segunda-feira, 9 de julho de 2012

GÊNIOS DAS PALAVRAS - EDUARDO GALEANO


O GOL

O gol é o orgasmo do futebol. E, como o orgasmo, o gol é cada vez menos frequente na vida moderna.

Há meio século, era raro que uma partida terminasse sem gols: 0 a 0, duas bocas abertas, dois bocejos. Agora, os onze jogadores passam toda a partida pendurados na trave, dedicados a evitar os gols e sem tempo para fazer nenhum.

O entusiasmo que se desencadeia cada vez que a bola sacode a rede pode parecer mistério ou loucura, mas é preciso levar em conta que o milagre é raro. O gol, mesmo que seja um golzinho, é sempre goooooooooooooool na garganta dos locutores de rádio, um dó de peito capaz de deixar Caruso mudo para sempre, e a multidão delira e o estádio se esquece de que é de cimento, se solta da terra e vai para o espaço.

Eduardo Galeano

Crônica retirada do livro “Futebol ao sol e à sombra”, da L&PM Editores.

domingo, 8 de julho de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 8ª RODADA - FLUMINENSE X FLAMENGO - O FLA-FLU DO CENTENÁRIO








RESULTADOS
Botafogo 3 x 0 Bahia
Internacional 2 x 1 Cruzeiro
Atlético Goianiense 0 x 1 Náutico
Fluminense 1 x 0 Flamengo
Santos 4 x 2 Grêmio
São Paulo 3 x 1 Coritiba
Figueirense 1 x 1 Vasco
Atlético Mineiro 2 x 0 Portuguesa
Ponte Preta 1 x 0 Palmeiras
Sport 1 x 1 Corinthians


ARTILHARIA
5 Gols
Alecsandro (Vasco)
Araújo (Náutico)
4 Gols
Herrera (Botafogo)
Luís Fabiano (São Paulo)
Vagner Love (Flamengo)
Wellington Paulista (Cruzeiro)


Fluminense 1 x 0 Flamengo – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)


Tricolor vence o histórico Fla-Flu do Centenário, chega ao quarto triunfo consecutivo e se mantém nas cabeças do Brasileirão.

Único a começar a 8ª rodada invicto, o Fluminense iniciou o clássico organizado pelo Abel Braga no 4-3-1-2 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Anderson e Carlinhos; Deco, Edinho e Jean; Thiago Neves; Wellington Nem e Fred. Para lutar por uma vitória que deixaria a semana na Gávea bem mais tranquila, o Flamengo foi esquematizado pelo Joel Santana no 4-3-1-2 com: Paulo Victor; Luiz Antônio, Marllon, González e Magal; Íbson, Amaral e Renato; Bottinelli; Diego Maurício e Vagner Love.

Quando a chamada fase de estudos da partida chegava perto do seu final, por volta do minuto 10, Fred aproveitou cruzamento de Thiago Neves, se antecipou ao González e marcou seu primeiro gol em um Fla-Flu. A partir daí, o clássico ganhou contornos definidos. O Flamengo contrastava uma exagerada paciência com a pelota nos pés com uma marcação agressiva e adiantada, enquanto o Fluminense adotava uma postura recuada e esperava espaços para contra-golpear. Como o Rubro-Negro pecava na hora de transformar a posse de bola em lances incisivos e o Tricolor encontrava dificuldades para sair em velocidade, as luvas de Paulo Victor e Diego Cavalieri pouco foram acionadas. Uma trama rápida entre Deco e Thiago Neves que quase terminou em mais um tento do Fred e uma bomba de longe do Renato foram as melhores jogadas ofensivas de Flu e Fla até a chegada do intervalo.

Em seus primeiros minutos, a segunda etapa foi uma continuação da primeira. Não era raro encontrar todos os 11 tricolores atrás da linha da bola e o ataque flamenguista ainda carecia de pimenta. Adryan, que entrara no intervalo, se mostrou bem mais produtivo que o Diego Maurício – o fez o torcedor das Laranjeiras prender o ar por duas vezes –, porém não o suficiente para fazer o Flamengo chegar às redes. O Clube da Gávea criaria sua melhor oportunidade aos 34 minutos, quando Adryan bateu córner e o zagueiro Arthur Sanches, com a cuca, carimbou o poste. Restavam pouco mais de 10 minutos para os rubro-negros tentarem uma pressão que não haviam conseguido até então, já que produzira apenas lances isolados, mas não foi o que ocorreu. Assim o Flu, com a mesma postura adotada desde o décimo minuto de jogo, teve sucesso em segurar o importante triunfo.

Uma vitória em um clássico desta magnitude, ainda mais por ser a quarta conquistada em sequência, confirma ainda mais o protagonismo que o Fluzão terá no Brasileiro 2012.  


CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO

- Ver o craque que há dois anos se consagrava como o melhor jogador da Copa do Mundo no futebol brasileiro será demais. A contratação de Forlán pelo Internacional tem tudo para entrar na história. Pela porta da frente.

- Por falar em craque, a chegada de Seedorf não para de trazer bons fluidos ao Fogão!

- O goleiro Dida aterrissou em Minas Gerais com duas partidas seguidas sem levar gols. Voltará com duas falhas monstruosas na bagagem.

- Um dos ensinamentos do Corinthians Campeão da Libertadores é a importância de um sistema tático sólido. O Atlético Mineiro do Cuca segue o mesmo caminho neste início de Brasileiro. O papel desempenhado pelos meias Bernard e Danilinho é para europeu algum botar defeito.

- É inegável a importância da Copa do Brasil. Não só pela vaga dada na Libertadores, mas, e principalmente, por ser um torneio nacional de grande porte. Sendo assim, o Palmeiras não deveria ter um planejamento para disputar duas competições simultâneas? A presença na decisão da Copa não justifica a horrorosa campanha no Brasileiro, com apenas uma vitória em oito jogos. 

sexta-feira, 6 de julho de 2012

100 ANOS DE UM PATRIMÔNIO DO ESPORTE MUNDIAL


Como descobrimos através da genialidade incomparável de Nelson Rodrigues, o Fla-Flu nasceu 40 minutos antes do nada. E já que seria de uma petulância sem perdão discordar do mestre, vale ressaltar que o comemorado neste 7 de julho de 2012 não serão os 100 anos de existência do Fla-Flu, mas, sim, o centenário da primeira vez que estes dois colossos duelaram em um campo de futebol.

Fla-Flu. Uma expressão pequenina, que qualquer criança poderia dizer antes mesmo de mamã ou papá, mas de um valor imensurável. Graças à iluminada sabedoria de Mário Filho, que transformou o na época sem apelo termo Fla-Flu – usado pela primeira e até então praticamente única vez em 1925, para batizar um selecionado composto apenas por jogadores dos dois clubes – na mais perfeita representação de um clássico do futebol. Daí para a invenção do Gre-Nal, San-São, Atle-Tiba, Ba-Vi foi um pulo. O poder do Fla-Flu é tão grande que transcende o futebol. Quem nunca ouviu uma tentativa de valorização de um clássico não-futebolístico através da frase: “Fulano contra Beltrano é o Fla-Flu deste esporte”.

E Mário Filho faria muito mais por este patrimônio do esporte além de reinventar o termo Fla-Flu. Com suas palavras mágicas, estimulou o sadio duelo entre as torcidas rubro-negra e tricolor. Quem levaria mais bandeiras? Mais balões? Faria a batucada mais animada? Soltaria mais foguetes? Como disse Nelson Rodrigues, “Mário Filho transformou o domingo de Fla-Flu num domingo de carnaval”. Nada contra alvinegros ou celestes, mas, convenhamos, amigos, não existe embate de cores mais lindo do que o de um Fla-Flu. Seja nas arquibancadas ou no gramado, entre os uniformes.

Listar os personagens que fizeram história ao longo dos cem anos de rubro-negros contra tricolores só é menos impossível do que contar todas as pelejas inesquecíveis. Até mesmo porque, como uma vez falou Stan Lee, lenda das revistas em quadrinhos, toda revistinha é a primeira de algum leitor. Na mesma linha de raciocínio, todo Fla-Flu é o primeiro de algum torcedor, o que por si só já faz com que muitos dos jogos aparentemente não tão históricos tenham um sabor especial no coração de incontáveis.

Quando Flamengo e Fluminense estiverem perfilados, segundos antes do primeiro trilar do apito para o clássico deste domingo, pelo Campeonato Brasileiro, a atmosfera estará repleta das mais inadjetiváveis memórias. Memórias que nasceram no distante 1912, quando pai e filho rebelde se enfrentaram pela primeira vez, sem terem a ideia de que davam o pontapé inicial na mais bela rivalidade clubística do futebol mundial.

COPA DO BRASIL 2012 - FINAL - PALMEIRAS X CORITIBA


Palmeiras 2 x 0 Coritiba – Arena Barueri, Barueri (SP)

Bola parada do Marcos Assunção volta a ser essencial e Palmeiras larga na frente na busca pelo caneco da Copa do Brasil.

A dois jogos de um título nacional de elite, que não conquista desde a Copa dos Campeões de 2000, o Palmeiras foi a campo escalado pelo Luiz Felipe Scolari no 4-3-1-2 com: Bruno; Artur, Maurício Ramos, Thiago Heleno e Juninho; João Vitor, Márcio Araújo e Marcos Assunção; Valdívia; Mazinho e Betinho. Em sua segunda decisão de Copa do Brasil consecutiva e com o sonho de conseguir um final diferente do ano passado, o Coritiba iniciou a partida organizado pelo Marcelo Oliveira no 4-4-1-1 com: Vanderlei; Jonas, Pereira, Emerson e Lucas Mendes; Rafinha, Junior Urso, Willian e Gil; Everton Ribeiro; Everton Costa.

O Palmeiras fez uma etapa inicial abaixo da linha da pobreza. Ofensivamente foi de dar dó. Valdívia sem passes clarividentes, Mazinho sem jogadas incisivas, Betinho sem sequer um arremate a gol, Marcos Assunção sem bolas paradas para chutar... E para piorar a situação palmeirense, a retaguarda era um queijo suíço daqueles com mais buracos do que queijo e erros individuais dignos de Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. Foi graças a duas defesas do goleiro Bruno, em finalizações de Junior Urso e William, que o placar não foi inaugurado antes do minuto 20. Quando o intervalo já se aproximava, Marcos Assunção teve sua primeira oportunidade de cobrar uma falta mais perto da área rival do que da linha do meio-campo. Alçou a redonda na área, Jonas agarrou Betinho e Valdívia cobrou o pênalti resultante cheio de categoria para colocar um a zero no escore.

Veio o 2º tempo e, se continuou sem uma gota de criatividade, o Palmeiras, pelo menos, diminuiu os espaços dados ao adversário. Os minutos transcorriam em banho-maria até que, aos 19, Marcos Assunção teve nova chance com a redonda imóvel. Desta vez o cruzamento terminou em cabeçada do Thiago Heleno para o fundo do filó. Era tudo que o palmeirense queria para aliviar. E tudo que ele não queria o Valdívia fez, cinco minutos depois, ao cometer uma falta nada diplomática e ir mais cedo para o chuveiro. Já com Lincoln e Anderson Aquino em campo, Marcelo Oliveira apostou em Tcheco, mas o Coritiba, em nenhum momento, conseguiu repetir os bons 20 minutos iniciais. Na realidade, esteve próximo de ver sua vaca ir mais para o meio do brejo, mas o palmeirense Maikon Leite perdeu uma clara chance de gol após driblar o goleiro.

A vitória por dois a zero no jogo de ida permite oba-oba apenas para os palmeirenses que ficam nas arquibancadas. Os que vão entrar em campo, na próxima quarta-feira, terão de suar litros e mais litros para segurar o Coritiba e o Couto Pereira. O Verdão deu um passo enorme rumo ao título, mas a decisão ainda não teve um ponto final.  

quinta-feira, 5 de julho de 2012

CORINTHIANS CAMPEÃO DA COPA LIBERTADORES 2012



Corinthians 2 x 0 Boca Juniors (ARG) – Pacaembu, São Paulo (SP)

Soberano, gigante, incontestável, Corinthians passa pelo Boca e levanta seu primeiro caneco de Libertadores. Com dois gols, Emerson garante seu retrato na galeria de imortais do Parque São Jorge.

Para escrever uma das páginas mais importantes de sua história, o Corinthians entrou em campo organizado pelo treinador Tite no 4-2-3-1 com: Cássio; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf e Paulinho; Jorge Henrique, Alex e Danilo; Emerson. Pela quarta vez no Brasil para um segundo jogo decisivo de Libertadores, o Boca Juniors iniciou a partida esquematizado pelo Julio Falcioni no 4-3-1-2 com: Orion; Sosa, Schiavi, Caruzzo e Clemente Rodríguez; Ledesma, Somoza e Erviti; Riquelme; Mouche e Santiago Silva.

Cada palmo de grama foi disputado, batalhado, guerreado intensamente nos primeiros 45 minutos da finalíssima. Era mais difícil encontrar espaço dentro das quatro linhas do que nas arquibancadas, que, como diz o jornalista Apolinho, colocava gente pelo ladrão. Poucas vezes um editor televisivo teve tão pouco trabalho para preparar os melhores momentos a serem reprisados no intervalo. O Corinthians, com Emerson centralizado e à frente do tripé Jorge Henrique, Alex e Danilo, teve mais a redonda em seus pés, mas conseguiu apenas uns chutes longos com o Alex, ora fraco e nas mãos do goleiro, ora forte e sem direção. O Boca, com a já esperada proposta de contra-atacar, não se movimentou nem avançou homens o suficiente para dar opções de passes eficientes ao Riquelme.

A 2ª etapa ainda era nascente quando veio o momento mágico. Alex alçou a pelota na área e, após desvio de Jorge Henrique, a jogada parecia morta. Apenas parecia, pois Danilo beijou a bola com o pé e a deixou para Emerson, um jogador que seria capaz de jogar 90 minutos num vulcão em erupção sem sentir o calor da partida, levar o Pacaembu ao delírio. O Boca tinha que atacar, pressionar, criar oportunidades, mas conseguia apenas cruzar bolas na área. Desta maneira fez o fiel corintiano prender a respiração aos 26 minutos, em cabeçada do zagueiro Caruzzo. Mas a respiração presa serviu como combustível para o grito de alegria que viria no minuto seguinte, quando Schiavi deu um passe errado que parou nos pés de Emerson. Logo de quem. A arrancada foi fulminante. A finalização sutil. Dois a zero. O sonho antigo se tornava real.

Os argentinos estavam nocauteados, sem forças. A contagem regressiva para a inédita e libertadora sensação veio acompanhada de provocação entre “Sheik” e Caruzzo, muita bola chutada pelos corintianos para a estratosfera e um arremate do Chicão que tocou a rede pelo lado de fora. Poderia ter sido pelo de dentro, mas não precisava. A América já era do Corinthians. Salve o Corinthians! De tradições e glórias mil! Agora, mil e uma. Uma muito especial.

PARABÉNS, TIMÃO!!!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

UMA IMAGEM













Gentile cola em Zico no histórico Brasil e Itália da Copa do Mundo de 1982. A “Tragédia do Sarriá” completa 30 anos no dia 5 de julho.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

EUROCOPA 2012 - FÚRIA!


Um dos mais renomados filmes de artes marciais da história – A Fúria do Dragão – mostra a luta do lendário Bruce Lee contra uma organização que traficava drogas através de uma fábrica de gelos. A grande cena é logo uma das primeiras, quando Bruce Lee encontra-se com a maior calma no meio de uma estrondosa pancadaria. É braço para cá, perna para lá, tapa na cara de um, voadora no peito do outro... e Bruce Lee, no meio de toda a confusão, como se estivesse no mais tranquilo dos ambientes. O motivo? Havia prometido para sua falecida mãe que não mais lutaria. Até que um pobre coitado lhe arrancou do pescoço o cordão que simbolizava a promessa feita à mãe. Pronto! Em questão de segundos todos os aspirantes a vilão estavam tortos no chão.

Até o último domingo, 1 de julho, a Espanha era o Bruce Lee de cordão. Contida, pacífica. A Eurocopa em chamas e ela com a única preocupação de não ser atingida. Era a Alemanha e seu arsenal ofensivo, a Itália com um ímpeto poucas vezes visto, Cristiano Ronaldo em jornadas de melhor do planeta e a Espanha apenas preocupada em chegar ao momento final sem arranhões. Como Bruce Lee em meio ao “pega pá capá”. Mas o apito inicial da decisão contra a Itália foi o arrancar de cordão da Espanha. A fúria voltava à La Furia.

Jordi Alba, Xavi, Iniesta, David Silva e Fábregas impuseram um ritmo infernal no jogo. Ninguém esperava. Nem mesmo a até então alucinante Itália. O futebol-yoga e a falta de ambição pelo gol das partidas anteriores deram lugar a uma busca incessante por colocar a pelota nas redes. Até mesmo os infinitos passes foram esquecidos, o que daria a Itália a maior posse de bola na 1ª etapa. A fúria era tamanha que nem quando Thiago Motta saiu contundido e deixou a Azzurra com um homem a menos a sede de gol espanhola diminuiu. O resultado não poderia ser outro. Quatro a zero. Maior goleada em uma final de Eurocopa.

Daqui a alguns anos, quando um pequenino perguntar para um mais vivido o porquê de a Espanha ser chamada de La Furia, não serão necessárias palavras. Bastará colocar o disco com esta final gravada no aparelho de dvd e estará explicado. Como também estará explicado uma parte de como esta monumental e gigantesca equipe conquistou o direito de conversar, em condições de igualdade, com os maiores esquadrões que o Planeta Bola já viu.

¡FELICITACIONES, ESPAÑA!