quinta-feira, 27 de setembro de 2012

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS














Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.


Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 14ª RODADA - JOGO ADIADO - FLAMENGO X ATLÉTICO MINEIRO


Flamengo 2 x 1 Atlético Mineiro – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Ronaldinho recebe marcação cerrada de quase 40 mil rubro-negros, tem noite apagada e, com gols da dupla Love/Liedson, Flamengo conquista vitória que o coloca na metade superior da tábua de classificação.

Para o duelo que, além de valer essenciais três pontos, tinha um enorme peso psicológico, pelo sentimento negativo que a maior parte da torcida rubro-negra nutre por Ronaldinho, Dorival Junior organizou o Flamengo no 4-2-2-2 com: Felipe; Wellington Silva, Frauches, González e Ramón; Cáceres e Amaral; Cléber Santana e Léo Moura; Liedson e Vagner Love. Com a chance de ficar a apenas um ponto da liderança e, assim, continuar a depender apenas de suas forças para ser Campeão, o Atlético Mineiro foi montado pelo Cuca no 4-2-3-1 com: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Richarlyson; Leandro Donizetti e Pierre; Danilinho, Ronaldinho e Escudero; Jô.

Considerado por muitos como a maior rivalidade entre clubes de diferentes estados do futebol brasileiro, este Fla versus “Galo” ainda tinha mais o ingrediente do reencontro entre Ronaldinho e a torcida rubro-negra. Para um confronto deste porte, entrar 100% ligado é essencial. O Flamengo entrou. O Atlético não. O resultado foi uma 1ª etapa onde o Clube da Gávea mostrou uma eficiente marcação pressão, muita disposição, bom jogo de meio-campo com Léo Moura e Cléber Santana – que inclusive mandou um chutaço na trave – e foi para o intervalo com a vitória por um a zero, golão de Vagner Love, aos 21 minutos, em jogada de “Homem Borracha”.

A leve melhora que o Alvinegro apresentou no fim do 1º tempo se concretizaria em empate menos de 5 minutos após o intervalo. Marcos Rocha, que ganhou total liberdade para se movimentar após a entrada de Carlos César no lugar de Leandro Donizetti, fez jogada pela esquerda e Jô completou. Mas o dia, ou melhor, a noite, era do Mengão, e Liedson, aos 10, esbanjou faro de gol para aproveitar arrancada de Wellington Silva – à la Léo Moura nos melhores tempos. Dois a um. A tensão e a indefinição durariam até o apito final. Se por um lado elas poderiam ter sido ainda maiores, caso o zagueiro Réver não cometesse a bobeira de agredir o Cáceres e ser expulso, também poderiam ter sido menores, se a chicotada do “já em casa no Flamengo” Cléber Santana beijasse as redes ao invés do poste, aos 38 minutos.

Não só pelos nomes, mas, e principalmente, pela atitude, o Flamengo dos últimos jogos em nada tem a ver com o apático e infértil time de poucas rodadas atrás. Por um outro ponto de vista, o Atlético Mineiro também não. 

terça-feira, 25 de setembro de 2012

UMA IMAGEM



















O balé de Johan Cruyff

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

OLHO TÁTICO - LIVERPOOL - PREMIER LEAGUE 2012/2013 - 5ª RODADA














Liverpool joga mais de um tempo com um homem a menos, cria mais oportunidades de gols que o Manchester United, mas perde para o grande rival nacional e continua sem vitórias na Premier League 2012/2013.

Para tentar seu primeiro triunfo no Inglês, o treinador Brendan Rodgers escalou o Liverpool no cada dia mais usado 4-2-3-1, com o destaque para o posicionamento do preciso Steven Gerrard como volante, atrás do tripé de meias. Sempre perto da linha central, Gerrard deu qualidade aos passes de sua equipe e ainda descolou alguns lindos e milimétricos lançamentos.

Diante de um adversário com uma postura recuada e no aguardo de espaços para buscar o ataque, o time da "Terra dos Beatles" se manteve praticamente toda a 1ª etapa no campo ofensivo e, mesmo após a expulsão do perdido Shelvey, aos 38 minutos, continuou mais próximo de sacudir o filó. O garoto Sterling, de 17 anos, aberto pelo flanco direito, e o centroavante uruguaio Luis Suárez foram os nomes de maior periculosidade antes do intervalo.

Para encarar um 2º tempo com apenas 10 homens, Rodgers trocou Borini pelo espanhol Suso e organizou duas linhas de quatro, uma na defesa e outra no meio – esta formada, da direita para a esquerda, por Sterling, Gerrard, Allen e Suso. Em menos de cinco minutos, o placar que era de zero a zero já apontava um a um: belos gols de Gerrard e do lateral brasileiro Rafael. Ignorando a desvantagem numérica, os anfitriões viveram um ótimo período até o minuto 25, quando Suso e Suárez infernizaram a defesa rival e deram um baita trabalho ao goleiro Lindegaard.

Vale destacar que, tanto como meia aberto pela esquerda, como mais próximo ao Luis Suárez, posicionamento que adotou após Sterling dar lugar a Henderson, aos 21, o menino Suso mostrou um futebol incisivo que merece atenção. Contudo, aos 30 minutos, Valencia foi tocado por Johnson na área e van Persie converteu o pênalti que deu a vitória aos “Red Devils” e aumentou a sequência sem triunfos do Liverpool para cinco jogos.

Na zona de rebaixamento e com apenas dois pontos conquistados em cinco rodadas, resta ao Liverpool a esperança de que, após criar quase dez boas oportunidades de balançar as redes contra um fechado Manchester United, com o agravante de ter apenas 10 homens durante mais de uma etapa, a situação tende a melhorar. Principalmente se os garotos Sterling e Suso mantiverem a personalidade e o ímpeto que apresentaram no clássico.

domingo, 23 de setembro de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 26ª RODADA - BOTAFOGO X CORINTHIANS








RESULTADOS

Fluminense 2 x 1 Náutico
Figueirense 1 x 3 Palmeiras
Santos 1 x Portuguesa
Botafogo 2 x 2 Corinthians
São Paulo 1 x 0 Cruzeiro
Ponte Preta 0 x 0 Vasco
Atlético Goianiense 1 x 2 Flamengo
Internacional 3 x 1 Bahia
Atlético Mineiro 0 x 0 Grêmio
Sport 1 x 0 Coritiba

ARTILHARIA
12 Gols
Fred (Fluminense)
11 Gols
Bruno Mineiro (Portuguesa)
Luís Fabiano (São Paulo)
10 Gols
Vagner Love (Flamengo)
9 Gols
Alecsandro (Vasco)
Adriano (Figueirense)
Wellington Paulista (Cruzeiro)


Botafogo 2 x 2 Corinthians – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Seedorf, bárbaro, marca duas vezes e Fogão empata com o Corinthians em briga de cachorro grande no Engenhão.

O retorno do holandês Seedorf era o destaque no onze inicial do Botafogo, que foi organizado pelo Osvaldo de Oliveira no 4-2-3-1 com: Jefferson; Lucas, Fábio Ferreira, Dória e Márcio Azevedo; Gabriel e Jadson; Fellype Gabriel, Andrezinho e Seedorf; Elkesson. Com um quarteto ofensivo totalmente diferente do que levantou o caneco da Libertadores, o Corinthians foi montado pelo Tite no 4-2-3-1 com: Cássio; Edenílson, Wallace, Paulo André e Alessandro; Paulinho e Ralf; Romarinho, Douglas e Martínez; Guerrero.

O Bota teve um início dourado como o uniforme que estreava, e em um providencial avanço do Gabriel, Seedorf fez a alegria da galera com apenas cinco minutinhos. Mas o sólido e forte Corinthians não sentiu o momento desfavorável e, antes de o relógio apontar o minuto 15, já havia transformado a desvantagem de um gol em uma vitória parcial por 2 a 1. Em duas cochiladas da defesa alvinegra, Guerrero e Douglas, este de pênalti, viraram o escore. Escore que poderia ter sido ampliado se não fosse uma defesaça do Jefferson após cabeçada do Romarinho. Depois dos elétricos 15 minutos iniciais, o “Timão” conseguiu tirar a alta voltagem do confronto e, ora mais relaxado, ora mais concentrado, levou o jogo até o intervalo sem permitir problemas ao goleiro Cássio nem os levar para o Jefferson.

E assim, “em casa” no Engenhão, o Corinthians foi levando a 2ª etapa do jeito que gosta, ou seja, sem arriscar ofensivamente nem fornecer espaços para o adversário – em alguns momentos, com os recuos de Martínez e Romarinho, a linha defensiva corintiana contava com seis homens. Além dos méritos táticos dos comandados do Tite, vale ressaltar que Andrezinho, Fellype Gabriel e Seedorf, os organizadores botafoguenses, não conseguiam realizar tramas em conjunto. Restava, então, ao Botafogo, um daqueles lances onde a técnica quebra a tática, o imprevisível supera o padrão, o craque vence o conjunto. E ele veio dos mágicos pés de Seedorf, que, aos 29 minutos, recebeu a redonda na esquerda e a colocou para dormir no fundo do gol.

A tranquilidade do Corinthians sofreu um abalo e o Botafogo, na base da empolgação, partiu em busca dos três pontos, o que deixou o duelo quente como em seu início. Porém, uma cobrança de falta do corintiano Jorge Henrique e uma cabeçada do Dória não encontraram as redes e o apito final veio para decretar o empate.

CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO!

- Na volta do “Mago” Deco aos campos, o Fluzão abriu 2 a 0, adotou uma estratégia equivocada para segurar o placar e quase viu o Náutico lhe roubar preciosos pontos. O impossível Fred, é claro, levantou o véu da noiva. Nos últimos 32 jogos de Brasileirão, o goleador tricolor assinalou 31 gols. Pirraça de treinador de Seleção Brasileira tem limites.

- No meio da semana, Íbson afirmou que o Flamengo não vai cair para a Segundona. Contra o Atlético Goianiense, Cléber Santana estreou com gol e Liedson foi às redes pela primeira vez em seu retorno ao Fla. Parece que a palavrinha “confiança” resolveu passar um tempo na Gávea.

- No Independência lotado – o que é uma redundância – Atlético Mineiro e Grêmio fizeram um jogo duro, suado, brigado, tenso, nervoso. Placar final: zero a zero para o Fluminense.

- Na 25ª rodada, o São Paulo fora o único dentre os oito primeiros colocados a conquistar uma vitória. Já neste fim de semana, o Tricolor Paulista voltou a somar três pontos e ainda viu Grêmio, Vasco e Botafogo empatarem. E mais! Diante de 40 mil presentes no Morumbi, o Sampa ainda apresentou Paulo Henrique Ganso. O fim de campeonato são-paulino promete.

sábado, 22 de setembro de 2012

FUTEBOL COM HISTÓRIA - MANDANTES PRA LÁ DE ESPERTOS



No futebol, assim como em qualquer esporte, é impossível triunfar de véspera. São muitos os fatores que aumentam o favoritismo de um lado ou de outro, mas vencer antes do apito inicial, nunquinha. Um dos grandes produtores da sensação de “já ganhou” é o fator casa, como se a Copa do Mundo de 50, maior memória de um mandante derrotado na história do futebol nacional – quiçá mundial – não estivesse presente nos livros.

Os benefícios de atuar em casa são inúmeros, desde a ausência da necessidade de viajar até o apoio da torcida, privilégios que influem diretamente nas estruturas física e psicológica da equipe. Porém, a história guarda dois exemplos de vantagens em ser o anfitrião que são, ao mesmo tempo, folclóricos e de rara esperteza.

Um deles possui como protagonista o infinito zagueiro Mauro Galvão, único nome a receber o prêmio Bola de Prata da Revista Placar, equivalente a estar na Seleção do Campeonato Brasileiro, em três décadas: 1979 e 1985, pelo Internacional, e 1997, quando defendia o Vasco. E foi justamente com a camisa cruz-maltina que o já experiente zagueiro pôs em prática uma vantagem de jogar em casa que poucos seriam capazes. Em São Januário, Mauro Galvão e seus companheiros utilizavam um poste que se encontrava fora das quatro linhas como referência para realizar a linha de impedimento, que, assim, ficava menos “burra”.

A praticidade do treinador Zezé Moreira, um treinador cuja importância tática para o futebol brasileiro é imensurável, também é digna dos mais efusivos aplausos. Diante das dificuldades de Tonho, seu lateral na época em que comandava o Bahia, em encontrar o momento certo para alçar a gorduchinha na área rival, Zezé teve a genial ideia de utilizar os cartazes de publicidade como guia. Deste modo, aconselhou seu jogador a sempre receber a bola na altura da propaganda da Tinturaria Oriente e a cruzar na área logo que chegasse ao cartaz do Café Tamoio. A evolução de Tonho foi enorme!

Tanto a linha de impedimento liderada pelo Mauro Galvão quanto os ensinamentos de Zezé Moreira, mostram muito de uma das principais características da cultura futebolística brasileira: a esperteza. Não no sentido de ludibriar juízes ou adversários, pois isto é picaretagem, mas esperteza no sentido de encontrar maneiras para, com o que tem em mãos, superar os obstáculos que surgem no caminho.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - SUL-AMERICANO 1919


Existem títulos que são bem mais do que apenas um caneco na sala de troféus. Que nos diga o Sul-Americano de 1919, conquistado pelo Brasil de maneira espetacular em uma grande final contra os uruguaios, então Bicampeões Continentais. A empolgação dos torcedores que lotaram o Estádio das Laranjeiras em todos os jogos, o florescer da paixão brasileira pelo “esporte bretão”, a idolatria por Friedenreich... Tudo sobre este histórico triunfo nacional está contado pelo sucinto e agradável texto de Roberto Sander e por imagens preciosas no livro “Sul-Americano de 1919 – Quando o Brasil descobriu o Futebol”.



















Sul-Americano de 1919 – Quando o Brasil descobriu o Futebol
Autor: Roberto Sander
Maquinaria Editora