sábado, 8 de junho de 2013

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS














Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani

quinta-feira, 6 de junho de 2013

A QUEDA

Nem Parreira, nem Mano Menezes, nem Felipão. Dos últimos treinadores que tiveram a nada fácil missão de comandar a Seleção Brasileira, ninguém foi mais criticado do que Dunga. Por torcedores-não-jornalistas e torcedores-jornalistas, afinal, todo mundo é torcedor no Brasil. E uma maneira corriqueira de espetar o Dunga era dizer que a Seleção Brasileira vencedora das Copas América e das Confederações e invicta contra adversários Campeões do Mundo era montada pelo auxiliar Jorginho, e que ele, Dunga, se colocava apenas como um motivador. Bem, após esta recente passagem de Jorginho pelo Flamengo, pode-se dizer que esta hipótese foi por água abaixo.

E a grande diferença entre Dunga e Jorginho, que acabou se refletindo nos trabalhos do ex-volante, na Seleção, e do ex-lateral, no Flamengo, é a convicção para tomar decisões. Um dos exemplos da convicção de Dunga nas suas escolhas foi a convocação para a Copa do Mundo de 2010 de Doni, Kléberson, Grafite e Júlio Baptista, nomes que não se encontravam em um momento tecnicamente positivo, mas tinham sua confiança. Dunga era tão convicto – tão convicto! – de suas escolhas, que a falta de maleabilidade talvez tenha sido seu grande equívoco.

Jorginho, por sua vez, se mostrou um técnico de convicções descartáveis. Se não, vejamos. Na quarta rodada da Taça Rio, quando o Flamengo tinha um único e pífio ponto em três jogos, Jorginho decidiu barrar o centroavante Hernane. Começou o jogo com Nixon e, antes do intervalo, já sacara o garoto para a volta do então artilheiro do torneio. Atitudes semelhantes repetiram-se em sequência. Às vésperas do Brasileirão, o técnico afirmou que daria um voto de confiança ao mesmo Hernane e o escalou como titular. A confiança, porém, durou apenas 45 minutos, e, para o segundo tempo do jogo contra o Santos, Marcelo Moreno já fazia sua estreia.


Diante do Atlético Paranaense, Renato Abreu e Rafinha, sempre presentes no onze inicial rubro-negro, foram barrados. No jogo seguinte, contra o Náutico, voltaram a ser titulares. Definitivamente, convicção é algo que o Jorginho não demonstrou em sua passagem pelo Flamengo. E com sua queda, cai junto a sua supervalorizada importância na Seleção Brasileira da Era Treinador Dunga. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 - 4ª RODADA – VASCO X ATLÉTICO MINEIRO

Vasco 2 x 0 Atlético Mineiro – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)

Em noite de brilho de seu goleiro Michel Alves, Vasco passa pelo remendado Atlético Mineiro e diminui a pressão na Colina.

Para se recuperar das duas derrotas seguidas, o Vasco contava com o retorno de Carlos Alberto, após quase dois meses longe dos gramados, e foi organizado pelo Paulo Autuori no 4-3-2-1 com: Michel Alves; Elsinho, Luan, Renato Silva e Nei; Sandro Silva, Pedro Ken e Wendel; Carlos Alberto e Alisson; Edmílson. Com ausências do mais alto nível – Réver, Bernard, Diego Tardelli e Ronaldinho Gaúcho – o Atlético Mineiro foi montado pelo Cuca no 3-5-2 com: Victor; Gilberto Silva, Leonardo Silva e Richarlyson; Marcos Rocha, Leandro Donizete, Pierre, Josué e Luan; Guilherme e Jô.

Na teoria, o Vasco apostaria dupla Carlos Alberto/Alisson atrás do centroavante Edmilson, enquanto o Atlético Mineiro estava armado para avançar pelos flancos, com Marcos Rocha, pela direita, e Luan, pela esquerda. Na prática, porém, a primeira etapa foi mais brigada que jogada. Cruz-maltinos e atleticanos lutaram bastante pela bola e com a bola. Em outras palavras, dentre as estruturas fundamentais para um bom desempenho – técnica, tática, psicológica e física –, foi na técnica que ambos os times mais deixaram a desejar. Mas como as defesas também estavam dormidas, os goleiros tiveram que trabalhar. Nos primeiros minutos, Carlos Alberto cabeceou uma bola que Victor salvou no reflexo e arrematou outra que passou pertinho do poste. Depois, foi Michel Alves quem garantiu o zero no placar com três difíceis defesas.

Apesar de Cuca substituir Guilherme por Alecsandro, o jogo voltou no mesmo ritmo: com mais disposição que inspiração e boas defesas de Victor e Michel Alves – que evitou gol quase certo do Alecsandro e, a esta altura, já se colocava como o melhor homem em campo. Aos 17, Autuori trocou Carlos Alberto e Edmílson por Dakson e Tenório. A partir daí, o Vasco viveu seu melhor momento no jogo, com os volantes Pedro Ken e Wendel mais presentes no campo de ataque. O gol, que não veio em cabeçada do Dakson e novo voo do arqueiro Victor, chegou aos 23 minutos, na jogada mais refinada da partida: Alisson tabelou com Wendel e guardou a criança no berço. Na base do bumba-meu-boi, o Atlético partiu em busca do empate, que quase chegou no apagar das luzes, com Alecsandro e Luan, mas lá estava Michel Alves para guardar a meta cruz-maltina.


Já nos acréscimos, a postura para contra-atacar adotada pelo Vasco após o um a zero deu resultado quando Elsinho encontrou Abuda, que fechou o caixão mineiro. Uma vitória importante para deixar São Januário mais calmo durante a pausa para a Copa das Confederações. Quanto ao Atlético Mineiro, o fato de estar vivo na Libertadores não justifica uma campanha de um ponto em três jogos. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - ATLÉTICO MINEIRO X VASCO - 2005


Atlético Mineiro 0 x 0 Vasco

Campeonato Brasileiro de 2005 – 41ª rodada

Estádio Mineirão, Belo Horizonte (MG)

27 de novembro de 2005

ATLÉTICO MINEIRO: Bruno; Cáceres, Lima e Thiago Junio; Rodrigo Dias, Alicio, Rafael Miranda, Tchô (Rodrigo Silva) (Euller) e Rubens Cardoso; Renato e Pablito (Quirino). Técnico: Lori Sandri

VASCO: Roberto; Wagner Diniz (Claudemir), Éder, Luciano e Diego; Ygor (Têti), Amaral, Abedi e Morais; Róbson Luiz (Rubens) e Romário. Técnico: Renato Gaúcho


A 41ª e penúltima rodada do Brasileirão de 2005 ficará para sempre como aquela em que o Vasco jogou a última pá de cal no Atlético Mineiro. O Alvinegro de Belo Horizonte vinha de duas vitórias seguidas e contava com o apoio de sua torcida para seguir vivo na sempre indigesta luta contra a degola. O Mineirão estava lotado de esperança, mas faltava ao Galo os craques dos seus melhores tempos. Na verdade, apesar de ter Romário no seu comando de ataque, o Vasco também estava longe de encantar. Pela obrigação dos três pontos, o Atlético se fez mais presente no campo ofensivo desde o início da partida, mas as melhores oportunidades vieram apenas após o intervalo: Renato, impedido, marcou pelo Galo em lance corretamente anulado pela arbitragem, enquanto Romário bateu pênalti no canto direito de Bruno, que voou para defender. O “Baixinho”, aos 39 anos, terminaria o torneio com 22 gols e a marca de jogador mais velho a alcançar a artilharia do Brasileiro. Com o passar do tempo, o jogo ficou mais aberto e ambos criaram chances para chegar à vitória, mas o apito final veio para decretar o placar mudo e o rebaixamento atleticano. O zero a zero foi ruim para o clube de São Januário, que não conseguiria a vaga para a Copa Sul-Americana de 2006, contudo não existe dúvida de que, no dia 27 de novembro de 2005, a dor do torcedor alvinegro de Minas foi bem maior.

domingo, 2 de junho de 2013

AMISTOSO INTERNACIONAL 2013 - BRASIL X INGLATERRA

Brasil 2 x 2 Inglaterra – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Se ainda não foi desta vez que o Brasil voltou a vencer um Campeão do Mundo – feito que não consegue, com a Seleção principal, desde a saída de Dunga do comando técnico – pelo menos apresentou, durante uma hora, um futebol de gente grande.

No penúltimo amistoso antes da Copa das Confederações, Felipão organizou a Seleção Brasileira no 4-2-3-1 com: Júlio Cesar; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Filipe Luís; Luiz Gustavo e Paulinho; Oscar, Neymar e Hulk; Fred. Segunda colocada no grupo H das Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo, a Inglaterra foi esquematizada pelo treinador Roy Hodgson no 4-3-3 com: Hart; Johnson, Jagielka, Cahill e Baines; Carrick, Jones e Lampard; Walcott, Milner e Rooney.

Peguem o período entre o apito inicial e o gol de Fred, o primeiro oficial do novo Maracanã, aos 11 minutos do segundo tempo. Durante esta quase hora inteira, o Brasil jogou um futebol como há muito tempo não se via. Em termos ofensivos, a Seleção foi agressiva, dominante, profunda e, minuto após minuto, fez a galera soltar aquele “uhhhhhh” característico do quase-gol. Ora com as bolas longas de Thiago Silva e David Luiz – jogadas que, se não forem confundidas com chutões sem direção, são extremamente eficientes –, ora com passes curtos e dribles nos arredores da área inglesa, o Brasil tomou conta do jogo e do quadro de “melhores momentos” do intervalo televisivo, já que a Inglaterra, mesmo com três atacantes, testou as luvas do Júlio Cesar apenas uma vez.

De maneira surpreendente até para o mais visionário dos astrólogos, Felipão voltou para a etapa final com Marcelo e Hernanes nos lugares de Filipe Luís e Luiz Gustavo, ou seja, sacou os dois únicos jogadores de linha que não haviam produzido ofensivamente. O resultado veio num tijolo de Hernanes que explodiu no travessão e sobrou livre para Fred “pegar” a Inglaterra: um a zero. Daí em diante, o Brasil, numa mescla de relaxamento psicológico após um gol conseguido e cautela para garantir uma vitória importante, deixou os ingleses colocarem as manguinhas de fora e pagou o pato: Chamberlain e Rooney, em dois golaços, viraram o placar. Aos 37, já sem apresentar o ímpeto ofensivo que o fizera engolir a Inglaterra por 60 minutos, o Brasil conseguiu o empate em jogadaça de Lucas e golaço de Paulinho. Empate que se não foi o melhor dos resultados, também não foi o pior.


Por causa da primeira hora do embate, pode-se dizer, sem dúvidas, que esta foi a melhor atuação após o retorno de Felipão, e que, com este futebol, a Seleção tem tudo e mais um pouco para passar sem desespero pela difícil fase de grupos da Copa das Confederações. 

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 - 3ª RODADA - BOTAFOGO X CRUZEIRO

Botafogo 2 x 1 Cruzeiro – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)

Lodeiro marca duas vezes e Fogão consegue grande vitória sobre o Cruzeiro. Triunfo é o nono do Glorioso em nove jogos disputados em Volta Redonda neste ano de 2013.

Sem poder contar com o goleiro Jefferson e o garoto Dória, ambos servindo a Seleção Brasileira, sendo o zagueiro na categoria sub-20, além do contundido Fellype Gabriel, o Botafogo foi esquematizado pelo Oswaldo Oliveira no 4-2-3-1 com: Renan; Lucas, Bolívar, Antônio Carlos e Julio Cesar; Gabriel e Marcelo Mattos; Lodeiro, Seedorf e Vitinho; Rafael Marques. A formação 4-2-3-1 também foi a escolhida pelo Marcelo Oliveira, que, com o desfalque do atacante Borges, escalou o Cruzeiro com: Fábio; Ceará, Dedé, Bruno Rodrigo e Egídio; Leandro Guerreiro e Nilton; Dagoberto, Diego Souza e Éverton Ribeiro; Anselmo Ramón.

Na molecagem de Vitinho, o Botafogo largou na frente do placar aos 6 minutos: o menino arrancou pela esquerda como uma bala, finalizou e, no rebote, Lodeiro colocou a criança no berço. O mesmo Vitinho ainda obrigaria Fábio a realizar boa defesa, mas o fogo do Bota na etapa inicial acabaria por aí. De maneira irreconhecível, para quem vem jogando um futebol tão redondo em 2013, o Alvinegro passou a exagerar nas bolas rifadas, e o Cruzeiro, pouco a pouco, começou a aproveitar a maior posse de bola. Perdeu duas chances à queima roupa em um mesmo lance com o Anselmo Ramón, que, em seguida – vejam como é a vida de centroavante – empatou em arremate que bateu na trave e nas costas do goleiro Renan antes de entrar. Bem postado e distribuído no campo de ataque, a Raposa por pouco não foi para o intervalo com uma vitória parcial através de Éverton Ribeiro e Dagoberto.

O Cruzeiro não só terminou melhor o primeiro tempo como voltou superior após o intervalo. Em menos de 10 minutos, Éverton Ribeiro, Diego Souza e Dagoberto deixaram a retaguarda alvinegra de pernas para o ar e estiveram a um triz de virar o escore. Mas aí – coisas do futebol – o Fogão foi lá e pimba. Lucas adentrou a área, foi atingido por uma bicicleta imprudente do volante Nilton e Lodeiro converteu o pênalti. O gol fez um bem enorme ao Bota, que viveu seu melhor momento ofensivo na partida. Em ordem cronológica, Gabriel mandou um tijolaço de fora da área, Vitinho quase deixou o seu em linda jogada individual e Júlio César acertou a trave depois de bela assistência de Rafael Marques.


Não faltou oportunidade para o Botafogo chegar ao terceiro gol e mandar a vaca azul para o brejo, porém, como não o fez, o Cruzeiro criou forças e partiu em busca do empate. Chegou a acertar o poste com o Luan e exercer uma pequena pressão nos minutos finais, até que o apito final chegou para decretar a vitória alvinegra. Vitória maiúscula, diga-se de passagem, pois tanto o Botafogo como o Cruzeiro possuem condições de chegar à reta final do torneio sonhando alto.

sábado, 1 de junho de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - BOTAFOGO X CRUZEIRO - 1995

Botafogo 0 x 0 Cruzeiro

Campeonato Brasileiro de 1995 – Semifinal – Jogo de volta

10 de dezembro de 1995

Estádio Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

BOTAFOGO: Wagner; Wilson Goiano, Gonçalves (Grotto), Gottardo e André Silva (Iranildo); Leandro Ávila, Jamir, Beto (Moisés) e Sérgio Manoel; Donizete e Túlio. Técnico: Paulo Autuori

CRUZEIRO: Dida; Paulo Roberto, Vanderci, Gélson Baresi e Nonato; Beletti (Luís Fernando), Alberto (Serginho) e Fabinho; Paulinho McLaren, Roberto Gaúcho e Marcelo Ramos (Dinei). Técnico: Jair Pereira

Às vésperas do segundo jogo da semifinal do Brasileirão de 1995, Botafogo e Cruzeiro deixaram os apostadores da loteria esportiva com a cabeça a mil diante de tamanho equilíbrio. Se o Azul Mineiro realizara a melhor campanha da primeira fase, o Alvinegro Carioca não fizera por menos e terminara a segunda fase como o primeiro classificado. Cravar um favorito era impossível, mas havia uma certeza geral de que não faltariam gols, afinal as duplas de ataque botafoguense e cruzeirense eram sinônimos de bola na rede. No Fogão, Túlio Maravilha e Donizete terminariam o torneio com 29 dos 46 gols alvinegros, enquanto na Raposa, Marcelo Ramos e Paulinho McLaren seriam donos de 26 dos 41 tentos azuis ao fim do campeonato. Após o 1 a 1 no jogo de ida, no Mineirão, o Botafogo, por ter melhor campanha, jogava por nova igualdade para avançar à decisão. Vantagem que, no entanto, não impediu o goleiro cruzeirense Dida de levar três bolas na trave. O Cruzeiro também acertou o poste uma vez e levou perigo à meta defendida pelo alvinegro Wagner. Chances para lá, chances para cá, mas, no final, o zero não saiu do placar. Coisas do futebol. Dois dos melhores ataques do país em campo e nada de grito de gol. Melhor para o Botafogo, que se classificou para a final, e, logo na semana seguinte, levantou o caneco do Brasileiro de 1995 ao superar o Santos.