quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

GRANDES CLÁSSICOS - FLUMINENSE X BANGU - 1964


Diante da recém-terminada Taça Guanabara, que consagrou o Fluminense como Campeão e deixou o Bangu como lanterninha sem sequer um mísero ponto conquistado, muitos podem duvidar que, em um passado nem tão distante, o Alvirrubro de Moça Bonita protagonizava com o Tricolor das Laranjeiras embates do mais alto nível. Um deles ocorreu no ano de 1964, para onde ofereço aos amigos uma viagem em primeira classe nas linhas abaixo.


Tão difícil quanto ganhar na Mega-Sena era apontar um favorito absoluto nos Campeonatos Cariocas da época em que o Brasil não incluía seus craques de futebol nos produtos tipo exportação. Para o Cariocão de 1964 eram nada menos do que seis os times que poderiam levantar o caneco sem que alguém pudesse gritar “Que zebra!!!”. Porém, com o desenrolar do torneio, o Vasco, que em alguns momentos apresentou a dupla de zaga Brito e Fontana, futuramente Campeões do Mundo com a Seleção Brasileira em 1970, e o América, que tinha Zizinho, o “Mestre Ziza”, como treinador, ficaram pelo meio do caminho. Restaram, então, Bangu, Botafogo, Flamengo e Fluminense, em ordem alfabética, como postulantes ao título.


O Flamengo, que brigava pelo Bi, tinha no lendário técnico Flávio Costa, dono da marca de oito títulos estaduais no currículo – cinco pelo Fla (39, 42, 43, 44 e 63) e três pelo Vasco (47, 49 e 50) – uma de suas principais armas. Dentro das quatro linhas, o destaque rubro-negro ficava por conta de Carlinhos, um meio-campo de tamanha classe e elegância no trato do couro que receberia o apelido de “Violino”. Pegando a condução da Gávea para General Severiano, o Botafogo apresentava um onze que misturava estrelas do inesquecível esquadrão Bi-Campeão em 61/62 – Manga, Nilton Santos, Rildo, Didi, Quarentinha, Zagallo e até Garrincha, no 1º turno – com as da geração que repetiria o Bi em 67/68, como Gérson, Jairzinho e Roberto Miranda. Vamos e venhamos: estes nomes alvinegros não necessitam de adjetivos, né?


Porém, em um campeonato mais equilibrado que trapezista do Cirque du Soleil, o clichê “todo jogo é uma decisão” é válido. Assim, tropeços do Botafogo em duelos contra os times da parte inferior da tabela e derrotas do Flamengo nas brigas entre os cachorros grandes deixaram ambos empatados e apenas um pontinho atrás dos protagonistas do Cariocão de 1964: Bangu e Fluminense. Lembrando que na época a vitória valia dois pontos, Flu e Bangu terminaram os dois turnos empatados com 35 pontos e no topo da tabela. Assim, o destino do troféu seria decidido em uma melhor de três.


Com uma campanha de somente duas derrotas em 24 jogos, o Bangu começava a montar, neste 1964, aquele que se tornaria um dos times mais lembrados do futebol carioca e conquistaria, dois anos depois, em 1966, o título Estadual. Do goleiro, o ágil Ubirajara, ao ponta-esquerda, o Alvirrubro era recheado de cracaços. Fidélis, o “Touro Sentado”, lateral-direito dono de um preparo físico invejável até para os dias de hoje, e a dupla de meio-campo formada por Ocimar e Roberto Pinto são nomes que espelham a qualidade banguense. Porém, a grande força alvirrubra estava em seu ataque. E que ataque! Na ponta-direita, Paulo Borges fazia de tudo e mais um pouco. Veloz e letal, infernizava as retaguardas adversárias e era daqueles que não precisavam de mapas para encontrar o caminho do gol. Se os dez que marcou neste torneio de 64 não foram suficientes para lhe dar o prêmio de artilheiro – esta honra caberia a um outro devoto do gol, de quem falaremos linhas abaixo – no biênio 66/67 ninguém tiraria Paulo Borges do topo da tabela de goleadores do Estadual.


E não era só o “Gazela”, apelido de Paulo Borges, quem sabia balançar as redes. Juntos, no comando do ataque suburbano, a dupla formada por Parada e Bianchini foi responsável por nada menos do que 25 dos 47 gols da equipe, ou seja, mais do que 50% dos tentos. Para fechar o poderoso ataque, Aladim – que mais tarde também faria história no Coritiba, com a conquista de seis Paranaenses – Cabralzinho e Canhoto se revezaram durante a competição.


“Mas para vencer um Bangu como esse o Fluminense necessitaria de um time de 24 quilates!” – deve estar pensando o amigo. Pois bem, o Fluzão-1964 era, realmente, 100% ouro. Se diz o ditado que todo grande time começa com um grande goleiro, a camisa 1 do Tricolor era vestida por ninguém menos do que Carlos Castilho, o “Leiteria”, goleiro de quatro Copas do Mundo no currículo (além de 50 e 54, foi Bi em 58 e 62) e que aliava uma extraordinária qualidade debaixo das traves com uma sorte que só acompanha os gigantes. À frente de Castilho, o Flu contava com uma dupla de zaga de impor respeito a qualquer ousada e atrevida linha de ataque: o já ídolo tricolor Altair, Campeão do Mundo em 1962 que quando atuou na lateral-esquerda ganhou o status de melhor marcador de Garrincha, e Procópio.


Procópio, assim como o meia Oldair e o atacante Evaldo, todos nomes essenciais neste Flu-64, se tornariam, em poucos anos, nomes históricos do futebol mineiro. O sólido Procópio e o goleador nato Evaldo fizeram parte do maior Cruzeiro de todos os tempos, o de 1966, que venceria a Taça Brasil com duas vitórias inimagináveis sobre o Santos de Pelé: 6 x 2 no Mineirão e 3 x 2, de virada, na Vila Belmiro. Procópio também entrou para a galeria de grandes do Atlético Mineiro pelo que fez dentro de campo e, principalmente, fora de campo, sendo o segundo treinador que mais vezes comandou o clube. Falando no “Galo”, muitos dizem que se não fosse Oldair o Alvinegro Mineiro não teria conquistado o Campeonato Brasileiro de 1971. Como lateral-esquerdo e capitão do time, Oldair marcou, contra o São Paulo, no Morumbi, o gol da vitória do Atlético por 1 x 0. Vitória esta ocorrida na fase final e que deixou o “Galo” muito próximo de levantar o título nacional, o que ocorreria poucos dias depois.


O timaço tricolor segue com um trio que começava, neste 1964, a escrever as primeiras páginas de suas gloriosas carreiras. Falo do inigualável lateral-direito Carlos Alberto Torres, capitão da Seleção Brasileira que conquistaria o Tri Mundial no futuro 1970, do incansável volante Denílson, implacável e de extrema eficiência a missão de proteger a retaguarda tricolor durante toda sua vida dentro das quatro linhas, e do perigoso ponta Gílson Nunes, que seria importantíssimo para o Vasco sair de uma fila de 12 anos sem títulos, em 1970, e para o América vencer a Taça Guanabara de 1974.


E como havia prometido alguns parágrafos acima, chegou a hora de falar do grande artilheiro do Cariocão 1964: Amoroso. Com 26 anos de idade, Amoroso se encontrava naquele período da carreira considerado por algumas teorias como melhor de um jogador de futebol, quando este não está tão jovem a ponto de a inexperiência atrapalhar, nem tão velho para ter problemas com o preparo físico. E mais: chegava ao Fluminense com o cartaz de Bi Carioca pelo Botafogo (61/62). Pois foi com toda esta maturidade que Amoroso se sagraria não só o artilheiro do Carioca de 1964, com 19 gols, como também no do ano seguinte, desta vez com 10 tentos.


Foi do próprio Amoroso, em uma cobrança de pênalti aos 5 minutos do 2º tempo, o gol que deu ao Fluminense a vitória no primeiro confronto decisivo da melhor de três. Mesmo com o caneco mais próximo das Laranjeiras, nenhum dos 75.106 pagantes para a segunda peleja seria capaz de bater o pé e, com a maior das convicções, afirmar quem seria o Campeão Carioca de 1964. Principalmente quando, aos 28 minutos da 1ª etapa, Bianchini abriu o placar para o Alvirrubro. Mas aí veio o intervalo e, com todo o seu imensurável conhecimento do esporte bretão, o treinador tricolor Tim, conhecido como “O Estrategista”, recolocou seus pupilos no caminho da glória. Foram nencessários menos do que dez voltas do ponteiro dos minutos para o Fluzão, gols de Joaquinzinho e Jorginho, virar o escore e colocar mais alguns dedos no caneco, que foi parar de vez nas Laranjeiras quando, aos 22 minutos, Gílson Nunes arrancou pela esquerda e marcou um golaço, “acabando com a vaidade de Moça Bonita”, como diria o lendário programa Canal 100.


Esta não seria a primeira vez que o Fluminense venceria o Bangu em uma finalíssima de Carioca. E nem a última. Em 1951, com dois gols de Telê Santana, e em 1985, ano em que recheou sua história com mais um Tri, o Flu deixaria os banguenses de cabeça inchada. Mas estas, meus amigos, são histórias para outras viagens...


Fluminense 3 x 1 Bangu

20 de Dezembro de 1964

Maracanã – Público: 75.106 pagantes

Gols: 1º tempo: Bianchini (BAN), aos 28’; 2º tempo: Joaquinzinho (FLU), aos 5’, Jorginho (FLU), aos 8’ e Gílson Nunes (FLU), aos 22’.

Fluminense: Castilho; Carlos Alberto Torres, Procópio, Valdez e Altair; Denílson e Oldair; Jorginho, Amoroso, Joaquinzinho e Gílson Nunes. Técnico: Elba de Pádua Lima “Tim”.

Bangu: Aldo; Fidélis, Mário Tito, Paulo e Nílton Santos; Ocimar e Roberto Pinto; Paulo Borges, Parada, Bianchini e Cabralzinho. Técnico: Plácido Monsores.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

AMISTOSO INTERNACIONAL - BRASIL X BÓSNIA


Brasil 2 x 1 Bósnia – AFG Arena, St. Gallen (SUI)


Brasil começa 2012 com futebol sem inspiração e vitória sobre a Bósnia por 2 x 1.

Para o primeiro amistoso da Seleção Brasileira no ano, Mano Menezes optou pelo 4-3-1-2 e mandou a campo: Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Hernanes, Sandro e Fernandinho; Ronaldinho; Neymar e Leandro Damião. Com jogadores que atuam em grandes centros europeus, a Bósnia foi para o duelo escalada pelo técnico Susic no 4-4-2 com: Begovic; Jahic, Spahic, Pandza e Papac; Pjanic, Rahimic, Medunjanin e Misimovic; Dzeko e Ibisevic.

Tudo que o Brasil precisava para transformar o amistoso contra a Bósnia em um jogo tranquilo era um gol cedo. E não é que ele veio! Com apenas três minutinhos no cronômetro, Daniel Alves aproveitou um bate-rebate e deu belo passe para Marcelo, em arremate ainda mais belo, colocar a redonda no fundo da rede. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, o tento não fez o Brasil tomar as rédeas do confronto. Bem postada com suas duas linhas de quatro e com jogadores que sabem tratar a pelota, a Bósnia não só chegaria à igualdade aos 12 minutos, gol do Ibisevic, como ainda criaria mais duas ótimas oportunidades para virar a partida, ambas com participação do perigoso Dzeko, que já havia dado a assistência para o empate. Fica impossível não registrar aqui as monstruosas falhas de David Luiz e Júlio César – mais uma no caso do goleiro – no gol bósnio. Resumo da ópera: o Brasil fez um péssimo 1º tempo, com falhas defensivas imperdoáveis e uma enorme falta de criatividade para furar uma defesa rival que nem se mostrou tão sólida.

Os primeiros minutos da 2ª etapa apresentaram o mesmo marasmo ofensivo da nossa Seleção, mas como a Bósnia agredia menos do que no 1º tempo, a situação brasileira não ficou tão caótica. Falando em caótico, esta é a palavra que reflete a atuação do zagueiro David Luiz, que perdeu todos – todos, mesmo – os duelos contra o Dzeko. Com 21 minutos, Sandro, Ronaldinho – mais uma atuação furreca do camisa 10 – e Hernanes já haviam dado lugar a Elias, Ganso e Hulk. Para não ser injusto com os que entraram podemos dizer que as substituições deram algumas poucas gotas de bom futebol para o Brasil. Assim como a troca do Leandro Damião pelo Lucas também melhorou o onze canarinho. Que o diga o zagueiro Papac, que levou uma entortada espetacular do são-paulino, caiu no chão e ainda machucou as cadeiras. No apagar das luzes, ainda meio zonzo pelo drible levado, Papac, empurraria contra o próprio patrimônio um cruzamento do Hulk e daria números finais ao duelo.

Individualmente falando, Thiago Silva e Marcelo mostraram o porquê de serem intocáveis, enquanto Ganso e Lucas que devem ser mais e melhor utilizados, não obrigatoriamente como titulares absolutos. No outro lado da moeda, David Luiz, Júlio César e Ronaldinho conseguiram ficar abaixo da baixa média brasileira.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PREMIER LEAGUE 2011/2012 - 26ª RODADA



RESULTADOS

Chelsea 3 - 0 Bolton

Newcastle 2 - 2 Wolverhampton

Queens Park Rangers 0 - 1 Fulham

West Bromwich 4 - 0 Sunderland

Wigan 0 - 0 Aston Villa

Manchester City 3 - 0 Blackburn

Arsenal 5 - 2 Tottenham

Norwich 1 - 2 Manchester United

Stoke City 2 - 0 Swansea City


ARTILHARIA

23 Gols – Robin van Persie (Arsenal)

17 Gols – Wayne Rooney (Manchester United)

16 Gols – Demba Ba (Newcastle) e Kun Agüero (Manchester City)


GIRO PELA “TERRA DA RAINHA”


O fim de semana foi agitado na Inglaterra. O Liverpool conquistou a Copa da Liga Inglesa após uma verdadeira batalha contra o Cardiff City, o Arsenal goleou o rival Tottenham por 5 x 2 e se manteve no Top Four e a dupla de Manchester voltou a sair de campo com os três pontos.


- Um jogador de mais de 35 anos, seja qual for a sua história, é considerado velho para mundo do futebol. Não importa que o passado esteja repleto de exemplos de craques que ignoraram o passar dos anos, sempre haverá um olho torto para os veteranos da bola. Porém, se hoje existe um lugar no mundo onde os “velhinhos” são agraciados com os melhores elogios, este lugar chama-se Manchester. O motivo? O Manchester United entrou em campo para enfrentar o Norwich com a obrigação dos três pontos, para não deixar o rival City se isolar ainda mais na liderança, e o triunfo só veio graças aos gols de Paul Scholes (37 anos) e Ryan Giggs (38 anos), sendo que o galês deixou o seu tento, o da vitória, quando o juiz já estava prestes a apitar pela última vez na partida. Scholes e Giggs, uma dupla de 75 anos. Pergunta para algum torcedor do United se ele se importa.

- Depois da chinelada milanesa que recebeu no San Siro pela Champions League, o maior pesadelo do Arsenal estava estampado no placar do Emirates Stadium aos 34 minutos do 1º tempo do clássico londrino: Arsenal 0 x 2 Tottenham. Foi então que, num passo de mágica, os “Gunners” iniciaram uma atuação soberba. O lateral Sagna começou a reação com um gol e ainda deu uma assistência, a dupla de zagueiros Vermaelen/Koelscielny e o volante Song viraram uma muralha interansponível, van Persie jogou como sempre e marcou o do empate, Rosicky jogou como raras vezes e virou o escore, Walcott deu uma aula de como finalizar contra-ataques e fechou a goleada com os dois últimos tentos. Desta vez, van Persie não jogou sozinho. O Arsenal, como um todo, deu um show de bola.

- O Liverpool bateu o Cardiff City, do País de Gales, na disputa por pênaltis, e conquistou a Copa da Liga Inglesa em um duelo cujo suor produzido seria capaz de encher uma piscina olímpica. O time da cidade dos Beatles estava sem levantar um caneco há seis anos e este pode ser um combustível para os “Reds” voltarem a sonhar com a vaga na próxima Champions League. Por sinal, devido às participações na Copa da Inglaterra e na Copa da Liga Inglesa, o Liverpool ficará um total de 21 dias sem atuar pelo Campeonato Inglês, período que teve início em 11 de fevereiro e terminará em 3 de março. Se fosse no Brasil, quantos não estariam cuspindo fogo contra o nosso calendário?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - FINAL - VASCO X FLUMINENSE


Vasco 1 x 3 Fluminense – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)


Chega de jejum! Com uma apresentação poderosa, Fluminense bate o Vasco, coloca fim a marca de 12 jogos sem vitórias em clássicos (com a bola rolando) e vence a Taça Guanabara após 19 anos.

Com oito vitórias em oito jogos na Taça GB, o Vasco foi para a decisão com o mesmo onze que eliminara o Flamengo na semi final e organizado pelo Cristóvão Borges no 4-3-3 com: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Rodolfo e Thiago Feltri; Juninho Pernambucano, Nílton e Fellipe Bastos; William Barbio, Diego Souza e Alecsandro. Depois da dramática classificação na disputa por pênaltis contra o Botafogo, o Fluminense chegou para a final esquematizado no 4-3-1-2 com: Diego Cavalieri; Bruno, Leandro Euzébio, Anderson e Carlinhos; Deco, Valencia e Diguinho; Thiago Neves; Wellington Nem e Fred.

Os primeiros 45 minutos da decisão foram de mais uma prova concreta de que, em futebol, estatística não entra em campo. Se perguntássemos para um gringo presente ao Engenhão qual o time estava com uma campanha 100% e qual sofreu horrores para se garantir na fase final ele não saberia responder, tamanha a igualdade entre Vasco e Fluminense. Igualdade esta vista no número de oportunidades criadas, mas não no placar. O Vasco levou muito perigo nas bolas aéreas, até pelo péssimo desempenho da defesa tricolor neste tipo de jogada, mas construiu sua principal chance em uma entregada do zagueiro Anderson que Diego Souza arrematou no poste. Já o Fluminense tinha no veloz Wellington Nem, o nome do 1º tempo, sua principal arma. E foi justamente de um pênalti do Fagner no impetuoso atacante tricolor que nasceu o primeiro gol, em precisa cobrança do Fred, aos 36. Menos de cinco minutos depois, foi a vez de Deco mostrar sua magia e com um perfeito chute longo se aproveitar de uma movimentação falha do Fernando Prass para colocar 2 x 0 no placar. Dois que só não virou três porque Thiago Neves não soube aproveitar erro grotesco do zagueiro Rodolfo.

O desenho da 2ª etapa pôde ser percebido em pouco tempo: Fluminense recuado a espera de um espaço para contra-atacar e o Vasco a martelar a retaguarda tricolor. Melhor para o Fluzão que, aos 10 minutos, puxou um perfeito contra-golpe que terminou em assistência do Thiago Neves para finalização de “quem sabe” do Fred. Aí bateu o desespero no lado cruzmaltino. Sem um pingo de exagero, verdade verdadeira, Dedé surtou e resolveu virar centroavante e o Vasco passou a alçar bolas na área de qualquer lugar do campo, sem o mínimo capricho. E foi assim que, aos 37, depois de o Fluminense deixar escapar alguns bons contra-ataques, o bumba-meu-boi do Vasco deu certo em cruzamento do Fagner e cabeçada do Eduardo Costa. Poucos giros do ponteiro dos segundos depois, Dedé cabeceou na trave a bola que colocaria fogo no fim da partida, mas Diego Cavalieri e a insegura defesa tricolor conseguiram manter a vantagem até o apito final.

Depois de uma fase de grupos de instabilidade, o Fluminense apresentou parte de sua força ao conquistar esta Taça Guanabara. E com o quarteto Deco, Wellington Nem, Thiago Neves e Fred a cada dia melhor, a alegria promete visitar mais vezes as Laranjeiras.

PARABÉNS, FLUMINENSE!!!


PELO BRASIL AFORA

- Menos de uma semana após o fim do carnaval o Corinthians vence uma partida com gol do Adriano, que atuou durante os 90 minutos. Sinceridade de amigo: eu não esperava.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

NOMES DOS ESTÁDIOS - MARACANÃ

Sob os ruídos de tratores e britadeiras de uma enfumaçada – no sentido literal e metafórico – reforma para receber a Copa do Mundo de 2014, o Maracanã, inaugurado em 1950, troca a contradição pela unanimidade quando o assunto é o seu nome: Estádio Jornalista Mário Filho. Listar as benfeitorias do irmão de Nelson Rodrigues para o futebol brasileiro exigiria tantas páginas quanto uma Enciclopédia Britânica, mas fica impossível não citar a contribuição de Mário Filho para a linguagem do jornalismo esportivo, que aproximou ainda mais os torcedores do mundo dos esportes. Quem nunca teve a oportunidade de ler uma crônica deste inigualável jornalista deveria o fazer, no mais tardar, hoje. Mas como o assunto desta seção é estádio de futebol, Mário Filho foi de uma importância imensurável durante o turbilhão político que envolveu o nascimento do Maracanã. Não fossem suas palavras e opiniões no Jornal dos Sports, do qual era dono, a construção e localização do “Maior do Mundo” seriam totalmente diferentes. Negativamente diferentes. Se existe, no Brasil, coerência na nomeação de um monumento, esta se chama Estádio Jornalista Mário Filho.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - SEMI FINAL - BOTAFOGO X FLUMINENSE

Botafogo 1 (3) x (4) 1 Fluminense – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Duas defesas do Diego Cavalieri na disputa por pênaltis, uma delas do Loco Abreu, fazem o Fluzão voltar a uma decisão de Taça Guanabara.

Para sua quinta participação seguida em uma semi final da Taça GB, o Botafogo não pôde contar com o Maicosuel e foi para o jogo organizado pelo Oswaldo de Oliveira no 4-2-3-1 com: Jefferson; Lucas, Antônio Carlos, Fábio Ferreira e Márcio Azevedo; Renato e Marcelo Mattos; Herrera, Andrezinho e Elkeson; Loco Abreu. Sem chegar à final da Taça GB desde 2004, o Fluminense apostou no 4-3-1-2 e Abel Braga mandou a campo o seguinte onze: Diego Cavalieri; Bruno, Leandro Euzébio, Anderson e Carlinhos; Deco, Edinho e Diguinho; Thiago Neves; Wellington Nem e Fred.

Os primeiros 45 minutos do “Clássico Vovô” foram amarrados, equilibrados e de poucas oportunidades de gols. O Botafogo tentou explorar a sua já tradicional jogada aérea, mas Loco Abreu – sentia a contusão que o atormentou durante a semana? – não conseguiu sequer uma cabeçada. O melhor momento alvinegro na 1ª etapa? Um arremate longo e rasteiro do Andrezinho. Pelo lado tricolor, faltou mais do Deco, que esteve sempre próximo à linha central e pouco apareceu ofensivamente. O resultado desta pouca participação do luso-brasileiro foi uma sobrecarga no Thiago Neves, que deu bons passes, cobrou falta, apareceu para finalizar, mas, sozinho, não foi capaz levar o Flu às redes.

Nos primeiros 20 minutos da 2ª etapa, o equilíbrio deu lugar a uma baita pressão tricolor. Ainda sob o comando do Thiago Neves, o Flu criou três ótimas chances para sacudir o barbante, apesar de não ter conseguido tirar o zero do placar. Em ordem cronológica: chute de fora da área do Wellington Nem, cabeçada do Fred após rápida e esperta cobrança de córner do Thiago Neves e, por fim, mais uma finalização de cuca, esta do Thiago Neves e defendida de maneira espetacular pelo Jefferson. A situação alvinegra se apresentava mais negra que alva e o time, com Elkeson e Andrezinho desaparecidos, parecia não saber como atacar. Foi então que, aos 28 minutos, e pode-se dizer que de maneira surpreendente, Lucas lançou Herrera e o argentino deu perfeita assistência para Elkeson colocar o Fogo na frente do escore. A alegria botafoguense, porém, durou menos de cinco minutos, tempo necessário para Deco alçar a redonda na área e Leandro Euzébio, com enorme categoria, dominar e tocar na saída do Jefferson.

O empate em 1 x 1 perdurou até o apito final e a decisão da vaga para a final da Taça GB foi para a disputa de pênaltis. Assim como com a bola rolando, o Botafogo largou na frente após Jean arrematar nas mãos do Jefferson como se fosse uma criança, mas as defesas de Diego Cavalieri nas cobranças de Lucas e Loco Abreu transformaram o arqueiro tricolor no herói da noite e garantiram o Flu na finalíssima da Taça GB após oito anos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - SEMI FINAL - VASCO X FLAMENGO

Vasco 2 x 1 Flamengo – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Quarta-feira de cinzas? Não para o Vasco! Com gols de Alecsandro e Diego Souza o Cruzmaltino virou para cima do Flamengo e se garantiu na decisão da Taça Guanabara.

Sem sequer um pontinho perdido na Taça Guanabara, o Vasco foi para a semi final escalado pelo Cristóvão Borges no 4-3-3 com: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Rodolfo e Thiago Feltri; Juninho Pernambucano, Nilton e Fellipe Bastos; William Barbio, Diego Souza e Alecsandro. Pelo lado do Flamengo, o multi-campeão carioca Joel Santana também optou por um trio ofensivo e organizou a equipe no 4-3-3 com: Felipe; Léo Moura, Gustavo, Welinton e Junior Cesar; Willians, Aírton e Renato; Deivid, Ronaldinho e Vagner Love.

Os torcedores ainda se ajeitavam nas poltronas de suas casas ou nas cadeiras do Engenhão quando Vagner Love acertou um tijolo de perna esquerda e abriu o placar para o Flamengo. Um gol tão cedo em um clássico semi final tinha tudo para dar ao Fla o domínio do jogo, mas não foi o que ocorreu. Sob o comando do almirante Juninho Pernambucano, a nau vascaína retomou o seu rumo e chegou ao empate no minuto 14, gol do artilheiro Alecsandro após falha do Felipe em chute longo do próprio Juninho. A vantagem fez bem ao Cruzmaltino, que seguiu melhor postado e arriscando chutes longos até que, a partir dos 30 minutos, o jogo virou uma verdadeira roleta russa com ambos os times construindo ótimas oportunidades de gols. Pelo Flamengo, Deivid obrigou Fernando Prass a realizar boa defesa e, em seguida, desperdiçou uma oportunidade a um palmo da linha fatal, enquanto o Vasco fez o Felipe a se redimir de seu erro com duas boas defesas – arremates do Diego Souza e do Juninho – e ainda teve uma cabeçada do Diego Souza que passou raspando o poste.

Depois de um final de 1º tempo mais agitado que filme de ação dos anos 80, os rivais voltaram mais lentos e para a etapa final e nada de bom foi produzido nos primeiros 15 minutos. Os técnicos resolveram mexer seus pauzinhos: Bottinelli substituiu Deivid no Fla e Juninho deu lugar a Felipe no Vasco. De cara, o Flamengo parecia ter se dado melhor, já que o argentino logo armou duas boas tramas com o Love, coisa que o sumido Ronaldinho e o abalado Deivid não conseguiam. No entanto, aos 31 minutos, foi o Cruzmaltino que, em um rápido ataque, deu números finais ao confronto: Kim cruzou milimetricamente, Fagner cabeceou na pequena área, Felipe defendeu no reflexo e Diego Souza, também de cuca, completou para o fundo do barbante. Com pouco mais de 15 minutos pela frente, o Flamengo partiu na base do abafa, mas não conseguiu nem dar trabalho ao Fernando Prass.

Estas últimas linhas serão dedicadas para a atuação do Dedé. E que atuação! Fosse no mano a mano contra o empolgado Love ou na cobertura a seus companheiros, o zagueiro vascaíno esteve perfeito e teve uma apresentação digna de ser gravada em um DVD sob o título de “Como ser um zagueiro”. E mais! Sem cometer sequer uma falta. Hoje, em uma imaginária pelada com os jogadores que atuam por aqui, após o tradicional par ou ímpar, o Dedé seria escolhido atrás apenas do Neymar.