domingo, 30 de março de 2014

CAMPEONATO CARIOCA 2014 - SEMIFINAL - FLUMINENSE X VASCO


Fluminense 0 x 1 Vasco – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Artilheiro Edmílson vai às redes e Vasco supera Fluminense para voltar à final do Campeonato Carioca após 10 anos.

A primeira etapa no Maracanã não foi um ataque contra defesa como podia se esperar. O Vasco, pela obrigatoriedade da vitória, posicionou seus homens mais à frente, dentro do campo rival, mas em momento algum chegou a pressionar. Diego Renan foi o cruz-maltino que mais apareceu no ataque, tanto com finalizações como com cruzamentos, Everton Costa deu trabalho ao Carlinhos, Edmílson foi procurado e encontrado e Douglas recuou da marcação do Valencia para iniciar as tramas alvinegras.

O Fluminense, por sua vez, até entrou em campo com o intuito de se resguardar e aproveitar os contra-golpes, mas a marcação vascaína no meio-campo foi frágil e permitiu ao Flu, por diversas vezes, avançar seus jogadores. Não só os avançou como criou chances com Fred (fez um gol bem anulado por impedimento) e duas vezes em finalizações de ilusionista do Walter que só não mudaram o placar por que o pé de Martín Silva e o travessão não deixaram.

Quando o primeiro tempo chegava ao fim, Douglas sofreu falta de Valencia e a cobrou para Gum falhar, Rodrigo tocar e Edmílson fazer um a zero Vasco. Agora era o Fluminense que precisava correr atrás do prejuízo. E foi de assustar como durante toda a etapa final o Tricolor não conseguiu construir sequer uma chance concreta de empatar. Principalmente depois que Renato sacou o Walter, o Flu nada fez além de chutões para frente e bolas alçadas na área de qualquer maneira, algo imperdoável para um time que terminou com Carlinhos, Conca, Wágner, Rafael Sóbis e Fred em campo.

O Vasco, sem muitas dificuldades para se defender (vale ressaltar aqui o leonino Guiñazu), ainda buscou alguns botes com Everton Costa e Douglas, que, por sinal, faz a bola rolar que é uma beleza. Como o Flu passou longe de levar perigo ao Martín Silva e o Vasco não foi lá muito incisivo – e nem precisou –, o apito final veio para decretar o um a zero e a volta do Cruz-Maltino a uma final de Carioca depois de uma década.

Fluminense: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Elivelton e Carlinhos; Valencia, Rafinha (Biro Biro) e Diguinho (Wágner); Conca; Walter (Rafael Sóbis) e Fred. Técnico: Renato Gaúcho.

Vasco: Martín Silva; André Rocha, Luan, Rodrigo e Diego Renan (Marlon); Pedro Ken, Guiñazu e Douglas; Everton Costa, Reginaldo (Fellipe Bastos) e Edmílson (Thalles). Técnico: Adilson Batista.

HERNANE E A FASE DO CENTROAVANTE

Coisa misteriosa essa tal de fase do centroavante. No segundo semestre do ano passado, o flamenguista Hernane era capaz de transformar qualquer coisa que fosse na sua direção em gol. Às vezes ele estava no lugar errado, na hora errada, finalizava errado e a bola ia dormir, quietinha, no fundo do barbante. Mas eis que o futebol e o Flamengo entraram de férias...

Começou 2014 e Hernane só foi desencantar no terceiro jogo. E o fez com grandiosidade: enfiou quatro bolas nas redes do Macaé. Voltou a brocar somente após cerca de um mês, quando deixou sua marca contra o Emelec, em jogo que parecia ser sua despedida para o futebol chinês. A esta altura, apesar de todo o desejo pela permanência do centroavante na Gávea, o torcedor rubro-negro já não via um Brocador como o de antes.

As bolas de sempre já não entravam mais. Aquela sensação de que a brocada sairia a qualquer minuto foi dando espaço a uma, duas, três, quatro, incontáveis pulgas atrás da orelha. Não se pode deixar de dizer que o Flamengo, como um todo, não é nem sombra do Campeão da Copa do Brasil de 2013. A saída de Elias e o tempo de ausência de Luiz Antônio e Paulinho depenaram o Urubu. Hernane, homem de área – mais ainda, homem de apenas um toque na bola –, sofreu e sofre barbaridade com a queda do time.

Voluntarioso, se dedica, tenta fazer o pivô, abrir espaços, participar da organização, chutar de fora da área... Não é a dele. O negócio do Brocador é um toque na bola, uma bola na rede. E como que para deixar ainda mais nítido que o momento não é mesmo dos melhores, Alecsandro, que foi contratado para ser um daqueles reservas que só entra no finalzinho, não para de levantar o véu da noiva.


A explicação para a queda de Hernane passa por fatores técnicos, táticos, físicos e psicológicos não só do próprio, mas de todo o time do Flamengo. Mas mesmo sabendo o caminho para se encontrar os motivos da má fase do Brocador, não tem como não se intrigar com um centroavante que há alguns meses fazia de qualquer tijolo a alegria da galera rubro-negra e que, agora, parece estar sempre segundos e centímetros atrasado.

sexta-feira, 28 de março de 2014

CAMPEONATO CARIOCA 2014 - SEMIFINAL - VASCO X FLUMINENSE


Vasco 1 x 1 Fluminense – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Em clássico equilibrado e batalhado, Fluminense sai na frente com Fred, Vasco empata com Thalles e definição da vaga na final fica para domingo.

Cruz-Maltinos e tricolores, ninguém pode negar, entraram em campo para buscar a vitória. Não teve nada de fase de estudos ou cautela inicial por ser um confronto de 180 minutos. Foi briga, luta, discussão, reclamação e nervos à flor da pele do primeiro ao último trilar do apito. Tramas refinadas e primor técnico individual foram raridades no Maracanã.

Os 10 minutos iniciais foram pra lá de intensos, com Douglas acertando a trave e Walter cabeceando uma bola que não entrou por centímetros e milésimos. Já neste período o clássico demonstrava os contornos que apresentaria na maior parte: a bola em pés vascaínos e a marcação recuada à espera do contra-ataque fatal com os tricolores. A este desenho tático, adicione doses cavalares de entrega defensiva e transpiração de ambas as partes.

Antes do intervalo, a bola esteve muito perto de levantar o véu do noiva. Pelo Vasco, potentes arremates de André Rocha e Rodrigo levaram perigo, e um chute à queima roupa do Edmilson beijou a trave após defesa de Cavalieri. Já por parte do Flu, Jean deu trabalho a Martín Silva e Carlinhos por pouco não abriu o placar. Placar que seria inaugurado aos 10 minutos da segunda etapa na jogada mais bela de todo o clássico: Jean arrancou, tabelou com Conca e rolou para Fred, livre, leve e solto, pegar o Vasco.

No momento de seu gol, o Flu apresentava uma postura com mais iniciativa, mas logo a estratégia de chamar o Vasco para o seu campo voltou a dar as caras. E o Vasco, sem medo de ser feliz, foi á frente e empatou aos 20, com o garoto Thalles, que jogo após jogo mostra que não pode ser reserva na equipe do Adilson.

O passar dos minutos não diminui a intensidade do clássico, mas a energia foi mais dedicada a reclamações e foiçadas nos adversários do que em criações ofensivas. O Flu escapou em um contra-golpe com Marcos Junior e Rafinha e o Vasco buscou uma pressão final, principalmente após a expulsão do Jean, aos 46. Nada, porém, capaz de tirar a igualdade do escore. Domingo tem mais!

Vasco: Martín Silva; André Rocha (Fellipe Bastos), Luan, Rodrigo e Marlon (Diego Renan); Pedro Ken, Guiñazu e Douglas; Everton Costa, Reginaldo (Thalles) e Edmílson. Técnico: Adilson Batista.

Fluminense: Diego Cavalieri; Bruno (Rafinha), Gum, Elivelton e Carlinhos; Valencia, Jean e Diguinho; Conca; Walter (Marcos Junior) (Wágner) e Fred. Técnico: Renato Gaúcho.

quinta-feira, 27 de março de 2014

CAMPEONATO CARIOCA 2014 - SEMIFINAL - CABOFRIENSE X FLAMENGO


Cabofriense 0 x 3 Flamengo – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Moleza! Sem muito se esforçar, Flamengo faz 3 a 0 na Cabofriense e encaminha a classificação para a final do Campeonato Carioca.

Os números na prancheta mostraram um Flamengo exatamente como o Campeão da Copa do Brasil de 2013, fato que, diga-se de passagem, não tem sido comum neste ano. Uma linha de quatro zagueiros, Amaral na função de cão-de-guarda, Márcio Araújo como o volante com mais liberdade, Paulinho e Luiz Antônio de meias abertos pelos flancos e Éverton entre os quatro meio-campistas e o centroavante Hernane.

Se em termos de posicionamento o Fla foi um “ctrl c + ctrl v” dos melhores momentos de 2013, em termos de intensidade não foi tanto assim. E nem precisou. Com poucas, mas destacadas, exceções (a Cabofriense carimbou o poste com o Daniel Tijolo e obrigou o Felipe a duas arrojadas defesas no primeiro tempo), o Rubro-Negro deu ao jogo o ritmo lento que quis, criou raízes no campo ofensivo, manteve a maior posse de bola do início ao fim, acelerou umas raras tramas de ataque e foi eficiente o bastante para marcar três gols e acertar outras três bolas na trave.

Éverton, aos 17 da etapa inicial, após cabeçada de Hernane beijar o poste, Paulinho, logo aos 4 do segundo tempo, depois de linda assistência do Brocador, e Alecsandro, em seu primeiro toque na bola, aos 30, foram os autores dos tentos flamenguistas. Abre parêntese. Certos centroavantes parecem ser avaliados apenas pelo número de bolas que colocam nas redes. Mesmo com participação direta nos dois primeiros gols, Hernane não sacudiu o barbante e não só não empolgou o torcedor rubro-negro como não deve ter ficado, ele mesmo, satisfeito com sua própria atuação. Ainda mais depois que Alecsandro precisou de menos de 20 segundos em campo para deixar sua marca. Fecha parêntese.

Muito próximo da vaga na decisão, Jayme de Almeida já pode começar a concentrar seu pensamento no embate com o Emelec, pela Libertadores. Principalmente em como suprir as ausências de Luiz Antônio e Márcio Araújo, que dão mais dinâmica e fluidez ao Flamengo mas não estão inscritos na competição continental.

Cabofriense: Luís Cetin; Rodrigo Dias, Luizão, Victor Silva e Leandro; Jardel, Daniel Tijolo e Silvano; Keninha (Arthur Faria) e Éberson (Anderson); Fabrício Carvalho. Técnico: Alexandre Barroso.


Flamengo: Felipe; Digão, Wallace, Samir e João Paulo (Mugni); Amaral, Márcio Araújo, Luiz Antônio (Gabriel) e Paulinho; Éverton; Hernane (Alecsandro). Técnico: Jayme de Almeida.

terça-feira, 25 de março de 2014

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA

Futebol é capacidade técnica, é preparo físico, é controle psicológico e é, também, muito conhecimento tático. E desde a primeira partida entre seleções, em 1872 – quando a Inglaterra com potência física e esquematizada no 1-1-8 enfrentou uma Escócia de passes de pé em pé e montada no 2-2-6 –, até os dias de hoje, este conhecimento tático passou por uma longa jornada. A expansão mundo afora do 2-3-5 e, depois, do W-M, a encantadora escola de Danubio e a eficiente solidez italiana, a consagração do 4-2-4 brasileiro, o Catenaccio, o fim dos pontas, o futebol científico, o futebol total... Quem foram os idealizadores e quais os contextos das grandes mudanças táticas da história? O autor Jonathan Wilson em seu valioso Inerting the Pyramid conta em detalhes toda esta jornada que fez (para o bem e para o mal) o futebol ser o que é hoje dentro das quatro linhas.

Inverting the Pyramid – The History of Football Tactics

Autor: Jonathan Wilson


domingo, 23 de março de 2014

CAMPEONATO CARIOCA 2014 – 15ª RODADA – VASCO X DUQUE DE CAXIAS



Vasco 4 x 0 Duque de Caxias – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Artilheiro isolado do Carioca, Edmílson marca duas vezes e Vasco goleia e rebaixa o Duque de Caxias.

Os objetivos em jogo em São Januário eram extremamente opostos. Enquanto o Vasco precisava vencer (e torcer contra o Fluminense) para conquistar a vantagem na fase semifinal, o Duque de Caxias tinha uma luta menos nobre: fugir da degola, o que só ocorreria em caso de vitória sobre o Cruz-Maltino e derrota do Resende diante do Madureira.

Imaginem, amigos, como foi a semana do Duque de Caxias. Esperança deve ter sido a palavra mais falada por dirigentes, treinador e jogadores mais experientes. Discursos diários sobre a necessidade de não desistir jamais, de lutar até o fim e de quem acredita sempre alcança não devem ter faltado.

Eis que o Duque de Caxias entra em campo quase verde de tanta esperança. Vem o apito inicial e, com míseros sete segundos, Reginaldo faz um a zero Vasco. O psicológico duquecaxiense foi por água abaixo. E como o time comandado pelo técnico Mario Júnior é pra lá de frágil em termos técnicos, táticos e físicos (só o camisa sete Juninho se salvou), o abalo psicológico facilitou – e muito! – a tarde vascaína.

Sem pisar fundo no acelerador e mesmo com um Douglas mais sumido que nota de cem reais em fim de mês, o Vasco passeou em campo e não encontrou problemas para transformar o relâmpago um a zero em goleada. Everton Costa, aos 14 minutos da etapa inicial, e o artilheiro Edmílson, aos 7 e 37 do segundo tempo, foram os carrascos do abatido Duque de Caxias.

Vale dedicar aqui um espaço para a fase vivida pelo atacante Edmílson. Com muita dinâmica, disposição e, principalmente, pontaria certeira, o atacante é hoje um nome inquestionável no Cruz-Maltino. Somente o goleiro Martin Silva é mais absoluto no time titular do que ele.

Apesar da goleada, a vitória do Fluminense sobre o Volta Redonda manteve o Vasco na terceira colocação da fase inicial e sem a vantagem no duelo semifinal contra o próprio Tricolor. Por sinal, um duelo que promete!

Vasco: Martín Silva; André Rocha, Luan, Rodrigo e Marlon; Aranda e Fellipe Bastos; Everton Costa (Bernardo), Douglas (Dakson) e Reginaldo (Montoya); Edmílson. Técnico: Adilson Batista.

Duque de Caxias: Andrade; Bruno Neves (Nélio), Alan Henrique, Guti e Alan Pires; Lenon (Arzaius), Sampson e André Gomes; Juninho e Washinton; Alex Terra (Nathan). Técnico: Mario Júnior.

sexta-feira, 21 de março de 2014

UMA IMAGEM













“Quando Bellini apanhou o caneco de ouro, era o novo homem brasileiro que se proclamava.” – Nelson Rodrigues