sexta-feira, 8 de maio de 2009

TERCEIRA RODADA DA COPA DO BRASIL - PARTE 2

Fortaleza 0 x 3 Flamengo – Castelão, Fortaleza (CE)
Fluminense 1 x 1 Goiás – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Olá amigos do FUTEBOLA!

Nesta semana foram realizados inúmeros jogos importantes, pelo Brasil e pelo mundo. Copa do Brasil, Champions League, Taça Libertadores e Copa da Uefa, tiveram partidas decisivas e todos os torneios estão pegando fogo. Não consegui assistir a todos os jogos que eu queria, e alguns estão gravados esperando o fim de semana, porém o que não falta aqui é jogo importante comentado. Vamos aos destaques da semana, começando pela competição nacional.

Pela Copa do Brasil, consegui assistir aos jogos Fortaleza x Flamengo e Fluminense x Goiás. Antes dos comentários sobre ambos, vamos passear pelos resultados dos outros jogos.

- O Americano quase conseguiu a façanha de chegar entre os oito times classificados, porém não teve forças para segurar a Ponte Preta, em Campinas, e perdeu por 2 a 1. Com o sentimento de trabalho realizado, os jogadores campistas terão para sempre em suas memórias, a histórica vitória sobre o Botafogo.

- O Vasco não deu chance nenhuma a zebra chamada Icasa e sapecou 4 a 1, em Juazeiro. Tudo bem que o objeto principal do ano é conseguir o acesso à Serie A de 2010, porém que o time está ganhando corpo na Copa do Brasil, ninguém pode negar.

- Mais uma vez o Corinthians teve que contar com a qualidade do Fenômeno para garantir um triunfo. Com dois gols de Ronaldo, a equipe bateu o Atlético Paranaense e segue firme e forte em busca da segunda final seguida da Copa do Brasil. E teremos Ronaldo no Maracanã!

- O Atlético Mineiro fez o que parecia impossível e venceu o Vitória por 3 a 0, levando a decisão da vaga para os pênaltis. Quando parecia que o Galo teria vantagens na disputa de penalidades, pela empolgação, o Vitória surpreende, converte todas suas 5 cobranças e garante a classificação.

- O incrível Internacional venceu o Náutico por 2 a 0. Se o resultado já era esperado, mais uma boa atuação de D´Alessandro também não foi nenhuma surpresa. Que golaço fez o argentino! Se ele continuar atuando neste nível ao longo do Brasileirão, prometo criar a campanha “Chama ele Dieguito!”.

- Com uma tranquilidade impressionante o Coritiba atropelou o CSA. Após vencer o jogo de ida por 4 a 0, em Alagoas, desta vez o Coxa balançou a rede 3 vezes e, com a vitória de 3 a 0, garantiu a vaga. Novamente Marcelinho Paraíba deixou a marca dele. Se estiver focado, o Paraíba é um excelente jogador, que não pode ser deixado de lado ao citarmos os destaques do futebol brasileiro.

Agora vamos aos comentários sobre os jogos que consegui assistir.

MANDOU BEM!

- Simplesmente sensacional a atuação do Flamengo nos 30 primeiros minutos do 2º tempo, em Fortaleza. Nas minhas contas foram nada menos que oito grandes oportunidades de balançar as redes, sendo que três delas foram convertidas. Bastou Juan mostrar suas qualidades que o sonho do Fortaleza foi por água abaixo. Reparem nos lances de Juan. Primeiro ele arquiteta um ataque como se fosse um camisa 10, que passa pelo calcanhar de Emerson, pelos pés de Kléberson e enfim “sacode o véu da noiva”. Depois Juan pega a bola na entrada da área, dribla Júlio e sobre falta dura que resulta em cartão vermelho para o jogador cearense. Mais alguns minutos e nova jogada individual do lateral rubro-negro, que agora sofre pênalti, convertido em seguida por ele mesmo. Resumo da ópera: em três lances Juan decidiu a partida. Porém, fazendo justiça, Íbson e Emerson também jogaram muita bola. O meia, além da grande capacidade de organizar o time que sempre possuiu, mostrou ser um exímio cobrador de escanteios. Os cruzamentos que Íbson vem realizando, sempre levam perigo ao adversário, como no terceiro gol flamenguista, marcado por Emerson. E não foi só pelo gol que Emerson atuou bem. O atacante buscou bastante o jogo, deu muito trabalho a defesa do Fortaleza, tocou linda bola de calcanhar no já citado gol de Kleberson, deixou sua marca e, como sempre, correu bastante. Uma atuação do Flamengo para ninguém falar que o Internacional é o favorito no duelo pelas quartas-de-final.

- Uma vez mais o Fluminense deve um triunfo ao goleiro Fernando Henrique. Um dos jogadores mais injustiçãdos pela mídia e pela torcida carioca, Fernando Henrique pode não ser o melhor goleiro do país, mas está muito longe de ser o frangueiro que muitos acham. Na Taça Libertadores de 2008, não foram poucos os jogos onde ele foi herói, assim como neste jogo pela Copa do Brasil contra o Goiás. Aos 35 minutos do 1º tempo, FH realizou, com os pés, um defesa espetacular em chute de Zé Carlos. Se a bola entrasse e o Goiás fosse para o intervalo vencendo, o jogo se desenharia complicadíssimo para o Fluzão. E tem mais! Depois que Thiago Neves abriu o placar para o Flu, no início da 2ª etapa, foi Fernando Henrique que segurou os atacantes goianos Felipe e Iarley, que infernizavam Luiz Alberto e cia. A torcida tricolor tem muito que agradecer ao seu camisa 1 pela classificação e rezar para ele conseguir para o Fenômeno. Além de Fernando Henrique, também gostei muito da atuação do meia Marquinho. Mostrando-se um jogador dinâmico, participativo, que não se esconde, Marquinho foi a principal peça do Flu nas pouquíssimas jogadas ofensivas realizadas pela equipe. Como exemplo, temos os passes que deu para Fred desperdiçar uma chance aos 18 minutos do 1º tempo e para Thiago Neves marcar o gol do Flu. O Parreira pode, e deve, usar o Marquinho mais vezes.

MANDOU MAL!

- A atuação do Fluminense esteve longe de ser digna de um time dirigido pelo Parreira. Em nenhum momento do jogo, e não estou exagerando, o Fluminense tentou manter o controle da bola para não deixar o Goiás jogar. Mesmo após abrir o placar, quando o Fluminense poderia rodar o jogo e esfriar o time goiano, preferiu rifar a bola para frente. Claro que a culpa não foi do Parreira, pois a todo momento a tv o mostrava gesticulando com as mãos, fazendo o movimento de valorizar a posse da pelota. Os culpados foram os próprios jogadores, que com um comandante do gabarito de Parreira dando as ordens, preferiram não escutá-las. Acredito que se o Flu repetir esta postura contra o Corinthians, a chance de eliminação será grande. Não que eu ache o Corinthians um time mais forte que o Fluminense, pelo contrário, acho o Flu tão bom quanto o Timão. Digo isto, pois quando qualquer time decide abdicar das jogadas ofensivas para segurar um resultado, geralmente não consegue êxito.

ENQUANTO ISSO EM SÃO PAULO…

- Como era de se esperar, o Palmeiras não encontrou facilidade ao enfrentar o Sport, em pleno Parque Antártica. Durante toda a 1ª etapa, mesmo mantendo maior posse de bola, o Palmeiras não foi superior ao time de Recife, que se encontrava muito bem postado em campo. Vanderlei Luxemburgo escalou o Palmeiras com 3 atacantes (Marquinhos, Willians e Keirrison) e com isso, Cleiton Xavier teve que jogar mais recuado, fazendo um papel de segundo volante. Como o trio de atacantes não conseguiu se entender coletivamente e Cleiton não tinha muita liberdade, o Palmeiras pouco conseguiu criar durante os primeiros 45 minutos. Já o Sport, bem organizado defensivamente, conseguia assustar um pouco a defesa alvi-verde quando o atacante Wilson pegava na bola, sendo sempre parado com faltas. Após o intervalo o Sport começou a gostar do empate e gradualmente foi desistindo do ataque. O Palmeiras, que pelo contrário não via nada de bom em empatar, buscava soluções para furar o bloqueio pernambucano, como as entradas do atacante paraguaio Ortigoza e do volante Mozart, nos lugares de Marquinhos e Willians, que realizaram péssimas apresentações. As modificação melhoraram o Palmeiras, pois Ortigoza entrou mais aceso no jogo e Mozart, que pensei entraria somente para liberar mais o Cleiton Xavier, apareceu constantemente no ataque. Aos 30 minutos o volante do Sport, Hamilton, foi expulso e, segundos depois, o Palmeiras abriu o placar em cobrança de falta de Cleiton Xavier desviada por Ortigoza. A partir de então, o Verdão pressionou bastante, tentando se aproveitar do homem a mais em campo, e conseguiu levar perigo em bolas paradas de Cleiton Xavier e em uma cabeçada na trave de Diego Souza, após lindo cruzamento de Mozart, porém a vitória veio mesmo pela diferença mínima. O jogo de volta, na panela de pressão que vai ser a Ilha do Retiro promete muito, e o Palmeiras terá que mostrar, além de muita raça, inteligência para saber a hora de segurar o jogo e de contra-atacar com velocidade. Para terminar, um rápido comentário sobre o Keirrison: o jovem palmeirense é muito bom jogador, mas é visível que a fase não está ajudando. Ele faz linda jogada e chuta... A bola passa raspando. Mais um lindo lance e ele cruza... Diego Souza perde o gol na cara. Tudo que ele faz certo, acaba dando errado.

ENQUANTO ISSO NA INGLATERRA...

- Quem assistiu ao segundo jogo entre Arsenal e Manchester United, válido pelas semi-finais da Champions League, presenciou a diferença entre um bom time e um time de outro mundo. O Arsenal, que está longe de ser uma equipe frágil, não conseguiu andar em campo. O excelente volante Fábregas não tinha espaço para pensar, Van Persie e Walcott não conseguiram mostrar um nada de seus repertórios ofensivos e Adebayour foi presa fácil para a defesa adversária. Culpa deles? Sim. Méritos do Manchester? Mais ainda. É óbvio que conseguir um placar de 2 a 0 com 11 minutos de jogo deixa qualquer equipe tranquila, e com o Manchester não foi diferente. Com o esquema armado por Alex Ferguson e os jogadores que possuem uma rara obediência tática, o Manchester torna-se quase imbatível quando joga com o regulamento debaixo do braço. Todos elogiam a fortíssima defesa formada por Ferdinand e Vidic, porém não é só a qualidade destes ótimos zagueiros que é responsável pela força defensiva da equipe. O que Rooney e Park fazem em campo é de encher os olhos de qualquer apreciador do bom futebol. Além de serem atacantes incisivos, sempre estão compondo o sistema de marcação, fechando os lados do campo. O futebol de Wayne Rooney, em particular, cada dia me encanta mais. Não importa se ele está deslocado para compor o sistema defensivo pela direita ou pela esquerda, ele realiza este trabalho com maestria, sem deixar de ser o excepcional atacante que sempre foi. Nesta partida contra o Arsenal, também gostei muito do posicionamento do brasileiro Anderson, a frente dos dois volantes e com maior liberdade para chegar ao ataque. Mesmo não fazendo uma partida espetacular, o brazuca esteve muito bem em campo. E ainda tem mais! Ainda tem Cristiano Ronaldo.

O português literalmente se divertiu em Londres e fez uma apresentação digna de melhor do mundo. O passe para o gol de Park e a bomba que colocou o 2 a 0 no placar, já estavam de bom tamanho, porém ele resolveu nos brindar com uma jogada antológica. Justiça seja feita, ele e seus companheiros. O jogo já estava praticamente decidido e o Manchester apenas esperava o tempo passar tocando a bola e, vez por outra, dando uma espetada na defesa do Arsenal. Foi quando aos 16 minutos do 2º tempo veio o lance genial. A defesa do Manchester cortou uma bola cruzada na área que caiu nos pés de Ronaldo. O português deu curto toque de calcanhar para Park que arrancou pelo meio até ultrapassar a linha central, dando açucarado passe para Rooney na ponta esquerda. O inglês, com toda sua inteligência, esperou a chegada de Ronaldo que, após ter iniciado o contra-ataque, vinha como um trovão pelo meio da área. A assitência foi perfeita. Mais perfeita ainda foi a conclusão de Ronaldo, com leve toque na saída do goleiro Almunia. Golaço. Golaço daqueles que é fruto de muita qualidade e principalmente muito treino. Para os que dizem que Cristiano Ronaldo não é decisivo, a situação parece estar mudando. Nos jogos eliminatórios anteriores, contra a Inter e o Sporting, ele deixou sua marca. Agora, dá um verdadeiro show em campo, em plena semi-final. O jogo podia ter acabado, após a obra-prima que foi o terceiro gol, mas ainda deu tempo de o Arsenal diminuir com Van Persie cobrando pênalti. Placar final: Arsenal 1 x 3 Manchester. E como todos os fãs do futebol queriam, teremos Manchester x Barcelona. Teremos Cristiano Ronaldo x Messi.

ENQUANTO ISSO NA ALEMANHA...

- O segundo duelo entre Hamburgo e Werder Bremen, pelas semi-finais da Copa da Uefa, pode não ter sido, tecnicamente, um jogão de bola. Porém, o que não faltou foi emoção. O Hamburgo havia vencido o primeiro jogo, fora de casa, por 1 a 0 e conseguiu ampliar sua vantagem ao abrir o placar logo aos 13 minutos do 1º tempo com o atacante croata Olic´. O jogo permaneceu um tempinho truncado até que, por volta de 25 minutos, Olic´ quase colocou o 2 a 0 no placar. Até então, o brasileiro Diego não havia aparecido bem, e sem ele o Werder Bremen não anda em campo. Quando decidiu começar a jogar foi um verdadeiro show. Primeiro ele tabelou espetacularmente com Pizarro e com um toquinho de classe encobriu o goleiro Rost para empatar a partida. Poucos minutos depois, em jogada individual, mandou um balaço de fora da área que fez o travessão balançar por um bom tempo. Mas aí o seu conhecido destempero deu as caras e, ao discutir com Alex Silva, recebeu um cartão amarelo que lhe tirou da final. Mesmo sem a vaga ainda estar garantida, essa punição apagou Diego em campo. Após o intervalo o jogo se tornou mais emocionante. As oportunidades de gols se alternavam e nenhuma equipe predominava em campo. Enquanto Pizarro tentava pelo Werder Bremen, Olic´ não desistia pelo Hamburgo. E quem se deu bem foi o Bremen, que contando com as colaborações do goleiro Rost e do zagueiro Gravgaard conseguiu colocar 3 a 1 no placar, com gols de Pizarro, primeiro, e depois o capitão Baumann. O Hamburgo não se entregou apesar das péssimas substituições realizadas pelo seu treinador Martin Jol, que realizou, acreditem, 3 alterações no setor defensivo. A pressão deu resultado quando Olic´, sempre ele, marcou seu segundo gol na partida. Vou repetir por aqui este comentário: o Bayern de Munique acertou em cheio ao contratar o Olic´ para a próxima temporada. Um jogador incisivo e raçudo que dá gosto ver em campo. O tempo para o Hamburgo empatar a partida, porém, era curto e a vaga ficou mesmo com o Bremen. Placar final: Hamburgo 2 x 3 Werder Bremen. Agora resta saber como a equipe verde irá se comportar sem Diego na final contra o Shakhtar Donetsk.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

SELEÇÃO DO CAMPEONATO CARIOCA 2009

Olá amigos do FUTEBOLA!

Terminado o Campeonato Carioca de 2009, nada mais divertido do que montarmos a Seleção do Cariocão e eleger os destaques do torneio. Acredito que cada leitor escolherá uma Seleção diferente da minha, assim como a minha foi diferente da escolhida pelo diário Lance! e pela Federação Carioca. Portanto, fiquem a vontade para deixar por aqui sua preciosa opinião.

GOLEIRO – Bruno (Flamengo)
Antes do segundo jogo decisivo do Estadual, era grande a dúvida entre Bruno e o jovem Renan, do Botafogo. Porém, após defender 3 pênaltis, sendo um deles no tempo normal, em uma final de campeonato, ficaria impossível não escolher Bruno para vestir a número 1.

LATERAL-DIREITO – Paulo Sérgio (Vasco)
Esta foi a posição de maior carência da competição. Mariano (Fluminense) e Alessandro (Botafogo) não passaram de razoáveis ao longo de todo torneio. Uma prova disso foi o sofrimento que os dois tiveram quando enfrentaram o flamenguista Juan. Muitos podem achar que Léo Moura poderia assumir a posição, porém como suas melhores atuações foram no meio-de-campo, preferi não colocá-lo de lateral, posição em que vem devendo um bom futebol. Já o vascaíno Paulo Sérgio, apesar da péssima atuação contra o Botafogo, na semi-final da Taça Rio, fez uma excelente Taça Guanabara e uma boa Taça Rio, mostrando ser um ótimo assistente.

ZAGUEIRO-CENTRAL – Juninho (Botafogo)
Foi visível a evolução física e técnica de Juninho ao longo do torneio. Durante a parte final da competição, Juninho já estava ótimo nas bolas aéreas, muito bem nas antecipações por baixo e perfeito nas bolas paradas. É impressionante sua qualidade para cobrar faltas, nos surpreendendo até com cobranças colocadas.

QUARTO-ZAGUEIRO – Ronaldo Angelim (Flamengo)
Hoje em dia pode-se falar, sem medo de estar exagerando, que Angelim é indispensável ao time do Flamengo. E o mais incrível, é que até o setor ofensivo rubro-negro cresce com a sua presença. Desde sua qualidade na marcação, passando pela eficiência nas bolas aéreas e terminando com as ultrapassagens pela lateral-esquerda, Ronaldo Angelim mostra que o Flamengo é ele e mais 10. É inegável que seu retorno, após grave contusão, fez o Flamengo evoluir muito.

LATERAL-ESQUERDO – Ramon (Vasco)
Com certeza a diretoria do Vasco acertou em cheio ao contratar o jovem Ramon. Jogador com ótima capacidade para defender e atacar, o que é raro nos jovens laterais de hoje, Ramon fez um campeonato espetacular e suas apresentações nos clássicos contra Flamengo e Botafogo, durante a fase classificatória da Taça Rio, foram de encher os olhos.

PRIMEIRO VOLANTE – Leandro Guerreiro (Botafogo)
Sei que as melhores atuações de Leandro durante o campeonato foram de zagueiro pela esquerda, mas se a sua principal característica é a versatilidade defensiva, não vejo problemas em escalá-lo de volante. No mais, se os laterais precisarem de maior liberdade, basta ele recuar um pouco e tudo estará organizado. Leandro Guerreiro foi muito importante durante toda a bela campanha botafoguense, dando muita estabilidade defensiva para a equipe e, claro, muito suor. Sua atuação na semi-final da Taça Rio, quando anulou o vascaíno Carlos Alberto, foi excelente.

SEGUNDO VOLANTE – Kléberson (Flamengo)
Quando na semi-final da Taça Rio o Cuca decidiu barrar o Erick Flores e escalar o Kleberson, confesso que eu não concordei. Com o andamento da partida, porém, vi que a escolha de Cuca havia sido excelente, pois Kléberson foi o principal responsável por o meio-de-campo do Fluminense não ter conseguido andar naquela partida. Nos três últimos jogos do torneio, todos contra o Botafogo, Kleberson não esteve tão impecável defensivamente, entretanto foi muito útil na organização ofensiva do Flamengo. E é claro que não podemos esquecer que os dois gols do Flamengo, na partida derradeira, foram marcados por ele. Kléberson está começando a justificar a fama de jogador Campeão do Mundo.

MEIA-DIREITA – Carlos Alberto (Vasco)
Para aqueles que achavam que Carlos Alberto não era o homem certo para comandar o Vasco em um ano tão importante para o clube, o Carioca mostrou o contrário. Com uma boa atuação atrás da outra, o meia mostrou aquele futebol que o fez ser Campeão do Mundo com o Porto. E agora tem um agravante, pois ele é o líder e capitão da equipe. Sua apresentação na goleada de 4 a 1 sobre o Botafogo foi algo excepcional.

MEIA-ESQUERDA – Maicosuel (Botafogo)
Desde o meia rubro-negro Felipe, em 2004, ninguém jogou tanta bola quanto Maicosuel em um Campeonato Carioca. Os números são de outro mundo: 19 jogos com 12 gols e 11 assistências, mas se você é como eu e acha que futebol não tem nada de matemática, o que Maicosuel fez dentro das quatro-linhas também foi genial. Podia ser contra time considerado pequeno, como quando deu 3 assistências e fez 2 gols no Friburguense, ou em clássicos, quando acabou com o Vasco na semi-final da Taça Rio e enlouqueceu o Flamengo no 1º jogo da decisão estadual, cada show de Maicosuel fazia valer o preço do ingresso. E sem direito a meia-entrada.

PRIMEIRO-ATACANTE – Bruno Meneghel (Resende)
Se levarmos em conta apenas a Taça Guanabara, Bruno Meneghel alcançou a impressionante marca de 8 gols nos 9 jogos do Resende. Aproveitando a chance que caiu dos céus, com o tribunal retirando pontos do Vasco, o Resende entrou para a história ao eliminar o Flamengo nas semi-finais da Taça Guanabara com dois gols de Bruno. Se não realizou uma boa Taça Rio, ninguém fez por merecer roubar seu lugarzinho na Seleção do Carioca.

CENTROAVANTE – Victor Simões (Botafogo)
Excelente campeonato fez Victor Simões. Mesmo que na parte final do torneio ele tenha caído um pouco de rendimento, seus gols e jogadas de pivô foram importantíssimos para o Botafogo realizar esta ótima campanha no Carioca. Além disto, uma qualidade em especial agrada muito o torcedor alvi-negro: a raça demonstrada em campo. Chute certeiro e garra, são dois atributos que qualquer grande atacante precisa ter, e Victor mostrou-os em grande parte do Cariocão.

TÉCNICO – Ney Franco (Botafogo)
Excelente o trabalho realizado pelo Ney Franco no comando do Botafogo. O treinador conseguiu dar liga ao time, que contava com muitos jogadores que não se conheciam, rapidamente. Concordo que em algumas vezes a equipe recuava muito em campo, mas em outras o trio de ataque, que Ney fazia questão de dar total liberdade de movimentação, mostrava um futebol ofensivo de muita qualidade. Para quem começou um trabalho do zero, Ney Franco deu muitos passos para frente.

MELHOR JOGADOR
1 – Maicosuel (Botafogo)
2 – Carlos Alberto (Vasco)
3 – Kleberson (Flamengo)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

FINAL DO CAMPEONATO CARIOCA 2009 - FLAMENGO X BOTAFOGO

Flamengo 2 x 2 Botafogo (4 x 2, nos pênaltis) – Maracanã

Olá amigos do FUTEBOLA!

Em um jogo espetacular, com cara de decisão, o Flamengo bateu o Botafogo nos pênaltis e se sagrou Campeão Carioca de 2009. Na verdade, o Mengão conquistou o Tri-campeonato Carioca e, para delírio do torcedor rubro-negro, os três troféus foram vieram após vitórias sobre o Botafogo. É hora do flamenguista comemorar. Dos jogadores aos torcedores. Do presidente ao técnico. Comemorem muito esta conquista e depois trabalhem com a mesma intensidade, pois o Brasileirão de 2009 não vai ser brincadeira. Mas se o torneio nacional é assunto para outra hora, vamos aos destaques do jogaço onde o Mengão conquistou o Tri.

MANDOU BEM!

- Claro que quando um time conquista um título o mérito é de toda a equipe. Nesta decisão de domingo, porém, dois rubro-negros, com quem o torcedor do Flamengo vive altos e baixos, foram essenciais para o troféu ir para a Gávea. O meia Kleberson fez pouquíssimas partidas pelo Flamengo que justificassem sua fama de Campeão do Mundo. Na verdade, a única que ficou na memória do torcedor foi a goleada sobre o Palmeiras pelo Brasileirão do ano passado. Já nesta reta final do Estadual, Kleberson foi escalado na semi-final da Taça Rio contra o Fluminense, surpreendendo todos e sendo o melhor homem em campo. Com a vaga no time titular assegurada, Kleberson foi atrás de objetivos maiores. E conseguiu. Agora o meia pode encher o peito e dizer: “Meu nome está na história do Flamengo!”, afinal não é qualquer um que marca dois gols na decisão de um Carioca. Outro jogador decisivo para o título do Mengão já está acostumado a ser herói. Na verdade, os baixos que ele vive na Gávea são mais por causa de suas atitudes fora das quatro-linhas. Dentro de campo, o goleiro Bruno é sensacional. Se alguns podem dizer que ao defender o pênalti cobrado por Victor Simões ele não mudou o panorama da partida, já que o Botafogo empataria em 2 a 2 poucos minutos depois, o que Bruno fez na decisão por pênaltis ficará, assim como os gols de Kleberson, marcado na história. Após defender a cobrança do capitão Juninho, Bruno acabou com muito da confiança dos jogadores alvi-negros e ao voar para salvar a última esperança botafoguense, que era o tiro de Leandro Guerreiro, o goleiro deu o título ao Mengão.

- Léo Moura e Íbson não foram, nem de longe, os jogadores que conhecemos. Não é de agora que o futebol destes dois craques está abaixo do nível que eles podem mostrar, mas mesmo assim Léo Moura ainda é importante nas trocas de passes do e Íbson na organização das jogadas. O que quero elogiar aqui, porém, é a atitude que eles mostram ao vestir a camisa do Flamengo. Como em toda longa relação, eles já foram vaiados e passaram por períodos em que estiveram desmotivados, mas nunca deixaram de ser flamenguistas. Alguém há de contestar o choro de Léo Moura após a conquista? Alguém há de dizer que a alegria de Íbson não era a mesma de um torcedor? Sei que existem mais torcedores jogadores na equipe do Flamengo, mas esses dois são especiais. E para tristeza rubro-negra, parecem que estão mesmo indo embora.

- O início do 2º tempo que fez o Botafogo foi avassalador. O alvi-negro voltou do intervalo perdendo por 2 gols e precisava de muita raça e muito futebol para buscar o empate. Mostrou isso e, por 20 minutos, ninguém lembrou das ausências de Reinaldo e Maicosuel. Logo de cara Alessandro cruza bola na área que resvala no braço levantado de Juan. Pênalti. Se Victor Simões perdeu o pênalti, pouquíssimo tempo depois perdeu um outro gol na cara de Bruno. A pressão só aumentava e o Flamengo teve que se utilizar das faltas para tentar segurar o Botafogo. Uma verdadeira ingenuidade cometer faltas contra um time que conta com Juninho. falta na entrada da área e golaço de Juninho. Não deu nem tempo de o torcedor botafoguense ter esperança no empate, pois ele veio antes mesmo da comemoração pelo golaço terminar. Lançamento de Leandro Guerreiro e Alessandro desvia a bola para linda conclusão de Túlio Souza. Em 18 minutos o Botafogo mostrou como se empata um jogo e o Flamengo como não se deve abdicar do ataque para segurar um resultado. Se os jogadores alvi-negros queriam provar que Maicosuel é o craque, mas não é o único jogador com qualidade do time, conseguiram.

MANDOU MAL!

- Tanto Flamengo quanto Botafogo iniciaram a partida com apenas um atacante. Não posso falar que sou contra este esquema pois já o vi dar certo por várias vezes e em vários campos pelo mundo. O puxão de orelha aqui não é no esquema e sim nos atacantes. Tanto o rubro-negro Emerson quanto o o botafoguense Victor Simões fizeram, uma vez mais, partidas ruins. Emerson não realizou sequer uma boa jogada em toda a partida e ainda teve em seus pés a chance de acabar com a pressão do Botafogo, no início do 2º tempo, quando desperdiçou boa chance, cara a cara com o goleiro Renan. Já Victor Simões esteve pior. Apesar de um bom chute dado no 1º tempo, que passou raspando a trave de Bruno, o pênalti e o arremate, dentro da área, perdidos em sequência, não foram dignos de quem podia ser o artilheiro do Carioca. Mas justiça seja feita. Os atacante que entraram em campo, no decorrer da partida, também tiveram atuações fraquíssimas. Obina e Josiel, pelo Flamengo, e Jean Carioca, pelo Botafogo, não ajudaram em nada suas equipes.

ENQUANTO ISSO NA ALEMANHA…

- Após a goleada de 4 a 0 aplicada sobre o Hoffenheim, o Wolfsburg mostrou que o tropeço diante do Cottbus, na penúltima rodada não tirou o time do eixo. Jogando contra os Campeões do 1º turno, o Wolfsburg demorou para conseguir mostrar seu jogo, ficando por mais de 30 minutos sem levar muito perigo ao goleiro Hildebrand. Mas no finzinho da primeira etapa, para ser mais exato a partir dos 37 minutos, a história do jogo mudou. Em apenas 8 minutos o Wolfsburg criou nada menos que 4 claras oportunidades de abrir o marcador, e aí sim Hildebrand teve que mostrar trabalho. Durante o intervalo, o técnico do Hoffenheim deve ter ordenado seus comandados a atacar o Wolfsburg, pois se a pressão vista no fim do 1º tempo premanecesse, a derrota seria inevitável. Sendo assim, o 2º tempo permaneceu equilibrado até os 20 minutos, ou seja, até o gol do Wolfsburg marcado por Dzeco. A partir daí o que se pôde ver foi um verdadeiro massacre, com Grafite e Dzeco mostrando que se conhecem muito dentro das quatro linhas. Num intervalo menor do que 5 minutos, Grafite fez duas geniais assistências para o bósnio que, em um dia iluminado, não as desperdiçou. Antes do fim da partida, ainda deu tempo de Grafite anotar seu golzinho, em cobrança de pênalti sofrido pelo excelente lateral-esquerdo Schafer. Acompanhei jogos do Schafer esta temporada e, em minha opinião, ele deveria ser testado como titular da Seleção Alemã no lugar de Lahm, que faz tempos não é mais aquele jogador incisivo e impetuoso. O que me impressionou no jogo foi a maturidade ofensiva do Wolfsburg. Na pressão realizada ao final do 1º tempo, Misimovic foi o principal responsável, com seus chutes longos e cobranças de escanteios. Já na 2ª etapa Misimovic não apareceu muito bem, porém a dupla Grafite e Dzeco parecia não se importar com isso, chamando a responsabilidade e decidindo o jogo com um futebol bonito e eficiente. Realmente, este trio do Wolfsburg merece ser muito mais elogiado do que vem sendo. Placar final: Wolfsburg 4 x 0 Hoffenheim. E o comentário presente em todos os jogos do Hoffenheim no 2º turno permanece: como faz falta o tal do Ibisevic!

- Em Hamburgo, o empate em 1 a 1 entre Hamburgo e Hertha Berlim foi ruim para ambos. Sabendo que somente a vitória manteria o sonho de vencer a Bundesliga vivo, os times fizeram um jogo aberto com muitas chances de gols. Logo no início o Hamburgo abriu o placar após linda jogada de Ólic e gol de Jansen. O croata Ólic, já acertado com o Bayern de Munique para a próxima temporada, realmente é um excelente jogador, que consegue deixar as defesas adversárias de cabelos em pé. Após o gol, a partida permaneceu equilibrada até os 30 minutos, quando o Hertha começou a criar grandes oportunidades de empatar a partida. Organizados pelos brasileiros Cícero e Rafael, a equipe de Berlim deu muito trabalho ao bom goleiro Roost, porém a vantagem do Hamburgo permaneceu até o intervalo. Na 2ª etapa podemos falar que ocorreu o inverso. Aos 20 minutos o goleiro Drobny chutou a pelota para frente na direção de Pantelíc, que em uma linda ajeitada deixou a bola preparada para um chute ainda mais lindo de Kacar. Porém, com o empate no placar, foi o Hamburgo que voltou a ter as melhores oportunidades ofensivas, fazendo Drobny ter que mostrar por que é considerado o melhor goleiro da Bundesliga. Com grandes defesas, o goleirão checo não permitiu a derrota de sua equipe. Placar final: Hamburgo 1 x 1 Hertha Berlim. Parece que ambos vão ter que brigar apenas pela vaga na próxima Copa dos Campeões da Europa.

- Além do empate entre Hamburgo e Hertha Berlim, o Wolfsburg está comemorando o 2 a 2 entre Arminia Bielefeld e Stuttgart. Vamos ver como ficaram os resultados envolvendo os 5 primeiros colocados do torneio e a tabela de classificação.

Resultados

Wolfsburg 4 x 0 Hoffenheim
Bayern de Munique 2 x 1 Borussia Monchengladbach
Arminia Bielefeld 2 x 2 Stuttgart
Hamburgo 1 x 1 Hertha Berlim

Classificação

1 – Wolfsburg 60 pontos
2 – Bayern de Munique 57 pontos
3 – Hertha Berlim 56 pontos
4 – Stuttgart 55 pontos
5 – Hamburgo 55 pontos

sábado, 2 de maio de 2009

FIGURINHA CARIMBADA - PALHINHA



Nome: Vanderlei Eustáquio de Oliveira

Data de nascimento: 11 de junho de 1950

Posição: centroavante

Seleção Brasileira – 16 jogos e 4 gols*

Clubes:

Cruzeiro (1968 a 1977 e 1983 a 1984)
Corinthians (1977 a 1980)
Atlético-MG (1980 a 1981)
Santos (1982)
Vasco (1982)
América-MG (1985)

Títulos:

Campeonato Mineiro – 1968, 1969, 1972, 1973, 1974, 1975 e 1984 – Cruzeiro
Taça Libertadores – 1976 – Cruzeiro
Campeonato Paulista – 1977 e 1979 – Corinthians
Campeonato Mineiro – 1980 e 1981 – Atlético Mineiro
Campeonato Carioca – 1982 – Vasco

Destaques:

- Palhinha foi um dos pilares de uma das maiores equipes da história do Cruzeiro. A equipe celeste, que já ganhava títulos desde a sua formação no início da década de 70, chegou ao seu auge em 1976 com a conquista da Taça Libertadores, vencendo o fortíssimo River Plate na final. O Cruzeiro era uma verdadeira Seleção Azul, que começava pelo excelente goleiro Raúl, passava pelo líder e intransponível Piazza e chegava até o “Furacão” Jairzinho. Nesta lendária equipe, Palhinha se encarregou da tarefa de balançar as redes adversárias, marcando nada menos que 13 gols na conquista da América.

- Se o título com o Cruzeiro em 1976 foi histórico, o que falar da conquista do Campeonato Paulista de 1977? Vocês podem achar estranho eu querer comparar uma Taça Libertadores com um torneio estadual, porém o Corinthians estava desde 1954, ou seja, 23 anos sem conquistar um título. Palhinha chegou ao clube e com seu grande futebol ajudou, e muito, o Timão a chegar na final. A decisão do Paulistão foi uma melhor de três jogos contra a Ponte Preta e Palhinha decidiu o primeiro duelo ao marcar o único gol do jogo, de nariz. A Ponte Preta até tentou tirar o troféu do Parque São Jorge ao vencer a segunda partida por 2 a 1, mas no confronto derradeiro, Basílio marcou o gol que deu a vitória e o título ao Coringão. A passagem de Palhinha poderia ter terminado por aí que ele já seria um dos grandes ídolos do Corinthians, mas em 1979 ele fez mais. Compondo uma magnífica dupla ofensiva com ninguém menos que Sócrates, Palhinha jogou muita bola e uma vez mais conquistou o Campeonato Paulista. Novamente uma decisão contra a Ponte preta, em melhor de três e com Palhinha deixando sua marca. No primeiro duelo a vitória de 1 a 0 do Timão foi conseguida com gol dele e, após o empate em 0 a 0 no segundo jogo, Palhinha voltou a deixar sua marca no triunfo por 2 a 0 na última partida. Além de saber tudo com a bola nos pés, Palhinha mostrava, assim como na época do Cruzeiro, uma enorme capacidade de decidir.

(Nota: oficialmente, em 1966, o Torneio Rio-São Paulo não pôde terminar e os 4 líderes, o Corinthians era um deles, foram declarados campeões. Não é preciso falar que as torcidas não pularam muito de alegria com este título né?)

- Em 1980, Palhinha retornou à Minas Gerais, mas para defender as cores do Atlético Mineiro. Se a torcida do Galo possuía alguma desconfiança, pelo seu passado azul , o grande futebol mostrado pelo craque acabou com as dúvidas dos atleticanos. Pouco tempo após sua chegada, Palhinha já formava, ao lado de Reinaldo e Éder, um trio ofensivo espetacular. Juntos, os três craques marcaram 29 gols em 22 jogos no Campeonato Brasileiro de 1980, sendo Palhinha o autor de 8 deles. Mesmo com a excelente campanha, o alvi-negro perdeu a decisão do Brasileirão para o Flamengo de Zico. Então Palhinha passou pelo Atlético sem conquistar um troféu? Nada disso. Nos dois anos em que atuou pelo Galo, Palhinha conquistou o título Mineiro.

*Mini-Enciclopédia do Futebol Brasileiro – Lance!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

TERCEIRA RODADA DA COPA DO BRASIL - PARTE 1

Flamengo 0 x 0 Fortaleza – Raulino de Oliveira, Volta Redonda (RJ)
Vasco 1 x 1 Icasa – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Goiás 2 x 2 Fluminense – Serra Dourada, Goiânia (GO)

Olá amigos do FUTEBOLA!

Meio de semana recheado de jogos pela terceira fase da Copa do Brasil. Todos os 16 clubes que ainda buscam o título entraram em campo, incluindo, claro, as 4 equipes do Rio de Janeiro. Antes de comentar sobre os 3 jogos que consegui assistir, falarei sobre alguns resultados.

- O Americano não conseguiu furar a muralha que foi o goleiro da Ponte Preta, Aranha, e se complicou um pouco na competição ao empatar em 0 a 0, em Campos. Porém, não podemos esquecer que o Americano é bem organizado nos contra-ataques e deverá explorar esta tática no jogo de volta, em Campinas.

- Parece que o Atlético Mineiro desandou. O ano que se desenhava de maneira positiva para o Galo, tornou-se um pesadelo em 1 semana. A goleada sofrida pelo Cruzeiro por 5 a 0, na final do Campeonato Mineiro, foi seguida de uma outra sapatada. Ao perder por 3 a 0 para o Vitória, o time mineiro se complicou muito na Copa do Brasil.

- O Internacional segue sua caminhada para se tornar o melhor time do país. Com uma vitória excelente sobre o Náutico por 3 a 0, fora de casa, o Colorado está com a vaga nas mãos para a próxima fase. Se existe um motivo para eu torcer para o Brasileirão começar logo, é poder assistir ao argentino D´Alessandro jogar. Olho nele Maradona!

- Se o Corinthians ainda não havia perdido um jogo no ano, escolheu uma péssima hora para ser derrotado. Entretanto, um réves que parecia desesperador, pois o Atlético Paranaense vencia por 3 a 0, acabou se tornando uma derrota tranquila. Com os dois gols marcados no 2º tempo, deixando o placar final em 3 a 2, o Timão precisa apenas vencer por 1 a 0, ou 2 a 1, no jogo de volta, em casa, para se classificar.

- O Coritiba goleou o CSA fora de casa por 4 a 0 e só perde a vaga se ocorrer uma catástrofe. Parece que o atacante Marcelinho Paraíba resolveu jogar no Coxa tudo aquilo que não mostrou no Flamengo. Será que o dirigente flamenguista, Kléber Leite, está percebendo que com o salário em dia tudo rende mais facilmente?

Vamos agora às opiniões dos jogos que eu consegui assistir.

MANDOU BEM!

- O Fluminense apresentou, ao longo do 1º tempo da partida contra o Goiás, um futebol muito consciente. Sem deixar muitos espaços defensivos, o Goiás, com a bola rolando, assustou apenas em dois contra-ataques mal elaborados. Já o Flu, soube controlar o jogo e explorar as inúmeras faltas cometidas pelo adversário. Diga-se de passagem que o Goiás foi muito ingênuo ao cometer tantas faltas contra um time que possui o Thiago Neves. O Tricolor criou durante esta etapa, 4 claras oportunidades de gols. Nas duas primeiras, Thiago Neves encontrou a cabeça de Luiz Alberto e nas outras, Fred e, novamente, Thiago Neves, se entenderam muito bem. Os frutos deste domínio do Fluzão foi sair para o intervalo vencendo por 2 a 1, gols de Luiz Alberto e Fred. Não tem como não elogiar o Thiago Neves. Mesmo sem ter feito uma espetacular partida, o camisa 10 tricolor é realmente diferenciado. Em minhas contas, o Fluminense possuiu ao longo de todo o jogo, 6 chances de gols e em todas elas Thiago Neves esteve presente. O torcedor do Flu pode começar a rezar para sua punição, por ter agredido um gandula no jogo contra o Águia, não ser grande.

- Após a expulsão do tricolor Maicon, logo no início do 2º tempo, o Goiás iniciou um período de pressão sobre o Fluminense. Mesmo que a equipe carioca tenha conseguido respirar um pouco, na metade da etapa, o domínio dos últimos 45 minutos foi do Goiás. Se antes do intervalo Thiago Neves era o melhor homem em campo, após o apito final ganhou a companhia do atacante goiano Felipe. Durante toda a 2ª etapa, Felipe se movimentou pelos dois lados e deixou a defesa do Fluminense completamente perdida. Mesmo depois de o Goiás empatar o jogo, aos 22 minutos, Felipe não parou em campo. Um exemplo disso foi a linda jogada que realizou, já aos 48 minutos, deixando seu companheiro Iarley livre para decretar a vitória goiana. Iarley desperdiçou a chance, quase na linha do gol, e o placar terminou empatado em 2 a 2.

MANDOU MAL!

- Em minha opinião, acredito que falta coerência ao técnico Cuca em algumas de suas decisões no comando técnico do Flamengo. É fato que os jogadores que levantaram o moral do Flamengo, após a derrota na semi-final da Taça Guanabara para o Resende, foram Erick Flores e Josiel. Quando todos, inclusive os torcedores, estavam cabisbaixos, foram a impetuosidade de Erick e os gols de Josiel que fizeram o Flamengo voltar ao eixo. Foi quando Cuca decidiu barrar os dois para as entradas de Kléberson e Emerson. Mesmo que eu acredite que neste primeiro momento já tenha havido uma certa dose de incoerência, para o jogo contra o Fortaleza a situação foi mais escancarada. Se o treinador rubro-negro queria poupar alguns jogadores, uma atitude que já contraria meus princípios, por que não escalar novamente os entrosados Erick e Josiel no ataque? A preferência de Cuca foi por Emerson e Obina, que nunca na vida jogaram juntos, com Erick mais recuado. Nesta mesma partida também foi possível presenciar o volante Willians fazendo papel de zagueiro pela direita e Aírton pela esquerda, posições onde claramente estão improvisados. O resultado de todas estas novidades preparadas por Cuca foi um time completamente desorganizado em campo, com Juan e Léo Moura novamente confundindo liberdade para atacar com atacar de qualquer maneira e Íbson e Erick parecendo dois desconhecidos, tamanha a falta de afinidade. Diante de um adversário muito fraco tecnicamente, como mostrou ser o Fortaleza, o Flamengo ainda conseguiu, mesmo com toda esta desorganização citada, criar algumas chances de perigo. Porém, quando estas oportunidades apareciam, Obina e Emerson tratavam de mostrar que sacar Josiel da equipe, quando ele era o artilheiro do Campeonato Carioca, cada dia mais mostra ter sido um erro. Toda a confiança que Josiel possuía em si foi para o espaço após sua ida para o banco de reservas. Os jogadores e comissão técnica do Flamengo acreditarem que terão vida fácil em Fortaleza, é tudo que a equipe cearense quer. Em minha opinião, o Flamengo vai ter que suar muito para vencer um fraco, porém empolgadíssimo adversário.

- Vocês já escutaram infinitas vezes a frase “O futebol é uma caixinha de surpresas”, porém, com todo respeito ao Icasa, o Vasco não pode empatar, em São Januário, com um time que foi rebaixado no Campeonato Cearense. Na sexta rodada da Taça Guanabara, o Vascou empatou com o Cabofriense, em São Januário, por 0 a 0. Naquela partida, o cruzmaltino criou muitas oportunidades de gols, mas a era realmente um dia em que a pelota não queria entrar. Neste último jogo, entretanto, o Vasco mostrou alguma qualidade ofensiva por apenas 15 minutos. Mais uma vez, Rodrigo Pimpão se apresentava para o jogo, assim como os laterais Ramon e Paulo Sérgio. A equipe carioca pressionava o Icasa e conseguiu abrir o placar através de um gol contra do goleiro Ari. A partir daí, o Vasco tornou-se nulo ofensivamente. Tão nulo, que o Icasa percebeu que poderia voltar para o Ceará com um resultado melhor do que uma derrota por 1 a 0 na bagagem. O atacante cearense Leozinho ganhou confiança para mostrar suas qualidades ofensivas e levou sua equipe ao empate. Foi através de seus dribles e passes que o Icasa levou perigo à defesa vascaína, até Marciano balançar as redes e dar números finais ao jogo. Vasco 1 x 1 Icasa. Impressionante a falta que faz o Carlos Alberto.

- Como são inconstantes os jovens jogadores, né? O tricolor Maicon, tão elogiado por mim na semana passada, não fez um ruim 1º tempo contra o Goiás. Ajudando sua equipe a manter um leve predomínio ofensivo, ele também mostrava vontade na marcação. Como não possui atributos defensivos, era notável que estava cometendo seguidas faltas. Logo no início do 2º tempo, após mais uma infração cometida, Maicon, de 19 anos, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. O resultado foi o Goiás poder buscar o empate com muito mais liberdade, sem precisar se preocupar com a velocidade do Fluminense. Pelo lado da equipe goiana, tivemos uma situação parecida. O zagueiro Rafael Tolói, também de 19 anos, fazia uma excelente partida. Além de ter marcado o primeiro gol da equipe verde, Tolói mostrava ser um zagueiro seguro e de boa qualidade na saída de bola. Nos minutos finais da partida, porém, chegou atrasado em uma disputa de bola com Alan e cometeu uma falta dura. Como já havia recebido o cartão amarelo, foi expulso de campo e está fora do jogo de volta.

ENQUANTO ISSO NA ESPANHA…

Existem algumas equipes do mundo, que exigem que o adversário mude completamente seu estilo de jogo. O Barcelona é uma delas. O Chelsea pode não ser um time que prime pela ofensividade, porém aquele ferrolho que foi armado para visitar o Barcelona no Camp Nou era necessário. Tudo bem que a equipe inglesa até exagerou em somente se defender, mas não tem como enfrentar o Barcelona de peito aberto. Muitos podem achar que o time catalão é apenas Messi, o que discordo em gênero, número e grau. Daniel Alves é o lateral mais ponta que existe no futebol atual, exigindo sempre uma marcação e a atenção da cobertura. A velocidade e capacidade de finalização de Eto´o não permitem um minuto de cochilo. A dupla de meias formada por Xavi e Iniesta consegue fazer com que nenhuma posse de bola do Barcelona seja desperdiçada inultilmente. A capacidade que possuem de rodar o jogo é tão grande quanto a de abrir espaços na defesa adversária. Ainda tem a técnica e versatilidade ofensiva de Henry, que atua de centroavante isolado e ponta-esquerda com a mesma facilidade. Resumo da ópera: Além do monstruso Lionel Messi, o Barcelona possui um arsenal ofensivo como poucos. Por estes motivos que o primeiro jogo semi-final da Champions League foi um verdeiro ataque x defesa. Com Xavi muito bem na organização das jogadas e Daniel Alves só tendo que se preocupar em atacar, o que ele faz muito bem, a vitória do Barça não chegou por pouco. A equipe espanhola atacou durante todos os 90 minutos e criou algumas ótimas oportunidades de gols, mesmo com o Chelsea se defendendo com alguma qualidade e muita vontade. Para se ter uma idéia do número de chances criadas pelo Barcelona, o goleirão Peter Cech foi um dos melhores homens em campo. A defesa realizada cara a cara com Eto´o e a saída do gol para arrancar a bola dos pés de Hleb, esta aos 47 minutos do 2º tempo, foram sensacionais. No momento, tenho uma grande dúvida. Após sofrer o que sofreu para não levar nenhum gol, mesmo estando completamente retrancado, o Chelsea vai sair para o jogo no Stamford Bridge?

JOGADA RÁPIDA!

Pelas oitavas-de-final da Taça Libertadores, Sport e Palmeiras vão medir forças novamente. O torcedor brasileiro está perdendo muito com essa partida, pois um destes ótimos times será eliminado do torneio. Porém, poderemos assitir duas partidas sensacionais. Será que o Palmeiras vence novamente na Ilha do Retiro?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

FINAL DO CAMPEONATO CARIOCA 2009 - FLAMENGO X BOTAFOGO

Botafogo 1 x 1 Flamengo – Maracanã

Olá amigos do FUTEBOLA!

Como já era esperado, Flamengo e Botafogo fizeram um duelo equilibradíssimo no primeiro jogo final do Campeonato Carioca. Em uma partida onde o domínio do campo alternou várias vezes de mãos, ou melhor de pés, o resultado pode ser considerado justo. Tudo será decidido no próximo domingo e, desta vez, com um Maracanã completamente lotado. Vamos aos destaques do empate em 2 a 2 que manteve o troféu sem saber se irá para General Severiano ou para a Gávea.

MANDOU BEM...

- Como joga bola o tal de Maicosuel! A cada jogo me impressiona mais o repertório ofensivo do camisa 10 alvi-negro. O drible é praticamente imparável, que nos diga o lateral flamenguista Juan que deve estar até agora atordoado com a entortada que levou. O chute é preciso, porém não apareceu muito nesta partida, tamanho o número de faltas que ele sofreu, impedindo-o de chegar em condição de arrematar. Mesmo assim, uma bola chutada por ele passou raspando a trave do goleiro Bruno, fazendo o torcedor do Flamengo prender a respiração e o do Botafogo soltar o famoso “Uhhhhh”. Bolas paradas cobradas por ele são invariavelmente perigosas. Até quando ele não encosta na bola, como na jogada ensaiada para a bomba de Juninho estofar as redes rubro-negras, ele consegue ser diferente. Reparem em como ele enganou a barreira fingindo com perfeição o chute. Foi também com a bola estática que ele cruzou para Reinaldo, em um momento importante do jogo, virar, de cabeça, o placar. E ele possui muitas outras qualidades, como o passe, o lançamento, a armação de contra-ataques, a vontade demonstrada na marcação... O Flamengo deve agradecer, e muito, por ele ter se contundido e não poder permanecer em campo justamente no momento em que o Flamengo, por sair em busca do empate, deixaria mais espaços em seu setor defensivo.

- O Flamengo não possuiu nesta partida nenhum grande destaque individual. O goleiro Bruno fez boas defesas que evitaram uma possível derrota e Ronaldo Angelim, como sempre, realizou mais uma apresentação segura. Se fizer um Campeonato Brasileiro neste nível que vem apresentando, Ronaldo Angelim tem tudo para aparecer na Seleção do torneio. Com exceção destes dois rubro-negros citados, os outros jogadores mostraram apenas algumas boas jogadas isoladas. Juan no lance do pênalti sofrido, Zé Roberto em um passe de calcanhar para Léo Moura perder um gol na cara, Kléberson em chutes longos, Emerson brigando quase que sozinho entre os numerosos defensores alvi-negros e Willians com sua força física e garra no gol de empate. Muito pouco para alguém merecer elogios individuais. Coletivamente o Flamengo também não foi muito animador. Boas trocas de passes nos primeiros 20 minutos, dois contra-ataques bem organizados, porém mal concluídos, após abrir o marcador, e só. Nada de explorar a ultrapassagem dos laterais, nada de rodar mais a bola quando o Botafogo somente se defendia e nada de jogadas ensaiadas nas inúmeras cobranças de falta que o Botafogo ofereceu no 2º tempo. Com todos estes problemas ofensivos, só poderia ser a tão poderosa raça flamenguista a responsável pela vitória. Desorganizado? Sim. Desistir? Nunca. Este parece ser o lema do Flamengo quando as coisas não estão dando certo. Como o Botafogo havia perdido por contusão suas duas válvulas de escape, que eram Maicosuel e Reinaldo, restou ao alvi-negro se defender. E recuar contra o Flamengo é complicado. Principalmente em decisão. Quando percebeu o Botafogo acuado, a torcida flamenguista cresceu e o time passou a pressionar. Não é sempre que a raça fará o Flamengo conseguir seus resultados, porém não custa nada tentar.

MANDOU MAL...

- Não concordo em nenhum ponto com as modificações defensivas que Ney Franco realiza no Botafogo. Não são modificações de jogadores, mas sim de posicionamento. A cada partida o sistema defensivo alvi-negro aparece de uma maneira. Na decisão da Taça Rio, Fahel era o 3º zagueiro pela esquerda, Emerson o zagueiro pela direita e Leandro Guerreiro volante. Desta vez, Emerson jogou na zaga pela esquerda, Leandro Guerreiro de zagueiro pela direita e Fahel de volante. E tem mais. Na maior parte do torneio, Leandro Guerreio não foi nem zagueiro pela direita nem volante, mas sim zagueiro pela esquerda. Se mesmo com estas constantes alternâncias de posicionamento, a defesa do Botafogo mostrava uma certa segurança, principalmente nas bolas alçadas sobre a área, os laterais foram os culpados pelos gols sofridos pela equipe. Alessandro chegou completamente atrasado no lance em que cometeu o pênalti em Juan e Gabriel não poderia ter perdido aquela divida pro Willians que resultou no tento de empate do Fla. Posso estar enganado, mas acredito que se Leandro Guerreiro estivesse atuando como zagueiro-esquerdo, onde mostrou seu melhor futebol este ano, ele teria realizado a cobertura do Gabriel neste lance que levou o Flamengo ao empate. Não pode passar em branco também o azar do zagueiro Emerson. Após o gol contra na final da Taça Rio, a bola que fez o Flamengo empatar o jogo, tinha que desviar logo nele?

- Quando o Flamengo não encontrava alternativas para furar a muralha que estava sendo a defesa do Botafogo, foi a raça de Willians que conseguiu empatar o placar. Na vontade e na força física o rubro-negro fez um gol importantíssimo que deixou o torneio ainda mais indefinido. Mas se pararmos para analisar a atuação defensiva do volante flamenguista, ele teve uma atuação muito ruim. No duelo individual contra Maicosuel, diferentemente do jogo passado, Willians cometia uma falta atrás da outra. Contra o Vasco, no confronto válido pela Taça Rio, Willians foi expulso de campo com 15 minutos do 1º tempo por ter cometido 6 faltas em Carlos Alberto. Nesta decisão, ele havia cometido 3 faltas em Maicosuel com menos de 10 minutos, porém contou com a complacência do árbitro que não o puniu. Como não o puniria a partida toda, mesmo que ele insistisse nas infrações. Outro rubro-negro que exagerou nas faltas cometidas foi o zagueiro Welinton, tendo inclusive feito a infração em Maicosuel que resultou no primeiro gol do Fogão. Mas ele também saiu de campo sem levar cartão. Voltando ao Willians, acredito que, mesmo após ter obtido sucesso anulando Maicosuel na decisão da Taça Rio, sua melhor função não seja a marcação individual.

ENQUANTO ISSO NA ALEMANHA…

- Jogando em sua própria casa, o Bayern de Munique perdeu para um empolgado, mas não empolgante, Schalke 04. O jogo todo pode ser resumido no contraste entre a eficiente defesa do Schalke e o ineficiente ataque bávaro. Enquanto o Bayern mantinha a bola sobre seu controle mas não conseguia criar claras oportunidades de gols, o Schalke concentrava-se apenas em se defender, raramente tentando encaixar um contra-ataque consciente. Aos 20 minutos do 1º tempo, a famosa bola parada deu as caras e, após perfeita cobrança de córner de Pander, Altintop abriu o placar para o Schalke. A partir de então ficou evidente a dependência do Bayern de uma grande atuação de Ribery, o que esteve longe de ocorrer. Contra uma verdadeira muralha azul, que era o sistema defensivo do Schalke, Ribery nada podia fazer sozinho, apesar de ter tentado. Ultrapassagens de Zé Roberto? Avanços de Lahn seguidos de perigosos chutes? Jogadas aéreas bem preparadas para Luca Toni? Nada disso foi visto no fraquíssimo repertório ofensivo mostrado pelo Bayern. Para piorar a situação, Ribery perdeu a paciência com a ruim atuação, sua e da equipe, e recebeu cartão vermelho por agredir um adversário. Resumo da ópera: o desestruturado ataque do Bayern não conseguiu furar o ferrolho do Schalke e o goleirão azul Neuer. Placar final: Bayern Munique 1 x 0 Schalke 04. Nas 4 últimas partidas, o Schalke obteve 4 vitórias, com 9 gols marcados e nenhum sofrido. A equipe azul está na sexta colocação, 5 pontos abaixo da zona de classificação para a Champions League, restando 5 rodadas para o fim da competição. Será que começou muito tarde a reação do Schalke?

- A derrota do Bayern de Munique se tornou ainda mais doída para o torcedo bávaro após o inacreditável resultado do duelo entre Energie Cottbus e Wolfsburg. Reparem nos retrospectos antes do início da partida. Dos 33 pontos disputados no 2º turno, o Wolfsburg havia conquistado 31 e o Cottbus somente 10. O Wolfsburg era o líder do torneio e em caso de vitória abriria 5 pontos de vantagem para o segundo colocado, enquanto o Cottbus era apenas o vice-lanterna. Jogo fácil para o Wolfsburg, certo? Nada disso. Nunca subestimem um adversário desesperado. Pode-se dizer, na medida do possível, que foi uma partida equilibrada. Na 1ª etapa, a melhor qualidade técnica do Wolfsburg o fez criar, e perder, 4 grandes chances de abrir o marcador. Claro que estas chances só poderiam ter saído dos pés do infernal trio Misimovic/Dzeco/Grafite. O brasileiro perdeu duas delas e, cada bósnio, uma outra. Mas a raça do Cottbus o fazia levar algum perigo ao visitante, principalmente com os dois chutes longos do meia Skela. Com o 1º tempo terminando empatado, o Wolfsburg voltaria com tudo após o intervalo para dar um gigantesco passo rumo ao título. A pressão sobre o Cottbus, que já não se apresentava mais no ataque, era grande e o Wolfsburg criava ótimas oportunidades. Foi neste momento que o goleiro do Cottbus, Tremmel, que já havia aparecido bem nos primeiros 45 minutos, começou a se tornar o herói do jogo. Apresentando todas as qualidades que um bom goleiro precisa ter, Tremmel era intransponível debaixo da trave e preciso nas saídas do gol. Talvez inspirados na atuação de seu goleiro, os jogadores do Cottbus passaram realmente a acreditar que poderiam vencer o jogo. Este sonho se tornou mais real quando, no primeiro ataque da equipe no 2º tempo, Rangelov abriu o placar. Mais surpreendente que o gol do Cottbus foi a atitude de seu treinador. Ao invés de realizar substituições defensivas em sua equipe, algo que 10 em cada 10 treinadores de times mais fracos realizam após abrir um placar, Bojan Prasnikar modificou sua estrutura de ataque, para poder explorar os avanços, à esta altura inconscientes, do Wolfsburg. A atitude rendeu frutos quando em uma jogada criada pelo meia Sorensen, Skela aumentou o placar para o Cottbus. Ainda restou tempo para mais uma sensacional defesa de Tremmel, sem dúvidas o dono do jogo, e uma bola na trave chutada por Misimovic, porém o marcador permaneceu sem mais alterações. Inesperado placar final: Energie Cottbus 2 x 0 Wolfsburg.

- O Bayern foi muito favorecido pela histórica vitória do Energie Cottbus, porém no equilibradíssimo Campeonato Alemão muito mais gente comemorou o revés do Wolfsburg. Parece difícil de acreditar, mas a Bundesliga, a cada rodada que passa, se torna mais indefinida. Vamos aos resultados dos jogos envolvendo os 5 primeiros colocados e como ficou a parte de cima da classificação.

Resultados
Hoffenheim 0 x 1 Hertha Berlim
Bayern de Munique 0 x 1 Schalke 04
Borussia Dortmund 2 x 0 Hamburgo
Stuttgart 2 x 0 Eintracht Frankfurt
Energie Cottbus 2 x 0 Wolfsburg

Classificação
1 – Wolfsburg 57 pontos
2 – Hertha Berlim 55 pontos
3 – Bayern de Munique 54 pontos
4 – Stuttgart 54 pontos
5 – Hamburgo 54 pontos

ENQUANTO ISSO EM SÃO PAULO...

- Santos e Corinthians duelaram pela primeira partida decisiva do Campeonato Paulista, na Vila Belmiro. Com o apito inicial, foi possível assistir um Santos mantendo o controle da bola e das ações ofensivas do jogo, até que aos 11 minutos, após falta sofrida por Morais, Chicão abriu o placar para o Corinthians. Nova saída do Santos e o que era visto antes do gol se repete. A equipe santista mantinha controle da posse de bola e seus jogadores postados no campo do Corinthians. Até que aos 25 minutos Chicão rifa uma bola para frente e Ronaldo faz ela morrer duas vezes. Primeiro a pelota morreu em seus pés e depois no fundo da rede de Fábio Costa. Não se pode falar que era um resultado injusto. Apesar de o Santos manter o total controle da bola, não havia criado nenhuma situação de perigo para o goleiro corinthiano Felipe. Já o Corinthians, preparado para jogar nos contra-ataques e nas bolas paradas, mostrou um aproveitamento perfeito, concluindo com gols as duas oportunidades que teve. Após este gol de Ronaldo, o Santos acusou o golpe e permaneceu um tempo atordoado, mas mesmo assim o Timão só se defendia. O ferrolho armado por Mano Menezes se mostrava tão eficiente, que Jorge Henrique e Morais davam uma aula de como ser um atacante marcador. Faltando cerca de 10 minutos para o final da 1ª etapa, o Santos retomou as rédeas da partida de maneira mais agressiva, principalmente pelo lado esquerdo do campo. Até o intervalo, três ótimas oportunidades foram criadas, mas o goleiro Felipe mostrou suas qualidades de grande goleiro. Essa pressão serviu para mostrar que o Santos voltaria com tudo após o intervalo.

O árbitro apita para o início do 2º tempo e a esperada ofensiva santista se confirma. Foram praticamente 30 minutos de fazer o torcedor corinthiano não respirar. Se na 1ª etapa o atacante Jorge Henrique foi perfeito em seu papel defensivo pelo lado direito do Corinthians , após sua saída por contusão, no intervalo, o setor ficou mais frágil. Por ali, Mádson e Triguinho passaram a infernizar a defesa do Timão. O resultado foi o gol de Triguinho, após falha do goleiro Felipe, aos 15 minutos. Com maior apoio da torcida, acreditando ainda mais na virada, o Santos permaneceu no campo ofensivo, pressionando o adversário. Foi quando aos 32 minutos, acabou a agonia do torcedor corinthiano. E de uma maneira inesquecível. Elias puxou o contra-ataque e passou a bola para Ronaldo. Com um drible de letra, apenas menos espetacular que a dominada de bola que deu no seu primeiro gol, o Fenômeno deixou Triguinho torto e para trás. Logo após a jogada tornou-se ainda mais magistral. Fábio Costa tentara antecipar os movimentos de Ronaldo e havia se adiantado. É claro que Ronaldo percebeu. Ninguém consegue antecipar um pensamento de Ronaldo. O toque saiu leve, sutil, encantador, para encobrir o goleiro santista. O juiz podia ter terminado o jogo ali mesmo. O Santos pode até conseguir vencer por três gols no próximo domingo, porém este jogo poderia ter acabado com o golaço de Ronaldo. Até o Rei Pelé, presente em seu camarote na Vila, se rendeu e foi embora após este gol. Realmente Ronaldo é de outro mundo. 9 jogos pelo Paulista e 8 gols, sendo que marcou contra Santos, Palmeiras e São Paulo. Nunca imaginaria que sua recuperação seria assim. Uma vez mais o subestimei. E uma vez mais me rendo ao seu talento e força de vontade. Placar final: Santos 1 x 3 Corinthians. Agora só um milagre tira o título do Parque São Jorge.

JOGADA RÁPIDA

- Assim como no ano passado, o Cruzeiro goleou o Atlético Mineiro por 5 a 0 no primeiro jogo final do Campeonato Mineiro. Se podemos falar que só um milagre salva o Santos no Paulistão, o que faria o Atlético Mineiro ser campeão?

sábado, 25 de abril de 2009

PAPO CABEÇA - Aposentadoria Precoce

Olá amigos do FUTEBOLA!

Estou aqui para mais uma coluna “Papo Cabeça que, desta vez, vai falar sobre um assunto no mínimo incomum que surgiu no futebol atual. Já conhecemos o caso de jogadores que se aposentaram no auge da carreira, de quem parou de jogar por problemas de contusão, outros estenderam ao máximo o tempo nos gramados e alguns até se arrependeram de ter pendurado as chuteiras e voltaram para as quatro-linhas. Mas jogador se retirar dos campos, com menos de 30 anos, por estar desiludido com o futebol, confesso ser inédito para mim.

A notícia de que o atacante Adriano, da Inter de Milão e Seleção Brasileira, não queria mais jogar bola foi algo que me pegou de surpresa, apesar de saber pela mídia dos problemas que ele enfrentava. Reparem a situação: atacante do time que está prestes a conquistar o Tetra-campeonato Italiano, convocado frequentemente para a Seleção Brasileira e com um salário de aproximadamente R$ 1,3 milhão, Adriano vem a público dizer que estava com saudades de poder andar descalço na favela e soltar pipa. Não foram poucos os que ouvi criticarem, e até xingarem Adriano. “Como pode reclamar da vida ganhando um dinheirão deste?”, gritavam os revoltados. Justamente por receber durante muito tempo “um dinheirão deste”, que Adriano pôde se dar ao luxo de pedir demissão. Não possuo a capacidade de julgar sua decisão, até porque, como disse, conheço seus problemas pessoais apenas pela mídia, na maioria das vezes sensacionalista. Porém, de algo eu tenho certeza. Ele conduziu a situação de maneira equivocada. Adriano não poderia ter tomado uma atitude desta sem antes conversar com seus superiores, sem saber a opinião das pessoas que investiram milhões em sua contratação. Mesmo que sua situação emocional estivesse incontrolável, o respeito profissional deveria prevalecer.

Semanas se passaram e o zagueiro luso-brasileiro Pepe vem aos diários com a seguinte declaração: “Perdi a cabeça durante alguns minutos. Não tenho mais motivação para seguir jogando futebol. Estão sendo os piores dias da minha vida.”. A explicação por ter perdido a cabeça relaciona-se ao fato de ter agredido, durante a rodada passada do Campeonato Espanhol, um adversário caído no chão. Já o fato de não ter motivação para seguir jogando ou estar vivendo um verdadeiro inferno astral futebolístico, não pode ser coisa recente. Declarações como esta não surgem da noite para o dia. Pepe, assim como Adriano, cresceu em um meio simples e sem luxo. Adriano no Rio de Janeiro, Pepe em Maceió. Sua carreira estava em ascensão em Portugal, quando surgiu o Real Madrid com a proposta de 30 milhões de euros por ele. Chegando à Espanha, Pepe, que já possuía uma vida confortável em Portugal, passa a viver como um rei. Uma vez mais semelhante ao caso de Adriano na Itália. A partir do momento em que possui uma excepcional condição financeira, o jogador de origem simples passa a pensar se realmente vale a pena continuar ganhando muito dinheiro e vivendo no desgastante mundo que é um time grande europeu. O fato de poder tomar cerveja sem nenhum repórter para colocá-lo na capa do jornal com a alcunha de alcoólatra, de poder ir a uma festa sem se preocupar de ser acusado de estupro ou de poder ir em uma churrascaria sem o noticiário noturno realizar uma eleição para saber se sua forma física lhe permite, tornam-se sonhos. Resumo de ópera: o desejo de voltar a ter uma vida simples, com o agravante de uma milionária conta bancário, passa a martelar a cabeça do jogador.

Acredito que neste momento, o que vale é a “lei do travesseiro”. Se você ao deitar a cabeça no travesseiro para dormir está infeliz e ao levantar a cabeça do travesseiro, quando acorda, continua infeliz, alguma providência deve ser tomada. Se Adriano e Pepe estão corretos, é um fato que, como citei anteriormente, apenas dados sensacionalistas não me permitem ser definitivo. Porém, em uma situação como esta eu nunca desistiria. Alguns poucos anos de sacrifício não são nada perto do orgulho de encerrar uma carreira com orgulho, com o sentimento de dever cumprido. Por terem motivos para nunca mais querer olhar uma bola de futebol e mesmo assim não jogarem a toalha que Zico e Ronaldo são o que são. Ídolos. Inesquecíceis. Heróis. Exemplos.