terça-feira, 30 de outubro de 2012

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - DOS PÉS À CABEÇA


Esta é uma obra essencial e imprescindível para os que se atraem pela Sociologia do Esporte, em geral, e do Futebol, em particular, sem deixar de ser interessante para todo e qualquer amante do “esporte bretão”. A parte que conta sobre as formas ancestrais do futebol ao longo do planeta e as “curiosidades sociológicas-futebolísticas”, por exemplo, são lidas em um ritmo só, de tão agradáveis. Uma das muitas contribuições de Mauricio Murad, um dos pioneiros da Sociologia do Futebol no Brasil, para o esporte nacional, e que merece ser lida e relida.

















Dos pés à cabeça: Elementos Básicos de Sociologia do Futebol
Autor: Mauricio Murad
Editora: Irradiação Cultural


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

GÊNIOS DAS PALAVRAS - VINÍCIUS DE MORAES


O Anjo de Pernas Tortas

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés - um pé de vento!

Num só transporte a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: - Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um O
Dentro da meta, um L. É pura dança!

Vinícius de Moraes
Retirado do livro Dos pés à cabeça – Elementos Básicos da Sociologia do Futebol. Autor: Mauricio Murad. Editora: Irradiação Cultural.

domingo, 28 de outubro de 2012

OLHO TÁTICO - PREMIER LEAGUE 2012/2013 - 9ª RODADA - MANCHESTER UNITED
















Muita rivalidade, técnica apurada, vontade, erros de arbitragem e um prato cheio para análises táticas. Assim foi o disputado confronto entre Manchester United e Chelsea que terminou com uma vitória dos “Red Devils” no Stamford Bridge que não ocorria há dez anos. Findada a 9ª rodada, o Chelsea permanece na liderança da Premier League com 22 pontos, seguido, muito de perto, pela dupla da cidade de Manchester – United e City – ambos com 21.

Sempre com dez homens atrás da linha da bola – a exceção era o centroavante van Persie – o Manchester United armou, durante pouco mais de 20 minutos, um esquema intransponível e ao mesmo tempo letal. Enquanto o Chelsea sofria para encontrar centímetros vazios no campo de defesa vermelho, o United precisou apenas de dois potentes ataques para, em 12 minutos, colocar 2 a 0 no placar, gol contra de David Luiz após finalização de van Persie na trave e outro do próprio holandês. Como prova de que o comprometimento defensivo do time comandado por Alex Ferguson não o impedia de se lançar para frente, o primeiro tento teve início em jogada de Ashley Young e Rooney, enquanto o segundo dos pés de Rafael e Valencia.

Contudo, existe uma linha tênue entre uma postura defensiva sólida com rápidas saídas na busca pelo gol e outra onde o recuou excessivo permite ao rival ganhar volume de jogo e criar chances em sequência. Para os que acompanham o Brasileirão, é o que tem ocorrido constantemente com o Fluminense, cuja estratégia de segurar a vantagem não tem dado sossego ao Diego Cavalieri. Assim, num piscar de olhos, o United encontrava o Chelsea todo em seu campo, não tinha ideia de como parar o trio Mata/Oscar/Hazard e via o goleiro De Gea realizar defesas milagrosas. Defesas estas que não foram suficientes para impedir o empate azul – gol de falta do Mata (43 minutos do 1º tempo) e de cabeça do Ramires após assistência do Oscar (7 minutos do 2º tempo).

Após o gol de empate nascido de pés e cabeça brazucas, o cenário era o de um Chelsea prontinho para a virada. Aí, uma escapada do Ashley Young terminou em expulsão do Ivanovic e uma interpretação de simulação do Fernando Torres pelo árbitro deixou o Chelsea com nove em campo. Faltavam pouco mais de 20 minutos e, já com Chicharito ao lado de van Persie e Giggs como volante para qualificar o passe (Rooney e Cleverley foram os que saíram), os “Red Devils” se lançaram com tudo em busca da vitória, que veio em gol impedido do Chicharito, aos 29 minutos. 

sábado, 27 de outubro de 2012

NOMES DOS ESTÁDIOS - MOISÉS LUCARELLI


Algumas coincidências representam muito, e Moysés Lucarelli ter nascido em 1900, mesmo ano da fundação da Associação Atlética Ponte Preta, é uma destas. Tanto o nome Moysés quanto o sobrenome da família Lucarelli estão gravados com tinta que não apaga no livro deste que é um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro. A história do estádio, que seria apelidado de “Majestoso”, tem início quando Moysés Lucarelli e mais dois amigos - Olímpio Dias Porto e José Cantúsio – compraram um terreno na Chácara Maranhão, no Bairro da Ponte Preta. Daí em diante seria uma longa jornada até a inauguração oficial, jornada esta impossível de ser percorrida sem a paixão de Moysés Lucarelli e dos pontepretanos.

Não é exagero dizer que o “Majestoso” foi construído pelos torcedores. Foi através da colaboração de associados e empresários que confiavam na palavra de Moysés, da histórica “Campanha do Tijolo”, com caminhões que passavam por Campinas para receber doações de material, e de, literalmente, muita mão na massa dos pontepretanos, que, em 12 de setembro de 1948, nasceu o então terceiro maior estádio do país, capaz de receber um público de 30 mil.

Com uma humildade que não é comum de se encontrar em grandes empresários, Moysés Lucarelli não desejava dar seu nome ao recém-fundado estádio, mas bastou uma viagem sua à Argentina para que a homenagem fosse feita. Assim, ao retornar ao Brasil, tomou conhecimento de que o estádio para o qual ele tanto se doou se chamava Moisés Lucarelli (assim mesmo, com “I” ao invés de “Y”).

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS















Elóigico é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 32ª RODADA – VASCO X INTERNACIONAL


Vasco 1 x 2 Internacional – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Vasco perde quarta partida em sequência, desta vez para o Internacional dos letais D’Alessandro e Forlán, e vê a Libertadores ficar ainda mais distante.

Novamente sem poder contar com um centroavante de ofício, já que Alecsandro e Tenório estão no departamento médico, Marcelo Oliveira montou o Vasco com Carlos Alberto de referência e no 4-3-1-2 com: Fernando Prass; Jonas, Dedé, Douglas e Wendel; Nílton, Fellipe Bastos e Juninho Pernambucano; Felipe; Eder Luis e Carlos Alberto. Assim como o adversário da noite, o Internacional não contou com seu homem de área para o duelo importante na briga pela vaga na Libertadores – Leandro Damião sentiu um desconforto muscular. Fernandão organizou o time no 4-3-1-2 com: Muriel; Nei, Rodrigo Moledo, Juan e Kléber; Ygor, Fred e Guiñazu; D’Alessandro; Dagoberto e Forlán.

Que D’Alessandro é um daqueles capazes de passes clarividentes e que Forlán não precisa de mapa para achar o caminho do gol todo mundo sabe. Melhor ainda para a dupla do Rio da Prata se a defesa rival se encontra como um queijo suíço, caso da retaguarda vascaína, que nos últimos jogos tem dado uma liberdade inconcebível para os avantes contrários. O santista Miralles, o são-paulino Luís Fabiano, o botafoguense Bruno Mendes e, agora, o colorado Forlán, todos estes goleadores adentraram a área vascaína como se fossem os mais esperados convidados. Nem mesmo o rotineiramente tranquilo e seguro Dedé tem dado conta do recado nestas últimas semanas. E pensar que no 1º turno o Vasco engatou uma sequência de sete jogos sem buscar a gorduchinha no fundo da rede.

Depois de chegar ao gol em trama de Felipe e Juninho que Jonas completou, aos 20 minutos do 1º tempo, o Vasco iniciou a etapa final com a necessidade de virar o placar, já que Forlán, em duas lindas assistências do D’Alessandro, havia transformado o um a zero em um a dois. Foi então que outro atual problema cruz-maltino veio à tona: a enorme dificuldade em construir tramas ofensivas de qualidade. Sem tabelas pela meiúca, jogadas de linha de fundo bem trabalhadas, com Juninho descalibrado nas bolas paradas, a dupla Eder Luis/Carlos Alberto sem a mesma energia do clássico contra o Botafogo, e as entradas dos garotos Marlone e Maicon Assis sem muito a acrescentar, o Vasco não deu nenhum trabalho ao arqueiro Muriel nos últimos 45 minutos.

É claro, lógico e evidente que as saídas – já não tão recentes – de Fagner, Rômulo, Allan e Diego Souza influenciam na queda de rendimento do Vasco. No entanto, esta não pode se tornar uma desculpa pronta que justifique qualquer péssima apresentação do Clube da Colina. E, para a tristeza e protestos dos torcedores, as atuações medíocres se sucedem com uma regularidade que há tempos não aparecia em São Januário. 

terça-feira, 23 de outubro de 2012

É PROIBIDO VENCER


“Se vocês querem conhecer um povo, examinem o seu comportamento na vitória e na derrota...” – Affonso Romano de Sant’anna

Uma das maiores peculiaridades do futebol é que, para muitos, torcer contra um rival é tão ou mais saboroso do que comemorar as glórias do próprio clube de coração. Seria possível negar a genuína alegria de milhões de flamenguistas quando o Vasco perdeu a final do Mundial Interclubes de 1998 para o Real Madrid? Ou a de todos os não rubro-negros diante das seguidas derrotas com requintes de crueldade que o clube da Gávea sofreu na Libertadores? Não, não seria possível. O torcer contra atingiu um nível tal que os religiosos pedem com toda a fé e dedicação para uma força superior colocar os maiores pedregulhos no caminho do outro. E não se sentem pecando, pois o futebol permite isso.

No entanto, em tempos recentes, um novo modo de torcer contra ganhou força. Não basta mais criar novas torcidas como a Fla-Madrid, vestir máscaras do Cabañas ou comprar a camisa da LDU. A moda é desmerecer e negar ao máximo os méritos do rival. E os últimos dois Brasileiros são o maior exemplo. O Corinthians foi o time que mais vitórias alcançou no campeonato de 2011, e os rivais, sem provas, gritam que o Andrés Sanchez manipulou tudo. Tite organizou uma defesa capaz de sofrer uma média de apenas 1,02 gol por jogo, e os adversários sem nem pensar uma única vez, se esgoelam: “Mutreta de bastidores!”

Neste ano, o Fluminense realiza a maior campanha da história dos pontos corridos, perdeu apenas três de 32 jogos, conta com o melhor goleiro, a defesa menos vazada e o artilheiro da competição. E não são poucos os que insistem que é por causa de manipulação de arbitragem. A criatividade é tanta para menosprezar a histórica caminhada de Cavalieri, Fred e companhia que chegaram a inventar uma tal de CBFlu, como se o tricolor estivesse cheio de esquemas com a Confederação Brasileira de Futebol.

Aí, no jogo mais emocionante, empolgante, fervoroso do ano, a torcida do Atlético Mineiro, que não vê seu time jogar uma bola tão redonda há mais de uma década – para não dizer desde Toninho Cerezo e Reinaldo – prefere fazer um mosaico da tal da CBFlu do que prestigiar os ídolos.

De um lado, cartolas e políticos acabam com a geral do Maracanã, impedem a entrada de bandeiras nos estádios e colocam os preços dos ingressos em três digitos. De outro, as comissões de arbitragem começam um processo de padronização das comemorações dos gols, algo do tipo: só vale imitar o boneco da rede de televisão mais poderosa do país. Para completar, os próprios torcedores preenchem, cada dia mais, o ato de torcer com pensamentos negativos, menosprezo, desprezo.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

FUTEBOL É ARTE


Charles Trevis é um designer gráfico que reside em Atenas, na Grécia. Através de seu conhecimento em softwares de imagens, Trevis mescla princípios do cubismo, do futurismo e da pop art para criar suas obras. E não poucas destas obras possuem o esporte como tema. O artista viaja pelo mundo do basquete, natação, atletismo, boxe e, claro, futebol. Hoje, suas obras são muito requisitadas para ilustrar campanhas de marcas esportivas.


domingo, 21 de outubro de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 32ª RODADA - ATLÉTICO MINEIRO X FLUMINENSE








RESULTADOS
Palmeiras 2 x 0 Cruzeiro
Grêmio 0 x 0 Coritiba
Corinthians 1 x 1 Bahia
Atlético Mineiro 3 x 2 Fluminense
Flamengo 1 x 0 São Paulo
Náutico 0 x 0 Portuguesa
Ponte Preta 1 x 0 Santos
Atlético Goianiense 0 x 1 Sport
Vasco x Internacional, quarta-feira (24/10)
Figueirense x Botafogo, quarta-feira (24/10)

ARTILHARIA
16 Gols
Fred (Fluminense)
15 Gols
Luís Fabiano (São Paulo)
14 Gols
Bruno Mineiro (Portuguesa)

Atlético Mineiro 3 x 2 Fluminense – Independência, Belo Horizonte (MG)

Para ficar na história! Atlético Mineiro e Fluminense fazem melhor jogo do ano e, comandado por Ronaldinho, Galo supera mais uma atuação de Diego Cavalieri digna do eterno Castilho “Leiteria” e deixa o campeonato vivo.

Com um retrospecto de 12 vitórias e três empates como mandante, o Atlético Mineiro foi para o jogo mais importante do Brasileirão sem nenhum desfalque e organizado pelo Cuca no 4-2-3-1 com: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Junior Cesar; Leandro Donizete e Pierre; Guilherme, Ronaldinho e Bernard; Jô. O Fluminense foi para aquela que pode ser chamada de decisão dos pontos corridos sem contar com o volante Jean. E para continuar com o excelente aproveitamento de mais de 70% como visitante, Abel montou o time no 4-3-3- com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Digão e Junior Cesar; Edinho, Deco e Diguinho; Wellington Nem, Thiago Neves e Fred.

Um estrangeiro, totalmente por fora de como caminha o Brasileirão, de pé nas arquibancadas do Independência, nunca acreditaria que o fervoroso duelo entre tricolores e alvinegros se tratava de um confronto entre líderes. O motivo? O tamanho da superioridade ofensiva atleticana foi algo poucas vezes vista neste equilibrado torneio. Que nos diga o 1º tempo. É difícil até de acreditar nos números. Foram dez – dez!!! – “melhores momentos” criados pelo Galo, contra nenhum do adversário. Ronaldinho, Bernard e Jô infernizaram durante cada segundinho a retaguarda rival e obrigaram o melhor goleiro do país, Cavalieri, a quatro defesas sensacionais. Cavalieri lembra até um macete de jogo de videogame que deixa o goleiro invencível. E quando ele não salvava, a bola batia na trave.

Contaram para o incrédulo estrangeiro, durante o cachorro quente do intervalo, que o Fluminense era traiçoeiro, que precisava apenas de um piscar de olhos na hora errada para a galera tricolor sorrir com as dancinhas comemorativas de Fred e Wellington Nem. Ele não acreditou, mas deveria. Aos 10, Fred rolou e Nem colocou no filó. Mas o Atlético estava em jornada mágica. Como mágico estava Ronaldinho, chamando a responsabilidade criativa, partindo pra cima dos zagueiros. Lembrou até os tempos de Barcelona – não é a primeira nem a segunda vez que esta comparação aparece neste ano. Foi dos pés geniais do Gaúcho, da impetuosidade de Bernard e do instinto matador do Jô que nasceu a virada alvinegra. Aos 36, com o segundo gol do Jô, o Independência estava nas nuvens. No minuto seguinte, com o beiço trêmulo. Fred chegou ao histórico 100º gol com a camisa tricolor e colocou o Flu mais perto do que nunca do caneco.

O jogão, porém, estava longe de terminar. Ronaldinho ainda tinha um coelho para tirar da cartola e colocar na cabeça do impecável zagueiro Leonardo Silva, que fez a torcida atleticana voltar a cantar em uma só voz e no último volume: “Lutar, lutar, lutar / Com toda nossa raça pra vencer / Clube Atlético Mineiro / Uma vez até morrer”.

CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO

- O fim de semana na Europa teve a rivalidade londrina entre os milionários Chelsea e Tottenham, “Clássico do Vale do Ruhr” dos bem colocados Schalke 04 e Borussia Dortmund, e duelo de líderes na Itália com Juventus versus Napoli. Bons jogos, mas nenhum deles como o do Independência. Viva o Brasileirão!

- O verde da esperança ganha mais vida no Palmeiras. E como conhece o caminho das redes o “Pirata” Barcos. Quando chegou ao Alviverde, afirmou que, até o fim do ano, marcaria 27 gols. Já marcou 25. O argentino sabe que sabe.

- Se o triunfo atleticano deixou a briga pelo título em aberto, a vitória do Flamengo sobre o São Paulo não só aliviou a agora menos preocupante situação rubro-negra como deu ânimo ao Vasco para buscar a vaga na Libertadores. 

sábado, 20 de outubro de 2012

OLHO TÁTICO- BUNDESLIGA 2012/2013 - 8ª RODADA - SCHALKE 04
















Schalke 04 ignora pressão da “Muralha Amarela” no Westfalenstadion e vence o “Clássico do Vale do Ruhr” com gols de Afellay e Hölger – Lewandowski descontou para o Borussia Dortmund. Com o triunfo, os “Azuis Reais” seguem na 3ª colocação da Bundesliga, atrás do Bayern de Munique, com oito vitórias em oito jogos, e do surpreendente Eintracht Frankfurt.

A solidez tática do Schalke durante todos os segundos dos 90 minutos do clássico foi o ponto forte do time de Gelsenkirchen. Organizados num consistente 4-4-1-1, os comandados do holandês Huub Stevens tinham a total compreensão do papel que deveriam desempenhar em campo, enquanto, pelo outro lado, o Borussia, com uma penca de desfalques, dentre eles o meia Götze, foi pura confusão. Confusão que começou com três zagueiros, passou para quatro, mas com o incisivo lateral-direito Piszczek a jogar pela esquerda, e terminou – vejam o desespero! – com o zagueiro brasileiro Felipe Santana de centroavante, para tentar algo nas bolas aéreas.

Falemos mais do Schalke 04. Defensivamente, a dupla de zaga Höwedes e Matip tomou conta dos avantes rivais, apesar da falha do camaronês Matip no gol de cabeça do Lewandowski, originado em bola parada. Mas vale ressaltar que muito do bom trabalho da dupla deveu-se a constante ocupação de espaços dos laterais e volantes, que não deixaram sequer um buraquinho na retaguarda. Foram raras as situações de mano a mano enfrentadas por Höwedes e Matip.

Já lá na frente, os azuis conseguiram levar perigo à meta defendida por Weidenfeller de quase todas as maneiras. Pela direita com o Farfán, autor da assistência para Afellay fazer um a zero;  pela esquerda com o próprio Afellay e o lateral Fuchs; pela meiúca, como na linda jogada entre Holtby e Höger que ampliou o placar; com bolas cruzadas na “zona do agrião”;  em contra-ataques velozes que por muito pouco não viraram bola na rede, depois que o Borussia diminuiu e se mandou em busca do empate.

Com cada jogador a cumprir minuciosamente o sua missão e conhecedor de sua função tática, o Schalke foi soberano no clássico e não deu vez ao afobado Borussia Dortmund. Através do esforço e consciência de seus jogadores, Huub Stevens deu um nó tático daqueles de marinheiro no Jürgen Kloop.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

UMA IMAGEM















O FUTEBOLA deseja toda a energia positiva do mundo ao “Artilheiro da Capoeira”. Força, Alex Alves!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 – 31ª RODADA – BOTAFOGO X VASCO


Botafogo 3 x 2 Vasco – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Bruno Mendes vence duelo com Dedé, dá assistência, vira o clássico que parecia perdido contra o Vasco, faz chover e Fogão se reencontra com a vitória após mais de um mês.

Com Tenório e Alecsandro no departamento médico, Marcelo Oliveira apostou na dupla Felipe/Juninho e em Carlos Alberto na função de “camisa 9”. Assim, o Vasco foi para o clássico montado no 4-3-1-2 com: Fernando Prass; Jonas, Dedé, Douglas e Wendel; Nilton, Fellipe Bastos e Juninho; Felipe; Eder Luis e Carlos Alberto. Pelo lado do Fogão, os desfalques eram Lucas e Andrezinho, enquanto a novidade era a estreia como titular do garoto Bruno Mineiro, no time que foi esquematizado pelo Oswaldo de Oliveira no 4-2-3-1 com: Jefferson; Jadson, Antônio Carlos, Dória e Márcio Azevedo; Renato e Gabriel; Elkeson, Seedorf e Fellype Gabriel; Bruno Mendes.  

Um show! Mas de falhas individuais. Como paçocaram os defensores alvinegros, de ambos os lados, no 1º tempo do clássico no Engenhão. Errou mais a retaguarda botafoguense, que permitiu ao centroavante Carlos Alberto nada menos do que cinco (!!!) finalizações à meta defendida pelo Jefferson. Duas delas foram parar no fundo das redes: a primeira, de letra, após Antônio Carlos chegar atrasado, e a segunda, depois de Dória errar a saída de bola e perder uma dividida para o Felipe no mesmo lance. Mas as trapalhadas não foram exclusividade do Bota. Dedé – até ele! – esteve irreconhecível e foi facilmente envolvido pelo Bruno Mendes na jogada que originou o gol do Elkeson. Era o gol de empate, mas veia a já citada bobeada do menino Dória e a partida foi para o intervalo com o Vasco em vantagem.

A 2ª etapa teve um ar professoral e ensinou duas lições. O Vasco ficou com a mais dura, com aquela que diz que um time sofre dolorosas consequências quando não define um clássico que tem em suas mãos. Por mais de 20 minutos, o Cruz-Maltino se viu diante de um adversário que oferecia todos os espaços do mundo para o contra-ataque e não soube aproveitar, principalmente porque o rápido Eder Luís não é letal. Já a aula lecionada para o Fogão foi mais saborosa. Ela mostrou a importância de ter no elenco um jogador que conheça o papel – a profissão, como dizia o folclórico Dadá Maravilha – de centroavante. O Bota parecia que iria terminar o Brasileirão sem um destes, mas o golaço do Bruno Mendes que empatou o duelo contra o Grêmio, no Olímpico, no apagar das luzes, fez nascer uma esperança.

Esperança que agora é ainda mais verde, pois Bruno Mendes não só igualou o escore após de Gabriel usar todo o espaço que o Vasco deixou em seu lado esquerdo, como o virou com um chute certeiro, flecha de Guilherme Tell, já nos acréscimos. Depois de 39 dias, o Fogão ganhou. Depois de meses, parece ter encontrado a peça que faltava do quebra-cabeça.  

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 31ª RODADA - FLUMINENSE X GRÊMIO


Fluminense 2 x 2 Grêmio – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Emoção do primeiro ao último trilar do apito. Em jogo de arrepiar e cheio de alternâncias, Fluzão empata com Grêmio e conta com mais uma obra de arte esculpida por Neymar, desta vez contra o Atlético Mineiro, para manter a vantagem na liderança.

Sem os fundamentais Wellington Nem e Thiago Neves – no banco após voltar de viagem com a Seleção –, Abel Braga organizou o Fluminense para enfrentar um dos seus dois únicos algozes no torneio no 4-3-1-2 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Digão e Carlinhos; Edinho, Jean e Deco; Wagner; Rafael Sóbis e Fred. Com o retorno de quase meio time que esteve ausente do seu último compromisso, o Grêmio foi para aquele que poderia chamar de jogo do ano esquematizado no 4-2-2-2 com: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Gilberto Silva e Anderson Pico; Marco Antônio e Fernando; Elano e Zé Roberto; Leandro e Kléber.

Rock progressivo em sua essência. Este foi o estilo musical do agitado duelo de tricolores no Engenhão, que apresentou, dentro de seus 90 minutos, diferentes cenários. O primeiro destes cenários durou por quase todo a 1º tempo, onde o Fluminense apostou – e não foi bem sucedido, muito pelas ausências da velocidade de Nem e Thiago Neves – nos contra-ataques. Pelo lado gaúcho, o Grêmio mesclou a tranquilidade para não deixar o Flu se empolgar com o apoio da torcida com a agressividade para criar boas oportunidades de gols. Na melhor delas, Anderson Pico cruzou, Diego Cavalieri bobeou e a pelota beijou o travessão.

Logo nos primeiros minutos pós-intervalo, a meta do Cavalieri, que não foi vazada numa finalização à queima roupa do zagueiro Werley, seria em carinhosa cobrança de falta do Elano por baixo da barreira. Muito do 1 a 0 no placar devia-se a experiência de jogadores como Gilberto Silva, Elano e Zé Roberto, que não deixava o Flu se sentir a vontade em campo. Porém, em questão de minutos, a calma gremista daria lugar ao mais puro desespero. Coisas do psicológico. Num piscar de olhos, Digão empatou de cabeça, Rafael Sóbis virou em foguete de fora da área e Marcelo Moreno, menos de um mísero minuto após entrar em campo, recebeu o cartão vermelho por cotovelada. Aí... mais uma mudança de panorama!

Com meia hora pela frente e um homem a menos, o Grêmio justificou toda a fama de nunca jogar a toalha e se manteve a lutar. Deixou espaços, como o que Fred não aproveitou para marcar seu 100º gol pelo Flu, mas viu sua força de vontade dar resultado aos 41, quando Zé Roberto completou rebote de chute astronômico do Léo Gago. O jogão que todos esperavam ao longo da semana conseguiu ser ainda melhor que a encomenda. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

O RISCO DE NÃO ARRISCAR


A conquista de um caneco estadual nos primeiros meses do ano não é essencial nem pré-requisito para que, em dezembro, um clube esteja a celebrar uma grande campanha no Brasileirão. O motivo é simples: bem mais da metade dos integrantes de qualquer torneio estadual não possui a força necessária para estar na 1ª Divisão Nacional. O que não justifica, porém, dizer que um título após superar os maiores rivais locais, dar a volta olímpica no estádio lotado e comprar o pôster de campeão na banca de jornal no dia seguinte não tenha o seu valor.

Mas se nos Estaduais existe toda uma justificativa tradicional e histórica para duelos onde times de primeiro escalão entram em campo apenas para roubar doces de crianças, não existe um mísero motivo que explique o porquê de a Seleção Brasileira, em sua fase de preparação para um Mundial, ou melhor, um Mundial como mandante, enfrente, em sequência, adversários quase amadores. No exato intervalo de um ano, a Seleção pegou Costa Rica, Gabão, Egito, Bósnia-Herzegovina, África do Sul, China e Iraque, só para ficar nos exemplos mais extremos. Sete jogos, sete datas jogadas no lixo. E que não poderão ser recicladas ou reaproveitadas.

Em que estes mais de 600 minutos de futebol foram úteis? Entrosamento para a equipe? Que nada! Um coletivo entre quatro paredes, sem a presença da imprensa, seria mais valioso para o encaixe dos jogadores. Confiança? Que nada ao quadrado! Neymar não ficou nem um fim de cabelo mais confiante para exercer seu papel de líder técnico da Seleção após o 8 a 0 sobre a China. Deixar de lado os rivais “de categoria” por incapacidade em vencê-los nada mais é do que jogar a poeira para debaixo do tapete. Se não fomos – e talvez ainda não sejamos – capazes de vencer França, Holanda, Alemanha e Argentina, fugir, com certeza absoluta, não é o melhor caminho.

A sustentação desta estratégia de enfrentar “fracos e oprimidos” se baseia pilares falsos. Um deles diz que em época de Eliminatórias pelo mundo fica difícil arrumar adversários fortes disponíveis. Balela! No dia em que o Brasil chinelava 6 a 0 no Iraque, a França estava de folga das Eliminatórias Europeias e disputava um amistoso contra o Japão. Poderia ser contra o Brasil, mas a direção e a comissão técnica da CBF não querem.esta altura do campeonato, eles preferem golear quem não se importa em ser goleado do que enfrentar um Campeão Mundial.

Outra falsa defesa para o esburacado planejamento consiste na importância social da Seleção Brasileira como símbolo, como forma de fazer o país se expressar nos mais diversos cantos do planeta. Daí visitar Gabão e Costa Rica. Conversa pra boi dormir. Não o papel social da Seleção Brasileira, que é assunto seríssimo e merece sim ser muito discutido, mas dizer que algo além do dinheiro que a CBF arrecada é levado em conta na hora de marcar os amistosos atuais.


No bater do martelo e em poucas palavras, enquanto Argentina e Uruguai batalham num estádio lotado e pulsante e França e Espanha lutam no “Velho Continente”, o Brasil passeia no bosque e perde a chance de se acostumar a uma pressão que, em 2014, será de uma magnitude poucas vezes vista.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA - EL MILAGRO DEL FUTBOL COLOMBIANO

A cada rodada das Eliminatórias Sul-Americanas que chega ao fim, a Colômbia se aproxima mais e mais do Mundial do Brasil. Podemos dizer, então, que este se trata de um momento pra lá de propício para mergulhar fundo na história de “Los Cafeteros”. El Milagro del Futbol Colombiano foi escrito logo após Valderrama, Rincón, Asprilla, Valencia e companhia golearem a Argentina por 5 a 0, em pleno Monumental de Nuñez, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1994. Apesar de focado no então momento mágico vivido pela Seleção comandada por Francisco Maturana, o autor Hernán Peláez Restrepo aproveita a obra para realizar uma viagem pela história do futebol neste país apaixonado pela bola na rede. Um livro difícil de se encontrar em livrarias brasileiras, mas não tanto ao navegar por sites sul-americanos.


El Milagro del Futbol ColombianoParte superior do formulário
Autor: Hernán Peláez Restrepo
Editora Oveja Negra

domingo, 14 de outubro de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 30ª RODADA - GRÊMIO X BOTAFOGO









RESULTADOS
Flamengo 1 x 1 Cruzeiro
Atlético Goianiense 3 x 1 Internacional
Portuguesa 1 x 1 Corinthians
Santos 2 x 0 Vasco
São Paulo 2 x 0 Figueirense
Atlético Mineiro 2 x 1 Sport
Coritiba 2 x 1 Bahia
Náutico 1 x 0 Palmeiras
Fluminense 2 x 1 Ponte Preta
Grêmio 1 x 1 Botafogo

ARTILHARIA
15 Gols
Fred (Fluminense)
Luís Fabiano (São Paulo)
14 Gols
Bruno Mineiro (Portuguesa)
11 Gols
Kieza (Náutico)
Vagner Love (Flamengo)

Grêmio 1 x 1 Botafogo – Olímpico, Porto Alegre (RS)

Fogão e Grêmio batalham no Olímpico em confronto onde vontade, raça e entrega foram protagonistas. Empate afasta alvinegros cariocas e tricolores gaúchos de seus objetivos.

Gilberto Silva, Fernando, Elano, Kléber e Marcelo Moreno. Os desfalques tricolores eram numerosos e “de categoria”, como falam os antigos. Assim, Vanderlei Luxemburgo optou pelo 4-2-2-2 e escalou o Grêmio com: Marcelo Grohe; Pará, Werley, Naldo e Anderson Pico; Marco Antônio e Souza; Marquinhos e Zé Roberto; Leandro e André Lima. Pelo lado alvinegro, que tem o goleiro Jefferson na Seleção Brasileira, Seedorf – resfriado – e Elkeson escutaram o apito inicial do banco de reservas, e Oswaldo de Oliveiro organizou o Botafogo no 4-2-3-1 com: Renan; Lucas, Antônio Carlos, Dória e Márcio Azevedo; Renato e Gabriel; Vítor Junior, Andrezinho e Fellype Gabriel; Rafael Marques.

Divididas, estouradas, correria, pouco espaço e ainda menos criatividade para descobri-los. Assim foi a etapa inicial onde Grêmio e Botafogo não foram, digamos, muito carinhosos com a pelota e mostraram dificuldade em costurar tramas ofensivas. Não significa, contudo, que o intervalo televisivo foi ausente de “melhores momentos”. Com exceção de uma rápida jogada pela meiúca que terminou em gol do Zé Roberto anulado por impedimento, as bolas aéreas deram o tom. O Grêmio, após dois escanteios consecutivos cobrados por Zé Roberto, fez o torcedor botafoguense prender a respiração com Leandro e Werley. Também em bola parada alçada na área, esta por Andrezinho, Fellype Gabriel obrigou Marcelo Grohe a defesa de cinema.  

Para a etapa final, o que parecia um problema, a contusão do Souza, virou solução quando Léo Gago entrou em seu lugar para acertar um tijolaço de fora da área e fazer o Olímpico explodir em alegria. O relógio apontava cinco minutos e, a partir daí, um novo cenário se fez presente, com os gaúchos em guarda e a espera de espaços para contra-atacar. Ao Botafogo não restava outra opção a não ser encarar o ferrolho e o retrospecto recente de três jogos sem balançar as redes. Já com Seedorf de um lado e o volante Vilson no lugar do centroavante André Lima do outro, o Grêmio teve duas chances de fechar o caixão alvinegro, com Leandro e mais um foguete do Léo Gago, mas Renan não bobeou. O caminhar do relógio deixava a vaca botafoguense mais perto do brejo, e Oswaldo arriscou tudo: entraram Elkeson e Bruno Mendes, saíram Márcio Azevedo e Renato.

Coração na ponta das chuteiras botafoguenses para atacar, veias e artérias como cadarços nas chuteiras tricolores para se defender. Tensão palpável nos instantes derradeiros e... golão do Bruno Mendes para emudecer um Olímpico que já dava sinais de tristeza com o anúncio da virada do Fluminense sobre a Ponte Preta, no Rio de Janeiro. E o Botafogo, mesmo com o jejum de vitórias ampliado para sete jogos, ouviu o apito final sorrindo mais.


CURTINHAS PELO BRASILEIRÃO

- Bola e mão se encontraram em vários cantos do país nesta 30ª rodada. No passe de Vagner Love para o gol de Liedson, no bloqueio do atleticano Carlos César já no final da vitória do “Galo” sobre o Sport, no pênalti marcado para o Fluminense que Fred converteu e iniciou a virada do líder absoluto. Não é questão de roubar para este ou surrupiar aquele, é  apenas a subjetividade da regra, que faz com que lances semelhantes tenham diferentes interpretações.  

- A fase de Vagner Love não é nada boa. Um espelho: desde que Deivid estreou pelo Coritiba, na 23ª rodada, o ex-atacante rubro-negro já marcou cinco gols, enquanto, no mesmo período, o “Artilheiro do Amor” apenas unzinho. E o Flamengo sente – e muito! – a ausência de bolas nas redes do seu artilheiro.

- Conflitos políticos, atrasos de salários e, principalmente, saídas não repostas de Diego Souza, Fagner, Rômulo e Allan. Em algum momento os problemas vascaínos se transformariam em números. Após 54 rodadas consecutivas, incluso aqui o Brasileirão do ano passado, o Vasco sai da zona nobre da tabela, o famoso e desejado G4.

- Uma escalação que começa com um Rogério Ceni cada dia mais Rogério Ceni e termina com um Luís Fabiano cada dia mais Luís Fabiano justifica a sequência são-paulina de cinco triunfos e um empate e a chegada ao G4. E olha que o São Paulo poderia estar “chorando” a ausência do Lucas, ein.

- Interpretações e equívocos da arbitragem à parte, o leonino Gum não é uma das estrelas do elenco do Fluminense, mas, de umas rodadas para cá, seu suor se mostra tão importante quanto o brilho dos craques tricolores. 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

ELÓIGICO E SUAS LÓGICAS
















Elóigico
 é um fanático torcedor do São Sebastião Futebol Clube que sempre coloca a paixão à frente da razão – como quase todos os torcedores, né? E quem fica perdida com tanto fanatismo de Elóigico é sua filha, Edinha, que mora junto com seu pai em uma simples casinha que vive futebol 24 horas por dia.

Desenho de Paulo Sales e roteiro de Diano Massarani

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 29ª RODADA - VASCO X SÃO PAULO


Vasco 0 x 2 São Paulo – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)

Rogério Ceni tem atuação histórica, Osvaldo joga uma barbaridade e São Paulo bate Vasco em pleno São Januário. A briga pela vaga na Libertadores nunca esteve tão quente neste Brasileirão.

Ainda na tentativa de suprir a saída do Diego Souza, que já faz um bom tempo, Marcelo Oliveira confiou desta vez no garoto Marlone e mandou o Vasco a campo no 4-3-3 com: Fernando Prass; Jonas, Renato Silva, Rodolfo e Thiago Feltri; Nilton, Juninho Pernambucano e Wendel; Eder Luis, Marlone e Alecsandro. Sem o arisco Lucas, que serve a Seleção Brasileira, assim como o zagueiro vascaíno Dedé, Ney Franco montou o São Paulo no “esquema da moda” 4-2-3-1 com: Rogério Ceni; Paulo Miranda, Rafael Toloi, Rhodolfo e Cortez; Denílson e Wellington, Douglas, Jadson e Osvaldo; Luís Fabiano.

Para não dizer que o Vasco sequer viu a cor da bola durante os primeiros 45 minutos, o centroavante Alecsandro fez duas boas jogadas de pivô que Eder Luís não soube aproveitar. Fora isso, o São Paulo mandou prender e soltar no 1º tempo. Protegida, muito bem, por Wellington e Denílson, a defesa tricolor anulou o ataque cruz-maltino, carente de inspiração. Em termos ofensivos, ora a valorizar a posse de bola, ora a apostar nos contra-golpes, o Tricolor não só foi às redes com sempre letal Luís Fabiano – em gol à la primórdios do futebol, quando o center-forward rompia por entre os defensores –  como teve uma bola parada com o Rogério Ceni e mais duas chegadas contundentes com o Osvaldo. Osvaldo que, por sinal, foi o mesmo terror de sua melhor época de Ceará e arrepiou a retaguarda carioca.

Logo nos primeiros movimentos pós-intervalo, o encapetado Osvaldo deu um nó daqueles de marinheiro no Auremir, que entrara havia segundos, e assinou um Golaço, assim mesmo, com “G” maiúsculo. Com dois de desvantagem, o Vasco teve um estalo e começou a buscar o ataque com mais intensidade, principalmente depois da entrada do Felipe, aos 13 minutos. Teve arremate longo do Juninho, cabeçada do Alecsandro, chute de dentro da área do Marlone... todas estas finalizações, porém, tiveram o mesmo destino: as mãos únicas e abençoadas de Rogério Ceni. E o ídolo são-paulino ainda guardou sua defesa mais sensacional para o minuto 41, após novo chute do Juninho, que saiu cuspindo abelhas africanas, revoltado com o quilate arqueiro. Neste período, contudo, já era o Sampa quem mais se encontrava perto do gol, através dos contra-ataques do impossível Osvaldo.

Desde a rodada de abertura do Brasileirão no G4, o Vasco vê sua vaga na próxima Libertadores ameaçada como ainda não havia visto. Não só pelo crescimento do São Paulo, mas também porque o Internacional sapecou três a zero no Atlético Mineiro. Os próximos meses serão adrenalina pura. 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

ELEIÇÕES 2012 - MEXEU COM MEU TIME? ENTÃO NÃO TE PERDOO!


Em época de eleições, torna-se ainda mais visível o quão passional o brasileiro é quando o assunto é futebol. Não são raros na nossa história os exemplos de bem sucedidas candidaturas políticas de quem já havia sido chutado, escorraçado, enxotado – não nos esqueçamos de que Fernando Collor de Mello é hoje, neste exato segundo, um dos senadores do nosso país. No entanto, alguns candidatos ligados ao Planeta Bola estão longe de contar com a mesma complacência e o perdão dos cidadãos.

O exemplo mais claro de como bola na rede e voto na urna caminham de mãos dadas tem nome Eurico e sobrenome Miranda. No dia 4 de outubro de 1998, o vascaíno não cabia dentro de si de tanto orgulho. O “Gigante da Colina” não só comemorava o seu centenário como, em um intervalo de meses, conquistara o Campeonato Brasileiro de 1997 e a Copa Libertadores de 1998. Todo o amor do torcedor cruz-maltino foi derramado nas urnas e Eurico Miranda, então um vice-presidente com cara de presidente do clube, foi reeleito Deputado Federal com nada menos do que 105.969 votos.

Um salto no tempo e chegamos a 2006. Dentro das quatro linhas, o Vasco está a quilômetros do esquadrão de Edmundo e Juninho Pernambucano, enquanto fora dele, Eurico Miranda se vê envolto em situações tão nebulosas quanto os ambientes que ele poluía com seus inseparáveis charutos. Desta vez, as urnas não foram doces e o então presidente vascaíno, com 30.531 votos, não pôde voltar a ser um Deputado Federal, cargo que já não exercia desde 2002.

Quando o passado cede vez ao presente, o Vasco dá lugar ao seu maior rival, o Flamengo. Durante os últimos 12 anos, a lista de presença na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro sempre contou com o nome de Patrícia Amorim. A ex-nadadora foi eleita em 2000, reeleita em 2004 e eleita pela terceira vez consecutiva em 2008, sempre com mais de 20.000 votos (24.651, 23.036 e 21.140, respectivamente). Em 2009, no meio de seu terceiro mandato como vereadora, Patrícia se tornou presidenta do Flamengo, que então acabara de se consagrar Hexacampeão Brasileiro. Com certeza ela não esperava o tsunami que viria pela frente.

A política interna do Flamengo se tornou o antônimo de paz, e até Zico, maior símbolo e ídolo da história do clube, foi apedrejado pela estrutura que, se não foi criada pela Patrícia, conta com o aval da presidenta. A contratação de Ronaldinho inaugurou um banquete, ou melhor, um rodízio de críticas. Quem quiser procurar equívocos na relação craque-diretoria vai os encontrar sob qualquer ponto de vista. Mais por culpa dos que vestem roupa social do que do que calça as chuteiras, diga-se de passagem. Com a pelota a rolar, o Flamengo repete em 2012 o mesmo desempenho pífio de 2010, quando terminou o Brasileiro a dois pontos da zona de rebaixamento.

Não precisa jogar búzios, ler palma de mão ou consultar números e cartas para saber o que as urnas das eleições municipais de 2012 guardavam para Patrícia Amorim: 11.687 votos e sua primeira não eleição nos anos 2000. E assim, o brasileiro mostra, na “Festa da Democracia” – quanta ironia em uma só expressão! –, que é até capaz de perdoar as rasteiras que um político lhe passa, desde que este, na visão do torcedor, não prejudique seu clube do coração.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

BATENDO BAFO - COLÔMBIA 1994



A empolgação com Valderrama, Rincón, Asprilla, Leonel Alvarez e “El Tren” Valencia era tamanha que o Rei do Futebol, Pelé, elevou a Seleção Colombiana ao posto de favorita à Copa do Mundo de 1994. Além de contar com sua maior geração de craques, a Colômbia chegava aos Estados Unidos ostentando uma chinelada de cinco a zero na Argentina, em pleno Monumental de Nuñez. Contudo, Francisco Maturana e seus comandados não aguentaram o peso de um Mundial e foram eliminados logo na fase de grupos do torneio. No time colombiano, vale destacar a ausência do goleiro Higuita, envolto com os mais cabeludos problemas pessoais, enquanto no álbum de figurinhas, a ausência fica por conta do zagueiro Escobar, que seria assassinado pouco depois do fim da Copa, onde marcou um gol contra.  

domingo, 7 de outubro de 2012

OLHO TÁTICO - ITALIA SERIE A 2012/2013 - 7ª RODADA - MILAN
















Milan atua quase todo o 2º tempo com um homem a mais, cria uma dezena de oportunidades de gols, mas não consegue reverter o tento marcado pelo zagueiro Samuel com menos de três minutos e perde o clássico para a Internazionale. Foi a quarta derrota da Squadra Rossoneri, que, após sete rodadas e apenas sete pontos conquistados, ocupa a 11ª colocação na tabela.

Os nomes escolhidos pelo treinador Massimiliano Allegri na composição do seu 4-2-3-1 indicava uma equipe que apostaria na velocidade para superar os três zagueiros (Juan, Samuele Ranocchia) rivais. Afinal, El Shaarawy, Boateng, Emanuelson e Bojan estão longe de serem jogadores que primam pelo jogo cadenciado e de valorização da redonda. Para a sustentação desta estratégia, que engrenaria por volta da segunda metade do 1º tempo, quando o placar do San Siro já apontava um a zero para a Internazionale, um nome se mostrou essencial: Montolivo. Enquanto na Seleção Italiana Vice-Campeã Europeia Montolivo se postava à frente dos volantes, no Milan ele é um dos volantes, posição que o permite precisos lançamentos para os seus rápidos companheiros e, principalmente, a chegada para os arremates longos. Durante todo o “Derby della Madonnina”, foram nada menos do que quatro tiros certeiros do Montolivo, com um deles a morrer no fundo das redes e anulado pela arbitragem.

A expulsão do Nagatomo (2 minutos da 2ª etapa) e as entradas de Robinho no lugar do lateral De Sciglio (19 minutos da 2ª etapa) e de Pazzini no do até então improdutivo El Shaarawy (25 minutos da 2ª etapa) transformaram o Milan de um carro turismo em um fórmula 1. Pazzini se tornou o homem de referência, enquanto Robinho foi ocupar a meia-esquerda e fazer companhia a Emanuelson, que se posicionava na lateral-esquerda, no ainda 4-2-3-1 rossoneri (Bojan, no centro, e Boateng, aberto na direita, fechavam o tripé de meio-campo ao lado do brasileiro). A Internazionale teve que fazer das tripas coração para segurar os tijolos que o Montolivo soltava de fora da área e os incisivos avanços pelo flanco esquerdo do Milan. Emanuelson e Robinho infernizaram o sistema defensivo rival – tanto que o brasileiro foi derrubado na área em pênalti não marcado – e o gol de empate não surgiu por bobagem.

Faltam nomes com o dom do protagonismo no Milan, não restam dúvidas. Contudo, e apesar da derrota, o clássico mostrou que Massimiliano Allegri pode montar uma equipe capaz de partir para o ataque e encurralar grande parte dos adversários na Serie A Italiana. Até porque muitos destes adversários entrarão em campo com uma postura recuada diante do Heptacampeão Europeu.

sábado, 6 de outubro de 2012

CAMPEONATO BRASILEIRO 2012 - 28ª RODADA - FLUMINENSE X BOTAFOGO


Fluminense 1 x 0 Botafogo – Engenhão, Rio de Janeiro

Diego Cavalieri e Fred voltam a mostrar porque são, atualmente, os melhores do país em suas posições e Fluzão passa pelo Botafogo num jogo de tensão palpável. Numa rodada onde todos os postulantes ao título venceram, os três pontos tricolores ganham ainda mais importância.

Para o segundo clássico em menos de uma semana, Abel Braga decidiu por repetir o onze que vencera o Fla-Flu no último domingo e organizou o Fluminense no 4-3-3 com: Diego Cavalieri; Bruno, Gum, Digão e Carlinhos; Edinho, Jean e Deco; Wellington Nem, Thiago Neves e Fred. Numa proposta tática surpreendente e que precisa de mais tempo e treino para ganhar corpo, Oswaldo de Oliveira posicionou Seedorf como homem mais adiantado e montou o Botafogo no 4-2-3-1 com: Jefferson; Lucas, Fábio Ferreira, Dória e Márcio Azevedo; Jadson e Gabriel; Elkeson, Andrezinho e Fellype Gabriel; Seedorf.

Se o ditado diz que os jogadores deveriam disputar a bola como se fosse um prato de comida, os botafoguenses passaram o 1º tempo a brigar pela redonda como se esta fosse um rodízio de carnes e massas. Firmeza e pressão foram as palavras de ordem no Fogão, com Seedorf de comadante na marcação no campo de ataque. Além de mais enérgico do que o Fluminense, o Bota também foi mais perigoso em termos ofensivos. Sempre pelo lado direito, ora com Lucas, ora com Elkeson, os alvinegros criaram chances que, se não foram suficientes para levantar o véu da noiva, transformaram Cavalieri no melhor homem da etapa inicial. Pelo outro lado, Jefferson foi um espectador dentro das quatro linhas, tamanha a falta de encaixe do ataque das Laranjeiras.

O cenário pós-intervalo não se mostrava muito animador para a torcida tricolor, com o Flu todo concentrado em afastar o Botafogo de seu campo. Porém, quem acompanha o Fluminense no Brasileirão sabe que, pelo quilate de seus nomes, a equipe não precisa de muito tempo para decidir um confronto, por mais difícil que este seja. Assim, no intervalo entre os minutos 25 e 35, o “Clube tantas vezes Campeão” obrigou Jefferson a uma defesa de puro reflexo, em cabeçada do Digão, abriu o placar em um nobre gol do impossível Fred, após tabelinha com Nem, e por pouco não ampliou a vantagem em duas jogadas do Marcos Junior. Nos minutos derradeiros, o Fogo continuou na busca pelo tento, que insistiu – e insistiria até o apito final – em não nascer, enquanto, nas arquibancadas, os gritos tricolores de “Guerreiros!” se misturavam aos de “Seremos Campeões!”.

Para espelhar a importância de arqueiros e artilheiros, Dadá Maravilha dizia que “um time de futebol tinha nove posições e duas profissões: o goleiro e o centroavante”. Folclore à parte, o que Cavalieri e Fred fazem, rodada após rodada, é assustador. 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

UMA IMAGEM



















Encontro de lendas. Pelé e Bobby Moore trocam camisas após o Brasil e Inglaterra na Copa do Mundo de 1970, que terminou com a vitória tupiniquim por um a zero.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

SÓ ACREDITARIA VENDO. E VI.


Faltavam poucos minutos para o Superclássico das Américas, a Copa Roca do século XXI, ter seu jogo de volta cancelado. O refletor central do estádio Centenario, na cidade de Resistencia, insistia em não acender. Enquadrado na televisão estava o diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, a comentar sobre o atraso do duelo entre brasileiros e argentinos que já se alongava por mais de meia hora. Foi neste exato momento que o ex-presidente do Corinthians se esqueceu de seguir a risca o batido conselho de pensar duas vezes antes de falar, e, ao vivo e em cores, filosofou: “Tudo que envolve política e futebol dá esses problemas”.

Sim, amigos, ao vivo. Para todo mundo ver e ouvir, Andrés Sanchez criticou a mistura de política e futebol. O mesmo homem que conseguiu tirar do papel um estádio para o seu Corinthians com incontáveis cifrões de investimento público. O mesmo homem que hoje exerce um cargo relevante na CBF, local onde politicagem é palavra de ordem. O mesmo homem que – segundo o sempre bem informado jornalista Juca Kfouri – tem sua permanência na própria CBF bancada pelo ex-Presidente da República Lula, motivo pelo qual ele, Andrés, fornece apoio ao PT na campanha da prefeitura paulistana. Andrés Sanchez perdeu uma gigantesca oportunidade de ficar calado.

Em tempo: Jorge Capitanich, Governador da província de Chaco, onde se encontra Resistencia, é um fortíssimo aliado político da Presidenta Argentina, Cristina Kirchner. Ainda em tempo: O Estádio Nacional de Brasília, antigo Mané Garrincha, receberá sete jogos da Copa do Mundo de 2014. Mesmo número do Maracanã. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

E TOME ISSO, SOCIEDADE!


Uma punhalada social. A ordem do árbitro Leandro Vuaden para a retirada da faixa através da qual os torcedores do Náutico exalavam a indignação contra a arbitragem nacional foi um golpe na sociedade brasileira.

O pênalti não marcado sobre o atacante do “Timbu” Kim, no apagar das luzes do duelo contra o Fluminense, pela 26a rodada, foi apenas mais um dentre os incontáveis erros do apito no Brasileiro. Longe de ser o primeiro. A quilômetros de ser o último. Ao invés de mandar o juiz para os lugares mais obscuros ou de desonrar sua mãe, os alvirrubros decidiram protestar por escrito: “Não irão nos derrubar no apito!”

Ofendido e se sentindo na missão de defender sua classe, Vuaden ordenou a retirada da faixa e os policiais obedeceram sem um “ai”, numa ação que retardou, por cerca de 20 minutos, o início do confronto entre Náutico e Atlético Goianiense.

A questão não é perguntar quem o Leandro Vuaden pensa que é para escurecer uma manifestação contra a arbitragem, pois ninguém teria o direito de impedi-la. Nem a Presidente Dilma Roussef, nem o Ministro Joaquim Barbosa, nem o Papa Bento XVI. Ninguém! O Estatuto do Torcedor proíbe, corretamente, manifestações racistas e xenófobas, porém não existe, neste país, sequer um parágrafo que impeça um cidadão de declarar sua insatisfação com a incompetente arbitragem.

É o momento onde as autoridades nacionais deveriam vir a público para esclarecer a ilegitimidade do poder que Leandro Vuaden acreditou – talvez ainda acredite – possuir. Ou outros árbitros se sentirão no mesmo direito de tomar decisões ditatoriais diante de futuras manifestações contrárias a dirigentes, clubes, federações, confederações, organizadores da Copa do Mundo ou das Olimpíadas... E assim, o processo para transformar o torcedor brasileiro em boneco de gesso dará um enorme passo.