quinta-feira, 5 de maio de 2011

COPA DO BRASIL 2011 - QUARTAS DE FINAL

Atlético Paranaense 2 x 2 Vasco – Arena da Baixada, Curitiba (PR)

Em jogo emocionante e bastante disputado, Atlético Paranaense e Vasco empataram em 2 x 2 na Arena da Baixada. Apesar de ter estado na frente do placar por duas vezes e cedido o empate, o placar não foi de todo ruim para a equipe carioca.

Na busca por ares diferentes dos encontrados no Campeonato Parananese – onde viu um verdeiro passeio do rival Coritiba – o treinador Adílson Batista escalou o Atlético Paranaense em um 4-3-1-2, com: Renan Rocha; Rômulo, Manoel, Rafael Santos e Paulinho; Deivid, Róbston e Paulo Roberto; Paulo Baier; Mádson e Guerrón. Pelo lado do Vasco, que diga-se de passagem também jogava para esquecer o Campeonato Carioca, o técnico Ricardo Gomes mandou à campo o onze que já está na boca dos torcedores cruzmaltinos, ou seja, esquematizado no 4-3-1-2, com: Fernando Prass; Allan, Dedé, Anderson Martins e Ramón; Fellipe Bastos, Rômulo e Felipe; Diego Souza; Eder Luís e Alecsandro.

O apito inicial apresentou um Vasco com um meio-campo mais forte, tanto na armação, com o Felipe e o Diego Souza conseguindo alguns bons passes, quanto na marcação, com destaque para o Rômulo no papel de cão-de-guarda. Concentrando seus ataques pela direita com o Eder Luís, a equipe carioca esteve melhor na primeira metade do 1º tempo, apesar de não ter dado muito trabalho ao goleiro Renan Rocha. A partir dos 25 minutos, o Atlético conseguiu aumentar um pouco o seu volume ofensivo e tirou o grito de “Uhhh” do seu torcedor aos 28 minutos, quando o zagueiro Manoel quase abriu o placar em cabeçada que obrigou o Fernando Prass a realizar grande defesa. No entanto, o Vasco não tardou a voltar a ser mais perigo ofensivamente e, se não conseguiu sacudir o barbante em um tijolo do Alecsandro de fora da área, aos 34 minutos, o fez no minuto seguinte, com o mesmo Alecsandro. Vale destacar a jogada que originou este primeiro gol vascaíno, um sensacional passe do Diego Souza para o Eder Luís arrancar pela direita e assistir o Alecsandro. Na comemoração, Alecsandro imitou as caretas realizadas pelo pai, o também atacante Lela, ídolo do Coritiba nos anos 80 e Campeão Brasileiro de 1985 pelo clube.

Até o final da 1ª etapa, o “Furacão” conseguiria apenas mais uma jogada de bola parada do Paulo Baier para o zagueiro Manoel, mas após o intervalo a produtividade paranaense iria crescer consideravelmente. Para o 2º tempo, Adílson Batista voltou com Branquinho no lugar do Róbston e o Atlético partiu com tudo para o empate. E foram necesesários menos de 10 minutos para o Rubro Negro conseguí-lo, através do equatoriano Guerrón, o melhor atleticano em campo. Assim como a entrada do Branquinho, o empate fez muito bem ao “Furacão”, que se solidificou no campo de ataque e, até o minuto 25, incomodou o Fernando Prass constantemente, com destaques para uma boa finalização do Branquinho e duas do Guerrón.

O Vasco havia se transformado em uma equipe que se preocupava apenas com seu sistema defensivo, como comprova os sumiços do Felipe e do Diego Souza na partida, além do fim da utilização do Eder Luís para os ataques em velocidade. Contudo, mesmo sem estar postado para buscar um gol, o Vasco o conseguiu aos 28 minutos, em um ótimo arremate do Diego Souza. Se havia recuado demasiadamente para segurar o empate, já era de se esperar que o Vasco permaneceria com esta estratégia depois de alcançar o seu segundo gol. Porém, os vascaínos não contavam com um pênalti infantil cometido pelo Ramón sobre o Branquinho, que não pode nunca ser reserva deste “Furacão”. Na cobrança, o veterano Paulo Baier, que havia realizado boa cobrança de falta minutos antes, converteu a penalidade com tranquilidade.

No fim das contas, o resultado em si foi bom para o Vasco, que jogará em São Januário podendo empatar sem gols ou em 1 x 1. Se não repetir a postura excessivamente defensiva apresentada em boa parte da 2ª etapa neste primeiro duelo, o Cruzmaltino tem tudo para avançar às semi finais da Copa do Brasil.

JOGADA RÁPIDA!

Quarta-feira negra para o futebol brasileiro. Cruzeiro, Fluminense, Grêmio e Internacional fizeram vergonha – uns mais, outros muito mais – e a única equipe brasileira que viva na Libertadores é o Santos. E o pior é quando constatamos que os investimentos realizados pelas equipes brasileiras é muito maior do que o das rivais da América do Sul. Ou vocês acham que Once Caldas, Libertad, Universidad Católica e Peñarol pagam aos seus jogadores salários do nível dos recebidos por Montillo, Fred, Conca, D’Alessandro?

terça-feira, 3 de maio de 2011

UEFA CHAMPIONS LEAGUE 2010/2011 - SEMI FINAL

Barcelona 1 x 1 Real Madrid – Camp Nou, Barcelona (ESP)

O Barcelona soube jogar com o regulamento debaixo do braço, empatou com o Real Madrid em 1 x 1 e se garantiu na finalíssima da Champions League, dia 28 de maio, no lendário estádio de Wembley.

Com uma considerável vantagem de dois gols obtida no primeiro duelo, o treinador Pep Guardiola, novamente contando com desfalques na lateral-esquerda, mandou para campo um Barcelona no seu tradicional 4-3-3, com: Valdés; Daniel Alves, Mascherano, Piqué e Puyol; Xavi, Busquets e Iniesta; Pedro, Messi e David Villa. Pelo Real Madrid, que precisava marcar gols de qualquer maneira, o auxiliar Karanka – José Mourinho estava suspenso – organizou, até pelos desfalques por suspensão, um Real Madrid bem diferente dos clássicos anteriores. A equipe merengue iniciou o confronto esquematizada em um 4-2-3-1, com: Casillas; Arbeloa, Albiol, Ricardo Carvalho e Marcelo; Diarra e Xabi Alonso; Di María, Kaká e Cristiano Ronaldo; Higuaín. Vale ressaltar que não foram poucas as vezes que o Xabi Alonso se adiantou, deixando o Diarra como único volante à frente da defesa e o Real organizado em um 4-1-4-1.

Desde o apito inicial, como já era de se esperar, o clássico foi quente e muito disputado. Os primeiros 30 minutos foram caracterizados por um Barcelona – como sempre – com maior posse de bola e um Real Madrid que marcava muito forte. A primeira vista, a estratégia dos merengues parecia estar dando certo, já que, neste período de 30 minutos, o Barcelona só conseguira levar perigo ao goleiro Casillas em uma cabeçada do Busquets em jogada de bola parada. No entanto, como o Real Madrid não conseguia arquitetar tramas ofensivas de qualidade, muito pela pouca participação do Kaká e por um improdutivo Di María, foi questão de tempo até o Barcelona começar a criar oportunidades de abrir o placar.

O forte sistema defensivo madrileno teve validade de exatos 30 minutos, pois bastou o ponteiro do relógio ultrapassar esta marca para o Barcelona virar uma máquina de criar chances de gols. A pressão foi enorme, com os catalães construindo uma boa jogada ofensiva atrás da outra. E deve ser destacado que os lances perigosos surgiram por todos os lados, com Daniel Alves pela direita, Messi pelo meio, Villa pela esquerda e em chute longo do Pedro. Por que o jogo foi para o intervalo com o placar mudo? Porque o Casillas é um dos maiores goleiros do planeta.

Para a 2ª etapa, ambas as equipes retornaram com o mesmo onze inicial, porém o Real Madrid voltou com um ímpeto ofensivo que não havia aparecido na metade final do 1º tempo. E em poucos minutos os merengues chegaram ao gol, porém este foi anulado pelo árbitro em um lance que confesso não recordar de já ter visto. Cristiano Ronaldo arrancou pela meiúca e a bola sobrou para o Higuaín empurrar para o fundo das redes. Porém, durante a arrancada, Cristiano Ronaldo foi empurrado pelo Piqué, caiu e acertou as pernas do zagueiro Mascherano, que também foi ao chão. Resultado: o juiz assinalou falta do português e, em minha opinião, se equivocou.

O bom momento inicial do Real Madrid não tardaria a chegar ao fim, pois, aos 8 minutos, Pedro recebeu perfeita assistência de Iniesta e abriu o placar. O gol fez muito bem ao Barça, que começou a trocar passes ao som do “olé” gritado pela sua torcida, em situação semelhante àquela ocorrida em novembro passado, quando os catalães venceram por 5 x 0 em uma das maiores apresentações de futebol já vista. Mas, para a sorte do torcedor madrileno, e devido ao acerto do treinador Karanka (ou seria do Mourinho via telefone?) em sacar Kaká e Higuaín e colocar Özil e Adebayor para dar mais gás à equipe, desta vez o Real Madrid conseguiu quebrar o jogo do rival e ainda empatar a partida. Aos 18 minutos, após bobeada do Pedro na saída de bola e passe do Xabi Alonso, Di María acertou a trave e, no rebote, assistiu Marcelo que sacudiu o filó.

Com o placar empatado, restava ao Barcelona segurar qualquer possibilidade de o Real Madrid voltar a gostar do jogo, feito que foi conseguido através da sensacional qualidade nos passes de Xavi, Iniesta e categórica companhia. Pode-se dizer que do gol do Marcelo, até o apita final, ou seja, nos últimos 30 minutos, o Barcelona nunca esteve perto de perder sua classificação para um esforçado e faltoso Real Madrid.

O saldo geral dos quatro clássicos entre Barça e Real em menos de um mês foi de uma vitória para cada lado e dois empates, com o Barcelona ficando com uma mão e quatro dedos no Campeonato Espanhol e a vaga na decisão da Champions League, enquanto o Real Madrid conquistou a Copa do Rei. Não resta dúvida de que, apesar do equilíbrio nos placares, os torcedores catalães terminaram o período muito mais felizes.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

PREMIER LEAGUE 2010/2011 - 35ª RODADA




RESULTADOS

Blackburn 1 - 0 Bolton
Blackpool 0 - 0 Stoke City
Sunderland 0 - 3 Fulham
West Bromwich 2 - 1 Aston Villa
Wigan 1 - 1 Everton
Chelsea 2 - 1 Tottenham
Birmingham 1 - 1 Wolverhampton
Liverpool 3 - 0 Newcastle
Arsenal 1 - 0 Manchester United
Manchester City 2 - 1 West Ham

ARTILHEIROS

21 gols
Dimitar Berbatov (Manchester United)
19 gols
Carlos Tévez (Manchester City)
15 gols
Darren Bent (Aston Villa)
Robin van Persie (Arsenal)

GIRANDO PELA “TERRA DA RAINHA”

A Premier League voltou a pegar fogo!

No sábado, atuando no Stamford Bridge, o Chelsea contou com a grande ajuda dos bandeirinhas para conquistar uma importantíssima vitória por 2 x 1 sobre o Tottenham. Depois de sair em desvantagem no placar devido a um belo gol do brasileiro Sandro, o Chelsea conseguiu a virada com dois gols irregulares. Primeiro Lampard arrematou de longe, o goleiro brazuca Gomes falhou feio e deixou a pelota passar por debaixo das suas pernas, conseguindo, porém, salvá-la em cima da linha. Todo o esforço do Gomes para se redimir, no entanto, foi em vão, pois o bandeirinha acabou por confirmar o gol de empate do Chelsea. Depois, já perto do apito final, foi a vez do outro auxiliar se equivocar e legalizar o gol da virada azul, marcado por um impedido Kalou.

Já no domingo, o Arsenal conseguiu uma grande vitória sobre o Manchester United e, além de colocar o Chelsea muito perto do topo da tabela, manteve vivo um pouquinho do sonho de ser Campeão Inglês. Diante de um Manchester que não foi nem sombra da equipe que venceu o Schalke 04 no meio da semana passada – até pela ausência do Ryan Giggs – o Arsenal foi melhor durante praticamente todo o duelo e chegou à vitória através de um gol do Ramsey, marcado na 2ª etapa.

Com os resultados da 35ª rodada, o Manchester se encontra somente três pontinhos à frente do Chelsea e, para a alegria dos que acompanham a Premier League, os rivais se enfrentarão no próximo domingo.

domingo, 1 de maio de 2011

FLAMENGO CAMPEÃO CARIOCA DE 2011!

Vasco 0 (1) x (3) 0 Flamengo – Engenhão

Campeão Invicto! O Flamengo derrotou mais um rival nos pênaltis, desta vez o Vasco, e levou a Taça Rio e o Campeonato Carioca em uma só tacada. Foi o 32º título Carioca do Mengão e o 5º conquistado numa campanha sem derrotas.

Para a decisão da Taça Rio, o treinador Ricardo Gomes decidiu por repetir as escalações recentes do Vasco e mandou a equipe para o jogo organizada em um 4-3-1-2, com: Fernando Prass, Allan, Dedé, Anderson Martins e Ramón; Fellipe Bastos, Rômulo e Felipe; Diego Souza; Eder Luís e Alecsandro. Pelo lado do Flamengo, Luxemburgo, que não pôde escalar o Léo Moura mas contou com o retorno do Ronaldinho, novamente alterou a equipe, esquematizando-a em um 4-2-2-2, com: Felipe; Galhardo, Welinton, David Braz e Rodrigo Alvim; Willians e Renato; Bottinelli e Thiago Neves; Ronaldinho e Deivid.

Os 20 primeiros minutos do clássico demonstraram, como já era esperado, um jogo equilibrado e em certo ponto nervoso, com faltas mais ríspidas do que o normal. O Flamengo apresentou, neste período, uma maior posse de bola, enquanto o Vasco uma marcação mais ajustada e ataques mais agudos. De oportunidades de gols apenas um arremate longo para cada lado, com Fellipe Bastos arriscando pelo Vasco e Galhardo pelo Fla.

Após a parada técnica, o Flamengo retornou mais incisivo ofensivamente e em um intervalo menor do que 10 minutos conseguiu criar duas claras chances de abrir o placar. A primeira delas foi em em uma cabeçada do Thiago Neves, após cobrança de falta do Ronaldinho, e a segunda em uma linda trama que contou com a participação de Thiago Neves, Ronaldinho e Deivid e terminou com o Fernando Prass realizando grande defesa em finalização do Bottinelli. Depois deste pequeno período de superioridade rubro negra, o Vasco conseguiu reequilibrar o confronto e voltou a assustar o goleiro Felipe em um arremate longo do seu xará Felipe e uma cabeçada do Diego Souza à queima-roupa.

Para o 2º tempo, tanto Vasco quanto Flamengo retornaram com o mesmo onze inicial e o Rubro Negro só não abriu o placar em uma excelente cobrança de falta do Ronaldinho, logo aos 3 minutos, porque o Fernando Prass é um arqueiro do mais alto nível. Apesar desta grande chance no início da etapa, o Flamengo começou a encontrar grandes dificuldades para arquitetar tramas ofensivas, principalmente pelas ruins atuações que Thiago Neves e Bottineli vinham apresentando. E como o Vasco não tinha nada a ver com os problemas do rival, aproveitou para crescer no jogo e se tornar mais presente no campo de ataque, explorando bem o seu flanco esquerdo. A melhor presença ofensiva vascaína se tranformou em reais possibilidades de gols com a entrada do Bernardo no lugar do Diego Souza, aos 25 minutos. A entrada do atual xodó cruzmaltino deu mais poder à equipe, tanto com a pelota rolando quanto com ela parada.

Alguns segundos após pisar em campo o Bernardo quase sacudiu o barbante e, logo depois, bateu córner que o Dedé cabeceou para fora. O Flamengo só conseguiu voltar a ser produtivo a partir dos 33 minutos, quando Thiago Neves arrematou para fora uma bela assistência do Wanderley. Este lance fez bem ao Fla, que dominou as ações até o apito final chegando a dar trabalho ao Fernando Prass por duas vezes, uma com o Renato e outra com o Thiago Neves.

O placar empatado levou a final para a disputa de pênaltis, um dos pontos mais fortes do Flamengo no Estadual. Com um currículo que contém as recentes vitórias sobre Botafogo e Fluminense em decisão por penalidades, o Flamengo chegou bem mais tranquilo para os arremates. Enquanto os vascaínos Bernardo, Fellipe Bastos e Élton não conseguiram sequer acertar o gol, o Flamengo desperdiçou apenas a cobrança do Fierro e selou a vitória e o título com o Thiago Neves colocando a bola no fundo das redes.

O calendário futebolístico já se encontra no mês de maio, e até o momento o Flamengo não possui uma única derrota. Não estou querendo dizer que o Rubro Negro seja uma equipe perfeita, muito longe disso, porém o caminho para a formação de um grande time começou a ser trilhado da melhor maneira possível: com a conquista de um importante e título.

PARABÉNS, MENGÃO!

sábado, 30 de abril de 2011

MUITA CALMA NESSA HORA

Há alguns anos atrás, quando meu interesse pela história do futebol estava apenas começando, meu tio me deu um conselho do qual nunca mais esqueci: “Nunca discuta futebol. Converse sobre futebol”. Confesso que algumas vezes fica difícil não subir o tom de voz e tentar impor minha opinião quando o assunto é o esporte bretão, mas, na maioria das vezes, sigo o conselho do meu tio e escuto o que o outro tem a dizer.

Na realidade, em um bate-papo futebolístico, não apenas escuto o que dizem, mas também penso no que dizem. Tento descobrir o que levou o próximo a dar aquela opinião. Nos dias de hoje, onde informações e opiniões surgem de tudo quanto é lugar e a qualquer momento, é cada vez mais necessário matutar antes de reproduzir o que lhe foi passado. E é por isso, por exemplo, que meu cérebro está mastigando e processando até hoje uma frase de um amigo que possui mais de 60 anos e era rato de Maracanã na época em que o Santos jogava no estádio: “Messi é tão bom quanto era o Pelé”. Outra frase que fica martelando a minha mente não foi dita, mas escrita pelo jornalista e colunista do jornal Lance!, o Mauro Betting, declarando que o Barcelona é o melhor time que ele já viu jogar desde que começou a acompanhar futebol, nos meados dos anos 70.

Opiniões fortes – fortíssimas! – como estas, merecem um tempo para serem processadas. Ninguém diz ou escreve algo deste porte sem um motivo. No entanto, existe uma frase que nunca em minha vida futebolística vou aceitar, e recentemente tenho a ouvido muito, sempre associada a um triunfo do Barcelona. A frase? “Venceu o futebol!”. Amigos, o Barcelona não é uma metonímia do futebol. Você pode achar que lâmina de barbear e gillete, esponja de aço e bombril, são a mesma coisa, mas não pode pensar que Barcelona e futebol são sinônimos. Como o Santos de Pelé ou o Real Madrid de Puskas e Di Stéfano também não o foram. Nestes últimos três anos, é mais do que normal um apreciador do futebol considerar o time catalão como o melhor do mundo. Os números, os títulos e o jogo de alto nível espelham tal opinião. Porém, esquecer tudo o que se faz e dizer que o Barcelona é a imagem que representa o futebol é um exagero.

Com mais de um século de vida o futebol já viu incontáveis Campeões. Existiram times vencedores que primavam por uma defesa forte e a saída rápida para os contra-ataques, times que eram mestres em alçar a pelota na area em busca do homem-referência, times que transformavam a bola parada no elixir da vitória… O futebol possui uma variedade enorme de estrátegias e uma delas não pode ser eleita para representá-lo. Mesmo que está seja aquela que mais encanta o público, como é o caso da estratégia do Barcelona, o grande expoente do futebol-arte na atualidade. Era neste ponto que eu queria chegar. Quando o Barça vencer uma partida, diga que o futebol-arte venceu, mas não que o futebol venceu.

Na decisão da Copa do Rei, o que o Real Madrid fez com o Barcelona não pode ser nunca ignorado. Marcação forte no meio-campo, passes rápidos e certeiros do Ozil, utilização da mobilidade do Cristiano Ronaldo como centroavante, ótimo aproveitamento nas bolas cruzadas – lembrando que o gol da vitória merengue foi do Cristiano Ronaldo, de cabeça, e o Pepe acertou uma cabeçada na trave. Isso também é futebol! Não é somente o que o senso comum classifica como futebol-arte que deve ser considerado futebol. Esta idéia reduziria um esporte que possui uma infinidade de estrátegias e formas de jogo, cada qual com seus pontos positivos e negativos, em uma música de uma nota só. Mesmo que essa nota seja aquela que por questões culturais melhor soe aos ouvidos da maioria.

O Manchester United, com sua mais do que sólida dupla de zaga formada por Rio Ferdinand e Vidic, não sofreu sequer um golzinho atuando for a de casa na Champions League. Ryan Giggs prova a cada rodada o nível evolutivo da preparação física do século XXI e parece o Benjamin Button do futebol. Alex Ferguson é um dos maiores treinadores da história do esporte. Wayne Rooney voltou a jogar a bola de antes da última Copa do Mundo. O goleiro van der Sar, na contagem regressiva para se aposentar, não deixa passar nem pensamento. No dia 28 de maio, tem tudo para Barcelona e Manchester estarem decidindo a final da Champions League. Quanto vai ser o jogo? Não tenho nem idéia. Pode ser uma goleada do Barcelona, como foi o não tão distante 5 x 0 sobre o Real Madrid, ou o Manchester United pode passar os 90 minutos sem ser ameaçado e vencer o duelo com tranquilidade. Só não aceito que, ao final da partida, alguém venha me dizer que no caso da segunda possibilidade o futebol saiu perdendo.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

COPA LIBERTADORES 2011 - OITAVAS DE FINAL

Fluminense 3 x 1 Libertad (PAR) – Engenhão

Em um jogo bastante complicado o Fluminense deu um grande passo para seguir na Libertadores ao vencer o paraguaio Libertad por 3 x 1.

Para esta primeira partida das oitavas de final do principal torneio Sul-Americano, o treinador do Fluminense, Enderson Moreira, repetiu o time que conseguiu a milagrosa classificação na Argentina e que perdeu para o Flamengo no último domingo. Sendo assim, o Flu iniciou o confronto organizado no 4-2-2-2, com: Ricardo Berna; Mariano, Gum, Edinho e Júlio César; Diguinho e Valencia; Conca e Marquinho; Fred e Rafael Moura. Pelo lado do Libertad, equipe que terminou a fase de grupos com uma campanha somente inferior a do Cruzeiro, o treinador Gregorio Pérez esquematizou sua equipe também no 4-2-2-2, com: Vargas; Bonet, Portocarrero, Canuto e Samudio; Cáceres e Ayala; Gamarra e Rojas; Nuñez e Pavlovich.

Com mais de uma hora de atraso devido a um apagão no Engenhão – o segundo em menos de uma semana – o Fluminense iniciou o jogo já fazendo a alegria de sua torcida. O relógio nem havia alcançado 5 minutos e Rafael Moura aproveitou córner cobrado pelo Marquinho e desviado pelo Edinho para, de cabeça, abrir o placar. O gol marcado cedo deu a impressão de que o Tricolor iria dominar o jogo e criar raízes no campo de ataque, porém não foi o que ocorreu. Durante toda a 1ª etapa, Fluminense e Libertad fizeram uma partida com pouquíssimas tramas ofensivas bem trabalhadas. Com muita boa vontade podemos destacar no Fluminense um certo entrosamento entre a dupla Fred / Rafael Moura e uma mediana participação ofensiva do Mariano. E mesmo sem ter as rédeas do jogo, o Flu perdeu grande chance de ampliar a vantagem poucos minutos antes do intervalo, com o Fred arrematando de primeira uma bela assistência de cabeça do Rafael Moura.

Para a 2ª etapa, de maneira até surpreendente, o Libertad voltou com mais atitude ofensiva e dominou o Fluminense por completo. Concentrando seus ataques pelo lado esquerdo, com o meia Rojas e o lateral Samudio, o Libertad permaneceu 15 minutos somente atacando, enquanto o Tricolor, com um péssimo toque de bola, não tinha idéia de como segurar o ímpeto paraguaio. Resultado: aos 15 minutos o Ricardo Berna saiu mal do gol e o Gamarra empatou o escore de cabeça. Apesar de uma perigosa cabeçada do Valencia, aos 18 minutos, após corner cobrado pelo Conca, o Fluminense ficou até o minuto 25 ainda fora do ar. Foi então que Marquinho e Conca, em minha opinião os dois principais responsáveis pela fraquíssima atuação do Flu no 2º tempo, já que não chamaram a responsabilidade de controlar a posse de bola, resolveram decidir a partida. Primeiro, aos 27 minutos, Marquinho fez jogada linda e acertou um chute ainda mais lindo de fora da área para recolocar o Fluminense na frente. Dois minutinhos depois, em bola parada, o Conca mostrou toda sua categoria e deu números finais ao jogo, já que até o apito final o único lance que poderia alterar o placar, uma falta cobrada pelo Gamarra, foi bem defendida pelo Berna.

Levando em conta que o Fluminense não teve uma grande atuação técnica, a vitória por 3 x 1 foi um resultado excelente. Se não repetir no Paraguai a primeira metade da 2ª etapa desta partida, o Fluzão tem tudo para avançar na Libertadores.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

COPA DO BRASIL 2011 - QUARTAS DE FINAL

Horizonte 0 x 3 Flamengo – Domingão, Horizonte (CE)

O Flamengo ignorou as consideráveis ausências de Maldonado, Léo Moura e Ronaldinho, venceu o Horizonte por 3 x 0 e subiu mais um degrau na escalada rumo ao título da Copa do Brasil.

Mesmo podendo jogar com o regulamento debaixo do braço, já que poderia até empatar sem gols para garantir a vaga na próxima fase, o treinador Roberto Carlos organizou o Horizonte no 4-3-1-2 de maneira bem semelhante a do jogo de ida, no Engenhão, com: Alex; Robert, Carlinhos, Douglas e Junior Cearense; Elanardo, Walter e Hércules; Palhinha; Siloé e Isac. Pelo lado do Flamengo, que precisava vencer ou empatar em mais de dois gols para conquistar a classificação sem a necessidade de disputa por pênaltis, Luxemburgo adotou a estratégia que deu certo no 2º tempo do último Fla-Flu: Bottinelli e Thiago Neves como meias e Renato de volante. Sendo assim, o Rubro Negro iniciou o duelo esquematizado em um 4-2-2-2, com: Felipe; Galhardo, Welinton, David Braz e Rodrigo Alvim; Willians e Renato; Thiago Neves e Bottinelli; Deivid e Wanderley.

Se havia algo que Luxemburgo, os jogadores e os torcedores flamenguistas queriam muito era um gol logo no início da partida, para não deixar o jogo se transformar em uma batalha contra o relógio. E não é que ele veio! O relógio marcava 8 minutos quando Galhardo, que tinha a dura missão de substituir o lesionado Léo Moura, foi cruzar a pelota para a área e, contando com a ajuda do goleiro Alex, sacudiu o filó. O gol fez um bem enorme ao Flamengo, que aproveitou a qualidade do Renato, do Thiago Neves e do Bottinelli para trocar passes e controlar a partida. Não um controle infértil, mas um controle de posse de bola e com oportunidades de gols criadas, em chute longo do Renato, bola parada do Bottinelli e assistências do Thiago Neves para a dupla Wanderley/Deivid. Vale ressaltar que foi em um destes lances que o Wanderley quase marcou um gol digno de placa após receber passe do Thiago Neves e aplicar um espetacular lençol no Walter. E o Horizonte? Bom, depois de perder rapidamente a vantagem adquirida pelo bom empate no Rio de Janeiro, a equipe cearense conseguiu apenas um bom ataque com o Siloé e uma cobrança de falta do Junior Cearense que assustou o Felipe.

Se a abertura do placar com menos de 10 minutos de jogo fez bem ao Flamengo, a situação iria ficar ainda melhor para os rubro negros logo no início da 2ª etapa, aos 2 minutos, depois de um lindo passe do Rodrigo Alvim para o Thiago Neves dar um drible humilhante no Douglas e encontrar o Deivid livre, leve e solto para completar pro fundo das redes. Com 2 x 0 no escore e diante de um Horizonte que não apresentava forças para reverter o resultado, o Flamengo caminhou tranquilo para a classificação. Mesmo tendo diminuído um pouco o volume ofensivo, o Flamengo, comandado pelo Thiago Neves – o dono do jogo – continuou construindo chances de gols. Na mais clara delas Deivid arrematou para fora cara-a-cara com o goleiro Alex. Aos 35 minutos, para fechar com chave de ouro a boa atuação do Fla, o volante Willians arrancou por entre a defesa adversária com enorme autoridade, driblou o Alex e marcou um golaçoaçoaço.

Com a vitória, o Flamengo garantiu a vaga nas quartas de final da Copa do Brasil e, após de eliminar o Fortaleza e o Horizonte, enfrentará mais um cearense no torneio: o Ceará. Agora, depois de espantar a zebra que seria uma eliminação nesta fase da Copa do Brasil, o Fla concentra seus pensamentos no clássico contra o Vasco que pode lhe dar, já neste domingo, o título do Cariocão.

ENQUANTO ISSO NA EUROPA...

Messi está conseguindo fazer o mundo pensar que o que ele faz é normal. Amigos, acreditem, mesmo ele fazendo isso toda semana, não é normal. Não pode ser normal.