quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

GRANDES CLÁSSICOS - FLUMINENSE X BANGU - 1964


Diante da recém-terminada Taça Guanabara, que consagrou o Fluminense como Campeão e deixou o Bangu como lanterninha sem sequer um mísero ponto conquistado, muitos podem duvidar que, em um passado nem tão distante, o Alvirrubro de Moça Bonita protagonizava com o Tricolor das Laranjeiras embates do mais alto nível. Um deles ocorreu no ano de 1964, para onde ofereço aos amigos uma viagem em primeira classe nas linhas abaixo.


Tão difícil quanto ganhar na Mega-Sena era apontar um favorito absoluto nos Campeonatos Cariocas da época em que o Brasil não incluía seus craques de futebol nos produtos tipo exportação. Para o Cariocão de 1964 eram nada menos do que seis os times que poderiam levantar o caneco sem que alguém pudesse gritar “Que zebra!!!”. Porém, com o desenrolar do torneio, o Vasco, que em alguns momentos apresentou a dupla de zaga Brito e Fontana, futuramente Campeões do Mundo com a Seleção Brasileira em 1970, e o América, que tinha Zizinho, o “Mestre Ziza”, como treinador, ficaram pelo meio do caminho. Restaram, então, Bangu, Botafogo, Flamengo e Fluminense, em ordem alfabética, como postulantes ao título.


O Flamengo, que brigava pelo Bi, tinha no lendário técnico Flávio Costa, dono da marca de oito títulos estaduais no currículo – cinco pelo Fla (39, 42, 43, 44 e 63) e três pelo Vasco (47, 49 e 50) – uma de suas principais armas. Dentro das quatro linhas, o destaque rubro-negro ficava por conta de Carlinhos, um meio-campo de tamanha classe e elegância no trato do couro que receberia o apelido de “Violino”. Pegando a condução da Gávea para General Severiano, o Botafogo apresentava um onze que misturava estrelas do inesquecível esquadrão Bi-Campeão em 61/62 – Manga, Nilton Santos, Rildo, Didi, Quarentinha, Zagallo e até Garrincha, no 1º turno – com as da geração que repetiria o Bi em 67/68, como Gérson, Jairzinho e Roberto Miranda. Vamos e venhamos: estes nomes alvinegros não necessitam de adjetivos, né?


Porém, em um campeonato mais equilibrado que trapezista do Cirque du Soleil, o clichê “todo jogo é uma decisão” é válido. Assim, tropeços do Botafogo em duelos contra os times da parte inferior da tabela e derrotas do Flamengo nas brigas entre os cachorros grandes deixaram ambos empatados e apenas um pontinho atrás dos protagonistas do Cariocão de 1964: Bangu e Fluminense. Lembrando que na época a vitória valia dois pontos, Flu e Bangu terminaram os dois turnos empatados com 35 pontos e no topo da tabela. Assim, o destino do troféu seria decidido em uma melhor de três.


Com uma campanha de somente duas derrotas em 24 jogos, o Bangu começava a montar, neste 1964, aquele que se tornaria um dos times mais lembrados do futebol carioca e conquistaria, dois anos depois, em 1966, o título Estadual. Do goleiro, o ágil Ubirajara, ao ponta-esquerda, o Alvirrubro era recheado de cracaços. Fidélis, o “Touro Sentado”, lateral-direito dono de um preparo físico invejável até para os dias de hoje, e a dupla de meio-campo formada por Ocimar e Roberto Pinto são nomes que espelham a qualidade banguense. Porém, a grande força alvirrubra estava em seu ataque. E que ataque! Na ponta-direita, Paulo Borges fazia de tudo e mais um pouco. Veloz e letal, infernizava as retaguardas adversárias e era daqueles que não precisavam de mapas para encontrar o caminho do gol. Se os dez que marcou neste torneio de 64 não foram suficientes para lhe dar o prêmio de artilheiro – esta honra caberia a um outro devoto do gol, de quem falaremos linhas abaixo – no biênio 66/67 ninguém tiraria Paulo Borges do topo da tabela de goleadores do Estadual.


E não era só o “Gazela”, apelido de Paulo Borges, quem sabia balançar as redes. Juntos, no comando do ataque suburbano, a dupla formada por Parada e Bianchini foi responsável por nada menos do que 25 dos 47 gols da equipe, ou seja, mais do que 50% dos tentos. Para fechar o poderoso ataque, Aladim – que mais tarde também faria história no Coritiba, com a conquista de seis Paranaenses – Cabralzinho e Canhoto se revezaram durante a competição.


“Mas para vencer um Bangu como esse o Fluminense necessitaria de um time de 24 quilates!” – deve estar pensando o amigo. Pois bem, o Fluzão-1964 era, realmente, 100% ouro. Se diz o ditado que todo grande time começa com um grande goleiro, a camisa 1 do Tricolor era vestida por ninguém menos do que Carlos Castilho, o “Leiteria”, goleiro de quatro Copas do Mundo no currículo (além de 50 e 54, foi Bi em 58 e 62) e que aliava uma extraordinária qualidade debaixo das traves com uma sorte que só acompanha os gigantes. À frente de Castilho, o Flu contava com uma dupla de zaga de impor respeito a qualquer ousada e atrevida linha de ataque: o já ídolo tricolor Altair, Campeão do Mundo em 1962 que quando atuou na lateral-esquerda ganhou o status de melhor marcador de Garrincha, e Procópio.


Procópio, assim como o meia Oldair e o atacante Evaldo, todos nomes essenciais neste Flu-64, se tornariam, em poucos anos, nomes históricos do futebol mineiro. O sólido Procópio e o goleador nato Evaldo fizeram parte do maior Cruzeiro de todos os tempos, o de 1966, que venceria a Taça Brasil com duas vitórias inimagináveis sobre o Santos de Pelé: 6 x 2 no Mineirão e 3 x 2, de virada, na Vila Belmiro. Procópio também entrou para a galeria de grandes do Atlético Mineiro pelo que fez dentro de campo e, principalmente, fora de campo, sendo o segundo treinador que mais vezes comandou o clube. Falando no “Galo”, muitos dizem que se não fosse Oldair o Alvinegro Mineiro não teria conquistado o Campeonato Brasileiro de 1971. Como lateral-esquerdo e capitão do time, Oldair marcou, contra o São Paulo, no Morumbi, o gol da vitória do Atlético por 1 x 0. Vitória esta ocorrida na fase final e que deixou o “Galo” muito próximo de levantar o título nacional, o que ocorreria poucos dias depois.


O timaço tricolor segue com um trio que começava, neste 1964, a escrever as primeiras páginas de suas gloriosas carreiras. Falo do inigualável lateral-direito Carlos Alberto Torres, capitão da Seleção Brasileira que conquistaria o Tri Mundial no futuro 1970, do incansável volante Denílson, implacável e de extrema eficiência a missão de proteger a retaguarda tricolor durante toda sua vida dentro das quatro linhas, e do perigoso ponta Gílson Nunes, que seria importantíssimo para o Vasco sair de uma fila de 12 anos sem títulos, em 1970, e para o América vencer a Taça Guanabara de 1974.


E como havia prometido alguns parágrafos acima, chegou a hora de falar do grande artilheiro do Cariocão 1964: Amoroso. Com 26 anos de idade, Amoroso se encontrava naquele período da carreira considerado por algumas teorias como melhor de um jogador de futebol, quando este não está tão jovem a ponto de a inexperiência atrapalhar, nem tão velho para ter problemas com o preparo físico. E mais: chegava ao Fluminense com o cartaz de Bi Carioca pelo Botafogo (61/62). Pois foi com toda esta maturidade que Amoroso se sagraria não só o artilheiro do Carioca de 1964, com 19 gols, como também no do ano seguinte, desta vez com 10 tentos.


Foi do próprio Amoroso, em uma cobrança de pênalti aos 5 minutos do 2º tempo, o gol que deu ao Fluminense a vitória no primeiro confronto decisivo da melhor de três. Mesmo com o caneco mais próximo das Laranjeiras, nenhum dos 75.106 pagantes para a segunda peleja seria capaz de bater o pé e, com a maior das convicções, afirmar quem seria o Campeão Carioca de 1964. Principalmente quando, aos 28 minutos da 1ª etapa, Bianchini abriu o placar para o Alvirrubro. Mas aí veio o intervalo e, com todo o seu imensurável conhecimento do esporte bretão, o treinador tricolor Tim, conhecido como “O Estrategista”, recolocou seus pupilos no caminho da glória. Foram nencessários menos do que dez voltas do ponteiro dos minutos para o Fluzão, gols de Joaquinzinho e Jorginho, virar o escore e colocar mais alguns dedos no caneco, que foi parar de vez nas Laranjeiras quando, aos 22 minutos, Gílson Nunes arrancou pela esquerda e marcou um golaço, “acabando com a vaidade de Moça Bonita”, como diria o lendário programa Canal 100.


Esta não seria a primeira vez que o Fluminense venceria o Bangu em uma finalíssima de Carioca. E nem a última. Em 1951, com dois gols de Telê Santana, e em 1985, ano em que recheou sua história com mais um Tri, o Flu deixaria os banguenses de cabeça inchada. Mas estas, meus amigos, são histórias para outras viagens...


Fluminense 3 x 1 Bangu

20 de Dezembro de 1964

Maracanã – Público: 75.106 pagantes

Gols: 1º tempo: Bianchini (BAN), aos 28’; 2º tempo: Joaquinzinho (FLU), aos 5’, Jorginho (FLU), aos 8’ e Gílson Nunes (FLU), aos 22’.

Fluminense: Castilho; Carlos Alberto Torres, Procópio, Valdez e Altair; Denílson e Oldair; Jorginho, Amoroso, Joaquinzinho e Gílson Nunes. Técnico: Elba de Pádua Lima “Tim”.

Bangu: Aldo; Fidélis, Mário Tito, Paulo e Nílton Santos; Ocimar e Roberto Pinto; Paulo Borges, Parada, Bianchini e Cabralzinho. Técnico: Plácido Monsores.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

AMISTOSO INTERNACIONAL - BRASIL X BÓSNIA


Brasil 2 x 1 Bósnia – AFG Arena, St. Gallen (SUI)


Brasil começa 2012 com futebol sem inspiração e vitória sobre a Bósnia por 2 x 1.

Para o primeiro amistoso da Seleção Brasileira no ano, Mano Menezes optou pelo 4-3-1-2 e mandou a campo: Júlio César; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Hernanes, Sandro e Fernandinho; Ronaldinho; Neymar e Leandro Damião. Com jogadores que atuam em grandes centros europeus, a Bósnia foi para o duelo escalada pelo técnico Susic no 4-4-2 com: Begovic; Jahic, Spahic, Pandza e Papac; Pjanic, Rahimic, Medunjanin e Misimovic; Dzeko e Ibisevic.

Tudo que o Brasil precisava para transformar o amistoso contra a Bósnia em um jogo tranquilo era um gol cedo. E não é que ele veio! Com apenas três minutinhos no cronômetro, Daniel Alves aproveitou um bate-rebate e deu belo passe para Marcelo, em arremate ainda mais belo, colocar a redonda no fundo da rede. Mas, porém, contudo, todavia, entretanto, o tento não fez o Brasil tomar as rédeas do confronto. Bem postada com suas duas linhas de quatro e com jogadores que sabem tratar a pelota, a Bósnia não só chegaria à igualdade aos 12 minutos, gol do Ibisevic, como ainda criaria mais duas ótimas oportunidades para virar a partida, ambas com participação do perigoso Dzeko, que já havia dado a assistência para o empate. Fica impossível não registrar aqui as monstruosas falhas de David Luiz e Júlio César – mais uma no caso do goleiro – no gol bósnio. Resumo da ópera: o Brasil fez um péssimo 1º tempo, com falhas defensivas imperdoáveis e uma enorme falta de criatividade para furar uma defesa rival que nem se mostrou tão sólida.

Os primeiros minutos da 2ª etapa apresentaram o mesmo marasmo ofensivo da nossa Seleção, mas como a Bósnia agredia menos do que no 1º tempo, a situação brasileira não ficou tão caótica. Falando em caótico, esta é a palavra que reflete a atuação do zagueiro David Luiz, que perdeu todos – todos, mesmo – os duelos contra o Dzeko. Com 21 minutos, Sandro, Ronaldinho – mais uma atuação furreca do camisa 10 – e Hernanes já haviam dado lugar a Elias, Ganso e Hulk. Para não ser injusto com os que entraram podemos dizer que as substituições deram algumas poucas gotas de bom futebol para o Brasil. Assim como a troca do Leandro Damião pelo Lucas também melhorou o onze canarinho. Que o diga o zagueiro Papac, que levou uma entortada espetacular do são-paulino, caiu no chão e ainda machucou as cadeiras. No apagar das luzes, ainda meio zonzo pelo drible levado, Papac, empurraria contra o próprio patrimônio um cruzamento do Hulk e daria números finais ao duelo.

Individualmente falando, Thiago Silva e Marcelo mostraram o porquê de serem intocáveis, enquanto Ganso e Lucas que devem ser mais e melhor utilizados, não obrigatoriamente como titulares absolutos. No outro lado da moeda, David Luiz, Júlio César e Ronaldinho conseguiram ficar abaixo da baixa média brasileira.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

PREMIER LEAGUE 2011/2012 - 26ª RODADA



RESULTADOS

Chelsea 3 - 0 Bolton

Newcastle 2 - 2 Wolverhampton

Queens Park Rangers 0 - 1 Fulham

West Bromwich 4 - 0 Sunderland

Wigan 0 - 0 Aston Villa

Manchester City 3 - 0 Blackburn

Arsenal 5 - 2 Tottenham

Norwich 1 - 2 Manchester United

Stoke City 2 - 0 Swansea City


ARTILHARIA

23 Gols – Robin van Persie (Arsenal)

17 Gols – Wayne Rooney (Manchester United)

16 Gols – Demba Ba (Newcastle) e Kun Agüero (Manchester City)


GIRO PELA “TERRA DA RAINHA”


O fim de semana foi agitado na Inglaterra. O Liverpool conquistou a Copa da Liga Inglesa após uma verdadeira batalha contra o Cardiff City, o Arsenal goleou o rival Tottenham por 5 x 2 e se manteve no Top Four e a dupla de Manchester voltou a sair de campo com os três pontos.


- Um jogador de mais de 35 anos, seja qual for a sua história, é considerado velho para mundo do futebol. Não importa que o passado esteja repleto de exemplos de craques que ignoraram o passar dos anos, sempre haverá um olho torto para os veteranos da bola. Porém, se hoje existe um lugar no mundo onde os “velhinhos” são agraciados com os melhores elogios, este lugar chama-se Manchester. O motivo? O Manchester United entrou em campo para enfrentar o Norwich com a obrigação dos três pontos, para não deixar o rival City se isolar ainda mais na liderança, e o triunfo só veio graças aos gols de Paul Scholes (37 anos) e Ryan Giggs (38 anos), sendo que o galês deixou o seu tento, o da vitória, quando o juiz já estava prestes a apitar pela última vez na partida. Scholes e Giggs, uma dupla de 75 anos. Pergunta para algum torcedor do United se ele se importa.

- Depois da chinelada milanesa que recebeu no San Siro pela Champions League, o maior pesadelo do Arsenal estava estampado no placar do Emirates Stadium aos 34 minutos do 1º tempo do clássico londrino: Arsenal 0 x 2 Tottenham. Foi então que, num passo de mágica, os “Gunners” iniciaram uma atuação soberba. O lateral Sagna começou a reação com um gol e ainda deu uma assistência, a dupla de zagueiros Vermaelen/Koelscielny e o volante Song viraram uma muralha interansponível, van Persie jogou como sempre e marcou o do empate, Rosicky jogou como raras vezes e virou o escore, Walcott deu uma aula de como finalizar contra-ataques e fechou a goleada com os dois últimos tentos. Desta vez, van Persie não jogou sozinho. O Arsenal, como um todo, deu um show de bola.

- O Liverpool bateu o Cardiff City, do País de Gales, na disputa por pênaltis, e conquistou a Copa da Liga Inglesa em um duelo cujo suor produzido seria capaz de encher uma piscina olímpica. O time da cidade dos Beatles estava sem levantar um caneco há seis anos e este pode ser um combustível para os “Reds” voltarem a sonhar com a vaga na próxima Champions League. Por sinal, devido às participações na Copa da Inglaterra e na Copa da Liga Inglesa, o Liverpool ficará um total de 21 dias sem atuar pelo Campeonato Inglês, período que teve início em 11 de fevereiro e terminará em 3 de março. Se fosse no Brasil, quantos não estariam cuspindo fogo contra o nosso calendário?

domingo, 26 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - FINAL - VASCO X FLUMINENSE


Vasco 1 x 3 Fluminense – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Chega de jejum! Com uma apresentação poderosa, Fluminense bate o Vasco, coloca fim à marca de 12 jogos sem vitórias em clássicos (com a bola rolando) e vence a Taça Guanabara após 19 anos.

Com oito vitórias em oito jogos na Taça GB, o Vasco foi para a decisão com o mesmo onze que eliminara o Flamengo na semi final e organizado pelo Cristóvão Borges no 4-3-3 com: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Rodolfo e Thiago Feltri; Juninho Pernambucano, Nílton e Fellipe Bastos; William Barbio, Diego Souza e Alecsandro. Depois da dramática classificação na disputa por pênaltis contra o Botafogo, o Fluminense chegou para a final esquematizado no 4-3-1-2 com: Diego Cavalieri; Bruno, Leandro Euzébio, Anderson e Carlinhos; Deco, Valencia e Diguinho; Thiago Neves; Wellington Nem e Fred.


Os primeiros 45 minutos da decisão foram de mais uma prova concreta de que, em futebol, estatística não entra em campo. Se perguntássemos para um gringo presente ao Engenhão qual o time estava com uma campanha 100% e qual sofreu horrores para se garantir na fase final ele não saberia responder, tamanha a igualdade entre Vasco e Fluminense. Igualdade esta vista no número de oportunidades criadas, mas não no placar. O Vasco levou muito perigo nas bolas aéreas, até pelo péssimo desempenho da defesa tricolor neste tipo de jogada, mas construiu sua principal chance em uma entregada do zagueiro Anderson que Diego Souza arrematou no poste. Já o Fluminense tinha no veloz Wellington Nem, o nome do 1º tempo, sua principal arma. E foi justamente de um pênalti do Fagner no impetuoso atacante tricolor que nasceu o primeiro gol, em precisa cobrança do Fred, aos 36. Menos de cinco minutos depois, foi a vez de Deco mostrar sua magia e com um perfeito chute longo se aproveitar de uma movimentação falha do Fernando Prass para colocar 2 x 0 no placar. Dois que só não virou três porque Thiago Neves não soube aproveitar erro grotesco do zagueiro Rodolfo.


O desenho da 2ª etapa pôde ser percebido em pouco tempo: Fluminense recuado a espera de um espaço para contra-atacar e o Vasco a martelar a retaguarda tricolor. Melhor para o Fluzão que, aos 10 minutos, puxou um perfeito contra-golpe que terminou em assistência do Thiago Neves para finalização de “quem sabe” do Fred. Aí bateu o desespero no lado cruzmaltino. Sem um pingo de exagero, verdade verdadeira, Dedé surtou e resolveu virar centroavante e o Vasco passou a alçar bolas na área de qualquer lugar do campo, sem o mínimo capricho. E foi assim que, aos 37, depois de o Fluminense deixar escapar alguns bons contra-ataques, o bumba-meu-boi do Vasco deu certo em cruzamento do Fagner e cabeçada do Eduardo Costa. Poucos giros do ponteiro dos segundos depois, Dedé cabeceou na trave a bola que colocaria fogo no fim da partida, mas Diego Cavalieri e a insegura defesa tricolor conseguiram manter a vantagem até o apito final.


Depois de uma fase de grupos de instabilidade, o Fluminense apresentou parte de sua força ao conquistar esta Taça Guanabara. E com o quarteto Deco, Wellington Nem, Thiago Neves e Fred a cada dia melhor, a alegria promete visitar mais vezes as Laranjeiras.


PARABÉNS, FLUMINENSE!!!



PELO BRASIL AFORA
- Menos de uma semana após o fim do carnaval o Corinthians vence uma partida com gol do Adriano, que atuou durante os 90 minutos. Sinceridade de amigo: eu não esperava.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

NOMES DOS ESTÁDIOS - MARACANÃ

Sob os ruídos de tratores e britadeiras de uma enfumaçada – no sentido literal e metafórico – reforma para receber a Copa do Mundo de 2014, o Maracanã, inaugurado em 1950, troca a contradição pela unanimidade quando o assunto é o seu nome: Estádio Jornalista Mário Filho. Listar as benfeitorias do irmão de Nelson Rodrigues para o futebol brasileiro exigiria tantas páginas quanto uma Enciclopédia Britânica, mas fica impossível não citar a contribuição de Mário Filho para a linguagem do jornalismo esportivo, que aproximou ainda mais os torcedores do mundo dos esportes. Quem nunca teve a oportunidade de ler uma crônica deste inigualável jornalista deveria o fazer, no mais tardar, hoje. Mas como o assunto desta seção é estádio de futebol, Mário Filho foi de uma importância imensurável durante o turbilhão político que envolveu o nascimento do Maracanã. Não fossem suas palavras e opiniões no Jornal dos Sports, do qual era dono, a construção e localização do “Maior do Mundo” seriam totalmente diferentes. Negativamente diferentes. Se existe, no Brasil, coerência na nomeação de um monumento, esta se chama Estádio Jornalista Mário Filho.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - SEMI FINAL - BOTAFOGO X FLUMINENSE

Botafogo 1 (3) x (4) 1 Fluminense – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Duas defesas do Diego Cavalieri na disputa por pênaltis, uma delas do Loco Abreu, fazem o Fluzão voltar a uma decisão de Taça Guanabara.

Para sua quinta participação seguida em uma semi final da Taça GB, o Botafogo não pôde contar com o Maicosuel e foi para o jogo organizado pelo Oswaldo de Oliveira no 4-2-3-1 com: Jefferson; Lucas, Antônio Carlos, Fábio Ferreira e Márcio Azevedo; Renato e Marcelo Mattos; Herrera, Andrezinho e Elkeson; Loco Abreu. Sem chegar à final da Taça GB desde 2004, o Fluminense apostou no 4-3-1-2 e Abel Braga mandou a campo o seguinte onze: Diego Cavalieri; Bruno, Leandro Euzébio, Anderson e Carlinhos; Deco, Edinho e Diguinho; Thiago Neves; Wellington Nem e Fred.

Os primeiros 45 minutos do “Clássico Vovô” foram amarrados, equilibrados e de poucas oportunidades de gols. O Botafogo tentou explorar a sua já tradicional jogada aérea, mas Loco Abreu – sentia a contusão que o atormentou durante a semana? – não conseguiu sequer uma cabeçada. O melhor momento alvinegro na 1ª etapa? Um arremate longo e rasteiro do Andrezinho. Pelo lado tricolor, faltou mais do Deco, que esteve sempre próximo à linha central e pouco apareceu ofensivamente. O resultado desta pouca participação do luso-brasileiro foi uma sobrecarga no Thiago Neves, que deu bons passes, cobrou falta, apareceu para finalizar, mas, sozinho, não foi capaz levar o Flu às redes.

Nos primeiros 20 minutos da 2ª etapa, o equilíbrio deu lugar a uma baita pressão tricolor. Ainda sob o comando do Thiago Neves, o Flu criou três ótimas chances para sacudir o barbante, apesar de não ter conseguido tirar o zero do placar. Em ordem cronológica: chute de fora da área do Wellington Nem, cabeçada do Fred após rápida e esperta cobrança de córner do Thiago Neves e, por fim, mais uma finalização de cuca, esta do Thiago Neves e defendida de maneira espetacular pelo Jefferson. A situação alvinegra se apresentava mais negra que alva e o time, com Elkeson e Andrezinho desaparecidos, parecia não saber como atacar. Foi então que, aos 28 minutos, e pode-se dizer que de maneira surpreendente, Lucas lançou Herrera e o argentino deu perfeita assistência para Elkeson colocar o Fogo na frente do escore. A alegria botafoguense, porém, durou menos de cinco minutos, tempo necessário para Deco alçar a redonda na área e Leandro Euzébio, com enorme categoria, dominar e tocar na saída do Jefferson.

O empate em 1 x 1 perdurou até o apito final e a decisão da vaga para a final da Taça GB foi para a disputa de pênaltis. Assim como com a bola rolando, o Botafogo largou na frente após Jean arrematar nas mãos do Jefferson como se fosse uma criança, mas as defesas de Diego Cavalieri nas cobranças de Lucas e Loco Abreu transformaram o arqueiro tricolor no herói da noite e garantiram o Flu na finalíssima da Taça GB após oito anos.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - SEMI FINAL - VASCO X FLAMENGO

Vasco 2 x 1 Flamengo – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Quarta-feira de cinzas? Não para o Vasco! Com gols de Alecsandro e Diego Souza o Cruzmaltino virou para cima do Flamengo e se garantiu na decisão da Taça Guanabara.

Sem sequer um pontinho perdido na Taça Guanabara, o Vasco foi para a semi final escalado pelo Cristóvão Borges no 4-3-3 com: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Rodolfo e Thiago Feltri; Juninho Pernambucano, Nilton e Fellipe Bastos; William Barbio, Diego Souza e Alecsandro. Pelo lado do Flamengo, o multi-campeão carioca Joel Santana também optou por um trio ofensivo e organizou a equipe no 4-3-3 com: Felipe; Léo Moura, Gustavo, Welinton e Junior Cesar; Willians, Aírton e Renato; Deivid, Ronaldinho e Vagner Love.

Os torcedores ainda se ajeitavam nas poltronas de suas casas ou nas cadeiras do Engenhão quando Vagner Love acertou um tijolo de perna esquerda e abriu o placar para o Flamengo. Um gol tão cedo em um clássico semi final tinha tudo para dar ao Fla o domínio do jogo, mas não foi o que ocorreu. Sob o comando do almirante Juninho Pernambucano, a nau vascaína retomou o seu rumo e chegou ao empate no minuto 14, gol do artilheiro Alecsandro após falha do Felipe em chute longo do próprio Juninho. A vantagem fez bem ao Cruzmaltino, que seguiu melhor postado e arriscando chutes longos até que, a partir dos 30 minutos, o jogo virou uma verdadeira roleta russa com ambos os times construindo ótimas oportunidades de gols. Pelo Flamengo, Deivid obrigou Fernando Prass a realizar boa defesa e, em seguida, desperdiçou uma oportunidade a um palmo da linha fatal, enquanto o Vasco fez o Felipe a se redimir de seu erro com duas boas defesas – arremates do Diego Souza e do Juninho – e ainda teve uma cabeçada do Diego Souza que passou raspando o poste.

Depois de um final de 1º tempo mais agitado que filme de ação dos anos 80, os rivais voltaram mais lentos e para a etapa final e nada de bom foi produzido nos primeiros 15 minutos. Os técnicos resolveram mexer seus pauzinhos: Bottinelli substituiu Deivid no Fla e Juninho deu lugar a Felipe no Vasco. De cara, o Flamengo parecia ter se dado melhor, já que o argentino logo armou duas boas tramas com o Love, coisa que o sumido Ronaldinho e o abalado Deivid não conseguiam. No entanto, aos 31 minutos, foi o Cruzmaltino que, em um rápido ataque, deu números finais ao confronto: Kim cruzou milimetricamente, Fagner cabeceou na pequena área, Felipe defendeu no reflexo e Diego Souza, também de cuca, completou para o fundo do barbante. Com pouco mais de 15 minutos pela frente, o Flamengo partiu na base do abafa, mas não conseguiu nem dar trabalho ao Fernando Prass.

Estas últimas linhas serão dedicadas para a atuação do Dedé. E que atuação! Fosse no mano a mano contra o empolgado Love ou na cobertura a seus companheiros, o zagueiro vascaíno esteve perfeito e teve uma apresentação digna de ser gravada em um DVD sob o título de “Como ser um zagueiro”. E mais! Sem cometer sequer uma falta. Hoje, em uma imaginária pelada com os jogadores que atuam por aqui, após o tradicional par ou ímpar, o Dedé seria escolhido atrás apenas do Neymar.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

UMA IMAGEM



Capa do LP "Voa Canarinho", que embalou a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1982.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - 7ª RODADA - RESENDE X FLAMENGO





FASE SEMI FINAL

Vasco x Flamengo

Botafogo x Fluminense


RESULTADOS


Grupo A

Olaria 1 x 1 Bonsucesso

Macaé 0 x 3 Botafogo

Resende 1 x 3 Flamengo

Madureira 2 x 2 Nova Iguaçu

Grupo B

Duque de Caxias 3 x 1 Americano

Boavista 0 x 1 Vasco

Volta Redonda 2 x 2 Friburguense

Fluminense 3 x 0 Bangu


ARTILHARIA

7 Gols – Alecsandro (Vasco) e Rômulo (Friburguense)

6 Gols – Somália (Boavista)

5 Gols – Loco Abreu (Botafogo)


Resende 1 x 3 Flamengo – Estádio da Cidadania, Volta Redonda (RJ)


Gols de Ronaldinho, Love e Negueba e mais uma boa atuação de Léo Moura colocaram o Flamengo na semi final da Taça Guanabara.

Algoz do Flamengo na decisão da Taça Guanabara de 2010, o Resende entrou em campo com a missão de voltar a ser a pedra no caminho rubro-negro e organizado pelo treinador Paulo Campos no 4-2-2-2 com: Mauro; Wellington, Facundo, Felipe Machado e Kim; Léo Silva e Yuri; Valdeir e Marcel; Marcelo Régis e Elias. Com a obrigação da vitória para garantir a vaga na semi final sem a necessidade de torcer contra o Botafogo, o Flamengo foi para o jogo esquematizado no 4-3-3 com: Felipe; Léo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Luiz Antônio, Aírton e Willians; Ronaldinho, Deivid e Vagner Love.

O ponteiro de minutos do relógio mal girara pela primeira vez e o Resende já havia acertado a trave em cabeçada do Marcel. No entanto, apesar deste lance, a emoção não foi a tônica da 1ª etapa, que viu um Flamengo com a posse de bola sem saber como utilizá-la e um Resende recuado a espera de uma chance para contra-atacar. Devendo muito em termos coletivos – levou perigo apenas em duas jogadas individuais, uma do Ronaldinho e outra do Léo Moura – o Flamengo nada fez que justificasse uma possível vantagem no placar. Assim, melhor para o Resende, que, se não teve sucesso nos contra-golpes, foi para o intervalo com o empate que o classificava.

A etapa final começou da mesma maneira que a inicial, ou seja, com um caos aéreo digno dos piores aeroportos brasileiros na defesa do Flamengo. Se com um minuto o goleiro Felipe conseguiu salvar uma cabeçada do Yuri, aos dois ele nada pôde fazer para evitar que Marcelo Régis colocasse a redonda no fundo do barbante. Vale ressaltar que o grande destaque do Resende nestas jogadas aéreas não foram os seus finalizadores, mas sim o calibradíssimo meia Valdeir, autor de todos os cruzamentos. O sábado de carnaval flamenguista começava a ganhar contornos de quarta-feira de cinzas quando, enfim, os principais nomes do atual Campeão Carioca resolveram aparecer. Num piscar de olhos, entre 13 e 17 minutos, Ronaldinho, pelo alto, e Vagner Love, por baixo, balançaram as redes e colocaram o Mengão na zona de classificação. O Resende sentiu a virada e perdeu força, mas quase chegou ao empate em espetacular jogada individual do Elias, aos 32. A consolidação da vitória rubro-negra veio aos 37 em uma rápida arrancada e boa finalização do Negueba. Léo Moura, que cruzou para o gol do Love e lançou para o do Negueba, merece aplausos. Mais uma vez.

Na busca pelo Bi da Taça Guanabara, o Flamengo terá o 100% Vasco pela frente. Um clássico para crítico nenhum dos Estaduais colocar defeito.


JOGADA RÁPIDA!


E a classificação do Fluminense foi suada. Não pelo próprio jogo, uma fácil vitória sobre o Bangu, mas porque um compreensivelmente relaxado Vasco só colocou a pá de terra no sonho do Boavista (gol do atacante Kim) no final do jogo. Assim, os quatro “grandes” seguem na briga pelo 1º turno. Impossível indicar um favorito.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

DEZ! NOTA DEZ!

O Carnaval se aproxima e é impossível ficar indiferente a tamanha euforia popular. Que o digam os boleiros, que perdem o pouco foco que possuem nesta época do ano e se esbaldam em desfiles, blocos, bailes, camarotes, abadás... Cada canto deste imenso Brasil possui suas festas carnavalescas características, e, no Rio de Janeiro, o mundialmente conhecido desfile das escolas de samba é ansiosamente aguardado pelos foliões. A década de 20 marca o nascimento das primeiras escolas de samba, mas foi somente a partir dos anos 60 que estas e os desfiles começaram a se transformar no “Maior Show da Terra”.

Ao longo de tantos anos de escolas na avenida, não foram poucos os sambas-enredo que cantaram o futebol em suas letras, fossem direta ou indiretamente. Quando digo indiretamente, digo das homenagens realizadas a ilustres brasileiros que volta e meia são – ou eram, no caso dos que já partiram – vistos ao lado do futebol. Lamartine Babo, autor dos hinos dos cariocas América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco, foi homenageado pela São Carlos, em 1973. Falando em hinos, Lupicínio Rodrigues, criador do belo hino do Grêmio, foi enredo da Unidos do Jacarezinho, em 1987.

Sérgio Cabral, o pai, e Chico Anysio, vascaínos daqueles que possuem o coração em forma de cruz de malta e conhecedores de futebol, viraram samba, no ano de 1997, da Em cima da hora e da Arranco, respectivamente. Chico Buarque, um apaixonado pela bola, como mostram sua canção “O Futebol” e seu famoso time de pelada, o Politheama, foi cantado pela tradicionalíssima Mangueira, em 1998. Para fechar o bloco dos ilustres cujas participações só valorizam o futebol, Nelson Rodrigues, o dramaturgo e cronista esportivo inigualável, protagonizou nada menos do que três sambas-enredo diferentes, cantados pela Tupy de Brás Pina (1982), Império da Tijuca (1994) e Unidos da Tijuca (2001), além de ainda ser o enredo da Viradouro neste 2012.

Falemos agora dos clubes, ou melhor, do centenário dos clubes cariocas. Em 1995, a Estácio de Sá, com o samba de título “Uma vez Flamengo...” homenageou os 100 anos do Rubro-Negro da Gávea, enquanto, três anos depois, em 1998, o primeiro século de vida do Vasco foi o enredo escolhido pela Unidos da Tijuca sob o nome de “De Gama a Vasco, a epopéia da Tijuca”. Um fato curioso envolve estes dois sambas-enredo. Apesar de a Estácio de Sá, em 1995, ter ficado a apenas 3,5 pontos do título, e de a Unidos da Tijuca ter sido rebaixada no carnaval de 1998, os versos “Vamos vibrar meu povão (é gol, é gol) / A rede vai balançar, vai balançar / Sou Vasco da Gama, meu bem / Campeão de terra e mar” são sempre cantados pelos vascaínos, enquanto o refrão “Cobra coral / Papagaio vintém / Vesti rubro-negro / Não tem pra ninguém” é ignorado pelos flamenguistas. No entanto, estranho mesmo foi o fato de a Rocinha ter homenageado o centenário do Fluminense em 2003, sendo que o Tricolor das Laranjeiras completara seu centésimo aniversário um ano antes.

Menos do que deveriam, os grandes craques também inspiram as escolas. Se não, vejamos. Só para ficar nas escolas mais tradicionais temos: “Negra origem, negro Pelé, negra Bené” – Caprichosos de Pilares (1998); “O glorioso Nilton Santos... Sua bola, sua vida, nossa Vila” – Vila Isabel (2002); “O Brasil é penta, o R é 9 - O fenômeno iluminado” – Tradição (2003). Não se sabe a veracidade, mas dizem que a Vila Isabel, que estava no Grupo de Acesso em 2002, só não retornou para o Grupo Especial com o enredo que homenageava Nilton Santos porque um julgador se enganou ao dar uma de suas notas.

Por último, mas longe de ser menos importante, temos “O mundo é uma bola”, que embalou o desfile da Beija-Flor no ano de 1986. Muitos conhecedores de sambas-enredo afirmam que o futebol nunca foi tão bem representado na avenida como neste desfile, que teve Joãozinho Trinta como carnavalesco e Neguinho da Beija-Flor como intérprete. No entanto, um dilúvio bíblico, quase igual ao que Noé enfrentou com sua arca, estava no caminho da Escola de Nilópolis, que acabou na 2ª colocação do Carnaval de 1986.

É isso, meus amigos. O FUTEBOLA deseja um perfeito carnaval para todos, com muita responsabilidade, folia e, claro, futebol.

COPA LIBERTADORES 2012 - FASE DE GRUPOS - LANÚS X FLAMENGO

Lanús (ARG) 1 x 1 Flamengo – La Fortaleza, Buenos Aires (ARG)

Com um exército defensivo que contava com quatro zagueiros e quatro volantes, o Flamengo saiu na frente contra o Lanús, permitiu o empate e volta da Argentina com o objetivo – pequeno? – cumprido.

Sem poder contar com seu jogador mais famoso no Planeta Bola, o Campeão Mundial de 2006 com a Seleção da Itália Mauro Cammoranesi, o Lanús estreou na Libertadores 2012 organizado pelo técnico Gabriel Schürrer no 4-3-3 com: Marchesín; Araujo, Goltz, Braghieri e Bulbi; Ledesma, Fritzle e Pereyra; Valeri, Pavone e Neira. Para encarar a pressão de enfrentar um argentino fora de casa, Joel Santana adotou a cautela e mandou uma equipe com quatro volantes para o duelo e esquematizada no 4-4-2 com: Felipe; Léo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Willians, Aírton, Maldonado e Renato; Ronaldinho e Deivid.

Os primeiros minutos após o apito inicial serviram para provar o que todos já sabiam após a divulgação do onze inicial rubro-negro: o Flamengo jogaria para empatar. Todo recuado e repleto de volantes, o Fla passou a primeira meia hora de jogo se esgoelando para tentar neutralizar o bom futebol apresentado pelos argentinos, com destaque para o meia-atacante Neira, que distribuiu bons passes e chegou a acertar o travessão. Quando o intervalo já pedia passagem, veio o lance mais improvável de todos. Não, não quero dizer que o gol do Flamengo foi improvável, muito menos o fato de ele ter sido marcado pelo Léo Moura, melhor jogador flamenguista na temporada. O imprevisível foi o tento ter sido marcado após uma longa troca de passes dos flamenguistas, desde o campo de defesa até o tiro fatal. O lance – vale ressaltar que falo somente deste lance – foi digno do Barcelona atual.

Se o empate mudo já satisfazia Joel Santana e seus comandados, imaginem a vantagem gigantesca – pura ironia – de um gol. Pois o Fla armou um ferrolho daqueles e o que mais se via era rubro-negro espinafrando a redonda para onde o nariz apontava. Foram dez, quinze, vinte, vinte e cinco minutos de um Lanús sem a mesma qualidade do 1º tempo e um Flamengo que era só transpiração. Até que, aos 29 minutos, Junior Cesar entrou numa dividida como se estivesse em um amistoso de fim de ano, mas como o jogo era de Libertadores, o lance terminou com o atacante Carranza, que entrara havia segundos, sacudindo o véu da noiva. Já com Bottinelli no lugar do Aírton, diga-se de passagem em uma jornada segura e correta, o Flamengo resolveu tentar colocar a bola no chão e organizar tramas ofensivas. Porém, já era tarde demais e o máximo que conseguiu foi duas finalizações, uma delas lunar, do Bottinelli.

Pelo visto, o eterno duelo entre o Futebol-Arte e o Futebol-Resultado habitará a cuca dos torcedores rubro-negros nesta nova “Era Joel”. Desta vez, o desejo do treinador e, vale deixar claro, de todo o time, era o empate. Ele veio. Agora resta saber se as vitórias em casa virão. Teremos que esperar os próximos capítulos desta Libertadores que não começou nada fácil para os brasileiros.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - QUANDO É DIA DE FUTEBOL

Para quem gosta de Drummond – e quem não gosta? – e de futebol – repito a pergunta anterior – esta é uma leitura obrigatória. Sabem aquelas listas que pipocam pela internet com os livros que todos devem ler enquanto estão vivos? Pois é, este “Quando é dia de futebol” só não está nas listas criadas por quem ainda não o leu. Drummond e Futebol é uma combinação perfeita.



Quando é dia de futebol

Autor: Carlos Drummond de Andrade

Editora Record

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

PREMIER LEAGUE 2011/2012 - 25ª RODADA



RESULTADOS

Manchester United 2 - 1 Liverpool

Blackburn 3 - 2 Queens Park Ranger

Bolton 1 - 2 Wigan

Everton 2 - 0 Chelsea

Fulham 2 - 1 Stoke City

Sunderland 1 - 2 Arsenal

Swansea City 2 - 3 Norwich

Tottenham 5 - 0 Newcastle

Wolverhampton 1 - 5 West Bromwich

Aston Villa 0 - 1 Manchester City


ARTILHARIA

22 Gols – Robin van Persie (Arsenal)

17 Gols – Wayne Rooney (Manchester United)

16 Gols – Demba Ba (Newcastle)

15 Gols – Kun Agüero (Manchester City)


GIRO PELA “TERRA DA RAINHA”


Em um fim de semana tenso no futebol inglês, pelo caso de racismo envolvendo Luís Suárez e Evra, o Manchester United, com mais um show de Wayne Rooney, venceu o clássico contra o Liverpool. A vitória, porém, mantém os “Red Devils” na 2ª colocação, atrás do rival local, Manchester City. Quem se deu bem na rodada foi o Arsenal, que com um gol do ídolo Henry voltou ao top four.

- Quem segura o “Shrek”? Depois de marcar dois gols no inesquecível empate de 3 x 3 contra o Chelsea, Rooney voltou a fazer um double e foi essencial para o seu Manchester United vencer o clássico contra o Liverpool por 2 x 1. Os 37 títulos ingleses que possuem juntos fazem qualquer previsão de tensão e nervosismo antes de um duelo entre Liverpool e United uma redundância. Porém, este, em particular, tinha uma boa dose de pimenta a mais, devido ao reencontro entre o lateral do United Evra e o atacante do Liverpool Luís Suárez, protagonistas do recente caso de racismo que resultou em oito jogos de suspensão para o uruguaio. Como se não bastasse todo o sensacionalismo pré-jogo sobre a relação entre ambos os ótimos jogadores, Suárez decidiu não apertar a mão de Evra no tradicional cumprimento antes do apito inicial. A tensão no clássico triplicou, mas não o suficiente para tirar o cada vez mais letal Wayne Rooney do foco. Pior para o Liverpool e para o desequilibrado autor do gol de honra, Suárez, que teve que ver Evra comemorar efusivamente após o apito final.


- Quatro rodadas seguidas sem vitórias – três derrotas e um empate com o desesperado Bolton – poderiam fazer o Arsenal dar adeus ao objetivo de terminar no top four. Porém, nada como um fim de semana após o outro. No sábado passado, os “Gunners” atropelaram, sem o mínimo de piedade, o Blackburn por 7 x 1. Se a goleada começou a colocar um sorriso no rosto do torcedor do Arsenal, a 25ª rodada fez mais alguns dentes ficarem à mostra. E não foi só pela suada vitória por 2 x 1 sobre o Sunderland do Martin O’Neill. Foi por este triunfo ter sido conquistado com um gol do ídolo Thierry Henry e, principalmente, pelo fato de Liverpool, Chelsea e Newcastle, rivais diretos na briga pela vaga na Champions League, terem sido derrotados. Os “Reds” perderam o clássico para o United, como vimos linhas acima, os “Blues” sucumbiram diante do Everton e os “Magpies” foram destroçados pelo inspirado Adebayor e companhia do Tottenham.


- No último confronto da 25ª rodada, o Manchester City teve uma atuação apenas razoável, mas que foi suficiente para vencer o frágil Aston Villa por 1 x 0 – gol do zagueiro Lescott – e para se manter como líder isolado. Na 15ª colocação, o Villa ainda se encontra relativamente distante da zona da degola, mas se continuar com o pífio desempenho como mandante – não vence em casa há sete jogos – os torcedores do clube, dentre eles os lendários metaleiros da banda Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler, terão um dramático fim de campeonato.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - 6ª RODADA - VASCO X FLUMINENSE





RESULTADOS


Grupo A

Olaria 0 x 1 Macaé

Botafogo 4 x 1 Bonsucesso

Resende 2 x 1 Madureira

Flamengo 2 x 0 Nova Iguaçu

Grupo B

Boavista 4 x 2 Bangu

Americano 0 x 1 Friburguense

Duque de Caxias 1 x 3 Volta Redonda

Vasco 2 x 1 Fluminense


ARTILHARIA

7 Gols – Rômulo (Friburguense)

6 Gols – Somália (Boavista)

5 Gols – Alecsandro (Vasco) e Loco Abreu (Botafogo)


Vasco 2 x 1 Fluminense – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Com dois gols do “Artilheiro da Careta” Alecsandro, o Vasco superou um péssimo 1º tempo de sua parte, venceu o Fluminense de virada e, de quebra, garantiu a classificação para a fase semi final da Taça GB.

Talvez pelos gritos de “burro” após a derrota para o Nacional, talvez pelas críticas da imprensa pela escalação contra os uruguaios, Cristóvão Borges mandou a campo um Vasco bem diferente do que o de costume e organizado no 4-2-2-2 com: Fernando Prass; Fagner, Dedé, Rodolfo e Thiago Feltri; Nilton e Felipe; Chaparro e Bernardo; Diego Souza e Alecsandro. Com a obrigação dos três pontos, após as vitórias de Boavista e Volta Redonda, o Fluminense foi para o clássico com um potente quarteto ofensivo e esquematizado pelo Abel Braga no 4-2-3-1 com: Diego Cavalieri; Bruno, Leandro Euzébio, Anderson e Carlinhos; Diguinho e Edinho; Thiago Neves, Deco e Rafael Sóbis; Fred.

Defendo a teoria de que uma partida de futebol moderno é dividida em quatro estruturas igualmente relevantes: técnica, física, tática e psicológica. E é na parte tática que se encontra a explicação para a superioridade tricolor no 1º tempo do clássico diante do Vasco. Sabedor de que a grande força ofensiva do rival neste início de 2012 são os avanços do Fágner, Abel Braga incumbiu Rafael Sóbis de ajudar o Carlinhos na marcação do lateral-direito vascaíno e, durante toda a 1ª etapa, o Vasco nada produziu pela direita. Outro ponto tático onde o Flu atropelou o rival, na etapa inicial, se encontra no setor de meio-campo. Deco e Thiago Neves em nenhum momento receberam a marcação devida por parte dos volantes vascaínos Nílton e Felipe. O resultado desta liberdade: Deco distribuiu passes com enorme facilidade, comandou a meiúca e deu linda assistência para Thiago Neves marcar seu primeiro gol no retorno ao Flu.

Porém, de uma maneira que surpreendeu a todos que acompanharam o clássico, o Fluminense voltou para a 2ª etapa com a mesma falta de pegada e ímpeto apresentada no duelo contra o Arsenal (ARG), pela Libertadores. Assim, o Vasco, com o atrevido mas ainda frágil fisicamente William Barbio no lugar do apagado Chaparro, ganhou o controle total do jogo. Felipe e Nílton não tinham mais preocupações defensivas, tamanha a sonolência do Flu, e, o principal, sobrou espaço para o Fagner jogar. Em sua primeira arrancada na partida, Fagner, melhor jogador da Taça GB até o momento, colocou Alecsandro em ótimas condições para igualar o escore. O gol fez um bem danado ao Cruzmaltino, que se aproveitou do nervosismo tricolor com a arbitragem e com o número de faltas sofridas – olha aí a estrutura psicológica! Aos 33 minutos, Alecsandro, que, minutos antes, havia perdido uma oportunidade na pequena área em magistral defesa de Cavalieri, virou o placar com uma cabeçada como manda o figurino.

Nos minutos finais, com uma formação ofensiva que era um bando, totalmente diferente da que havia iniciado a partida, o Fluminense conseguiu apenas ver Edinho e Fred serem expulsos. Agora, o Flu tem que vencer seus próximos dois desafios (Americano e Bangu) além de torcer contra os rivais à frente na tabela. Ou a crise chegará às Laranjeiras.


JOGADA RÁPIDA!

Diferente de 2010, quando estreou com os dois gols da vitória rubro-negra sobre o Bangu, Vagner Love não deixou sua marca no 2 x 0 do Fla sobre o Nova Iguaçu. No entanto, credito ao “Artilheiro do Amor” a maior disposição e vontade do Flamengo na partida em comparação à pífia atuação da última rodada, diante do Madureira. Love é daqueles que eleva – e muito! – o astral de um elenco e o Mengo tem muito a ganhar com sua presença.


PELO BRASIL AFORA!

Há tempos que um Ba-Vi não despertava tanto a atenção do futebol brasileiro, mas é impossível ficar indiferente a um duelo de técnicos entre Falcão e Toninho Cerezo. Grandes expoentes do chamado Futebol-Arte quando dentro da cancha, Falcão, pelo Tricolor, e Cerezo, pelo Rubro-Negro, podem fazer muito bem ao futebol baiano. Apesar de o Ba-Vi ter terminado com o placar mudo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PELÉ VOLTA A SER HOMENAGEADO. FORA DO BRASIL, É CLARO.

Poucas coisas no mundo do futebol me deixam tão feliz quanto ver Pelé ser homenageado. E poucas me deixam tão triste quanto saber que raramente estas homenagens ocorrem em solo brasileiro.

Sem hipérboles, minha opinião é a de que Pelé deveria ser estudado nas escolas. Por que estudar os grandes escritores, poetas, músicos, políticos, generais e não Pelé? Por que todos aprendemos, quando crianças, a importância de Carmem Miranda na divulgação da imagem brasileira nos Estados Unidos e não nos ensinaram o mesmo sobre Pelé, o filho de nossa terra mais conhecido no planeta? Os amigos acreditam que em uma viagem recente que fiz para o México, um taxista fanático pelo futebol canarinho me pediu um autógrafo só pelo fato de eu ser brasileiro? E é óbvio que muito deste fanatismo do taxista Pedro se deve ao espetáculo proporcionado por Pelé e cia, na Copa do Mundo de 1970.

Pois bem, enquanto, por aqui, muitos praticam o “Pelé calado é um poeta”, como uma vez disse o Romário, o mundo continua a exaltar a imagem deste inigualável esportista. Desta vez, foi o distante Gabão, sede da atual Copa Africana de Nações, que decidiu agradecer ao Rei do Futebol. Primeiro, no duelo entre Mali e Costa do Marfim, Pelé foi aplaudido por todo o Stade de l'Amitié, em uma cena emocionante. Depois, neste mesmo estádio, ao lado do Presidente do Gabão, Omar Bongo Ondimba, o Rei foi homenageado com um portentoso busto.

Com o peito cheio de felicidade dou os parabéns ao Pelé por mais este reconhecimento. Sei que não foi o primeiro e nem será o último em sua vida. Infelizmente, também sei que os próximos dificilmente serão no Brasil.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

CAMPEONATO CARIOCA 2012 - TAÇA GUANABARA - 5ª RODADA - FLAMENGO X MADUREIRA

Flamengo 1 x 0 Madureira – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Com um futebol abaixo da crítica o Flamengo venceu o Madureira por 1 x 0, resultado que o mantém na 3ª colocação do grupo A, fora da zona de classificação para a fase semi final.

Em sua (re)estreia no comando do Flamengo, Joel Santana preferiu manter a base montada por Luxemburgo e escalou o Flamengo no 4-3-1-2 com: Felipe; Léo Moura, Welinton, David Braz e Junior Cesar; Luiz Antônio, Maldonado e Renato; Bottinelli; Ronaldinho e Deivid. Com apenas quatros pontos e na luta para sair das últimas posições do grupo A, o Madureira foi para o jogo organizado pelo Luiz Cláudio no 4-2-3-1 com: Márcio; Wellington Junior, Zé Carlos, Thiago Medeiros e Bill; Gílson e Michel Santos; Maciel, Rodrigo e Alex Silva; Dinei.

A chegada de um novo treinador faz os jogadores correrem em dobro para mostrar serviço ao comandante, certo? Algumas vezes, sim. Neste retorno de Joel Santana ao Flamengo, não. Um avanço do Bottinelli e duas finalizações do Deivid, uma delas de bicicleta, foi tudo – e muito pouco – que o sonolento Fla conseguiu na 1ª etapa. Percebendo que o adversário não era um bicho nem de duas cabeças, o Madureira se apresentou no campo de ataque e, se não foi capaz de arquitetar jogadas de elevado nível, assustou o goleiro Felipe em três chutes longos, dois com o Wellington Junior e um com o Bill.

Após o intervalo, não seria nenhum exagero se o Flamengo voltasse com pijamas no lugar de uniformes. E o desinteresse rubro-negro na partida foi ainda maior após conseguir abrir o placar, aos 6 minutos, com um gol contra do zagueiro Thiago Medeiros em jogada de Renato. Mesmo com todas as suas limitações técnicas, o Madureira, até o apito final, alçou bolas dentro da área flamenguista, mas a ausência de um centroavante com características de jogo aéreo fez com que o Tricolor Suburbano nada conseguisse. O símbolo da atuação rubro-negra: o pênalti à la Brasil na última Copa América que Ronaldinho cobrou, aos 34 minutos da 2ª etapa. Seria culpa de sua conjuntivite?

Pelo que mostrou nos 90 minutos do confronto, tudo que o Flamengo mais queria era que o jogo fosse em uma altitude de quatro mil metros ou sob um sol de 40 graus, para, assim, ter uma desculpa para a falta de ganância e de impetuosidade.

JOGADA RÁPIDA!

Que negócio é esse de o Botafogo marcar cinco gols contra o Olaria e não comemorar nenhum deles???

COPA LIBERTADORES 2012 - FASE DE GRUPOS - VASCO X NACIONAL

Vasco 1 x 2 Nacional (URU) – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Diante de um forte Nacional, o Vasco deixou litros e mais litros de suor no gramado de São Januário, mas não teve bola suficiente para evitar um estreia com derrota na Libertadores 2012.

De volta ao principal torneio do continente após mais de uma década, o Vasco adentrou o lotado estádio de São Januário com a dupla Felipe / Juninho, conhecedora dos segredos da competição, e escalado pelo Cristóvão Borges no 4-2-2-2 com: Fernando Prass; Max, Dedé, Rodolfo e Thiago Feltri; Nilton e Eduardo Costa; Juninho Pernambucano e Felipe; Diego Souza e Alecsandro. Pelo lado do Multi-Campeão Nacional, o habilidoso ex-meia argentino e atual treinador Gallardo organizou a equipe no 4-4-2 com: Burián; Nuñez, Scotti, Rolin e Placente; Romeiro, Da Monte, Calzada e Cabrera; Viúdez e Sánchez.

O Vasco não estava diante de “apenas” um Tri Campeão da Libertadores. O Vasco enfrentava um Tri Campeão do Mundo, um dos clubes mais tradicionais do planeta. Mas caso o amigo seja daqueles que acha que camisa e história não pesam, o atual onze do Nacional também impõe respeito. Desde o apito inicial, os uruguaios pareciam estar num daqueles amistosos de fim de ano e não em um pulsante São Januário, tamanha a tranquilidade com que viviam o duelo. Se a ideia do Vasco era aproveitar o apoio da torcida e pressionar nos primeiros minutos, o insucesso nesta tarefa foi enorme, pois a primeira – e única – boa trama ofensiva cruzmaltina na etapa foi somente aos 22 minutos. Enquanto isso, os uruguaios davam uma aula de posicionamento e, em alguns momentos, pareciam ter até um homem a mais em campo. Com espaços para jogar, a qualidade de nomes como Cabrera, Sánchez e, principalmente, Viúdez, o camisa 10, prevaleceu e o Nacional abriu o placar aos 30, em gol contra do Dedé após cobrança de escanteio.

O juiz nem parecia ter acabado de soprar o apito para dar início ao 2º tempo e o Nacional chegava ao seu segundo gol: Rodolfo errou na saída e o infernal Viúdez cruzou para Sánchez sacudir o filó. E a dobradinha Viúdez / Sánchez por pouco não voltou a ser fatal segundos depois. O Vasco precisava botar o dedo na tomada. A torcida pedia Bernardo, mas Cristóvão colocou Tenório no lugar do sumido Felipe. O equatoriano é daqueles que marca pressão até sozinho, e melhorou o Cruzmaltino, que, com predomínio da vontade sobre a organização, se fez mais presente no campo de ataque. A desorganização era tamanha que Nilton centralizava as ações ofensivas da equipe. O combustível para buscar a igualdade veio aos 28 minutos, em jogada de Diego Souza e Juninho finalizada por Alecsandro. Porém, apesar da admirável entrega, o máximo que o Vasco conseguiu foi um gol irregular do Tenório, bem anulado pela arbitragem. Abro um parêntese para elogiar a impecável atuação defensiva do zagueiro uruguaio Rolin, essencial para o triunfo de sua equipe.

Na próxima rodada, só lá em março, o Vasco, novamente em São Januário, tem a obrigação de vencer o Alianza Lima (PER). Não é bom ter obrigações cedo em uma Libertadores, mas o difícil grupo vascaíno não permite duas derrotas seguidas em casa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

GÊNIOS DAS PALAVRAS - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


FUTEBOL


Futebol se joga no estádio?

Futebol se joga na praia,

futebol se joga na rua,

futebol se joga na alma.

A bola é a mesma: forma sacra

para craques e pernas-de-pau.

Mesma a volúpia de chutar

na delirante copa-mundo

ou no árido espaço do morro.

São vôos de estátuas súbitas,

desenhos feéricos, bailados

de pés e troncos entrançados.

Instantes lúdicos: flutua

o jogador, gravado no ar

- afinal, o corpo triunfante

da triste lei da gravidade.


Carlos Drummond de Andrade