quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

JOGANDO POR MÚSICA - O MUNDO É UMA BOLA - BEIJA-FLOR (1986)


O Mundo é uma Bola

Brasil, Brasil, Brasil, oi
Canta forte e explode de alegria
O mundo é uma bola
Girando, girando
Em plena euforia
E levando a corrente
Pra frente, pra frente
E a vitória conquistar

Com os heróis da nossa seleção
Vibrantes com o grito popular
Tudo em cima novamente
Sobrevoando a passarela
Que beleza a Beija-Flor
Sacudindo esta galera

Do Oiapoque ao Arroio Chuí
Tem folclore, tem mandinga
Oh! Torcida campeã

O meu Rio de Janeiro
O ano inteiro é samba e Maracanã

Se esta profusão de cores
Sensibiliza o visual
A arte é jogar bola
Vai na Copa e faz um carnaval

É milenar...

É milenar
A invenção do futebol
Fez o artista
Ter um sonho triunfal




COPA LIBERTADORES 2014 – FASE DE GRUPOS – UNIÓN ESPAÑOLA X BOTAFOGO


Unión Española 1 x 1 Botafogo – Estádio Santa Laura, Santiago (Chile)

El Tanque Ferreyra vai às redes e Fogão se mantém na liderança do grupo 2 ao empatar com Unión Española no Chile.

Para o bem e para o mal, Unión Española e Botafogo realizaram uma primeira etapa muito igual. Comecemos pelos pontos negativos: ambos exageraram nos chutões para frente ao sair para o jogo (o jovem Dória precisa corrigir este vício urgentemente); os setores de meio-campo alvinegro e vermelho foram relaxados na marcação, um pecado mais grave por parte do Botafogo, que contava com dois cães de guarda, Gabriel e Marcelo Mattos, e deu muita liberdade ao arisco Chávez; por fim, Ferreyra, pelo Fogo, e Salon, pelo Unión, perderam, quase na pequena área, oportunidades que um centroavante não pode desperdiçar. Ambas as finalizações pararam nas mãos dos goleiros Sánchez e Jefferson, que, por sinal, foram o ponto positivo em comum dos dois times na etapa inicial.

Pelo cenário de jogar e deixar jogar, Eduardo Hungaro poderia voltar já do intervalo com Bolatti. Só o fez aos 13 minutos, quando o Botafogo já colocava mais a bola no chão. Com a entrada do argentino, o Alvinegro começou a tornar mais sólida sua superioridade e, o que é ainda mais importante, a criar chances de gols. Mas foi justamente quando Jefferson se via menos ameaçado que Chávez se infiltrou por entre Dória e Julio Cesar e, aos 29, abriu o placar para os chilenos. Pelo caminhar da partida, o Bota teria muito a lamentar em caso de derrota, mas o Unión cometeu o pecado de recuar para segurar a vitória, mesmo sendo um time sem pegada e força defensiva, e El Tanque Ferreyra, aos 40, subiu mais alto que todos os vermelhos e igualou o escore.

Diante de um adversário que deu muitos espaços, uma torcida que não pressionou em momento algum, em uma cidade sem a temível altitude, o Botafogo poderia ter saído com os três pontos. Não venceu, mas pelo menos ganhou um pontinho que pode ser bem importante no futuro.

Unión Española: Sánchez; Miranda, Ampuero, Navarette e Berardo; Toro, Pavez, Favarelli e Jaime; Chávez; Salón. Técnico: Sierra.

Botafogo: Jefferson; Edílson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Gabriel (Bolatti) e Marcelo Mattos; Lodeiro, Jorge Wagner (Henrique) e Wallyson (Daniel); Ferreyra. Técnico: Eduardo Hungaro


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

GÊNIOS DAS PALAVRAS

Garrincha e a origem do olé
Por João Saldanha
Retirado do livro Subterrâneos do Futebol, da editora Tempo

O Estádio Universitário ficou à cunha. Cem mil pessoas comprimidas para assistir ao jogo. É muito alegre um jogo no México. É o país em que a torcida mais se parece com a do Rio de Janeiro. Barulhenta, participa de todos os lances da partida. Vários grupos de "mariaches" comparecem.

Estes grupos, que formam o que há de mais típico da música mexicana, são constituídos de um ou dois "pistões" e clarins, dois ou três violões, harpa (parecida com a das guaranias), violinos e marimbas. As marimbas são completamente de madeira, mas não vão ao campo de futebol, sendo substituídas por instrumentos pequenos.

O ponto alto dos "mariaches" é a turma do pistão, do clarim e o coro, naturalmente. No campo de futebol, os grupos amadores de "mariaches" que comparecem ficam mais ativos em dois momentos distintos: ou quando o jogo está muito bom e eles se entusiasmam, ou, inversamente, quando o jogo está chato e eles "atacam" músicas em tom gozador. No jogo em que vencemos ao Toluca, que estava no segundo caso, os "mariaches" salvaram o espetáculo.

O time do River era, realmente, uma máquina. Futebol bonito e um entendimento que só um time que joga junto há três anos pode ter. Modestamente, jogamos trancados. A prudência mandava que isto fosse feito. De fato, se "abríssemos", tomaríamos um baile.

Foi um jogo de rara beleza. E não foi por acaso. De um lado estavam Rossi, Labruña, Vairo, Menéndez, Zarate, Carrizo. De outro, estavam Didi, Nilton Santos, Garrincha etc. Jogo duro e jogo limpo. Não se tratava de camaradagem adquirida em quase um mês no mesmo hotel, mas sim da presença de grandes craques no gramado. A torcida exultava e os "mariaches" atacavam entusiasmados.

Estava muito difícil fazer gol. Poucas vezes vi um jogo disputado com tanta seriedade e respeito mútuos. Mas houve um espetáculo à parte. Mané Garrincha foi o comandante. Dirigiu os cem mil espectadores. Fazendo reagirem à medida de suas jogadas. Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do "Olé", tão comumente utilizada posteriormente em nossos campos. Não porque o Botafogo tivesse dado "Olé" no River. Não. Foi um "Olé" pessoal. De Garrincha em Vairo.

Nunca assisti a coisa igual. Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um "Olé" daquele tamanho. Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: "Ôôôôô"! O som do "olé" mexicano é diferente do nosso. O deles é o típico das touradas. Começa com um ô prolongado, em tom bem grave, parecendo um vento forte, em crescendo, e termina com a sílaba "lé" dita de forma rápida. Aqui é ao contrário: acentua-se mais o final "lé": "Olééé!" – sem separar, com nitidez, as sílabas em tom aberto.

Verdadeira festa. Num dos momentos em que Vairo estava parado em frente a Garrincha, um dos clarins dos "mariaches" atacou aquele trecho da Carmem que é tocado na abertura das touradas. Quase veio abaixo o Estádio Universitário.

Numa jogada de Garrincha, Quarentinha completou com o gol vazio e fez nosso gol. O River reagiu e também fez o dele. Didi ainda fez outro, de fora da área, numa jogada que viera de um córner, mas o juiz anulou porque Paulo Valentim estava junto à baliza. Embora a bola tivesse entrado do outro lado, o árbitro considerou a posição de Paulinho ilegal. De fato, Paulinho estava "off-side". Havia um bolo de jogadores na área, mas o árbitro estava bem ali. E Paulinho poderia estar distraindo a atenção de Carrizo.

O jogo terminou empatado. Vairo não foi até o fim. Minella tirou-o do campo, bem perto de nós no banco vizinho. Vairo saiu rindo e exclamando: "No hay nada que hacer. Imposible" – e dirigindo-se ao suplente que entrava, gozou:

– Buena suerte muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá.

O jogo terminou empatado e uma multidão invadiu o campo. O "Jarrito de Oro", que só seria entregue ao "melhor do campo" no dia seguinte, depois de uma votação no café Tupinambá, foi entregue ali mesmo a Garrincha. Os torcedores agarraram-no e deram uma volta olímpica carregando Mané nos ombros. Sob ensurdecedora ovação da torcida. No dia seguinte, os jornais acharam que tínhamos vencido o jogo, considerando o tal gol como válido. Mas só dedicaram a isto poucas linhas. O resto das reportagens e crônicas foi sobre Garrincha.

As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao "Olé". As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o "Olé". Foi assim que surgiu este tipo de gozação popular, tão discutido, mas que representa um sentimento da multidão.

Já tentaram acabar com o "Olé". Os árbitros de futebol, com sua inequívoca vocação para levar vaias, discutiram o assunto em congresso e resolveram adotar sanções. Mas como aplicá-las? Expulsando a torcida do estádio? Verificando o ridículo a que estavam expostos, deixam cada dia mais o assunto de lado. É melhor assim. É mais fácil derrubar um governo do que acabar com o "Olé".

Não poderia ter havido maior justiça a um jogador que a que foi feita pelos mexicanos a Mané Garrincha. Garrincha é o próprio "Olé".

Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante, tão driblador. É impossível adivinhar-se o lado por onde Mané vai "sair" da enrascada. Foi a coisa mais justa do mundo que Garrincha tivesse sido o inspirador do "Olé".

domingo, 23 de fevereiro de 2014

CAMPEONATO CARIOCA 2014 – 10ª RODADA – FLUMINENSE X BOTAFOGO


Fluminense 0 x 3 Botafogo – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Cheio de reservas, autoridade e bom futebol, Fogão faz 3 a 0 no Fluminense e se mantém vivo no Carioca.

Antes de a bola rolar, seria mais do que válido imaginar que o Fluminense, mais uma vez escalado com o que Renato Gaúcho considera seu onze ideal, apresentaria protagonismo diante de um Botafogo sem um único titular. No futebol, porém, o que se imagina antes do primeiro trilar do apito tem o valor de um dólar furado.

Com os laterais Bruno e Carlinhos tímidos no ataque e frágeis na defesa, Jean a errar passes em sequência, Sóbis e Fred desconectados e toda a responsabilidade criativa nas costas do pequeno notável Conca, o Fluminense não foi nem rascunho do time que deu um baile no Flamengo há alguns dias.

Conca, mais uma vez, esbanjou categoria. Mesmo com marcadores no seu cangote, o argentino fez de tudo para levar o Tricolor à frente, mas seus parceiros passaram longe de uma boa jornada. Para “coroar” a apresentação tricolor, Fred, no fim, ainda cobrou pênalti de maneira péssima para defesa de Helton Leite. 

Pelo lado do Botafogo, nada de infertilidade e desorganização. Defensivamente, zagueiros, laterais e volantes alvinegros foram bem sucedidos em impedir a criação tricolor, apesar de terem exagerado na violência (Aírton e Gabriel, bateram a torto e a direito). Ainda na proteção, destaque também para o auxílio na do garoto Daniel e do veterano Renato. No entanto, os aplausos mais efusivos para a atuação botafoguense devem ser direcionados ao setor ofensivo.

Bolatti comandou o meio-campo com cabeça em pé, passes curtos, lançamentos e ainda arrumou tempo para aparecer na área e completar, tal qual um centroavante, a vitória. Falando em centroavante, Henrique, com um gol em cada tempo, deu corpo ao triunfo. Palmas também para Gegê, que muito se movimentou e deu dinâmica ao ataque, e Lucas, que voltou a apresentar seu bom jogo de frente.

A maiúscula vitória dos suplentes alvinegros não pode, entretanto, apagar a opção de Eduardo Hungaro, que ao escolher por poupar seus principais jogadores perdeu uma grande oportunidade de dar mais liga, ritmo, familiaridade e cancha ao seu time titular.
 
Fluminense: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Elivélton e Carlinhos (Chiquinho); Valencia (Wágner), Jean e Diguinho; Conca; Rafael Sóbis (Walter) e Fred. Técnico: Renato Gaúcho.

Botafogo: Helton Leite; Lucas (Lodeiro), Dankler, André Bahia e Junior Cesar; Airton (Gabriel) e Bolatti; Gegê (Jorge Wagner), Renato e Daniel; Henrique. Técnico: Eduardo Hungaro.



sábado, 22 de fevereiro de 2014

BATENDO BAFO - INGLATERRA 1990

Mesmo se levarmos em consideração que a Inglaterra, por vontade própria, não disputou as três edições da Copa do Mundo da década de 30, período em que certamente iria competir em pé de igualdade com as grandes potências da época, como Uruguai, Argentina, Áustria e Itália, é assustador o retrospecto dos ingleses de apenas dois top-4 na história dos Mundiais. Fora o título conquistado em casa, em 1966, os “Pais do Futebol” terminaram entre os quatro melhores classificados de uma Copa do Mundo apenas em 1990, quando foram comandados pelo instigante Paul Gascoine e pelo goleador Gary Lineker, que acabaria por terminar o torneio como artilheiro, com seis gols marcados. A campanha inglesa contou com dois empates – Irlanda (1 a 1) e Holanda (0 a 0) e uma vitória sobre o Egito (1 a 0) na fase de grupos, além de triunfos na prorrogação sobre Bélgica (1 a 0) e Camarões (3 a 2), nas oitavas e quartas de final, respectivamente. Os ingleses foram eliminados nos pênaltis para a Alemanha após empate em um gol e acabariam na quarta colocação após derrota por 2 a 1 para os italianos.




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

UMA IMAGEM






















Numa das maiores quebras de protocolo da história do futebol brasileiro, Vampeta rola na rampa do Planalto durante a recepção presidencial aos vencedores da Copa do Mundo de 2002.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

JÁ PASSOU A HORA DA PROFISSIONALIZAÇÃO DOS ÁRBITROS


Heber Roberto Lopes, Leandro Vuaden, Marcelo de Lima Henrique, Péricles Bassols, Sandro Meira Ricci... São juízes de futebol, correto? Sim, mas não apenas. Em ordem, temos um professor de educação física, um vendedor, um fuzileiro naval, um dentista e um analista de comércio exterior. E enquanto os responsáveis por arbitrar partidas Brasil afora não forem profissionais de futebol, continuaremos a acompanhar uma sucessão de erros de domingo a domingo.

É claro, é lógico e é evidente que a profissionalização dos árbitros de futebol não daria fim aos erros do apito. Seria possível que o assistente de fundo Rodrigo Saraiva Castanheira não visse o gol do vascaíno Douglas, no último Clássico dos Milhões, mesmo se fosse profissional. Mas estas possibilidades, convenhamos, seriam menores se ele precisasse se dedicar somente à arbitragem.

O mesmo vale para bandeirinhas e juízes principais, que com certeza cometeriam menos equívocos se tivessem condições de trabalhar oito horas por dia na sua evolução. Sendo profissionais do futebol, teriam disponibilidade para treinos físicos e técnicos, preparação psicológica, participação em palestras, estudo profundo das regras, realização de intercâmbios...


A cada tropeço dos homens de preto (cada vez mais coloridos), pipocam discussões sobre a urgência da inserção da tecnologia nas decisões do campo. Esta, sem dúvidas, é uma discussão mais do que válida, porém não pode obscurecer a necessidade imediata da profissionalização dos juízes de futebol.