segunda-feira, 15 de abril de 2013

BATENDO BAFO - BRAGANTINO 1991

Tradicional clube paulista, o Bragantino viveu os mais brilhantes capítulos de sua história no início dos anos 90, quando sagrou-se Vice-Campeão Brasileiro de 1991. Surpresa? Sim, se levarmos em conta que o Alvinegro de Bragança Paulista era apenas a segunda agremiação a disputar uma final de Brasileirão (a primeira foi o Guarani), e não, se lembrarmos que o Bragantino havia levantado o caneco do Campeonato Paulista de 1990 e contava com dois futuros Campeões  do Mundo de 1994 com a Seleção Brasileira: no banco o técnico Carlos Alberto Parreira e, no meio-campo, o valente volante Mauro Silva, grande destaque da equipe e escolhido pela Revista Placar como o craque do torneio. Naquele que foi eleito o melhor onze do campeonato, também pela Placar, no tradicional Prêmio Bola de Prata, Mauro Silva tem a companhia do goleiro Marcelo, do lateral-direito Gil Baiano e do atacante Mazinho, todos eles presentes no álbum de figurinhas destacado pela seção “Batendo Bafo”. Os cromos ausentes que chamam a atenção são os dos atacantes Sílvio (goleador do Bragantino na competição) e Franklin (autor do gol – que seria o da classificação após o empate no jogo de volta – contra o Fluminense, em pleno Maracanã, aos 43 minutos do 2º tempo), além do volante Pintado. 







domingo, 14 de abril de 2013

CAMPEONATO CARIOCA 2013 – TAÇA RIO – 6ª RODADA – FLAMENGO X FLUMINENSE















RESULTADOS
Volta Redonda 0 x 0 Olaria
Vasco 3 x 1 Quissamã
Friburguense 2 x 2 Madureira
Botafogo 4 x 1 Nova Iguaçu
Boavista 1 x 2 Duque de Caxias
Macaé 1 x 0 Bangu
Resende 2 x 1 Audax Rio
Flamengo 3 x 1 Fluminense

ARTILHARIA

10 Gols – Hernane (Flamengo)
8 Gols – Charles Chad (Duque de Caxias)
7 Gols – Bernardo (Vasco) e Lodeiro (Botafogo)

Flamengo 3 x 1 Fluminense – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)

Já carta fora do baralho no Cariocão, Flamengo faz sua melhor apresentação na Taça Rio e passa pelo Fluminense com 50 minutos de grande futebol.

Com a batata assando em forno altíssimo, Jorginho voltou a modificar o onze inicial rubro-negro e escalou o Flamengo no 4-2-3-1 com: Felipe; Léo Moura, Renato Santos, González e Ramón; Amaral e Elias; Rafinha, Renato Abreu e Gabriel; Hernane. A depender apenas de si para terminar na liderança do grupo B, o Fluminense foi organizado pelo Abel Braga no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Wallace, Gum, Digão e Carlinhos; Edinho e Jean; Rhayner, Wágner e Rafael Sóbis; Michael.

Uma das máximas mais faladas do futebol brasileiro é a de que clássico não tem favorito. No entanto, é a palavra “surpreendente” que ilustra o futebol jogado pelo Flamengo no primeiro tempo, contra um Fluminense com nove dos onze jogadores que encararam – e bem! – o Grêmio e sua torcida pela Libertadores, na última quarta. Pela primeira vez sob o comando de Jorginho o Fla funcionou. González e Rafael Santos foram sólidos, Elias foi o elo de ligação entre a defesa e o ataque, Gabriel fez a função de um 10 (apesar de jogar mais aberto pela esquerda) e organizou o time ofensivamente, Rafinha e Léo Moura tomaram conta do lado em que Carlinhos – sem a ajuda do meio-campo – foi dominado, e Hernane foi letal. Além do mais, a movimentação dos homens de frente deixou a retaguarda tricolor mais perdida que cupim em metalúrgica.  

Os gols na etapa inicial vieram em cabeçada do Hernane, após jogadaça de Gabriel e Léo Moura, e em pênalti sofrido pelo Rafinha e convertido pelo Renato. O ótimo futebol flamenguista continuou no início do segundo tempo, quando, com menos de 2 minutos, Renato – em boa jornada como meia-ofensivo – aproveitou rebote de Cavalieri e ampliou. Desde que venceu o Vasco por 4 a 2, no já longínquo janeiro, que o Flamengo não jogava tanto, mas a pilha ofensiva acabou. O desejo de recuar para segurar a vitória chamou o Fluminense para o jogo. Rhayner deu as caras, Wágner fez as vezes de arquiteto, Wellington Nem entrou com fome, Rafael Sóbis se infiltrou na área... Por quase 20 minutos o Fla foi só bicuda para frente, enquanto o Flu obrigou Felipe a boas defesas e diminuiu o placar através de Rafael Sóbis, depois de Carlinhos deixar Léo Moura na saudade.

Jorginho, que já trocara Gabriel por João Paulo, colocou Cléber Santana no lugar de Hernane. No Flu, Abel tirou Edinho para a entrada de Felipe. Parecia que a pressão tricolor aumentaria de volume, mas foi só impressão, e quem quase voltou às redes foi o Fla, num chute de Hernane que explodiu na trave. Placar final: Três para um Flamengo que voltou a se entender com a bola depois de meses, e um para um Fluminense que não pode nem sonhar em repetir seu primeiro tempo diante do Caracas, na próxima quinta-feira.

CURTINHAS PELO CARIOCÃO!

- Vai ser difícil o melhor jogador do Cariocão não sair do Botafogo. E mais difícil ainda será escolher um nome dentre Lodeiro, Fellype Gabriel e Seedorf. A fase dos três é tão boa que o Bota nem precisa de todos em campo para conquistar suas vitórias. Desta vez, Lodeiro e Seedorf – em tarde de bailarino da bola – foram mais do que o suficiente para o Fogão colocar o Nova Iguaçu no bolso.

- A Dona Degola foi democrática no Carioca 2013 e levou para a Segundona um estreante, o Quissamã, e um veterano, o Olaria. Juntos, e até o momento, conquistaram apenas duas vitórias em 28 jogos. O fim não poderia ter sido diferente para estes auriazuis.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - FUTEBOL E DITADURA


Poucos sabem, mas o primeiro jogador de futebol anistiado no Brasil é um integrante da família Antunes Coimbra. O nome em questão é o de Nando, irmão menos famoso do quarteto que se completa com os cracaços Antunes, Edu e Zico. Considerado subversivo pelo Governo Militar que comandava o país desde 1964, Nando conta no livro “Futebol e Ditadura” como a perseguição sofrida – inclusive por policiais portugueses do Governo Salazar, durante seu período no Belenenses – o impediu de ter uma carreira tão brilhante quanto a dos seus irmãos, apesar do ótimo ano de 1968 vivido no Ceará. A obra também inclui diversos depoimentos sobre a utilização do futebol pelos militares como instrumento ideológico e de propaganda.





















Futebol e Ditadura – A História de Nando, o primeiro jogador anistiado do Brasil
Centro Cultural Ceará Sporting Club

UMA IMAGEM


















Assis marca o gol que deu ao Fluminense o título carioca de 1983. Nascia aí um dos grandes ídolos da história tricolor e um dos maiores carrascos do Flamengo. Foto: Hipólito Pereira

COPA LIBERTADORES 2013 - FASE DE GRUPOS - GRÊMIO X FLUMINENSE








Grêmio 0 x 0 Fluminense – Arena Grêmio, Porto Alegre (RS)

Em um cauteloso duelo de tricolores, Grêmio e Fluminense, que jogou todo o segundo tempo com um homem a mais, não saem do zero.

Para fazer a alegria dos quase 40 mil presentes em seu novo estádio, o Grêmio, desfalcado do meia Elano, foi montado pelo Vanderlei Luxemburgo no 4-2-2-2 com: Dida; Pará, Werley, Cris e André Santos; Fernando e Souza; Marco Antônio e Zé Roberto; Vargas e Barcos. A uma vitória de se garantir na próxima fase da Libertadores, o Fluminense foi para o jogo sem o poderoso quarteto formado por Deco, Thiago Neves, Wellington Nem e Fred e organizado pelo Abel Braga no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos; Jean e Edinho; Rhayner, Wágner e Rafael Sóbis; Michael.

Definitivamente, a possibilidade de decidir a vaga para a próxima fase na última rodada tirou de Grêmio e Fluminense aquele ímpeto a mais que um grande jogo possui. Ambos os Tricolores sabiam que o zero a zero no placar os deixariam distantes apenas um pontinho da classificação. Em outras palavras, um placar mudo na Arena Grêmio era o suficiente para que cariocas e gaúchos entrassem na última rodada, contra Caracas e Huachipato, respectivamente, dependendo apenas do empate.

Assim, não é de se estranhar a partida cautelosa e fechada que se deu em Porto Alegre. Na etapa inicial, enquanto o Grêmio manteve a bola em seus pés sem muito fazer com ela, o Fluminense adotou uma postura de contra-ataques sem conseguir sair em velocidade. Soma-se a este cenário um número excessivo de “faltinhas” e o resultado é que os únicos trabalhos realizados por Dida e Cavalieri foram oriundos de jogadas de bola parada. Uma perigosa para cada lado. Quando o intervalo já se aproximava, o zagueiro gremista Cris, experiente e com passagens por grandes times do Brasil e pelo futebol europeu, deu uma bobeada digna de um sub-15, cometeu falta duríssima em Rafael Sóbis e recebeu o cartão vermelho.

A expulsão mudou o panorama do duelo, mas não o seu ritmo. No segundo tempo, era Fluminense que teria a pelota aos seus pés e o Grêmio que ficava no aguardo da chance para contra-golpear. Sem botar fogo no jogo nem deixar os espaços defensivos que o fizeram levar os 3 a 0 no Engenhão, o Fluminense começou a se aproximar da vitória. Perdeu ótimas oportunidades com Sóbis, Rhayner (defesaça do Dida) e Wágner, e ainda viu a arbitragem anular, equivocadamente, um bonito gol do intenso Rhayner. O Grêmio, por sua vez, tentou colocar as manguinhas de fora nos minutos finais em dois tijolaços de fora da área do Fernando, melhor jogador em campo ao lado de Rhayner.

O apito final veio para decretar um resultado que – pelo menos por hora – não incomoda nem gremistas nem fluminenses. Às vezes, porém, a velha mania de se deixar tudo para a última hora cobra o seu preço.

terça-feira, 9 de abril de 2013

FIGURINHA CARIMBADA - RUBENS SALLES
























Rubens de Moraes Salles

Nascido em 14 de outubro de 1891

Faleceu em 21 de julho de 1934

Clubes:
Paulistano (1906 até 1920)

Títulos:
Campeonato Paulista – 1908, 1913 (APEA), 1916 (APEA), 1917, 1918 e 1919 – Paulistano

Dinâmico, completo e tático são adjetivos que não costumam acompanhar os craques que fizeram parte dos primeiros anos do futebol brasileiro, lá pelos idos da década de 1910. No entanto, é impossível falar do center-half (centromédio) Rubens Salles sem tais palavras.

Durante os mais de 10 anos em que vestiu a camisa do lendário Paulistano, Rubens Salles apresentou um futebol que, taticamente, estava acima de sua época. Seu fôlego privilegiado lhe permitia trabalhar como uma sanfona, ora a avançar, ora a recuar, e quando chegava ao ataque o fazia com protagonismo, pois contava com um chute tão potente que deixava os goleiros sem ação.

Sempre enérgico dentro de campo, comandou não só o Paulistano durante a gloriosa década de 10 – que terminaria com o até hoje único Tetra Paulista (16/17/18/19) da história – como também a recém-nascida Seleção Brasileira. Rubens Salles foi um dos onze históricos jogadores que venceram o clube inglês Exeter City por 2 a 0, em 21 de julho de 1914, naquele que foi o primeiro jogo da Seleção Brasileira. E mais, no mesmo ano, no dia 27 de setembro, em Buenos Aires , foi o autor do gol da vitória nacional sobre a Argentina por 1 a 0 que deu ao Brasil a Copa Roca, seu primeiro título.

Cerca de dez anos após pendurar as chuteiras, em 1930, Rubens Salles voltou a viver o futebol de perto, desta vez como treinador do São Paulo da Floresta – que em 1935, após extinto, foi refundado como o atual São Paulo Futebol Clube. E a mescla entre os conhecimentos de Rubens Salles e a categoria de cracaços como Friedenreich, Waldemar de Brito e Araken Patuska culminou com grandes campanhas. Entre 1930 e 1934, o São Paulo da Floresta foi Campeão Paulista de 1931 e quatro vezes vice.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

GÊNIOS DAS PALAVRAS - NELSON RODRIGUES



Flamengo Sessentão

Corria o ano de 1911. Vejam vocês: 1911! O bigode do kaiser estava, então, em plena vigência: Mata Hari, com um seio só, ateava paixões e suicídios; e as mulheres, aqui e alhures, usavam umas ancas imensas e intransportáveis. Aliás, diga-se de passagem: é impossível não ter uma funda nostalgia dos quadris anteriores à Primeira Grande Guerra. Uma menina de catorze anos para atravessar uma porta tinha que se pôr de perfil. Convenhamos: - grande época! grande época!

Pois bem. Foi em 1911, tempo dos cabelos compridos e dos espartilhos, das valsas em primeira audição e do busto unilateral de Mata Hari, que nasceu o Flamengo. Em tempo retifico: - nasceu a seção terrestre do Flamengo. De fato, o clube de regatas já existia, já começava a tecer a sua camoniana tradição náutica. Em 1911, aconteceu uma briga no Fluminense. Discute daqui, dali, e é possível que tenha havido tapa, nome feio, o diabo. Conclusão: - cindiu-se o Fluminense e a dissidência, ainda esbravejante, ainda ululante, foi fundar, no Flamengo de regatas, o Flamengo de futebol.

Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: - a torcida tinha uma ênfase, uma grandiloquência de ópera. E acontecia esta coisa sublime: - quando havia um gol, as mulheres rolavam em ataques. Eis o que empobrece liricamente o futebol atual: - a inexistência do histerismo feminino. Difícil, muito difícil, achar-se uma torcedora histérica. Por sua vez, os homens torciam como espanhóis de anedota. E os jogadores? Ah, os jogadores! A bola tinha uma importância relativa ou nula. Quantas vezes o craque esquecia a pelota e saía em frente, ceifando, dizimando, assassinando canelas, rins, tóraces e baços adversários? Hoje, o homem está muito desvirilizado e já não aceita a ferocidade dos velhos tempos. Mas raciocinemos: - em 1911, ninguém bebia um copo d’água sem paixão.

Passou-se. E o Flamengo joga, hoje, com a mesma alma de 1911. Admite, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Mas o comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. Essa fixação no tempo explica a tremenda força rubro-negra. Note-se: - não se trata de um fenômeno apenas do jogador. Mas do torcedor também. Aliás, time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um César apunhalado. Também é de 1911, da mentalidade anterior à Primeira Grande Guerra, o amor às cores do clube. Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: - quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.

Nelson Rodrigues / Manchete Esportiva – 26/11/1955