domingo, 2 de agosto de 2009

FIGURINHA CARIMBADA - ZÉ CARLOS



Nome: José Carlos da Costa Araújo

Data de nascimento: 7 de fevereiro de 1962

Faleceu em 24 de julho de 2009

Posição: goleiro

Seleção Brasileira – 4 jogos e 1 gols sofridos*

Clubes:

Americano – RJ (1983)
Rio Branco – ES (1984)
Flamengo (1984 a 1991 e 1996 a 1997)
Cruzeiro (1992)
Vitória de Guimarães – POR (1992 a 1994)
Farense – POR (1994 a 1995)
Felgueiras – POR (1995 a 1996)
Vitória (1997)
XV de Piracicaba – SP (1999)
América – RJ (1999)
Tubarão – SC (2000)

Títulos:

Campeonato Carioca – 1986, 1991 e 1996 – Flamengo
Copa União – 1987 – Flamengo
Copa América – 1989 – Brasil
Copa do Brasil – 1990 – Flamengo

Destaques:

- Formado nas categorias de base do Flamengo, Zé Carlos foi emprestado para o Americano e o Rio Branco, até retornar, em 1986, para se tornar um dos grandes goleiros da história do clube. Logo no ano de seu retorno, o Zé Grandão, como era conhecido devido a sua altura, conquistou o Campeonato Carioca, feito que seria repetido em 1991 e 1996, quando, depois de passagem por Portugal, retornou ao Fla. Porém, não foi somente as conquistas estaduais que marcaram a passagem do goleiro pelo Mengão. Em 1987, era o Zé Grandão quem tinha a missão de defender a meta de um dos maiores esquadrões da história do Flamengo. Vejam se a escalação da equipe que venceu o Internacional, no Maracanã, pela final da Copa União, não parece a Seleção Brasileira: Zé Carlos; Jorginho, Leandro, Edinho e Leonardo; Andrade, Aílton e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Técnico: Carlinhos. Três anos depois, em 1990, Zé Carlos também conquistaria outro título nacional pelo Rubro-Negro, a Copa do Brasil.

- No dia 27 de fevereiro de 1997, um momento curioso marcou a trajetória de Zé Carlos pelo Flamengo. A equipe rubro-negra vencia o Nacional (AM) por 5 a 2, pela primeira fase da Copa do Brasil, quando teve um pênalti a seu favor. Quem foi para a marca da cal? Ele mesmo, o Zé Grandão, que de maneira segura cobrou a penalidade no centro do gol e fechou a vitória do Fla. Até hoje, apenas três goleiros conseguiram balançar as redes adversárias pelo Flamengo: Ubirajara, Zé Carlos e Bruno.

- As excelentes atuações de Zé Carlos, principalmente entre 1987 e 1990, o fizeram ser convocado para a Seleção Brasileira. O arqueiro rubro-negro integrou a equipe nacional em importantes competições, como nos Jogos Olímpicos de 1988, quando o Brasil conquistou a medalha de prata, na Copa América de 1989, sagrando-se campeão, e na Copa do Mundo de 1990. Como era contemporâneo de Taffarel, um dos maiores de nossa história, Zé Carlos não teve muitas chances de ser titular na Seleção, porém teve a honra de estar entre os melhores jogadores do país.

*Enciclopédia da Seleção - Ivan Soter - Opera Nostra Editora

sexta-feira, 31 de julho de 2009

CAMPEONATO BRASILEIRO 2009 - 15ª RODADA - SÉRIE A

SÉRIE A

Coritiba 2 x 2 Botafogo
Náutico 1 x 2 Santos
Internacional 3 x 2 Barueri
Goiás 3 x 0 Atlético Paranaense
Cruzeiro 1 x 0 Sport
Palmeiras 1 x 0 Fluminense
Avaí 4 x 0 Vitória
São Paulo 2 x 1 Grêmio
Flamengo 3 x 1 Atlético Mineiro

Olá amigos do FUTEBOLA!

O torcedor palmeirense deve estar pulando de alegria. Além da chegada do melhor técnico do país, opinião minha e de muitos, Muricy Ramalho, o Verdão agora é líder isolado do Brasileiro. A vitória sobre o Fluminense e a derrota do Atlético Mineiro para o Flamengo, deixou o Palmeiras com 3 pontos de folga no topo da tabela. Falando em Flamengo, a vitória rubro-negra foi realmente importantíssima. A equipe enfrentará na próxima rodada o lanterninha Náutico, no Maraca, e se vencer entrará de vez na briga pela Libertadores. Vamos aos comentários dos jogos que assisti desta 15ª rodada do Brasileirão.

Coritiba 2 x 2 Botafogo – Couto Pereira, Curitiba (PR)
Palmeiras 1 x 0 Fluminense – Palestra Itália, São Paulo (SP)
Flamengo 3 x 1 Atlético Mineiro – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

MANDOU BEM!

- Como joga bola o tal do Cleiton Xavier. O camisa 10 palmeirense é daquela classe de meio-campistas que cria jogadas ofensivas de tudo quanto é maneira. E tem mais. Além de criar oportunidades para seus companheiros balançarem as redes, ele mesmo tem o pé calibradíssimo para a finalização. Na partida contra o Fluminense, o Palmeiras teve uma atuação apenas razoável, porém conseguiu vencer escorado no talento de Cleiton Xavier. Primeiro ele apareceu pelo meio, tabelando com o Obina, e invadindo a área tricolor. Logo depois, Cleiton caiu pelo lado esquerdo, dominou um lançamento de maneira magistral e chutou por cima do gol. No 2º tempo, decidiu a partida pela direita, com um passe milimétrico para o gol de Diego Souza, sua nona assistência no campeonato, e um chute lindo que explodiu na trave. Com tantos volantes em campo, sobraria para Cleiton Xavier e Conca a responsabilidade de levar suas equipes à vitória e, desta vez, o palmeirense deu um banho de bola.

- No duelo entre o Urubu e o Galo, o sistema defensivo do Flamengo, por muito pouco, não provoca sérios estragos. A sorte do Fla é que, além de contar com uma excelente dupla de ataque, a equipe possui uma mentalidade muito ofensiva. Se o Atlético Mineiro abriu o placar logo aos 2 minutos de jogo, no restante do 1º tempo só se viu o Flamengo atacar. Como nos melhores momentos dos últimos anos, a equipe rubro-negra utilizou seus alas como principais armas ofensivas. Se tem dedo do Andrade aí, acredito ainda ser cedo para falar, porém Léo Moura e Éverton infernizaram a defesa atleticana. Léo Moura conseguiu mostrar aquele futebol incisivo e impetuoso que o transformou no melhor lateral-direito do Brasil e, desta vez, ainda marcou um belo gol após sensacional assistência de Toró. Pelo outro lado do campo, o esquerdo, Éverton também teve excelente atuação. O originalmente meia rubro-negro vem se adaptando muito bem na função de ala-esquerdo, utilizando seus dribles, ofensivamente, e se esforçando bastante para compor o seu setor defensivo. De seus pés saíram dois gols do Mengão, pois foi ele quem deu belo passe para Kléberson virar a partida e, após o intervalo, brigou muito pela pelota e foi presenteado com o terceiro gol. Será que após se recuperar da contusão, o Juan vai ganhar sua vaga facilmente?

- Depois de bastante tempo, o Lúcio Flávio teve uma atuação destacada. Era visível sua evolução nos últimos jogos do Botafogo, atuando, surpreendentemente, de volante, entretanto não vinha sendo o líder técnico que deve ser. Nesta partida contra o Coritiba, gostei muito de sua movimentação, principalmente pelo lado direito do campo, e dos passes redondinhos que ele deu para os companheiros. Tanto na saída para o jogo, que ele deu bastante qualidade, já que está jogando mais recuado, como em passes finais, por exemplo um que deixou André Lima livre dentro da área, Lúcio Flávio esteve bem calibrado. O Botafogo tende a crescer, e muito, com boas atuações do seu camisa 10.

- O meia-atacante Marcos Aurélio, do Coritiba, mostrou novamente um ótimo futebol. Assim como no duelo, contra o Flamengo, pela 6ª rodada, quando o Coxa sapecou 6 a 0, Marcos Aurélio foi um inferno para o sistema defensivo adversário. Jogador muito rápido e de bom drible, é difícil marcá-lo. Além do preciso passe que deu para Bruno Batata balançar as redes, Marcos Aurélio foi o autor do gol de empate, já aos 44 minutos do 2º tempo. Diante da ausência de Marcelinho Paraíba e Ariel, duas das principais armas ofensivas do Coxa, Marcos Aurélio chamou a responsabilidade e garantiu pelo menos um pontinho para sua equipe.

MANDOU MAL!

- Como citei anteriormente, no duelo entre Palmeiras e Fluminense, caberiam a Cleiton Xavier e Conca a missão comandar ofensivamente suas equipes, sendo que o palmeirense foi muito mais bem sucedido em sua tarefa. Porém, um fator serve para diminuir a culpa do argentino Conca, em mais um réves tricolor. O suporte que Cleiton Xavier tem em campo, em nenhum momento aparece no Fluminense. Enquanto o Palmeiras, após recuperar uma bola, tinha Pierre e Edmílson para iniciar as jogas, o Fluminense sofria com Fabinho e Welington Monteiro, que nada ajudam criativamente. Um dos principais pontos fracos do Tricolor, é a ausência de um volante que tenha qualidade na saída para o jogo. Esse jogador daria uma imensa ajuda ao Conca, que não precisaria recuar para buscar o jogo e nem receberia tantas bolas quadradas. Tudo bem que o Diguinho poderia ser esse volante, mas ele não tem mostrado 10% do futebol que jogou no ano passado, pelo Botafogo, quando inclusive o incluí em minha Seleção do Brasileirão.

- O Flamengo, definitivamente, jantou o Galo, no Maracanã, entretanto não esperou o jogo terminar para fazer a digestão e relaxou em campo. Logo após marcar o terceiro gol, o Flamengo recuou toda a equipe. Nada estaria errado se os contra-ataques fossem utilizados para matar o jogo, porém não foi o que se viu. Com o time todo acanhado no campo defensivo, o Atlético Mineiro cresceu, ou melhor, Diego Tardelli cresceu, e quase que a vitória rubro-negra fica comprometida. Em pouco mais de 20 minutos, Tardelli sofreu pênalti, não assinalado pelo árbitro, deu lindo passe de calcanhar que Éder Luís finalizou para ótima defesa de Bruno e, por fim, fez bela jogada individual que Pedro Paulo não soube aproveitar. Se não bastasse a falha de Ronaldo Angelim, no lance do gol atleticano, o sistema defensivo do Flamengo resolveu mostrar que realmente não é muito confiável, já que uma pequena pressão, de um abatido Atlético Mineiro, levou perigos em sequência ao goleiro Bruno.

- Decepcionante a atuação do Atlético Mineiro, no Maracanã. Com um gol marcado logo aos 2 minutos, o Galo tinha tudo para jogar solto. Poderia alternar o controle da posse de bola, com os meias Júnior e Serginho, com rápidos contra-ataques puxados por Diego Tardelli e Éder Luís. Qualidade para isto a equipe tem, até de sobra, porém, o que se viu foi o recuo excessivo e a abdicação ao ataque. Sem nenhum poder ofensivo, o Atlético foi engolido pelo Flamengo e só conseguiu mostrar algo de bom futebol quando, como citei anteriormente, o Flamengo resolveu descansar antes da hora.

- E o Botafogo não se cansa de entregar pontos no fim da partida. Foram tantos jogos, que cada um deles tem um motivo específico para o golpe sofrido no fim do jogo. O Bota levou gols, após os 40 minutos da 2ª etapa, de Fluminense, Vitória, Flamengo e, agora, Coritiba. O Lúcio Flávio pode aparecer mais no jogo, controlando mais a pelota, o Jônatas pode entrar na partida para valorizar mais a posse de bola, os alas podem avançar mais, mesmo com a vitória parcial, com o intuito de amedrontar o adversário, o time pode gritar mais em campo, para não haver cochilos... Muito pode ser feito pelos jogadores e pelo técnico Ney Franco, o que não pode é o Botafogo ter perdido, em 4 jogos, 6 pontos que serão fundamentais no fim do torneio.

JOGADA RÁPIDA!

- Novamente o destaque aqui vai para o Avaí. Alguns dias atrás, elogiei a sequência de 3 vitórias seguidas da equipe catarinense. Com a goleada de 4 a 0 sobre o Vitória, que está brigando no topo da tabela, já são 5 triunfos seguidos e uma distância de apenas 4 pontos da zona de classificação para a Libertadores. É muito para uma equipe que no início do Brasileirão era considerada umas das favoritas para ser rebaixada.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

PELA ESTRADA AFORA - TROFÉU JOAN GAMPER 1982

Durante a segunda metade da década de 70, o Internacional contou com o mais vencedor time do futebol brasileiro. Em 1979, para se ter uma idéia, o Colorado conseguiu a façanha de se sagrar Campeão Nacional de maneira invicta. Isso mesmo, sem perder sequer um dos 23 jogos que disputou. Era uma equipe recheada de grandes jogadores e o líder técnico desta época de ouro do Inter foi Paulo Roberto Falcão. No início da década de 80, entretanto, Falcão foi mostrar sua arte em Roma e, pouco a pouco, outros campeões invictos foram dando adeus ao Internacional. Batista e Mário Sérgio, dois dos maiores jogadores da época, e que formavam o tripé de meio-campo com Falcão, são exemplos de jogadores que o Internacional perdeu.

Em 1982, ainda colhendo os frutos do esquadrão da década anterior, o Colorado foi convidado para participar do Troféu Joan Gamper, um torneio organizado pelo Barcelona e que possui este nome em homenagem ao fundador do clube. Este torneio tem como principal objetivo apresentar para os torcedores do Barça a equipe que irá atuar na temporada, sendo considerado, para muitos, o mais conceituado torneio de verão que ocorre na Espanha. Neste ano de 1982, em especial, o torcedor do Barcelona estava louco para ver sua equipe jogar. O motivo? O clube catalão havia contratado ninguém menos que Diego Armando Maradona. A briga pelo famoso troféu seria grande pois, além do favoritíssimo time da casa, também marcavam presença o alemão Colônia, campeão no ano anterior, e o inglês Manchester City.

O torneio seria disputado de forma simples, com os duelos Barcelona x Internacional e Colônia x Manchester City decidindo quais equipes disputariam a final. O jogo entre Colônia e Manchester City contou com a presença de dois grandes goleiros da época. A meta da equipe alemã era defendida pelo impopular Toni Schumacher. O também arqueiro da Seleção Alemã além de se meter em problemas extra-campo, teve sua imagem muito manchada após uma agressão ao francês Battiston, durante a Copa do Mundo de 1982. Mesmo estando longe de ser um santo, Schumacher sabia muito bem o que fazer debaixo das traves, sendo um dos maiores jogadores da história do Colônia e defendendo a Seleção em 76 jogos, sagrando-se por duas vezes vice-campeão mundial. Já do lado do Manchester City, era o grande Joe Corrigan, segundo jogador que mais vestiu a camisa da equipe na história, atuando por lá entre 1967 e 1983, o encarregado de evitar os gols. Muitos especialistas do futebol inglês dizem que se não fosse contemporâneo do goleiraço Peter Shilton, Corrigan teria uma carreira de sucesso como titular da Seleção Inglesa.

O primeiro duelo semi-final terminou com vitória, nos pênaltis, do Manchester City, após empate de 1 a 1. O resultado foi muito contestado pelos jogadores do Colônia e pelo lendário Rinus Michels, que havia treinado a Holanda na Copa 1974, conhecida como Laranja Mecânica, e na época comandava o Colônia. O motivo da reclamação foi o fato de que o último pênalti convertido pelo Manchester City, que deu a classificação para a equipe, ter sido cobrado por um jogador que havia sido substituído.

O rival do Manchester na decisão seria conhecido no duelo entre Barcelona e Internacional. O reformado e ampliado Camp Nou recebia um grande público para assistir o primeiro jogo de Maradona em casa (ele havia estreado poucos dias antes, mas este seria seu primeiro jogo no estádio catalão). Parecia que o Internacional estava ali apenas para ocupar espaço no campo. O próprio treinador do Manchester City havia dito após a vitória de seu time que “esta noche mi equipo ha jugado bien y ha merecido el triunfo. Creo que medimos con el Barcelona en la final será una gran experiencia y un honor.”* O único destaque dado ao Internacional era a presença do meia Cléo, que havia passado 3 meses no próprio Barcelona sem ao menos ter tido a chance de treinar com os titulares. De volta ao Brasil e ao Inter, Cléo dizia não ter mágoas do Barça e do treinador Udo Lattek, mas no fundo devia estar louco de vontade de mostrar o que sabia.

Os espanhóis não sabiam que o Internacional era bem mais do que um bom jogador que eles desprezaram. No gol, o Colorado contava com o seguro e experiente Benítez, um dos remanescentes do título brasileiro invicto de 1979. Quem também fez parte daquele timaço e ainda vestia o manto vermelho era, simplesmente, Mauro Galvão. Com apenas 21 anos, Mauro Galvão já mostrava a qualidade que o faria ser um dos maiores zagueiros do futebol brasileiro, em todos os tempos. Para se ter uma idéia da longa e sensacional carreira do craque, Galvão é o único jogador na história que conseguiu vencer, em três décadas diferentes, o prêmio Bola de Prata, dado pela Revista Placar ao melhor jogador de cada posição do Brasileirão. Em 1979 e 1985, o prêmio foi conquistado defendendo o Inter e em 1997, a honra foi obtida com a camisa do Vasco da Gama.

Se o setor defensivo ainda contava com a ajuda do lateral-direito Edevaldo, dono de um vigor físico invejável e que havia feito parte da encantadora Seleção Brasileira de 1982, a estrela ofensiva do Colorado era o uruguaio Rúben Paz. Fica muito difíficil achar apenas uma palavra para ilustrar o futebol de Paz. Jogador muito inteligente, habilidoso e criativo, também possuía uma canhota de impressionante precisão. O meia chegava ao Internacional com nada menos do que 4 títulos uruguaios conquistados pelo Peñarol além do Mundialito de 1980 pela Seleção de seu país. O Mundialito foi organizado pela FIFA para comemorar os 50 anos da primeira Copa do Mundo, e contou com Brasil, Uruguai, Argentina, Alemanha, Itália e Holanda, ou seja, o que de melhor tem no planeta bola. Desfilaram pelos gramados talentos como Maradona, Sócrates, Rummenigge e Bruno Conti, porém o vencedor do prêmio de melhor jogador do torneio foi... Ele mesmo, Rúben Paz. E os espanhóis acreditavam que o Internacional viajara para a Espanha para ser saco de pancadas.

Os torcedores que enchiam o Camp Nou não ficaram nem um pouco satisfeitos com o andamento da partida. O Internacional mostrando o característico poder de marcação das equipes gaúchas, não deixava o Barcelona andar em campo. Alguns poucos dias antes, em jogo válido pelo Torneio Teresa Herrera, Inter e Barça haviam se enfretado, com o clube catalão vencendo por 1 a 0. Talvez por este motivo, por já ter um conhecimento de como o Barcelona jogava, o Internacional conseguia se defender muito bem. Após o intervalo, o jogo voltou mais quente com Maradona e Edevaldo conseguindo acertar as traves. A entrada do craque alemão Bernd Schuster, a outra grande contratação azul-grená para a temporada, fez com que o Barça se mostrasse mais perigoso, porém apenas mais um chute na trave, do próprio Schuster, foi conseguido. Assim como a outra semi-final, esta partida também foi decidida somente nos pênaltis, onde o Internacional mostrou toda sua competência ao não desperdiçar nenhuma de suas cobranças e conquistar a vaga na finalíssima.

A imprensa espanhola que estava louca para assistir um duelo entre Barcelona e Colônia, na decisão do Joan Gamper, agora buscava explicações para as derrotas dos favoritos. O Internacional, muito mais leve após eliminar os donos da casa, teve uma atuação de altíssimo nível contra o Manchester City. Se o treinador inglês John Bond acreditava que enfrentar o Barça na decisão seria uma honra para sua equipe, deveria ser obrigado a bater palmas diante do grande show colorado. Com Mauro Galvão impecável na defesa e o trio formado por Paulo César, Rúben Paz e Silvinho em apresentação de gala, o Manchester City não teve forças para evitar que o Internacional se tornasse a primeira, e até hoje a única, equipe não-européia a vencer o Troféu Joan Gamper. Os gols do título foram marcados por Edevaldo, Paulo César e Fernando Roberto, e o diário espanhol “El Mundo Deportivo” analisou assim a atuação colorada: “A lo largo de los nóventa minutos, el Inter fue el mejor equipo sobre el campo. Daba auténtica gloria ver cómo tocaban y hasta manoseaban la palota los brasileños, con sus pases medidos al primor toque, su sentido de la anticipación y su visión del hueco.”**

Os torcedores do Barcelona esperavam ver uma estréia de gala de Diego Maradona, no estupendo Camp Nou, porém tiveram que assistir ao capitão colorado André Luís erguer o portentoso troféu e o Barça, após perder para o Colônia nos pênaltis, terminar em último lugar.

Equipe-base: Benítez; Edevaldo, Mauro Pastor, André Luís e Muller; Mauro Galvão, Ademir, Cléo e Rubén Paz; Paulo César e Silvinho.
Também atuaram: Bereta, Joãozinho, Sílvio, Fernando Roberto e Andrezinho

*El Mundo Deportivo – 25 de agosto de 1982
**El Mundo Deportivo – 26 de agosto de 1982

terça-feira, 28 de julho de 2009

CAMPEONATO BRASILEIRO 2009 - 14ª RODADA - SÉRIE A

SÉRIE A

Grêmio 3 x 2 Santo André
Atlético Paranaense 1 x 3 Avaí
Botafogo 3 x 2 Internacional
Corinthians 0 x 3 Palmeiras
Santos 1 x 2 Flamengo
Atlético Mineiro 0 x 1 Goiás
Sport 3 x 3 Náutico
Barueri 1 x 2 São Paulo
Fluminense 1 x 1 Cruzeiro
Vitória 1 x 0 Coritiba

Olá amigos do FUTEBOLA!

Se no meio de semana o Atlético Mineiro teve motivos para sorrir, com o tropeço de Palmeiras e Internacional, desta vez foi o Verdão, que sapecou 3 a 0 no Corinthians, que terminou a rodada mostrando os dentes. No Mineirão lotado, o Galo perdeu para o bom time do Goiás e, no Rio de Janeiro, o Colorado jogou uma bola pequenininha e foi derrotado pelo Fogão. Quem também se deu bem na rodada foi o Vitória, que com o triunfo sobre o Coritiba assumiu a 3ª colocação do Brasileirão. Vamos aos comentários dos jogos que assisti desta 14ª rodada.

Botafogo 3 x 2 Internacional – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)
Santos 1 x 2 Flamengo – Vila Belmiro, Santos (SP)
Fluminense 1 x 1 Cruzeiro – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

MANDOU BEM!

- Sensacional o 1º tempo do Botafogo contra o Internacional. A equipe alvi-negra criou nada menos do que 7 chances de gols, enquanto o Inter só ameaçou o goleiro Castillo uma única vez. Com 16 minutos de jogo, o Fogão já vencia por 2 a 0 e Juninho já havia obrigado o goleiro colorado Michel Alves voar para buscar uma bomba sua no cantinho. Mesmo com a bela vantagem no placar, o Botafogo não relaxou e poderia ter decidido a partida, não fosse duas belas oportunidades perdidas por Victor Simões e outro foguete de Juninho ter estourado na trave. Eu acreditava que após o intervalo, o Botafogo não fosse manter o ritmo ofensivo, mas sim iria recuar e explorar os contra-ataques. Fico bastante feliz de ter me enganado, pois o fato de recuar após realizar uma boa 1ª etapa vem sendo o principal foco de minhas críticas às atuações alvi-negras. Apesar de o Internacional ter conseguido igualar o marcador, em duas falhas infantis do sistema defensivo botafoguense, primeiro com Leandro Guerreiro cometendo pênalti e depois com Wellington e Juninho dormindo no ponto, o Bota não parou de atacar em momento algum. Sei que no futebol não existe justiça, mas o gol de Alessandro, aos 30 minutos, foi bastante merecido, pois uma grande atuação, como foi esta do Botafogo, não merecia apenas 1 pontinho.

- Apesar da incrível média de quase 0,6 gols/jogo, que André Lima teve em sua primeira passagem pelo Botafogo, sua característica que mais me agradava era o fato de saber jogar como um autêntico pivô de futsal. O atacante sabe como poucos usar seu corpo como uma parede e servir os companheiros que estão chegando de trás. Até mesmo quando uma boa jogada ofensiva não é produzida, o fato de André segurar a bola no campo de ataque evita que o adversário recupere rapidamente a posse de bola e pressione o Bota. No duelo contra o Internacional, o atacante teve uma grande atuação, sabendo utilizar muito bem esta sua característica além de sacudir o barbante uma vez. Outro ponto positivo do sistema ofensivo do Fogão foi a participação dos 3 zagueiros. Juninho, como sempre, levava perigo em cada bomba que mandava. Eduardo deu duas arrancadas dignas de Kaká. Em uma delas colocou Victor Simões na cara do gol e, na outra, ele mesmo finalizou para boa defesa de Michel Alves. O zagueiro-direito Wellington, além de marcar o primeiro gol do Fogão, daria a assitência para mais um gol de André Lima, porém o bandeira anulou, erradamente, o lance. Para uma equipe que semanas atrás contava apenas com a bola parada do Juninho, o Fogão está se saindo muito bem.

- A primeira partida da final da Libertadores, entre Cruzeiro e Estudiantes, disputada na Argentina, foi a que colocou, de vez, o goleiro cruzeirense Fábio entre os melhores do país. Nesta partida contra o Fluminense, Fábio mostrou novamente toda sua qualidade. Com menos de 10 minutos de jogo, o goleirão já havia salvado sua equipe por 2 vezes. Primeiro foi o Conca que apareceu livrinho em sua frente, logo em seguida, foi o Marquinho. Em ambos os lances Fábio estava atento e conseguiu realizar as defesas, pois caso contrário, dificilmente o Fluminense não venceria a partida. Quem também jogou muita bola pelo lado azul foi o lateral-direito Jonathan. Além da bela jogada criada, que resultou no gol do volante Henrique, Jonathan foi a principal arma ofensiva do Cruzeiro na partida. Mesmo após a expulsão do zagueiro Leonardo Silva, o lateral continuou levando a defesa tricolor a loucura e por muito pouco não fez o gol da vitória de sua equipe, quando mandou um balaço no travessão.

- Como já comentei algumas vezes, fico muito feliz quando um jogador que veio de um dos considerados times pequenos do Rio começa a mostrar trabalho. No duelo contra o Cruzeiro, o atacante tricolor Kieza, ex-Americano, realizou uma apresentação excelente. Em nenhum momento da partida o jovem atacante teve medo de chamar o jogo. Recebia bolas sozinho, segurava a pelota, sofria faltas, caía pelas pontas, buscava o cabeceio... Kieza atormentou tanto a zaga cruzeirense, que além do gol ter saído de seus pés, a expulsão de Leonardo Silva ocorreu após uma falta cometida nele. Sua boa atuação também faz crescer o futebol do argentino Conca. Não que o pequenino meia tenha jogado bem, longe disso, mas já deu para perceber que com o tempo, o bom posicionamento e a movimentação de Kieza se entenderão perfeitamente com os açucarados passes do Conca.

- Amigos, sou muito suspeito para falar do Adriano, afinal sou um grande fã do seu futebol. Porém, a grande atuação do “Imperador”, na partida contra o Santos, merece ser muito elogiada. Mesmo com um Flamengo sem um pingo de criatividade, Adriano não parou de tentar, em momento algum, levar seu time à vitória. Tentou em cobrança de falta, meia bicicleta, cabeçada, chute na pequena área, chute longo... Fora o fato de não parar de brigar pela bola. O gol de empate rubro-negro foi marcado após uma bomba mandada por ele, de fora da área, e se o lateral santista, Pará, não empurrasse a bola contra o próprio gol, Adriano estava logo atrás para garantir o triunfo rubro-negro. O Flamengo nunca havia vencido uma partida oficial na Vila Belmiro e jogava seu milésimo jogo em Brasileiros. Nada melhor do que uma vitória em um jogo assim para Adriano continuar se solidificando como um dos grandes ídolos da Gávea.

- Após uma vitória histórica do Flamengo, na Vila Belmiro, o Andrade merecia ganhar sua chance como treinador do Flamengo. Com exceção de Carlos Alberto Parreira, qual treinador presente no mercado tem mais condições de fazer um bom trabalho no Flamengo do que o Andrade? Os nomes cogitados pela diretoria flamenguista não merecem mais a oportunidade do que Andrade que, além de conhecer o grupo, tem um coração tão rubro-negro dá gosto de ver.

MANDOU MAL!

- A atuação do Internacional diante do Botafogo foi fraquíssima. Com exceção de alguns raros lances onde o Andrezinho teve liberdade para criar algumas jogadas, o Internacional foi de uma falta de criatividade impressionante. O argentino D´Alessandro, enquanto esteve em campo, não criou sequer um lance ofensivo produtivo. Já o atacante Taison, mesmo atuando os 90 minutos, por várias vezes parecia ter sido substituído, tamanha a falta de participação no jogo. Prefiro acreditar que esta foi apenas uma (mais uma) atuação ruim do Colorado, pois a dependência do Nilmar não pode ser tão grande. Fazendo justiça, o setor defensivo do Inter também não foi nada bem. A maioria das jogadas do Botafogo que foram bem trabalhadas, como por exemplo as arrancadas do zagueiro Eduardo, as bolas alçadas na área pelo Lúcio Flávio ou André Lima trabalhando de pivô, levavam muito perigo à frágil defesa colorada. Este time do Internacional está precisando mesmo levar uma sacudida para acordar, pois o futebol apresentado não representa a qualidade dos seus jogadores.

- Ainda estou em dúvidas se o Flamengo sentiu mais a aposentadoria do capitão Fábio Luciano ou a saída do meia Íbson. Além dos problemas defensivos que atormentam o torcedor rubro-negro, já que até mesmo o tão seguro Ronaldo Angelim está dando umas pixotadas, agora o Flamengo tem que conviver com a falta de criatividade do setor de meio-campo. O tripé central escalado neste duelo contra o Santos foi formado por Willians, Toró e Kléberson. Pode-se dizer sem o mínimo exagero que nenhuma jogada ofensiva criada pelo Flamengo saiu dos pés destes jogadores. O principal responsável por organizar as tramas ofensivas rubro-negras deve ser o Kléberson, tanto por sua experiência como por sua categoria, porém o volante/meia da Seleção Brasileira nem sequer foi notado em campo. O novo treinador do Fla, seja quem for, terá bastante trabalho para ajustar o setor.

JOGADA RÁPIDA!

- Os três gols que Obina fez contra o Corinthians já são suficientes para a torcida palmeirense idolatrá-lo por um bom tempo. O “Anjo Negro” é assim. Com tranquilidade, bom ambiente de trabalho e, principalmente, apoio da galera, ele não deve nada para muito centroavante que a mídia bate palmas. Pelo profissional que é, podem ter certeza que torço muito pelo sucesso do Obina.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

CAMPEONATO BRASILEIRO 2009 - 13ª RODADA - SÉRIE B

SÉRIE B

Fortaleza 1 x 2 Bragantino
Juventude 2 x 2 Ipatinga
ABC 1 x 1 Guarani
Duque de Caxias 1 x 2 Ceará
Paraná 1 x 0 São Caetano
Bahia 2 x 1 Vasco
Ponte Preta 0 x 1 Figueirense
Portuguesa 2 x 1 América
Vila Nova 2 x 1 Campinense
Brasiliense 0 x 1 Atlético Goianiense

Olá amigos do FUTEBOLA!

A 13ª rodada da Segundona foi péssima para os times do Rio. O Vasco levou uma surpreendente virada do Bahia e o Duque de Caxias, em casa, perdeu para o Ceará. Quem também se deu mal na rodada foi o Brasiliense, que sofreu a quarta derrota consecutiva. Vamos aos comentários do jogo Vasco x Bahia.

Bahia 2 x 1 Vasco – Pituaçu, Salvado (BA)

MANDOU BEM!

- A atuação do zagueiro Nen, do Bahia, contra o Vasco, foi daquelas que ele nunca mais vai se esquecer na vida. A defesa vascaína é reconhecidamente o ponto mais forte da equipe, tendo sofrido somente 4 gols nos 12 jogos anteriores. A equipe carioca vencia a partida por 1 a 0, com certa tranquilidade, quando em um escanteio cruzado na área, Nen empatou a partida para o Tricolor Baiano. O relógio marcava 18 minutos do 2º tempo. A torcida do Bahia cresceu assustadoramente e tentava embalar o time. Aos 30 minutos, o camisa 7 baiano Leandro recebeu o segundo cartão amarelo, após dura falta no atacante Adriano, e foi mais cedo pro chuveiro. Com um homem a mais, e a entrada de Carlos Alberto, o Vasco seria só pressão. O jogo se transformou num jogaço. Adriano manda uma bomba na trave após ótima jogada de Paulo Sérgio. Pouco depois, Souza dá lindo passe para o mesmo Adriano, que limpa o goleiro e chuta sobre o zagueiro Evaldo, levando Carlos Alberto, sozinho ao seu lado, à loucura. Mas novamente o herói do jogo deu as caras. Novo escanteio cobrado na área vascaína e o zagueirão Nen manda uma cabeçada certeira para virar a partida. Final de jogo: Nen 2 x 1 Vasco.

MANDOU MAL!

- As duas falhas da defesa vascaína, nos lances que resultaram nos gols da vitória baiana, podem ser perdoadas. O sistema defensivo do Vasco vem se apresentando com uma constância, diria até inacreditável, e falhas podem ser aceitas. Já a atuação do setor de meio-campo, merece um puxão de orelha, pois não é a primeira vez que a meiúca vascaína mostra uma enorme falta de criatividade. Neste duelo contra o Bahia, o 1º tempo vascaíno foi muito fraco. Ernâni e Souza, que deveriam auxiliar Alex Teixeira na organização, já que Nílton estava bastante recuado para proteger a defesa, nada produziram de útil. Alex Teixeira ainda cresceu bastante de produção no 2º tempo, mas é evidente que sem o auxílio dos companheiros de meio não conseguirá comandar as ações ofensivas do Vasco. Fico imaginando o pesadelo que seria para o torcedor cruzmaltino se o Carlos Alberto realmente retornasse para o Werder Bremen.

sábado, 25 de julho de 2009

FIGURINHA CARIMBADA - GUARÁ



Nome: Guaracy Januzzi

Data de nascimento: 4 de janeiro de 1916

Faleceu em 19 de novembro de 1978

Posição: centroavante

Clubes:

Atlético Mineiro (1933 a 1941)
Flamengo (1941)
Siderúrgica –MG (1942)

Títulos:

Campeonato Mineiro – 1936, 1938 e 1939 – Atlético Mineiro
Campeão dos Campeões – 1937 – Atlético Mineiro

Destaques:

- Conhecido pelo apelido de “Perigo Loiro”, Guará foi o principal jogador de um dos maiores times da história do Atlético Mineiro. O esquadrão que começava com o lendário goleiro Kafunga, que defendeu o Atlético por duas décadas e mais de 600 jogos, passava pelo grande Zezé Procópio, que em 1938 integraria a Seleção Brasileira 3ª colocada na Copa do Mundo, e chegava ao ofensivo Nicola, cracaço e amigo de Guará desde a infância. Em Ubá, onde Guará e Nicola jogavam, ainda crianças, pelo Aimóres, costumavam dizer que eles não apenas faziam chover, mas provocavam vendavais e inundações.

Este timaço do Galo é tão importante, que o hino do clube lhe faz uma homenagem no trecho “Nós somos Campeões dos Campeões. Somos o orgulho do Esporte Nacional.” Em 1937, o futebol brasileiro ainda sofria com o debate profissionalismo x amadorismo, quando a FBF (Federação Brasileira de Futebol), que representava os clubes profissionais, criou um torneio envolvendo Fluminense(RJ), Portuguesa(SP), Rio Branco(ES) e Atlético Mineiro, campeões estaduais em 1936. Apesar do ruim início, quando foi goleado por 6 a 0 para o Fluminense, o Galo emplacou uma sequência de três vitórias seguidas, jogando em casa, e sagrou-se Campeão dos Campeões.

- Com nada menos que 168 gols na carreira, Guará é o quarto maior artilheiro da história do Galo. Destes gols, 24 foram marcados contra o rival Palestra Itália (que poucos anos mais tarde se tornaria o Cruzeiro), o que o coloca como segundo maior artilheiro do clássico, atrás apenas do palestrino Niginho. Apesar do corpo franzino, Guará era um atacante que beirava a perfeição. Além de passes magistrais e uma habilidade rara, sabia marcar gols de tudo quanto era jeito. Era tão genial que até arrumava tempo para inventar jogadas diferente, como a que ele nomeou de “Viva São João”. Após passar do meio do campo, Guará dava um chutão para o alto, mandando a pelota na direção da área adversária. Era aí que ele mostrava como era completo. Primeiro utilizava-se de toda sua velocidade para chegar na área rival antes da bola cair e, em seguida, apresentava sua impulsão e qualidade no cabeceio para mandar a bola pro fundo das redes. Só mesmo um gênio como Guará para, em um mesmo lance, contabilizar um gol e uma assistência.

- O dia 4 de junho de 1939, ficará marcado para sempre como um dos mais tristes na história atleticana. Era dia de Atlético x Palestra e os torcedores do Galo esperavam ver mais um show de Guará. Após realizar uma defesa, o goleiro Kafunga busca um rápido contra-ataque e lança a bola alta para Guará, que estava marcado pelo defensor palestrino Caieira. Os dois sobem na disputa da pelota. Os dois caem, após o choque de cabeças. Somente Caieira levanta. O silêncio no estádio torna-se ainda maior quando o médico atleticano leva as mãos à cabeça e ordena a retirada de Guará do campo. A situação era ruim e o craque, em coma, é enviado ao Pronto-Socorro de Belo Horizonte e depois para o Hospital. Foram 72 horas em estado de choque, com grande risco de perder a vida, e quase um mês internado. Os torcedores atleticanos lotavam de assinaturas o livro de visitas do hospital. Aos poucos o craque foi se recuperando e até tentou retornar aos gramados, porém nunca mais foi o mesmo e encerrou a carreira de maneira prematura. Uma das mais bem boladas frases que já li, foi dita por Ary Barroso sobre o fato: “A fama teve inveja de Guará”.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

CAMPEONATO BRASILEIRO 2009 - 13ª RODADA - SÉRIE A

SÉRIE A

Avaí 1 x 0 Grêmio
Santo André 0 x 2 Cruzeiro
Flamengo 1 x 1 Barueri
Santos 1 x 0 Atlético Paranaense
Internacional 2 x 2 São Paulo
Goiás 2 x 1 Palmeiras
Náutico 2 x 2 Botafogo
Coritiba 1 x 1 Sport
Corinthians 2 x 1 Vitória
Atlético Mineiro 2 x 1 Fluminense

Olá amigos do FUTEBOLA!

Na rodada de meio de semana do Brasileirão, foi o Atlético Mineiro o time mais beneficiado. Se aproveitando dos tropeços de Palmeiras, que perdeu de virada para o Goiás, e do Internacional, que deixou o São Paulo empatar após estar vencendo por 2 a 0, o Galo bateu o Fluminense, no Mineirão, e abriu 3 pontos na liderança. Por falar em Fluminense, o Tricolor, assim como o Botafogo, permanecem na tão perigosa zona de rebaixamento. É sobre os jogos envolvendo estas duas equipes que comento abaixo.

Náutico 2 x 2 Botafogo – Aflitos, Recife (PE)
Atlético Mineiro 2 x 1 Fluminense – Mineirão, Belo Horizonte (MG)

MANDOU BEM!

- Quem já está ganhando cadeira cativa aqui na sessão “Mandou Bem” é o zagueiro botafoguense Juninho. Uma vez mais o capitão alvi-negro foi o principal responsável por sua equipe não ser derrotada. É impressionante a potência e precisão de seus chutes, que quando não sacodem o filó, sempre resultam em rebotes onde a bola fica pipocando na pequena área gritando “me chuta!”. Assim como no clássico contra o Flamengo, quando o goleiro rubro-negro soltou a bomba de Juninho nos pés de Alessandro, desta vez o goleiro do Náutico, Eduardo, largou a pelota livre para Reinaldo empatar a partida. A fase de Juninho está tão monumental, que o primeiro gol do Fogão surgiu de uma jogada ensaiada de escanteio, onde a bola foi rolada para ele fora da área. O próprio time já sabe com quem deve contar, transformando até escanteios em chutes do capitão. Como diria um amigo meu sobre Juninho: “Esse cara come chumbo!”.

- A atitude do Botafogo de recuar sua equipe, no 2º tempo do jogo contra o Náutico, foi muito bem aproveitada pelo time pernambucano. Gostei bastante do incisivo trio formado por Aílton, Carlinhos Bala e Gilmar, que infernizou o sistema defensivo botafoguense. Apesar dos dois gols marcados pelo Gilmar, foi o meia Aílton quem mais me encheu os olhos. Com muita movimentação, Aílton aparecia constantemente na criação das jogadas ofensivas de sua equipe. Após o Náutico virar o placar, Aílton realizou a jogada mais linda da partida, ao dar um chapéu no Juninho e tocar a bola na saída do Castilho. A pelota só não entrou pois Leandro Guerreiro, como sempre, estava atento ao jogo e tirou a bola sobre a linha do gol.

- Que bela partida realizou o Atlético Mineiro contra o Fluminense. Apesar de não ser o fã número 1 do treinador Celso Roth, é visível que o controle de bola exercido pelo Galo ao longo de todo o jogo e a movimentação da equipe têm o dedo dele. A dupla de meias formada por Júnior e Serginho tiveram uma apresentação de altíssimo nível, com o veterano Júnior mostrando estar se tornando um ótimo maestro. Já o Serginho, que teve sua boa atuação premiada com um gol, não parou de se movimentar ofensivamente, o que deixou o sistema defensivo tricolor perdido. Ora aparecia na direita, ora na esquerda, ora no meio, ora forçava a marcação na saída de bola do Fluminense... Se escorando nesta excelente atuação da dupla de meias, outros jogadores atleticanos também conseguiram se destacar na partida, como o atacante Diego Tardelli, que uma vez mais deixou sua marca, e o lateral Thiago Feltri, que participou diretamente dos dois gols do Galo.

- Como o Fluminense não atacava com muitos jogadores, ficava difícil de penetrar na defesa do Galo. Por este motivo, a opção que restou ao Tricolor foi os chutes de longa distância e as bolas paradas. Foi então que entrou em cena o goleiro Aranha, uma verdadeira muralha. Não importava de onde vinham os chutes, e nem quem chutava, o goleirão estava lá para garantir a vitória atleticana. Fred, Conca, Tartá e Kieza, tiveram seus perigosos chutes defendidos pelo Aranha. Para coroar sua atuação, Aranha realizou um verdadeiro milagre ao defender uma cabeçada aos 45 minutos da 2ª etapa.

MANDOU MAL!

- Não consigo compreender como uma equipe que está jogando bem ofensivamente, com o controle da posse de bola, do meio-de-campo e não dando oportunidades para o adversário crescer em campo, coloca tudo a perder, por relaxamento. O Botafogo realizara um belo 1º tempo no jogo contra o Náutico, porém voltou do intervalo com uma postura completamente diferente. A troca constante de passes e as jogadas ofensivas deram lugar a um time excessivamente recuado. Escorado no veloz trio ofensivo, que já foi elogiado anteriormente, o Náutico soube aproveitar recuo do Botafogo e, se não fosse o salvador alvi-negro Juninho, o Botafogo se complicaria mais no Brasileirão.

- O principal problema do Fluminense na derrota para o Atlético Mineiro foi a falta de qualidade na saída para o jogo. Se Diguinho, que é o volante que deveria ser responsável por iniciar as jogadas ofensivas do Flu, já que Wellington Monteiro não tem qualidade técnica para tal tarefa, teve uma péssima atuação, os zagueiros tricolores também abusaram dos erros bobos. O treinador Renato Gaúcho pode até preparar o Fluminense para jogar nos contra-ataques, explorando a velocidade de Conca, Tartá e Kieza, porém precisará de muito treino para fazer a bola sair redondinha da defesa até os pés do argentino Conca, o cérebro do Tricolor.

JOGADA RÁPIDA!

- O Avaí conseguiu uma excelente vitória contra o Grêmio e emplacou o terceiro triunfo seguido. Com esta sequência, a equipe catarinense já se distanciou 4 pontos da zona do rebaixamento e parece estar se acostumando com a difícil Série A do Brasileirão.