terça-feira, 16 de outubro de 2012

O RISCO DE NÃO ARRISCAR


A conquista de um caneco estadual nos primeiros meses do ano não é essencial nem pré-requisito para que, em dezembro, um clube esteja a celebrar uma grande campanha no Brasileirão. O motivo é simples: bem mais da metade dos integrantes de qualquer torneio estadual não possui a força necessária para estar na 1ª Divisão Nacional. O que não justifica, porém, dizer que um título após superar os maiores rivais locais, dar a volta olímpica no estádio lotado e comprar o pôster de campeão na banca de jornal no dia seguinte não tenha o seu valor.

Mas se nos Estaduais existe toda uma justificativa tradicional e histórica para duelos onde times de primeiro escalão entram em campo apenas para roubar doces de crianças, não existe um mísero motivo que explique o porquê de a Seleção Brasileira, em sua fase de preparação para um Mundial, ou melhor, um Mundial como mandante, enfrente, em sequência, adversários quase amadores. No exato intervalo de um ano, a Seleção pegou Costa Rica, Gabão, Egito, Bósnia-Herzegovina, África do Sul, China e Iraque, só para ficar nos exemplos mais extremos. Sete jogos, sete datas jogadas no lixo. E que não poderão ser recicladas ou reaproveitadas.

Em que estes mais de 600 minutos de futebol foram úteis? Entrosamento para a equipe? Que nada! Um coletivo entre quatro paredes, sem a presença da imprensa, seria mais valioso para o encaixe dos jogadores. Confiança? Que nada ao quadrado! Neymar não ficou nem um fim de cabelo mais confiante para exercer seu papel de líder técnico da Seleção após o 8 a 0 sobre a China. Deixar de lado os rivais “de categoria” por incapacidade em vencê-los nada mais é do que jogar a poeira para debaixo do tapete. Se não fomos – e talvez ainda não sejamos – capazes de vencer França, Holanda, Alemanha e Argentina, fugir, com certeza absoluta, não é o melhor caminho.

A sustentação desta estratégia de enfrentar “fracos e oprimidos” se baseia pilares falsos. Um deles diz que em época de Eliminatórias pelo mundo fica difícil arrumar adversários fortes disponíveis. Balela! No dia em que o Brasil chinelava 6 a 0 no Iraque, a França estava de folga das Eliminatórias Europeias e disputava um amistoso contra o Japão. Poderia ser contra o Brasil, mas a direção e a comissão técnica da CBF não querem.esta altura do campeonato, eles preferem golear quem não se importa em ser goleado do que enfrentar um Campeão Mundial.

Outra falsa defesa para o esburacado planejamento consiste na importância social da Seleção Brasileira como símbolo, como forma de fazer o país se expressar nos mais diversos cantos do planeta. Daí visitar Gabão e Costa Rica. Conversa pra boi dormir. Não o papel social da Seleção Brasileira, que é assunto seríssimo e merece sim ser muito discutido, mas dizer que algo além do dinheiro que a CBF arrecada é levado em conta na hora de marcar os amistosos atuais.


No bater do martelo e em poucas palavras, enquanto Argentina e Uruguai batalham num estádio lotado e pulsante e França e Espanha lutam no “Velho Continente”, o Brasil passeia no bosque e perde a chance de se acostumar a uma pressão que, em 2014, será de uma magnitude poucas vezes vista.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - EL MILAGRO DEL FUTBOL COLOMBIANO

A cada rodada das Eliminatórias Sul-Americanas que chega ao fim, a Colômbia se aproxima mais e mais do Mundial do Brasil. Podemos dizer, então, que este se trata de um momento pra lá de propício para mergulhar fundo na história de “Los Cafeteros”. El Milagro del Futbol Colombiano foi escrito logo após Valderrama, Rincón, Asprilla, Valencia e companhia golearem a Argentina por 5 a 0, em pleno Monumental de Nuñez, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994. Apesar de focado no então momento mágico vivido pela Seleção comandada por Francisco Maturana, o autor Hernán Peláez Restrepo aproveita a obra para realizar uma viagem pela história do futebol neste país apaixonado pela bola na rede. Um livro difícil de se encontrar em livrarias brasileiras, mas não tanto ao navegar por sites sul-americanos.


El Milagro del Futbol ColombianoParte superior do formulário
Autor: Hernán Peláez Restrepo
Editora Oveja Negra

domingo, 14 de outubro de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 30ª RODADA - GRÊMIO X BOTAFOGO









RESULTADOS
Flamengo 1 x 1 Cruzeiro
Atlético Goianiense 3 x 1 Internacional
Portuguesa 1 x 1 Corinthians
Santos 2 x 0 Vasco
São Paulo 2 x 0 Figueirense
Atlético Mineiro 2 x 1 Sport
Coritiba 2 x 1 Bahia
Náutico 1 x 0 Palmeiras
Fluminense 2 x 1 Ponte Preta
Grêmio 1 x 1 Botafogo

ARTILHARIA
15 Gols
Fred (Fluminense)
Luís Fabiano (São Paulo)
14 Gols
Bruno Mineiro (Portuguesa)
11 Gols
Kieza (Náutico)
Vagner Love (Flamengo)

Grêmio 1 x 1 Botafogo – Olímpico, Porto Alegre (RS)

Fogão e Grêmio batalham no Olímpico em confronto onde vontade, raça e entrega foram protagonistas. Empate afasta alvinegros cariocas e tricolores gaúchos de seus objetivos.

Gilberto Silva, Fernando, Elano, Kléber e Marcelo Moreno. Os desfalques tricolores eram numerosos e “de categoria”, como falam os antigos. Assim, Vanderlei Luxemburgo optou pelo 4-2-2-2 e escalou o Grêmio com: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Naldo e Anderson Pico; Marco Antônio e Souza; Marquinhos e Zé Roberto; Leandro e André Lima. Pelo lado alvinegro, que tem o goleiro Jefferson na Seleção Brasileira, Seedorf – resfriado – e Elkeson escutaram o apito inicial do banco de reservas, e Oswaldo de Oliveiro organizou o Botafogo no 4-2-3-1 com: Renan; Lucas, Antônio Carlos, Dória e Márcio Azevedo; Renato e Gabriel; Vítor Junior, Andrezinho e Fellype Gabriel; Rafael Marques.

Divididas, estouradas, correria, pouco espaço e ainda menos criatividade para descobri-los. Assim foi a etapa inicial onde Grêmio e Botafogo não foram, digamos, muito carinhosos com a pelota e mostraram dificuldade em costurar tramas ofensivas. Não significa, contudo, que o intervalo televisivo foi ausente de “melhores momentos”. Com exceção de uma rápida jogada pela meiúca que terminou em gol do Zé Roberto anulado por impedimento, as bolas aéreas deram o tom. O Grêmio, após dois escanteios consecutivos cobrados por Zé Roberto, fez o torcedor botafoguense prender a respiração com Leandro e Werley. Também em bola parada alçada na área, esta por Andrezinho, Fellype Gabriel obrigou Marcelo Grohe a defesa de cinema.  

Para a etapa final, o que parecia um problema, a contusão do Souza, virou solução quando Léo Gago entrou em seu lugar para acertar um tijolaço de fora da área e fazer o Olímpico explodir em alegria. O relógio apontava cinco minutos e, a partir daí, um novo cenário se fez presente, com os gaúchos em guarda e a espera de espaços para contra-atacar. Ao Botafogo não restava outra opção a não ser encarar o ferrolho e o retrospecto recente de três jogos sem balançar as redes. Já com Seedorf de um lado e o volante Vilson no lugar do centroavante André Lima do outro, o Grêmio teve duas chances de fechar o caixão alvinegro, com Leandro e mais um foguete do Léo Gago, mas Renan não bobeou. O caminhar do relógio deixava a vaca botafoguense mais perto do brejo, e Oswaldo arriscou tudo: entraram Elkeson e Bruno Mendes, saíram Márcio Azevedo e Renato.

Coração na ponta das chuteiras botafoguenses para atacar, veias e artérias como cadarços nas chuteiras tricolores para se defender. Tensão palpável nos instantes derradeiros e... golão do Bruno Mendes para emudecer um Olímpico que já dava sinais de tristeza com o anúncio da virada do Fluminense sobre a Ponte Preta, no Rio de Janeiro. E o Botafogo, mesmo com o jejum de vitórias ampliado para sete jogos, ouviu o apito final sorrindo mais.


CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO

- Bola e mão se encontraram em vários cantos do país nesta 30ª rodada. No passe de Vagner Love para o gol de Liedson, no bloqueio do atleticano Carlos César já no final da vitória do “Galo” sobre o Sport, no pênalti marcado para o Fluminense que Fred converteu e iniciou a virada do líder absoluto. Não é questão de roubar para este ou surrupiar aquele, é  apenas a subjetividade da regra, que faz com que lances semelhantes tenham diferentes interpretações.  

- A fase de Vagner Love não é nada boa. Um espelho: desde que Deivid estreou pelo Coritiba, na 23ª rodada, o ex-atacante rubro-negro já marcou cinco gols, enquanto, no mesmo período, o “Artilheiro do Amor” apenas unzinho. E o Flamengo sente – e muito! – a ausência de bolas nas redes do seu artilheiro.

- Conflitos políticos, atrasos de salários e, principalmente, saídas não repostas de Diego Souza, Fagner, Rômulo e Allan. Em algum momento os problemas vascaínos se transformariam em números. Após 54 rodadas consecutivas, incluso aqui o Brasileirão do ano passado, o Vasco sai da zona nobre da tabela, o famoso e desejado G4.

- Uma escalação que começa com um Rogério Ceni cada dia mais Rogério Ceni e termina com um Luís Fabiano cada dia mais Luís Fabiano justifica a sequência são-paulina de cinco triunfos e um empate e a chegada ao G4. E olha que o São Paulo poderia estar “chorando” a ausência do Lucas, ein.

- Interpretações e equívocos da arbitragem à parte, o leonino Gum não é uma das estrelas do elenco do Fluminense, mas, de umas rodadas para cá, seu suor se mostra tão importante quanto o brilho dos craques tricolores. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!!












Feliz dia das crianças, galerinha!

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS
















Elóigico
 é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 29ª RODADA - VASCO X SÃO PAULO


Vasco 0 x 2 São Paulo – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Rogério Ceni tem atuação histórica, Osvaldo joga uma barbaridade e São Paulo bate Vasco em pleno São Januário. A briga pela vaga na Libertadores nunca esteve tão quente neste Brasileirão.

Ainda na tentativa de suprir a saída do Diego Souza, que já faz um bom tempo, Marcelo Oliveira confiou desta vez no garoto Marlone e mandou o Vasco a campo no 4-3-3 com: Fernando Prass; Jonas, Renato Silva, Rodolfo e Thiago Feltri; Nilton, Juninho Pernambucano e Wendel; Eder Luis, Marlone e Alecsandro. Sem o arisco Lucas, que serve a Seleção Brasileira, assim como o zagueiro vascaíno Dedé, Ney Franco montou o São Paulo no “esquema da moda” 4-2-3-1 com: Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Toloi, Rhodolfo e Cortez; Denílson e Wellington, Douglas, Jadson e Osvaldo; Luís Fabiano.

Para não dizer que o Vasco sequer viu a cor da bola durante os primeiros 45 minutos, o centroavante Alecsandro fez duas boas jogadas de pivô que Eder Luís não soube aproveitar. Fora isso, o São Paulo mandou prender e soltar no 1º tempo. Protegida, muito bem, por Wellington e Denílson, a defesa tricolor anulou o ataque cruz-maltino, carente de inspiração. Em termos ofensivos, ora a valorizar a posse de bola, ora a apostar nos contra-golpes, o Tricolor não só foi às redes com sempre letal Luís Fabiano – em gol à la primórdios do futebol, quando o center-forward rompia por entre os defensores –  como teve uma bola parada com o Rogério Ceni e mais duas chegadas contundentes com o Osvaldo. Osvaldo que, por sinal, foi o mesmo terror de sua melhor época de Ceará e arrepiou a retaguarda carioca.

Logo nos primeiros movimentos pós-intervalo, o encapetado Osvaldo deu um nó daqueles de marinheiro no Auremir, que entrara havia segundos, e assinou um Golaço, assim mesmo, com “G” maiúsculo. Com dois de desvantagem, o Vasco teve um estalo e começou a buscar o ataque com mais intensidade, principalmente depois da entrada do Felipe, aos 13 minutos. Teve arremate longo do Juninho, cabeçada do Alecsandro, chute de dentro da área do Marlone... todas estas finalizações, porém, tiveram o mesmo destino: as mãos únicas e abençoadas de Rogério Ceni. E o ídolo são-paulino ainda guardou sua defesa mais sensacional para o minuto 41, após novo chute do Juninho, que saiu cuspindo abelhas africanas, revoltado com o quilate arqueiro. Neste período, contudo, já era o Sampa quem mais se encontrava perto do gol, através dos contra-ataques do impossível Osvaldo.

Desde a rodada de abertura do Brasileirão no G4, o Vasco vê sua vaga na próxima Libertadores ameaçada como ainda não havia visto. Não só pelo crescimento do São Paulo, mas também porque o Internacional sapecou três a zero no Atlético Mineiro. Os próximos meses serão adrenalina pura. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012 - MEXEU COM MEU TIME? ENTÃO NÃO TE PERDOO!


Em época de eleições, torna-se ainda mais visível o quão passional o brasileiro é quando o assunto é futebol. Não são raros na nossa história os exemplos de bem sucedidas candidaturas políticas de quem já havia sido chutado, escorraçado, enxotado – não nos esqueçamos de que Fernando Collor de Mello é hoje, neste exato segundo, um dos senadores do nosso país. No entanto, alguns candidatos ligados ao Planeta Bola estão longe de contar com a mesma complacência e o perdão dos cidadãos.

O exemplo mais claro de como bola na rede e voto na urna caminham de mãos dadas tem nome Eurico e sobrenome Miranda. No dia 4 de outubro de 1998, o vascaíno não cabia dentro de si de tanto orgulho. O “Gigante da Colina” não só comemorava o seu centenário como, em um intervalo de meses, conquistara o Campeonato Brasileiro de 1997 e a Copa Libertadores de 1998. Todo o amor do torcedor cruz-maltino foi derramado nas urnas e Eurico Miranda, então um vice-presidente com cara de presidente do clube, foi reeleito Deputado Federal com nada menos do que 105.969 votos.

Um salto no tempo e chegamos a 2006. Dentro das quatro linhas, o Vasco está a quilômetros do esquadrão de Edmundo e Juninho Pernambucano, enquanto fora dele, Eurico Miranda se vê envolto em situações tão nebulosas quanto os ambientes que ele poluía com seus inseparáveis charutos. Desta vez, as urnas não foram doces e o então presidente vascaíno, com 30.531 votos, não pôde voltar a ser um Deputado Federal, cargo que já não exercia desde 2002.

Quando o passado cede vez ao presente, o Vasco dá lugar ao seu maior rival, o Flamengo. Durante os últimos 12 anos, a lista de presença na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro sempre contou com o nome de Patrícia Amorim. A ex-nadadora foi eleita em 2000, reeleita em 2004 e eleita pela terceira vez consecutiva em 2008, sempre com mais de 20.000 votos (24.651, 23.036 e 21.140, respectivamente). Em 2009, no meio de seu terceiro mandato como vereadora, Patrícia se tornou presidenta do Flamengo, que então acabara de se consagrar Hexacampeão Brasileiro. Com certeza ela não esperava o tsunami que viria pela frente.

A política interna do Flamengo se tornou o antônimo de paz, e até Zico, maior símbolo e ídolo da história do clube, foi apedrejado pela estrutura que, se não foi criada pela Patrícia, conta com o aval da presidenta. A contratação de Ronaldinho inaugurou um banquete, ou melhor, um rodízio de críticas. Quem quiser procurar equívocos na relação craque-diretoria vai os encontrar sob qualquer ponto de vista. Mais por culpa dos que vestem roupa social do que do que calça as chuteiras, diga-se de passagem. Com a pelota a rolar, o Flamengo repete em 2012 o mesmo desempenho pífio de 2010, quando terminou o Brasileiro a dois pontos da zona de rebaixamento.

Não precisa jogar búzios, ler palma de mão ou consultar números e cartas para saber o que as urnas das eleições municipais de 2012 guardavam para Patrícia Amorim: 11.687 votos e sua primeira não eleição nos anos 2000. E assim, o brasileiro mostra, na “Festa da Democracia” – quanta ironia em uma só expressão! –, que é até capaz de perdoar as rasteiras que um político lhe passa, desde que este, na visão do torcedor, não prejudique seu clube do coração.