terça-feira, 11 de setembro de 2012

UM POUCO DE LONDRES. UM POUCO DE FUTEBOL.


Foram quinze dias em Londres, para a cobertura dos Jogos Paralímpicos que ficarão para a história como um divisor do esporte adaptado. O motivo? Devido ao acolhimento dos londrinos – impressionante como a qualquer hora e dia os 80 mil lugares do maravilhoso Estádio Olímpico estavam lotados – e da mídia – quando, por exemplo, o brasileiro Alan Fonteles venceu o ícone Oscar Pistorius, ele foi, simplesmente, a capa inteira do jornal “The Times”. O crescimento do movimento paralímpico, nível dos atletas, presença do público, índices de audiência, patrocínios, espaço na mídia, entre Pequim 2008 e Londres 2012 foi enorme, e as previsões são ainda mais otimistas para o próximo ciclo que se encerra no Rio de Janeiro, em 2016.

Mas falemos de futebol. Dentre as memórias que trouxe de Londres, como algumas conversas com senhores que presenciaram a conquista inglesa da Copa do Mundo de 1966, uma, importante, vem da Holanda. Uma palestra, um abraço, um rápido bate-papo e uma foto com Johan Cruyff, o símbolo da Holanda de 1974, a inesquecível “Laranja Mecânica”.

Esta alegria se juntaria a outras mais e também a algumas decepções. Amigos, confesso que não foi a melhor das sensações visitar uma loja de artigos esportivos de exagerados seis andares (!!!) e não encontrar sequer uma peça referente a um clube brasileiro. Uma criança londrina pode ter o uniforme de clubes gregos, portugueses, escoceses... mas não pode comprar a camisa do Santos de Neymar, por exemplo. Em um mundo como o de hoje, jogar a culpa na distância entre América e Europa seria uma baita hipocrisia, até mesmo porque nenhum de nós encontraremos dificuldades para comprar, por aqui, um uniforme inteirinho de um clube europeu.

Porém, antes de conquistar o além-mar, os clubes brasileiros precisam pensar em dominar a própria terra. No Rio de Janeiro, é possível encontrar lojinhas dos grandes. Uma do Botafogo aqui, do Flamengo acolá, do Fluminense ali, do Vasco acá... Lojinhas bonitinhas, arrumadinhas, bem feitinhas e dignas de pena para quem teve a oportunidade visitar a loja do West Ham. E olha que, apesar de tradicionalíssimo, como a maioria dos ingleses, o West Ham está longe de ser um protagonista no futebol que hoje se joga lá na “Terra da Rainha”. Amigos, que loja! Gigantesca. Nela encontra-se tudo dos “Hammers” e de seus grandes craques, do passado e do presente. Minha idolatria pelo lendário zagueiro Bobby Moore duplicou minutos após entrar naquele mundo violeta e azul claro. Seria inconveniente pensar que os clubes brasileiros, que pagam folhas salariais de milhões de reais, pudessem ter mega lojas como esta citada?

Um salto das lojas esportivas para as livrarias. É praticamente impossível descrever o sorriso de um fanático por livros ao entrar na maior livraria de Londres, perguntar onde era a seção de esportes e se deparar com mais de uma dezena de grandes estantes. Só de futebol eram mais de 300 obras. Coleções completas das mais interessantes, biografias de craques consagrados, de desconhecidos e de jogadores ainda em início de carreira, guerra e futebol, política e futebol, sociologia e futebol... Se a moeda local não fosse quase quatro vezes mais valiosa do que a nossa, uma mala nova se faria necessária. Já por aqui, não é comum sair de sebos com dores nas costas, pois a pequena prateleira de esportes se encontra no fundo da última estante.

Uma vez acompanhei uma discussão sobre qual outra cidade do mundo, além do Rio de Janeiro, teria quatro grandes clubes. Londres surgiu como resposta e como mais lenha no fogoso debate. Sem querer estabelecer uma comparação entre a tradição dos cariocas (ou brasileiros) e dos londrinos, a ideia de que o meu, o seu, os nossos clubes têm muito a aprender com os de lá se tornou ainda mais sólida após 15 dias recebendo a inspiração do Big Ben.

domingo, 9 de setembro de 2012

UMA IMAGEM















Di Stéfano e Puskás comemoram o título da Copa dos Campeões da Europa de 1960, após a vitória do Real Madrid por 7 a 3 sobre o Eintracht Frankfurt. O húngaro marcou quatro gols e o argentino outros três, naquela que é considerada por muitos como a maior apresentação da história do futebol.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS














Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.


Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

FUTEBOL É ARTE



Professora de arte há mais de 25 anos, a texana Laurie Pace possui suas obras, com um característico tom de vivacidade, espalhadas por museus dos mais diversos cantos do mundo e em materiais de tudo quanto é tipo, como revistas, capas de CDs, livros... Esta obra selecionada chama-se "Heads Up", e, por ela, é possível entender o que chamam "tom de vivacidade" das obras de Laurie Pace.


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - OS REIS DO FUTEBOL


Quase um século atrás, em 1925, para ser mais exato, o lendário Club Athlético Paulistano realizou a primeira excursão de um clube brasileiro à Europa. Clodoaldo, Filó, Friedenreich, Araken Patuska e outros craques desfilaram por gramados franceses, suíços e portugueses, numa verdadeira embaixada que divulgou a cultura esportiva brasileira pelo "Velho Continente". Nesta obra, o próprio Araken Patuska, com a colaboração de Marinho de Macedo, conta em todos os detalhes possíveis como foi a gloriosa e vitoriosa excursão. Não é um livro fácil de ser encontrado, muito menos de ser encontrado por um precinho camarada, mas um conselho para aqueles que tiverem a oportunidade de tê-lo em mãos: devore-o. No sentido figurado, é claro.


















Os Reis do Futebol
Autor: Araken Patuska

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

UMA IMAGEM














Felipão "chega junto" a um adversário em sua época de zagueiro.  

domingo, 2 de setembro de 2012

GÊNIOS DAS PALAVRAS - COELHO NETO


A crônica abaixo foi escrita por ninguém menos do que Coelho Neto, quando da excursão do Paulistano para a Europa, a primeira realizada por um clube brasileiro ao “Velho Continente”. A partida em questão foi a primeira do Paulistano em gramados europeus, uma histórica vitória de virada. Divirtam-se com tão mágicas palavras.

O Club Athlético Paulistano entrou com o pé direito em Paris. No princípio do jogo, com o pé no lodo, como se achou, meteu os pés pelas mãos não fazendo mais do que cair, não só no chão enlameado, como no ridículo.

A assistência, diante de tantos e tão seguidos trambolhões, rompeu em assuada vendo que os nossos rapazes, mais do que a bola de couro, andavam no campo aos boléus. De repente, porém, a um brado enérgico do capitão, que via as coisas em mau pé, puseram-se todos os do grupo firmes, tomando pé e começou desde logo a investida.

Ponta pé na bola, era gol na certa e, do pé para a mão, os já vaiados com o “vae vitis” passaram a ser aplaudidos e aclamados como senhores da situação. E não houve mais por-lhes o pé adiante.

Tão ágeis se mostravam os jogadores nos passes e arremessos que, aos franceses maravilhados, parecia que os pés que por ali andavam não eram de homens, mas de vento, principalmente os de Friedenreich que valiam por dois ciclones.

E a França, por mais que se esforçasse, fazendo finca-pé para não ser levada de vencida, não teve senão render-se, ficando aos pés do Brasil que, desta vez provou, e perante juízes íntegros de várias nacionalidades, constituindo um Conselho Superior de Nações ou Liga, como agora se diz em estilo jarreteiro, que o Brasil sabe pelo menos onde põe o pé.

Aquilo mesmo das escorregadelas e trambolhões iniciais tenho, para mim, que foi um ardil ou truque dos rapazes, um meio astuto de esconder o jogo no começo para dar maior brilho à vitória final.

Assim entraram fazendo corpo mole, pisando em pés de lã para às súbitas, darem aquela formidável rasteira pondo em pantana o famoso selecionado com o escore de 7 x 2.

O que muitas das tais embaixadas diplomáticas, que nos custam os olhos da cara, não conseguiram fazer com a cabeça, com as mãos e até com a língua, araviando discursos simpáticos, realizaram em hora meio os rapazes, e brilhantemente, com os pés.

O Brasil tem hoje um pé na Cidade Luz, é o pé do Paulistano, e por esse pé fica o mundo conhecendo o valor do colosso sul americano como, segundo o adágio, pelo dedo se conhece o gigante.

Ora, sendo o pé do corpo, pode o Brasil dizer ufano que está com os alicerces de sua glória firmados no poleiro de Chantecler, podendo doravante cantar de galo ele que, até bem pouco, nem como pinto piava.

Dirão, agora, as más línguas – e elas são tantas e afiadíssimas, prontas sempre a nos cortarem a pele, que esse jogo foi o pé de que se serviu o Brasil para tornar-se mundialmente conhecido.

Mas não foi ele o único que entrou de pés nas terras europeias.

Os uruguaios impuseram-se nas Olimpíadas pelos pés e os argentinos vão também pisando louros no velho Continente e, onde quer que apareçam sul-americanos, não há quem resista de pé aos chutes que os tornou famosos.

Está a questão neste pé, felizmente esportivo e não de guerra, e os franceses sentidos das derrotas que lhes têm infligido nos seus próprios campos os bárbaros cá desta banda, estudam meios de descalçar a bota que lhes aperta o calo de amor próprio, calo que deve doer como mil diabos.

Pode ser que consigam alguma coisa, mas os nossos, que não põem pé em ramo verde, estão tratando de melhorar o time, substituindo nele certos jogadores que reputam fracos. É o que se chama um remonte.

Eu, capitão do time, não consentiria na mudança deixando as coisas no mesmo pé, porque esse, enfim, já conhece o terreno em que vai pisar, daí... Quem anda a pé e que sabe onde lhe aperta o sapato.

A França não contava com o resultado do jogo e quando os brasileiros tiraram o pé do lodo marcando sete gols contra dois, a surpresa foi grande.

Conhecesse ela o refrão dos nossos maiores que diz: Debaixo dos pés se levantam desastres, e certo não cantaria vitória antes do tempo, guardando o riso e a vaia para depois da fritura dos ovos.

Mas o que passou, passou. A verdade é que conseguimos por os pés em Paris... tratemos agora de entrar com o resto do corpo e de cabeça.

Crônica retirada do livro “Os Reis do Futebol”