quinta-feira, 11 de abril de 2013

UMA IMAGEM


















Assis marca o gol que deu ao Fluminense o título carioca de 1983. Nascia aí um dos grandes ídolos da história tricolor e um dos maiores carrascos do Flamengo. Foto: Hipólito Pereira

COPA LIBERTADORES 2013 - FASE DE GRUPOS - GRÊMIO X FLUMINENSE








Grêmio 0 x 0 Fluminense – Arena Grêmio, Porto Alegre (RS)

Em um cauteloso duelo de tricolores, Grêmio e Fluminense, que jogou todo o segundo tempo com um homem a mais, não saem do zero.

Para fazer a alegria dos quase 40 mil presentes em seu novo estádio, o Grêmio, desfalcado do meia Elano, foi montado pelo Vanderlei Luxemburgo no 4-2-2-2 com: Dida; Pará, Werley, Cris e André Santos; Fernando e Souza; Marco Antônio e Zé Roberto; Vargas e Barcos. A uma vitória de se garantir na próxima fase da Libertadores, o Fluminense foi para o jogo sem o poderoso quarteto formado por Deco, Thiago Neves, Wellington Nem e Fred e organizado pelo Abel Braga no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos; Jean e Edinho; Rhayner, Wágner e Rafael Sóbis; Michael.

Definitivamente, a possibilidade de decidir a vaga para a próxima fase na última rodada tirou de Grêmio e Fluminense aquele ímpeto a mais que um grande jogo possui. Ambos os Tricolores sabiam que o zero a zero no placar os deixariam distantes apenas um pontinho da classificação. Em outras palavras, um placar mudo na Arena Grêmio era o suficiente para que cariocas e gaúchos entrassem na última rodada, contra Caracas e Huachipato, respectivamente, dependendo apenas do empate.

Assim, não é de se estranhar a partida cautelosa e fechada que se deu em Porto Alegre. Na etapa inicial, enquanto o Grêmio manteve a bola em seus pés sem muito fazer com ela, o Fluminense adotou uma postura de contra-ataques sem conseguir sair em velocidade. Soma-se a este cenário um número excessivo de “faltinhas” e o resultado é que os únicos trabalhos realizados por Dida e Cavalieri foram oriundos de jogadas de bola parada. Uma perigosa para cada lado. Quando o intervalo já se aproximava, o zagueiro gremista Cris, experiente e com passagens por grandes times do Brasil e pelo futebol europeu, deu uma bobeada digna de um sub-15, cometeu falta duríssima em Rafael Sóbis e recebeu o cartão vermelho.

A expulsão mudou o panorama do duelo, mas não o seu ritmo. No segundo tempo, era Fluminense que teria a pelota aos seus pés e o Grêmio que ficava no aguardo da chance para contra-golpear. Sem botar fogo no jogo nem deixar os espaços defensivos que o fizeram levar os 3 a 0 no Engenhão, o Fluminense começou a se aproximar da vitória. Perdeu ótimas oportunidades com Sóbis, Rhayner (defesaça do Dida) e Wágner, e ainda viu a arbitragem anular, equivocadamente, um bonito gol do intenso Rhayner. O Grêmio, por sua vez, tentou colocar as manguinhas de fora nos minutos finais em dois tijolaços de fora da área do Fernando, melhor jogador em campo ao lado de Rhayner.

O apito final veio para decretar um resultado que – pelo menos por hora – não incomoda nem gremistas nem fluminenses. Às vezes, porém, a velha mania de se deixar tudo para a última hora cobra o seu preço.

terça-feira, 9 de abril de 2013

FIGURINHA CARIMBADA - RUBENS SALLES
























Rubens de Moraes Salles

Nascido em 14 de outubro de 1891

Faleceu em 21 de julho de 1934

Clubes:
Paulistano (1906 até 1920)

Títulos:
Campeonato Paulista – 1908, 1913 (APEA), 1916 (APEA), 1917, 1918 e 1919 – Paulistano

Dinâmico, completo e tático são adjetivos que não costumam acompanhar os craques que fizeram parte dos primeiros anos do futebol brasileiro, lá pelos idos da década de 1910. No entanto, é impossível falar do center-half (centromédio) Rubens Salles sem tais palavras.

Durante os mais de 10 anos em que vestiu a camisa do lendário Paulistano, Rubens Salles apresentou um futebol que, taticamente, estava acima de sua época. Seu fôlego privilegiado lhe permitia trabalhar como uma sanfona, ora a avançar, ora a recuar, e quando chegava ao ataque o fazia com protagonismo, pois contava com um chute tão potente que deixava os goleiros sem ação.

Sempre enérgico dentro de campo, comandou não só o Paulistano durante a gloriosa década de 10 – que terminaria com o até hoje único Tetra Paulista (16/17/18/19) da história – como também a recém-nascida Seleção Brasileira. Rubens Salles foi um dos onze históricos jogadores que venceram o clube inglês Exeter City por 2 a 0, em 21 de julho de 1914, naquele que foi o primeiro jogo da Seleção Brasileira. E mais, no mesmo ano, no dia 27 de setembro, em Buenos Aires , foi o autor do gol da vitória nacional sobre a Argentina por 1 a 0 que deu ao Brasil a Copa Roca, seu primeiro título.

Cerca de dez anos após pendurar as chuteiras, em 1930, Rubens Salles voltou a viver o futebol de perto, desta vez como treinador do São Paulo da Floresta – que em 1935, após extinto, foi refundado como o atual São Paulo Futebol Clube. E a mescla entre os conhecimentos de Rubens Salles e a categoria de cracaços como Friedenreich, Waldemar de Brito e Araken Patuska culminou com grandes campanhas. Entre 1930 e 1934, o São Paulo da Floresta foi Campeão Paulista de 1931 e quatro vezes vice.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

GÊNIOS DAS PALAVRAS - NELSON RODRIGUES



Flamengo Sessentão

Corria o ano de 1911. Vejam vocês: 1911! O bigode do kaiser estava, então, em plena vigência: Mata Hari, com um seio só, ateava paixões e suicídios; e as mulheres, aqui e alhures, usavam umas ancas imensas e intransportáveis. Aliás, diga-se de passagem: é impossível não ter uma funda nostalgia dos quadris anteriores à Primeira Grande Guerra. Uma menina de catorze anos para atravessar uma porta tinha que se pôr de perfil. Convenhamos: - grande época! grande época!

Pois bem. Foi em 1911, tempo dos cabelos compridos e dos espartilhos, das valsas em primeira audição e do busto unilateral de Mata Hari, que nasceu o Flamengo. Em tempo retifico: - nasceu a seção terrestre do Flamengo. De fato, o clube de regatas já existia, já começava a tecer a sua camoniana tradição náutica. Em 1911, aconteceu uma briga no Fluminense. Discute daqui, dali, e é possível que tenha havido tapa, nome feio, o diabo. Conclusão: - cindiu-se o Fluminense e a dissidência, ainda esbravejante, ainda ululante, foi fundar, no Flamengo de regatas, o Flamengo de futebol.

Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: - a torcida tinha uma ênfase, uma grandiloquência de ópera. E acontecia esta coisa sublime: - quando havia um gol, as mulheres rolavam em ataques. Eis o que empobrece liricamente o futebol atual: - a inexistência do histerismo feminino. Difícil, muito difícil, achar-se uma torcedora histérica. Por sua vez, os homens torciam como espanhóis de anedota. E os jogadores? Ah, os jogadores! A bola tinha uma importância relativa ou nula. Quantas vezes o craque esquecia a pelota e saía em frente, ceifando, dizimando, assassinando canelas, rins, tóraces e baços adversários? Hoje, o homem está muito desvirilizado e já não aceita a ferocidade dos velhos tempos. Mas raciocinemos: - em 1911, ninguém bebia um copo d’água sem paixão.

Passou-se. E o Flamengo joga, hoje, com a mesma alma de 1911. Admite, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Mas o comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. Essa fixação no tempo explica a tremenda força rubro-negra. Note-se: - não se trata de um fenômeno apenas do jogador. Mas do torcedor também. Aliás, time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um César apunhalado. Também é de 1911, da mentalidade anterior à Primeira Grande Guerra, o amor às cores do clube. Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: - quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.

Nelson Rodrigues / Manchete Esportiva – 26/11/1955

domingo, 7 de abril de 2013

CAMPEONATO CARIOCA 2013 - TAÇA RIO - 5ª RODADA - BOTAFOGO X OLARIA














RESULTADOS
Nova Iguaçu 1 x 0 Volta Redonda
Quissamã 0 x 1 Madureira
Botafogo 3 x 0 Olaria
Vasco 2 x 1 Friburguense
Flamengo 1 x 1 Duque de Caxias
Resende 0 x 2 Fluminense
Audax Rio 1 x 0 Macaé
Bangu 1 x 1 Boavista

ARTILHARIA
9 Gols – Hernane (Flamengo)
8 Gols – Charles Chad (Duque de Caxias)
7 Gols – Bernardo (Vasco)

Botafogo 3 x 0 Olaria – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)

Em tarde inspirada de Lodeiro e show de Vitinho, Botafogo não encontra resistência para vencer o Olaria por 3 a 0 e assumir a liderança do grupo A, mesmo com um jogo a menos.

O Botafogo escutou o apito inicial como único 100% na Taça Rio. Para manter a campanha impecável, Oswaldo de Oliveira, que não pôde contar com Jefferson, Dória e Seedorf, montou o time no 4-2-3-1 com: Renan; Lucas, Bolívar, André Bahia e Julio Cesar; Marcelo Mattos e Gabriel; Rafael Marques, Fellype Gabriel e Lodeiro; Bruno Mendes. Com apenas uma vitória em todo o Carioca e vindo de uma sonora goleada por 5 a 0 sofrida na última rodada diante do Friburguense, o Olaria foi a campo escalado pelo Luiz Antônio no 4-1-4-1 com: Gustavo; Lucas, Thiago Campos, Rafael e Erick Brandão; Assis; Lenine, Mehmet Aurélio, Victor Lemos e Valdir; Erick.

Se antes do apito inicial o Olaria se visse diante da proposta “e aí, que tal cancelar o jogo e cada time fica com um ponto?”, não pensaria duas vezes antes de responder positivamente. Desde os primeiros minutos em Volta Redonda, o Botafogo encontrou um adversário totalmente recuado e sem um pingo de ideia de como criar uma jogada ofensiva. Assim, não precisou se esforçar muito para, comandado pelo uruguaio Lodeiro, um jogador que mescla raça, técnica e dinamismo tático, criar ótimas chances para movimentar o placar antes do intervalo, o que só não conseguiu porque o goleiro Gustavo realizou dificílimas defesas.

Melhor em campo em todos os aspectos, o Botafogo precisaria, na etapa final, transformar sua superioridade em gols e evitar que a peleja ganhasse em dramaticidade. E para a alegria alvinegra, Lodeiro, o dono do jogo, recebeu um presentão do zagueiro Thiago Campos e, com apenas 2 minutinhos, abriu o escore. O Azulão da Bariri, mesmo diante de um péssimo resultado e da permanência na lanterna da classificação geral, não mudou em nada sua postura, o que deixou a vida do Fogão ainda mais tranquila. O jogo seguiria em banho não fosse a entrada de Vitinho, aos 28 minutos. Cheio de gás e com arrancadas encapetadas, o garoto detonou a retaguarda olariense, assinou dois golaços e fechou o caixão azul.

Para os que achavam que o Bota tiraria o pé do acelerador após vencer a Taça Guanabara, o que se vê é uma equipe que, rodada após rodada, se mostra mais sólida, entrosada e consciente.

CURTINHAS PELO CARIOCÃO!

- Quando um jogador está em má fase, ele deve buscar o simples dentro de campo. Nada de toque de calcanhar, drible assanhado, chute mirabolante. Fazer o feijão com arroz até a “zica” sair. Já quando um time inteiro está em péssima fase, caso do Flamengo, quem tem que fazer o simples é o treinador. Jorginho, porém, inventa uma nova a cada semana. Ora é time sem homem de área com Hernane no banco, ora Elias na lateral-direita, ora Alex Silva, Ibson e Léo Moura não estão relacionados, ora os mesmos são titulares... Jorginho bem poderia trocar seu relógio de pulso por uma bússola.

- Saiu!!! Depois de 83 jogos, o dedicado e incisivo Rhayner enfim voltou a sacudir o barbante. Se por um lado Rhayner não tem a obrigação de ser o homem-gol tricolor – como disse Abel Braga, Fred e até o próprio – ele, como atacante que o é, também não pode ficar mais de dois anos sem balançar as redes. Falando em homem-gol, a ausência de Fred no decisivo duelo contra o Grêmio pela Libertadores seria a pior notícia que os tricolores poderiam receber.

- Em um torneio que conta com nove clubes que não fazem parte nem da Terceirona do Brasileirão, Flamengo e Vasco conseguiram a “façanha” de serem eliminados de um turno com duas rodadas de antecedência. 

sábado, 6 de abril de 2013

AMISTOSO INTERNACIONAL - BOLÍVIA X BRASIL


Bolívia 0 x 4 Brasil – Estadio Tahuichi Aguilera de Santa Cruz, Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)

No “Jogo da Paz e Amizade”, Brasil passa fácil pela Bolívia e conquista sua primeira vitória após o retorno de Felipão.

Antes mesmo das análises táticas e técnicas que envolveram o amistoso, vale destacar a volta da Seleção Brasileira como protagonista de um jogo cuja importância social supera a esportiva, o que não ocorria desde o ano de 2004, quando visitou o Haiti. Desta feita, a missão principal da “Embaixada de Chuteiras” era demonstrar um sentimento de amizade para com os bolivianos, sentimento este que foi ferido após o assassinato do garoto Kevin Espada por um sinalizador disparado pela torcida do Corinthians num duelo deste contra o São José, em Oruro, há pouco mais de um mês.

O futebol tem uma capacidade enorme de integrar e aproximar, e talvez nenhum símbolo seja tão adorado no Planeta Bola como a Seleção Brasileira. Apesar dos problemas em relação à distribuição da renda (família Espada, jogadores bolivianos Campeões da Copa América de 1963, Federação Boliviana de Futebol), é bom ver que o futebol brasileiro continua querido e capaz de promover alegria aos nossos vizinhos. Vamos ao jogo!

Com apenas quatro titulares que fizeram parte do onze inicial que empatou com a Argentina, pelas Eliminatórias, há menos de duas semanas, a Bolívia foi para o amistoso montada pelo Xavier Azkargorta no 4-2-3-1 com: Galarza; Diego Bejarano, Zenteno, Eguino e Marvin Bejarano; Melean e Veizaga; Arce, Rojas e Campos; Marcelo Moreno. Formada somente por nomes que atuam no “futebol tupiniquim”, o Brasil foi organizado pelo Luiz Felipe Scolari no 4-2-3-1 com: Jefferson; Jean, Dedé, Réver e André Santos; Ralf e Paulinho; Jádson, Ronaldinho e Neymar; Leandro Damião.

Santa Cruz de la Sierra encontra-se a 400 metros acima do nível do mar, o que significa que o Brasil não precisou se preocupar com a temida altitude. Assim, desde o início, os “canarinhos” partiram com tudo para cima da esburacada retaguarda verde e, com apenas três minutos, uma envolvente jogada iniciada por Ronaldinho, desenvolvida por Jádson e Jean, e finalizada por Leandro Damião, inaugurou o placar.  Minuto após minuto a Seleção criava oportunidades para ampliar o escore, que iria para o intervalo apontando 3 a 0: Neymar foi duas vezes às redes.

O Brasil voltou do intervalo com nove jogadores a sonhar com uma cama confortável e Ralf e Osvaldo na busca por garantir um lugar em futuras convocações. A Bolívia até tentou se aproveitar da sonolência brasileira, mas as limitações técnicas e as substituições a granel não a permitiram. Nos acréscimos, Paulinho, Pato e Osvaldo tramaram ótimo lance que Leandro concluiu para dar números finais ao amistoso.

No resumo da ópera, Ronaldinho e Neymar construíram a vitória mesmo sem muito se esforçarem, enquanto Ralf, Leandro Damião e Osvaldo – pela dedicação e bom futebol – souberam aproveitar a oportunidade.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS















Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani