sábado, 17 de março de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA RIO- 4ª RODADA - FLUMINENSE X MACAÉ


Fluminense 1 x 3 Macaé – Moça Bonita, Rio de Janeiro (RJ)


Macaé não toma conhecimento do Fluminense e com uma atuação maiúscula alcança sua quarta vitória seguida na Taça Rio.

Sem Deco e Fred, poupados mesmo com o próximo compromisso pela Libertadores marcado só para daqui a mais de dez dias, o Fluminense foi para o jogo organizado pelo Abel Braga no 4-2-2-2 com: Diego Cavalieri; Bruno, Digão, Anderson e Carlinhos; Jean e Valencia; Souza e Lanzini; Wellington Nem e Rafael Moura. Comemorando 100 jogos no comando do 100% na Taça Rio Macaé, o treinador Toninho Andrade esquematizou sua equipe no 4-2-2-2 com: Luís Henrique; Valdir, Ramon, Douglas Assis e Carlos Alberto; Gedeil e Wagner; André Gomes e Wallacer; Pipico e Josiel.

Foram necessários apenas 11 minutos de jogo para o Macaé mostrar que a invicta campanha no 2º turno é coisa séria. Este foi o tempo decorrido até Carlos Alberto arrancar pela esquerda, cruzar com perfeição e Pipico, com mais perfeição ainda, cabecear pro fundo do barbante. Amigos, já não é o primeiro Cariocão que o Pipico tem atuações de bom nível. Antes, pelo Bangu, e agora, pelo Macaé, o arisco avante mostra que conhece do assunto. Com a vantagem no placar, o onze alvianil se defendeu com tranquilidade, anulou um desértico ataque tricolor, que conseguia no máximo alçar bolas na área, e por pouco não foi para o intervalo com dois a zero no escore. Pipico, em cabeçada que o zagueiro Anderson salvou sobre a linha, e André Gomes, com um tijolo de fora da área, quase aumentaram a folga macaense.

O Flu voltou do intervalo com Matheus Carvalho e mais ímpeto, mas o panorama da 2ª etapa foi a gritante diferença entre a calma macaense e o desespero tricolor. Enquanto o Flu se esgoelava e na base do bumba-meu-boi se lançava ao ataque, o sereno Macaé soube aproveitar com maestria as inúmeras falhas da retaguarda adversária e, em duas descidas pela direita, chegou a sonoros 3 a 0, gols de Wallacer e Josiel. Por sinal, o “Cavaleiro da Távola Redonda” Josiel chegou ao seu sétimo gol em quatro jogos na Taça Rio. Impressionante! Hoje, no 2º turno, o Botafogo é o único time com mais gols do que Josiel, sozinho! Muito pelo cansaço, o Macaé diminuiu o ritmo após o terceiro tento, mas o Flu não conseguiu repetir o paraguaio Olimpia contra o Flamengo e só marcou o gol de honra perto do apito final, através do Matheus Carvalho.

Campeão da Taça Guanabara e líder do seu grupo na Libertadores, é até compreensível que a Taça Rio não seja o tesouro atrás do arco-íris para o Fluminense. Porém, uma campanha de uma vitória e três derrotas no 2º turno não condiz com o investimento, o elenco e a comissão técnica do Clube das Laranjeiras.

sexta-feira, 16 de março de 2012

COPA LIBERTADORES 2012 - 1ª FASE - FLAMENGO X OLIMPIA


Flamengo 3 x 3 Olimpia (PAR) – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)


Flamengo abre sonoros três a zero, mas dá uma aula de como não se deve segurar uma vantagem e termina com a derrota – ops! – com o empate.

Repleto de jovens que até pouco tempo faziam parte dos times de base, o Flamengo foi para o importante jogo organizado pelo Joel Santana no 4-3-3 com: Paulo Victor; Galhardo, Gonzáles, David Braz e Junior Cesar; Luiz Antônio, Muralha e Bottinelli; Thomás, Ronaldinho e Vagner Love. Vice-Campeão do Apertura e Campeão do Clausura em 2011, o paraguaio Olimpia foi esquematizado pelo treinador Gerardo Pelusso no 4-4-2 com: Silva; Nájera, Romero, Meza e Ariosa; Orteman, Fabio Caballero, Aranda e Marin; Maxi Biancucchi e Luis Caballero.

Longe de ser uma “maria mole”, o Libertad, atual líder invicto do Apertura 2012 (4 vitórias e 2 empates), soube se aproveitar do total e completo desentrosamento do onze flamenguista e se sentiu a vontade nos minutos iniciais da 1ª etapa. Com uma marcação forte e muitas vezes desleal, os paraguaios impediram as ações ofensivas do Flamengo e deram um trabalhão para o goleiro Paulo Victor em uma perigosíssima cabeçada do Orteman, aos 13 minutos. O ponteiro do relógio girava, girava e girava e nada de o Fla se impor, se plantar no campo de ataque e fazer valer o fator casa. Até que, aos 37 minutos, Vagner Love sambou diante da defesa rival e deu linda assistência para Bottinelli beijar a pelota com aos pés e encobrir o goleiro Silva. Um a zero Mengão! E vale destacar o 1º tempo do argentino Bottinelli, muito combativo e atento na marcação, além de responsável pela vantagem no placar.

Sem aviso prévio e de uma maneira pra lá de surpreendente, o até então sumido Ronaldinho resolveu jogar bola na 2ª etapa. E, durante 20 minutos, o Gaúcho jogou o seu melhor futebol em 2012: passes eficientes e de efeito, conclusões perigosas, dribles objetivos dentro da área, gol de pênalti – sofrido pelo Love após tabelinha com o Luiz Antônio – e linda assistência para o próprio Luiz Antônio colocar 3 x 0 no escore. Durou pouco, menos de meia horinha, mas que lembrou o Ronaldinho dos bons tempos, isso lembrou. A torcida rubro-negra comemorava, cantava o hino, agitava as bandeiras e aplaudia até bicão pra frente. Com 30 minutos no relógio, o triunfo parecia certo. E é aí que mora o perigo. Torcedores, comentaristas, pipoqueiros, vendedores de amendoim, fiscais dos banheiros... todos no estádio podem acreditar no término de um jogo antes do apito final, menos os jogadores. Porém, os do Flamengo acreditaram e, em pouco mais de dez minutos, viram a bela vitória virar um pavoroso empate, após os seguidos gols de Zeballos (um golaço de falta!), Luiz Caballero e Marín.

Será uma covardia sem tamanho culpar a inexperiência dos garotos rubro-negros pelo empate com gosto de derrota, até porque Luiz Antônio e Muralha, por exemplo, tiveram boas atuações. Porém, foi visível a ausência de um nome no Flamengo para, como dizem os antigos, “furar a bola e dar um ponto final no jogo”.

quinta-feira, 15 de março de 2012

COPA LIBERTADORES 2012 - 1ª FASE - LIBERTAD X VASCO


Libertad (PAR) 1 x 1 Vasco – Estádio Nicolás Leoz, Assunção (PAR)


Com muito esforço e um homem a menos durante quase meia hora – outra bobeira do Diego Souza – o Vasco conquista um importante ponto contra Libertad, em Assunção.

Time de coração do Presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, e treinado pelo autor do gol que deu a Copa do Mundo de 1986 para a Argentina, Burruchaga, o Libertad foi para o importante duelo organizado no 4-4-2 com: Muñoz; Bonet, Bareira, Benegas e Samudio; Aquino, Cáceres, Gamarra e Civelli; Nuñez e Menéndez. Com a batuta de maestro passando das mãos – ou melhor, dos pés – do Juninho Pernambucano para o Felipe e a necessidade de um bom resultado, o Vasco foi esquematizado pelo Cristóvão Borges no 4-3-3 e entrou em campo com: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Renato Silva e Thiago Feltri; Nílton, Eduardo Costa e Felipe; William Barbio, Diego Souza e Alecsandro.

Em sua primeira partida como visitante na Libertadores e, por isso mesmo, a primeira sem a obrigação da vitória, o Vasco jogou 20 minutos de um futebol de alto nível. Não só pelo gol do Diego Souza, aos 16, em mais uma assistência do Fagner, mas pela marcação bem posicionada, pela qualidade na posse de bola e pela participação dos volantes Felipe e Nílton nas ações ofensivas. Contudo, num piscar de olhos, todas as qualidades cruzmaltinas sumiram como fumaça em ventania e o Libertad colocou as manguinhas de fora. Assim, o panorama do jogo se tornou o seguinte: o Vasco acanhado e sem conseguir encaixar sequer um contra-ataque e um Libertad mais aceso e finalizador, sem, no entanto, dar muito trabalho ao goleiro Fernando Prass.

Se existia alguma dúvida sobre se o Vasco iria apenas se preocupar em segurar a vantagem durante a 2ª etapa, esta se tornou certeza quando, aos 7 minutos, o instável temperamento do Diego Souza o fez dar uma cotovelada em um rival e o mandou mais cedo para o chuveiro. Com um homem a menos, o Cruzmaltino foi só defesa, e a troca do lateral Thiago Feltri, peça útil nos contra-ataques, pelo zagueiro Rodolfo, é um espelho da postura retraída. Muito pela boa atuação da dupla Dedé e Renato Silva, o Vasco segurou a vitória até o minuto 25, quando Rodolfo – em péssima fase – falhou em uma bola aérea e Nuñez aproveitou assistência do Velásquez para empatar o escore. O mesmo Nuñez que infantilmente seria expulso aos 36 minutos, diminuindo consideravelmente o poder de ataque de sua equipe. Nos minutos derradeiros, ambos os times viram o triunfo estender as mãos, mas um chutaço do Felipe passou a centímetros da trave paraguaia e um outro, venenoso, do Ayala terminou em ótima defesa do Fernando Prass.

Devido à derrota do Nacional (URU) para o Alianza Lima (PER), o empate pode ser considerado um bom resultado para o Vasco, que, com 4 pontos, se mantém na 2ª colocação. E, como lição, ficam os ótimos primeiros 20 minutos e a entrega dos jogadores, que devem ser repetidos no próximo duelo, contra o próprio Libertad, em São Januário, e nos últimos dois, no estrangeiro.

terça-feira, 13 de março de 2012

UMA IMAGEM



O cruzeirense Evaldo deita no ar e marca um golaço de puro balé.

segunda-feira, 12 de março de 2012

PREMIER LEAGUE 2011/2012 - 28ª RODADA


RESULTADOS

Bolton 2 - 1 Queens Park Rangers

Aston Villa 1 - 0 Fulham

Chelsea 1 - 0 Stoke City

Sunderland 1 - 0 Liverpool

Wolverhampton 0 - 2 Blackburn

Everton 1 - 0 Tottenham

Manchester United 2 - 0 West Bromwich

Swansea City 1 - 0 Manchester City

Norwich 1 - 1 Wigan

Arsenal 2 - 1 Newcastle


ARTILHARIA

26Gols – Robin van Persie (Arsenal)

20 Gols – Wayne Rooney (Manchester United)

16 Gols – Demba Ba (Newcastle) e Kun Agüero (Manchester City)


GIRO PELA “TERRA DA RAINHA


“Red Devils” no topo! Com dois gols do sempre decisivo Wayne Rooney o Manchester United se aproveita da histórica vitória do Swansea sobre o Manchester City e assume a liderança da Premier League.


- Em um Liberty Stadium lotado, com 20 mil torcedores que mais pareciam 200 mil empurrando o Swansea, os galeses jogaram um futebol grandioso e bateram o então líder Manchester City por 1 x 0, gol do centroavante Luke Moore, já na 2ª etapa. Pelo retrospecto que o Swansea possui como mandante, já era sabido que o City não enfrentaria nenhuma “Maria Mole”. Porém, a atuação dos galeses foi muito melhor do que a encomenda, e nem mesmo o pênalti perdido pelo Sinclair, logo aos 6 minutos, abateu o anfitrião. Organização tática com rigor militar, toque de bola de ótimo nível, disposição como se estivesse disputando o título e uma torcida que comemorava até lateral, estas foram as armas do Swansea para neutralizar os pontos fortes do City e conquistar uma vitória que, pelo lado psicológico, vale muito mais do que os três pontos. Cometerei a injustiça de destacar dois nomes no Swansea, já que todos merecem muitos aplausos pelo histórico triunfo: são eles o goleiro Vorm, com defesas difíceis e cruciais quando o City se lançou no desespero, e o meia Routledge, que sofreu um pênalti e deu a assistência perfeita para o gol do Moore.

- A 28ª rodada do Inglês não foi emocionante só no topo da tabela. Lá na rabeira, quatro dos cinco últimos colocados se enfrentaram em jogos de extrema importância na briga contra a degola. Melhor para Bolton e Blackburn, que bateram o Queens Park Rangers e o Wolverhampton, respectivamente, e terminam a rodada fora da zona de rebaixamento. Outro integrante do fundão, o Wigan se complicou mais ainda ao empatar com o Norwich, em resultado que o manteve na lanterninha. Como mostra a pequena diferença entre Blackburn (16º) e o Wigan (20º), de apenas quatro pontos, a briga pela permanência na Primeirona será feroz.

- Foi no finzinho, no apagar das luzes, com gol de zagueiro, mas o torcedor do Arsenal é só sorrisos com mais um triunfo, o quinto seguido na Premier League. O gol do Thomas Vermaelen, quando o juiz já havia respirado para apitar pela última vez no jogo, não só deu aos “Gunners” a vitória sobre o Newcastle como os colocou a um único pontinho do rival Tottenham. Tottennham que, por sinal, vive uma fase tão ruim, mas tão ruim, que até o Chelsea, de treinador interino, já começa a enxergá-lo.

domingo, 11 de março de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA RIO- 3ª RODADA - FLAMENGO X FLUMINENSE




RESULTADOS

Nova Iguaçu 0 x 1 Duque de Caxias

Resende 2 x 0 Boavista

Bangu 1 x 1 Botafogo

Macaé 3 x 1 Friburguense

Vasco 3 x 0 Madureira

Americano 2 x 2 Olaria

Volta Redonda 2 x 1 Bonsucesso

Flamengo 2 x 0 Fluminense


ARTILHARIA

9 Gols – Alecsandro (Vasco)

7 Gols – Herrera (Botafogo), Rômulo (Friburguense) e Somália (Boavista)


Flamengo 2 x 0 Fluminense – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)


Ronaldinho deixa sua marca, participa do surpreendente gol do Kleberson, é expulso ainda na 1ª etapa e vê os seus companheiros suarem litros e mais litros para o Rubro-Negro garantir importantes três pontos no primeiro Fla-Flu do ano do centenário do clássico.

Com mais de um palmo de desfalques, Joel Santana apostou na base e no retorno de Kleberson e organizou o Flamengo no 4-3-2-1 com: Paulo Victor; Galhardo, Gonzáles, David Braz e Magal; Kléberson, Muralha e Luiz Antônio; Thomás e Ronaldinho; Vagner Love. Pelo lado do Fluminense, Abel Braga decidiu poupar seu poderoso quarteto ofensivo (Deco/Thiago Neves/Wellington Nem/Fred) e esquematizou sua equipe no 4-2-2-2 com: Diego Cavalieri; Jean, Leandro Euzébio, Anderson e Thiago Carleto; Diguinho e Edinho; Souza e Wagner; Rafael Sóbis e Rafael Moura.

Com dois onzes que não primam pelo entrosamento em campo, os primeiros minutos da partida foram frios e com poucas tramas ofensivas. Neste panorama, o Fluminense, comandado por um Souza ligado, mostrava melhor postura e mais solidez. No entanto, o placar que aos 20 minutos mostrava dois zeros bem redondinhos chegou aos 25 apontando Flamengo 2 x 0 Fluminense. Primeiro, Galhardo tabelou com Ronaldinho e sofreu pênalti de Carleto que o próprio Gaúcho converteu. Logo depois, Magal chegou à linha de fundo, cruzou a pelota, o zagueiro Anderson falhou e Kleberson carimbou o seu retorno com um belo chute cruzado pro fundo do gol. A vantagem fez um bem enorme ao Rubro-Negro, que, se não incomodava o Diego Cavalieri, controlava o jogo e o dava um ar de tranquilidade. Até que, aos 39 minutos, Ronaldinho cometeu sua segunda falta nada diplomática e recebeu o cartão vermelho.

No finzinho do 1º tempo, o Flu foi com tudo em busca de um golzinho e só não o conseguiu porque Paulo Victor fez duas defesas sensacionais – arremates de Carleto e Souza – e um outro chute longo do Carleto tirou tinta do poste. Os minutos derradeiros da etapa inicial deram a impressão de que o Fluminense viria como um lobo faminto após o intervalo. Mas foi só a impressão. Abel Braga tentou o espigão Samuel e o lateral Wallace para fazer valer a superioridade numérica, porém, até o minuto 20, o Flu foi de uma infertilidade só. A entrada de Lanzini deu um pouco mais de vida ao Tricolor, mas não o suficiente para furar a retaguarda rubro-negra liderada por mais uma boa atuação do chileno Gonzáles. Assim, as melhores chances do Flu surgiriam em chutes longos que o Paulo Victor, em noite inspirada, não deixou passar. E como o Flamengo, totalmente recuado, não teve êxito nos contra-ataques, o placar final terminou como o do 1º tempo: Fla 2 x Flu 0.

O fato de ter jogado mais de 45 minutos com o homem a menos faz com que o triunfo flamenguista ganhe maiores proporções e possa até ajudar a equipe a ter uma melhor apresentação em seu próximo jogo da Libertadores, contra o Olimpia (PAR). Enquanto isso, o Fluminense precisa decidir se vai ou não encarar a Taça Rio para vencer. E é melhor decidir logo, pois as rodadas estão passando.


JOGADA RÁPIDA!

- E o torcedor do Flamengo que tanto vaiou e criticou o Josiel agora vê o centroavante de estilo “Cavaleiro da Távola Redonda” marcar um gol atrás do outro e colocar o Macaé, com 100% de aproveitamento na Taça Rio, na ponta do grupo A. Neste fim de semana, assim como no passado, Josiel sacudiu o barbante duas vezes e foi essencial para a vitória macaense. Na próxima rodada, é bom os defensores do Fluminense abrirem os olhos, pois Josiel está com tudo!


PELO BRASIL AFORA!

- Nenhuma vitória neste ainda nascente 2012 deixou o torcedor do São Paulo tão feliz quanto a virada sobre a Portuguesa por 2 x 1 neste fim de semana. O motivo? Luís Fabiano, ídolo maiúsculo do Tricolor, foi o autor do gol do triunfo. Agora, os são-paulinos – e também os amantes do bom futebol – espalhados pelo Brasil cruzam os dedos para que os problemas físicos deixem o “Fabuloso” em paz.

sexta-feira, 9 de março de 2012

FUTEBOL COM HISTÓRIA - MARKETING E FUTEBOL, UMA AMIZADE ANTIGA

Faz poucos dias que, após muito disse me disse, o Flamengo e a empresa Traffic enfim romperam relações e o Clube da Gávea passou a arcar com a íntegra do salário de Ronaldinho Gaúcho. Uns dizem que o valor de mais de um milhão por mês é um absurdo, enquanto outros afirmam que, agora, o Fla poderá explorar a imagem do craque com ações de marketing e por isso terá um grande retorno do investimento.

Já não é de hoje que marketing e futebol passeiam de mãos dadas e a imagem de um craque passou a ser tão importante quanto a de um lutador do antigo Telecatch. As contratações de David Beckham, tanto pelo Real Madrid quanto pelo Los Angeles Galaxy, são provas concretas, mesmo tendo o inglês certa intimidade com a pelota, principalmente quando ela parada. No Brasil, uma das pioneiras ações de marketing da história se deu no longínquo ano de 1934, para onde viajaremos nas linhas abaixo.

Início da década de 20 e um garoto com nascentes pelos debaixo dos braços estreava pelo Grêmio. Era Luiz Carvalho, conhecedor profundo do caminho das redes. O menino centroavante emendava um gol atrás do outro e estes o tornaram o gremista com mais tentos marcados sobre o rival Internacional e um dos principais nomes do Tricolor Gaúcho na época amadora, ao lado de Eurico Lara e Foguinho. Falando em época amadora, Luiz Carvalho necessitava trabalhar para se sustentar, e o fazia em uma firma de vinhos chamada Scalzilli. E foi justamente a relação do craque com a bebida presente na Santa Ceia que originou uma das primeiras – seria a primeira? – transações marqueteiras do nosso futebol.

Corria o ano de 1934 e produtores vinícolas do Rio Grande do Sul tinham a intenção de aumentar a venda da bebida no Rio de Janeiro, onde competiam com vinhos importados. Sabedores de que o grande mercado consumidor de vinhos era a colônia portuguesa, os gaúchos decidiram explorar a boa imagem de Luiz Carvalho, que já atuara um curto período pelo Botafogo e pela Seleção Carioca, e o ofereceram ao Vasco, clube dos lusos. Assim, em novembro de 1934, Luiz Carvalho partiu com destino à “Cidade Maravilhosa” para colocar a serviço do Cruzmaltino os seus imparáveis chutes de virada, que pegavam os zagueiros e os goleiros desprevenidos.

Foi um tiro certeiro dos sulistas. Ao lado do fenomenal Feitiço, Luiz Carvalho marcou oito gols no Campeonato Carioca da Federação Metropolitana de Desportos de 36 (na época existiam dois torneios no Rio de Janeiro) e foi essencial para o Vasco levantar o caneco estadual. Com os gols de Luiz Carvalho e o título conquistado fica redundante dizer que os portugueses tiveram um ano de 1936 regado a taças de vinho. E que os produtores gaúchos viviam com um sorriso do tamanho do rosto.