando Prass e sacudiu o barbante. Vale dizer que dois minutinhos antes, Bruno Mezenga também havia lançado Váner Love que não foi feliz na finalização. Uma equipe como o Vasco, que atua com três volantes (Souza/Rafael Carioca/Léo Gago), não pode sofrer dois contra-ataques em menos de 3 minutos e, em ambos, sua dupla de zaga se encontrar completamente desguarnecida. Após o gol marcado, o Flamengo deu mais campo ainda para o Vasco que, por sua vez, não sabia aproveitar a posse da bola. Sem nenhuma criatividade e jogadas pelos lados do campo, o gol vascaíno só poderia surgir em uma jogada de bola parada, como ocorreu aos 31 minutos, quando Fágner cruzou e o zagueiro Thiago Martinelli livre, leve e solto, empatou o marcador. Chamou muito a atenção nesta 1ª etapa do “Clássico dos Milhões” a falta de qualidade do passe de ambas as equipes, que erraram por atacado.

Após a volta do intervalo, o Flamengo enfim resolveu jogar, o que não fez em praticamente todo o 1º tempo. E o principal responsável pelo crescimento ofensivo rubro-negro foi o lateral-direito Leonardo Moura, que esteve muito preso em seu campo de defesa durante os primeiros 45 minutos. Assim como em seus melhores dias, que acredito estarem retornando, Léo Moura explorou muito sua velocidade e capacidade de chegar na linha de fundo. Apesar de não impor uma grande pressão ao Vasco, o Flamengo esteve melhor em campo na primeira metade desta etapa e chegou ao gol da virada pouco depois de levar um grande susto. Aos 19 minutos, Léo Gago acertou lindo passe para Philippe Coutinho arrematar no pé da trave. Logo depois, aos 25, Léo Moura deu uma sensacional arrancada e foi empurrado por Márcio Careca dentro da área. Pênalti para o Flamengo que Vágner Love, com sua já característica corrida repicada, cobrou com categoria e colocou o Fla na frente. Sou suspeito para comentar sobre o Léo Moura, pois sou um grande fã de seu futebol, mas acredito que a única Seleção que disputará a Copa do Mundo e que ele não possui vaga é justamente a brasileira. Coisas do futebol...

Restava ao Vasco correr em busca do empate, o que se tornou ainda mais óbvio após a expulsão de Juan, aos 33 minutos. Porém, mesmo com a entrada de Carlos Alberto, o Cruzmaltino permaneceu sem nenhuma inspiração. Até o apito final, nenhuma jogada foi bem arquitetada pelo setor ofensivo vascaíno, que só levou perigo ao goleiro Bruno em um cruzamento do Fágner para o Élton. Aos 41 minutos, em uma bola alçada na área, o Vasco reclamou pênalti em uma bola que bateu no esticado braço do flamenguista Willians. Em minha opinião, foi um pênalti claríssimo que o juiz não viu, mas não viu por sua culpa, por estar pessimamente posicionado.

Com a vitória, resta ao Flamengo ter a atitude que Vágner Love citou na entrevista pós-jogo: “Agora é tudo ou nada pelo título carioca”. E ao Botafogo, resta saber explorar a necessidade do Flamengo de vencer de qualquer maneira. Vai ser um jogaço!

JOGADA RÁPIDA!

O Santos deu um grande passo rumo à decisão do Paulista com a vitória de 3 x 2 sobre o São Paulo, em pleno Morumbi. Porém, os “Meninos da Vila” devem saber que ainda não venceram nada. Nesta mesma partida no Morumbi, o São Paulo, com um homem a menos (Marlos foi expulso aos 33 do 1º tempo), foi buscar o empate após estar perdendo por 2 x 0. Se não conseguiu segurar o empate, o Tricolor mostrou que não pode ser considerado morto.