sábado, 7 de setembro de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - BAHIA X FLUMINENSE - 1988

Bahia 2 x 1 Fluminense

Campeonato Brasileiro 1988 – segundo jogo da semifinal

Fonte Nova, Salvador (BA)

12 de fevereiro de 1989

Público: 110.438 pagantes

Bahia: Ronaldo; Tarantini, Newmar, Claudir e Edinho; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô; Gil Sergipano, Charles e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo.

Fluminense: Ricardo Pinto; Carlos André, Édson Mariano, Edinho e Eduardo; Jandir, Donizete e Paulo Andreolli; Cacau (Sílvio), Washington e Romerito (Zé Maria). Técnico: Sérgio Cosme.

A Fonte Nova nunca recebera tanta gente como naquele 12 de fevereiro de 1989: inacreditáveis 110.438 pagantes, número que – somado aos 30 mil que ficaram fora do estádio – ilustrava o momento especial vivido pelo Bahia. Três décadas depois de derrotar o Santos de Pelé e conquistar a Taça Brasil de 1959, o Tricolor de Aço se colocava, uma vez mais, como protagonista no cenário nacional ao chegar a semifinal do Brasileiro de 1988. O adversário baiano na lutava pela vaga na decisão era o Fluminense do ícone tricolor Edinho, do craque paraguaio Romerito e do goleador Washington, que apenas dois minutinhos após o apito inicial já abria o placar para o Flu. Com o empate sem gols no Maracanã, no jogo de ida, o Bahia do treinador Evaristo de Macedo não tinha outra alternativa que não a de se lançar ao ataque. Ainda na etapa inicial, aos 20, Bobô, o grande símbolo daquele time, igualou o escore. Mas a festa maior viria somente aos 10 minutos do segundo tempo, quando Gil Sergipano decretou a virada e confirmou a classificação para a grande final, contra o Internacional. Final esta que o Bahia transformaria em um dos maiores triunfos de seus mais de 80 anos. Mas essa já é outra história...


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

100 ANOS DE LEÔNIDAS DA SILVA



















6 de setembro de 2013.

Centenário do nascimento de Leônidas da Silva.

Dia de confirmar que crer sem ver é mais saboroso.

Dia de lembrar o quanto o esporte pode ser mágico.

Dia de apreciar a arte feita com os pés.

Dia de acreditar que existe algo de divino no futebol.

Dia de desejar a veracidade absoluta da reencarnação.

Dia de lamentar pelos que acham que são apenas 22 homens atrás de uma bola.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 – 18ª RODADA – ATLÉTICO MINEIRO X FLUMINENSE



Atlético Mineiro 2 x 2 Fluminense – Independência, Belo Horizonte (MG)

Fluminense fica duas vezes em vantagem, mas maestria de Ronaldinho nas bolas paradas faz a diferença e embate com o Atlético Mineiro termina empatado.

Ainda na busca por engrenar após a conquista da Libertadores, o Atlético Mineiro, que iniciava a rodada com apenas 41.2% de aproveitamento, foi escalado pelo Cuca no 4-1-4-1 com: Victor; Michel, Leonardo Silva, Réver e Richarlyson; Pierre; Luan, Diego Tardelli, Ronaldinho e Fernandinho; Guilherme. Na beirada da zona de rebaixamento, o Fluminense chegou a Minas Gerais repleto de desfalques – Fred, claro, o principal deles – e montado por Luxemburgo no 4-3-3 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Anderson e Carlinhos; William, Edinho e Wágner; Rafinha, Rhayner e Rafael Sóbis.

Há menos de um ano, no mesmo Independência, Atlético Mineiro e Fluminense entravam em campo para o duelo mais aguardado do Brasileirão 2012. Duelo este que foi eletrizante e terminou em vitória do Galo após gol de cabeça do zagueiro Leonardo Silva no apagar das luzes. Hoje, com o 1º turno próximo ao fim, nem o Alvinegro Mineiro nem o Tricolor Carioca consegue apresentar um futebol próximo ao do ano passado, fato que, no entanto, não impediu o confronto de ser agitado.

Com pequenas variações de intensidade, pode-se dizer que a partida teve a mesma cara durante os 90 minutos. O Flu a apostar nos contra-golpes em velocidade e o Atlético, assim como na reta final da Libertadores, a buscar o ataque mais na base do “vamo-que-vamo” do que na paciência e refino. A estratégia tricolor deu certo primeiro, quando, logo aos 13, Wágner encontrou Rafinha e, depois, apareceu na área para aproveitar falha de Luan. Aos 36, em novo contra-ataque, Sóbis não conseguiu transformar paçocada de Pierre em 2 a 0. O castigo não tardaria: nos acréscimos da etapa inicial, Ronaldinho cobrou falta com perfeição e igualou o escore.

Percebendo que seu esquema com cinco homens de frente dava muitos espaços ao Flu, Cuca voltou com Rosinei no lugar de Michel, colocando Luan na lateral direita. Se não ganhou em criatividade ofensiva, o Atlético, pelo menos, não sofria mais com os contra-ataques. Até que Luxa mexeu (saíram Sóbis e Rafinha para as entradas de Samuel e Marcos Jr) e, aos 26, Richarlyson mandou mal, Rhayner escapou como um foguete, fez 2 a 1 e só não se tornou o herói do jogo porque, logo em seguida, fez a chamada falta tática e recebeu o vermelho.

Agora mesmo que, com um a mais, o Galo iria com tudo para o abafa. O bumba-meu-boi era tamanho que o zagueiro Leonardo Silva virou centroavante. E que deu conta do recado! Tal qual um pivô de futsal, Léo Silva usou seu porte físico para infernizar a zaga tricolor e sofreu a falta que Ronaldinho uma vez mais aproveitou o péssimo posicionamento de Cavalieri para dar números finais à peleja.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CRUZEIRO X BAHIA - 1993

Cruzeiro 6 x 0 Bahia

Campeonato Brasileiro de 1993 – Fase de Grupos, 12ª rodada

Mineirão, Belo Horizonte (MG)

07 de novembro de 1993

Público: 8.079

Cruzeiro: Sérgio Guedes; Paulo Roberto, Róbson, Toninho e Nonato; Zelão, Ademir, Macalé e Boiadeiro (Rogério Lage); Careca (Weberth) e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Silva

Bahia: Rodolfo Rodríguez; Jorginho, Vilmar, Ronald e Rogério (Naldinho); Lima Sergipano, Arthurzinho (Emerson), Bonato e Ramon; Marquinhos Ferreira e Marcelo Ramos. Técnico: Antônio Leone

Gols: Ronaldo (Cruzeiro), aos 13’ do 1º tempo; Careca (Cruzeiro), aos 22’ do 1º tempo; Ronaldo (Cruzeiro), aos 31’ do 1º tempo; Ronaldo (Cruzeiro), aos 37’ do 1º tempo; Ronaldo (Cruzeiro), aos 34’ do 2º tempo; Ronaldo (Cruzeiro), aos 40’ do 2º tempo.


O Brasileirão de 1993 ficará para sempre na história como o torneio onde floresceu um dos maiores nomes que o Planeta Bola já viu: Ronaldo, que viria a ser Ronaldinho, que viria a ser Fenômeno. Com a camisa do Cruzeiro e seus 16 e 17 anos, o menino, ainda franzino e como quase sempre careca, deu seus primeiros chutes no futebol profissional. E que chutes! A Raposa não fez uma grande campanha, diga-se a verdade, e foi eliminada ainda na fase de grupos, mas o garoto Ronaldo fez o que se espera de um grande goleador e balançou as redes 12 vezes em 14 jogos. O mais simbólico destes jogos foi a goleada por 6 a 0 diante do Bahia, quando o carequinha marcou nada menos do que cinco tentos: dois em pênaltis perfeitamente cobrados, um em cabeçada fatal, um deixando a zaga estirada no chão e o último, que fechou o massacre, ao aproveitar a cômica “dormida no ponto” do goleiro paraguaio Rodolfo Rodríguez, que deixou a bola no chão para lamentar a atuação de sua defesa e viu Ronaldo a colocar no fundo do gol. Era o desabrochar do maior artilheiro da história da Copa do Mundo.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A GENTE VENDE CRAQUE E NÃO CONSEGUE LUCRAR

Não é de agora que o estrangeiro vê nos clubes brasileiros uma fonte de craques. Muito pelo contrário, este foi um dos motivos pelos quais o profissionalismo foi adotado em meados da década de 30. Em outras palavras, há quase um século nos colocamos como exportador de pé de obra no Planeta Bola. E é triste constatar que estes quase 100 anos não fizeram os clubes daqui aprenderem a negociar jogadores de futebol.

Seria um equívoco ignorar a maior força de dólares, euros e libras sobre o nosso real. Ou que qualquer sub-15 no Brasil já tem o sonho de jogar na Europa, mesmo em um time que, no máximo, vá brigar pela meiúca da tabela. “E ainda os empresários, umas verdadeiras raposas”, vão lembrar alguns. No entanto, estes não são fatores suficientes para justificar a incapacidade dos cubes brasileiros em negociar seus valores. Incapacidade que se torna assustadora se comparada ao que alguns clubes europeus conseguem.

Um exemplo é o suficiente para ilustrar: em um intervalo de poucos dias, o ucraniano Shakthar Donetsk veio ao Brasil e, tal qual um colonizador do século XVI, pegou a matéria-prima que quis. Gastou cerca de 60 milhões de euros e levou Fred (do Internacional, por 15M) Fernando (do Grêmio, por 13M), Wellington Nem (do Fluminense, por 8M) e Bernard (do Atlético Mineiro, por 25M). Quatro diamantes que não passam dos 21 anos. Pois bem, o Atlético de Madrid, que assim como o Shakthar está longe de ser uma potência do futebol mundial, conseguiu os mesmos 60 milhões de euros ao negociar Falcão Garcia, de 27 anos, com o Monaco.

Não há dúvidas de que Falcão vive uma fase monumental, balançando as redes de tudo quanto é maneira, mas as cifras de sua negociação mostram o quanto nossos clubes ainda são amadores no mercado da bola. Isso porque seria covardia colocar em questão a recente venda do galês Bale por mais de 90 milhões de euros, do Tottenham para o Real Madrid.


Além de contar com milhões de torcedores e não conseguir encher os estádios e de ter um público apaixonado e não conseguir realizar ações de marketing, os clubes brasileiros, há anos, querem vender craques e ainda não saíram do jardim de infância no assunto. Difícil não lembrar de “Inútil”, o rock do Ultraje a Rigor que canta:  “A gente faz música e não consegue gravar. A gente escreve livro e não consegue publicar. A gente escreve peça e não consegue encenar. A gente joga bola e não consegue ganhar...”

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

UMA IMAGEM


















Foto: Caio Vilela

domingo, 1 de setembro de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 – 17ª RODADA – CRUZEIRO X VASCO


Cruzeiro 5 x 3 Vasco – Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Em jogo de muitos gols e alguns golaços, Cruzeiro leva a melhor sobre o Vasco e abre três pontos de vantagem na liderança.

Cem por cento concentrado no Brasileiro após a eliminação na Copa do Brasil, o Cruzeiro entrou em campo organizado pelo Marcelo Oliveira no 4-2-3-1 com: Fábio; Ceará, Dedé, Bruno Rodrigo e Egídio; Lucas Silva e Henrique; Éverton Ribeiro, Julio Baptista e Willian; Ricardo Goulart. Garantido na fase quartas de final da Copa do Brasil e em busca de ascensão nos pontos corridos, o Vasco foi montado pelo Dorival Júnior no 4-3-2-1 com: Diogo Silva; Fagner, Cris, Rafael Vaz e Yotún; Abuda, Juninho Pernambucano e Wendel; Willie e Marlone; André.

Um gol do cruzeirense Willian originado em cobrança de lateral – o que envergonha sistemas defensivos até de categorias infantis – colocou fim à fase de estudos e fez um a zero para a Raposa logo aos 32 segundos. Era o Cruzeiro mostrando a força de seu poderoso ataque, agora com mais de cem gols no ano. Mas o Vasco não se abateu diante da avalanche ofensiva e aceitou a proposta de fazer um jogo nos moldes “jogar e deixar jogar”. Como ambas as retaguardas estão longe de confiáveis – principalmente a vascaína, a pior do campeonato em números – o confronto se tornou uma verdadeira roleta-russa, com uma profusão de bolas nas redes.

Aos 18, com um chutaço, o garoto Willie igualou o escore, mas o Cruzeiro, através de cobrança de falta de Julio Baptista, aos 31, e arremate certeiro do também garoto Lucas Silva, aos 38, fez 3 a 1. Mas novamente o Vasco encheu os pulmões de confiança, acreditou no seu potencial ofensivo e foi “fazer a hora”: André “Bigode Grosso”, aos 40, e Willie (que noite bárbara!), com direito a drible de peito, aos 42, deixaram o jogo em aberto. E o Cruz-Maltino até voltou mais aceso após o intervalo, obrigando o Cruzeiro a cometer faltas para impedir avanços em velocidade e o treinador Marcelo Oliveira a mudar nomes. Éverton Ribeiro e Julio Baptista saíram para as entradas de Dagoberto e Vinícius Araújo.


Com Ricardo Goulart na meia, posição onde vem se destacando, e Vinícius Araújo como referência, a Raposa voltou a ser perigosa, enquanto o Vasco, muito pela jornada apagada de Juninho, perdeu força pouco a pouco, até sucumbir. Um míssil teleguiado de Lucas Silva (que apresentação magnífica!), aos 21, devolveu a ponta aos azuis. Dorival promoveu alterações a granel, mas estas não surtiram efeito e um contra-ataque perfeito finalizado por Vinícius Araújo, outro jovem com atuação destacada, aos 41, fechou o placar em 5 a 3 - pouco antes de Dagoberto ser tolamente expulso. Dorival descobriu em Willie e redescobriu em Marlone a possibilidade de um Vasco com vocação para o ataque, e jogar de peito aberto contra o líder por pouco não rendeu frutos. Vale a pena para o Cruz-Maltino seguir apostando no jogo ofensivo. Para o Cruzeiro, então, mais ainda!