domingo, 12 de outubro de 2014

CAMPEONATO BRASILEIRO - 28ª RODADA – INTERNACIONAL X FLUMINENSE



Internacional 2 x 1 Fluminense – Beira-Rio, Porto Alegre (RS)

Fluminense sucumbe à categoria de D’Alessandro, perde para o Internacional no Beira-Rio e vê a zona de classificação para a Libertadores mais distante.

O pecado capital do Fluminense em Porto Alegre foi dar toda a liberdade possível para que o cerebral meia colorado D’Alessandro deixasse aflorar sua enorme categoria. Enquanto os volantes vermelhos Bertotto e Willians chegavam junto e não davam sossego para Conca, Cícero e Wágner organizarem o Flu, os cabeças de área tricolores Jean e Diguinho (mais tarde Rafinha e mais tarde ainda Edson) permitiram que D’Alessandro fizesse o que bem entendesse com a redonda. E como entende o argentino!

O espaço dado a D’Alessandro pelo Flu foi tamanho que dos dez “melhores momentos” criados pelo Internacional em todo o duelo o camisa dez construiu nada menos do que sete, ora com lançamentos milimétricos, como o que deixou Alex livre para encobrir Diego Cavalieri e fazer um a zero, aos 6 minutos da etapa final, ora com passes curtos e letais, como o que deu para Valdívia decretar a vitória vermelha, aos 41.

Além de todo o estrago feito por D’Alessandro, é possível ilustrar a fragilidade da marcação tricolor no setor de meio-campo por uma outra maneira. Em seus momentos mais produtivos, que ocorreram entre a parte final do primeiro tempo e o início da segunda etapa, o Internacional sempre forçou o jogo pela esvaziada meiúca tricolor, fragilidade esta que deixava completamente exposta a dupla de zaga formada por Marlon e Elivélton.

Por sua vez, o Fluminense encontrou tantas dificuldades em criar pela faixa central da retaguarda vermelha que só conseguiu acionar o Fred em três bolas alçadas na área. Em uma delas o centroavante, cheio de estilo, cabeceou para marcar o que poderia ser o gol de empate, pois o relógio já marcava 40 minutos.

Poderia, mas não foi, e depois de conquistar apenas um ponto em confrontos contra Atlético Mineiro e Internacional, rivais diretos, o Flu começa a dar indícios de que não terá forças para sustentar a briga na zona nobre da tabela.

Internacional: Alisson; Diogo, Ernando, Paulão e Fabrício; Willians e Bertotto; D’Alessandro, Alex (Ygor) e Alan Patrick (Valdívia); Wellington Paulista (Nilmar). Técnico: Abel Braga.

Fluminense: Diego Cavalieri; Bruno (Edson), Elivélton, Marlon e Chiquinho; Diguinho (Rafinha) e Jean; Cícero (Rafael Sóbis), Conca e Wágner; Fred. Técnico: Cristóvão Borges.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

A BARREIRA DO CONHECIMENTO TÁTICO



Questionado recentemente pelo apresentador-locutor Galvão Bueno sobre os motivos de os treinadores brasileiros não terem sucesso nas principais ligas europeias, Vanderlei Luxemburgo se utilizou da barreira do idioma para defender sua classe: “nós temos a dificuldade da língua”, afirmou o atual técnico do Flamengo. Sendo curto e grosso, esta foi uma desculpa bem inconsistente.


Não precisamos de mais que dois simples exemplos para refutar a argumentação de Luxemburgo. O primeiro é que se o idioma fosse mesmo um grande problema, os treinadores brasileiros não seriam vitoriosos, como são, no Japão e no chamado mundo árabe. Segundo, são raros – raríssimos – os brasileiros que tiveram sucesso como treinadores de clubes portugueses. Pois se não é pelo idioma, por que os nossos “professores” não brilham no Velho Continente?
 

Sem dúvidas esta não é uma pergunta para ser respondida em poucas linhas, mas sim para debatida por todos os setores do nosso futebol. No entanto, de uma maneira bem incipiente e rascunhada, podemos culpar a falta de solidez tática dos treinadores tupiniquins. Escutamos e às vezes elogiamos um “quadrado mágico”, um “time de guerreiros” ou uma “equipe-família”, mas há quanto tempo que um onze brasileiro não é chamado de carrossel?
 

Em outras palavras, já faz algumas primaveras que produzimos times que brilham mais pela técnica, pelo físico e pelo psicológico do que pela tática. E com certeza, amigos, não é coincidência a fragilidade tática dos times nacionais e a ausência de técnicos brasileiros nos clubes de ponta da Europa, onde o sistema de jogo tem mais valor.
 

Os treinadores brasileiros precisam estudar não somente outras línguas, mas também se dedicar ao estudo acerca do futebol que atualmente se joga nos grandes centros, pois, além da barreira do idioma, existe também a barreira do conhecimento tático.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

CAMPEONATO BRASILEIRO 2014 – 27ª RODADA – FIGUEIRENSE X FLAMENGO



 Figueirense 1 x 2 Flamengo – Orlando Scarpelli, Florianópolis (SC)

Atacante Nixon entra no fim, muda o rumo do jogo e dá vitória ao Flamengo sobre o Figueirense no fechar das cortinas. 

O Flamengo saiu na frente do placar logo aos 4 minutos, quando João Paulo acertou um cruzamento tão milimétrico que Eduardo da Silva não precisou nem pular para sacudir o filó. Como o Figueirense acusou o golpe de sofrer um gol tão cedo, o Rubro-Negro teve a chance de seguir no comando das ações ofensivas, o que o fez por mais um tempinho, somente até decidir, de maneira precipitada, a fazer cera e tentar adiantar o relógio.

A postura flamenguista recolou os catarinenses no jogo. Com seus laterais, volantes, meias e avantes no campo de ataque, o Figueira ganhou volume ofensivo e começou a levar perigo à meta flamenguista nas bolas aéreas. Na melhor oportunidade dos mandantes, Marcão desviou de cuca e a bola passou perto do poste.

O duelo voltou do intervalo com o Figueirense ainda forte nas bolas aéreas, mas, agora, o Flamengo já se arriscava um pouco mais no ataque, a ponto de desperdiçar duas chances claríssimas, uma com o zagueiro Marcelo e outra com Eduardo da Silva, que, acreditando estar impedido, finalizou de calcanhar nas mãos do goleiro Tiago Volpi. Ato contínuo à falta de atenção do atacante rubro-negro, aos 11, o Figueirense chegou ao empate através do impetuoso Mazola.

A empolgação catarinense com o empate foi tanta que os ataques na busca pela virada começaram a vir de todas as formas: pelo lado, pelo meio, por baixo, pelo alto, de perto, de longe... Por duas vezes, ambas aos 17 minutos, Marcão teve em seus pés (e cabeça) chances para marcar, mas faltou tranquilidade e qualidade.

Vendo seu time abatido e acuado, Luxemburgo lançou mão de Gabriel e Muralha para reestruturar o meio-campo. O técnico foi bem, mas foi melhor ainda aos 33, quando mandou Nixon a campo. Ligado como nunca, Nixon ressuscitou o Flamengo e, em pouco mais de 10 minutos, deixou Canteros na cara do gol, acertou a trave e, já nos acréscimos, fez o gol que deu ao Fla um triunfo pra lá de importante.

Figueirense: Tiago Volpi; Willian Cordeiro (Jefferson), Nirley, Thiago Heleno e Marquinhos Pedroso; Paulo Roberto, Marco Antônio, França (Mazola) e Giovanni Augusto; Clayton e Marcão (Everaldo). Técnico: Argel.

Flamengo: Paulo Victor; Léo Moura, Marcelo, Chicão e João Paulo; Márcio Araújo, Canteros, Luiz Antônio (Gabriel) e Everton; Eduardo da Silva (Nixon) e Alecsandro (Muralha). Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

A ÁREA DO DESESPERO



A ausência de Muricy Ramalho do banco de reservas do São Paulo nos últimos dias, devido a problemas cardíacos, é uma ilustração definitiva do estresse que os treinadores inspiram e expiram durante, mas não apenas, os 90 minutos de uma partida. De uns tempos para cá, coisa de no máximo duas décadas, a chamada área técnica tornou-se uma área de desespero, com treinadores de olhos esbugalhados, veias saltitantes e gestos agressivos.

Não existe apenas um motivo para a postura desesperada que os treinadores demonstram nas proximidades da linha lateral, ao lado de microfones que captam as abelhas africanas, as cobras e os lagartos que eles cospem. No entanto, um motivo que certamente influencia este show de agressividade é o fato dos “professores” desejarem mostrar que estão trabalhando, suando com os jogadores, fazendo de tudo pela vitória do time. De uma forma bem ácida, diria que eles tentam compensar no tempo de jogo o que não fazem no tempo (curto, é verdade) de treinamento.

Sem se sentirem seguros com o trabalho técnico-físico-tático-psicológico realizado nas vésperas, os treinadores apostam no escândalo à beira do campo. Difícil é saber como eles acreditam estar ajudando com seus berros, sejam os direcionados aos comandados ou aos árbitros. Pensemos, por exemplo, na questão da valorização da posse de bola, questão esta que a chinelada alemã de sete transformou em protagonista para o futebol brasileiro. Como esperar que nossos meio-campistas, muitos deles sem muita intimidade com a redonda, tenham concentração e leveza para realizar um jogo de troca de passes enquanto, a poucos metros, seu treinador se esgoela aos berros de “Pega!”, “Toca!”, “Marca!”, “Aqui”, “Ali”, “Falta!”, “Cartão”, “&*%$#!”.

Qualquer porta de banheiro de botequim ou traseira de caminhão diz que tudo tem um lado positivo e um negativo. Confesso, porém, amigos, não encontrar nenhum benefício, para os jogadores, os torcedores, os próprios treinadores e, principalmente, para o jogo em si, de tamanho desespero na área técnica.

domingo, 5 de outubro de 2014

CAMPEONATO BRASILEIRO 2014 - 25ª rodada - CRUZEIRO X INTERNACIONAL

Cruzeiro  2 x 1 Internacional - Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Cruzeiro mostra força de líder, bate Internacional no Mineirão lotado e abre nove pontos na ponta da tabela.

Intenso como exige um duelo entre candidatos ao caneco, o Cruzeiro tomou conta do Internacional nos primeiros 45 minutos. Muito bem distribuídos no ataque, os azuis não tiveram problemas para trocar passes, sair pelo chão e inverter bolas, mesmo diante de um adversário que se propunha a jogar fechado. Na defesa, os meias ajudavam os laterais a controlar o jogo colorado pelos flancos, enquanto os volantes se mostravam sólidos o bastante para anular a categoria de D'Alessandro. Não seria exagero dizer que a Raposa não encontrou dificuldades para chegar ao intervalo com a vantagem de dois a zero, gols de Marcelo Moreno e Marquinhos.

Com uma ótima vantagem e a vitória bem encamianhada, tirar  calor do jogo seria ótimo para o Cruzeiro, mas o Colorado tão ligado que isso não foi possível. Pelo contrário, os embate viveu n início da etapa final, os seus mais importantes dez minutos, com uma carimbada na trave do D'Alessandro, um pênalti isolado pelo Willian que praticamente fecharia o caixão vermelho e um Alex para recolocar de vez o Inter na partida. Distribuindo passes incisivos, sofrendo faltas e aumentand  ritmo dos ataques, Alex ainda daria mais uns dez minutos de bom futebol aos vermelhos, mas, aos poucos, a força gaúcha se esvaiu e os mineiros conseguiram retomar o controle do duelo.

Não somente retomaram o controle como, principalmente após as entradas de Nilton e Dagoberto, aos 23, começaram a criar chances de gols em sequência. Entre os minutos 34 e 40, o Cruzeiro teve três claras oportunidades de ampliar  escore, mas Marquinhos, Moreno e Dagoberto não finalizaram de forma caprichada e jogo ficou em aberto até o apito final, que só veio após Fábio realizar segura defesa em finalização do Alex e para garantir  triunfo azul. E assim, o Brasileiro chega à seguinte situação: se ainda pace cedo para decretar o título cruzeirense, ninguém é corajoso para apostar no contrário.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

CRUZEIRO, PONTOS CORRIDOS E JUSTIÇA


Um dos debates mais agradáveis do nosso futebol é aquele que coloca na balança as vantagens e as desvantagens de se ter um Brasileirão por pontos corridos ou realizado no formato que engloba uma fase inicial classificatória para um mata-mata. E este campeonato de 2014, que caminha para seu último terço, apresenta um dado interessantíssimo para se discutir tal assunto: líder absoluto desde a sexta rodada, o Cruzeiro possui um desempenho pífio quando enfrenta as equipes que brigam para terminar entre as quatro melhores.

Até o momento, o Cruzeiro disputou oito partidas contra Internacional, São Paulo, Atlético Mineiro, Grêmio, Fluminense e Corinthians, os seis clubes que, nesta ordem, o seguem na tabela de classificação. Destes oito embates, a Raposa venceu apenas dois, empatou outros dois e perdeu quatro, retrospecto que resulta em um aproveitamento de 33,3%, o mesmo que hoje possui o Palmeiras, primeiro time na zona de rebaixamento.

Como possui uma campanha magnífica diante dos adversários que se encontram abaixo da sétima colocação (14 vitórias, 3 empates, nenhuma derrota e 88,2% de aproveitamento), o Cruzeiro se dá ao luxo de não precisar encarar os jogos mais encardidos como se fossem de vida ou morte. E pode-se dizer que muito da liderança da Raposa se dá por ter entendido que, num campeonato por pontos corridos, um jogo contra o lanterna vale os mesmos três pontos que um jogo contra o vice-líder.

É neste ponto que a discussão se torna ainda mais interessante, pois começamos a perceber que o conceito de justiça não tem nada de absoluto. Enquanto os que preferem os pontos corridos bradam que esta é a forma mais justa de disputa, pois todos os times recebem e visitam os mesmos adversários, os amantes do mata-mata não veem um pingo de justiça na possibilidade de um campeão não precisar mostrar seu valor contra os rivais mais fortes.

No próximo sábado, o Cruzeiro enfrenta o Internacional, vice-líder, e uma vitória colorada poria não só mais fogo no torneio como também neste interminável e prazeroso debate.

domingo, 28 de setembro de 2014

CAMPEONATO BRASILEIRO 2014 – 25ª RODADA – BOTAFOGO X GRÊMIO


Botafogo 0 x 2 Grêmio – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Goleiro botafoguense Jefferson tem grande atuação, mas não consegue parar o artilheiro Barcos, que marca duas vezes e dá vitória ao Grêmio no Maracanã.

Antes do apito inicial, o Grêmio ocupava o posto de segundo pior ataque da competição e ostentava a sequência de sete partidas sem sofrer sequer um gol, dados que demonstram como o poder ofensivo não é a principal força do time. Porém, a postura botafoguense de se fechar na defesa e esperar a oportunidade de contra-atacar, fez com que os tricolores tivessem que sair do seu estilo e tomassem a iniciativa. Pois não só a tomaram como deram um trabalho do cão ao goleiro Jefferson. Corrigindo: ao goleiraço Jefferson.

Se os perdidos defensores botafoguenses não conseguiram conter a dinâmica de Dudu e Luan e os avanços de Ramiro e Zé Roberto, Jefferson fez de tudo, desde saídas felinas nos pés adversários até encaixadas seguras em arremates médios e longos. Foi muito pelas qualidades do arqueiro que o Grêmio só conseguiu transformar a sua superioridade em bola na rede após o intervalo. Aos 3 minutos – logo depois do Bota quase fazer um gol antológico em passe de letra de Ramírez e voleio do Sheik –, o infinito Zé Roberto roubou uma bola no meio-campo e apareceu no fundo para encontrar Barcos, que fez um a zero.

Estar em vantagem era tudo que o Grêmio mais queria e, por outro lado, o Botafogo parecia não ter muita ideia do que fazer com a bola que agora passava mais tempo em seus pés. Enquanto o treinador alvinegro Vágner Mancini mudava os seus homens de frente e nada conseguia produzir, Scolari trocava seus jogadores impetuosos por mais segurança no meio-campo e, mesmo assim, o Grêmio não parava de atazanar a vida do Jefferson, que nada pôde fazer quando, aos 31, Barcos apareceu sozinho na sua frente para ampliar. E olha que antes do apito final o Pirata ainda arrumou tempo e espaço para acertar o travessão.

Tanto quando quis contra-atacar, como quando teve que tomar a iniciativa, o Botafogo foi dominado e quase nada criou. De bom no domingo o fato de se manter fora da zona da degola.

Botafogo: Jefferson; Dankler (Carlos Alberto), Bolívar, André Bahia e Julio Cesar; Airton e Gabriel; Emerson Sheik, Rogério (Ferreyra) e Ramírez; Zeballos (Wallyson). Técnico: Vágner Mancini.

Grêmio: Marcelo Grohe; Pará, Geromel, Rhodolfo e Zé Roberto; Walace e Fellipe Bastos (Riveros); Ramiro, Dudu (Matheus Biteco) e Luan (Alan Ruiz); Barcos. Técnico: Luiz Felipe Scolari.