terça-feira, 10 de setembro de 2013

AS PREVISTAS SURPRESAS

Nos anos 60, um telegrama do craque santista Mengálvio se tornou uma das mais brilhantes pérolas do nosso futebol. Nele se lia: “Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG”. Este cômico anunciar da surpresa é justamente a maior graça do Brasileirão, onde, em seu início, fazemos previsões já sabendo que estas não valem um dólar furado. Começamos a assistir o torneio já à espera de surpresas, que certamente vão ocorrer. A metade do Brasileirão 2013 que nos diga.

Comecemos pelo começo, ou seja, pelo líder. O fato de o Cruzeiro não ver ninguém a sua frente na tábua de classificação, ter um retrospecto com mais de 70% de aproveitamento e uma média de 2,21 gols por jogo surpreende por um único motivo: com 19 contratações em 2013, seria difícil imaginar que a Raposa conseguisse, em pouco tempo, montar um time capaz de jogar uma bola tão redonda. A força coletiva celeste é tamanha que fica até difícil saber quem é o maior destaque, apesar da fase brilhante de Éverton Ribeiro.

Dos que atualmente se encontram na zona nobre da tabela, a dupla paranaense Atle-Tiba atrai olhares diferentes, tanto pela posição que ocupa como pelo futebol impetuoso dos rubro-negros e mágico do coxa-branca Alex. Já Botafogo, Corinthians e a dupla Gre-Nal fazem o aguardado, com pequenas variações para mais ou menos. Uma dose de inesperado apenas em relação ao fato de o Botafogo insistir em contrariar uma suposta fragilidade do seu elenco e, rodada após rodada, ignorar os desfalques por negociações, suspensões e contusões para se manter na briga pelo caneco.

Pela meiúca da tabela, nada para se esbugalhar os olhos em termos clubísticos. Já em termos de jogador... O que o rústico Walter fez pelo Goiás neste primeiro turno do Brasileiro – principalmente após as “férias” da Copa das Confederações – não está no gibi. A contradição entre sua forma física e sua qualidade técnica é magnetizadora. Está na briga para fazer parte da Seleção do Campeonato. E, sem exageros, é um dos favoritos para vestir a camisa de centroavante.

Do Goiás de Walter (8º colocado) para baixo, todo mundo luta contra a degola. Um verdadeiro pandemônio. Incrível que, ao fim do primeiro turno, mais da metade dos clubes possuam pulgas atrás da orelha em relação ao rebaixamento. Poucas pulgas no caso do Santos, que jogou apenas 17 vezes, e algumas mais para o Vasco – que aponta para um returno melhor. A dupla baiana Ba-Vi e o Criciúma vivem de fases e também sentem incômodos nos ouvidos.


Chegamos, enfim, à zona da morte. Ponte Preta, Portuguesa e Náutico já eram cartas marcadas ao início do torneio, enquanto o Flamengo reflete em campo a política de praticamente jogar um ano futebolístico fora adotada por sua diretoria. Mas quem esperava encontrar neste inferno o trio Atlético Mineiro, Fluminense e São Paulo, respectivamente os atuais campeões da Libertadores, Brasileiro e da Copa Sul-Americana?

O Atlético se escora no sentimento interior de que já cumpriu seu papel em 2013. O Fluminense sofre por acreditar que Diego Cavalieri e Fred viveriam eternamente a fase magnífica de 2012 e seriam capazes de segurar o rojão após as saídas de Thiago Neves e Wellington Nem. O São Paulo... bom, o Tricolor Paulista vive tamanho caos dentro e fora de campo que é até difícil de acreditar que este é o mesmo clube que há poucos anos era referência.


Com o campeonato já em sua metade, as previsões para os próximos meses possuem um pouco mais de sustentação. Mas, acreditem, amigos, muitas surpresas ainda virão pela frente.

domingo, 8 de setembro de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 – 19ª RODADA – CRUZEIRO X FLAMENGO








RESULTADOS
Fluminense 1 x 0 Bahia
Vitória 1 x 1 Atlético Mineiro
Ponte Preta 1 x 3 Internacional
Santos 1 x 0 Goiás
Grêmio 3 x 2 Portuguesa
Corinthians 0 x 0 Náutico
Cruzeiro 1 x 0 Flamengo
Coritiba 2 x 0 São Paulo
Vasco 0 x 0 Atlético Paranaense
Criciúma 1 x 2 Botafogo

ARTILHARIA
12 Gols – Éderson (Atlético Paranaense)
11 Gols – William (Ponte Preta)
9 Gols – Alex (Coritiba)

Cruzeiro 1 x 0 Flamengo – Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Com mais uma atuação medíocre, Flamengo sucumbe diante do líder Cruzeiro e segue na beirada do precipício.

Depois de confirmar o simbólico título de campeão do primeiro turno com uma rodada de antecedência, o Cruzeiro adentrou o Mineirão montado pelo Marcelo Oliveira no 4-2-3-1 com: Fábio; Ceará, Dedé, Bruno Rodrigo e Egídio; Nilton e Lucas Silva; Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian; Borges. Pelo lado do Flamengo, o objetivo era se afastar da rabeira da tabela, e Mano Menzes organizou o time no 4-3-3 com: Paulo Victor; Léo Moura, Wallace, Samir e André Santos; Cáceres, Luiz Antônio e Elias; Rafinha, Gabriel e Hernane.

Pelo caminho que trilharam no Brasileiro até o momento, seria surpreendente se o duelo no Mineirão não se desenhasse em seu começo com a Raposa a ter a redonda em seus pés e a estudar como furar a retaguarda do Flamengo. Foi assim que o Cruzeiro chegou ao topo da tabela e é assim que sabe jogar. Quando quis apostar em um ferrolho – como ocorreu diante do próprio Flamengo, no Maracanã, pela Copa do Brasil –, teve uma atuação pífia e acabou eliminado.

De forma natural, o Cruzeiro não tardou a se impor e ganhar as rédeas da partida. Não foi avassalador, mas foi sólido, organizado e técnico o suficiente para construir as melhores oportunidades de gols da etapa inicial: um contra-ataque armado por William e Éverton Ribeiro, um torpedo de fora da área do mesmo Éverton Ribeiro (que hoje se coloca como um dos favoritos a melhor do campeonato) e uma cabeçada de Nilton que beijou o poste. E o Flamengo? Postado para contra-atacar, sentia o fato de problemas físicos deixarem Elias em “modo zumbi”, não acertava as saídas em velocidade e raramente se aproximava da meta de Fábio. Os rubro-negros davam a impressão de que armar uma trama ofensiva era a coisa mais difícil do planeta.

Após o intervalo, a única mudança de cenário foi a troca de lado dos times. O gol azul, maduro fazia tempo, veio aos 7 minutos, em jogada trabalhada com refino que chegou até Mayke e terminou com Goulart a completar para o fundo do barbante. Com o recuo proposital cruzeirense, o Fla até aumentou sua posse de bola, mas a falta de criatividade não o permitiu superar a boa atuação de Dedé e companhia. Pelo contrário, fosse em contra-golpes – onde acertou mais uma vez a trave, com Willian – ou com uma postura mais avançada – que voltou a adotar nos minutos finais – o Cruzeiro sempre esteve mais perto de ampliar o escore do que de deixar escapar os três pontos.

No Brasileirão, às vezes – mas só às vezes – o campo reflete o que se vê na tabela. Desta feita, no Mineirão, a diferença entre os desempenhos de Cruzeiro e Flamengo foi, exatamente, o ilustrado pelos agora 18 pontos que os separam na tabela.

CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO!

- Nelson Rodrigues dizia que “o empate é o pior resultado do mundo. O torcedor sente-se roubado no dinheiro da entrada e inclinado a chamar os 22 jogadores, o juiz e os bandeirinhas de vigaristas. Acresce o seguinte: - de todos os empates o mais exasperante é o de 0 x 0”. E não é que o placar mudo em São Januário contrariou o inigualável cronista. Vasco e Atlético Paranaense realizaram um jogo com cara de tudo, menos de zero a zero, justamente o resultado ao apito final. Coisas do futebol...

- Rodada após rodada o Botafogo queima a língua dos que afirmavam que o elenco alvinegro não seria capaz de suportar as mazelas de um campeonato com 38 rodadas.

- Depois da boa partida de Rafinha e Willian no Independência, no empate contra o Atlético Mineiro, Biro Biro fez o gol da vitória do Fluminense diante do Bahia. É a garotada tricolor dando a cara a tapa.

- Se é verdade que Alex não joga sozinho no Coritiba, também é verdade que o Coritiba não joga sem Alex.

- E o São Paulo segue em busca do fundo do poço.


- Salvo uma arrancada milagrosa – como o Brasileirão já viu algumas vezes – o Náutico deve passar o segundo turno como o fator surpresa que, volta e meia, vai tirar de seus adversários pontos essenciais, como acabou de ocorrer com o Corinthians, no Pacaembu.

sábado, 7 de setembro de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - BAHIA X FLUMINENSE - 1988

Bahia 2 x 1 Fluminense

Campeonato Brasileiro 1988 – segundo jogo da semifinal

Fonte Nova, Salvador (BA)

12 de fevereiro de 1989

Público: 110.438 pagantes

Bahia: Ronaldo; Tarantini, Newmar, Claudir e Edinho; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Bobô; Gil Sergipano, Charles e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo.

Fluminense: Ricardo Pinto; Carlos André, Édson Mariano, Edinho e Eduardo; Jandir, Donizete e Paulo Andreolli; Cacau (Sílvio), Washington e Romerito (Zé Maria). Técnico: Sérgio Cosme.

A Fonte Nova nunca recebera tanta gente como naquele 12 de fevereiro de 1989: inacreditáveis 110.438 pagantes, número que – somado aos 30 mil que ficaram fora do estádio – ilustrava o momento especial vivido pelo Bahia. Três décadas depois de derrotar o Santos de Pelé e conquistar a Taça Brasil de 1959, o Tricolor de Aço se colocava, uma vez mais, como protagonista no cenário nacional ao chegar a semifinal do Brasileiro de 1988. O adversário baiano na lutava pela vaga na decisão era o Fluminense do ícone tricolor Edinho, do craque paraguaio Romerito e do goleador Washington, que apenas dois minutinhos após o apito inicial já abria o placar para o Flu. Com o empate sem gols no Maracanã, no jogo de ida, o Bahia do treinador Evaristo de Macedo não tinha outra alternativa que não a de se lançar ao ataque. Ainda na etapa inicial, aos 20, Bobô, o grande símbolo daquele time, igualou o escore. Mas a festa maior viria somente aos 10 minutos do segundo tempo, quando Gil Sergipano decretou a virada e confirmou a classificação para a grande final, contra o Internacional. Final esta que o Bahia transformaria em um dos maiores triunfos de seus mais de 80 anos. Mas essa já é outra história...


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

100 ANOS DE LEÔNIDAS DA SILVA



















6 de setembro de 2013.

Centenário do nascimento de Leônidas da Silva.

Dia de confirmar que crer sem ver é mais saboroso.

Dia de lembrar o quanto o esporte pode ser mágico.

Dia de apreciar a arte feita com os pés.

Dia de acreditar que existe algo de divino no futebol.

Dia de desejar a veracidade absoluta da reencarnação.

Dia de lamentar pelos que acham que são apenas 22 homens atrás de uma bola.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 – 18ª RODADA – ATLÉTICO MINEIRO X FLUMINENSE



Atlético Mineiro 2 x 2 Fluminense – Independência, Belo Horizonte (MG)

Fluminense fica duas vezes em vantagem, mas maestria de Ronaldinho nas bolas paradas faz a diferença e embate com o Atlético Mineiro termina empatado.

Ainda na busca por engrenar após a conquista da Libertadores, o Atlético Mineiro, que iniciava a rodada com apenas 41.2% de aproveitamento, foi escalado pelo Cuca no 4-1-4-1 com: Victor; Michel, Leonardo Silva, Réver e Richarlyson; Pierre; Luan, Diego Tardelli, Ronaldinho e Fernandinho; Guilherme. Na beirada da zona de rebaixamento, o Fluminense chegou a Minas Gerais repleto de desfalques – Fred, claro, o principal deles – e montado por Luxemburgo no 4-3-3 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Anderson e Carlinhos; William, Edinho e Wágner; Rafinha, Rhayner e Rafael Sóbis.

Há menos de um ano, no mesmo Independência, Atlético Mineiro e Fluminense entravam em campo para o duelo mais aguardado do Brasileirão 2012. Duelo este que foi eletrizante e terminou em vitória do Galo após gol de cabeça do zagueiro Leonardo Silva no apagar das luzes. Hoje, com o 1º turno próximo ao fim, nem o Alvinegro Mineiro nem o Tricolor Carioca consegue apresentar um futebol próximo ao do ano passado, fato que, no entanto, não impediu o confronto de ser agitado.

Com pequenas variações de intensidade, pode-se dizer que a partida teve a mesma cara durante os 90 minutos. O Flu a apostar nos contra-golpes em velocidade e o Atlético, assim como na reta final da Libertadores, a buscar o ataque mais na base do “vamo-que-vamo” do que na paciência e refino. A estratégia tricolor deu certo primeiro, quando, logo aos 13, Wágner encontrou Rafinha e, depois, apareceu na área para aproveitar falha de Luan. Aos 36, em novo contra-ataque, Sóbis não conseguiu transformar paçocada de Pierre em 2 a 0. O castigo não tardaria: nos acréscimos da etapa inicial, Ronaldinho cobrou falta com perfeição e igualou o escore.

Percebendo que seu esquema com cinco homens de frente dava muitos espaços ao Flu, Cuca voltou com Rosinei no lugar de Michel, colocando Luan na lateral direita. Se não ganhou em criatividade ofensiva, o Atlético, pelo menos, não sofria mais com os contra-ataques. Até que Luxa mexeu (saíram Sóbis e Rafinha para as entradas de Samuel e Marcos Jr) e, aos 26, Richarlyson mandou mal, Rhayner escapou como um foguete, fez 2 a 1 e só não se tornou o herói do jogo porque, logo em seguida, fez a chamada falta tática e recebeu o vermelho.

Agora mesmo que, com um a mais, o Galo iria com tudo para o abafa. O bumba-meu-boi era tamanho que o zagueiro Leonardo Silva virou centroavante. E que deu conta do recado! Tal qual um pivô de futsal, Léo Silva usou seu porte físico para infernizar a zaga tricolor e sofreu a falta que Ronaldinho uma vez mais aproveitou o péssimo posicionamento de Cavalieri para dar números finais à peleja.


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CRUZEIRO X BAHIA - 1993

Cruzeiro 6 x 0 Bahia

Campeonato Brasileiro de 1993 – Fase de Grupos, 12ª rodada

Mineirão, Belo Horizonte (MG)

07 de novembro de 1993

Público: 8.079

Cruzeiro: Sérgio Guedes; Paulo Roberto, Róbson, Toninho e Nonato; Zelão, Ademir, Macalé e Boiadeiro (Rogério Lage); Careca (Weberth) e Ronaldo. Técnico: Carlos Alberto Silva

Bahia: Rodolfo Rodríguez; Jorginho, Vilmar, Ronald e Rogério (Naldinho); Lima Sergipano, Arthurzinho (Emerson), Bonato e Ramon; Marquinhos Ferreira e Marcelo Ramos. Técnico: Antônio Leone

Gols: Ronaldo (Cruzeiro), aos 13’ do 1º tempo; Careca (Cruzeiro), aos 22’ do 1º tempo; Ronaldo (Cruzeiro), aos 31’ do 1º tempo; Ronaldo (Cruzeiro), aos 37’ do 1º tempo; Ronaldo (Cruzeiro), aos 34’ do 2º tempo; Ronaldo (Cruzeiro), aos 40’ do 2º tempo.


O Brasileirão de 1993 ficará para sempre na história como o torneio onde floresceu um dos maiores nomes que o Planeta Bola já viu: Ronaldo, que viria a ser Ronaldinho, que viria a ser Fenômeno. Com a camisa do Cruzeiro e seus 16 e 17 anos, o menino, ainda franzino e como quase sempre careca, deu seus primeiros chutes no futebol profissional. E que chutes! A Raposa não fez uma grande campanha, diga-se a verdade, e foi eliminada ainda na fase de grupos, mas o garoto Ronaldo fez o que se espera de um grande goleador e balançou as redes 12 vezes em 14 jogos. O mais simbólico destes jogos foi a goleada por 6 a 0 diante do Bahia, quando o carequinha marcou nada menos do que cinco tentos: dois em pênaltis perfeitamente cobrados, um em cabeçada fatal, um deixando a zaga estirada no chão e o último, que fechou o massacre, ao aproveitar a cômica “dormida no ponto” do goleiro paraguaio Rodolfo Rodríguez, que deixou a bola no chão para lamentar a atuação de sua defesa e viu Ronaldo a colocar no fundo do gol. Era o desabrochar do maior artilheiro da história da Copa do Mundo.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

A GENTE VENDE CRAQUE E NÃO CONSEGUE LUCRAR

Não é de agora que o estrangeiro vê nos clubes brasileiros uma fonte de craques. Muito pelo contrário, este foi um dos motivos pelos quais o profissionalismo foi adotado em meados da década de 30. Em outras palavras, há quase um século nos colocamos como exportador de pé de obra no Planeta Bola. E é triste constatar que estes quase 100 anos não fizeram os clubes daqui aprenderem a negociar jogadores de futebol.

Seria um equívoco ignorar a maior força de dólares, euros e libras sobre o nosso real. Ou que qualquer sub-15 no Brasil já tem o sonho de jogar na Europa, mesmo em um time que, no máximo, vá brigar pela meiúca da tabela. “E ainda os empresários, umas verdadeiras raposas”, vão lembrar alguns. No entanto, estes não são fatores suficientes para justificar a incapacidade dos cubes brasileiros em negociar seus valores. Incapacidade que se torna assustadora se comparada ao que alguns clubes europeus conseguem.

Um exemplo é o suficiente para ilustrar: em um intervalo de poucos dias, o ucraniano Shakthar Donetsk veio ao Brasil e, tal qual um colonizador do século XVI, pegou a matéria-prima que quis. Gastou cerca de 60 milhões de euros e levou Fred (do Internacional, por 15M) Fernando (do Grêmio, por 13M), Wellington Nem (do Fluminense, por 8M) e Bernard (do Atlético Mineiro, por 25M). Quatro diamantes que não passam dos 21 anos. Pois bem, o Atlético de Madrid, que assim como o Shakthar está longe de ser uma potência do futebol mundial, conseguiu os mesmos 60 milhões de euros ao negociar Falcão Garcia, de 27 anos, com o Monaco.

Não há dúvidas de que Falcão vive uma fase monumental, balançando as redes de tudo quanto é maneira, mas as cifras de sua negociação mostram o quanto nossos clubes ainda são amadores no mercado da bola. Isso porque seria covardia colocar em questão a recente venda do galês Bale por mais de 90 milhões de euros, do Tottenham para o Real Madrid.


Além de contar com milhões de torcedores e não conseguir encher os estádios e de ter um público apaixonado e não conseguir realizar ações de marketing, os clubes brasileiros, há anos, querem vender craques e ainda não saíram do jardim de infância no assunto. Difícil não lembrar de “Inútil”, o rock do Ultraje a Rigor que canta:  “A gente faz música e não consegue gravar. A gente escreve livro e não consegue publicar. A gente escreve peça e não consegue encenar. A gente joga bola e não consegue ganhar...”