Tradicional clube paulista, o Bragantino viveu os mais
brilhantes capítulos de sua história no início dos anos 90, quando sagrou-se Vice-Campeão
Brasileiro de 1991. Surpresa? Sim, se levarmos em conta que o Alvinegro de
Bragança Paulista era apenas a segunda agremiação a disputar uma final de
Brasileirão (a primeira foi o Guarani), e não, se lembrarmos que o Bragantino
havia levantado o caneco do Campeonato Paulista de 1990 e contava com dois
futuros Campeões do Mundo de 1994 com a
Seleção Brasileira: no banco o técnico Carlos Alberto Parreira e, no
meio-campo, o valente volante Mauro Silva, grande destaque da equipe e
escolhido pela Revista Placar como o craque do torneio. Naquele que foi eleito
o melhor onze do campeonato, também pela Placar, no tradicional Prêmio Bola de
Prata, Mauro Silva tem a companhia do goleiro Marcelo, do lateral-direito Gil
Baiano e do atacante Mazinho, todos eles presentes no álbum de figurinhas
destacado pela seção “Batendo Bafo”. Os cromos ausentes que chamam a atenção
são os dos atacantes Sílvio (goleador do Bragantino na competição) e Franklin
(autor do gol – que seria o da classificação após o empate no jogo de volta –
contra o Fluminense, em pleno Maracanã, aos 43 minutos do 2º tempo), além do
volante Pintado.
segunda-feira, 15 de abril de 2013
domingo, 14 de abril de 2013
CAMPEONATO CARIOCA 2013 – TAÇA RIO – 6ª RODADA – FLAMENGO X FLUMINENSE
RESULTADOS
Volta Redonda 0 x 0 Olaria
Vasco 3 x 1 Quissamã
Friburguense 2 x 2 Madureira
Botafogo 4 x 1 Nova Iguaçu
Boavista 1 x 2 Duque de Caxias
Macaé 1 x 0 Bangu
Resende 2 x 1 Audax Rio
Flamengo 3 x 1 Fluminense
ARTILHARIA
10 Gols – Hernane (Flamengo)
8 Gols – Charles Chad (Duque de Caxias)
7 Gols – Bernardo (Vasco) e Lodeiro (Botafogo)
Flamengo 3 x 1 Fluminense – Estádio da Cidadania, Volta
Redonda (RJ)
Já carta fora do baralho no Cariocão, Flamengo faz sua melhor
apresentação na Taça Rio e passa pelo Fluminense com 50 minutos de grande
futebol.
Com a batata assando em forno altíssimo, Jorginho voltou a
modificar o onze inicial rubro-negro e escalou o Flamengo no 4-2-3-1 com:
Felipe; Léo Moura, Renato Santos, González e Ramón; Amaral e Elias; Rafinha,
Renato Abreu e Gabriel; Hernane. A depender apenas de si para terminar na
liderança do grupo B, o Fluminense foi organizado pelo Abel Braga no 4-2-3-1
com: Diego Cavalieri; Wallace, Gum, Digão e Carlinhos; Edinho e Jean; Rhayner,
Wágner e Rafael Sóbis; Michael.
Uma das máximas mais faladas do futebol brasileiro é a de que
clássico não tem favorito. No entanto, é a palavra “surpreendente” que ilustra o
futebol jogado pelo Flamengo no primeiro tempo, contra um Fluminense com nove
dos onze jogadores que encararam – e bem! – o Grêmio e sua torcida pela
Libertadores, na última quarta. Pela primeira vez sob o comando de Jorginho o
Fla funcionou. González e Rafael Santos foram sólidos, Elias foi o elo de
ligação entre a defesa e o ataque, Gabriel fez a função de um 10 (apesar de
jogar mais aberto pela esquerda) e organizou o time ofensivamente, Rafinha e Léo
Moura tomaram conta do lado em que Carlinhos – sem a ajuda do meio-campo – foi
dominado, e Hernane foi letal. Além do mais, a movimentação dos homens de
frente deixou a retaguarda tricolor mais perdida que cupim em metalúrgica.
Os gols na etapa inicial vieram em cabeçada do Hernane, após jogadaça
de Gabriel e Léo Moura, e em pênalti sofrido pelo Rafinha e convertido pelo
Renato. O ótimo futebol flamenguista continuou no início do segundo tempo,
quando, com menos de 2 minutos, Renato – em boa jornada como meia-ofensivo – aproveitou
rebote de Cavalieri e ampliou. Desde que venceu o Vasco por 4 a 2, no já longínquo
janeiro, que o Flamengo não jogava tanto, mas a pilha ofensiva acabou. O desejo
de recuar para segurar a vitória chamou o Fluminense para o jogo. Rhayner deu
as caras, Wágner fez as vezes de arquiteto, Wellington Nem entrou com fome,
Rafael Sóbis se infiltrou na área... Por quase 20 minutos o Fla foi só bicuda para
frente, enquanto o Flu obrigou Felipe a boas defesas e diminuiu o placar através
de Rafael Sóbis, depois de Carlinhos deixar Léo Moura na saudade.
Jorginho, que já trocara Gabriel por João Paulo, colocou
Cléber Santana no lugar de Hernane. No Flu, Abel tirou Edinho para a entrada de
Felipe. Parecia que a pressão tricolor aumentaria de volume, mas foi só
impressão, e quem quase voltou às redes foi o Fla, num chute de Hernane que
explodiu na trave. Placar final: Três para um Flamengo que voltou a se entender
com a bola depois de meses, e um para um Fluminense que não pode nem sonhar em
repetir seu primeiro tempo diante do Caracas, na próxima quinta-feira.
CURTINHAS PELO CARIOCÃO!
- Vai ser difícil o melhor jogador do Cariocão não sair do
Botafogo. E mais difícil ainda será escolher um nome dentre Lodeiro, Fellype
Gabriel e Seedorf. A fase dos três é tão boa que o Bota nem precisa de todos em
campo para conquistar suas vitórias. Desta vez, Lodeiro e Seedorf – em tarde de
bailarino da bola – foram mais do que o suficiente para o Fogão colocar o Nova
Iguaçu no bolso.
- A Dona Degola foi democrática no Carioca 2013 e levou para a
Segundona um estreante, o Quissamã, e um veterano, o Olaria. Juntos, e até o
momento, conquistaram apenas duas vitórias em 28 jogos. O fim não poderia ter
sido diferente para estes auriazuis.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - FUTEBOL E DITADURA
Poucos sabem, mas o primeiro jogador de futebol anistiado no
Brasil é um integrante da família Antunes Coimbra. O nome em questão é o de
Nando, irmão menos famoso do quarteto que se completa com os cracaços Antunes,
Edu e Zico. Considerado subversivo pelo Governo Militar que comandava o país
desde 1964, Nando conta no livro “Futebol e Ditadura” como a perseguição
sofrida – inclusive por policiais portugueses do Governo Salazar, durante seu
período no Belenenses – o impediu de ter uma carreira tão brilhante quanto a
dos seus irmãos, apesar do ótimo ano de 1968 vivido no Ceará. A obra também inclui
diversos depoimentos sobre a utilização do futebol pelos militares como
instrumento ideológico e de propaganda.
Futebol e Ditadura – A História de Nando, o primeiro jogador
anistiado do Brasil
Centro Cultural Ceará Sporting Club
UMA IMAGEM
Assis marca o gol que deu ao Fluminense o título carioca de 1983. Nascia aí um dos grandes ídolos da história tricolor e um dos maiores carrascos do Flamengo. Foto: Hipólito Pereira
COPA LIBERTADORES 2013 - FASE DE GRUPOS - GRÊMIO X FLUMINENSE
Grêmio 0 x 0 Fluminense – Arena Grêmio, Porto Alegre (RS)
Em um cauteloso duelo de tricolores, Grêmio e Fluminense, que jogou todo o segundo tempo com um homem a mais, não saem do zero.
Para fazer a alegria dos quase 40 mil presentes em seu novo
estádio, o Grêmio, desfalcado do meia Elano, foi montado pelo Vanderlei Luxemburgo
no 4-2-2-2 com: Dida; Pará, Werley, Cris e André Santos; Fernando e Souza;
Marco Antônio e Zé Roberto; Vargas e Barcos. A uma vitória de se garantir na
próxima fase da Libertadores, o Fluminense foi para o jogo sem o poderoso
quarteto formado por Deco, Thiago Neves, Wellington Nem e Fred e organizado
pelo Abel Braga no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Leandro Euzébio e
Carlinhos; Jean e Edinho; Rhayner, Wágner e Rafael Sóbis; Michael.
Definitivamente, a possibilidade de decidir a vaga para a próxima
fase na última rodada tirou de Grêmio e Fluminense aquele ímpeto a mais que um
grande jogo possui. Ambos os Tricolores sabiam que o zero a zero no placar os
deixariam distantes apenas um pontinho da classificação. Em outras palavras, um
placar mudo na Arena Grêmio era o suficiente para que cariocas e gaúchos entrassem
na última rodada, contra Caracas e Huachipato, respectivamente, dependendo
apenas do empate.
Assim, não é de se estranhar a partida cautelosa e fechada que
se deu em Porto Alegre. Na etapa inicial, enquanto o Grêmio manteve a bola em
seus pés sem muito fazer com ela, o Fluminense adotou uma postura de
contra-ataques sem conseguir sair em velocidade. Soma-se a este cenário um
número excessivo de “faltinhas” e o resultado é que os únicos trabalhos
realizados por Dida e Cavalieri foram oriundos de jogadas de bola parada. Uma
perigosa para cada lado. Quando o intervalo já se aproximava, o zagueiro
gremista Cris, experiente e com passagens por grandes times do Brasil e pelo
futebol europeu, deu uma bobeada digna de um sub-15, cometeu falta duríssima em
Rafael Sóbis e recebeu o cartão vermelho.
A expulsão mudou o panorama do duelo, mas não o seu ritmo. No
segundo tempo, era Fluminense que teria a pelota aos seus pés e o Grêmio que
ficava no aguardo da chance para contra-golpear. Sem botar fogo no jogo nem
deixar os espaços defensivos que o fizeram levar os 3 a 0 no Engenhão, o
Fluminense começou a se aproximar da vitória. Perdeu ótimas oportunidades com
Sóbis, Rhayner (defesaça do Dida) e Wágner, e ainda viu a arbitragem anular,
equivocadamente, um bonito gol do intenso Rhayner. O Grêmio, por sua vez,
tentou colocar as manguinhas de fora nos minutos finais em dois tijolaços de
fora da área do Fernando, melhor jogador em campo ao lado de Rhayner.
O apito final veio para decretar um resultado que – pelo menos
por hora – não incomoda nem gremistas nem fluminenses. Às vezes, porém, a velha
mania de se deixar tudo para a última hora cobra o seu preço.
terça-feira, 9 de abril de 2013
FIGURINHA CARIMBADA - RUBENS SALLES
Rubens de Moraes Salles
Nascido
em 14 de outubro de 1891
Faleceu
em 21 de julho de 1934
Clubes:
Paulistano
(1906 até 1920)
Títulos:
Campeonato
Paulista – 1908, 1913 (APEA), 1916 (APEA), 1917, 1918 e 1919 – Paulistano
Dinâmico,
completo e tático são adjetivos que não costumam acompanhar os craques que
fizeram parte dos primeiros anos do futebol brasileiro, lá pelos idos da década
de 1910. No entanto, é impossível falar do center-half (centromédio) Rubens
Salles sem tais palavras.
Durante
os mais de 10 anos em que vestiu a camisa do lendário Paulistano, Rubens Salles
apresentou um futebol que, taticamente, estava acima de sua época. Seu fôlego
privilegiado lhe permitia trabalhar como uma sanfona, ora a avançar, ora a recuar,
e quando chegava ao ataque o fazia com protagonismo, pois contava com um chute
tão potente que deixava os goleiros sem ação.
Sempre
enérgico dentro de campo, comandou não só o Paulistano durante a gloriosa
década de 10 – que terminaria com o até hoje único Tetra Paulista (16/17/18/19)
da história – como também a recém-nascida Seleção Brasileira. Rubens Salles foi
um dos onze históricos jogadores que venceram o clube inglês Exeter City por 2
a 0, em 21 de julho de 1914, naquele que foi o primeiro jogo da Seleção
Brasileira. E mais, no mesmo ano, no dia 27 de setembro, em Buenos Aires , foi
o autor do gol da vitória nacional sobre a Argentina por 1 a 0 que deu ao
Brasil a Copa Roca, seu primeiro título.
Cerca
de dez anos após pendurar as chuteiras, em 1930, Rubens Salles voltou a viver o
futebol de perto, desta vez como treinador do São Paulo da Floresta – que em
1935, após extinto, foi refundado como o atual São Paulo Futebol Clube. E a
mescla entre os conhecimentos de Rubens Salles e a categoria de cracaços como
Friedenreich, Waldemar de Brito e Araken Patuska culminou com grandes
campanhas. Entre 1930 e 1934, o São Paulo da Floresta foi Campeão Paulista de
1931 e quatro vezes vice.
segunda-feira, 8 de abril de 2013
GÊNIOS DAS PALAVRAS - NELSON RODRIGUES
Flamengo Sessentão
Corria o ano de 1911. Vejam vocês: 1911! O bigode do kaiser
estava, então, em plena vigência: Mata Hari, com um seio só, ateava paixões e
suicídios; e as mulheres, aqui e alhures, usavam umas ancas imensas e
intransportáveis. Aliás, diga-se de passagem: é impossível não ter uma funda
nostalgia dos quadris anteriores à Primeira Grande Guerra. Uma menina de
catorze anos para atravessar uma porta tinha que se pôr de perfil. Convenhamos:
- grande época! grande época!
Pois bem. Foi em 1911, tempo dos cabelos compridos e dos
espartilhos, das valsas em primeira audição e do busto unilateral de Mata Hari,
que nasceu o Flamengo. Em tempo retifico: - nasceu a seção terrestre do
Flamengo. De fato, o clube de regatas já existia, já começava a tecer a sua
camoniana tradição náutica. Em 1911, aconteceu uma briga no Fluminense. Discute
daqui, dali, e é possível que tenha havido tapa, nome feio, o diabo. Conclusão:
- cindiu-se o Fluminense e a dissidência, ainda esbravejante, ainda ululante,
foi fundar, no Flamengo de regatas, o Flamengo de futebol.
Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: - a torcida
tinha uma ênfase, uma grandiloquência de ópera. E acontecia esta coisa sublime:
- quando havia um gol, as mulheres rolavam em ataques. Eis o que empobrece
liricamente o futebol atual: - a inexistência do histerismo feminino. Difícil,
muito difícil, achar-se uma torcedora histérica. Por sua vez, os homens torciam
como espanhóis de anedota. E os jogadores? Ah, os jogadores! A bola tinha uma
importância relativa ou nula. Quantas vezes o craque esquecia a pelota e saía
em frente, ceifando, dizimando, assassinando canelas, rins, tóraces e baços
adversários? Hoje, o homem está muito desvirilizado e já não aceita a
ferocidade dos velhos tempos. Mas raciocinemos: - em 1911, ninguém bebia um
copo d’água sem paixão.
Passou-se. E o Flamengo joga, hoje, com a mesma alma de 1911.
Admite, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Mas o
comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. Essa
fixação no tempo explica a tremenda força rubro-negra. Note-se: - não se trata
de um fenômeno apenas do jogador. Mas do torcedor também. Aliás, time e torcida
completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube
recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as
raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se
crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um César
apunhalado. Também é de 1911, da mentalidade anterior à Primeira Grande Guerra,
o amor às cores do clube. Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma
gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem
acontecido várias vezes o seguinte: - quando o time não dá nada, a camisa é
içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas
tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em
que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada.
Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a
camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.
Nelson Rodrigues / Manchete Esportiva – 26/11/1955
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