terça-feira, 24 de setembro de 2013

NOMES DOS ESTÁDIOS - FONTE NOVA

Antes era Estádio Fonte Nova. Hoje, Arena Fonte Nova, como se a palavra “arena” fosse sinônimo de modernidade. Contudo, tanto no Estádio, inaugurado em 1951, como na Arena, nascida em abril deste 2013, o nome do político e membro da Academia Brasileira de Letras Octávio Mangabeira (1886-1960) encontra-se estampado como forma de homenagem. Entre 1908, quando foi eleito Vereador de Salvador, e 1960, ano em que faleceu durante o mandato como Senador, Octávio Mangabeira viveu uma intensa vida política na qual exerceu também as funções de Deputado Federal, Ministro do Exterior e Governador da Bahia, além de, por ser um forte opositor de Getúlio Vargas, acabar exilado em duas oportunidades. A esta vida política soma-se uma longa história como engenheiro civil, jornalista, professor, orador e ensaísta. E por causa de tudo isto, um dos principais palcos do futebol brasileiro chama-se Complexo Esportivo Cultural Octávio Mangabeira.

sábado, 21 de setembro de 2013

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 – 23ª RODADA – FLUMINENSE X CORITIBA

Fluminense 1 x 1 Coritiba – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Fluminense volta a sair atrás do placar, empata com o Coritiba no Maracanã segue na meiúca da tabela

O Fluminense entrou em campo com cinco partidas de invencibilidade e em busca de uma vitória para começar a sonhar com objetivos mais nobres do que apenas fugir da degola. Para tal, Vanderlei Luxemburgo organizou o time no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Anderson e Carlinhos; Diguinho e Edinho; Rafinha, Wagner e Rhayner; Rafael Sóbis. Sem poder contar com o craque Alex e há três jogos sem triunfar, o Coritiba foi para o jogo montado pelo Marquinhos Santos no 4-3-2-1 com: Vanderlei; Victor Ferraz, Luccas Claro, Chico e Escudero; Gil, Robinho e Bottinelli; Lincoln e Vitor Júnior; Jânio.

Pode-se dizer que a maioria – seriam todos? – dos mais de 30 mil presentes ao Maracanã ansiava por um futebol mais bem talhado do Fluminense do que o apresentado. No primeiro tempo, então, faltou de tudo ao Tricolor. Técnica e taticamente os pecados foram os mais diversos. Pelas laterais, Carlinhos não foi acionado, enquanto Bruno, quando o foi, se mostrou descalibrado. Rafinha e Rhayner, responsáveis por aumentar a velocidade ofensiva do time, foram presas fáceis para a postura mais acuada do Coritiba, enquanto Wagner não conseguiu armar nem arrematar e Sóbis apenas se movimentou. Falando em movimentação, o ataque do Flu foi de uma desorganização digna de feira matinal. E daquelas em dia de promoção.

Diante de tamanha infertilidade, o Coxa não só não encontrou problemas para se defender como, quando foi ao ataque, acertou a trave, em chute longo de Vitor Júnior, abriu o placar, em cabeçada de Lincoln, livre entre os zagueiros, e quase o ampliou, com Robinho. As entradas de Biro Biro e Ronan no intervalo – saíram Diguinho e Carlinhos – deixaram o Flu mais impetuoso. O gol de empate marcado por Gum, logo aos 5, e a bomba que Wagner acertou no travessão, aos 13, deram indícios de que uma nova virada tricolor, como as recentemente conseguidas diante de Portuguesa e Criciúma, se encaminhava. A meia hora final, no entanto, transformou a expectativa da torcida em poeira.


O Tricolor teve a bola em seus pés quase que integralmente, mas encontrou homéricas dificuldades até para tramar jogadas simples, como alçar a bola na área para o espigão Samuel. Viu uma boa jogada de Biro Biro e Sóbis pela esquerda e uma falta cobrada por Wagner levarem perigo à meta alviverde, mas, ao apito final, a sensação acabou sendo o alívio por um contra-ataque do Coritiba, já nos acréscimos, terminar em bola na trave do Gil e arremate para fora do Dudu. Rafinha acabou expulso por uma falta dura no desenrolar deste lance, mas o torcedor tricolor, que respirava fundo pelo quase-gol sofrido, nem deve ter percebido.

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CORINTHIANS X CRUZEIRO - 1998

Corinthians 2 x 0 Cruzeiro
 
Campeonato Brasileiro 1998 – Terceiro jogo da final
 
Morumbi, São Paulo (SP)
 
Corinthians: Nei; Índio, Batata (Cris), Gamarra e Silvinho; Vampeta, Rincón, Ricardinho (Amaral) e Marcelinho Carioca; Mirandinha (Dinei) e Edílson. Técnico: Vanderlei Luxemburgo.
 
Cruzeiro: Dida; Gustavo (Alex Alves), Marcelo Djian, João Carlos e Gilberto; Valdir (Marcelo Ramos), Djair, Ricardinho (Caio) e Valdo; Müller e Fábio Júnior. Técnico: Levir Culpi.
 
Gols: Edílson (Corinthias), aos 25' do 2º tempo e Marcelinho Carioca (Corinthians), aos 35' do 2º tempo.
 
Sem exagerar nem um pouco, o Corinthians de 1998, treinador pelo Wanderley Luxemburgo – ainda escrito assim, com “W” e “Y” – tinha um cracaço em cada posição de linha: na defesa era o paraguaio Gamarra, que acabara de se consagrar na Copa do Mundo por atuações brilhantes e nenhuma falta cometida. No meio-campo, Marcelinho Carioca, que conquistou de tudo e mais um pouco pelo Timão. Já no ataque, Edílson apagava os resquícios do passado palmeirense e infernizava toda e qualquer defesa a sua frente. Para completar, o Alvinegro do Parque São Jorge também contava com Vampeta, Ricardinho, Rincón e o amuleto Dinei... um timaço, que realizou a melhor campanha da primeira fase, passou por Grêmio e Santos e chegou a decisão para enfrentar o Cruzeiro de Gottardo, Valdo, Muller e Fábio Júnior, uma equipe que era, como diria João Saldanha, “carne de pescoço”. Os empates nas duas primeiras partidas da final mostraram que quem quisesse ser o campeão precisaria deixar todo seu futebol no Morumbi, no último confronto decisivo. E o Corinthians deixou cada gotinha. Mesmo com a vantagem do empate, o Timão teve uma atuação de gala e com gols de Edílson e Marcelinho levou o segundo Brasileirão de sua história. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS















Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - ATLÉTICO PARANAENSE X FLAMENGO - 1983

Atlético Paranaense 2 x 0 Flamengo

Campeonato Brasileiro de 1983 – Jogo de volta da semifinal

Couto Pereira, Curitiba (PR)

Público: 67.391 presentes

Atlético Paranaense: Roberto Costa; Sotter, Flávio, Jair e Sérgio; Detti, Nivaldo e Assis; Capitão, Washington e Abel. Técnico: Hélio Alves

Flamengo: Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Vitor, Adílio e Zico; Elder, Baltazar (Robertinho) e Júlio Cesar (Figueiredo). Técnico: Carlos Alberto Torres

Gols: Washington (Atlético Paranaense), aos 29’ e aos 32’ do 1º tempo.


Outono de 1983. Dia 15 de maio, para ser mais exato. Com precisão extrema, vale dizer que era um domingo. Um tradicional domingo de futebol, no qual o Paraná viu o maior público já presente em um de seus estádios de futebol. Inacreditáveis 67.391 num Couto Pereira cuja capacidade atual não passa de 40 mil. Foi neste cenário que o Atlético Paranaense recebeu o Flamengo de Leandro, Júnior, Adílio e Zico para a partida de volta da semifinal do Campeonato Brasileiro. A vitória por 3 a 0 conquistada pelo Fla no jogo de ida, no Maracanã, parecia definitiva. Apenas parecia... Com pouco mais de meia hora no pulsante Couto Pereira, dois gols do centroavante Washington – que já formava com Assis, no Atlético, o “Casal 20” que faria história no Fluminense – o Furacão deu mais uma lição da imprevisibilidade que faz do futebol o que ele é. Como o Atlético precisava de apenas mais um gol para realizar uma missão que parecia impossível e o Flamengo de Zico e Cia sempre foi um time voltado para o ataque, o jogo seguiu aberto e eletrizante até o apito final. Do lado carioca, Raul fazia defesas impressionantes, enquanto, do paranaense, Roberto Costa – que receberia a Bola de Ouro da revista Placar como melhor jogador do torneio – não deixava por menos. Assim, o dois a zero se manteve até o final e o Flamengo garantiu seu lugar na decisão. Decisão esta que viria a se transformar em título com o triunfo sobre o Santos.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2013 – 22ª RODADA – CRUZEIRO X BOTAFOGO

Cruzeiro 3 x 0 Botafogo – Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Seedorf perde pênalti em momento crítico e Botafogo sucumbe diante do Cruzeiro, agora mais líder do que nunca, com sete pontos de vantagem.

O Cruzeiro entrou em campo ostentando uma série de sete vitórias seguidas e montado pelo Marcelo Oliveira no 4-2-3-1 com: Fábio; Ceará, Dedé, Bruno Rodrigo e Egídio; Nilton e Lucas Silva; Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian; Borges. Com uma sequência de quatro vitórias, o Botafogo entrou em campo organizado pelo Oswaldo de Oliveira no 4-2-3-1 com: Jefferson; Edílson, Bolívar, André Bahia e Julio Cesar; Renato e Marcelo Mattos; Rafael Marques, Seedorf e Lodeiro; Elias.

O confronto com maior caráter decisivo que um torneio por pontos corridos pode proporcionar teve duas etapas distintas. Em ambas, porém, o que se viu foi um Botafogo a cometer pecados que não fazem parte de seu repertório neste Brasileiro e um Cruzeiro avassalador ofensivamente, fosse qual fosse a estratégia adotada.

Tudo bem que durante toda a primeira etapa o Cruzeiro fez uma forte marcação por pressão, mas o que a retaguarda alvinegra bobeou nas saídas de bola foi um exagero. Era erro atrás de erro, o que proporcionou à Raposa um punhado de oportunidades. Oportunidades estas que não se concretizaram, ora por segundos, em jogadas pelos flancos que os avantes azuis chegaram atrasados, ora por centímetros, com Jefferson a realizar difíceis defesas com as pernas. Nas poucas vezes em que usou o bom passe e a dinâmica de seu ataque, o Botafogo até levou perigo ao goleiro Fábio, mas a superioridade azul no primeiro tempo acabou por se transformar em um a zero quando Nilton, já nos acréscimos, completou córner com um movimento digno dos mais famosos bailarinos russos.

Com apenas uns minutinhos após o intervalo já era possível perceber uma nova postura cruzeirense: chamar o adversário para seu campo e sair em velocidade. No entanto, esta é uma estratégia que exige cautela por parte de quem a adota, pois existe uma linha tênue que separa a busca por contra-ataques e os chutões seguidos para onde o nariz aponta. E o Cruzeiro atravessou esta linha num primeiro momento, exagerou nas bolas rifadas, o Bota cresceu, Rafael Marques sofreu pênalti de Bruno Rodrigo e... Seedorf, aos 10, bateu pessimamente para fora. O Alvinegro acusou o golpe e, para piorar sua situação, enquanto as alterações realizadas por Oswaldo não mudavam o time, as feitas por Marcelo deram vida aos contra-ataques cruzeirenses.


Principalmente a entrada de Julio Baptista, que, aos 35, em pênalti cometido por Bolívar em Everton Ribeiro, e, aos 41, após linda tabelinha com Dagoberto, foi duas vezes às redes para decretar a maiúscula vitória azul. E uma pergunta flutua no ar: “Quem vai parar o Cruzeiro?”

terça-feira, 17 de setembro de 2013

O UM E O NOVE

Duas atitudes relativamente recentes do treinador do nosso escrete nacional reforçaram uma ideia que sempre foi bem sólida em minha cabeça: dentre todos os onze componentes de um time, são o goleiro e o centroavante os que mais necessitam de confiança para render o que deles se espera.

Ainda no calor da vitória histórica sobre a Espanha, na decisão da Copa das Confederações, Fred, que começara a competição pressionado por um jejum de gols, agradeceu a Felipão, que lhe prometera manter como titular até o fim do torneio independente de qualquer circunstância. O resultado da decisão de Scolari todos se lembram.

Mais recentemente, Felipão confirmou em entrevista que “entre os três goleiros do Mundial, Júlio César tem um lugar”. Decretar a convocação de Júlio com tamanha antecedência é uma atitude com a clara intenção de dar confiança ao goleiro, que defenderá, nesta temporada, a última antes da Copa, um time da segunda divisão inglesa.

Já não é mais novidade que a estrutura psicológica de uma equipe de futebol requer cuidados. E vou mais longe, amigos: a considero tão importante para o desempenho de um time quanto as estruturas técnica, tática e física. E pensando no dinâmico e imprevisível jogo que ocorre dentro das quatro linhas, ninguém necessita de mais confiança do que os camisas um e nove.

São eles, goleiros e centroavantes, os responsáveis pelos momentos os quais apenas um toque na bola pode determinar uma vitória e, no mais extremo, um título. Uma falha é o inferno. Um acerto, o céu. Tudo o que fazem, para o bem ou para o mal, ganha proporções sem limites. Em um esporte onde a coletividade impera, eles são os que mais vivenciam momentos individuais.

Foi justamente por ser conhecedor do pandemônio que é a cabeça dos homens responsáveis por evitar e por fazer gol – “o orgasmo do futebol” segundo Eduardo Galeano – que Felipão adotou medidas fortes para os deixar mais confiantes. Com Fred o resultado foi o melhor possível. Com Júlio César, o inapelável tempo nos responderá.