sábado, 13 de setembro de 2014

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA

Existem derrotas que o tempo não apaga, e uma que o torcedor brasileiro jamais esquecerá é aquela do dia 5 de julho de 1982, quando um imparável Paolo Rossi anotou três gols e a Itália tirou uma das nossas seleções mais adoradas da Copa do Mundo. Neste livro, o autor Marcelo Mora oferece algumas ferramentas para tentarmos entender melhor como uma equipe com craques do quilate de Zico, Júnior, Sócrates e Falcão e treinada por Telê Santana não levantou a taça mais cobiçada do planeta.























Telê e a seleção de 82 – da arte à tragédia
Autor: Marcelo Mora
Editora: Publisher 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

CAMPEONATO BRASILEIRO 2014 – 20ª RODADA – BOTAFOGO X SÃO PAULO

Botafogo 2 x 4 São Paulo – Estádio Mané Garrincha, Brasília (DF)

Depois de um primeiro tempo emocionante e repleto de gols, botafoguense Aírton é expulso e abre caminho para o São Paulo dominar e vencer pela sexta vez nos últimos sete jogos.

O grande mérito do São Paulo na etapa inicial foi saber explorar a principal deficiência defensiva do Botafogo. O grande mérito do Botafogo na etapa inicial foi saber explorar a principal deficiência defensiva do São Paulo. Por estes motivos que os agitados primeiros 45 minutos do embate viram nada menos do que cinco gols e duas viradas de placar.

O São Paulo saiu na frente e voltou a liderar o escore com gols que nasceram, todos eles, pelo flanco esquerdo de seu ataque. Foi por ali que Michel Bastos e Pato tramaram os tentos de Alan Kardec e do volante Souza, que se infiltrou duas vezes na área e não teve o devido acompanhamento. Desnorteados, Gabriel e Rodrigo Souto, os responsáveis botafoguenses pela marcação no setor, pareciam não ter ideia de como parar os ataques por ali.

Debilitado tecnicamente, muito pelos desfalques de Daniel e Emerson Sheik, o Botafogo conseguiu virar o placar que o São Paulo havia aberto ao aproveitar o caos aéreo digno dos piores aeroportos brasileiros instalado na defesa tricolor. Em dois cruzamentos de bola parada de Wallyson, Zeballos e André Bahia foram às redes.

No fim do primeiro tempo e início do segundo, quando o São Paulo já vencia por três a dois, Wallyson desperdiçou duas chances cara a cara com Rogério Ceni. Estes lances eram o exemplo cristalino de que o Bota estava vivo no jogo, mas, três minutos após a volta do intervalo, o volante Aírton foi irresponsável o suficiente para chutar Pato no chão e ser expulso.

Daí em diante o caminho se abriu para um verdadeiro show de bola tricolor, com muita movimentação, volume ofensivo e troca de passes digna do melhor dos entrosamentos. Oportunidades para golear o São Paulo criou aos montes, mas converteu apenas uma, através de Pato. Domingo que vem tem São Paulo versus Cruzeiro. Que bom que pelo menos este jogo a CBF não atrapalhou...

Botafogo: Andrey; Rodrigo Souto, Bolívar, André Bahia e Junior Cesar (Sidney); Gabriel e Airton; Wallyson e Julio Cesar; Zeballos (Gegê) e Ferreyra (Yuri Mamute). Técnico: Vagner Mancini.

São Paulo: Rogério Ceni; Auro, Rafael Tolói, Edson Silva e Michel Bastos; Souza (Maicon) e Denilson (Hudson); Ganso e Kaká (Osvaldo); Alan Kardec e Alexandre Pato. Técnico: Muricy Ramalho.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MOVIMENTAÇÃO


Seria de um otimismo até inocente acreditar que o Brasil fosse exibir um futebol de encher os olhos nos amistosos diante de Colômbia e Equador. Os motivos são diversos: os “europeus” estão em início de temporada, não existe pressão pela proximidade de uma competição relevante e, por fim, Dunga não conseguiria, em uma semana, dar um padrão de jogo à Seleção. As opções ofensivas do velho novo treinador, porém, deram indícios de qual deve ser o estilo ofensivo do escrete nacional.

Curto e sem ser grosso, a seleção não conseguirá, num piscar de olhos, esbanjar trocas de passes ad eternum, como sonham os amantes do estilo “tiqui-taka” espanhol e da Alemanha que não é de Guardiola mas tem muito do treinador. A equipe de Dunga promete ir mais diretamente ao ponto, pegar a bola e levá-la à zona do agrião o mais rápido o possível. No entanto, estes ataques em velocidade podem (e devem) ser mesclados a muita movimentação por parte dos homens de frente.

Só para ficar nos nomes convocados por Dunga, Diego Tardelli foi escalado como centroavante mas adora cair pelos flancos do campo; Oscar pode armar pelo centro e encostar nos meias abertos; Willian, pelo menos no Chelsea, vai e vem incessantemente pelo lado direito; Éverton Ribeiro, canhoto, gosta de entrar em diagonal e se aventurar pela meiúca; Ricardo Goulart, como ponta-de-lança, se infiltra constantemente na área; Philippe Coutinho abre e fecha o tempo todo; Neymar... bem, Neymar joga absurdamente demais em qualquer posição do ataque.

O fato de a safra atual não ser recheada de jogadores com apreço pela bola de pé em pé em pé em pé não significa que a seleção precise jogar um futebol burocrático como, diga-se de passagem, fez a maior parte do tempo nestes dois amistosos. Com um pouco de consciência tática, estes mesmos nomes selecionados por Dunga podem fazer um futebol pra lá de vistoso e eficiente, ou seja, que agrade os amantes da arte e do resultado.

domingo, 7 de setembro de 2014

CAMPEONATO BRASILEIRO 2014 – 19ª RODADA - FLUMINENSE X CRUZEIRO


Fluminense 3 x 3 Cruzeiro – Maracanã, Rio de Janeiro

Defesas falham em excesso e Fluminense e Cruzeiro empatam em jogo repleto de gols. Resultado mantém mineiros com folga na ponta da tabela e cariocas fora da zona de classificação pra Libertadores.

O placar volumoso de três a três pode dar a entender que os ataques foram avassaladores no Maracanã, mas o festival de bolas nas redes se deu muito mais por equívocos defensivos do que por méritos ofensivos. Na verdade, poderíamos até dizer que tanto tricolores como celestes, times com potencial para um bom jogo de troca de passes, deixaram a desejar no quesito criação de tramas refinadas.

A maior trapalhada defensiva veio logo aos 11 minutos e resultou no primeiro gol do confronto: dentro da área, Cícero deu uma voadora à la Bruce Lee no pé da orelha de Samudio e Júlio Baptista converteu o pênalti para colocar o Cruzeiro na frente. No entanto, a vantagem azul foi por água abaixo em um intervalo de dez minutos, após duas bobeadas do zagueiro Dedé que resultaram em gols de Wágner e Cícero.

Depois de três gols em 22 minutos, o jogo esfriou e as tramas de ataque só voltaram a aparecer quando o intervalo já se aproximava. Melhor para o Cruzeiro, que depois de ver o goleiro Fábio realizar duas defesas monumentais em finalizações de Fred e Conca, chegou ao empate em arremate fraco e letal de Júlio Baptista.

Os primeiros minutos da etapa final viram o Cruzeiro no comando das ações ofensivas e a retaguarda do Fluminense ainda mais perdida, vide as falhas seguidas de Jean e Elivélton que Marcelo Moreno aproveitou para, cheio de estilo, recolocar os azuis à frente. Com cerca de 30 minutos por jogar, só restava ao Flu a opção de atacar, o que o fez deixar ainda mais espaços atrás.

A Raposa teve um punhado de chances de matar o jogo nos contra-golpes, a melhor delas nos pés de Marlone, mas como não o fez, deu chances para o Flu crescer na base do “vamo-que-vamo”. O arqueiro Fábio, gigante, impediu que Conca empatasse aos 36, mas um arremate maravilhoso de Kenedy, aos 43, igualou tudo. Pelas circunstâncias do jogo, um escore que não deixa ninguém triste.

 Fluminense: Kléver; Bruno (Kenedy), Henrique (Marlon), Elivélton e Chiquinho; Jean e Diguinho; Cícero, Conca e Wágner; Fred. Técnico: Cristóvão Borges.

Cruzeiro: Fábio; Mayke, Dedé, Léo e Samudio (Ceará); Henrique e Nilton; Marlone, Júlio Baptista (Marquinhos) e Willian (Willian Farias); Marcelo Moreno. Técnico: Marcelo Oliveira.

sábado, 6 de setembro de 2014

JOGOS INESQUECÍVEIS DO BRASILEIRÃO - CRUZEIRO 2 X 6 FLUMINENSE - 2005

Cruzeiro 2 x 6 Fluminense

Campeonato Brasileiro 2005 – 24ª rodada

Data: 07 de setembro de 2005

Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Cruzeiro: Fábio; Maurinho, Marcelo Batatais, Moisés e Anderson; Maldonado, Wágner, Diogo e Adriano Gabiru (Lopes); Kelly (Martinez) e Adriano Louzada (Diego). Técnico: Paulo César Gusmão.

Fluminense: Kléber; Gabriel, Gabriel Santos, Igor e Juan; Marco Aurélio (Milton do Ó), Arouca, Felipe (Preto Casagrande) e Petkovic; Leandro (Beto) e Tuta. Técnico: Abel Braga.

Gols – Primeiro tempo: Kelly (Cruzeiro), aos 14’ e Petkovic (Fluminense), aos 30’. Segundo tempo: Petkovic (Fluminense), aos 8’, Gabriel (Fluminense), aos 11’, Wágner (Cruzeiro), aos 22’, Beto (Fluminense), aos 30’, Gabriel (Fluminense), aos 38’ e Tuta (Fluminense), aos 41’.

Quando o meio-campista Felipe sentiu uma contusão e pediu para sair e, logo depois, o Cruzeiro abriu o placar com o atacante Kelly, a noite do dia sete de setembro de 2005, no Mineirão, parecia não ser mesmo do Fluminense. Porém, um time que tem um gênio pode esperar tudo, e o Flu tinha Petkovic, que, em dois lances daqueles que mereciam ser eternizados em esculturas, virou o placar.

Primeiro, o Gringo, que então vestia a camisa oito tricolor, costurou toda a zaga celeste antes de marcar e, depois, já no segundo tempo, acertou uma canhota de pura categoria para iniciar a vitória do Flu. Ou melhor, a Vitória, assim mesmo, com “V” maiúsculo, pois o que veio pela frente foi um tsunami de gols em verde, branco e grená.


Até a metade da etapa final, quando Gabriel, pelo Flu, e Wágner, pela Raposa, haviam deixado o escore em três a dois, era possível dizer que o confronto estava em aberto, apesar de o Cruzeiro estar com um homem a menos (o lateral-esquerdo Anderson fora expulso). Porém, nos últimos 15 minutos, como se fosse uma máquina de fazer gols, Beto, Gabriel e Tuta transformaram o já ótimo triunfo tricolor em uma goleada avassaladora por seis a dois. Uma noite que nenhum torcedor do Fluminense se esquece. E do Cruzeiro também não...

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

POUPAR OU NÃO POUPAR? POUPE-NOS!


Quando Botafogo e Atlético Paranaense decidem apostar em um time inteiramente reserva para a disputa dos Campeonatos Estaduais, o Flamengo poupa metade dos titulares em uma competição como a Copa do Brasil ou o Internacional faz o mesmo na Copa Sul-Americana, dois recados estão sendo passados. O primeiro é o de que os as comissões técnicas dos clubes brasileiros, de todos eles, não somente os citados, são preguiçosas e não montam um planejamento para saber quem deve ser poupado e quando deve ser. O segundo, é que, para estes clubes, quanto menos objetivos forem estabelecidos para a temporada, melhor.

Pelos salários que recebem, é inadmissível que as comissões técnicas dos clubes de elite não montem um planejamento físico muito bem informado de seus respectivos elencos. É claro que problemas de contusão sempre surgem, mas com este planejamento em mãos seria possível prever o melhor momento para se poupar jogadores sem que a estrutura do time fosse abalada com seis, sete ou até onze alterações. Realizar um rodízio na equipe, como muitos fazem na Europa, é uma coisa. Trocar meio time ou um time inteiro porque se considera a competição sem relevância é outra. Uma outra muito mais preguiçosa.

Além do mais, ao mandar a campo um time de cheio de suplentes, o clube deixa bem claro que vencer o campeonato em questão não é um objetivo. Com o ato de ignorar Estaduais, Copa Sul-Americana e Copa do Brasil, os clubes cortam três torneios da lista de possíveis metas, estratégia que diminui consideravelmente a pressão por resultados, pois dirigentes e torcedores parecem aceitar melhor as eliminações deste tipo. Convenhamos que esta é uma atitude no mínimo incompatível com clubes que pagam (às vezes não pagam, é verdade) folhas salariais que giram em torno de 10 milhões de reais por mês.


O Campeonato Brasileiro é longo, a Copa Libertadores é o sonho de qualquer torcedor e o calendário do nosso futebol ilustra toda a incompetência da CBF. Três verdade, mas verdades que não podem ser assumidas como desculpas para que outros torneios sejam ignorados e treinadores e jogadores percam a sede por levantar troféus.  

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

CHOCOLATE E CEREAIS

Já faz algum tempo que a incompetência dos dirigentes esportivos brasileiros me espanta mais do que a desonestidade que eles exalam. Não que eu me sinta acostumado e aceite a falta de caráter de grande parte dos cartolas, mas a incapacidade profissional para realizar o mais simples é de assustar. Estes próximos dias nos mostrarão um exemplo cristalino do que falo.

Imagine você, amigo, dono de um empreendimento que comercializa dois produtos: barrinhas de chocolate e barrinhas de cereais. Em determinado momento, com o intuito de aumentar as vendas das barrinhas de cereais, o que você acharia da ideia de investir em propagandas sobre os malefícios de se comer chocolate? Uma ideia completamente sem pé nem cabeça, concorda? Pois, em certa medida, é o que faz a CBF.

Completamente ausente de questões como projetos sociais, punições a atos racistas, profissionalização da arbitragem, controle da violência nos estádios, suporte aos clubes das divisões inferiores, entre outras, a CBF se compromete apenas a realizar as competições nacionais e explorar a Seleção Brasileira. O Campeonato Brasileiro, a Copa do Brasil e a Seleção são os seus produtos.

No entanto, vamos presenciar nos próximos dias o seguinte cenário: as próximas duas rodadas do Brasileirão e os jogos de volta da Copa do Brasil não contarão com o melhor do pouco que temos, pois Jefferson, Gil, Elias, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Robinho e Diego Tardelli, estarão servindo a Seleção Brasileira nos amistosos contra Colômbia e Equador.


Ao promover rodadas das principais competições nacionais em paralelo com jogos da Seleção, a CBF mostra que aconselharia ao amigo, caso fosse dono da empresa de barrinhas, a meter o pau no chocolate para vender mais cereais.