segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

UMA IMAGEM...



Craques rubronegros levantam o caneco da Taça Guanabara 2011.
Foto: Ivo Gonzalez

domingo, 27 de fevereiro de 2011

CAMPEONATO CARIOCA 2011 - TAÇA GUANABARA - FINAL

Flamengo 1 x 0 Boavista – Engenhão

É Campeão! Com um golaço de falta assinado por Ronaldinho Gaúcho, o Flamengo bateu o Boavista, conquistou o tradicional caneco da Taça Guanabara e declarou abertou o carnaval para o torcedor rubronegro.

Enquanto o Boavista entrou em campo com o mesmo onze que havia eliminado o Fluminense, organizado no 4-2-3-1 e formado por Thiago; Bruno Costa, Gustavo, Santiago e Paulo Rodrigues; Júlio César e Edu Pina; André Luís, Leandro Chaves, Tony e Frontini, o Flamengo veio diferente para a decisão. De maneira até certo ponto surpreendente, Luxemburgo optou pela escalação do meia argentino Bottinelli, deslocando o Ronaldinho para a posição de centroavante. Sendo assim, o Rubronegro começou a decisão esquematizado no 4-3-2-1 com: Felipe; Léo Moura, Welinton, David e Egídio; Maldonado, Willians e Renato; Bottinelli, Thiago Neves e Ronaldinho.

Embalado pela sua torcida, que lotava o Engenhão, o Flamengo iniciou o duelo com bastante ímpeto ofensivo e tentando encurralar o Boavista. E em menos de 15 minutos o Fla criou duas boas oportunidades de balançar as redes, uma com o Thiago Neves, que quase aproveitou bela jogada de Ronaldinho pela esquerda, e outra com o Léo Moura, em arremate cruzado que passou perto do poste. No entanto, o volume do ataque rubronegro diminuiu e até a metade da 2ª etapa o goleiro Thiago praticamente não trabalhou. Se no 1º tempo Bottinelli não conseguiu dar qualidade e velocidade ao time nas trocas de passes, após o intervalo, o Negueba, que entrou em seu lugar, pouco foi explorado. Thiago Neves e Renato estiveram pouco produtivos, com o primeiro prendendo a pelota em demasia e o segundo sem presença ofensiva. Nem mesmo Léo Moura, talvez a principal arma de ataque da equipe, conseguiu penetrar no organizado e povoado sistema defensivo do Boavista. Ronaldinho Gaúcho? Se movimentou e tentou alguns passes mais efetivos, mas não foi o suficiente para colocar o Fla em vantagem.

Diante de um Flamengo que encontrava enormes dificuldades para superar a retaguarda verde, com destaque para o zagueiro Gustavo que esteve em ótima jornada, e de um Boavista que nem pensava em atacar, temendo deixar espaços em seu campo, a bola parada se tornou peça-chave no confronto. O Renato foi o primeiro a arriscar, disparando um de seus torpedos no início do 2º tempo, porém foi somente aos 26 minutos que o torcedor rubronegro pôde soltar o grito de gol, quando o Ronaldinho, como se possuísse uma régua amarrada na chuteira, cobrou uma falta com enorme precisão e sacudiu o barbante. Era impossível saber quem estava mais feliz: Ronaldinho, seus companheiros ou os torcedores. Do gol flamenguista até o final, o Boavista tentou colocar as manguinhas de fora e empatar a partida, contudo não apresentou poder ofensivo para tanto, principalmente depois da expulsão do Frontini, aos 34 minutos.

Desde a primeira partida do Estadual, diante do Volta Redonda, e mais claramente a partir da difícil estréia de Ronaldinho contra o Nova Iguaçu, os jogadores flamenguistas estão conseguindo mesclar a seriedade necessária para um prossional com a alegria de quem é apaixonado pelo futebol de maneira muito bem sucedida. E quem mais ganha com isso é o torcedor rubronegro, que tem todos os motivos para estar sorrindo de orelha a orelha.

PARABÉNS, MENGÃO!!!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O QUE ACONTECEU COM O CAMPEÃO BRASILEIRO?

Olá amigos do FUTEBOLA!

“O que aconteceu com o Campeão Brasileiro?” é a pergunta do momento no futebol carioca. O Fluminense começou sua temporada 2010 batendo os times de menor porte pelo Cariocão e com o atacante Fred apresentando um grande futebol. Tudo caminhava relativamente tranquilo para o Tricolor até que... Derrota para o Botafogo no “Clássico Vovô”, empate na estréia da Libertadores contra o Argentinos Juniors jogando no Engenhão, eliminação da Taça Guanabara para o Boavista e, por fim, outro empate em casa pela Libertadores, desta vez contra o Nacional. O que aconteceu com o Campeão Brasileiro?

O ruim momento vivido pelo Fluminense neste mês de fevereiro pode ser relacionado com diversos fatores. O primeiro destes que vem à cabeça é a fase do argentino Conca, líder técnico da equipe, que ainda não conseguiu reencontrar seu grande futebol após a cirurgia no joelho. Outra explicação para os recentes resultados está no sistema defensivo da equipe, um verdadeiro queijo suiço. Mais um motivo? Muricy Ramalho, de acordo com matéria do Diário Lance!, “anda esquisito” e seu “estilo durão estaria extrapolando a normalidade e minando lentamente sua relação com jogadores e alguns membros da comissão técnica, que mal estariam sendo cumprimentados”. E vejam que nem estou citando as contusões de Fred, Emerson e Deco, pois para conquistar o caneco nacional em 2011 o Flu conseguiu superar estes problemas. Pois é, amigos, o que não faltam são motivos para tentar explicar “o que aconteceu com o Campeão Brasileiro”?

Além destes fatores citados e de outros que já escutei em conversas sobre o tema, um outro que considero muito relevante pouco vem sendo destacado: a verdadeira zona tática que virou o Fluminense em 2011. Reparem nos esquemas táticos escolhidos por Muricy Ramalho para as três partidas mais importantes que o Flu disputou até o momento.

FLUMINENSE 2 X 2 ARGENTINOS JUNIORS



FLUMINENSE 2 (2) x (4) BOAVISTA


FLUMINENSE 0 X 0 NACIONAL


O Fluminense tinha tudo para iniciar a temporada 2011 com a vantagem de poder contar com praticamente todos os que foram campeões em 2011, exceção do centroavante Washington. E mais, ainda reforçou o elenco com Diego Cavalieri, Edinho, Souza, Rafael Moura e Araújo, jogadores que poderiam, com o tempo, conquistar a vaga de titular em uma equipe que já possuía uma base. Mas não, não é o que está ocorrendo. A impressão que tenho é a de que Muricy está começando um trabalho do zero. O que foi Willians de titular na estréia da Libertadores? E Digão voltando de longo período parado para atuar como lateral-direito? E Mariano, melhor lateral-direito de 2010, deslocado para o meio-campo? E Edinho e Valencia atuando ora como zagueiros, ora como volantes? Será que a fase péssima vivida pelo sistema defensivo menos vazado do Brasileirão de 2010 não tem relação com este caos tático?

O Muricy escolheu a pior hora para realizar testes na equipe tricolor. Ainda estamos no início do ano e ele tinha nas mãos tudo que um treinador sonha neste período, ou seja, uma equipe que já organizada e que se conhece. Fazer experiências em fevereiro, durante a Libertadores, não me entra na cabeça.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA

Que Zico, Sócrates, Toninho Cerezo, Falcão, Júnior e companhia formaram uma equipe mágica, ninguém duvida. Mas você sabia que a famosa Seleção Brasileira de 1982 possuía defeitos? Pois é verdade. Este genial “O Trauma da Bola” apresenta as crônicas do inigualável João Saldanha sobre a Copa do Mundo de 1982, para nós, brasileiros, uma tragédia somente menor que o Maracanazo.



O Trauma da Bola - A Copa de 1982 por João Saldanha
Autor: João Saldanha
Editora: Cosac Naify

COPA LIBERTADORES 2011 - FASE DE GRUPOS

Fluminense 0 x 0 Nacional (URU) – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Em seu segundo jogo pelo grupo 3 da Libertadores, o Fluminense, mesmo atuando em casa, apenas empatou com o Nacional e vai precisar conquistar vitórias fora de casa para garantir sua vaga na próxima fase.

Para esta importante partida o treinador Muricy Ramalho mandou um Fluminense diferente à campo. À frente do goleiro Ricardo Berna, o Flu contava com uma linha de quatro defensores formada pelo zagueiro Digão, improvisado de lateral-direito, Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos. No meio-campo Valencia e Diguinho eram os volantes enquanto Marquinho e Mariano tinham a missão de organizar as jogadas pelos flancos e, completando a equipe, estavam o argentino Conca de meia/atacante e o centroavante Rafael Moura. Já pelo lado dos uruguaios, o treinador Carrasco organizou sua equipe em um sólido e invariável 4-3-3, com Burián; Gabriel Marquez, Lembo, Coates e Nuñez; Pereyra, Piriz e Cabrera. Vigneri, Viudez e Fornaroli.

Se no duelo contra o Boavista pela fase semi final da Taça Guanabara o Fluminense foi um time sem a mínima inspiração ofensiva, conseguindo criar suas oportunidades de gols apenas em jogadas de bola parada, neste confronto diante do Nacional a situação foi pior ainda, pois até com a pelota estática o Tricolor encontrou dificuldades. Durante toda a 1ª etapa, tudo que o Fluminense conseguiu criar ofensivamente que é digno de nota foi uma cabeçada do Rafael Moura e um arremate do Marquinho, ambos destinados à linha de fundo. Conca mais uma vez estava apagadíssimo, Mariano, mesmo sem tarefas defensivas, não conseguia arquitetar tramas eficientes pelo flanco direito e Marquinho e Carlinhos nada produziram pela esquerda. Como o Nacional não apresentou poder ofensivo suficiente para levar perigo à retaguarda tricolor, até por sempre atacar com poucos jogadores, a partida foi para o intervalo com o placar mudo.

Para o 2º tempo, Muricy decidiu retornar com o mesmo onze, o que a meu ver não foi muito adequado e fez com que os minutos iniciais desta etapa fossem um espelho do que havia ocorrido antes do intervalo. Depois, gradativamente, o treinador tricolor colocou Tartá, Araújo e Souza em campo, porém o máximo que o Fluminense conseguia era alçar bolas na área adversária. Por sinal, estes cruzamentos só serviram para consagrar o bom zagueiro Coates, que, do alto de seus 1,96m, ganhou todas as disputas aéreas. Enquanto o Fluminense dava um show de infertilidade ofensiva, o Nacional esteve perto de abrir o escore com o centroavante Garcia, que saiu do banco de reservas para aproveitar falha bisonha do zagueiro Leandro Eusébio, driblar o Ricardo Berna e quase sacudir o barbante. Impressionante como até em uma partida onde não é exigida a retaguarda do Flu consegue falhar.

Nos últimos 5 minutinhos do jogo, o Fluminense, na base do abafa, quase conseguiu o gol da vitória, primeiro com o Araújo e depois com o Souza, mas a verdade é que em nenhum momento o Tricolor apresentou algo próximo de um futebol razoável. Uma coisa é uma equipe estar treinada para explorar as bolas aéreas, como o Botafogo, que claramente possui jogadas voltadas para o Loco Abreu. Outra, totalmente diferente, é uma equipe se mostrar sem um pingo de criatividade ofensiva e, na base do desespero, começar a jogar a redonda na área adversária, como se mostrou o Fluminense diante do Nacional.

Vale ressaltar que o Fluminense está longe de ser descartado da briga pela Libertadores. O Tricolor possui todas as condições de vencer qualquer um dentre Argentinos Juniors, América do México e Nacional, mesmo fora de seus domínios. Mas, para isso, precisará jogar um futebol muito, mas muito, superior ao dos últimos jogos.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

GÊNIOS DAS PALAVRAS - JOÃO SALDANHA

O Limite da estupidez

(Nota: Crônica sobre a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 1982, após a derrota para a Itália por 3 x 2.)

Tantos crimes contra o bom senso, contra o senso comum, não poderiam passar impunemente. O fato de possuirmos jogadores extra-série como Zico, Falcão, Sócrates, Júnior e Cerezo dava a falsa impressão de que éramos supreiores em tudo. Mas uma estupidez siderúrgica rondava nosso propósito de ganhar uma Copa, onde quem nos derrotou passou mal com o país do Camarões*. Inventaram uma tática no Brasil abandonando preciosos espaços de campo**. Ora, somente um primarismo infantil e teimoso poderia pensar que os adversários não iriam aproveitar o erro clamoroso.

Veio logo o primeiro jogo, o da União Soviética. Sim, foi uma falha de Valdir Peres e isto é uma outra questão. Mas o time soviético, quando se apertava, jogava a bola para seu lateral-esquerdo que sempre estava livre. Claro, raios que me partam, pois se não tínhamos ninguém ali. Leandro, sempre mal fisicamente, tentava suprir o extrema que não tínhamos.

No jogo da Itália, com mais quinze minutos sairia levado pelas enfermeiras não para um hospital, mas para um cemitério. Estava “morto de cansaço”. E o Cabrini folgava sempre. Era o jogador de desafogo do time italiano. Qualquer problema e bastava jogar a bola por ali. Fizeram o primeiro e, quando precisavam da cera, bastava segurar o jogo pelo lado onde tínhamos apenas o Leandro.

Sim, Zico, Sócrates, Júnior, Cerezo e este estupendo Falcão sempre estiveram muito bem. Mas até carregadores de piano cansam quando fazem esforços acima de sua capacidade. Nosso time, com a tão decantada preparação especial, estava muito cansado no final do jogo. De um lado, existe algo positivo, que é a desmistificação do charlatanismo. Os inventores do futebol que se recusam a ocupar espaços indispensáveis e que não percebem que se joga num retângulo, rigorosamente geométrico e querem jogar enviesado como se as balizas estivessem nos córneres.

Se chegamos a uma posição tão elevada, devemos à qualidade de quatro ou cinco jogadores excepcionais, mas cuja capacidade física também tem limites. A Copa não era difícil de ganhar. Mas a teimosia superou tudo. Culpar Serginho seria um erro. O jogador não tem culpa da teimosia, que ficou clara no primeiro jogo, mas infelizmente não foi aproveitada. Não deixo de assinalar que faltou um pouco de modéstia quando empatamos ontem em dois a dois. Alguém andou rebolando ali e o time italiano, que estava melhor fisicamente do que o nosso, veio para cima e pôde ganhar. Paciência. Mas a estupidez tem um limite de tolerância.

6 de Julho de 1982

* Itália 1 x 1 Camarões, pela fase de grupos
** Saldanha fala da ocupação do lado direito do setor ofensivo brasileiro.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

CAMPEONATO CARIOCA 2011 - TAÇA GUANABARA - SEMI FINAL

Flamengo 1 (3) x (1) 1 Botafogo – Engenhão

Valendo vaga na decisão da Taça Guanabara, Flamengo e Botafogo fizeram um jogão de bola que só foi decidido na disputa por pênaltis e terminou com o Rubronegro se garantindo na finalíssima.

Ainda em busca da formação ideal para o Flamengo, Luxemburgo mandou a equipe para o jogo organizada em um 3-4-2-1 com Felipe; Welinton, David Braz e Ronaldo Angelim; Léo Moura, Willians, Fernando e Renato; Ronaldinho Gaúcho, Thiago Neves e Deivid. Pelo lado do Botafogo, Joel Santana, de maneira até surpreendente, abandonou o esquema com três zagueiros e escalou o time no 4-3-1-2 com Jefferson; Alessandro, Antônio Carlos, Márcio Rosário e Márcio Azevedo; Arévalo Ríos, Rodrigo Mancha e Somália; Renato Cajá, Herrera e Loco Abreu.

O jogo iniciou com um volume baixo e as duas equipes adotando uma postura mais cautelosa. Nos primeiros 15 minutos, apenas chances através de bola parada foram criadas, porém enquanto o Botafogo jogou a sua oportunidade para fora com o zagueiro Márcio Rosário, o Flamengo converteu a sua com Ronaldo Angelim desviando escanteio cobrado pelo Thiago Neves aos 14 minutos. O gol fez muito bem ao Rubronegro, que contando com uma segura atuação defensiva – sim, pela primeira vez no ano a retaguarda flamenguista merece elogios – e maior qualidade nos ataques, conseguiu controlar as ações do adversário e ainda obrigou o goleiro Jefferson a realizar sensacional defesa. O relógio marcava 42 minutos quando Ronaldinho e Fernando tabelaram e o volante cruzou para Thiago Neves cabecear e o goleirão alvinegro se esticar todo para impedir o segundo gol do Mengão.

Para o 2º tempo, o Botafogo retornou com o meia Éverton no lugar do Márcio Azevedo e o Somália passou a ocupar a lateral-esquerda. O Fogão melhorou. E muito! Se na 1ª etapa a equipe contou apenas com alguns avanços improdutivos dos laterais Alessandro e Márcio Azevedo, nos primeiros minutos após o intervalo a postura ofensiva foi totalmente diferente. Em pouco mais de 10 minutos o “Glorioso”, sempre em finalizações do Loco Abreu, criou três oportunidades de balançar as redes, conseguindo sucesso após o Alessandro encontrar o uruguaio livre de marcação logo aos 3 minutos. Buscando conter o ímpeto ofensivo do rival e recolocar sua equipe no jogo, Luxemburgo decidiu modificar o seu ataque trocando Deivid por Negueba, aos 13 minutos. Assim como os primeiros minutos em campo do meia alvinegro Éverton foram excelentes, o Negueba também entrou com tudo. Apesar de ter prendido a bola excessivamente em alguns lances, o Negueba deu um banho de bola no Arévalo Ríos, foi um tormento para a defesa botafoguense e impediu que o Flamengo virasse refém de uma pressão do rival.

Se o jogo já estava tenso e emocionante, a metade final da 2ª etapa foi ainda mais, com chances de gols sendo criadas em grande número. Primeiro, Ronaldinho quase marcou um gol de placa após dominar uma bola alçada na área de forma magistral e finalizar para fora. Depois, entre os minutos 30 e 40, o Botafogo se empolgou e quase passou à frente do marcador com Éverton, Loco Abreu e uma cobrança de falta do Renato Cajá que o Felipe voou para buscar. No entanto, nos últimos 5 minutos, o Flamengo buscou forças para ir atrás da vitória e só não a conseguiu pois o goleiro Jefferson está realmente na briga para ser o melhor do país. As defesas que o Jefferson realizou após um arremate do Negueba e uma cobrança de falta do Ronaldinho, esta já aos 47 minutos, levaram a partida para a disputa de penalidades.

Na decisão por tiros da marca da cal, o Flamengo ignorou a presença do Jefferson, converteu todas suas cobranças e ainda contou com um goleiro Felipe altamente inspirado para defender os arremates do Éverton e do Somália, tendo o Renato Cajá finalizando o seu para fora. Amigos, sou totalmente contrário àquela máxima que diz que pênalti é loteria. Para o Flamengo conseguir converter todas suas cobranças, diante de um goleiro do nível do Jefferson, foi necessário muita qualidade técnica e psicológica.

Já classificado na Copa do Brasil, o Flamengo terá uma semana para se preparar para a decisão da Taça Guanabara contra o Boavista. E esta preparação passa pelo trabalho que o Luxemburgo deve realizar para que o Flamengo entre em campo com o máximo de seriedade, como se estivesse disputando um clássico contra um de seus maiores rivais.

CAMPEONATO CARIOCA - TAÇA GUANABARA - SEMI FINAL

Fluminense 2 (2) x (4) 2 Boavista – Engenhão

Com todos os méritos possíveis, o Boavista eliminou o atual Campeão Brasileiro da disputa pelo caneco da Taça Guanabara e aguarda o confronto entre Flamengo e Botafogo para saber quem será o adversário na decisão do torneio.

Durante os últimos dias, em conversas sobre este embate entre Fluminense e Boavista, comentei com vários amigos que o Boavista seria um duro adversário para o Tricolor. Claro, lógico e evidente que considerava o Flu o favorito para garantir a vaga na final da Taça Guanabara, mas isto não me impedia de prever uma partida equilibrada e disputada. O que eu não esperava era que o Tricolor tivesse uma atuação ofensiva tão burocrática e improdutiva. “Mas o Fluminense marcou dois gols na 1ª etapa” – o amigo deve estar pensando. Porém ambos surgiram em jogadas com a bola parada. Tanto o golaço do Marquinho, que abriu o placar logo aos 8 minutos de partida, quanto o do Fred, que surgiu aos 31 minutos, após o Conca alçar a redonda na área e Rafael Moura dar uma linda assistência de cabeça, surgiram com a pelota parada. Fora isto, o Fluminense passou todos os primeiros 45 minutos sem criar sequer uma trama ofensiva com a bola rolando. Nada de avanço dos laterais, tabelinhas pela meiúca, arrancadas do Conca... Um verdadeiro deserto ofensivo.

O Boavista, por sua vez, conseguiu marcar um tento, com o meia Tony mandando um tijolo no ângulo um minutinho após o Flu inaugurar o marcador, e, apesar de possuir menor qualidade técnica do que o Tricolor, teve uma atuação mais convincente durante todo o 1º tempo. Bem postado defensivamente e organizado taticamente, a equipe de Bacaxá só pecou ao permitir o segundo gol do Flu, que poderia ser evitado com maior atenção. Na primeira metade do 2º tempo, o Boavista viveu seu melhor momento na partida. Enquanto o Fluminense permanecia só assutando em bolas paradas, desta vez com o Souza – que entrou no lugar do contundido Fred – e com o Conca, o Boavista voltou com um alto ritmo ofesivo. O gol de empate, que quase veio na bomba do Edu Pina aos 7 minutos, chegou com o aniversariante do dia André Luís, que aproveitou uma bela jogada do bom lateral-esquerdo Paulo Rodrigues e mais uma falha defensiva desta péssima retaguarda tricolor e sacudiu o filó. O relógio marcava 10 minutos e o duelo se mostrava favorável ao Boavista, já que o Fluminense não possuia a menor idéia de como penetrar na defesa rival. Aos 14 minutos, de maneira surpreendente, o treinador Alfredo Sampaio substituiu o lateral-direito Bruno Costa pelo meia ofensivo Erick Flores, buscando tornar o Boavista ainda mais dinâmico e produtivo ofensivamente. E o resultado quase veio aos 18 minutos, quando o veloz André Luís quase virou o placar.

Depois da metade inicial da 2ª etapa, o Boavista diminuiu o ímpeto ofensivo e Fluminense enfim buscou o ataque com maior intensidade. Não que as oportunidades de gols tenham surgido aos montes para o Tricolor, até porque a dupla de zaga verde formada por Gustavo e Santiago estava em ótima jornada, mas algumas jogadas com a bola rolando assustaram o goleiro Thiago. As duas principais chances que o Flu criou para balançar as redes ocorreram nos minutos finais da partida, ambas finalizadas pelo Rafael Moura. Contudo, como o “He-Man” não estava iluminado como em partidas anteriores, o empate persisitiu até o apito final.

Na decisão por pênaltis o Boavista apresentou uma eficiência digna de uma equipe muito bem treinada e converteu todas as suas quatro cobranças, enquanto Conca e Rodriguinho desperdiçaram seus arremates pelo lado do Flu. Mais do que o fato de passar mais um ano sem conquistar a Taça Guanabara, título que não levanta desde 1993, o Fluminense precisa se preocupar com a péssima atuação que apresentou, tanto ofensiva quanto defensivamente. Já o Boavista, tem todos os motivos para sonhar com uma histórica conquista, como bem declarou o centroavante argentino Frontini: “O time é bom, não chega por acaso. É bom ter nossos nomes marcados, mas não adianta chegar e não beliscar o título. Nosso objetivo é ser campeão.”

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

RADINHO NO OUVIDO

1998 – River Plate 1 x 1 Vasco, Monumental de Nuñez

Narração: Gilson Ricardo

"Brincando" de narrador por um dia, o consagrado repórter de campo Gilson Ricardo teve a honra de narrar um dos gols mais importantes da história do Vasco. Cantado até hoje pelos torcedores cruzmaltinos, vamos ouvir o monumental gol de falta marcado pelo ídolo Juninho Pernambucano, que classificou o Vasco para a decisão da Libertadores de 1998.


video

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA

"A breve e gloriosa história de uma máquina de jogar bola" é um daqueles livros que dá vontade de ler de uma vez só. E melhor do que conhecer a história da "Máquina Tricolor", time do Fluminense em meados da década de 70 que contava com craques do quilate de Carlos Alberto Torres, Paulo Cézar Caju, Rivelino e Doval, é conhecer esta história contada com a empolgação de um tricolor fanático. Imperdível para quem torce pelo Flu e para os que amam as histórias do nosso futebol.



Fluminense - A breve e gloriosa história de uma máquina de jogar bola
Autor: Nelson Motta
Editora: Ediouro

COPA DO BRASIL - 1ª RODADA

Murici 0 x 3 Flamengo – Estádio Rei Pelé, Maceió (AL)

Em um duelo muito mais difícil do que o esperado, o Flamengo bateu o Murici por 3 x 0 e garantiu a vaga na próxima fase da Copa do Brasil sem a necessidade do jogo de volta.

Atual Campeão Alagoano, o Murici realizou uma 1ª etapa de surpreendente bom nível. Talvez por estar enfrentando um adversário do porte de um Flamengo, talvez pelo jogo estar sendo transmitido para todo o país pela tv aberta, o Murici esteve muito ligado na marcação, concentrado taticamente e levou perigo para o goleiro Felipe em duas oportunidades. Ofensivamente falando, nesta etapa, a dupla do Murici, Gustavo e Everlan, esteve – acreditem, amigos – mais participativa e produtiva do que a formada por Ronaldinho e Thiago Neves, apesar de a dupla rubronegra ter conseguido arquitetar um contra-ataque que o Deivid finalizou na trave. Diga-se de passagem, esta foi a única boa trama ofensiva organizada pelo Fla na 1ª etapa.

Após o intervalo, o Flamengo voltou o mesmo, tanto no papel quanto na postura em campo, e quem criou a primeira opotunidade de gol da etapa foi o Murici, com o atacante Franco. Porém, vieram as alterações que mudariam a partida. Em um intervalo menor do que 10 minutos, o Flamengo colocou Egídio, Fierro e Negueba em campo, enquanto o Murici tirou o habilidoso Gustavo para a entrada do Edvaldo, um jogador apelidado de “Rambo” e que só possui características defensivas. Resultado: o Flamengo encorpou ofensivamente, o Murici perdeu um dos seus dois principais focos de ataque e os gols rubronegros saíram naturalmente. Em ordem cronológica: Ronaldinho Gaúcho aproveitou belo cruzamento de Léo Moura e sacudiu o filó de cabeça, Renato mandou um tijolo e contou com as colaborações do goleiro Dias e do campo molhado para ampliar a vantagem e, por fim, já aos 45 minutos, o garoto Negueba recebeu a pelota após trama do Ronaldinho e do Thiago Neves e fechou o placar.

Um ponto merece ser destacados destes poucos mais de 20 minutos de bom futebol do Flamengo. Após a entrada do Negueba no lugar do Deivid, aos 18 minutos, o Ronaldinho foi jogar centralizado, deixando o próprio Negueba e o Thiago Neves como responsáveis pela armação das tramas ofensivas. E não é que o Gaúcho deu certo de centroavante! Além de ter marcado um gol digno de camisa 9, Ronaldinho apareceu bem mais para o jogo quando esteve mais avançado do que quando circulou pela intermediária do Murici. Não é que eu esteja dizendo que o Ronaldinho deve ser o centroavante do Flamengo já na próxima partida, a semi final da Taça Guanabara contra o Botafogo, mas esta evolução que o craque apresentou nesta partida, após a troca de posições, merece ser comentada e observada.

Além de conquistar a vaga na classificação de maneira direta, o Flamengo também se beneficiou por lucrar pouco mais de 300 mil reais, já que em caso de eliminação do mandante em apenas um jogo a renda é dividida e se houver a necessidade do jogo de volta ela fica com o anfitrião. Se tivesse que atuar contra o Murici, no Rio de Janeiro, o Flamengo nunca conseguiria esta quantia, além, é claro, de desgastar ainda mais os seus jogadores.

JOGADAS RÁPIDAS!

- Outro carioca que estreou na Copa do Brasil foi o Bangu, que conseguiu excelente vitória de 3 x 1 contra a Portuguesa. Autor de 2 gols, o meia Thiago Galhardo teve mais uma grande atuação pelo alvirrubro. Olho nele!

- Diferentemente do Corinthians, que já até foi eliminado da Libertadores, e de Fluminense e Internacional, que apenas empataram na estréia do torneio continental, o Cruzeiro começou com tudo na campetição e sapecou 5 x 0 em ninguém menos do que o Estudiantes (ARG). Impossível estrear de melhor maneira.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

UEFA CHAMPIONS LEAGUE - OITAVAS DE FINAL

RESULTADOS

Milan 0 x 1 Tottenahm
Valencia 1 x 1 Schalke 04
Arsenal 2 x 1 Barcelona
Roma 2 x 3 Shakhtar Donetsk

Arsenal 2 x 1 Barcelona – Emirates Stadium, Londres (ING)

No Emirates Stadium, valendo como jogo de ida da fase oitavas de final da Champions League, Arsenal e Barcelona fizeram um Jogão de bola, assim mesmo, com “J” maiúsculo. Além da enorme qualidade técnica presente em ambos os lados, o duelo foi um verdadeiro jogo de xadrez, com ambas as equipes sempre buscando alternativas táticas para ganhar o domínio em campo.

No início da partida, o Arsenal pressionou a saída de bola adversária e foi mais perigoso ofensivamente, mas logo o Barcelona conseguiu impor seu toque de bola, adiantou a marcação e, depois de ver o Messi perder uma grande oportunidade, chegou ao gol por intermédio do David Villa. Com a vantagem no placar, o Barça usou e abusou da qualidade nos passes – com destaque, claro, para a dupla Xavi/Iniesta – para controlar o jogo, porém não conseguiu impedir o Arsenal de, comandado pela velocidade do Walcott, chegar duas vezes ao gol do Valdés em contra-ataques perigosos. Para a 2ª etapa, os espanhóis voltaram com uma postura diferente, sem marcação no campo ofensivo e sem a mesma eficiência na troca de passes, e os “Gunners” começaram a gostar do jogo. Em minha opinião, o momento chave para a virada inglesa ocorreu aos 23 minutos do 2º tempo, quando, simultaneamente, o Barcelona trocou o David Villa pelo Keita e o Arsenal colocou Arshavin no lugar do volante Song, ou seja, enquanto Guardiola escolheu a pior maneira para segurar um resultado, que é recuar em excesso, Arsène Wenger decidiu partir com tudo para cima do adversário. E deu certo. Em um intervalo de 5 minutinhos, entre o minuto 33 e o 38, o Arsenal balançou as redes com uma milimétrica finalização do van Persie, com pouquíssimo ângulo para o arremate, e com o Arshavin, em contra-ataque monumental organizado por Fábregas e Nasri.

É lógico, claro e evidente que não há nada decidido no duelo entre Arsenal e Barcelona. No entanto, os ingleses mostraram que possuem condições de eliminar aquela que é considerada a melhor equipe do mundo. Principalmente se conseguirem encaixar seus mortais contra-ataques no imperdível jogo de volta, dia 8 de março, no Camp Nou.

JOGADA RÁPIDA!

Jogando em Roma, o ucraniano Shaktar Donetsk conseguiu uma excelente vitória por 3 x 2, com gols marcados por Jádson, Douglas Costa e Luiz Adriano. Realmente o Shaktar é uma “colônia brasileira”.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

UMA IMAGEM...


Ronaldo comemora seu primeiro gol com a camisa do Corinthians, nos acréscimos do clássico contra o Palmeiras, que terminou empatado. A emoção do craque e da torcida foi tão grande que o alambrado chegou a ceder.

Foto: Rodrigo Coca

Falha minha: No artigo "Fenômeno Eterno", que postei ontem em homenagem ao Ronaldo, escrevi que o craque marcou seu primeiro gol pelo Corinthians em sua estréia, na vitória contra o Palmeiras. Na realidade o duelo contra o Palmeiras terminou empatado em 1 x 1 e foi o segundo jogo de Ronaldo pelo "Timão".

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

FENÔMENO ETERNO

Ronaldo Nazário de Lima, Ronaldinho, Ronaldo, “Fenômeno”... Para os que amam o futebol – sim, o esporte, não somente este gênio da bola que é o maior artilheiro de todas as Copas do Mundo – hoje é um dia triste. Parece que foi ontem que, como se fosse um personagem de filme hollywoodiano, ele deu a volta por cima após duas lesões e foi mais que essencial para o Brasil levantar a Copa do Mundo de 2002. E parece que foi antes de ontem que ele, ainda com cara de menino e vestindo a camisa do Cruzeiro, marcou aquele cômico e inesquecível gol sobre o goleiro Rodolfo Rodríguez.

Mais do que suas gigantescas atuações no “Velho Continente”, por PSV, Barcelona, Internazionale, Real Madrid e Milan, o que nunca vou esquecer será a passagem de Ronaldo pelo Corinthians. E não pelos gols, ou melhor, Golaços – assim mesmo, com “G” maiúsculo – que marcou no Paulistão e na Copa do Brasil de 2009, mas por ele ter dado o pontapé inicial desta fase que o nosso futebol está vivendo. Se hoje em dia o Flamengo consegue contratar um Ronaldinho Gaúcho, se um Neymar ignora os grandes da Europa, muito se deve à parceria firmada entre Ronaldo e o Corinthians. Foi ela que mostrou para os nossos cartolas que vale a pena investir no craque, que são os grandes ídolos que levam o torcedor ao estádio e ainda trazem dinheiro para o clube.

Ronaldo encerrou sua carreira declarando que perdeu para o seu corpo. Parando para pensar, isto é uma baita de uma mentira. Ronaldo sempre ganhou o duelo contra o seu corpo. Em todos os momentos que o seu corpo o tentou derrubar, o “Fenômeno” conseguiu se reerguer, superar seus limites, dar a volta por cima. Foram tantos retornos surpreendentes que é difícil até saber quantos. Pela Seleção no Mundial de 2002, no Milan em 2008, no Timão em 2009... Ronaldo poderia culpar o seu corpo se estivesse se aposentando aos 27 ou 28 anos, porém, com 34, ele está se aposentando porque é normal um jogador pendurar as chuteiras com esta idade. Pelé, por exemplo, se despediu do Santos aos 34 anos, para depois ir brincar nos Estados Unidos.

Quando Ronaldo marcou seu primeiro gol pelo Timão, no empate no clássico contra o Palmeiras, já no final do jogo, liguei na mesma hora para o meu tio que estava trabalhando em São Paulo e lhe pedi para me comprar os jornais do dia seguinte. Precisava ter uma recordação daquele momento histórico em meu quarto. São cada vez menos os jogadores que nos fazem sentir esta sensação de estar presenciando a história acontecer, e quando cai a ficha de que nunca mais vamos ver um destes pisar nos gramados, dá uma baita tristeza.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

CAMPEONATO CARIOCA 2011 - TAÇA GUANABARA - 7ª RODADA



GRUPO A
América 0 x 9 Vasco
Flamengo 1 x 0 Resende
Nova Iguaçu 3 x 5 Boavista
Americano 2 x 1 Volta Redonda

GRUPO B
Madureira 0 x 1 Fluminense
Olaria 1 x 0 Bangu
Cabofriense 2 x 0 Duque de Caxias
Botafogo 1 x 1 Macaé

A última rodada da Taça Guanabara foi muito, mas muito, mais emocionante e atrativa do que era esperado, com a definição dos duelos semi finais ocorrendo somente nos últimos segundos.

Pelo Grupo A, a rodada teve início no sábado com o Vasco sapecando 9 x 0 no América, nada menos do que a maior goleada da história do “Clássico da Paz”. Para os que valorizam a importância do treinador no futebol, a superioridade do Vasco do Ricardo Gomes em relação ao do PC Gusmão é algo palpável. Apesar da histórica goleada vascaína, Flamengo x Resende e Nova Iguaçu x Boavista eram os jogos que realmente importavam pelo grupo. Para você não se perder, aqui vão os números dos que disputavam a última vaga, antes e depois da rodada.


No Moacyrzão, o Flamengo entrou em campo buscando manter 100% de aproveitamento diante de um Resende que iniciava a rodada em 2º lugar. A 1ª etapa desta partida foi tão fria que chegava a ser paradoxal sua relação com o calor escaldante que fazia no estádio. Enquanto Ronaldinho Gaúcho, Léo Moura e Thiago Neves não conseguiam arquitetar tramas de qualidade para o Flamengo, o Resende não apresentava força ofensiva suficiente para assustar o goleiro rubronegro Felipe. Após o intervalo, contudo, o Resende voltou ao gramado com todas as pulgas possíveis atrás da orelha. O motivo? Nos minutos finais da 1ª etapa, no Laranjão, o Boavista emplacou 2 x 0 em cima do Nova Iguaçu e em caso de gol do Flamengo o Resende estaria eliminado. Porém, diferente do jogo no Moacyrzão que voltou em ritmo lento, o Nova Iguaçu conseguiu o empate em 5 minutos e a tábua de classificação retornou ao que era antes do início dos jogos.

O passar do tempo começou a dar contornos dramáticos para os três clubes envolvidos na briga pela última vaga. Em um intervalo curto, o Boavista retomou a frente do placar diante do Nova Iguaçu e o Flamengo conseguiu balançar as redes com Deivid, este gol surgindo aos 31 minutos, após bela jogada tramada por Léo Moura e Fierro. Os resultados parcias ainda garantiam o Resende na próxima fase, porém, aos 37 minutos de jogo no Laranjão, Erick Flores marcou o quarto gol do Boavista e colocou o clube de Bacaxá em 2º lugar na tabela. Sem saída, com as partidas quase chegando ao final, o Resende partiu com tudo para cima do Flamengo, chegou a assustar o goleiro Felipe e, se não marcou o seu gol, viu a classificação parar novamente em suas mãos quando o Nova Iguaçu sacudiu o filó do Boavista já aos 44 minutos.

O apito final no Moarcyrzão e o Boavista estar vencendo o Nova Iguaçu por apenas um gol de diferença, com o confronto já nos acréscimos, levavam a crer que o Resende estava com a vaga garantida. No entanto, aos 47 minutos, o iluminado Max marcou seu terceiro tento na partida disputada no Laranjão e, para desespero do Resende, deu a vitória de 5 x 3 e a classificação para o Boavista.

Pelo Grupo B, Fluminense e Botafogo já haviam se garantido entre os semi finalistas e decidiam apenas quem iria enfrentar o Flamengo. Enquanto o Fogão, apesar da boa fase do Renato Cajá, que marcou mais um belo gol de falta, apenas empatou com o Macaé, o Fluminense soube aproveitar o excelente momento do Rafael Moura e bateu o Madureira por 1 x 0. Vale ressaltar que os últimos cinco gols do Flu foram, todos eles, marcados pelo “He-Man”.

Com estes resultados, assim ficaram definidas as semi finais

Flamengo x Botafogo
Fluminense x Boavista

E não podemos esquecer que existe o Troféu Washington Rodrigues, que terá as seguintes partidas semi finais:

Olaria x Nova Iguaçu
Resende x Bangu

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

GRANDES CLÁSSICOS - FLUMINENSE X MADUREIRA 1942

Olá amigos do FUTEBOLA!

Neste domingo, pela última rodada da fase de grupos da Taça Guanabara, Fluminense e Madureira se enfrentarão em duelo pelo Grupo B. O Flu está na briga contra o Botafogo pela liderança do grupo, enquanto o Madureira quer se recuperar de um início ruim e sabe que, para isso, nada melhor do que vencer o atual Campeão Brasileiro. Nas vésperas deste duelo, o FUTEBOLA relembra como foi o mais marcante jogo entre Fluminense e Madureira da história dos Cariocas.

No início da década de 40, o futebol brasileiro estava vivendo uma fase de ouro. Era difícil escolher um nome para citar como melhor jogador do país. Seria o “Diamante Negro” Leônidas da Silva? Seria o “Divino Mestre” Domingos da Guia? Seria Romeu Peliciari, o “homem que passava meses sem errar um passe”? Missão impossível escolher um só. E mais... Devido à Copa do Mundo de 1938, realizada na França, na qual terminamos na 3ª colocação e apresentamos um jogo que encantou os europeus, o futebol brasileiro começava também, nesta década de 40, a se consolidar como uma grande potência do futebol mundial.

Se atualmente estamos acostumados com nossas estrelas atuando fora do país e com os Campeonatos Estaduais cada vez menos valorizados, nos anos 40 ocorria justamente o inverso. Era a época em que nossos ídolos “eram nossos” e os Estaduais estavam com a bola toda, ocupando boa parte do nosso calendário. E, como no Rio de Janeiro não poderia ser diferente, este era o panorama do futebol carioca em 1942, ano em que, além da perda de Leônidas da Silva, que trocou o Flamengo pelo São Paulo, do surgimento da primeira torcida organizada, a Charanga do Flamengo, e da consolidação de Heleno de Freitas como um dos maiores jogadores do país, deixou para a história um duelo entre Fluminense e Madureira.

O Campeonato Carioca de 1942 foi disputado por 10 clubes em três turnos, com 9 jogos em cada um deles, e o Campeão seria aquele que totalizasse maior número de pontos ao final. Resumindo, um torneio de pontos-corridos. Maior favorito à conquista do caneco, o Fluminense começou a competição voando baixo, conquistando 8 vitórias e um empate no primeiro turno. E não era para menos, afinal o Tricolor era uma verdadeira Seleção que estava buscando o Tricampeonato, já que havia levantado o troféu em 1940 e 1941. Diz um ditado, com o qual eu concordo plenamente, que “todo grande time começa por um grande goleiro”. Assim sendo, o Fluminense começava da melhor maneira possível, pois quem tinha a missão de defender a meta tricolor era Batatais, também conhecido como “o arqueiro das mil mãos”. Contudo, a situação dos adversários do Fluzão era pior ainda, pois para ter a chance de encarar o Batatais, o ataque rival deveria passar por uma dupla de zaga que era uma verdadeira muralha. Não importava quais os dois o treinador uruguaio Ondino Vieira escolhesse dentre o seguro Norival, o “Pé de Ferro” Machado e o argentino Renganeschi, a equipe estaria em excelentes mãos, ou melhor, em excelentes pés. Se antes de chegar ao Fluminense, Machado havia se destacado junto com Batatais na Portuguesa e na Seleção Paulista, o raçudo Renganeschi fez o sentido inverso, mostrando seu grande futebol no Flu para, mais tarde, escrever seu nome em um clube paulista. Na decisão do Paulistão de 1946, disputada entre São Paulo e Palmeiras, Renganeschi estava em campo pelo Tricolor quando sofreu uma contusão e, para diminuir o impacto de sua perda, o pediram para ficar fazendo número na ponta esquerda. Resultado: após cruzamento de Bauer para a área alviverde, o goleiro Oberdan não conseguiu aliviar o perigo e Renganeschi empurrou a pelota pro fundo do barbante, marcando o gol que deu o título ao São Paulo.

E não era só o sistema defensivo tricolor que contava com diversos craques, afinal eram poucos os clubes brasileiros que possuiam uma linha-média formado por Bioró, Afonsinho e o raçudo argentino Spinelli, jogadores que além de baterem um bolão, estavam acostumados a conquistar títulos pelo Flu. Já a comissão de frente era de assustar qualquer adversário. Tudo bem que as saídas para o futebol paulista do meia Romeu Peliciari e do ponta-esquerda Hércules, que segundo o cronista esportivo Geraldo Romualdo da Silva possuía “um canhão no pé esquerdo e um míssil no direito”, enfraqueceram o Flu, porém a linha de ataque ainda era formada por nomes valorosos e valiosos. A começar por Adolpho Milman ou, como todos o conheciam, Russo, que nasceu no distante Afeganistão e veio a se tornar um dos maiores artilheiros do Fluzão com 150 gols marcados. Se Russo era o principal responsável por finalizar os ataques tricolores, Tim era quem tinha a missão de arquitetá-los. Para expor a capacidade de Tim em organizar jogadas ofensivas, nada melhor do que o seu apelido e as palavras de um jornal francês. Pelas atuações monumentais com a Seleção Brasileira no Sul-Americano de 1937, quando ainda vestia a camisa da Portuguesa Santista, Tim recebeu dos anfitriões argentinos o apelido de “El Peón”. O motivo? Pois assim como na Argentina “el peón” era aquele quem guiava milhares de cabeças de gado pelos pampas, Tim era quem guiava a equipe brasileira dentro de campo. Outro indicador da enorme qualidade de Tim ocorreu durante a Copa do Mundo de 1938. Surpreso por ver um craque do quilate de Tim como reserva, o jornal “Paris Soir” escreveu: “Tim é o mais perfeito atacante que jamais pisou os gramados da Europa”.

Outro jogador que escreveu seu nome no futebol brasileiro e também fazia parte deste Fluminense de 1942 foi Carreiro, o “Rui Barbosa do futebol”. Jogador de porte físico frágil – chegou a ser dado como incapaz para a prática do futebol – Carreiro tinha uma cabeça desproporcional ao corpo magro. Como forma de superar a desvantagem física, Carreiro se utilizava de truques dos mais diversos dentro das quatro-linhas, como por exemplo imitar o assobio do juiz, o que fazia com que o defensor parasse de correr, acreditando que Carreiro estivesse impedido, enquanto o atacante entrava livre, leve e solto na área adversária. Outra malandragem utilizada por Carreiro era, na hora do escanteio, prender o uniforme do goleiro em um dos ganchos que ligava a rede na trave, o que dificultava a vida do arqueiro na hora de sair do gol. Realmente este Carreiro foi um personagem único. Completanto a lista de foras-de-série do ataque do Fluzão estava o veloz Pedro Amorim, ponta-direita presente em dois dos maiores momentos já vividos pelo Fluminense: a final do Carioca de 1941, o famoso “Fla-Flu da Lagoa”, e a decisão do Supercampeonato Carioca de 1946 contra o Botafogo, ambas as partidas vencida pelo Flu.

E o Madureira? Quem eram os craques do Tricolor Suburbano neste inesquecível 1942 para o clube? Antes de falarmos dos craques individualmente, vale ressaltar que, como equipe, o Madureira vinha se apresentando como a quinta maior força do futebol carioca neste início de década de 40, atrás somente dos hoje chamados quatro grandes. Quem comprova esta boa fase vivida pelo Madureira são os próprios resultados dos Cariocas de 1940 e 1941, quando o clube terminou, ambos, na 5ª colocação. Um outro exemplo da força deste Madureira foi dada em 15 de junho de 1941, quando o Tricolor Suburbano bateu o Fluminense por 4 x 2 no jogo que marcou a inauguração do Estádio Aniceto Moscoso e estabeleceu o recorde de público do mesmo, com a presença de 10.762 torcedores.

No Cariocão de 1942 o Madureira seguia os mesmos passos das campanhas anteriores, alcançando resultados portentosos no 1º turno, como as goleadas de 5 x 1 contra o Vasco e de 9 x 2 sobre o Bangu, além da incrível marca de 35 gols marcados em 9 jogos, totalizando uma média de quase 4 gols por partida. O responsável principal por esta verdadeira chuva de gols era um trio que quem viu em campo não mede palavras para elogiar: Lelé, Isaías e Jair Rosa Pinto. Lelé era dono de um chute que, para o jornalista Mario Filho, “talvez não tenha havido outro igual”. O gol que melhor espelha o canhão que Lelé possuía nos pés foi marcado em um confronto entre Brasil e Uruguai, quando em uma falta do meio da rua o goleiro uruguaio Pereyra Natero decidiu não pedir barreira e – coitado – nem viu por onde entrou o tijolo mandado por Lelé. O arremate fora tão sensacionalmente forte que bastava a Seleção Brasileira ter um tiro de meta para o torcedor encher os pulmões e gritar: “Lelé! Lelé! Lelé!”.

Isaías era uma verdadeira máquina de fazer gols. Nos três primeiros Cariocas da década de 40 ele balançou as redes nada menos do que 68 vezes. Era um jogador veloz, habilidoso e que tinha em suas arrancadas, conhecidas na época como sprinter, uma arma poderosíssima. Completanto o trio, estava Jair Rosa Pinto, que, diga-se de passagem, foi, dos três, aquele que alcançou maior reconhecimento após a saída do Madureira, tendo disputado a Copa do Mundo de 1950 e conquistado títulos por Vasco, Santos e Palmeiras. Jair era um verdadeiro paradoxo. Quem olhava para o seu corpo franzino, suas canelas finas e seus pés de boneco poderiam até imaginar seus longos e precisos lançamentos, mas jamais a potência que tinham os seus chutes de canhota. O destaque alcançado pelos “três patetas”, como ficou conhecido o trio, foi tão grande que o Vasco foi buscá-los em 1943, quando o treinador Ondino Vieira, o mesmo que em 1942 comandava o Fluminense, iniciou a montagem do esquadrão que entraria para a história como “Expresso da Vitória”.

No dia 2 de agosto de 1942, Fluminense e Madureira se enfrentaram nas Laranjeiras em jogo válido pela 8ª rodada do 2º turno. Como foi citado anteriormente, o Fluzão vinha à campo brigando por pontos preciosos para quem sonhava com o Tricampeonato, enquanto o Madureira buscava, novamente, terminar a competição na metade de cima da tabela. Além de ter a vantagem de estar jogando em seus domínios, o Flu também contava com o fato de ter goleado o Madureira por 4 x 1 no 1º turno. De acordo com um jornal da época, seria “um treino leve para o Fluminense”. Porém, bastou o apito inicial para que o Fluminense recebesse um troco que não estava esperando.

Os ventos começaram a soprar a favor do Madureira cedo, com apenas um minutinho de jogo, quando o principal arquiteto das jogadas ofensivas do Flu, o meia Tim, sofreu uma fratura no perônio. Foi o início de um pesadelo para o Fluminense. Contando com atuações mais do que inspiradas de Isaías e Murilinho, o Tricolor Suburbano bateu um bolão e engoliu o adversário, devolvendo a goleada de 4 x 1 sofrida no 1º turno, com dois gols do Murilinho e dois do Isaías, tendo Magnones descontando para o Flu. Na realidade, o Madureira devolveu o placar do 1º turno com juros e correção monetária, pois um dos gols marcados pelo Isaías não foi um gol comum, mas um daqueles que entrou para a história do futebol brasileiro. Em uma de suas sensacionais e características arrancadas, Isaías foi deixando, um a um, seus marcadores para trás, até driblar o goleiro Gijo e, sem um pingo de humildade, finalizar de letra para o fundo do barbante. A nobre torcida do Fluminense foi a loucura com o que consideraram um deboche sem tamanho do Isaías e, segundo o folclórico massagista Mário Américo, na época profissional do Madureira, o estádio se transformou num tumulto só. Apesar de ainda não ter encontrado tal afirmação entre livros, muitos consideram que este gol deu origem ao termo “gol de letra”, que teria sido inventado pelo jornalista Mario Filho para descrever o lance no qual o Isaías fez um X com as pernas. Mais de 60 anos após ter marcado este gol que deixou o torcedor do Fluminense com as veias do pescoço pulando, de tanta raiva, Isaías voltaria a ser lembrado pela mídia esportiva nacional. O motivo? Na decisão do Campeonato Carioca de 2003, o segundo gol do Vasco sobre o Fluminense, que deu ao clube a vitória por 2 x 1 e o título estadual, surgiu após um cruzamento de letra do Léo Lima, bisneto de Isaías, que terminou com o atacante Souza colocando a bola no fundo do gol.

Tudo bem que em um Campeonato de pontos corridos, seria um equívoco julgar toda uma campanha por um jogo só. No entanto, esta goleada de 4 x 1 do Madureira sobre o Fluminense, com direito à gol histórico do Isaías, pode ser usada perfeitamente como símbolo de um Carioca no qual o Fluminense não conseguiu conquistar o sonhado Tricampeonato, deixando o caneco parar nas mãos do rival Flamengo, e o Madureira terminou na destacada quarta colocação, à frente até do Vasco da Gama.

Fluminense 1 x 4 Madureira
2 de agosto de 1942
Laranjeiras – Público: 3.385 torcedores
Gols: Isaías (2) e Murilinho (2), para o Madureira, e Magnones para o Fluminense
Fluminense: Gijo, Norival e Renganeschi; Ruy, Spinelli e Afonsinho; Maracaí, Pedro Nunes, Magnones, Tim e Carreiro.
Madureira: Herrera, Jaú e Rubem; Otacilio, Spina e Esteves; Jorge, Godofredo, Isaias, Jair e Murilinho.

Referências
sitedalusa.com
flumania.com.br
O Negro no Futebol Brasileiro
Memórias de Mário Américo, o Massagista dos Reis

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

SUPER-HERÓIS NO PLANETA BOLA!

Olá amigos do FUTEBOLA!

Em tempos onde a escalação de alguns times de futebol mais parecem listas telefônicas, cheia de sobrenomes e carente de apelidos, acho muito bacana a postura do atacante Rafael Moura de incorporar o apelido de “He-Man” em suas comemorações, quando simula estar erguendo a espada, gesto característico do super-herói da década de 80.

Aproveito o excelente retorno do Rafael “He-Man” Moura para o Flu, no qual já marcou quatro gols em apenas dois jogos, para lembrar alguns outros jogadores, na ativa ou não, que receberam apelidos de super-heróis. O primeiro que me vem à cabeça é o atacante Valdeir, que apareceu para o futebol brasileiro no início dos anos 90, vestindo a camisa do Fogão, e depois atuaria com Zidane no francês Bordeaux. Valdeir era um jogador tão rápido, mas tão rápido, que recebeu o apelido de “The Flash”. Ainda nos anos 90, mas saindo do ataque e chegando na defesa, o zagueirão Adilson Batista, hoje um dos bons treinadores do nosso futebol, marcou época principalmente no Cruzeiro e no Grêmio. Foi atuando pelo Tricolor Gaúcho que Adilson Batista levantou o caneco da Libertadores de 1995 e ganhou o apelido de “Capitão América”.

Como comprova o próprio Rafael Moura, os apelidos heróicos não são exclusividade dos jogadores que já penduraram as chuteiras. Nesta última quarta-feira, quando a Seleção Brasileira perdeu para a França em Paris, um atacante canarinho teve em seus pés, no fim do jogo, a bola que poderia resultar no empate. Seu nome? Não sei. Todos o conhecem como Hulk, tamanha é sua força física. Diego Souza, atualmente vestindo a camisa alvinegra do Atlético Mineiro, foi chamado de “Homem de Ferro” no período em que esteve no Palmeiras, devido a não ter sofrido sequer uma lesão nos anos de 2008 e 2009. No entanto, até pelos bate-bocas que o meia teve com a torcida palmeirense, que diminuíram o seu prestígio por lá, este foi um apelido mais usado na imprensa do que nas arquibancadas.

Existe também os casos em que, por coincidência, um craque acaba sendo conhecido pela mesma alcunha de um herói dos quadrinhos. Em 1938, Leônidas da Silva encantou o mundo da bola com suas atuações na Copa do Mundo disputada na França. Seus dribles e ginga o faziam parecer tão maleável que ele voltou de lá chamado de “Homem Borracha”. No entanto, o super-herói Homem Borracha só iria fazer sua primeira aparição nos quadrinhos em 1941, ou seja, três anos depois de Leônidas ganhar o apelido.

Não só em futebol, mas em qualquer esporte, os apelidos, heróicos ou não, servem para aproximar os ídolos dos fãs e também para tornar o atleta mais carismático. Por isto, sou totalmente contrário a atitudes como a que o treinador Vanderlei Luxemburgo tomou recentemente, pedindo para o meio-campista “Muralha”, Campeão da Copa São Paulo pelo Flamengo, abandonar o apelido e passar a ser chamado pelo nome, Luís Felipe. À primeira vista, parece que os torcedores rubronegros não aceitaram esta troca, pois durante a volta olímpica dos Campeões da Copinha, no Engenhão, a torcida encheu os pulmões e gritou: “Muralha! Muralha!”. Que continue assim. Viva os apelidos!

COPA LIBERTADORES 2011 - FASE DE GRUPOS

Fluminense 2 x 2 Argentinos Juniors – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Com dois gols do atacante Rafael Moura e duas grandes falhas de sua retaguarda, o Fluminense estreou no Grupo 3 da Libertadores apenas empatando com o Argentinos Juniors.

Sem poder contar com seu artilheiro e capitão Fred, além do zagueiro Leandro Euzébio, Muricy Ramalho mandou o Fluminense à campo organizado em um 3-5-2, com o volante Edinho fazendo papel de terceiro zagueiro, e escalado assim: Diego Cavalieri; Gum, Edinho e André Luís; Mariano, Diguinho, Souza, Conca e Carlinhos; Willians e Rafael Moura. Pelo lado do Argentinos Juniors, o treinador Troglio mandou sua equipe para o jogo também esquematizada no 3-5-2 com: Navarro; Sabia, Torren e Gentilleti; Prósperi, Mercier, Basualdo, Orteman e Escudero; Neill e Salcedo.

Com o apito inicial, o Fluminense se viu diante de dois obstáculos que atrapalharam, e muito, sua atuação na 1ª etapa: o nervosismo de seus jogadores e a postura adotada pelo adversário de não apenas se defender. Sabem aquele famoso nervosismo que as estréias causam? Pois é, os jogadores do Flu foram atingidos por ele e cometeram muitos erros bobos, principalmente o atacante Willians, que claramente sentiu o peso do jogo. Some-se a esta tensão uma falta de criatividade enorme e está explicado o péssimo 1º tempo tricolor, com Souza mal nas bolas paradas, Carlinhos e Mariano sem profundidade pelas laterais, Conca sumido nas organizações das tramas ofensivas... Por outro lado, o Argentinos Juniors não se contentou apenas com a fácil missão de segurar o ataque do Flu e colocou as manguinhas de fora, apresentando boas qualidades ofensivas com o meia Oberan, o ponta-direita Neill e o centroavante Salcedo. Se aos 36 minutos os argentinos quase abriram o placar após uma jogada do Salcedo pela direita, que o zagueiro André Luís conseguiu salvar a pátria tricolor em cima da linha, aos 43 o Oberdan cruzou a redonda na área e o baixinho Neill – de apenas 1,62 metros – sacudiu o filó de cabeça. E é claro que para sofrer um gol de cabeça de um jogador tão baixo a defesa do Flu precisou contribuir falhando.

Para a 2º tempo, o Fluminense não voltou somente com a modificação do Willians pelo Rodriguinho, mas também com outra atitude ofensiva, mais concentrada e eficiente. Nos primeiros 20 minutos desta etapa final, o Tricolor foi perigoso em uma bola parada com o Souza, que o bom volante argentino Mercier por pouco não marcou contra, empatou a partida com cabeçada do Rafael Moura em ótimo lance do Carlinhos pela esquerda e quase virou o placar com o Mariano, em jogada do Rodriguinho, e com o próprio Rodriguinho. Resumindo: em 20 minutos o Fluzão fez mais, muito mais, do que em toda a 1ª etapa. No entanto, quando os ventos pareciam estar totalmente favoráveis ao Fluminese, o sistema defensivo, sem nenhuma dúvida o principal ponto fraco da equipe, voltou a falhar. E desta vez foi uma falha das feias. Primeiro o Salcedo ganhou no pé de chumbo do André Luís, alçou redonda na área, o Diego Cavalieri saiu mal do gol e, para completar a bobeada geral, o Gum permitiu que o pequenino Neill novamente balançasse o barbante de cabeça.

Para alívio do torcedor tricolor, o Rafael “He-Man” Moura está realmente vivendo uma fase de super herói e, três minutinhos após os argentinos tomarem a frente do escore, deixou outra vez a sua marca, depois de o Conca cruzar a bola da direita, o Marquinho ajeitar de cabeça para trás e o Souza dar a assistência. Daí até o final da partida, o Fluzão até partiu em busca da vitória, embalado pelos gritos de “Guerreiros! Guerreiros! Guerreiros! Time de Guerreiros!” que vinham das arquibancadas, mas o Argentinos Juniors conseguiu segurar o placar, fazendo muita cera e prendendo a bola no campo ofensivo.

Se o torcedor tricolor tinha alguma dúvida de que o seu grupo na Libertadores é uma verdadeira pedreira, parece que esta dúvida perdeu muito de sua força após este empate na estréia. O Fluzão vai ter que suar bastante para avançar no torneio, porém continua sendo um dos favoritos para levantar o caneco.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

AMISTOSO INTERNACIONAL - FRANÇA X BRASIL

França 1 x 0 Brasil - Stade de France, Paris

No Segundo teste de alto nível enfrentado pelo treinador Mano Menezes – o primeiro havia sido contra a Argentina – a Seleção Brasileira novamente saiu de campo derrotada, desta vez por 1 x 0.

O duelo contra os franceses pode ser dividido em duas fases: uma antes e outra depois da expulsão dos Hernanes aos 38 minutos da 1ª etapa. Com 11 jogadores em campo, o Brasil estava postado com duas linhas de quatro e os milanistas Robinho e Pato formando o ataque. Confesso aos amigos que não gostei da formação, principalmente a linha de quatro meio-campistas que contava com Renato Augusto aberto pela direita, Hernanes aberto pela esquerda – diga-se de passagem, claramente fora de posição – e a dupla Elias e Lucas centralizada. Com esta formação, o Brasil não arquitetou nenhuma boa trama ofensiva e máximo que conseguiu foi manter a posse de bola. Após a expulsão do ex-tricolor paulista, o Brasil nem mais a pelota teve sob controle e a França precisou jogar apenas os primeiros 20 minutos do 2º tempo para criar três claras oportunidades de gols e definir o placar. Comandados pelo meia-direita Menéz e pelo atacante Benzema, os “Azuis” abriram o placar logo aos 9 minutos da etapa final, em linda jogada do Menéz que encontrou o Benzema livre, leve e solto para sacudir o barbante. E os franceses só não ampliaram a vantagem porque o goleirão Júlio César esteve, novamente, em uma boa noite.

Ainda não é hora de pressionar o trabalho do Mano Menezes, mas as seguidas derrotas diante de argentinos e franceses vão colocar um pouquinho de pimenta nas análises sobre a renovação que ele tenta implantar na Seleção Brasileira.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA

Na capa da 4a edição do livro “O Negro no Futebol Brasileiro” encontra-se escrito: “O maior clássico sobre o futebol brasileiro”. Amigos, após ler esta obra prima escrita pelo lendário Mario Filho, fica impossível discordar desta análise. Com sua escrita inigualável, Mario Filho conta como ocorreu a ascensão do negro no futebol e na sociedade brasileira, sem deixar de lado histórias sensacionais sobre o próprio futebol. É leitura obrigatória para aqueles que são apaixonados pela história do esporte e para os que querem uma visão sociológica sobre a inclusão do negro em nossa sociedade.



O Negro no Futebol Brasileiro
Autor: Mario Filho
Editora: MAUAD

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

PREMIER LEAGUE 2010/2011 - 26ª RODADA




RESULTADOS

Stoke City 3 - 2 Sunderland
Aston Villa 2 - 2 Fulham
Everton 5 - 3 Blackpool
Manchester City 3 - 0 West Bromwich
Newcastle 4 - 4 Arsenal
Tottenham 2 - 1 Bolton
Wigan 4 - 3 Blackburn
Wolverhampton 2 - 1 Manchester United
West Ham 0 - 1 Birmingham
Chelsea 0 - 1 Liverpool

ARTILHEIROS

19 gols
Dimitar Berbatov (Manchester United)
18 gols
Carlos Tévez (Manchester City)
11 gols
Andy Carrol (Liverpool)

COMENTÁRIOS

Chelsea 0 x 1 Liverpool – Stamford Bridge, Londres

Na estréia de Fernando Torres pelo Chelsea quem acabou comemorando foi o Liverpool, ex-clube do craque espanhol, que com um gol do Raul Meireles venceu o clássico e já se encontra em 6º lugar na tabela.
Treinado por um dos maiores ídolos de sua história, o escocês Kenny Dalglish, o Liverpool foi à campo organizado taticamente em um 3-6-1 bastante cauteloso e com a clara intenção de explorar os contra-ataques, tendo o meia Raul Meireles e o atacante Kuyt como homens mais avançados. Já o Chelsea deixou o seu costumeiro 4-3-3 de lado e apostou na dupla de ataque formada por Drogba e Fernando Torres, com o Anelka de meia ofensivo e postado taticamente em um 4-3-1-2. Os primeiros 30 minutos do duelo ocorreram sem maiores emoções, com um Chelsea sem capacidade de furar o bem postado muro vermelho e o Liverpool se equivocando seguidamente na organização dos contra-ataques. O único lance digno de nota deste período surgiu exatamente de uma saída de bola errada do Liverpool, quando, logo no início da partida, o Maxi Rodríguez bobeou e a redonda ficou com o Fernando Torres, que arrematou para fora. Depois de meia hora de falta de criatividade do Chelsea, com Anelka mostrando que não tem a mínima noção do que é ser um meia ofensivo e o Lampard sumido ofensivamente, o Liverpool conseguiu encaixar um ataque aos 32 minutos com o Gerrard pela esquerda que terminou com o Maxi Rodríguez livre, leve e solto perdendo um gol incrível.

Na volta para o 2º tempo, o Chelsea, provavelmente para a decepção de seus torcedores, retornou com a mesma equipe e encontrando as mesmas dificuldades para superar a muralha adversária muito bem comandada pelo zagueirão Carragher, que teve uma atuação destacada. Na primeira metade desta 2ª etapa, o Chelsea decidiu apostar nos chutes longos, com Anelka e Essien, respectivamente aos 19 e 21 minutos, assustando o goleiro Reina, mas mesmo assim não conseguiu abrir o placar. Já o torcedor do Liverpool, que havia encontrado um grande motivo para sorrir aos 20 minutos, com a decisão do treinador Ancelotti de substituir o Fernando Torres, explodiu de alegria aos 23, quando Gerrard encontrou o Raul Meireles na área e o português, sem muito trabalho, sacudiu o filó. A partir daí, o já infértil ataque do Chelsea ficou mais nervoso e só conseguiu levar perigo ao goleiro Reina aos 27 minutos, em finalização do Malouda. Fora isso, os Blues apresentaram a mesma improdutividade de quando o duelo estava empatado e, por isso, não conseguiram chegar ao barbante.

Com 38 pontos, os Reds ainda estão muito, mas muito distantes da zona de classificação para a Champions League. No entanto, com esta vitória, sua quarta consecutiva, o Liverpool vai caminhando para um final de torneio mais digno e coerente com sua tradição. Por outro lado, o Chelsea perdeu uma grande oportunidade de conquistar 3 pontos, crescer na competição e se aproximar do ainda líder isolado Manchester United.

GIRANDO PELA “TERRA DA RAINHA”

- Mesmo segurando a lanterna do torneio, o Wolverhampton vem aprontando poucas e boas nesta temporada da Premier League. Como se as vitórias sobre o Chelsea e o Liverpool não fossem suficientes, os Wolves conseguiram a façanha de tirar a invencibilidade do Manchester United com uma vitória por 2 x 1 que entrará para a história.

- Quem tinha tudo para estar comemorando o tropeço do Manchester United era o vice-líder Arsenal. No entanto, depois de conseguir abrir uma vantagem de 4 x 0 sobre o Newcastle os Gunners bobearam feio e permitiram o empate. Como gosto de dizer: “Em campeonatos de pontos corridos, pontos perdidos não voltam mais”.

- Quem continua voando baixo na Premier League é o argentino Carlitos Tévez, que no dia de seu aniversário deu um baita presente para o torcedor do Manchester City. No duelo contra o West Bromwich, Tévez marcou nada menos do que os três gols da vitória do City por 3 x 0.

CAMPEONATO CARIOCA 2011 - TAÇA GUANABARA - 6ª RODADA


RESULTADOS

GRUPO A
Resende 1 x 2 Nova Iguaçu
Vasco 3 x 0 Americano
Boavista 2 x 3 Flamengo
Volta Redonda 2 x 0 América

GRUPO B
Bangu 2 x 2 Cabofriense
Macaé 2 x 2 Madureira
Duque de Caxias 4 x 2 Olaria
Fluminense 2 x 3 Botafogo

Fluminense 2 x 3 Botafogo – Engenhão

Fluminense e Botafogo fizeram um “Clássico Vovô” recheado de gols, viradas, emoções, polêmicas, lances marcantes e que terminou com o Fogão vencendo por 3 x 2 e assumindo a ponta do Grupo B.

Com o objetivo de conquistar a liderança do seu grupo e ficar mais distante de enfrentar o Flamengo na fase semi final da Taça Guanabara, Joel Santana mandou o Botafogo à campo organizado no já costumeiro 3-5-2 com Jefferson; João Felipe, Antônio Carlos e Márcio Rosário; Alessandro, Bruno Thiago, Marcelo Mattos, Renato Cajá e Márcio Azevedo; Herrera e Loco Abreu. Pelo lado do Fluminense, Muricy Ramalho também optou pelo 3-5-2, com o volante Valencia fazendo papel de terceiro zagueiro e a equipe veio para o jogo com: Diego Cavalieri; Gum, Valencia e Leandro Euzébio; Mariano, Edinho, Souza, Conca e Carlinhos; Fred e Rafael Moura.

A 1ª etapa do clássico pode ser claramente dividida em duas partes: antes da parada técnica e depois da parada técnica, que ocorre aos 20 minutos de cada tempo. Se antes desta parada o 1º tempo se mostrava frio e com os ataques sem inspiração, após ela o jogo começou a pegar fogo. Pelo Botafogo, Renato Cajá iniciou aquela que, a meu ver, foi sua melhor atuação com a camisa alvinegra. Além de marcar um golaço de falta aos 23 minutos, o camisa 10 do Fogão acertou dois tijolos na trave e ainda cobrou uma outra falta que passou assoviando o ouvido do goleiro Diego Cavalieri. No entanto, o magnífico 1º tempo do calibrado Cajá não foi suficiente para levar o Fogão com a vitória parcial para o intervalo, pois o reestreante tricolor Rafael Moura estava com cheiro de gol. Se aos 28 minutos o Flu não conseguiu o empate após linda tabelinha entre Mariano e Fred, aos 30 Rafael Moura desviou córner cobrado pelo Souza e igualou o placar. Depois, quando o relógio marcava 44 minutos e o Fluminense já contava com um homem a menos devido à expulsão do zagueiro Valencia, Souza chutou à gol e após defesa parcial do goleiro Jefferson o Rafael Moura empurrou para o fundo do barbante. Antes do apito que encerraria a 1ª etapa, Marcelo Mattos cometeu falta dura no argentino Conca e também foi mais cedo para o chuveiro.

O jogo voltou do intervalo ainda mais quente. Se no 1º tempo o Loco Abreu havia sido completamente anulado por uma excelente atuação do zagueiro Gum e só apareceu ao exigir com muita ferocidade a expulsão do Valencia, nos primeiros minutos da etapa final o uruguaio foi o centro das atenções. Primeiro o Renato Cajá alçou a pelota na área e o Rafel Moura se apoiou sobre o Loco Abreu cometendo clara penalidade máxima. Veio a cobrança e o Loco Abreu cometeu a loucura – com o perdão do trocadilho – de dar a famosa cavadinha no meio do gol. Resultado: a bola foi parar nas mãos do Diego Cavlieri como se fosse um filhote sonolento querendo o colo da mamãe. Três minutinhos depois, o jovem alvinegro Bruno Thiago invadiu a área e o juiz Gutemberg de Paula Fonseca enxergou pênalti cometido pelo Edinho em lance que, em minha opinião, nada ocorreu. Novamente Loco Abreu foi para a marca da cal e, com uma cavadinha mais séria, no canto esquerdo do goleiro, empatou o duelo. O Fluminense sentiu o gol e se perdeu em campo. Na realidade, não foi nem o gol que fez o Flu se perder, mas sim o nervosismo que atingiu os seus jogadores após o pênalti marcado sobre o Bruno Thiago. Em um momento foi até possível ver o Fred, completamente indignado com a marcação da penalidade, pedindo ao Muricy para ser substítuido. E a situação tricolor ficaria ainda pior aos 18 minutos, quando o dono do jogo, Renato Cajá, deu milimétrica assistência para Herrera sacudir o filó e virar o marcador.

Mesmo com a vantagem de um gol o Fogão não parou de atacar e levar perigo ao Diego Cavalieri, que realizou duas defesas dificílimas em finalizações do Loco Abreu, respectivamente aos 20 e 25 minutos. No entanto, resultado de uma soma entre o cansaço dos seus jogadores e a substituição do Renato Cajá pelo Éverton, aos 30 minutos, o ímpeto ofensivo botafoguense diminuiu e o Fluminense partiu com tudo em busca do empate. Nos últimos 15 minutos de jogo, o Tricolor mandou seus laterais para o ataque, o sumido Conca participou um pouco mais da partida, Araújo entrou em campo mostrando que pode ser útil e o empate só não veio porque o Botafogo possui um goleiro que vive fase excepcional. Apesar dos esforços de Alessandro, Bruno Thiago e Árevalo Ríos para segurar a ofensiva tricolor e da segurança que Antônio Carlos e Márcio Rosário apresentavam nas bolas aéreas, o principal responsável pelo Botafogo ter conseguido segurar a vitória foi o goleiro Jefferson, que realizou três defesas espetaculares, em uma cabeçada do Araújo e dois arremates longos do Carlinhos.

Está vitória conquistada pelo Fogão é daquelas que dá bastante moral para a equipe, pois apesar de ter sido um jogo pela fase de grupos, teve todas as características de uma decisão, desde o nervosismo dos jogadores até o do árbitro.

JOGADA RÁPIDA!

Pelo Grupo A, Flamengo e Boavista fizeram um jogo elétrico no ensolarado Moacyrzão. O Fla teve tudo para conquistar uma vitória tranquila ao abrir o placar em pênalti bem cobrado pelo Ronaldinho Gaúcho, que marcou seu primeiro gol pelo clube, e, logo no comecinho da 2ª etapa, ampliar a vantagem com o Deivid após linda jogada do Léo Moura. No entanto, o frágil sistema defensivo rubronegro resolveu aprontar e o argentino Frontini balançou as redes duas vezes, sendo que na segunda delas após uma falha enorme do zagueiro Welinton. No fim, o prata da casa Negueba aproveitou boa jogada do raçudo Willians pela esquerda e deu a vitória e a liderança do grupo para o Mengão. Apesar dos atuais 100% de aproveitamento, o Flamengo precisa melhor muito, mas muito mesmo, defensivamente, pois se já encontra problemas com adversários de menor poder ofensivo, os encontrará mais ainda diante de jogadores do quilate de Fred, Conca e Loco Abreu, por exemplo.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

PAPO CABEÇA - QUE BOM TER O RIVALDO DE VOLTA!

Na última quarta-feira, o Rio de Janeiro parou e o Engenhão lotou para ver a estréia de Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo. Ontem, sem o mesmo alvoroço do Gaúcho, até porque o marketing não é o seu forte, Rivaldo reestreou no futebol brasileiro vestindo a camisa do São Paulo e, somando-se à presença do Ronaldo no Corinthians, fechou o retorno do trio ofensivo Campeão do Mundo de 2002 para o futebol brasileiro. Sempre fui grande fã do Rivaldo e admito que revê-lo esbanjar sua classe em nossos gramados foi um enorme prazer.

Com a camisa 10 do Tricolor Paulista, Rivaldo, surpreendentemente, ignorou os seus 38 anos e o tempo em que esteve parado e atuou os 90 minutos da difícil vitória sobre o Linense por 3 x 2. Durante este tempo, deu passes amanteigados, dribles desconcertantes e ainda marcou um golaço que deveria ficar exposto no museu do futebol. Esta grande atuação também serviu para diminuir bastante as dúvidas que existem sobre se o melhor jogador do mundo em 1999 ainda é capaz de atuar em alto nível, apesar de não eliminá-las. Uma rápida viagem pela história do São Paulo mostra que o Rivaldo não é o primeiro jogador a “sofrer” com as dúvidas em relação à sua idade, pelo contrário, o Tricolor tem por tradição apostar em craques que estão perto de pendurar as chuteiras.

Em 10 de novembro de 1957, Zizinho, já totalizando 36 primaveras, estreou pelo São Paulo dando um show de bola em um clássico contra o Palmeiras, vencido pelo Tricolor por 4 x 2. Este jogo foi válido pelo Paulistão de 1957 e a estréia de Zizinho foi o pontapé inicial para uma arrancada de 10 vitórias e dois empates, incluindo uma vitória de 6 x 2 sobre o Santos de Pelé em plena Vila Belmiro, que culminou com a conquista do caneco. Outro exemplo que ilustra a boa relação entre o São Paulo e craques veteranos é mais recente, da década de 90, quando, em 1992, o clube contratou Toninho Cerezo, então com 37 anos. Com toda sua categoria característica, Cerezo bateu um bolão em sua passagem pelo São Paulo, conquistando o Paulista (1992), a Libertadores (1993) a extinta Supercopa (1993) e o Bimundial (1992/1993). E mais: No duelo contra o Milan que valeu o caneco mundial de 1993, Cerezo ganhou, simplesmente, o prêmio de melhor jogador em campo.

E se os exemplos de Zizinho e Toninho Cerezo são insuficientes para não duvidarmos do que o Rivaldo pode ser capaz, talvez o genial Nelson Rodrigues consiga este feito com as palavras que disse após uma grande atuação de Zizinho, então com 34 anos, pela Seleção Brasileira: “Geralmente, o jogador de 34 anos está gagá para o futebol, está babando de velhice esportiva. Mas o caso de Zizinho mostra o seguinte: - o tempo é uma convenção que não existe nem para o craque, nem para a mulher bonita. Existe para o perna-de-pau e para o bucho. Na intimidade da alcova, ninguém se lembraria de pedir à Rainha de Sabá, à Cleópatra, uma certidão de nascimento. Do mesmo modo, que importa a nós tenha Zizinho 17 ou 300 anos, se ele decide as partidas? Se a bola o reconhece e prefere?”

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

CAMPEONATO CARIOCA 2011 - TAÇA GUANABARA 5ª RODADA

GRUPO A
Boavista 0 x 1 Resende
América 3 x 1 Americano
Flamengo 1 x 0 Nova Iguaçu
Vasco x Volta Redonda – quinta-feira

GRUPO B
Maduereira 2 x 1 Cabofriense
Olaria 1 x 1 Macaé
Bangu 1 x 1 Botafogo
Fluminense x Duque de Caxias – quinta-feira


Flamengo 1 x 0 Nova Iguaçu – Engenhão

A estréia do Ronaldinho Gaúcho pelo Flamengo foi uma mistura de tensão e alegria. Desde a recepção de arrepiar que a torcida preparou para o craque até o alívio final, passando por uma partida duríssima, suada, apertada e que só foi decidida com um gol do “Ladrão de Estréias” Wanderley, aos 40 minutos do 2º tempo. Depois de balançar as redes duas vezes na estréia do Thiago Neves, Wanderley “roubou” a estréia do Ronaldinho e começa a se tornar o mais novo xodó da torcida rubronegra. Vamos ver como os jogadores do Mengão se comportaram neste difícil duelo contra o organizado e aplicado Nova Iguaçu.

Felipe: Diante da postura do Nova Iguaçu de se defender quase integralmente e buscar somente os contra-golpes o goleiro Felipe pouco trabalhou na partida.

Léo Moura: Mais uma bela atuação do Léo Moura, um dos poucos jogadores que consegue estar voando fisicamente no início da temporada. Mesmo contando com a presença cada vez maior de jogadores com destacadas qualidades ofensivas, Léo Moura continua sendo uma das mais importantes armas do Flamengo. Bastante acionado durante a partida, Léo Moura deu um banho de bola no seu marcador, o lateral-esquerdo Cortez, e construiu boas jogadas de ataque.

Welinton: Assim como o goleiro Felipe, pouco participou da partida devido à postura retraída do adversário.

David Braz: Mais participativo do que seu companheiro de zaga, David Braz conseguiu impedir alguns dos raros ataques do Nova Iguaçu e demonstrou um força de vontade que vem se tornando uma marca registrada.

Renato: Completamente perdido na lateral-esquerda, pouco apoiou ofensivamente, aparecendo bem somente ao finalizar um espetacular tabelinha entre o Ronaldinho e o Deivid. Já defensivamente, mostrou que se permanecer atuando no setor o Flamengo pode ter uma “Avenida Renato Abreu” em campo, pois espaços em suas costas não vão faltar. Na parte final da partida, com a entrada do Egídio no lugar do Maldonado, Renato passou a atuar de meio-campo e, pela meiúca, participou da organização da jogada que resultou no gol da vitória. Coincidência? Creio que não. Renato é um ótimo volante para ser sacrificado na lateral-esquerda.

Willians: Um verdadeiro leão em campo. Por atuações como esta contra o Nova Iguaçu que o torcedor rubronegro adora encher os pulmões e gritar: “Willians!!! Willians!!! Willians!!!”. Se ele comete algumas faltas bobas e erra passes mais bobos ainda, tudo isto é facilmente esquecido diante da raça, garra e dedicação deste volante. Foi o principal responsável por o Nova Iguaçu não ter obtido sucesso na maioria dos seus contra-ataques.

Maldonado: Até por não possuir o vigor físico do seu companheiro Willians, o chileno apareceu menos na partida. No entanto, sua participação à frente da defesa é, e deverá ser por um bom tempo, muito importante para o Flamengo.

Vander: Não repetiu suas boas atuações que deixaram o torcedor flamenguista perguntando: “Quem é este garoto bom de bola que joga com a camisa 20?” Muito apagado ofensivamente, Vander não ajudou nem um pouco o ataque na árdua missão de furar a retranca laranja.

Thiago Neves: Se não foi brilhante como no lençol aplicado em Fernando Prass no último domingo, Thiago Neves nem passou perto de realizar uma partida ruim. O meia correu bastante, ajudou na marcação, tentou organizar jogadas de ataque, teve participação direta no gol da vitória, permaneceu em campo durante os 90 minutos, pediu o apoio da torcida quando a partida estava 0 x 0 e o time não podia relaxar... Pouco a pouco o craque começa a se sentir em casa com a camisa rubronegra.

Ronaldinho Gaúcho: Não foi a estréia dos sonhos, porém está longe de ser considerada a estréia dos pesadelos. Recebido de maneira inesquecível pelo torcedor rubronegro que entupiu o Engenhão, Ronaldinho apresentou um futebol de ótimo nível, se mostrou muito perigoso nas bolas paradas, deu um punhado de passes precisos e foi figura importantíssima na vitória flamenguista. Na fase final da partida, quando sua nada ideal forma física poderia se fazer sentir mais intensamente, Ronaldinho surpreendeu e continuou correndo, participando e tentando levar sua equipe à vitória, como em duas boas assistências que deu para o Thiago Neves e para o Léo Moura. Elogios para o estreante à parte, gostaria de aproveitar o espaço que falo do Gaúcho para discordar de sua escolha para capitão do Flamengo e de sua participação em alguns lances de bola parada. Não sei se por opção do Luxemburgo ou por ordem “que vem de cima”, o Ronaldinho “ganhou” a braçadeira de capitão do Léo Moura. Não é nada, não é nada, o Léo Moura já possui cinco anos de casa e merecia mais consideração. Sobre as bolas paradas, até entendo a vontade do Ronaldinho de participar do maior número possível de lances ofensivos, já que ele está doido para retribuir o carinho da torcida, no entanto, neste duelo contra o Nova Iguaçu surgiram lances de bola parada que devido à distância deveriam ser cobrados pelo Renato Abreu e outros que por causa da localidade eram favoráveis ao canhoto Thiago Neves. Apesar de sua reconhecida qualidade neste tipo de lance, o Gaúcho não deveria monopolizar as bolas paradas do Flamengo.

Deivid: Mais uma atuação que irritou os torcedores. Por causa de sua apatia e falta de vibração não estava atento quando era procurado em algumas jogadas, principalmente nos “passes surpresas” do Ronaldinho. Pelo futebol que vem mostrando, a briga pela vaga de homem-gol do Flamengo será entre Diego Maurício e Wanderley.

Bottinelli: Meio perdido em campo errou passes que um armador não pode nem pensar em errar. Apesar de parecer ter qualidade técnica precisa estar mais focado nas jogadas que tentar.

Wanderley: Não direi que foi o dono do jogo pois Willians, Léo Moura, Thiago Neves e o próprio estreante Ronaldinho, participaram intensamente da partida e também merecem ser tratados como protagonistas. No entanto, é impossível não destacar o gol histórico marcado por Wanderley. Sim, foi um gol histórico, afinal sempre que forem comentar a estréia do Ronaldinho pelo Flamengo em um lotado Engenhão vão lembrar do gol do Wanderley. Um gol que foi marcado porque, diferente do Deivid, Wanderley estava vibrando, correndo e com muita atenção no jogo. Se manter o ritmo, vai cair de vez nas graças da galera.

Egídio: Entrou no fim da partida, mas o pouco tempo que esteve em campo foi suficiente para participar da troca de passes que originou o gol do Wanderley.

Nova Iguaçu: A equipe comandada, ou melhor dizendo, muito bem comandada pelo técnico Josué Teixeira fez um papel melhor do que dela se esperava. E se o meia Alex Faria não tivesse bobeado feio e perdido um gol livre, leve e solto logo no começo da partida o Nova Iguaçu poderia estar vivendo o dia mais importante de sua história. Pode-se dizer que a idéia de segurar o Flamengo e contra-atacar com velocidade obteve 50% de sucesso, pois se a equipe laranja dificultou ao máximo os fortes ataques rubronegros e só sofreu um gol no fim, não conseguiu, exceto o lance que originou o gol desperdiçado pelo Alex Faria, contra-golpear com qualidade. No final das contas, creio que os comandados do Josué Teixeira, e o próprio, estão satisfeitos, pois muitos dos que iniciaram a partida prevendo uma goleada do Fla devem ter dito, após o apito final: “Como foi difícil vencer o Nova Iguaçu!”

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

PREMIER LEAGUE 2010/2011 - 25ª RODADA




RESULTADOS E TABELA

Terça-feira
Arsenal 2 - 1 Everton
Sunderland 2 - 4 Chelsea
Manchester United 3 - 1 Aston Villa
West Bromwich 2 - 2 Wigan
Quarta-feira
Birmingham - Manchester City
Blackburn - Tottenham
Blackpool - West Ham
Bolton - Wolverhampton
Fulham - Newcastle
Liverpool - Stoke City

ARTILHEIROS

19 gols
Dimitar Berbatov (Manchester United)
14 gols
Carlos Tévez (Manchester City)
11 gols
Andy Carrol (Newcastle)

GIRANDO PELA “TERRA DA RAINHA”

- Com dois gols de Wayner Ronney, o Manchester United bateu o Aston Villa por 3 x 1 e se manteve na liderança com cinco pontos de vantagem sobre o Arsenal, que, por sua vez, venceu o Everton de virada, por 2 x 1, com um gol do zagueiro Koscielny a 15 minutos do final. Com praticamente dois terços do Campeonato decorridos, Arsenal, Manchester City e até o Chelsea, vão ter que torcer muito contra os “Diabos Vermelhos” e não podem mais pensar em perder pontos bobos, pois os comandados do Alex Ferguson parecem cada vez mais próximos do caneco.

- Ainda sem poder contar com o zagueiro brazuca David Luiz e com o atacante Fernando Torres, o Chelsea conseguiu superar o fato de ter sofrido um gol logo aos 3 minutinhos de jogo e sapecou 4 x 2 no Sunderland. Em quarto lugar na tábua de classificação, 10 pontos atrás do Manchester United, o Chelsea vai precisar muito dos gols do “El Niño” Torres para continuar sonhando com o título. E a primeira aparição de Torres com a camisa azul deverá ser neste domingo, contra ninguém menos do que o Liverpool, seu ex-clube. Vai pegar fogo!

- Por falar em Liverpool, o clube da “Terra dos Beatles” enfrenta o Sotke City hoje, em duelo que provavelmente marcará a estréia do uruguaio Luís Suárez pelo clube. Depois de marcar gols de tudo quanto é maneira pelo Ajax e realizar a defesa mais comentada da Copa do Mundo de 2010 (http://futebolarj.blogspot.com/2010/07/uma-imagem.html) Suárez terá a grande oportunidade de sua carreira. Ainda para poder suprir a perda de Fernando Torres, o Liverpool contratou o bom centroavante Andy Carrol, que balançou as redes 11 vezes no torneio pelo Newcastle e até de titular do English Team já atuou.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

UMA IMAGEM...



Nunes comemora o gol sobre o Atlético Mineiro que deu ao Flamengo o título do Brasileirão de 1980.
Foto: Otávio Magalhães

ENTREVISTA COM MAURÍCIO ASSUMPÇÃO, PRESIDENTE DO BOTAFOGO

Olá amigos do FUTEBOLA!

Aqui está um bate-papo entre o blog FUTEBOLA e o Presidente do Botafogo, Maurício Assumpção, realizado no final do ano de 2010. Vejam o que o Presidente do Fogão considera o seu principal feito e o que ainda pretende fazer pelo clube.

FUTEBOLA: Qual foi até o momento a sua ação mais positiva dentro do Botafogo?
MAURÍCIO ASSUMPÇÃO: A reestruturação administrativa do clube foi importante, porque quando se fala em reestruturação administrativa se fala em profissionalização dos processos. Com certeza isso que deu condição de o futebol conquistar os resultados que conquistou, Campeão Carioca deste ano, disputando até as últimas rodadas a Libertadores, até há três rodadas atrás tinha chance de ser Campeão Brasileiro (o Brasileirão ainda não havia terminado). A reestruturação dos esportes olímpicos, o Botafogo Campeão Brasileiro de Remo, melhor Pólo Aquático do Brasil, melhor Natação do Rio de Janeiro, disputando finais do Futsal. O Clube Social sendo completamente transformado, dando ao sócio proprietário do Botafogo uma dignidade de ambiente social onde ele possa desfrutar do clube do qual ele é sócio.
FUTEBOLA: O que você ainda não conseguiu, mas pretende fazer pelo clube?
MAURÍCIO ASSUMPÇÃO: Está faltando é resolver a situação do terreno de Marechal Hermes pra gente começar o projeto da construção do Centro de Treinamento para as divisões de base. Isso é o que falta até o final do meu mandato.