Pouco mais de 500 dias depois de levar 20 mil pessoas à Gávea
para recebê-lo, Ronaldinho Gaúcho colocou um ponto final em sua trajetória no
Flamengo. Uma trajetória repleta de erros, tanto por parte do jogador como, e
principalmente, por parte da diretoria flamenguista.
Bastou começar a pipocar pela internet a notícia de que
Ronaldinho colocara o Flamengo na justiça, para receber o que lhe é de direito
e a liberdade do passe, que em cada esquina carioca um rubro-negro se encontrava
a bradar: “Não fez nada pelo clube! Já vai tarde!”. Bom, amigos, se é
praticamente impossível negar que Ronaldinho decepcionou flamenguistas de todos
os cantos do país, também é um exagero dizer que o camisa 10 nada fez. No ano
passado, por exemplo, ajudou o Fla a conquistar o Carioca de maneira invicta e o
time só perdeu sua primeira partida no Brasileiro com o Gaúcho em campo na 20ª rodada,
quando o campeonato já passara de sua metade. Neste período, Ronaldinho alternou
ruins e boas apresentações, e na histórica vitória por 5 a 4 sobre o Santos de
Neymar, na Vila Belmiro, foi sensacional. Teve sua melhor atuação em anos.
Apesar de em algumas – muitas – oportunidades Ronaldinho ter
mostrado um futebol digno de pena, seu maior equívoco neste último ano e meio
foi ter priorizado o seu lazer pessoal ao invés de sua atividade profissional. Entretanto,
por maior que tenham sido o relaxamento e a falta de comprometimento do craque,
eles ainda são menores do que a incompetência da diretoria flamenguista, que
não consegue sequer cumprir com seus compromissos econômicos. Não vem ao caso
se Ronaldinho fez por merecer o seu mais de um milhão de reais por mês. Este
pagamento era uma obrigação do Flamengo, e o clube não foi capaz de quitá-lo
com o dinheiro do próprio bolso nem de criar uma estratégia financeira com outros
parceiros para arcar com estes custos. Desde os cargos mais altos até o diretor
mais xinfrim, a impressão de quem está do lado de fora da Gávea é a de que não
existe sequer uma pessoa dentro do clube capaz de recolocá-lo sobre os trilhos.
A já citada apresentação de Ronaldinho, na Gávea, e sua estreia
contra o Nova Iguaçu, em uma das festas mais lindas do ainda novato Engenhão,
deixaram no ar uma sensação de que o casamento poderia dar certo. Não deu.
Ronaldinho sai do clube manchado pela imensurável falta de empenho. E o
Flamengo fica com o merecido rótulo de ser incapaz de realizar uma engenharia
financeira semelhante às criadas por Corinthians e Santos para bancar,
respectivamente, Ronaldo e Neymar.


