terça-feira, 30 de abril de 2013

FUTEBOL É ARTE























Pelé (1968)
tinta em massa e acrílica sobre tela
90 x 90 cm


Pintura, arquitetura, desenho e arte gráfica. Estas foram as áreas nas quais Maurício Nogueira Lima explorou toda sua criatividade. Nascido em Pernambuco, em 1930, se mudou para São Paulo com a família ainda criança e, entre os 17 e 20 anos, estudou artes plásticas em Porto Alegre, no Instituto de Belas Artes da Universidade do Rio Grande do Sul. Em 1953, passou a fazer parte do Grupo Ruptura e, durante os anos 50, participou de mostras como a I Exposição Nacional de Arte Concreta e a Konkrete Kunst, em Zurique (Suiça). Também na década de 50, cursou Arquitetura e Urbanismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e o conhecimento adquirido na área o permitiu realizar, por exemplo, as primeiras grandes instalações ambientais para indústrias automobilísticas no Salão do Automóvel. Além do Concretismo, Maurício Nogueira Lima também passeou pela Pop Arte e pelo Geometrismo.


UMA IMAGEM


















Os “Duílios”. Campeoníssimos pelo Coritiba. O filho, grande zagueiro com passagens também vitoriosas por outros clubes brasileiros. O pai, simplesmente o maior artilheiro coxa-branca da história. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

CAMPEONATO CARIOCA 2013 - TAÇA RIO - SEMIFINAL - FLUMINENSE X VOLTA REDONDA


Fluminense 4 x 1 Volta Redonda – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)

Em tarde de “Máquina”, Fluzão goleia Volta Redonda por 4 a 1 e chega forte para a decisão da Taça Rio contra o Botafogo.

Sem querer saber de poupar seus jogadores para o duelo diante do Emelec pela Libertadores, na próxima quinta-feira, Abel Braga escalou o Fluminense no 4-3-3 com: Diego Cavalieri; Bruno, Digão, Leandro Euzébio e Carlinhos; Edinho, Jean e Wágner; Wellington Nem, Rhayner e Rafael Sóbis. Com cinco alterações em relação o time que foi eliminado da Copa do Brasil pelo Avaí, Cairo Lima montou o Volta Redonda no 4-2-3-1 com: Gatti; Marquinhos, Leonardo Luiz, André Alves e Edu Pina; Bruno Barra e Fernando; Adriano Felício, Zé Augusto e Sassá; Josiel.

Que qualidade técnica! Que poder ofensivo! Foram nada menos do que treze chances de gols criadas. Três beijaram a trave. Quatro dormiram no fundo da rede. O ataque do Fluminense teve uma apresentação tão massacrante que chega a ser impossível – e injusto - escolher apenas um nome para ser intitulado “o melhor em campo”. Rafael Sóbis, além de uma linda finalização que explodiu na trave, sacudiu o barbante pelo terceiro jogo seguido posicionado como centroavante. E desta vez por duas vezes – abriu o placar aos 10 da etapa inicial e, aos 5 da final, fez o terceiro do Flu. Rhayner fez o de sempre, ou seja, mostrou entrega, comprometimento tático e produção ofensiva, atributos que o tornoram xodó da torcida tricolor. Em uma cabeçada que pegou na trave, quase deixou sua marca.

Wellington Nem, mesmo fora do ritmo ideal, deu enorme trabalho aos aurinegros e, aos 30 minutos do primeiro tempo, fez um importante gol, que recolocou o Flu na frente depois de Zé Augusto aproveitar paçocada do Edinho para, aos 12, empatar. Outro que bateu um bolão foi Carlinhos. Incisivo, profundo e participativo, o lateral foi responsável pela força tricolor no lado esquerdo e ainda acertou uma cabeçada no poste. E para completar a festa branca, verde e grená, Thiago Neves voltou de contusão com um golaçoaçoaço em carinhosa finalização de fora da área.

Para não dizer que a atuação do Fluminense merece só elogios, os comandados do Abelão – até pela empolgação ofensiva – deixaram espaços na retaguarda que o Voltaço aproveitou para ir ás redes e acertar duas vezes a trave, em arremates de Adriano Felício e Frontini. Não é exagero dizer que um adversário mais letal poderia ter aguado o chopp tricolor.

Estudos prévios, organização e menos atrasos permitiriam que o hoje “mais ou menos inaugurado” Maracanã pudesse receber a final da Taça Rio. Fluzão e Fogão mereceriam. 

sábado, 27 de abril de 2013

A LIÇÃO DO FOGÃO


Botafogo 5 x 0 Resende – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)

Avassalador! Fogão não toma conhecimento do Resende, goleia por 5 a 0 e pode conquistar o Cariocão já na próxima semana.

Fora Bota, Fla, Flu e Vasco, o Carioca conta com 12 clubes que não disputam sequer a Série B nacional – sendo que apenas três (Duque de Caxias, Macaé e Madureira) jogam a Terceirona. Diante deste cenário, os quatro mais fortes, os favoritos, entram em campo com a obrigação de vencer todas as partidas que não os clássicos. E para tal, nada melhor do que a estratégia adotada pelo Fogão na semifinal contra o Resende: começar com tudo, mostrar “quem é que manda” e fazer o placar o mais cedo possível.

Mesmo com a ausência do meia Marcel, organizador e líder técnico da equipe, o Resende tinha condições de surpreender. Mais ainda por entrar em campo com o espírito do “nada a perder”, pois a classificação à fase semifinal e a campanha que terminou com o mesmo número de pontos que o Vasco já eram bem melhor que os planos iniciais resendenses. O maior erro que o Botafogo poderia cometer, mesmo com a vantagem do empate, seria deixar este adversário gostar do jogo e colocar as manguinhas de fora.

E foi assim que, com apenas 17 minutos, gols de Dória e Lodeiro, o Fogão já havia encaminhado sua classificação. É verdade que não teve uma atuação impecável – chegou a cometer um pênalti que poderia complicar um pouco mais o duelo, caso não fosse desperdiçado pelo Elias, e deu alguns espaços defensivos que obrigaram Jefferson mostrar seus dotes de goleiro de Seleção Brasileira. Porém, com 2 a 0 no placar antes mesmo da parada técnica, a chance de sair de campo derrotado para um adversário que não é da mesma grandeza é muito pequena. Não é nula, como, por exemplo, o Flamengo mostrou ao levar uma virada contra o mesmo Resende. Mas é muito pequena.

Depois de deletar o sonho da cabeça dos resendenses, o Botafogo, já sem a necessidade de jogar no volume máximo, encontrou muito mais facilidade para fazer valer sua superioridade técnica, tática, física e psicológica. Fellype Gabriel, ainda na etapa inicial, e Rafael Marques e Seedorf, já no segundo tempo, transformaram o dois em cinco e decretaram a goleada do Fogão.

O que fica de lição desta grande vitória botafoguense é a postura que se deve adotar em partidas válidas pelos Estaduais diante de equipes de porte menor. Nestes jogos, os poderosos não devem deixar uma fase de estudos se alongar. Devem, sim, entrar em campo com ímpeto e volume de jogo para decidir o confronto o mais rápido possível. E depois, é claro, não se esquecer da máxima de que a partida só termina quando o juiz apita.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS















Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani

AMISTOSO INTERNACIONAL - BRASIL X CHILE


Brasil 2 x 2 Chile – Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Seleção faz péssima apresentação, empata com o Chile por 2 a 2 e sai do Mineirão sob sonoras vaias. Além de decepcionado, o torcedor brasileiro deixou o estádio ou desligou a televisão amedrontado com o futuro próximo do Escrete.

Para o último amistoso antes da convocação para a Copa das Confederações, Felipão organizou a Seleção Brasileira no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Jean, Dedé, Réver e André Santos; Ralf e Paulinho; Jádson, Ronaldinho e Neymar; Leandro Damião. Com apenas quatro nomes que estiveram na vitória por 2 a 0 sobre o Uruguai pelas Eliminatórias, há pouco menos de um mês, o Chile foi montado pelo Jorge Sampaoli no 3-5-2 com: Herrera; Alvarez, González e Rojas; Meneses, Leal, Reyes, Cortés e Mena; Vargas e Rubio.

Um olhar na escalação chilena – com cinco nomes que fizeram parte da ótima Universidad de Chile Campeã Sul-America de 2011, além da presença de Jorge Sampaoli no banco de reservas – indicava como o time deveria se portar em campo. Toque de bola qualificado, ataques com profundidade, marcação adiantada e, principalmente, muita movimentação. Em outras palavras, seria inocência e falta de conhecimento acreditar que os chilenos apenas se defenderiam. Mas se o bom futebol de Vargas e companhia não foi surpresa, o péssimo jogo dos brasileiros foi além das expectativas mais negativas.

Do primeiro ao último minuto, o Chile demonstrou saber o que fazer em campo. Com e sem a bola. Não se afobou em nenhum momento – apesar de Leal ter desonrado o nome ao cometer falta duríssima, já no fim da partida – e não só criou mais oportunidades ofensivas como passou os 90 minutos com as rédeas da partida nas mãos.

O Brasil, por sua vez, foi de um nervosismo só após sair atrás no placar – gol do zagueiro González, após falha defensiva em bola alçada na área –, mostrou uma incapacidade injustificável para ter a redonda nos pés e só chegou à meta defendida pelo Herrera em lances esporádicos. Os adeptos das notas para os jogadores ao fim das partidas não conseguirão das mais de 5 para nenhum jogador de amarelo.

É verdade o Brasil que acertou a trave com Jádson, empatou com Réver, de cabeça, perdeu oportunidade claríssima com Neymar e, já no segundo tempo, virou o escore com o mesmo Neymar, no único momento amarelo de destacada participação em conjunto. Todos estes lances, porém, ocorreram “de repente”, em momentos onde o Chile impunha seu padrão e o Brasil “ia lá” de vez em quando. Os gols brasileiros não amadureceram ao longo da peleja. Eles apenas aconteceram.

Nem mesmo quando esteve à frente a Seleção conseguiu mudar o ritmo do confronto. O organizado Chile deu de ombros para a desvantagem, seguiu seu trabalho e em linda jogada de Vargas igualou tudo. Igualou e buscou a vitória, numa postura que deixou os torcedores brasileiros ainda mais decepcionados com a apática e anêmica Seleção Brasileira.

Os gritos de “Olé” para as trocas de passes do Chile e as vaias para os brasileiros – mais fortes para Neymar, aquele de quem mais se espera ao lado de Ronaldinho, também em noite medíocre mas poupado pela metade alvinegra do estádio – nada mais foram do que a consequência de uma apresentação horrorosa nos quesitos tático e técnico.

terça-feira, 23 de abril de 2013

OLHO TÁTICO - SEMIFINAL DA COPA DOS CAMPEÕES DA EUROPA - BAYERN DE MUNIQUE X BARCELONA


Impecável do primeiro ao último minuto, Bayern de Munique faz história ao golear o Barcelona por 4 a 0 numa das mais perfeitas atuações táticas dos últimos anos. Equívocos cruciais da arbitragem e um Messi em “modo zumbi”, por causa da contusão, não apagam a gigantesca vitória bávara no jogo de ida da fase semifinal, conquistada com gols de Müller (2), Mario Gómez e Robben.

Inegavelmente o esquema da moda é o 4-2-3-1, que se tornou – exageradamente – sinônimo de modernidade. Não são poucos os times no mundo que jogam assim, mas são raros os que o fazem com as peças certas, como foi o Bayern na apresentação de almanaque diante do Barcelona. Cada bávaro, sem exceção, cumpriu de maneira perfeita a função tática que lhe cabia, o que em conjunto com primor técnico, vigor físico e comunhão com a fervorosa torcida explica a goleada histórica. Mas falemos de estrutura tática.

A força motriz do esquema 4-2-3-1 é o tripé de meias. Pelos flancos, os chamados pontas modernos precisam ser velozes, incisivos e perfurantes no ataque, além de, quando na defesa, acompanharem de perto os avanços dos laterais adversários. E foi justamente o que Robben, pela direita, e Ribéry, pela esquerda, fizeram. Sem tirar nem pôr. Destroçaram a retaguarda catalã com jogadas individuais de arrepiar e ainda impediram qualquer produção de Daniel Alves e Jordi Alba, reconhecidamente laterais de poder ofensivo.

Quem completou o trio foi Thomas Müller, em jornada estupenda. Teoricamente o homem centralizado do meio-campo, Müller “visitou” ambos os flancos e ainda apareceu na grande área para decidir. Foi lá que marcou os seus dois gols, deu assistência para Gómez e cometeu a falta em Alba que foi crucial para o tento do Robben. Em outras palavras, Müller não foi uma barreira a separar o lado direito do esquerdo do ataque bávaro, mas sim aquele que deu fluidez ao sistema e fez companhia a um Mario Gómez que não ficou nada isolado.

Na cabeça da área, Martínez e Schweinsteiger deixaram claro que jogador que marca forte não precisa ser perna-de-pau. Como marcaram! Como jogaram! Ajudaram na saída de bola, sempre difícil contra um Barcelona que marca pressão, apareceram nas tramas ofensivas, correram do apito inicial ao final e, principalmente, colocaram no bolso Xavi e Iniesta, a melhor dupla de meias dos últimos anos – décadas? tempos?

Na linha de quatro defensores, Lahm, sem dar espaços e com produtivos avanços, voltou a mostrar que ninguém no mundo entende mais do que é ser um lateral do que ele. Sem o mesmo volume ofensivo, Alaba, pelo lado esquerdo, cumpriu seu papel. No miolo, Boateng e Dante mostraram entrosamento e pareceram parceiros de décadas. O brasileiro não perdeu um duelo sequer e ainda foi certeiro na cobertura.

O conceito que diz que não são os jogadores que devem se adaptar a um esquema, mas sim o esquema aos jogadores, foi novamente comprovado. Jupp Heyneckes e seus comandados deram uma aula de futebol a ninguém menos do que o Barcelona, time que nos últimos anos ganhou o papel de “professor do futebol mundial”.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

UMA IMAGEM













Uma prova ampla, geral e irrestrita de que o futebol não é apenas uma ferramenta de manipulação popular por parte do poder.

domingo, 21 de abril de 2013

CAMPEONATO CARIOCA 2013 – TAÇA RIO – 7ª RODADA – FLUMINENSE X BANGU











RESULTADOS
Madureira 1 x 0 Vasco
Olaria 2 x 1 Nova Iguaçu
Volta Redonda 0 x 1 Botafogo
Friburguense 4 x 1 Quissamã
Macaé 1 x 3 Flamengo
Duque de Caxias 0 x 1 Audax Rio
Boavista 3 x 2 Resende
Fluminense 2 x 0 Bangu

ARTILHARIA
12 Gols – Hernane (Flamengo)
8 Gols – Charles Chad (Duque de Caxias)
7 Gols – Bernardo (Vasco) e Lodeiro (Botafogo)

Fluminense 2 x 0 Bangu – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Fluzão faz o suficiente para vencer o Bangu por 2 a 0 e se garantir na liderança do grupo B da Taça Rio, posição que lhe dá a vantagem do empate no duelo semifinal contra o Volta Redonda.

Para terminar na ponta do grupo B e evitar um “Clássico Vovô” logo na semifinal, o Fluminense precisava não só dos três pontos como torcer contra o Resende. Para fazer sua parte, o Tricolor foi montado pelo Abel Braga no 4-3-3 com: Ricardo Berna; Wallace, Digão, Anderson e Monzón; Fábio Braga, Diguinho e Felipe; Rhayner, Samuel e Rafael Sóbis. Longe da boa campanha da Taça Guanabara, quando conquistou menos pontos apenas que os quatro favoritos, o Bangu foi em busca de sua primeira vitória na Taça Rio organizado pelo Alfredo Sampaio no 4-3-2-1 com: Getúlio Vargas; Celsinho, Raphael Azevedo, Thiago Eleutério e Bruno Santos; Ives, Mayaro e Araruama; Gilmar e Eudes; Sérgio Júnior.

Pelo onze inicial tricolor – apenas Rafael Sóbis e Rhayner foram titulares contra o Caracas, último compromisso da Libertadores – era possível perceber que o duelo contra o Bangu não tirou o sono de Abel Braga nos últimos dias. Inegável, porém, que era uma partida importante, pois determinaria se o Flu faria a semifinal com a vantagem do empate contra o Volta Redonda ou sem vantagem alguma diante do Botafogo. Neste cenário, o Tricolor precisou de apenas cinco minutinhos para mexer no placar: Sóbis viu Wallace que deu a Rhayner que completou. Um a zero. Foi a senha para o Fluminense ligar o “modo banho-maria” e começar a cozinhar a partida. Cozinho tanto, mas tanto, que irritou até o Abel Braga, o mesmo que mandara a campo uma equipe, digamos, alternativa.

Inofensivo na etapa inicial, o Bangu ameaçou colocar as manguinhas de fora após o intervalo, mas sem seu principal destaque no Carioca, o veloz Hugo, encontrou enormes dificuldades para criar tramas de ataque. E pior, ainda deixou um vazio na defesa que quase foi aproveitado em contra-ataque puxado por Rhayner, clareado por Felipe e que Sóbis, aos 19, acertou a trave. O torcedor tricolor levaria a unha à boca aos 28 minutos, quando Mayaro e Bernardo obrigaram Ricardo Berna a duas seguidas defesas à queima-roupa, mas as alterações de Abel Braga – entraram os garotos Eduardo, Fernando e Biro-Biro – deram mais vida ao Flu. Mais presente no campo ofensivo, o Tricolor fechou a partida aos 47, em contra-golpe de Biro-Biro e perfeito arremate de Sóbis.

Constantemente escalado aberto pelos flancos, Rafael Sóbis, na ausência de Fred, mostrou nos dois últimos jogos que não esqueceu como se joga próximo à meta rival e é ótima opção para jogar centralizado. Ajudou o Fluminense a ser líder de seu grupo na Libertadores e na Taça Rio.

CURTINHAS PELO CARIOCÃO!

- Era o “tempo em que Dondom jogava no Andaraí”. Corria o Carioca de 1937 e o Vasco, sem dó, sapecou 12 a 0 no time da Zona Norte. Reza a lenda que, revoltado com a falta de misericórdia vascaína, Arubinha, parceiro de Dondom no Andaraí, enterrou um sapo em São Januário e lançou a praga: o Vasco ficará 12 anos sem ser Campeão. Não ficou 12, mas nove, e o “Sapo de Arubinha” se tornou uma das mais folclóricas histórias do nosso futebol. Hoje, mais de 75 anos depois, o Cruz-Maltino sofre uma derrota atrás de outra, vive uma gigante crise político-administrativa, completa uma década sem vencer o Carioca, vê o grande ídolo Dedé ir embora, Bernardo se contundir seriamente, Carlos Alberto envolvido com doping... Será que tem sapo novo em São Januário?

- O artilheiro Hernane é fiel à máxima de Dadá Maravilha que diz: “Não existe gol feio. Feio é não fazer gol”. No entanto, muitos dos gols feios do “Brocador” se justificam porque o Flamengo joga feio, obrigando-o a viver de migalhas. No Cariocão como um todo, Hernane não só é o único rubro-negro a se salvar como provavelmente será o representante solitário da Gávea na Seleção do campeonato.

- São mais de quatro anos, desde a Taça Guanabara de 2009 que o Botafogo não perde para adversários que não Fla, Flu e Vasco. Definitivamente o Fogão sabe a receita para passar pelo Resende e chegar à decisão da Taça Rio.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS















Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani

COPA LIBERTADORES 2013 - FASE DE GRUPOS - FLUMINENSE X CARACAS








Fluminense 1 x 0 Caracas (Venezuela) – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Fluzão faz o dever de casa, vence o Caracas com gol de Rafael Sóbis e se classifica às oitavas para enfrentar o Emelec, do Equador.

Ainda repleto de desfalques – o atacante Fred o principal deles – o Fluminense foi em busca da vitória que lhe garantiria a liderança do grupo 8 organizado pelo Abel Braga no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos; Edinho e Jean; Rhayner, Wágner e Wellington Nem; Rafael Sóbis. Com a obrigação dos três pontos para seguir na Libertadores, o Caracas iniciou o confronto montado pelo Ceferino Bencomo no 4-1-4-1 com: Vega; Flores, Sánchez, Quijada e Amaral; Guerra; Cure, Peña, Jiménez e Otero; Farías.

Se não foi avassalador, até porque não precisava ser, o Fluminense fez uma boa etapa inicial. Mesclou troca de passes no campo ofensivo para ludibriar a retaguarda venezuelana com avanços pelos flancos do campo, ora com Bruno, ora com Carlinhos. Chances de gol vieram aos montes. Em ordem cronológica, Wágner, Nem, Rhayner – que chutaço no travessão! –, Leandro Euzébio e Jean poderiam ter mexido no marcador, mas a trave, o goleiro Vega e a falta de mais capricho para aproveitar os presentes dados pela atabalhoada defesa do Caracas não permitiram.

O jogo voltou do intervalo com uma “paçocada” feia do zagueiro Gum que quase virou gol do Peña e um cruzamento do Cure que explodiu na trave. Todo tricolor levou as unhas à boca. Não existe hora ruim marcar gols, mas se havia um momento onde um tento do Fluminense se fazia necessário para colocar fim ao ímpeto venezuelano, este tinha chegado. E para o torcedor verde, branco e grená deixar o arrepio de lado e suspirar aliviado, a defesa do Caracas voltou a entregar e Sóbis, desta vez certeiro, colocou a redonda no fundo do barbante. O jogo ainda ficaria vivo por mais alguns minutos e com oportunidades de gols de ambos os lados, sendo as melhores por parte do Caracas, que voltou a acertar o poste, desta vez com Cabezas, e ainda obrigou o Cavalieri a realizar uma elástica defesa em arremate do Cure.

O Fluminense, mais recuado e sem a bola em seus pés, queria apenas fazer o tempo passar. Uma estratégia pra lá de arriscada, mas que deu certo. Agora, é mata-mata. É hora da cobra fumar charuto cubano. Que venha o Emelec!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

COPA LIBERTADORES 2013 - FASE DE GRUPOS - SÃO PAULO X ATLÉTICO MINEIRO








São Paulo 2 x 0 Atlético Mineiro – Morumbi, São Paulo (SP)

Com raça para dar e vender e um Osvaldo endiabrado, São Paulo passa pelo Atlético Mineiro e avança na Libertadores. Rivais voltarão a se encontrar nas oitavas.

Em situação no mínimo desconfortável – tinha a obrigação da vitória e que torcer pelo Arsenal, diante do The Strongest – o São Paulo, desfalcado de Jádson e Luís Fabiano, foi organizado pelo Ney Franco no 4-2-3-1 com: Rogério Ceni; Paulo Miranda, Lúcio, Rafael Tolói e Carleto; Denílson e Wellington; Douglas, Ganso e Osvaldo; Aloísio. Melhor campanha geral da Libertadores – façanha conquistada com uma rodada de antecedência – o Atlético Mineiro, sem Bernard e Diego Tardelli, foi a campo montado pelo Cuca no 4-2-3-1 com: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Richarlyson; Pierre e Leandro Donizette; Serginho, Ronaldinho e Luan; Jô.

Determinação, gana, raça, vontade são qualidades valorizadas (supervalorizadas?) na Libertadores e que os torcedores são-paulinos exigiam para o decisivo duelo diante do Atlético Mineiro. E ele, o torcedor tricolor, não pode se queixar do que viu em relação ao suor deixado em campo pelos seus jogadores, pois disposição não faltou aos comandados de Ney Franco. Na etapa inicial até faltou inspiração, mas transpiração teve de sobra. E de ambos os lados. Divididas, trombadas, faltas, discussões... o famoso jogo encardido. Lances ofensivos dignos de nota apenas alguns avanços do Carleto pela esquerda – que obrigaram Cuca a inverter as posições de Serginho, melhor marcador, e Marcos Rocha – e duas faltas perigosas a favor do Galo, já perto do intervalo, nascidas de marcação pressão.

Se Rogério Ceni e Victor não tiveram suas luvas testadas no primeiro tempo, melhor para o Atlético, já que o Sampa precisava que precisava dos três pontos. A história do confronto, no entanto, ganharia um novo rumo depois do bate-papo no vestiário, quando o São Paulo voltou mais feroz e Osvaldo, deslocado da esquerda para a direita, começou a se tornar o nome da noite com um lindo passe para Aloísio sofrer pênalti que seria convertido por Rogério Ceni. O relógio marcava 10 minutos, e o Atlético Mineiro vivia o seguinte dilema: mesmo classificado como líder geral, seria válido partir em busca do empate que evitaria um novo embate contra o São Paulo nas oitavas e colocaria como seu primeiro oponente no mata-mata o Arsenal, adversário que o Galo já derrotara por 10 a 4 no somatório dos dois jogos pela fase de grupos?

Bom, o Atlético pensou, pensou, pensou, não tomou nenhuma atitude e assistiu a um maravilhoso contra-ataque que passou por Lúcio, Ganso, Osvaldo – como tem jogado bola esse ponta-direita-esquerda! – e terminou em gol do Ademílson, aos 36. Gol que definiu o primeiro confronto das oitavas da Libertadores: Atlético Mineiro e São Paulo. Apesar do abismo entre as campanhas de ambos até o momento, quem seria corajoso de apontar um favorito?

terça-feira, 16 de abril de 2013

A SAÍDA DE DEDÉ EXPÕE O CAOS NA COLINA



Quando o Vasco perdeu, quase que numa tacada só, Fagner, Allan, Rômulo e Diego Souza para o futebol estrangeiro, foi uma demonstração de que, apesar do ótimo momento que vivia dentro dos gramados, o clube de São Januário fraquejava administrativa e economicamente. Depois, a saída para os Estados Unidos de Juninho Pernambucano, maior ídolo recente da história cruz-maltina, expôs ainda mais a anemia. Nenhuma destas perdas, porém, deixa transparecer mais a situação caótica vivida na Colina do que a negociação de Dedé com um clube brasileiro – provavelmente o Cruzeiro, talvez o Corinthians.

O que Dedé jogou em 2010 e, principalmente, 2011, não está no gibi – diriam os antigos. Em São Januário, deixou de ser o atabalhoado zagueiro que havia feito dupla com Júnior Baiano no Volta Redonda para se tornar “O Mito”, “Dedeckembauer”, “Não vi Pelé, mas vi Dedé”... Brincadeiras e exageros à parte, os torcedores vascaínos tinham argumentos diante de um confronto contra o Santos do Neymar, o São Paulo do Lucas, o Flamengo do Ronaldinho Gaúcho... “Nós temos o melhor zagueiro do Brasil!” – gritavam. E isso os fazia um bem enorme. Sérgio Cabral, o pai, Vasco de corpo e alma, chegou a declarar: “Vejo futebol há mais de 60 anos e nunca vi um zagueiro brilhar tanto”.

A venda de Dedé para o futebol europeu, árabe, japonês, norte-americano, zimbabuano, surinamês, lunar ou marciano deixaria o cruz-maltino triste. Mas não humilhado. Ver o zagueiro com a camisa azul cruzeirense ou a alvinegra corintiana, porém, será a declaração carimbada, timbrada e assinada da atual fraqueza do Vasco, que não permite sequer segurar um ídolo diante do assédio de rivais. E não porque Dedé seja ganancioso e parta em busca de alguns tostões a mais, mas porque o Vasco não possui condições de arcar com os mínimos compromissos para mantê-lo.

Como dizia o jornalista Benjamin Wright, “o futebol é uma caixinha de surpresas”. O Palmeiras deixou o ídolo argentino Barcos ir embora para o Grêmio e, mesmo assim, consegue caminhar no Paulistão e na Libertadores. É impossível decretar, agora, o futuro vascaíno em caso de saída do Dedé, mas as previsões são as de que a nau cruz-maltina encarará um baita de um maremoto.  

segunda-feira, 15 de abril de 2013

BATENDO BAFO - BRAGANTINO 1991

Tradicional clube paulista, o Bragantino viveu os mais brilhantes capítulos de sua história no início dos anos 90, quando sagrou-se Vice-Campeão Brasileiro de 1991. Surpresa? Sim, se levarmos em conta que o Alvinegro de Bragança Paulista era apenas a segunda agremiação a disputar uma final de Brasileirão (a primeira foi o Guarani), e não, se lembrarmos que o Bragantino havia levantado o caneco do Campeonato Paulista de 1990 e contava com dois futuros Campeões  do Mundo de 1994 com a Seleção Brasileira: no banco o técnico Carlos Alberto Parreira e, no meio-campo, o valente volante Mauro Silva, grande destaque da equipe e escolhido pela Revista Placar como o craque do torneio. Naquele que foi eleito o melhor onze do campeonato, também pela Placar, no tradicional Prêmio Bola de Prata, Mauro Silva tem a companhia do goleiro Marcelo, do lateral-direito Gil Baiano e do atacante Mazinho, todos eles presentes no álbum de figurinhas destacado pela seção “Batendo Bafo”. Os cromos ausentes que chamam a atenção são os dos atacantes Sílvio (goleador do Bragantino na competição) e Franklin (autor do gol – que seria o da classificação após o empate no jogo de volta – contra o Fluminense, em pleno Maracanã, aos 43 minutos do 2º tempo), além do volante Pintado. 







domingo, 14 de abril de 2013

CAMPEONATO CARIOCA 2013 – TAÇA RIO – 6ª RODADA – FLAMENGO X FLUMINENSE















RESULTADOS
Volta Redonda 0 x 0 Olaria
Vasco 3 x 1 Quissamã
Friburguense 2 x 2 Madureira
Botafogo 4 x 1 Nova Iguaçu
Boavista 1 x 2 Duque de Caxias
Macaé 1 x 0 Bangu
Resende 2 x 1 Audax Rio
Flamengo 3 x 1 Fluminense

ARTILHARIA

10 Gols – Hernane (Flamengo)
8 Gols – Charles Chad (Duque de Caxias)
7 Gols – Bernardo (Vasco) e Lodeiro (Botafogo)

Flamengo 3 x 1 Fluminense – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)

Já carta fora do baralho no Cariocão, Flamengo faz sua melhor apresentação na Taça Rio e passa pelo Fluminense com 50 minutos de grande futebol.

Com a batata assando em forno altíssimo, Jorginho voltou a modificar o onze inicial rubro-negro e escalou o Flamengo no 4-2-3-1 com: Felipe; Léo Moura, Renato Santos, González e Ramón; Amaral e Elias; Rafinha, Renato Abreu e Gabriel; Hernane. A depender apenas de si para terminar na liderança do grupo B, o Fluminense foi organizado pelo Abel Braga no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Wallace, Gum, Digão e Carlinhos; Edinho e Jean; Rhayner, Wágner e Rafael Sóbis; Michael.

Uma das máximas mais faladas do futebol brasileiro é a de que clássico não tem favorito. No entanto, é a palavra “surpreendente” que ilustra o futebol jogado pelo Flamengo no primeiro tempo, contra um Fluminense com nove dos onze jogadores que encararam – e bem! – o Grêmio e sua torcida pela Libertadores, na última quarta. Pela primeira vez sob o comando de Jorginho o Fla funcionou. González e Rafael Santos foram sólidos, Elias foi o elo de ligação entre a defesa e o ataque, Gabriel fez a função de um 10 (apesar de jogar mais aberto pela esquerda) e organizou o time ofensivamente, Rafinha e Léo Moura tomaram conta do lado em que Carlinhos – sem a ajuda do meio-campo – foi dominado, e Hernane foi letal. Além do mais, a movimentação dos homens de frente deixou a retaguarda tricolor mais perdida que cupim em metalúrgica.  

Os gols na etapa inicial vieram em cabeçada do Hernane, após jogadaça de Gabriel e Léo Moura, e em pênalti sofrido pelo Rafinha e convertido pelo Renato. O ótimo futebol flamenguista continuou no início do segundo tempo, quando, com menos de 2 minutos, Renato – em boa jornada como meia-ofensivo – aproveitou rebote de Cavalieri e ampliou. Desde que venceu o Vasco por 4 a 2, no já longínquo janeiro, que o Flamengo não jogava tanto, mas a pilha ofensiva acabou. O desejo de recuar para segurar a vitória chamou o Fluminense para o jogo. Rhayner deu as caras, Wágner fez as vezes de arquiteto, Wellington Nem entrou com fome, Rafael Sóbis se infiltrou na área... Por quase 20 minutos o Fla foi só bicuda para frente, enquanto o Flu obrigou Felipe a boas defesas e diminuiu o placar através de Rafael Sóbis, depois de Carlinhos deixar Léo Moura na saudade.

Jorginho, que já trocara Gabriel por João Paulo, colocou Cléber Santana no lugar de Hernane. No Flu, Abel tirou Edinho para a entrada de Felipe. Parecia que a pressão tricolor aumentaria de volume, mas foi só impressão, e quem quase voltou às redes foi o Fla, num chute de Hernane que explodiu na trave. Placar final: Três para um Flamengo que voltou a se entender com a bola depois de meses, e um para um Fluminense que não pode nem sonhar em repetir seu primeiro tempo diante do Caracas, na próxima quinta-feira.

CURTINHAS PELO CARIOCÃO!

- Vai ser difícil o melhor jogador do Cariocão não sair do Botafogo. E mais difícil ainda será escolher um nome dentre Lodeiro, Fellype Gabriel e Seedorf. A fase dos três é tão boa que o Bota nem precisa de todos em campo para conquistar suas vitórias. Desta vez, Lodeiro e Seedorf – em tarde de bailarino da bola – foram mais do que o suficiente para o Fogão colocar o Nova Iguaçu no bolso.

- A Dona Degola foi democrática no Carioca 2013 e levou para a Segundona um estreante, o Quissamã, e um veterano, o Olaria. Juntos, e até o momento, conquistaram apenas duas vitórias em 28 jogos. O fim não poderia ter sido diferente para estes auriazuis.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - FUTEBOL E DITADURA


Poucos sabem, mas o primeiro jogador de futebol anistiado no Brasil é um integrante da família Antunes Coimbra. O nome em questão é o de Nando, irmão menos famoso do quarteto que se completa com os cracaços Antunes, Edu e Zico. Considerado subversivo pelo Governo Militar que comandava o país desde 1964, Nando conta no livro “Futebol e Ditadura” como a perseguição sofrida – inclusive por policiais portugueses do Governo Salazar, durante seu período no Belenenses – o impediu de ter uma carreira tão brilhante quanto a dos seus irmãos, apesar do ótimo ano de 1968 vivido no Ceará. A obra também inclui diversos depoimentos sobre a utilização do futebol pelos militares como instrumento ideológico e de propaganda.





















Futebol e Ditadura – A História de Nando, o primeiro jogador anistiado do Brasil
Centro Cultural Ceará Sporting Club

UMA IMAGEM


















Assis marca o gol que deu ao Fluminense o título carioca de 1983. Nascia aí um dos grandes ídolos da história tricolor e um dos maiores carrascos do Flamengo. Foto: Hipólito Pereira

COPA LIBERTADORES 2013 - FASE DE GRUPOS - GRÊMIO X FLUMINENSE








Grêmio 0 x 0 Fluminense – Arena Grêmio, Porto Alegre (RS)

Em um cauteloso duelo de tricolores, Grêmio e Fluminense, que jogou todo o segundo tempo com um homem a mais, não saem do zero.

Para fazer a alegria dos quase 40 mil presentes em seu novo estádio, o Grêmio, desfalcado do meia Elano, foi montado pelo Vanderlei Luxemburgo no 4-2-2-2 com: Dida; Pará, Werley, Cris e André Santos; Fernando e Souza; Marco Antônio e Zé Roberto; Vargas e Barcos. A uma vitória de se garantir na próxima fase da Libertadores, o Fluminense foi para o jogo sem o poderoso quarteto formado por Deco, Thiago Neves, Wellington Nem e Fred e organizado pelo Abel Braga no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos; Jean e Edinho; Rhayner, Wágner e Rafael Sóbis; Michael.

Definitivamente, a possibilidade de decidir a vaga para a próxima fase na última rodada tirou de Grêmio e Fluminense aquele ímpeto a mais que um grande jogo possui. Ambos os Tricolores sabiam que o zero a zero no placar os deixariam distantes apenas um pontinho da classificação. Em outras palavras, um placar mudo na Arena Grêmio era o suficiente para que cariocas e gaúchos entrassem na última rodada, contra Caracas e Huachipato, respectivamente, dependendo apenas do empate.

Assim, não é de se estranhar a partida cautelosa e fechada que se deu em Porto Alegre. Na etapa inicial, enquanto o Grêmio manteve a bola em seus pés sem muito fazer com ela, o Fluminense adotou uma postura de contra-ataques sem conseguir sair em velocidade. Soma-se a este cenário um número excessivo de “faltinhas” e o resultado é que os únicos trabalhos realizados por Dida e Cavalieri foram oriundos de jogadas de bola parada. Uma perigosa para cada lado. Quando o intervalo já se aproximava, o zagueiro gremista Cris, experiente e com passagens por grandes times do Brasil e pelo futebol europeu, deu uma bobeada digna de um sub-15, cometeu falta duríssima em Rafael Sóbis e recebeu o cartão vermelho.

A expulsão mudou o panorama do duelo, mas não o seu ritmo. No segundo tempo, era Fluminense que teria a pelota aos seus pés e o Grêmio que ficava no aguardo da chance para contra-golpear. Sem botar fogo no jogo nem deixar os espaços defensivos que o fizeram levar os 3 a 0 no Engenhão, o Fluminense começou a se aproximar da vitória. Perdeu ótimas oportunidades com Sóbis, Rhayner (defesaça do Dida) e Wágner, e ainda viu a arbitragem anular, equivocadamente, um bonito gol do intenso Rhayner. O Grêmio, por sua vez, tentou colocar as manguinhas de fora nos minutos finais em dois tijolaços de fora da área do Fernando, melhor jogador em campo ao lado de Rhayner.

O apito final veio para decretar um resultado que – pelo menos por hora – não incomoda nem gremistas nem fluminenses. Às vezes, porém, a velha mania de se deixar tudo para a última hora cobra o seu preço.

terça-feira, 9 de abril de 2013

FIGURINHA CARIMBADA - RUBENS SALLES
























Rubens de Moraes Salles

Nascido em 14 de outubro de 1891

Faleceu em 21 de julho de 1934

Clubes:
Paulistano (1906 até 1920)

Títulos:
Campeonato Paulista – 1908, 1913 (APEA), 1916 (APEA), 1917, 1918 e 1919 – Paulistano

Dinâmico, completo e tático são adjetivos que não costumam acompanhar os craques que fizeram parte dos primeiros anos do futebol brasileiro, lá pelos idos da década de 1910. No entanto, é impossível falar do center-half (centromédio) Rubens Salles sem tais palavras.

Durante os mais de 10 anos em que vestiu a camisa do lendário Paulistano, Rubens Salles apresentou um futebol que, taticamente, estava acima de sua época. Seu fôlego privilegiado lhe permitia trabalhar como uma sanfona, ora a avançar, ora a recuar, e quando chegava ao ataque o fazia com protagonismo, pois contava com um chute tão potente que deixava os goleiros sem ação.

Sempre enérgico dentro de campo, comandou não só o Paulistano durante a gloriosa década de 10 – que terminaria com o até hoje único Tetra Paulista (16/17/18/19) da história – como também a recém-nascida Seleção Brasileira. Rubens Salles foi um dos onze históricos jogadores que venceram o clube inglês Exeter City por 2 a 0, em 21 de julho de 1914, naquele que foi o primeiro jogo da Seleção Brasileira. E mais, no mesmo ano, no dia 27 de setembro, em Buenos Aires , foi o autor do gol da vitória nacional sobre a Argentina por 1 a 0 que deu ao Brasil a Copa Roca, seu primeiro título.

Cerca de dez anos após pendurar as chuteiras, em 1930, Rubens Salles voltou a viver o futebol de perto, desta vez como treinador do São Paulo da Floresta – que em 1935, após extinto, foi refundado como o atual São Paulo Futebol Clube. E a mescla entre os conhecimentos de Rubens Salles e a categoria de cracaços como Friedenreich, Waldemar de Brito e Araken Patuska culminou com grandes campanhas. Entre 1930 e 1934, o São Paulo da Floresta foi Campeão Paulista de 1931 e quatro vezes vice.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

GÊNIOS DAS PALAVRAS - NELSON RODRIGUES



Flamengo Sessentão

Corria o ano de 1911. Vejam vocês: 1911! O bigode do kaiser estava, então, em plena vigência: Mata Hari, com um seio só, ateava paixões e suicídios; e as mulheres, aqui e alhures, usavam umas ancas imensas e intransportáveis. Aliás, diga-se de passagem: é impossível não ter uma funda nostalgia dos quadris anteriores à Primeira Grande Guerra. Uma menina de catorze anos para atravessar uma porta tinha que se pôr de perfil. Convenhamos: - grande época! grande época!

Pois bem. Foi em 1911, tempo dos cabelos compridos e dos espartilhos, das valsas em primeira audição e do busto unilateral de Mata Hari, que nasceu o Flamengo. Em tempo retifico: - nasceu a seção terrestre do Flamengo. De fato, o clube de regatas já existia, já começava a tecer a sua camoniana tradição náutica. Em 1911, aconteceu uma briga no Fluminense. Discute daqui, dali, e é possível que tenha havido tapa, nome feio, o diabo. Conclusão: - cindiu-se o Fluminense e a dissidência, ainda esbravejante, ainda ululante, foi fundar, no Flamengo de regatas, o Flamengo de futebol.

Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: - a torcida tinha uma ênfase, uma grandiloquência de ópera. E acontecia esta coisa sublime: - quando havia um gol, as mulheres rolavam em ataques. Eis o que empobrece liricamente o futebol atual: - a inexistência do histerismo feminino. Difícil, muito difícil, achar-se uma torcedora histérica. Por sua vez, os homens torciam como espanhóis de anedota. E os jogadores? Ah, os jogadores! A bola tinha uma importância relativa ou nula. Quantas vezes o craque esquecia a pelota e saía em frente, ceifando, dizimando, assassinando canelas, rins, tóraces e baços adversários? Hoje, o homem está muito desvirilizado e já não aceita a ferocidade dos velhos tempos. Mas raciocinemos: - em 1911, ninguém bebia um copo d’água sem paixão.

Passou-se. E o Flamengo joga, hoje, com a mesma alma de 1911. Admite, é claro, as convenções disciplinares que o futebol moderno exige. Mas o comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. Essa fixação no tempo explica a tremenda força rubro-negra. Note-se: - não se trata de um fenômeno apenas do jogador. Mas do torcedor também. Aliás, time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele sangra como um César apunhalado. Também é de 1911, da mentalidade anterior à Primeira Grande Guerra, o amor às cores do clube. Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: - quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável.

Nelson Rodrigues / Manchete Esportiva – 26/11/1955

domingo, 7 de abril de 2013

CAMPEONATO CARIOCA 2013 - TAÇA RIO - 5ª RODADA - BOTAFOGO X OLARIA














RESULTADOS
Nova Iguaçu 1 x 0 Volta Redonda
Quissamã 0 x 1 Madureira
Botafogo 3 x 0 Olaria
Vasco 2 x 1 Friburguense
Flamengo 1 x 1 Duque de Caxias
Resende 0 x 2 Fluminense
Audax Rio 1 x 0 Macaé
Bangu 1 x 1 Boavista

ARTILHARIA
9 Gols – Hernane (Flamengo)
8 Gols – Charles Chad (Duque de Caxias)
7 Gols – Bernardo (Vasco)

Botafogo 3 x 0 Olaria – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)

Em tarde inspirada de Lodeiro e show de Vitinho, Botafogo não encontra resistência para vencer o Olaria por 3 a 0 e assumir a liderança do grupo A, mesmo com um jogo a menos.

O Botafogo escutou o apito inicial como único 100% na Taça Rio. Para manter a campanha impecável, Oswaldo de Oliveira, que não pôde contar com Jefferson, Dória e Seedorf, montou o time no 4-2-3-1 com: Renan; Lucas, Bolívar, André Bahia e Julio Cesar; Marcelo Mattos e Gabriel; Rafael Marques, Fellype Gabriel e Lodeiro; Bruno Mendes. Com apenas uma vitória em todo o Carioca e vindo de uma sonora goleada por 5 a 0 sofrida na última rodada diante do Friburguense, o Olaria foi a campo escalado pelo Luiz Antônio no 4-1-4-1 com: Gustavo; Lucas, Thiago Campos, Rafael e Erick Brandão; Assis; Lenine, Mehmet Aurélio, Victor Lemos e Valdir; Erick.

Se antes do apito inicial o Olaria se visse diante da proposta “e aí, que tal cancelar o jogo e cada time fica com um ponto?”, não pensaria duas vezes antes de responder positivamente. Desde os primeiros minutos em Volta Redonda, o Botafogo encontrou um adversário totalmente recuado e sem um pingo de ideia de como criar uma jogada ofensiva. Assim, não precisou se esforçar muito para, comandado pelo uruguaio Lodeiro, um jogador que mescla raça, técnica e dinamismo tático, criar ótimas chances para movimentar o placar antes do intervalo, o que só não conseguiu porque o goleiro Gustavo realizou dificílimas defesas.

Melhor em campo em todos os aspectos, o Botafogo precisaria, na etapa final, transformar sua superioridade em gols e evitar que a peleja ganhasse em dramaticidade. E para a alegria alvinegra, Lodeiro, o dono do jogo, recebeu um presentão do zagueiro Thiago Campos e, com apenas 2 minutinhos, abriu o escore. O Azulão da Bariri, mesmo diante de um péssimo resultado e da permanência na lanterna da classificação geral, não mudou em nada sua postura, o que deixou a vida do Fogão ainda mais tranquila. O jogo seguiria em banho não fosse a entrada de Vitinho, aos 28 minutos. Cheio de gás e com arrancadas encapetadas, o garoto detonou a retaguarda olariense, assinou dois golaços e fechou o caixão azul.

Para os que achavam que o Bota tiraria o pé do acelerador após vencer a Taça Guanabara, o que se vê é uma equipe que, rodada após rodada, se mostra mais sólida, entrosada e consciente.

CURTINHAS PELO CARIOCÃO!

- Quando um jogador está em má fase, ele deve buscar o simples dentro de campo. Nada de toque de calcanhar, drible assanhado, chute mirabolante. Fazer o feijão com arroz até a “zica” sair. Já quando um time inteiro está em péssima fase, caso do Flamengo, quem tem que fazer o simples é o treinador. Jorginho, porém, inventa uma nova a cada semana. Ora é time sem homem de área com Hernane no banco, ora Elias na lateral-direita, ora Alex Silva, Ibson e Léo Moura não estão relacionados, ora os mesmos são titulares... Jorginho bem poderia trocar seu relógio de pulso por uma bússola.

- Saiu!!! Depois de 83 jogos, o dedicado e incisivo Rhayner enfim voltou a sacudir o barbante. Se por um lado Rhayner não tem a obrigação de ser o homem-gol tricolor – como disse Abel Braga, Fred e até o próprio – ele, como atacante que o é, também não pode ficar mais de dois anos sem balançar as redes. Falando em homem-gol, a ausência de Fred no decisivo duelo contra o Grêmio pela Libertadores seria a pior notícia que os tricolores poderiam receber.

- Em um torneio que conta com nove clubes que não fazem parte nem da Terceirona do Brasileirão, Flamengo e Vasco conseguiram a “façanha” de serem eliminados de um turno com duas rodadas de antecedência. 

sábado, 6 de abril de 2013

AMISTOSO INTERNACIONAL - BOLÍVIA X BRASIL


Bolívia 0 x 4 Brasil – Estadio Tahuichi Aguilera de Santa Cruz, Santa Cruz de la Sierra (Bolívia)

No “Jogo da Paz e Amizade”, Brasil passa fácil pela Bolívia e conquista sua primeira vitória após o retorno de Felipão.

Antes mesmo das análises táticas e técnicas que envolveram o amistoso, vale destacar a volta da Seleção Brasileira como protagonista de um jogo cuja importância social supera a esportiva, o que não ocorria desde o ano de 2004, quando visitou o Haiti. Desta feita, a missão principal da “Embaixada de Chuteiras” era demonstrar um sentimento de amizade para com os bolivianos, sentimento este que foi ferido após o assassinato do garoto Kevin Espada por um sinalizador disparado pela torcida do Corinthians num duelo deste contra o São José, em Oruro, há pouco mais de um mês.

O futebol tem uma capacidade enorme de integrar e aproximar, e talvez nenhum símbolo seja tão adorado no Planeta Bola como a Seleção Brasileira. Apesar dos problemas em relação à distribuição da renda (família Espada, jogadores bolivianos Campeões da Copa América de 1963, Federação Boliviana de Futebol), é bom ver que o futebol brasileiro continua querido e capaz de promover alegria aos nossos vizinhos. Vamos ao jogo!

Com apenas quatro titulares que fizeram parte do onze inicial que empatou com a Argentina, pelas Eliminatórias, há menos de duas semanas, a Bolívia foi para o amistoso montada pelo Xavier Azkargorta no 4-2-3-1 com: Galarza; Diego Bejarano, Zenteno, Eguino e Marvin Bejarano; Melean e Veizaga; Arce, Rojas e Campos; Marcelo Moreno. Formada somente por nomes que atuam no “futebol tupiniquim”, o Brasil foi organizado pelo Luiz Felipe Scolari no 4-2-3-1 com: Jefferson; Jean, Dedé, Réver e André Santos; Ralf e Paulinho; Jádson, Ronaldinho e Neymar; Leandro Damião.

Santa Cruz de la Sierra encontra-se a 400 metros acima do nível do mar, o que significa que o Brasil não precisou se preocupar com a temida altitude. Assim, desde o início, os “canarinhos” partiram com tudo para cima da esburacada retaguarda verde e, com apenas três minutos, uma envolvente jogada iniciada por Ronaldinho, desenvolvida por Jádson e Jean, e finalizada por Leandro Damião, inaugurou o placar.  Minuto após minuto a Seleção criava oportunidades para ampliar o escore, que iria para o intervalo apontando 3 a 0: Neymar foi duas vezes às redes.

O Brasil voltou do intervalo com nove jogadores a sonhar com uma cama confortável e Ralf e Osvaldo na busca por garantir um lugar em futuras convocações. A Bolívia até tentou se aproveitar da sonolência brasileira, mas as limitações técnicas e as substituições a granel não a permitiram. Nos acréscimos, Paulinho, Pato e Osvaldo tramaram ótimo lance que Leandro concluiu para dar números finais ao amistoso.

No resumo da ópera, Ronaldinho e Neymar construíram a vitória mesmo sem muito se esforçarem, enquanto Ralf, Leandro Damião e Osvaldo – pela dedicação e bom futebol – souberam aproveitar a oportunidade.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS















Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani

quinta-feira, 4 de abril de 2013

QUASE DESCONHECIDOS


Homem mais rápido do mundo, maior ícone olímpico da atualidade e dono de um carisma sem igual, o jamaicano Usain Bolt esteve no Rio de Janeiro para competir pela primeira vez no Brasil. Como todos esperavam, venceu a prova de 150 metros, apesar de não ter conseguido bater a melhor marca na distância, que também lhe pertence. Entre passinhos de funk e volta olímpica, Bolt recebeu da galera uma bandeira do Flamengo e desfilou com esta pela pista. Por alguns instantes se estabeleceu uma intimidade entre o atleta deste início de século e o time de maior torcida do “País do Futebol”.

Poderia ser uma demonstração da grandeza do Rubro-Negro, mas as palavras do astro, alguns minutos depois, mostraram a dura realidade: Bolt não conhecia o Flamengo. E não é culpa do velocista, que é fã de futebol, diz ter o sonho de disputar uma partida pelo Manchester United e até possui alguma intimidade com a redonda. A culpa é pura e exclusiva do Flamengo. Ou melhor, de todos os clubes brasileiros, pois qualquer que fosse a bandeira sacudida por Bolt, seu desconhecimento seria o mesmo.

Aqui na América – de norte a sul – existe uma infinidade de apaixonados por futebol. E mais ainda pelo futebol brasileiro, um legado deixado por Pelé, Garrincha e brilhante companhia. Na Bolívia, por exemplo, Ronaldinho Gaúcho já foi homenageado duas vezes: recebeu a Medalha do Mérito Esportivo das mãos do Presidente Boliviano, Evo Morales, e foi presenteado pelo Governador do Departamento de La Paz, César Cocarico, com três peças de roupa típicas dos povos indígenas aimarás. No México, então, existe até a Plaza Brasil, uma praça em homenagem à Seleção Campeã Mundial de 1970, que encantou toda uma geração de mexicanos.

Diante de tão grande idolatria para com o futebol brasileiro, o que falta para os grandes clubes tupiniquins iniciarem suas “Grandes Navegações” pela América? A primeira resposta plausível seria dinheiro, ou a falta dele. No entanto, com os salários surreais pagos atualmente por aqui e com o poder internacional das marcas que fornecem material esportivo para os clubes, a questão financeira parece não ser a grande responsável. Até porque um projeto de internacionalização pela América, que disponibilizaria não só produtos, mas a história do clube para países como a Jamaica, de Usain Bolt, não deve ter um custo tão astronômico assim.

O que os clubes precisam é de criatividade para fazer suas respectivas histórias serem conhecidas. Talvez um museu móvel, uma embaixada com ex-craques, um cinema itinerante... Não é apenas questão de marketing, de vender produtos, mas de se postar como gigantes que o são.

O que falta aos cabeças do futebol brasileiro, na realidade, é a visão para entender que ações simples podem fazer com que na próxima vez que um símbolo do esporte visitar o Brasil e receber uma bandeira ele diga: “Claro que conheço este clube!”