sexta-feira, 31 de agosto de 2012

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS
















Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha,Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

UMA IMAGEM



















Fla-Flu com um tempero adicional: um dilúvio digno de Noé e sua arca.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

FIGURINHA CARIMBADA - ZAGUE




















Nome José Luís Alves dos Santos
Data de nascimento 10 de agosto de 1934
Posição Centroavante

Clubes:
Botafogo (BA) – até 1956
Corinthians – 1956 a 1961
Santos – 1961
América (MEX) – 1961 a 1970
Veracruz (MEX) – 1970 a 1971

Títulos:
Copa México – América – 62/63 e 63/64
Liga Mexicana – América – 65/66

Destaques:

- Um dos grande celeiros de craques do nosso futebol é a Bahia. Foi lá, na “Terra de Todos os Santos” que o menino José Alves começou a se tornar amigo da bola e ganhou o apelido que carregaria por toda a vida: Zague. O apelido tem origem na criatividade de uma de suas tias, que sempre o via correr em zigue-zague pelas areias das praias de Salvador. Zague já não era mais criança quando começou a marcar gols pelo Botafogo-BA, gols estes que o levariam para o Corinthians, em 1956.

- No “Timão”, Zague teve aquilo que pode se chamar, sem tirar nem por, de estreia perfeita. Em plena Vila Belmiro, o jovem de 22 anos não tomou conhecimento do Santos, colocou dois “peixes na rede” – como diria o saudoso locutor Waldir Amaral – e ajudou seu Corinthians a golear por quatro a zero. O tempo mostraria que estes seriam somente os primeiros dois de mais de cem gols com a camisa corintiana, número que o coloca na seleta lista de 17 artilheiros centenários do clube.

- Depois de uma rápida passagem pelo Santos, onde atuou ao lado do “Rei” Pelé, Zague aportou no México em 1961, para vestir o uniforme do América. Amigos, é bem provável que nem o próprio centroavante imaginasse o sucesso que lhe esperava. Com um futebol aguerrido, letal e, claro, muitos gols, Zague não tardou a se tornar um ídolo azulcrema. Devido ao seu posicionamento sempre à frente dos seus companheiros de ataque, a espera da redonda que, invariavelmente, ele empurraria para o fundo do barbante, Zague recebeu dos mexicanos o apelido de “Lobo Solitário”. Ao final de sua passagem pelo América, o saldo era de encher os olhos. Zague se tornara o maior goleador estrangeiro da história do clube – novamente com mais de cem gols marcados – e conquistara duas Copas e uma Liga Mexicana, esta, tão importante, que é merecedora de um capítulo à parte nos livros sobre o América.

- A importância do título da Liga na temporada 65/66 se dá pelo fato de ter sido o primeiro do América na era profissional do futebol mexicano (iniciada em 1943) e por ter colocado fim a uma fila de 37 anos. E esta foi uma conquista com tempero brasileiro, já que, além de Zague, artilheiro do torneio com 20 tentos anotados, o América contava com o Bicampeão Mundial Vavá, o autor do primeiro gol do Estádio Azteca, Arlindo, e o canhoto habilidoso Moacyr.

- A ligação de Zague com o América foi tão intensa que passou para o seu filho, Luís Roberto Alves. Zaguinho, como previsivelmente ficou conhecido, deu continuação ao trabalho do pai de maneira irretocável e acabou por se tornar, simplesmente, o maior artilheiro da história do América (209 gols). Mexicano de nascimento, Zaguinho disputou, entre muitas competição com “La Verde”, a Copa do Mundo de 1994.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

BATE-PAPO COM CARLOS ROBERTO, CRAQUE DO BOTAFOGO NOS ANOS 60 E 70


Um encontro com Carlos Roberto, meio-campista botafoguense no inesquecível time do final dos anos 60 e, atualmente, treinador, rendeu um precioso bate-papo, onde o craque comentou momentos-chave de sua carreira dentro das quatro linhas. Espero que os amigos aproveitem...

Os treinos nas categorias de base nos anos 60, quando o preparo físico ganha espaço e relevância.
Depois da Copa do Mundo de 1966 o futebol mudou muito, virou o “futebol força”. Para nós, brasileiros, porém, foi uma maravilha, pois conseguimos aliar a habilidade à força. Ficamos com uma condição física mais evoluída sem abdicar das qualidades técnicas. Hoje em dia, não vemos mais isso, e sim a pura força física, o que é ruim para o futebol brasileiro. O DNA do nosso futebol é a ginga, a malícia, a alegria, sem deixar de ser competitivo.

A mescla da experiência e da prata-da-casa para formar um grande esquadrão.
Aquele time do Botafogo, Campeão da Taça Brasil de 1968, Bicampeão da Taça Guanabara 67/68, Bicampeão Carioca 67/68, e que excursionava sempre, foi todo formado na escolinha, nas divisões de base do clube. A espinha dorsal do time tinha o Manga no gol, o Leônidas na zaga e o Gérson, que viera do Flamengo. Os demais eram jogadores feitos no próprio clube.

Gérson, Roberto Miranda, Paulo Cézar Caju, Jairzinho, Rogério... os craques do ataque ajudavam na marcação ou você corria por eles?
Quando falamos em time, falamos do entendimento entre defesa, meio-campo e ataque. Apesar de grandes jogadores, existia também muito entrosamento, que permitia um futebol que sabia a hora de defender e de atacar, sem deixar de ser vistoso e bonito, como fazia o Botafogo daquela época.

Ausência na Copa do Mundo de 1970
Era um parte da Seleção Brasileiro no ano de 1968. Depois, quando o Zagallo assumiu o cargo de treinadores, pensei que estaria dentro da lista. Porém, tive uma contusão a um mês da Copa do Mundo que me atrapalhou bastante. Fiquei na expectativa, entrei na relação inicial de 40 nomes, mas não aconteceu. Mas o Brasil foi muito bem representado pelo Piazza, que depois foi para a zaga, e pelo Clodoaldo.

A chegada ao Santos, em 1976, pós-Era Pelé
A saída do Pelé do Santos foi o divisor de águas. Todos sentiram muito, os torcedores, os diretores, e a confiança de alguns ficou abalada. Não a minha, pois estava de chegada do Rio de Janeiro, mas, apesar de bons nomes (Clodoaldo e Aílton Lira, por exemplo), não peguei uma fase boa. A cobrança era muito pesada e alguns jogadores não suportaram. 

domingo, 26 de agosto de 2012

OLHO TÁTICO - BAYERN DE MUNIQUE - BUNDESLIGA 2012/2013 - 1ª RODADA

















Para o duelo contra o estreante na Bundesliga, torneio que chega a sua 50ª edição, Greuther Fürth, o Bayern de Munique apresentou um esquema tático sem novidades em relação à última temporada, quando se sagrou vice-campeão da Champions League. Em outras palavras, os bávaros foram organizados pelo treinador Jupp Heynckes no 4-2-3-1. No entanto, causou estranheza o posicionamento do holandês Robben como meia aberto pela esquerda, o que lhe impedia de realizar sua jogada característica, o corte para dentro e o arremate de canhota.

Diante de um time que se defendeu praticamente os 90 minutos, pode-se dizer que o Bayern teve uma atuação modestíssima, apesar do placar de 3 a 0, fora de casa. A chamada “vitória de respeito”. Principalmente no 1º tempo, quando o Fürth conseguiu se proteger com mais energia, os bávaros foram de uma lentidão sonífera e pareciam engessados em campo. Nada de avanço dos laterais, dos volantes, de passes verticais, de tramas em velocidade, de tabelinhas... A única ação que gerava certa movimentação na estática equipe era quando Robben saía da esquerda para buscar espaço no seu lado natural, o direito.

O gol do Müller, nascido de bola parada, no finzinho do 1º tempo, se mostrou essencial para diminuir o ímpeto defensivo do adversário, que, até então, acreditava ferrenhamente na possibilidade de escutar o apito final com um empate mudo. Assim, nos últimos 45 minutos, Robben conseguiu encontrar mais liberdade para sua habilidade e, em dois lances seus, o Bayern deu números finais ao confronto. Primeiro, o holandês finalizou e o croata Mandzukic aproveitou o rebote e, depois, ele cruzou a pelota que desviou no zagueiro adversário e morreu no fundo do barbante.

Acerca dos brasileiros em campo, Luiz Gustavo poderia ter sido muito mais dinâmico e participativo ofensivamente, já que quase não teve trabalho para exercer sua função de proteção, enquanto o zagueiro Dante merece destaque pela bela cabeçada que gerou o rebote para Müller abrir o placar.  

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

UMA IMAGEM













Hoje, o Time do Céu ganhou um baita reforço. Descanse em paz, Tricampeão Félix!

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

PARABÉNS PELO CENTENÁRIO E MUITO OBRIGADO, NELSON RODRIGUES!


Existem momentos no qual o futebol transcende, e seus ramos brotam por outras áreas de nossa vida, não como algo secundário, mas como protagonista. Muitas destas vezes devido à política e outras tantas à guerras, mas houve um homem que precisou apenas de palavras para tornar o futebol um universo sem fim. O que os seus olhos enxergavam dentro e ao redor das quatro linhas nenhum outro alcançou, e, muito provavelmente, jamais alcançará. Este homem, este patrimônio nacional, esta lenda, Nelson Rodrigues, comemoraria, hoje, 100 anos, caso ainda tivéssemos o imensurável prazer de tê-lo entre nós.

O futebol era muito mais futebol nas crônicas de Nelson Rodrigues. O “complexo de vira-latas”, que, até Pelé, Garrincha e brilhante companhia, na Suécia, em 1958, não deixava nós, brasileiros, nos sentirmos em pé de igualdade com os europeus, é de uma grandeza sociológica que só os especiais são capazes de criar. Assim como o “Sobrenatural de Almeida”, uma obra-prima da relação entre misticismo e esporte, que faz até o mais cético dos céticos pensar duas vezes antes de desprezar sua existência.

Por sorte do futebol brasileiro, Nelson Rodrigues amava este esporte e lhe emprestava toda sua genialidade. Sem suas palavras, nossos craques e clubes, a Seleção Brasileira e até mesmo nós, os torcedores, seriam menores. Sabe quando algum inconveniente surge do nada, em um momento onde sua empolgação está no ápice, e diz: “Mas porque você gosta disso? São apenas homens correndo atrás da bola”. Pois, bem, amigos, graças a Nelson Rodrigues, o futebol se tornou muito – mas muito! – maior do que isso.

Muito obrigado, Nelson Rodrigues, e Parabéns!

COPA SUL-AMERICANA 2012 - FASE NACIONAL - BOTAFOGO X PALMEIRAS



Botafogo 3 x 1 Palmeiras – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)


Botafogo luta até o apito final, marca três vezes, mas sofre o temido gol fora de casa e é eliminado da Sul-Americana pelo Palmeiras.

Com a necessidade de levantar o véu da noiva para conseguir a classificação, Oswaldo de Oliveira resolveu apostar no esquema 3-5-2 e escalou o Botafogo com: Jefferson; Brinner, Antônio Carlos e Fábio Ferreira; Lucas, Andrezinho, Renato, Seedorf e Lima; Elkeson e Rafael Marques. Repleto de desfalques, Valdívia e Marcos Assunção eram dois deles, o Palmeiras foi para o jogo esquematizado pelo Felipão no 3-4-1-2 com: Bruno; Román, Leandro Amaro e Maurício Ramos; Patrick, João Vítor, Henrique e Juninho; Mazinho, Obina e Barcos.


Na maior parte da 1ª etapa, o Botafogo ficou encaixotado no esquema defensivo organizado pelo Felipão e bem desempenhado pelo onze alviverde. O trio de zagueiros palestrino praticamente não trabalhou, pois a linha de quatro, postada exatamente a sua frente, bloqueava qualquer tentativa ofensiva do Fogo, que conseguia apenas trocar passes laterais. E mais, quando o Alvinegro tinha a chance de alçar a pelota parada na área, Barcos e Obina afastavam o perigo. Quando o relógio se aproximava do minuto 30, as tramas criativas deram o ar da graça. Barcos quase marcou um golaço de fora da área, o Fogão abriu o placar com Seedorf, livre, leve e solto, a completar jogada de Andrezinho e de um impedido Lucas, Obina levou perigo de bicicleta e, ainda antes do intervalo, Patrick igualou o escore após receber bola redondinha do categoria pura Barcos.

Não ocorreu nenhuma alteração no intervalo. De jogadores, pois a atitude botafoguense foi totalmente diferente, uma atitude digna de quem precisava de três gols para se classificar. Apesar de a grande maioria de suas ações ofensivas terminarem com a bola cruzada na área rival, o Fogo conseguiu dois gols em jogadas mais bem trabalhadas e que encontraram brechas na então sólida defesa rival. Primeiro com Renato, cheio de classe, depois com Lodeiro, a finalizar contra-ataque de manual. Entre ambos os gols, Elkeson ainda acertaria, de cuca, o poste. Com sua vaca a caminho do brejo, o Palmeiras tentou dar o golpe letal em finalizações de Mazinho e Barcos, porém logo a pressão botafoguense se retomaria a intensidade. De toda e qualquer maneira o “Glorioso” buscava o heroico tento, enquanto dez jogadores alviverdes apontavam o nariz para o “Pirata” Barcos e chutavam a gorducha nesta direção.

Este foi o cenário do embate até o apito final, que chegou para carimbar o passaporte do Palmeiras para a fase internacional da Copa Sul-Americana e dar mais um triunfo em mata-mata para o expert Luiz Felipe Scolari, que entende como poucos do assunto. 

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

UMA IMAGEM













Parabéns, “Gigante da Colina”, pelos 114 anos fazendo sua imensa torcida bem feliz!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

OLHO TÁTICO - CHELSEA - PREMIER LEAGUE 2012/2013 - 1ª RODADA
















Seis minutos avassaladores e oitenta e quatro em modo pré-temporada. Assim foi a primeira partida do Chelsea na Premier League 2012/2013, que terminou em vitória por 2 a 0 sobre o Wigan, fora de casa. Com um minutinho, o belga Hazard, estrela maior do Campeonato Francês nas últimas duas temporadas, pelo Lille, arrancou no meio-campo e deixou Ivanovic em ótimas condições para marcar. Menos de cinco minutos depois, o mesmo Hazard sofreu pênalti que Lampard converteu para, cedo, cedo, dar números finais ao confronto.

Organizado no cada dia mais comum 4-2-3-1, os “Blues” poderiam e deveriam ter sido mais efetivos ofensivamente e defensivamente. Fernando Torres ficou isolado no centro do ataque e raramente teve a companhia dos homens que compunham o trio de meias. Uma outra alternativa de ataque seria a aparição de elementos das linhas mais recuadas, como fez Ivanovic no tento inaugural. Porém, o volante Lampard e o lateral-esquerdo Ashley Cole devem ter achado que existia um pedágio para atravessar a linha central e não visitaram o campo de adversário durante toda a partida.

Quando o assunto é retaguarda, o Chelsea também esteve longe de ser uma maravilha, pois nem mesmo o fato de ter adotado uma postura mais recuada após os gols iniciais impediu o Wigan de criar oportunidades ofensivas: foram nove bons momentos de ataque dos donos da casa, com destaque para o perigoso nigeriano Moses. Nenhuma terminou em bola na rede, é verdade, mas nem por isso se pode dizer que o Chelsea teve uma sólida atuação defensiva.

Aos 18 minutos do 2º tempo, Hazard foi substituído por Oscar, que entrou pelo centro do trio ofensivo. Mata foi jogar aberto pela direita até dar lugar a Raúl Meireles, aos 37 minutos. Dentro do marasmo que era a apresentação azul, Oscar mostrou bom toque de bola e conseguiu um perigoso chute cruzado. Mesmo com o retorno de Ramires, que esteve ausente por motivos de saúde, Oscar tem totais condições de abocanhar uma vaga de titular no onze do Roberto Di Matteo. Principalmente como meio-campo ofensivo pelo centro, com liberdade para encostar no centroavante e nos meias abertos. 


domingo, 19 de agosto de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 18ª RODADA - FLAMENGO X VASCO









RESULTADOS
Náutico 1 x 0 Bahia
Fluminense 1 x 0 Sport
São Paulo 3 x 0 Ponte Preta
Santos 3 x 2 Corinthians
Atlético Mineiro 3 x 2 Botafogo
Coritiba 4 x 0 Cruzeiro
Grêmio 4 x 0 Figueirense
Portuguesa 0 x 1 Internacional
Flamengo 1 x 0 Vasco
Atlético Goianiense 1 x 1 Palmeiras


ARTILHARIA
9 Gols
Vagner Love (Flamengo)
Fred (Fluminense)
8 Gols
Alecsandro (Vasco)
7 Gols
Andrezinho (Botafogo)
Barcos (Palmeiras)
Luís Fabiano (São Paulo)
Roger (Ponte Preta)
Wellington Paulista (Cruzeiro)


Flamengo 1 x 0 Vasco – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Decisivo outra vez, Love dá vitória ao Flamengo num “Clássico dos Milhões” no qual a raça e a vontade deixaram a qualidade técnica em segundo plano.

Com a volta da dupla gringa González e Cáceres, o treinador Dorival Júnior contou com força máxima e organizou o Flamengo no 4-3-3 com: Felipe; Léo Moura, Welinton, González e Ramón; Cáceres, Luiz Antônio e Renato; Negueba e Thomás e Vagner Love. No Vasco, os retornos ficaram por conta de Dedé e Eder Luis, e Cristóvão Borges optou pelo 4-3-3 com: Fernando Prass; Auremir, Dedé, Douglas e William Matheus; Nílton, Juninho Pernambucano e Wendel; Eder Luis, Felipe e Alecsandro.

Tanto pelo lado flamenguista quanto pelo vascaíno, a disposição deu o tom das atuações na 1ª etapa do clássico. As opções de velocidade com Thomás, Negueba e Eder Luis e as de passe qualificado com Renato, Juninho Pernambucano e Felipe passaram 30 minutos sendo duramente combatidas pelo suor de ambos os lados. Somente depois da primeira meia hora de duelo que o Vasco, com duas de suas fortes armas, a bola parada do Juninho e o passe macio do Felipe, conseguiu dar trabalho ao arqueiro Felipe. Contudo, foi o torcedor rubro-negro que soltou o grito de goooooooooooool, quando Ramón, exitoso em praticamente todos os embates os contra Eder Luis, arrancou sozinho, arrematou de fora da área e Fernando Prass falhou feio ao rebater a redonda nos pés de Vagner Love. O relógio marcava 38 minutos, e o placar um a zero Fla.

Os primeiros minutos pós-intervalo foram suficientes para deixar claro o cenário da 2ª etapa: o Vasco com iniciativa ofensiva e o Flamengo a marcar forte e esperar a brecha para o contra-golpe. Aconteceu que os cruz-maltinos não tinham padrão, atacavam como um bando, alçavam bolas na área de qualquer maneira e arriscava uns chutes longos sem a mínima direção, enquanto os rubro-negros eram bem sucedidos no quesito defensivo, mas não conseguiam o contra-ataque letal. O panorama veio a mudar aos 23 minutos, depois da entrada de Adryan no lugar do Thomás. Com Adryan em campo, as saídas em velocidade flamenguistas se tornaram mais bem qualificadas e o clube da Gávea esteve mais perto do segundo gol do que o de São Januário do empate. Que o diga a surreal oportunidade desperdiçada pelo Léo Moura, quase dentro da meta vascaína.

Depois de vitórias, digamos, obrigatórias, contra Figueirense e Náutico, enfim o Flamengo de Dorival conseguiu um triunfo “de respeito”. Triunfo este que anima ainda mais o novo Fla. Por outro lado, o terceiro jogo seguido sem um resultado positivo não pode ser sinônimo de terremoto na Colina.


CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO!

- O Fluminense faz uma campanha digna de John McClane, inesquecível personagem interpretado por Bruce Willis na série Duro de Matar. Não interessa o número de desfalques, cinco, seis, sete, oito... o Fluminense segue firme, forte e vitorioso na zona nobre da tabela. Qualquer dia desses o Tricolor vai entrar em campo com apenas dez jogadores. E sairá com os três pontos.

- Que jogo! Que jogão! Duro, pegado, brigado, disputado e, paradoxalmente, com jogadas de grande categoria. Assim foi o duelo de alvinegros entre Atlético Mineiro e Botafogo que ao final do ano estará entre os candidatos a melhor jogo do campeonato. E, cá entre nós, amigos, dava até para ver o sorriso da bola quando os pés de Ronaldinho e de Seedorf a amansavam.

- Neymar e Lucas não precisaram nem de uma semana para mostrar como Santos e São Paulo, respectivamente, foram prejudicados pelas Olimpíadas. 

sábado, 18 de agosto de 2012

FUTEBOL É ARTE


Um dos grandes artistas franceses, André Lhote teve os mais diversos contatos com a arte: pintor, escultor, palestrante, escritor, professor... Seu nome sempre vem à mente quando o assunto é o Cubismo, já que Lhote fez parte do Section d’Or – grupo de notáveis artistas e críticos cubistas – e suas pinturas estão entre as referências do movimento. Esta, exposta no FUTEBOLA, chamada Futebol, é uma delas. Como curiosidade, esta obra pertenceu durante muitos anos à família Mário de Andrade.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

BATE-PAPO COM O CRAQUE-CIGANO ELÓI


Campeão do Mundo e Europeu, Bola de Prata em 1981, época onde nossos maiores craques ainda jogavam por aqui, integrante de times inesquecíveis do América e do Ceará, passagens por gigantes como Botafogo, Fluminense, Vasco, Internacional, Santos. Este é o craque Elói, que nas linhas abaixo conta sua trajetória no futebol para os amigos leitores do FUTEBOLA.  

1) Primeiramente, você poderia contar como foi sua passagem pelas categorias de base, até estrear no profissional do Juventus-SP? Participou de muitos testes em outros times até chegar ao "Moleque Travesso"? Quando teve a certeza de que seria jogador de futebol?

Eu comecei a jogar futebol em Andradina (SP). Na época, não tinha jogos ao vivo na TV e era quase impossível acompanhar um ídolo. Tinha o Rivelino como referência, pois meu pai era corintiano, e na Copa do Mundo de 70, a primeira ao vivo, me apaixonei definitivamente pelo futebol e a sonhar em jogar num time grande do Brasil. Andradina disputava a 3ª Divisão de São Paulo, mas por um amigo, Wilson Periquito, que jogava no Araçatuba, fui indicado para jogar no AEA. Aí, quando o Juventus foi fazer uma partida amistosa contra o AEA, eu joguei muito bem e o treinador Milton Buzzeto me levou para o “Moleque Travesso”. Fui ter a certeza de que seria um jogador conhecido quando comecei a sonhar com situações na carreira como: jogar no Maracanã, receber um prêmio, o Motorádio, que era dado na década de 70 para o melhor jogador em campo, receber a Bola de Prata. E devido a minha aplicação nos treinamentos e com a graça de Deus, consegui uma carreira que para mim foi quase perfeita.

2) Depois de um tempinho na Portuguesa, você chegou ao Internacional de Limeira e, no Brasileiro de 1981, apesar de sua equipe não ter realizado um grande Campeonato, você conquistou o prêmio Bola de Prata da Revista Placar. Quais foram os principais motivos para você ter se destacado tanto neste Brasileirão?

O Inter de Limeira tinha um bom time e contava com um dos melhores meias com quem já joguei, chamado Toinzinho (ex-jogador do Santos). Como eu morava do lado do campo ficava praticando mesmo depois dos treinos acabarem, e este foi o grande segredo.

3) Em 1982, ao lado de grandes nomes como o zagueiro Duílio e o centroavante Luisinho Guerreiro, você conquistou a Torneio dos Campeões e a Taça Rio com o América. Como foi fazer parte de um dos maiores times da história do Ameriquinha?

Era o capitão do Santos e gozava de prestígio no clube e, por isso, me acharam louco quando optei pelo América. Porém, tinha um sonho de jogar no Maracanã e esta era a primeira oportunidade do sonho se realizar. Por sorte minha foi o time mais família que joguei na vida, jogadores sempre juntos com as esposas, com a família, e isso ajudou a ser uma equipe muito unida. Ter sido Campeão em dois campeonatos pelo América foi muito gratificante, pois ficamos na história do clube, além de eu ter sido o capitão e o artilheiro nas competições.

4) O bom futebol do América continuou no Vasco da Gama, onde você atuou por apenas seis meses. Tempo suficiente para realizar um ótimo Brasileirão de 1983 e chamar a atenção do Genoa (ITA). Como foi o curto período no Vasco, ao lado do Roberto Dinamite, e o que faltou para você conseguir desenvolver seu grande futebol na Itália?

Foi um grande orgulho ter jogado no Vasco com um ídolo como o Roberto Dinamite. O presidente, Antônio Soares Calçada, não queria me vender para Itália, mas me falou que seria injusto me segurar, já que os valores, na época, eram insuperáveis para o Brasil. Quando fui para a Itália, iria para o Milan, pois havia feito um torneio espetacular com o Santos, em Milão, contra o próprio Milan, Internazionale, Peñarol... Fiz um gol antológico que deixou o estádio de pé, aplaudindo. Porém, veio uma pedida muito alta do Santos e acabei não vendido na janela seguinte. Aí veio o Genoa, que eu não sabia que era uma equipe que lutava para não cair. Por isso a minha dificuldade de jogar num time sem objetivo nenhum, com jogadores velhos e desinteressados, e o pouco sucesso. Fiz muitos gols por lá, mas, infelizmente, o objetivo não foi alcançado.

5) Em Portugal, com a camisa do Porto, apesar de não ter sido titular absoluto, você conquistou os títulos mais renomados de sua carreira: a Copa dos Campeões da Europa e o Mundial Interclubes de 1987. O que tem para dizer sobre tão importantes conquistas?

O Porto fez um time igual ao Barcelona atual, com a contratação de dois grandes jogadores para cada posição. Foi o melhor time que fiz parte dos 20 clubes que eu tive o prazer de jogar. Era indiscutivelmente superior a todos na época. Acredito que jogamos 65 jogos no ano e perdemos quatro ou cinco. Quanto a não ser titular em todos os jogos, isto é natural na Europa. No Barcelona, por exemplo, três ou quatro jogam sempre e o resto faz um rodízio, coisa que brasileiros não gostam. Brasileiro é fominha e quer jogar todas. Voltei por isso e me arrependi depois, mas valeu.

6) Antes de ir para Portugal, em 1985, você vestiu a camisa do Botafogo. Depois que voltou, já em 1992, atuou pelo Fluminense. Como foram as passagens por estes dois gigantes cariocas?

Por Botafogo e Fluminense tenho lembranças de grandes clássicos no Maracanã e belos gols por ambas as equipes. E jogar no Fluminense me fez acreditar que nunca é tarde para sonhar, pois joguei no Tricolor Carioca com 38 anos.

7) Com quase 40 anos, em 1994, você esteve em campo em todas as partidas da grande campanha vice-campeã do Ceará na Copa do Brasil, onde o "Vovô" eliminou o Palmeiras e o Internacional e vendeu caro a derrota na decisão para o Grêmio. Conte um pouquinho deste inesquecível momento vivido no Ceará e qual o segredo para jogar em alto nível até os 40 anos.

No Ceará vivi uma experiência muito boa, pois antes eu tinha sido artilheiro cearense jogando pelo Fortaleza, com gols espetaculares no Castelão. Pelo Ceará, só não fomos Campeões da Copa do Brasil porque a diretoria era muito amadora e não quis me ouvir. Antes do primeiro jogo decisivo contra o Grêmio, no Castelão, uma quarta-feira, jogaríamos contra o Fortaleza no domingo. Era um jogo importante para o Fortaleza, mas não para nós, e pedi para eles deixarem o time descansar para enfrentar o Grêmio. Resultado: o jogo contra o Fortaleza foi duríssimo, teve quatro expulsões, o Ceará ficou muito desgastado e só conseguiu um empate por 0 a 0 contra o Grêmio, em casa.

8)  Por último, se pudesse escolher um ano como o melhor de sua carreira, qual seria? E por qual motivo?

Na minha vida profissional e amadora no futebol seria injusto escolher um ano de destaque. Todos os meus anos de carreira foram de muita alegria e prazer. Agradeço a Deus por todos os anos da minha vida como jogador de futebol.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 17ª RODADA - PALMEIRAS X FLAMENGO



Palmeiras 1 x 0 Flamengo – Arena Barueri, Barueri (SP)

Em um duelo onde o número de cartões (14!) foi duas vezes maior do que o de bons lances de ataque, Palmeiras vence Flamengo com gol do argentino Barcos.

Para chegar pela primeira vez no campeonato a uma terceira vitória consecutiva, o Flamengo foi organizado pelo Dorival Júnior no 4-3-3 com: Felipe; Léo Moura, Marllon, Welinton e Ramón; Luiz Antônio, Íbson e Renato; Negueba, Thomás e Vagner Love. Na luta por escapar da tenebrosa zona da degola, o Palmeiras foi escalado pelo suspenso Felipão no 4-2-3-1 com: Bruno; Arthur, Maurício Ramos, Thiago Heleno e Juninho; Marcos Assunção e Henrique; Patrick, Valdívia e Mazinho; Barcos.

Os primeiros minutos de jogo mostraram um Palmeiras mais bem postado e presente no campo ofensivo. O Verdão não pressionava o Flamengo – longe disso – mas jogava o suficiente para fazer o Felipe trabalhar em finalizações de Barcos e Valdívia. Estes mesmos primeiros minutos também serviram para o juiz deixar claro o seu critério de amarelar todas as faltas não diplomáticas. Porém, aos 29 minutos, no justo momento em que o Flamengo começava a colocar as manguinhas de fora e equilibrar o duelo, Íbson deixou transparecer uma enorme falta de inteligência, deu um carrinho desnecessário no Valdívia, recebeu o segundo amarelo e foi mais cedo para o chuveiro. Foi a senha para o domínio alviverde se transformar em bola na rede: Patrick armou, Arthur chutou, Felipe falhou e Barcos queimou o filme.

Mazinho, antes do intervalo, e Barcos, por duas vezes, já na 2ª etapa, poderiam ter ampliado a vantagem palestrina e praticamente fechado o caixão rubro-negro. Contudo, como seus arremates não tiveram o endereço certo e o Palmeiras decidiu tirar o pé do acelerador nos últimos trinta minutos, o torcedor flamenguista manteve as esperanças de uma jogada esporádica bem sucedida. Sim, amigos, a jogada teria que ser esporádica, pois se já entrara em campo desfalcado de González e Cáceres, o Fla, ainda em processo inicial de formação tática e técnica, ficou ainda mais sem norte com as entradas de Fernandinho, Deivid e Mattheus. Assim, os minutos finais apresentaram um Flamengo sem ideia de como criar uma trama ofensiva e um Palmeiras doido para o apito final.

Apito final que veio para decretar a magra e valiosa vitória palmeirense, que tira, no mínimo até o fim da rodada, os comandados de Felipão da zona de rebaixamento.


ENQUANTO ISSO NA SUÉCIA...

No lendário – principalmente para os brasileiros – Estádio Rasunda, palco do inesquecível e divisor de águas título mundial de 1958, o Brasil venceu a Suécia em um amistoso com cara de amistoso e sabor de quarta-feira de cinzas pós-carnaval não-lá-essas-coisas. E o placar por três a zero é mais uma munição para os que falam pelas esquinas que “o Brasil sempre faz três gols, menos quando precisa”.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - O JOGO BRUTO DAS COPAS DO MUNDO


Como maior evento esportivo do planeta que o é, a Copa do Mundo merece estar sempre com lugar marcado na lista de leitura daqueles que amam livros e futebol. E uma das obras de grande valor sobre os Mundiais chama-se “O Jogo Bruto das Copas do Mundo”, escrita pelo veterano jornalista Teixeira Heizer, que tem muito – mas, muito! – para contar.















O Jogo Bruto das Copas do Mundo
Autor: Teixeira Heizer
Editora: Mauad X

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

SORTEIO DO LIVRO "HISTÓRIAS DE SANDRO MOREYRA"


Olá, amigos!

Esta semana o FUTEBOLA chega a 900 postagens!!! Além da felicidade imensa que proporciona a este que escreve, esta marca redondinha premiará um leitor do blog o livro “Histórias de Sandro Moreyra”, onde este grande jornalista e amante conta casos futebolísticos de fazer chorar de rir.

Para participar do sorteio é moleza. Basta curtir a página do FUTEBOLA no Facebook.

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- O resultado do sorteio será divulgado dia 23 de agosto de 2012.
- O vencedor receberá o presente em sua casa, através dos correios, desde que more no Brasil. Caso o sorteado seja do exterior, este poderá indicar alguém que more no Brasil para receber o prêmio.

Conto com a participação de vocês!

Boa sorte para todos!

domingo, 12 de agosto de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO - 16ª RODADA - ATLÉTICO MINEIRO X VASCO









RESULTADOS
Santos 2 x 2 Atlético Goianiense
Sport 0 x 1 Figueirense
Bahia 0 x 1 Cruzeiro
Flamengo 2 x 0 Náutico
São Paulo 1 x 2 Grêmio
Internacional 2 x 1 Ponte Preta
Atlético Mineiro 1 x 0 Vasco
Coritiba 1 x 2 Corinthians
Fluminense 1 x 0 Palmeiras
Portuguesa 1 x 1 Botafogo

ARTILHARIA
8 Gols
Vagner Love (Flamengo)
Fred (Fluminense)
Alecsandro (Vasco)
7 Gols
Luís Fabiano (São Paulo)
Roger (Ponte Preta)
6 Gols
Marcelo Moreno (Grêmio)
Wellington Paulista (Cruzeiro)


Atlético Mineiro 1 x 0 Vasco – Independência, Belo Horizonte (MG)

Em duelo de primeiros colocados, Ronaldinho Gaúcho joga uma barbaridade, Atlético Mineiro vence Vasco e abre três pontos – com um jogo a menos – na liderança.

Para chegar a assustadora marca de 12 vitórias em 15 jogos e espantar qualquer possibilidade de crise devido a problemas extra-campo, o Atlético Mineiro foi para o jogo organizado pelo Cuca no 4-2-3-1 com: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Junior César; Pierre e Leandro Donizete; Guilherme, Ronaldinho e Bernard; Jô. O Vasco escutou o apito inicial ostentando uma marca de sete jogos sem buscar a bola nas próprias redes, a uma vitória do topo da tabela e esquematizado pelo Cristóvão Borges no 4-3-3 com: Fernando Prass; Auremir, Dedé, Douglas e William Matheus; Nilton, Juninho Pernambucano e Wendel; Eder Luís, Carlos Alberto e Alecsandro..

Cheio de energia pelo apoio da pulsante torcida, o Atlético Mineiro até tentou a velha estrategia presente no manual dos mandantes: pressionar o adversário nos primeiros minutos. Contudo, o Vasco soube como escapar do ímpeto inicial atleticano e não deixar a partida se tornar um ataque versus defesa. Com o caminhar do relógio, o “Galo” ganhou força e passou a incomodar mais o arqueiro Fernando Prass, que precisou mostrar muita atenção para manter seu filó intocável. Ronaldinho alçou pelotas perigosas na área – na melhor delas Leonardo Silva obrigou Prass a realizar dificílima defesa – Bernard foi um perigo constante e Marcos Rocha aparecia em tudo quanto era canto, não só no flanco direito. Esta dinâmica ofensiva mineira e um certo “sumiço” do Juninho Pernambucano deixaram o Cruz-Maltino encurralado em boa parte da 1ª etapa.

A entrada de Tenório no intervalo quase deu resultado imediato quando o equatoriano deixou Réver na saudade em belíssima jogada, mas era só fogo de palha. O Atlético descobriu que o caminho para o pote de ouro era o seu lado esquerdo de ataque e com Ronaldinho jogando demais foi com tudo em busca do triunfo. O Gaúcho partiu para cima dos zagueiros como não se via há tempos, exalou categoria, sofreu faltas próximas à área rival, deu passes de ilusionista, infernizou a retaguarda vascaína... Foi justamente dos pés de Ronaldinho que nasceu o decisivo gol de Jô, aos 24 minutos. O Independência quase veio a baixo. A empolgação era tanta que o próprio time atleticano ficou um pouco extasiado e deixou o Vasco viver seu momento mais ofensivo na partida, cujo o resultado, contudo, foi só uma perigosa cobrança de falta do Juninho.

No duelo entre os dois melhores jogadores do Brasileirão até o momento, Bernard apareceu bem no ataque e na defesa e foi superior a um Juninho Pernambucano que só se destacou em um chute longo. Mas o dono do jogo foi outro nome. Um craque acostumado a sair de campo com os mais efusivos aplausos: Ronaldinho Gaúcho.


CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO!

- O Flamengo conquistou duas vitórias em sequência – Figueirense e Náutico – mais pela volta de Vagner Love a sua letal normalidade do que pela visível, porém ainda pequena, evolução tática. O 2º tempo contra o “Timbu” mostrou uma equipe rubro-negra que ainda necessita de muitos reparos.

- Algumas vozes dizem que o Fluminense vence mas não encanta. No entanto, exigir vitórias brilhantes de uma equipe que vem desfalcada de nomes do quilate de Wellington Nem e Deco chega a ser incoerência. O fato de o Flu alcançar a vice-liderança sem dois dos melhores jogadores do país deve ser valorizado.

- O sábado foi tenebroso para o futebol nordestino, com derrotas de Bahia, Sport e Náutico. Já o domingo foi dos sonhos para gaúchos e mineiros, que fecharam a rodada com 100% de aproveitamento e quatro dos seis primeiros colocados.

- Romarinho e Paulinho. A dupla corintiana tem nome no diminutivo, mas um futebol maiúsculo.

sábado, 11 de agosto de 2012

OLIMPÍADAS 2012 - FINAL - BRASIL X MÉXICO


Brasil 1 x 2 México – Wembley Stadium, Londres (Inglaterra)

Na Copa do Mundo de 1986, no México, após a eliminação dos donos da casa para a Alemanha, nasceu a inesquecível frase “jugamos como nunca, perdimos como siempre”. Agora, após mais de 20 anos, os mexicanos podem bater no peito que ostenta uma dourada medalha e dizer: “Jugamos como nunca, pero ahora ganamos!”

E como jogou o México. Desde o primeiro minuto de jogo, ou melhor, desde os primeiros segundos, pois o juiz acabara de apitar pela primeira vez e Peralta já havia desferido o primeiro golpe para se colocar ao lado de Ghiggia, Paolo Rossi e Kanu. Com distribuição tática impecável e concentração máxima, temperadas por uma vontade leonina, o México construiu uma apresentação para a história. O melhor jogador em campo em cada setor vestia a camisa verde. O zagueiro Mier foi assustador e tomou conta de Damião, artilheiro do torneio. A dupla de volantes Salcido e Enríquez parecia um trio, tamanha a onipresença.

O camisa oito Fabián jogou por ele e pelo contundido Giovani dos Santos. Após o impetuoso início brasileiro no 2º tempo, quando a equipe se soltou mais, foi Fabián quem “colocou a bola debaixo do braço” e levou o México ao ataque. Acertou uma bicicleta na trave, cabeceou na pequena área e colocou a redonda na cuca de um incrivelmente sozinho Peralta, que não perdoou. Seria uma injustiça tremenda escolher um único nome no triunfo mexicano. Todos jogaram muito, e alguns deles absurdamente muito.

Já nos acréscimos Hulk deu esperança ao torcedor brasileiro, mas ela se esvaiu em seguida, em uma cabeçada do Oscar que foi para fora. O culpado da vez já está escolhido pelos torcedores: o lateral-direito Rafael, que falhou feio no gol inaugural verde. Foi assim com Barbosa, Bigode, Toninho Cerezo, Dunga, Roberto Carlos... É muito mais fácil escolher um único nome para ser massacrado do que reconhecer que o México foi tecnicamente, fisicamente, taticamente e psicologicamente superior ao Brasil. Muito superior!

CONGRATULACIONES, MÉXICO!!! 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS
















Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani.

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 15ª RODADA - FIGUEIRENSE X FLAMENGO


Figueirense 0 x 2 Flamengo – Orlando Scarpelli, Florianópolis (SC)

Em jogo surreal, que teve até beijo do Loco Abreu no escudo do Botafogo, Flamengo mostra evolução após 10 dias de treino sob o comando de Dorival Júnior e, com dois gols do libertado Vagner Love, afunda ainda mais o lanterna Figueirense.  

Repleto de modificações em relação aos onzes escalados pelo Joel Santana e às próprias últimas partidas, o Flamengo foi para o duelo esquematizado pelo Dorival Júnior no 4-3-3 com: Felipe; Léo Moura, Thiago Medeiros, González e Ramón; Cáceres, Luiz Antônio e Renato; Negueba, Thomás e Vagner Love. Sem apertar a mão da vitória desde a primeira rodada, o Figueirense escutou o apito inicial organizado pelo Hélio dos Anjos no 4-3-3 com: Wilson; Léo, Fred, Anderson Conceição e Marquinho; João Paulo, Jackson e Claudinei; Ronny, Caio e Loco Abreu.

Em tempos olímpicos, vale a comparação do 1º tempo com uma corrida de 100 metros rasos, de tão eletrizante. Expulsões foram duas, uma para cada lado: Anderson Conceição recebeu o segundo amarelo aos 34 e Léo Moura o vermelho, direto, aos 47. Vale aqui uma observação: a maioria dos jogadores não consegue identificar, com o jogo em andamento, o critério de um juiz, e repetem, seguidamente, faltas merecedoras de cartão. No assunto oportunidades de gols, o Fla, com o Negueba em noite de “Capeta em Forma de Guri” e boa estreia de Cáceres, criou mais, porém Love e o próprio Negueba não conseguiram passar pelo goleiro Wilson e um arremate do Luiz Antônio beijou a trave. Já o Figueira, mesmo sem ter sido capaz de colocar sequer uma pelotinha na cabeça do Loco Abreu, assustou o Felipe em chutes longos e em uma tabelinha entre o uruguaio e o Ronny que este desperdiçou.

A 2ª etapa iniciou com uma certa cautela, mas o ritmo de corrida de fundo acabaria aos 17 minutos, quando Adryan cobrou córner na cabeça de Vagner Love e o “Artilheiro do Amor” colocou fim ao jejum de oito jogos sem sacudir o barbante. Aí, como já era de se esperar devido ao menor número de homens nas quatro-linhas, ao consequente esvaziamento dos setores de meio-campo, e à busca do Figueirense por, pelo menos, um empate, os espaços vazios se proliferaram. Os catarinenses chutaram de tudo quanto foi canto. De dentro e de fora da área, da esquerda e da direita, além de um potente “chute” de cabeça do Loco Abreu que explodiu no poste. Porém, foi o Flamengo que alterou o placar, novamente através dos pés do agora sem uma bigorna nas costas Vagner Love, aos 42 minutos.

Quando as cortinas já começavam a se fechar, Loco Abreu protagonizou uma cena que nunca mais será esquecida e terá seu lugar em todos os livros do futebol carioca. Vaiado, apupado e buzinado pela torcida flamenguista, o uruguaio foi até a linha de fundo, levantou seu uniforme, beijou um escudo do Botafogo que carregava na camisa de baixo e, com as mãos, imitou histórica cavadinha que deu o Cariocão de 2010 ao “Glorioso”. Coisa de “Loco”!

terça-feira, 7 de agosto de 2012

OLIMPÍADAS 2012 - SEMI FINAL - BRASIL X COREIA DO SUL



Brasil 3 x 0 Coreia do Sul – Old Trafford, Manchester (Inglaterra)

Brasil passa momentos difíceis contra a Coreia do Sul, mas, com seu poderio ofensivo capaz de marcar três gols em todos os jogos e mais uma lição de como ser um centroavante de Leandro Damião, chega à decisão dos Jogos de Londres.

A análise de uma prancheta tática diria que um onze inicial com Alex Sandro no lugar do Hulk teria mais consistência no meio-campo. O apito inicial, contudo, contou outra história. Com suas duas linhas de quatro sólidas como um time de totó e dois avantes, Kim e Ji, que incomodavam mais do que visita indesejada, a Coreia do Sul dominou a maior parte do 1º tempo e, ajudado pela fragilidade do goleiro Gabriel, passou perto das redes brasileiras por quatro vezes. O Brasil, sem padrão de jogo, atacava de vez em quando. Chegou num longo passe do Marcelo para o Damião, num chute longo do Sandro e num contra-ataque onde os pés de Oscar encontraram os de Rômulo e a redonda foi dormir no fundo do filó.

O gol do ex-vascaíno não tornou o jogo mais light para o Brasil e, durante os 10 primeiros minutos pós-intervalo os coreanos continuaram no seu (bom) padrão. A situação não era nada confortável para a Seleção e uma sacudida no panorama do duelo era essencial. A sacudida veio pelo cada dia mais conhecedor dos atalhos da grande área Leandro Damião, que, em menos de 10 minutos, transformou um placar de um a zero em três a zero. Em seu primeiro tento, o colorado empurrou para o filó depois de jogada de Marcelo e Neymar, enquanto o segundo foi iniciado com um lançamento do Gérson – ops! – do Thiago Silva, que passou pelas chuteiras de Neymar e Oscar.

Com pouco menos de 30 minutos por jogar e a Coreia já “deprimida”, o Brasil enfim conseguiu um pouco de tranquilidade, que durou até o último trilar do apito. Agora, é a vez de enfrentar o México, um adversário “carne de pescoço”, como dizia João Saldanha. Uma viagem pelo tempo mostra como os mexicanos não se intimidam diante da Amarelinha. Será mais um confronto de fazer suar jogadores e torcedores.


HISTÓRIA DO FUTEBOL OLÍMPICO

- Em comparação com a Copa do Mundo, as Olimpíadas viram bem menos mandantes gritarem “É Campeão!”. Grã Bretanha (1908 – Londres), Bélgica (1920 – Antuérpia) e Espanha (1992 – Barcelona) foram os únicos três que levaram a medalha de ouro futebolística em suas casas.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

UMA IMAGEM











Romário comemora um gol contra a União Soviética na decisão dos Jogos Olímpicos de 1988, quando o Brasil acabou com a prata.

domingo, 5 de agosto de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 14ª RODADA - VASCO X CORINTHIANS










RESULTADOS
Flamengo x Atlético Mineiro – adiado
Palmeiras 0 x 1 Internacional
Atlético Goianiense 1 x 2 Botafogo
Portuguesa 2 x 0 Figueirense
Vasco 0 x 0 Corinthians
São Paulo 1 x 0 Sport
Grêmio 3 x 1 Bahia
Coritiba 0 x 2 Fluminense
Cruzeiro 1 x 2 Ponte Preta
Náutico 3 x 0 Santos


ARTILHARIA
8 Gols
Alecsandro (Vasco)
7 Gols
Fred (Fluminense)
Luís Fabiano (São Paulo)
Roger (Ponte Preta)
6 Gols
Marcelo Moreno (Grêmio)
Wellington Paulista (Cruzeiro)


Vasco 0 x 0 Corinthians – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Corinthians e Vasco, os dois primeiros colocados do último Brasileirão, fazem jogo de muita marcação e obediência tática e não saem do zero em São Januário.

Com a oportunidade de assumir a ponta da tabela em caso de vitória, o Vasco foi para o jogo organizado pelo Cristóvão Borges no 4-3-3 com: Fernando Prass; Auremir, Douglas, Fabrício e William Matheus; Nílton, Juninho Pernambucano e Wendel; Eder Luis, Carlos Alberto e Alecsandro. Sem sentir o gosto da derrota há quase um mês, quando o Botafogo carimbou sua faixa de Campeão da Libertadores, Tite esquematizou o Corinthians no 4-2-3-1 com: Cássio; Alessandro, Wallace, Paulo André e Fábio Santos; Paulinho e Ralf; Jorge Henrique, Douglas e Danilo; Romarinho.

O Vasco adentrou o gramado com uma sequência de cinco partidas sem ser vazado, enquanto o Corinthians conquistou a Libertadores com apenas quatro gols sofridos. Assim, seria muita ingenuidade esperar uma partida aberta em São Januário. No 1º tempo como um todo, o Coringão criou ações ofensivas mais contundentes e levou perigo à meta vascaína em finalizações de Romarinho, Jorge Henrique e Douglas. Na melhor oportunidade mosqueteira, já aos 44 minutos, Douglas, nas barbas de Fernando Prass, cabeceou para fora. Ali pelos 30 minutos, um pouco antes e um pouco depois, o Cruz-Maltino conseguiu alguns avanços pelo flanco direito com Eder Luis, mas Juninho Pernambucano e, principalmente, Carlos Alberto ficaram encaixotados na marcação adversária.

No início da etapa final, o “Timão” ganhou o controle do meio-campo, tomou de vez as rédeas do jogo e em arremates de Ralf e Romarinho fez Fernando Prass rebater duas bolas para o meio da área que fizeram o torcedor vascaíno se contorcer nas arquibancadas, poltronas e cadeiras de bar. Cristóvão Borges percebeu que seu time estava perdido e trocou Carlos Alberto por Felipe, gerando uma leve melhora que seria acentuada pela entrada do equatoriano Tenório no lugar de Eder Luis. Não que o “Gigante da Colina” tenha se tornado um mar de inspiração e poder ofensivo, longe disso, mas, pelo menos, se fez mais presente no campo adversário e, consequentemente, deu minutos de paz ao seu arqueiro.  

No fim das contas, os dois zeros estampados no placar não podem ser comparados a duas bocas bocejando – expressão criada pelo criatividade pura Eduardo Galeano para adjetivar empates sonolentos. O escore mudo foi o reflexo de duas equipes duríssimas e que sabem se posicionar em campo como poucas, talvez nenhuma, no futebol brasileiro atual.


CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO!

- Para os que adoram caracterizar um time por seu principal nome, o Botafogo deu mais um passo para virar o Botafogo de Seedorf.

- O Rio de Janeiro tem outros estádios, além do Engenhão, capazes de receber jogos do Campeonato Brasileiro. O Atlético Mineiro, como visitante, não poderia ser prejudicado com o adiamento da partida contra o Flamengo. Ainda mais no momento em que seu time é imensamente superior ao rubro-negro.

- Os mais antigos cansam de se vangloriar de que, em épocas passadas, o Brasil era capaz de montar três ou quatro Seleções de altíssimo nível. Se hoje em dia estamos a quilômetros de algo parecido, não é exagero dizer que, nos Jogos Olímpicos de Londres, nenhum país tem um trio ofensivo mais qualificado do que formariam Wellington Nem, Bernard e Romarinho. Todos no caminho certo para se tornarem craques e que não tiveram vaga na nossa Seleção Olímpica.

- Nas últimas quatro vezes que o Fluminense saiu de campo com os três pontos uma cena se repetiu: Fred levantou o véu da noiva. Coincidência? Não! Poder de decisão de quem conhece tudo e mais um pouco do “ofício” de marcar gols.

sábado, 4 de agosto de 2012

OLIMPÍADAS 2012 - QUARTAS DE FINAL - BRASIL X HONDURAS



Brasil 3 x 2 Honduras – St James’ Park, Newcastle (Inglaterra)

Em um daqueles jogos que deixam o coração do torcedor a bater na garganta, Neymar volta a ser decisivo, Leandro Damião tem sua melhor atuação com a camisa amarela e Brasil passa do duro time de Honduras.

Quando a Seleção Brasileira iniciou a partida cheia de ímpeto ofensivo, era esperado que Honduras sentisse a pressão e se intimidasse diante do único Pentacampeão Mundial. No entanto, os hondurenhos não só conseguiram manter a calma como, aos 12 minutos, abriram o escore com um bonito gol do inquieto Martinez. Diferente do embate contra Bielorrússia, no qual também saíram atrás no placar, os brasileiros, desta feita, sentiram o gol adversário.

Foram 20 minutos de um Brasil sem norte até Neymar arriscar uma jogada individual, receber uma forte entrada e o juiz - mantendo o seu critério rigoroso, que já resultara em quatro amarelos até então, – expulsar o meia Crisanto. Gradualmente a Seleção cresceu na etapa e Damião, aos 37, completou para as redes um bom avanço ao fundo do Hulk. Mais surpreendente do que o fato de Honduras não ter se assustado com o começo brasileiro foi o chute de fora da área do dinâmico meio-campista Espinoza, um pouquinho após o intervalo, ter morrido no filó verde-amarelo.

Seria mais um calvário olímpico brasileiro? Não! Não, mesmo. Oscar, Neymar e Damião querem – e muito! – entrar para a história com o inédito ouro e foram em busca da virada classificatória. Virada esta que, para alívio do torcedor, veio cedo. Neymar converteu com muita segurança um pênalti sofrido por Damião e o próprio centroavante colocou o Brasil na semi final em lance digno de quem sabe tudo da posição.

Por Honduras ter alguns nomes perigosos, como o lateral-esquerdo Figueroa, bom na defesa e com um potente chute, além dos já citados Martinez e Espinoza, o Brasil não deveria ter adotado a mesma postura que teve diante do Egito, na 1ª rodada. Desta vez, contudo, a diminuição de volume não resultou em gols adversários e o apito final manteve o Brasil na busca pelo sonho dourado.


HISTÓRIA DO FUTEBOL OLÍMPICO

- Desde 1900, das 24 medalhas de ouro distribuídas pelo futebol olímpico masculino, 17 foram para a Europa, de longe o continente mais vitorioso. A América como um todo, tem um total de cinco medalhas, enquanto a África duas.