terça-feira, 18 de junho de 2013

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - FOOTBALL AGAINST THE ENEMY

O hoje conceituado autor Simon Kuper deu o seu pontapé inicial no mundo da literatura esportiva com “Football Against the Enemy”, uma viagem ao mundo do futebol: do leste europeu à África à América à Grã-Bretanha. Uma viagem mesmo, pois para escrever o livro Kuper passou por 22 países em menos de um ano. A obra é um espelho do tradicional slogan futebolístico “mais que um jogo”. Qual seria o lugar do futebol no mundo e como este se relaciona com política, religião, economia? Estas são respostas que, mesmo não definitivamente, o leitor vai encontrar com sólidos argumentos em “Football Against the Enemy”.






















Football Against the Enemy
Autor: Simon Kuper
Editora: Orion 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

COPA DAS CONFEDERAÇÕES 2013 - ILUMINADOS E ILUMINADORES

Dentro do seleto grupo de craques, existem aqueles, raros, que além de brindarem os torcedores com lances plasticamente encantadores e relevantemente decisivos, fazem os companheiros renderem melhor. O fim de semana de Copa das Confederações mostrou que Pirlo e Iniesta são assim. Gigantes da bola cuja luz própria ilumina o time como um todo.

Aos 34 anos, Pirlo parece jogar no modo “piloto automático”. Flutua pelos espaços vazios do campo com a naturalidade de quem sai do quarto e vai à cozinha para beber uma água. Em sua cabeça, as opções se tornam decisões em um estalar de dedos. Está na defesa para não permitir que os zagueiros rifem a bola – e, assim, eles, os zagueiros, parecem menos brutos e limitados. Quando na meiúca, Pirlo facilita a vida dos meio-campistas ao ser sempre a opção mais fácil. Sabem aquele famoso “toca pra quem sabe”? Pois então, Pirlo, “o que sabe” está sempre ali, a poucos metros, para ajudar o “que não sabe”. E se adentra o campo ofensivo, Pirlo tem uma capacidade sobrenatural de antever a movimentação dos avantes, o que quase sempre resulta em passes açucarados e “melhores momentos”.

Iniesta não volta tanto à defesa para ajudar a saída de bola quanto Pirlo o faz. Não volta porque não precisa, pois no estilo de jogar dos espanhóis a bola já sai redonda. E não fosse Iniesta em campo, a bola da Espanha ficaria “redondando” de um lado para o outro ainda mais tempo do que já fica. O pequenino camisa seis não só não erra passes como é o principal responsável por dar mais fúria à troca de bola “ad infinitum” de sua equipe. É ele, Iniesta, quem puxa o gatilho, quem vira a chave, quem faz a mágica acontecer. E sua importância está não somente em ser o espanhol com maior criatividade ofensiva, mas em saber, com precisão cirúrgica, a hora em que a retaguarda rival perdeu a paciência e deixou aquele espaço que não poderia.


 A vitória da Itália sobre o México rendeu a Pirlo, autor de um golaço de falta, o prêmio de melhor em campo. A da Espanha no Uruguai, premiou Iniesta. No entanto, mais do que comerem a bola, estes dois gênios fizeram seus companheiros jogarem um futebol mais refinado, se sentirem mais craques.

sábado, 15 de junho de 2013

COPA DAS CONFEDERAÇÕES 2013 - ALIENANTE?

Brasil 3 x 0 Japão – Estádio Mané Garrincha, Brasília (DF)

Sem ser espetacular, o Brasil jogou bem, foi às redes com rara beleza – que golaço, Neymar! – e deu a impressão de que a nova “Família Scolari” deu um passo a mais na sua formação. Mas diante das sonoras vaias direcionadas pela torcida a Presidente Dilma Roussef – tão sonoras que o Presidente da FIFA, Joseph Blatter, chegou até a pedir respeito e “jogo limpo” – as análises técnicas, táticas, físicas e psicológicas do que ocorreu nos 90 minutos perderam espaço.

Uma vertente conhecida pelo termo reducionista classifica o futebol como somente um agente alienante. Segundo ela, basta que a pelota estufe o barbante para que o torcedor esqueça todas as mazelas que assolam o país e os governantes, que teriam controle sobre a “ferramenta de dominação” chamada futebol, ganhem carta-branca para dar sequência a uma estrutura social hierarquizada onde eles, os governantes, estão sempre próximos ao topo. O estrondoso apupo que ecoou pelo Estádio Mané Garrincha e acanhou Dilma a ponto de a fazer querer se livrar do microfone o mais rápido possível durante o discurso de abertura, mostra que reduzir o futebol somente a “ópio do povo” é uma atitude que precisa ser refletida.

Roberto DaMatta, uma palavra que merece ser ouvida quando o assunto é o papel social do futebol, clareou da maneira que lhe é peculiar a relação entre Seleção Brasileira e alienação. Há exatos 15 anos, o antropólogo se perguntava e se respondia: “Alienar como, se a imensa paixão é pelo Brasil? Como alienar, se a densidade do elo torcedor-Brasil se faz justamente pelo fato de o Brasil ser o que é: um país que só faz manchete internacional por suas vergonhas? [...] Fosse o país uma Suíça em tamanho grande, a paixão seria por outras coisas. Mas é o fato de o Brasil ser o que é e ter o que tem tido que desperta tudo isso”.


Minutos antes do apito inicial no Mané Garrincha, a torcida estava a imaginar o que viria pela frente. “O que estes japoneses podem aprontar?”, se perguntavam uns. “Eles já estão garantidos na Copa do Mundo”, lembravam outros. “Estreia é sempre perigoso”, alertavam. Isto não é alienação, é viver o momento. Como se vive um momento íntimo de casal, um filme no cinema ou um livro na varanda de casa. Aí, surge no telão, de microfone em punho, a Presidente do Brasil. Naquele momento, para a maioria dos presentes, ela representava as condições precárias de saúde, educação e transporte, o aumento no preço dos alimentos, a falta de segurança... Livres de um suposto ópio, os torcedores soltaram as vaias. Justamente no estádio que custou mais de 1,5 bilhão aos cofres públicos.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

BATENDO BAFO - FLAMENGO CAMPEÃO BRASILEIRO DE 1987

Poucos são os times na história do nosso futebol que conseguiram mesclar experiência e juventude com tanta perfeição como o Flamengo Campeão Brasileiro de 1987. Entre os jovens com no máximo 23 anos, o Rubro-Negro contava com Jorginho, Aldair, Leonardo, Zinho e Bebeto. Os amigos viram alguma semelhança entre os cinco citados? Pois é, todos foram titulares da Seleção Brasileira Tetra Mundial de 1994 – Leonardo até ser expulso contra os EUA. Na turma dos mais velhinhos, Leandro, Andrade, Nunes e Zico traziam a experiência do esquadrão do início da década de 80, aquele que conquistou o Brasil três vezes, a América e o mundo. A estes craques consagrados e diamantes em processo de lapidação, soma-se ainda Renato Gaúcho, que terminaria o Brasileiro com a Bola de Ouro da Revista Placar, prêmio dado ao melhor jogador do torneio. Uma verdadeira Seleção em vermelho e preto!





quinta-feira, 13 de junho de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 – 2ª RODADA ADIADA – PORTUGUESA X FLUMINENSE







ARTILHARIA
3 Gols
Éderson (Atlético Paranaense)
Fernandão (Bahia)
Maxi Biancucchi (Vitória)

Portuguesa 2 x 1 Fluminense – Canindé, São Paulo (SP)

Apesar de mais um golaço de Rafael Sóbis, Fluminense perde para a Portuguesa no Canindé e deixa escapar a chance de “entrar de férias” na liderança do Brasileirão.

Para conquistar sua primeira vitória no campeonato e, consequentemente, fugir da zona de rebaixamento,  a Portuguesa foi organizada pelo Edson Pimenta no 4-3-2-1 com: Glédson; Luís Ricardo, Lima, Valdomiro e  Rogério; Bruninho, Corrêa e Matheus; Cañete e Souza; Diogo. Com um objetivo completamente oposto ao da Lusa, o Fluminense, na busca pela liderança, foi para o jogo esquematizado pelo Abel Braga no 4-3-3 com: Ricardo Berna; Bruno, Gum, Digão e Carlinhos; Edinho, Diguinho e Wágner; Rafael Sóbis, Biro Biro e Samuel.

Juntos, Lusa e Flu iniciaram o confronto com mais de dez desfalques, o que, sem dúvidas, tanto pelo nível técnico como pelo entrosamento, prejudicou a apresentação de ambos. Coletivamente, as tramas ofensivas não se desenvolveram de maneira refinada nem pelo lado rubro-verde nem pelo tricolor, e foi preciso que Souza e Rafael Sóbis acertassem dois chutes longos de raríssima precisão para que as redes fossem balançadas na etapa inicial. Souza o fez aos 22, após deixar Diguinho sentado na grama, enquanto aos 36, Sóbis, o melhor jogador do Flu neste 2013 corrente, cobrou uma falta com tamanha potência e efeito que merecia ser estuda por institutos de Física pelo mundo afora.

A maior posse de bola e a postura mais adiantada do Fluminense ficaram ainda mais visíveis após o intervalo, assim como os avanços do lateral-esquerdo Carlinhos. No entanto, a conquista do terreno adversário pelo Flu não representou muito trabalho para o goleiro Glédson – vide que Abel sacou Biro Biro e Wágner para as entradas de Eduardo e Denílson, na tentativa de ganhar mais poder de fogo. A Lusa, que já havia mostrado em bolas paradas alçadas na área que não estava morta, passou seu atestado de vida aos 37 minutos, quando o cada dia mais frágil sistema defensivo tricolor permitiu Rogério colocar a redonda na cabeça de Diogo, que, mesmo acossado por Digão, cabeceou para o fundo das redes. Dois a um que quase virou três, não tivesse um contra-ataque tão bem montado por Matheus e Souza sido desperdiçado por Diogo, já nos acréscimos.


Para que durante a pausa para a Copa das Confederações o brasileiro não se esqueça da imprevisibilidade de seu Campeonato Nacional, a Portuguesa, então lanterna e sem vitórias, superou o Fluminense, que ouviu o apito inicial como time de melhor aproveitamento do torneio. Quem conhece o Brasileirão não se surpreende. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - SÃO PAULO X GRÊMIO - 1981


São Paulo 0 x 1 Grêmio

Campeonato Brasileiro de 1981 – Segundo jogo da final

Morumbi, São Paulo (SP) – Público: 95.106

SÃO PAULO: Waldir Peres; Getúlio, Oscar, Darío Pereyra e Marinho Chagas; Élvio, Renato e Éverton (Assis); Paulo César, Serginho e Zé Sérgio. Técnico: Carlos Alberto Silva.

GRÊMIO: Leão; Paulo Roberto, Newmar, De León e Casemiro; China, Paulo Isidoro e Vilson Tadei (Jurandir); Tarciso, Baltazar e Odair (Renato Sá). Técnico: Ênio Andrade.

Gols: Baltazar (Grêmio), aos 20’ do 2º tempo.


Para conquistar o primeiro título do Brasileirão de sua história, o Grêmio precisava empatar com o São Paulo no Morumbi, o que estava longe de ser uma missão fácil diante da verdadeira seleção que era o adversário – só para citar os que participaram de Copa do Mundo, o Sampa contava com Waldir Peres, Oscar, Darío Pereyra, Marinho Chagas, Renato “Pé Murcho”, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Mas o Tricolor Gaúcho, que vencera o jogo de ida por 2 a 1 de virada, dois gols do craque Paulo Isidoro, também tinha os seus trunfos. E não eram poucos. O goleirão Leão e o “Flecha Negra” Tarciso davam a experiência a um time que tinha o jovem lateral Paulo Roberto, o raçudo uruguaio Hugo De León, o dinâmico meia Vilson Tadei, o “Caçador de Invencibilidades” Renato Sá e o goleador Baltazar. E foi justamente o “Artilheiro de Deus” Baltazar quem marcou um golaço de fora da área, silenciou os quase 100 mil são-paulinos no Morumbi e decretou o Grêmio Campeão Brasileiro de 1981.

terça-feira, 11 de junho de 2013

AS INTERROGAÇÕES DE FELIPÃO

Curto e sem ser grosso: o Brasil entra na Copa das Confederações para ganhar. As cinco estrelas sobre o escudo nos credenciam a qualquer campeonato. Ser um dos favoritos, porém, não apaga o fato de que Felipão precisará montar o seu time ao longo da competição.

David Luiz ou Dante ou os dois? Luiz Gustavo ou Fernando ou os dois? Paulinho ou Hernanes ou os dois? Hulk ou Lucas? Oscar escuta o apito inicial do campo ou do banco? A cabeça de Felipão deve estar a mil, assim como a cabeça do torcedor que se preocupa com a Seleção e sabe da importância da Copa das Confederações. Dentre as dúvidas de Scolari, a menor é a escalação de David Luiz como volante ou zagueiro. O cabeludo do Chelsea jogou à frente da zaga apenas uns minutinhos contra a França, quando a vitória já estava decidida, e deve ser mesmo defensor. As interrogações na cuca do treinador estão, principalmente, no setor de meio-campo.

Sumido nas etapas iniciais diante da Inglaterra e da França, Paulinho se soltou quando teve Fernando e Hernanes ao seu lado – fez o gol de empate contra os ingleses e puxou o contra-golpe do segundo tento diante dos franceses. Falando em Hernanes, o camisa oito foi de grande eficiência ofensiva nos últimos dois amistosos: acertou um tijolo no travessão que Fred aproveitou o rebote para fazer 1 a 0 na Inglaterra e transformou em gol um belo contra-ataque diante da França. Em todos estes momentos de Paulinho e Hernanes que resultaram em bola na rede Oscar não estava em campo. Logo o Oscar, que talvez tenha sido o melhor jogador brasileiro somando-se os dois amistosos recentes.

Com certeza a decisão de Felipão por seu meio-campo ideal só virá com o caminhar da Copa das Confederações. Assim como quem será o titular dentre Hulk e Lucas. Hulk consegue mesclar intensidade, força e luta com bom futebol. É boa opção pelos flancos, mas a torcida brasileira gosta mesmo é do Lucas, que tem correspondido quando entra: dos cinco gols canarinhos contra Inglaterra e França, participou diretamente de três. Lucas não parece mais estar naquele grupo dos jogadores reservas que podem entrar para colocar fogo no jogo. É titular absoluto do estrelado PSG e está louco para ser também da Seleção.

Hoje, às vésperas da Copa das Confederações, Felipão ainda não tem seu time pronto. Pelo contrário, está longe disso. Mas, pelo menos, tem as opções para buscar a melhor formação. E terá que fazê-lo durante uma competição que vale muito, e que a história e a torcida da Seleção não a permitem encarar como laboratório.