sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

FELIZ 2011!!!

Olá amigos do FUTEBOLA!

O ano de 2010 chega ao seu fim e o FUTEBOLA gostaria de agradecer a todos pela companhia. Muito obrigado por acompanharem o Botafogo levantando o caneco Carioca; o Egito fazendo história na Copa da África; o Internacional sendo Bi da Libertadores e depois bobeando no Mundial Interlubes; o Santos que encantou todo o país e venceu o Paulistão e a Copa do Brasil; o Fluminense que, após 26 anos, deu aos seus torcedores a alegria de comemorar um título Brasileiro; a Internazionale que superou adversários poderosos e conquistou a Europa e o Mundo; as análises rodada a rodada da Premier League, ainda em andamento; a Seleção Espanhola que, enfim, conseguiu o passaporte para entrar no hall dos Campeões do Mundo... Agradeço também por prestigiarem as postagens que buscam não deixar a história do futebol se apagar, área que ganhou, em 2010, seções que homenageiam grandes cronistas, radialistas e fotógrafos, além de entrevistas com nomes de enorme importância, como o Zico e o Amarildo.

Realmente 2010 foi muito bom para o FUTEBOLA, que atingiu a marca de 400 postagens. No entanto, o ano que vai chegar será muito melhor. Idéias pipocam na minha cabeça, um grande número de arquivos ocupam minha pasta de projetos, a busca por novas entrevistas não pára... E, amigos, podem ter certeza que vontade não vai faltar lhes entregar isso tudo. Já em janeiro, além das já citadas seções de história do futebol, teremos o Campeonato Carioca, a Copa da Ásia e o Sul-Americano sub-20, torneios que o FUTEBOLA vai acompanhar bem de perto.

Por fim, desejo a todos um ano de 2011 perfeito.

MUITA SAÚDE... MUITA PAZ... MUITO FUTEBOL...

FELIZ 2011!!!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

ENTREVISTA COM AMARILDO, CAMPEÃO DO MUNDO EM 1962.

Olá amigos do FUTEBOLA!

Hoje o blog tem a honra conversar com Amarildo, o “Possesso”. Muitos dizem que o Garrincha conquistou a Copa do Mundo de 1962 sozinho, como se ele tivesse vestido as 11 camisas e vencido todos os adversários. Porém, apesar das atuações inesquecíveis do Mané, o Brasil não teria se sagrado Bicampeão Mundial sem a ajuda de outros craques. E um destes craques teve a dura missão de substituir o Pelé, que se contundira na segunda partida diante da Tchecoslováquia e não pôde mais atuar no torneio. E esse craque foi justamente o Amarildo, nosso entrevistado de hoje. Com dois gols logo em sua estréia contra a Espanha de Puskás (isso mesmo, o húngaro Puskás disputou a Copa do Mundo de 1962 pela Espanha) e mais um na final contra a Tchecoslováquia, Amarildo foi essencial para o Brasil levantar mais um caneco. Vamos então ao bate-bapo.

FUTEBOLA: Qual foi a sensação de disputar a Copa do Mundo de 1962?
Amarildo: O Mundial de 1962 foi a realização de um sonho meu como profissional, porque eu penso que é a meta máxima que um jogador pode almejar. Eu me sinto realizado dentro da minha profissão porque, além de ter sido um jogador conhecido em todo mundo, ainda fui agraciado com a Copa do Mundo, o máximo que um jogador profissional pode desejar. Então é uma sensação indescritível.

FUTEBOLA: E quando você descobriu que teria que substituir o Pelé? Você confiava muito em você ou sentiu um pouco de medo?
Amarildo: O “Possesso”, como me chamam, nunca teve medo. Eu, graças a Deus, sempre fui um jogador de personalidade, que nunca tive influência por um jogo ser mais difícil, contra um time pequeno, contra um time grande ou contra uma Seleção. Eu entrava em campo porque eu confiava na minha capacidade. Então isso, graças a Deus, foi uma coisa que eu tinha de bom. Eu jamais entrei em campo com medo.

FUTEBOLA: Como foi jogar em 1963, no Maracanã, contra o Santos, vestindo a camisa de um time italiano? Foi diferente? (Nota: em 1963 o Santos e o Milan se enfrentaram pelo Mundial Interclubes e Amarildo era jogador do Milan. Os resultados foram: Milan 4 x 2 Santos, no San Siro; Santos 4 x 2 Milan e Santos 1 x 0 Milan, ambos no Maracanã)
Amarildo: Foi diferente para os torcedores brasileiros. Eu era um recente Bicampeão do Mundo e o fato de eu ter substituído o Pelé, aquela expectativa dos torcedores de saber qual seriam as minhas condições psicológica e física, aquela pressão para saber o que iria acontecer... E depois do meu primeiro jogo, quando fiz dois gols contra a Espanha e ganhamos de 2 x 1, mudou completamente o pensamento dos torcedores. Eles me adotaram como ídolo. Então naquele jogo pelo Milan contra o Santos, eu afrontei o Santos como um adversário normal, somente como se fosse uma Copa do Mundo. Então, os torcedores brasileiros que me viram ser Campeão do Mundo estavam, naquele momento, me vendo contra um clube brasileiro, disputando praticamente um outro título mundial. Então eles me vaiaram, achavam que eu era um traidor. Mas eu compreendo. Fiquei magoado, mas compreendi depois que realmente eles tinham razão porque aquilo era uma vaia de amor, eles queriam que eu estivesse do lado do Santos. Mas é o futebol. Eu cumpri com a minha obrigação e eu acho que qualquer outro jogador faria a mesma coisa que eu fiz, procurando jogar para ganhar. Todos pensam que a vaia foi uma coisa negativa, mas eu eu não. Eu penso que foi uma coisa positiva porque, naquele momento, quem me vaiou me vaiou por amor, não por não gostar de mim.

FUTEBOLA:Você teve a honra de jogar ao lado do Pelé e do Garrincha. O que você acha daqueles que dizem que o Maradona foi o melhor de todos.
Amarildo: São poucos aqueles que dizem que o Maradona foi o melhor de todos. Os melhores são, realmente, o Pelé e o Garrincha, os dois têm o mesmo peso. E o Maradona foi um daqueles que também pode ser considerado um dos melhores do mundo. Para mim o Pelé e o Garrincha foram superiores e o Maradona vem logo atrás deles, juntos com outros. Mas o Maradona foi um grandíssimo jogador.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

PREMIER LEAGUE 2010/2011 - 20ª RODADA




RESULTADOS

Manchester City 4 - 0 Aston Villa
Stoke City 0 - 2 Fulham
Sunderland 0 - 2 Blackpool
Tottenham 2 - 0 Newcastle
West Bromwich 1 - 3 Blackburn
West Ham 1 - 1 Everton
Birmingham 1 - 1 Manchester United
Chelsea 1 - 0 Bolton
Wigan 2 - 2 Arsenal
Liverpool 0 - 1 Wolverhampton

ARTILHEIROS

14 gols
Dimitar Berbatov (Manchester United)
12 gols
Carlos Tévez (Manchester City)
11 gols
Andy Carrol (Newcastle)


COMENTÁRIOS


Manchester City 4 x 0 Aston Villa – City of Manchester Stadium, Manchester

O Manchester City mostrou a força de seu elenco e sapecou 4 x 0 no Aston Villa, alcançando assim a vice-liderança da Premier League, empatado em pontos com o rival Manchester United. A maratona de jogos, venceu o Newcastle no último domingo e terá de enfrentar o Blackpool no próximo sábado, fez com que o treinador Roberto Mancini poupasse alguns dos seus principais jogadores e mandasse um Manchester City diferente à campo. Sendo assim, os laterais Boateng e Kolarov, os meias Barry e Milner além da principal estrela do time Carlitos Tévez, ficaram de fora da escalação inicial.

Se a ausência destes titulares poderia dar uma sensação de que o City iria encontrar problemas diante do Villa, principalmente pelo desentrosamento da equipe que adentrou o gramado, esta impressão rapidamente virou pó. O relógio marcava 12 minutos e o City já vencia por 2 x 0, gols do italiano Balotelli, em cobrança de pênalti sofrido por ele mesmo, e do zagueiro Lescott, em cabeçada após córner cobrado pelo Adam Johnson. E diferentemente do que ocorrera no último duelo contra o Newcastle, o City não tirou o pé do acelerador após obter a vantagem de dois gols, como provou o segundo gol do Balotelli e terceiro da equipe, marcado aos 26 minutos depois de bela jogada entre o Yayá Touré e o David Silva. O Aston Villa não conseguiu andar em campo na 1ª etapa, que chegou a ter, em determinado momento, o City com 80% da posse de bola. E nem mesmo o intervalo serviu para diminuir o volume do City ou melhorar a postura do Villa, afinal, logo aos 9 minutos, Adam Johnson fez bela jogada individual pela direita, foi derrubado na área e Balotelli novamente cobrou pênalti com categoria para colocar 4 x 0 no escore. Vale ressaltar que nas três vezes que balançou o barbante o Balotelli foi discreto na comemoração.

Ainda não se pode dizer que o City não é dependente do Carlitos Tévez, autor de 12 gols e 5 assistências na competição, porém a boa atuação do Balotelli deixa torcedores, jogadores e treinador bem mais seguros em caso de ausência do atacante argentino. Além do hat-trick do “Super Mario”, deve-se destacar também a atuação dos meias Adam Johnson, Yayá Touré e David Silva, que ditaram o forte ritmo do City e arquitetaram excelentes tramas de ataque. Apesar da péssima atuação ofensiva do Aston Villa, o sistema defensivo do City também merece elogios, principalmente o raçudo volante De Jong, que desta vez não abusou das faltas e foi um leão em campo. Se sempre que o Roberto Mancini precisar o elenco corresponder com uma atuação do nível desta goleada, o torcedor do Manchester City pode começar a sonhar com algo mais do que apenas a vaga para a próxima Champions League.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA

O livro indicado pelo FUTEBOLA esta semana é o “Grêmio – Nada Pode Ser Maior”, da coleção Camisa 13. Escrito pelo Eduardo Bueno, um dos mais fanáticos gremistas que existe, esta obra conta a história do Tricolor Gaúcho de uma maneira agradabilíssima. Eduardo Bueno consegue contar a criação do clube, a vida de craques lendários como Lara, Foguinho e Aírton “Pavilhão” (não deixem de ler sobre a vida deste gigante do futebol brasileiro na seção Figurinha Carimbada) e as épocas gloriosas do Grêmio de um modo que prende o leitor. Seu jeito cômico de analisar o futebol pode ser visto na rápida entrevista que ele deu ao FUTEBOLA.

FUTEBOLA: Qual é o maior jogador da história do Grêmio?
Eduardo Bueno: Dos que eu vi, evidentemente que é o Renato Gaúcho, que, agora, além de ser o melhor de todos como jogador, é o melhor técnico. Quer dizer, é um homem perfeito.

FUTEBOLA: E o maior jogo do Grêmio que você já viu?
Eduardo Bueno: É o jogo no qual o Grêmio deixou claro que só precisa de sete para ganhar de qualquer time completo e ainda ser Campeão. Vão dizer “Ah, mas foi na Segundona”, mas a Segundona que é o território de macho mesmo. E nós fomos lá e ganhamos com sete. (Nota: O jogo em questão é a vitória do Grêmio por 1 x 0 sobre o Naútico, em 2005, que ficou conhecido como a “Batalha dos Aflitos”)




Grêmio - Nada Pode Ser Maior
Autor: Eduardo Bueno
Editora: Ediouro

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PREMIER LEAGUE 2010/2011 19ª RODADA




RESULTADOS

Fulham 1 - 3 West Ham
Blackburn 0 - 2 Stoke City
Blackpool - Liverpool (adiado)
Bolton 2 - 0 West Bromwich
Everton - Birmingham (adiado)
Manchester United 2 - 0 Sunderland
Newcastle 1 - 3 Manchester City
Wolverhampton 1 - 2 Wigan
Aston Villa 1 - 2 Tottenham
Arsenal 3 - 1 Chelsea

ARTILHEIROS

13 gols
Dimitar Berbatov (Manchester United)
12 gols
Carlos Tévez (Manchester City)
11 gols
Andy Carrol (Newcastle)


COMENTÁRIOS

Arsenal 3 x 1 Chelsea – Fly Emirates Stadium, Londres

O Arsenal venceu o Chelsea por 3 x 1, pôs fim à péssima sequência de resultados recentes diante do rival e se manteve próximo ao líder Manchester United. Por outro lado, o Chelsea alcançou sua sexta partida seguida sem vitória e está cada vez mais longe do topo.

O 1º tempo do duelo espelhou o clima atual na Europa, ou seja, totalmente frio. Disse o 1º tempo e rapidamente me corrijo. Os primeiros 40 minutos foram frios, sem nenhuma emoção e com ambos, apesar de o Arsenal marcar maior presença no campo ofensivo, sem a mínima inspiração. No entanto, os “Gunners” conseguiram superar o sistema defensivo azul nos minutos finais da 1ª etapa e foram para o intervalo com a vitória parcial por 1 x 0. Se aos 40 minutos o goleirão Peter Cech realizou linda defesa em chute colocado do meia Nasri, aos 43 ele nada pôde fazer para evitar que o volante Song aproveitasse passe do outro volante, Wilshere, e abrisse o placar.

Para a 2ª etapa Carlo Ancelotti decidiu voltar com Ramires no lugar de Obi Mikel para ter melhor saída para o jogo, já que Lampard, voltando a atuar de titular após quase quatro meses, não conseguia levar os “Blues” ao ataque. Vale ressaltar que o Lampard não foi o único culpado pela horrenda atuação azul, afinal Essien, Malouda e Kalou também estavam em péssima jornada. Carlo Ancelotti, porém, não contava com duas falhas gigantescas de seus comandados. Primeiro Essien tocou mal a pelota para trás e Walcott aproveitou para deixar Fábregas livre, leve e solto para ampliar o marcador. Dois minutinhos depois, ao 7, quem dormiu no ponto foi Malouda, que permitiu o Fábregas roubar a redonda deixar o Walcott em ótimas condições para fazer 3 x 0, retribuindo a assistência do segundo gol. Estes dois tentos no início do 2º tempo deixaram o Arsenal em situação bem confortável e nem mesmo o gol de cabeça do zagueiro Ivanovic, para o Chelsea, aos 11 minutos, animou Lampard, Drogba e companhia, que, até o apito final, encontraram dificuldades para arquitetar jogadas ofensivas. Para dar uma idéia de quão fraca foi a atuação do Chelsea, a equipe azul passou todo o jogo sem criar uma única jogada pelo seu setor esquerdo.

Se não realizou a atuação dos sonhos, o Arsenal jogou um futebol muito consistente, principalmente o tripé de meio-campo formado por Wilshere, Song e Fábregas, e provou que tem condições de brigar pelo caneco. Briga esta que deve durar até as últimas rodadas.

sábado, 25 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL!!!

Olá amigos!

O FUTEBOLA deseja para todos um FELIZ NATAL.

Que cada um possa ter um dia de muita felicidade junto com os amigos e a família e veja os seus desejos realizados.



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

GÊNIO DAS PALAVRAS - MARIO FILHO

Telê

Descobrimos Telê todos os anos. E o curioso é que ele é sempre o mesmo. Não há jogador mais fiel a si mesmo. Por isso Telê se repete. A repetição esconde-o, faz a gente se esquecer dele um pouco. O termo não é esquecer. A presença de Telê é uma dessas coisas que ninguém pode ignorar. Ele joga os noventa minutos. Dito assim parece que não é nada de mais. O jogo dura noventa minutos, o que pode sugerir, como sugere à primeira vista, que todos jogam noventa minutos. Jogariam, se não fosse Telê. Quer dizer, a gente não ia desconfiar que não jogam, se não fosse Telê. Telê trouxe uma nova medida de tempo para o futebol. É, de algum modo, o ponteiro dos segundos, o que não pára. Os outros são, quando são, o ponteiro dos minutos. Há, até, os que não são ponteiros: são os cinco, os dez, os vinte, os trinta, os sessenta, os números que os ponteiros atravessam, girando. Ponteiro de segundos é Telê. E vocês, que têm relógio, vão compreender melhor por que se descobre Telê, todos os anos. Para ver o ponteiro dos segundos, a gente precisa ser um pouco médico, que todos somos, contar as pulsações.

E é justamente quando se toma a pulsação do match, Telê jogando, que se descobre esse ponteiro dos segundos. Então há sempre um espanto, embora todos estejam não digo cansados, nem fartos, nem nada de ver Telê e sempre assim. O espanto vem daí, dessa repetição que se poderia chamar, dentro da relatividade do futebol, de perene. Um jogador demora um pouco a acabar e poucos resistem a chamá-lo de eterno. O que Telê faz, outros fizeram e fazem, mas num jogo. Escolhem um jogo e molham a camisa e não param, e vão para a frente e voltam, e avançam e recuam, dum lado para outro. Depois tomam férias. Não são de ferro. Ninguém reclama porque concorda. Se se jogasse sempre assim, não havia jogador que aguentasse. Telê aguenta. Percebendo-se isso, apesar de público e notório, a boca se abre e é a perplexidade. Sobretudo porque Telê é quase só ossos, não há jeito de ganhar nenhum quilo. Como?

E o mais curioso é que Telê é um pão-duro. Depois de dizer isso, retifico: não é o mais curioso. Parece haver uma contradição entre a generosidade de Telê em campo pelo clube e não dando nada fora do campo. Não há. Pelo menos me vem à memória outro pão-duro que, em campo, era uma fera. Telê não é uma fera. Zezé Procópio, unha-de-fome, em campo se matava pelo clube. É verdade que não dava a impressão de que se estivesse matando. A impressão que dava é a que estava disposto a matar qualquer um. E saia da frente. Agora me vem outra idéia: o que Zezé Procópio parecia é que estava cobrando dívidas, que cobrava com juros altos, que cobrava até 50% por semana. Também ficou rico. Era um agiota, coisa que Telê não é. Telê é sumítico, com dinheiro, mas com a bola, defendendo o Fluminensem é um mão-aberta, um estróina.

Estróina – eu disse estróina? – não, Telê não lembra um estróina. Apenas cumpre a obrigação dele e, para ele, a obrigação dele é aquela. Realmente, procede como se não fizesse nada de mais e cumprisse apenas a obrigação. Quem quiser cumprir direito a obrigação, transformada em dever, o que se tem a fazer tem de ser feito, verificará que precisa ser um Telê. Por isso Telê é um exemplo. Ele não mete o pé em ninguém, não descompõe ninguém, não faz mais do que pode fazer normalmente. Nele aquele esforço todo é natural, espontâneo. Por muito menos outros jogadores se sentiram carregadores de piano. E gritavam logo que estavam cansando. Telê não cansa. E o espantoso é que não cansa nunca, esse fiapo de jogador que não pára nem quando a bola está fora. O comum é o jogador sem bola parar logo. Telê sem bola é que não pára mesmo.Eis por que joga os noventa minutos. Primeiro 45, descansa dez no intervalo e mais 45 minutos cravados. Falei nas bolas fora porque o juiz não desconta tempo, a não ser que venha a cera, ostensiva. A multidão protesta, o juiz olha para o cronômetro e anuncia, olhando o cronômetro, que está descontando o tempo. Quando há desconto do tempo, Telê joga mesmo mais de noventa minutos. Vou explicar direito, já que pode haver quem não me entenda. Eu quero dizer que Telê está no jogo os noventa minutos ou mais, com os descontos. A atenção dele não se desvia da bola. Mesmo a bola caindo no fosso do Maracnã, isto é, desaparecendo da vista da gente. Telê, então, fica olhando o garoto que segura aquela espécie de apanhador de borboletas para ir buscar a bola.

Para Telê é importante. O quíper vai receber a bola, vai colocá-la sobre a linha da pequena área, talvez seja o quíper quem bate o tiro de meta, talvez seja o beque. Telê tem de estar preparado para receber aquela bola ou para roubá-la. Ele é um ladrão dessas bolas sem destino certo, um descuidista dentro do campo. Bola sem dono é de Telê. Quem o chama de ladrão é o Benício Ferreira Filho. E o termo é bom porque quando o quíper do outro lado, ou o beque, bate o tiro de meta, é para dá-la a um jogador do time dele e não a Telê. Mas Telê já está à espera da bola. Há jogadores que olham no momento do tiro de meta, para ver a direção da bola. Telê estava olhando antes. A bola do tiro de meta, a bola do out-side, a bola que espirra, a bola que foge, a bola que toma efeito, a bola que pára, a bola que anda, a bola que salta.

Se um jogador espera um passe e não se antecipa, está sem bola, Telê apareceu, para muitos não se sabe de onde. Mas se alguém, em vez de olhar para a bola, olhar para Telê, que é quase a mesma coisa, não tem de que se espantar. Telê está sempre se colocando, mudando de posição, e de olho na bola, ela esteja perto ou longe. Mas não se olha Telê, olha-se a bola, embora se saiba que Telê está no palco, digo no campo. Mas podia dizer palco. Dão a deixa e ele aparece. Só que, no futebol, dão muito mais deixas do que no palco. É, porém, difícil ser Telê, pegar todas as deixas. Sobretudo porque não se reserva para Telê o papel prinicpal. Ele é que toma e com a naturalidade de quem não está tomando nada. De quem está apenas representando o papel que lhe foi destinado.

Apesar de tudo, se devia ver mais Telê. Ele merecia que a gente se voltasse mais para ele. Ou que, pelo menos, se visse melhor o que ele faz. Vê-se Telê, mas não se vê direito o que ele faz. Não se fraciona a jogada dele, não se a coloca debaixo de uma lente para ampliá-la, como se faz com as jogadas de tantos outros. Talvez porque Telê não chame a atenção sobre si mesmo. Há jogadores mestres nisso. Vão fazer uma jogada e como que avisam. Os olhos da multidão se voltam para ele e ele então começa a executar o número variado. Já Telê é a peça toda. Dá a impressão de que há sempre tempo para vê-lo. Há realmente sempre todo o tempo para vê-lo. Ele entrou em cena agora, vai voltar me seguida, estará sempre no palco, a deixa não tarda.

Basta que um jogador se sobressaia um pouco num match em que jogue Telê para que se esqueça um tanto Telê. Há sempre tempo para se lembrar Telê. Realmente há sempre tempo para se lembrar Telê. Mas se deixxa o tempo passar. De tanto se espantar com Telê, a gente chega a achar, sinceramente, que esgotou toda a capacidade de espanto. O que era uma injustiça, o se quecer de Telê, passa a ser a única maneira de fazer-lhe justiça. De outra forma não o descobriríamos mais, já lhe teríamos o mapa, que temos, com as capitais, que temos, os acidentes geográficos, que temos, as riquezas mineirais e vegetais, que temosmas que, por termos, dá-nos a segurança de saber tudo, que é a melhor maneira de esquecer.

Porque o esquecemos, tantas vezes, é que o descobrimos outras tantas. Descobrindo-o de novo é como se nunca o tivéssemos visto, pelo menos assim. E assim era ele, e é, e a gente também acha que será toda a vida. Até que acabe. Mas parece não acabar nunca. Dura se esbanjando. É um milionário de futebol. Milionário americano, de fita de cinema. E o que preocupa é o futuro. Não de futebol, o outro, o sem futebol. Por isso trabalha, tem negócio, guarda, guarda tudo. Só não guarda futebol. O que tem dá ao Fluminense às mãos-cheias. Geralmente o jogador de futebol faz o contrário: esbanja o dinheiro que ganha e economiza o futebol, para esticá-lo o mais possível.

E o que acontece é que, quando lhe acaba o futebol, não tem nada. Telê é o contrário: guarda o dinheiro, trata de aumentá-lo, de entesourá-lo e talvez seja isso o que lhe dê essa tranquilidade em não regatear nada no futebol. Acabando o futebol, ele continuará com a vida dele, de pai de família e homem trabalhador. Pode dar o que tem em futebol, generosamente, de coração aberto. Aliás, só se sabe jogar assim. Não é esse o melhor caminho para a popularidade. Gosta-se de Telê, admira-se Telê, mas se precisa sempre descobri-lo de novo. O que é um mal e é um bem. Quando se o descobre de novo é como se surgisse um outro Telê. E a verdade é que é o mesmo, o de sempre, o de todos os dias, o mais cotidiano dos jogadores.
01/09/1956
retirado do livro "O Sapo de Arubinha - Os Anos de Sonho do Futebol Brasileiro" da Editora Companhia das Letras

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

UMA IMAGEM...



Momento de fé da surpreendente e já histórica equipe do Mazembe.
Foto: Alexandre Alliatti

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

RADINHO NO OUVIDO

2000 - Palmeiras 3 x 4 Vasco, Parque Antártica

Narração: José Carlos Araújo

Hoje é o aniversário de 10 anos de um dos maiores jogos da história do futebol brasileiro. Em 20 de dezembro de 2000, Vasco e Palmeiras duelaram pelo título da antiga Copa Mercosul. Na 1ª etapa o Verdão deu um show de bola e abriu 3 x 0 de vantagem, porém os quase 30 mil presentes ao Parque Antártica não imaginavam o que estava por chegar. Com três gols do baixinho Romário e um do Juninho Paulista, o Vascão conseguiu uma virada milagrosa e levantou o caneco continental. O grande locutor José Carlos Araújo, o Garotinho, conta como foi o quarto gol vascaíno, marcado pelo Romário.
video

domingo, 19 de dezembro de 2010

FALAMOS COM EURICO MIRANDA, EX-PRESIDENTE DO VASCO DA GAMA.

O ex-presidente do Vasco da Gama, Eurico Miranda, conversou com o FUTEBOLA e opinou sobre assuntos atuais, tanto sobre o Vasco quanto sobre a gestão de clubes profissionais.

Não são poucos os que dizem que o Vasco vem perdendo força no futebol carioca em comparação com seus rivais. Com as recentes conquistas de Flamengo (2009) e Fluminense (2010) do Brasileirão e com o título estadual levado pelo Botafogo nesse ano, os argumentos dos que criticam o momento do Vasco estão ganhando mais corpo. Perguntado pelo FUTEBOLA se acredita queo Vasco pensava grande em sua época, e hoje pensa pequeno, Eurico Miranda disse:

- Na minha época o Vasco não pensava grande, na minha época o Vasco, com certeza, era grande. E ele é grande. Só que na minha época ele era tratado como grande. Na minha época eu obrigava, de uma maneira ou de outra, eles a tratarem o Vasco como ator principal, não como coadjuvante.

Sempre contrário ao modelo de gestão do clube de futebol como uma empresa, Eurico Miranda mais uma vez mostrou ser um ferrenho opositor ao clube-empresa ao responder sobre a viabilidade deste modelo de gestão no país.

- Eu sou contra desde que sonharam um dia fazer isso. Por isso que você tem hoje o Grêmio Barueri, e ele vira Grêmio Prudente, e amanhã vai ser “Grêmio Amarelinho” e depois vai ser Grêmio “Verdinho”. Isso é o modelo do clube empresa.

Por fim, Eurico foi simples, rápido e claro ao responder se ainda pretende voltar a ser Presidente do Vasco da Gama:

- Nem uma chance.

No entanto, como atual Presidente do Conselho de Beneméritos do “Gigante da Colina” e grande opositor do atual Presidente Roberto Dinamite, o fato de Eurico Miranda declarar que não pretende voltar a ser o manda-chuva do Vasco não significa que ele deixará de ter influência na vida política do clube.

sábado, 18 de dezembro de 2010

MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA 2010 - FINAL

Internazionale (ITA) 3 x 0 Mazembe (CGO) – Estádio Sheikh Zayed, Abu Dhabi (UAE)

Campeã do Mundo! Sem precisar se esforçar muito, quase como em ritmo de treino, a Internazionale bateu o surpreendente Mazembe por 3 x 0 e conquistou o Mundial de Clubes da FIFA. Foi o terceiro caneco mundial conquistado pela Inter, que antes havia se sagrado Campeã em 1964 e 1965.

Uma frase que marcou – negativamente? – a carreira do treinador brasileiro Carlos Alberto Parreira foi aquela que diz que “o gol é apenas um detalhe”. Os primeiros 20 minutos do duelo entre Internazionale e Mazembe foram um grande exemplo para quem quer discordar da frase do treinador brazuca. O motivo? Nos primeiros 20 minutos do confronto semi final entre o Internacional de Porto Alegre e o Mazembe, a equipe brasileira criou cinco oportunidades de gols, não conseguiu balançar as redes e viu o sonho de ser Campeão do Mundo acabar. Já nesta final entre italianos e congoleses, nos mesmos 20 minutos iniciais, a Internazionale arquitetou duas boas jogadas ofensivas, concluiu as duas com perfeição e praticamente decidiu o título. Primeiro, aos 12 minutos, Eto’o deu linda assistência para Pandev tocar na saída do carismático goleiro Kidiaba. Depois, aos 17, foi o próprio Eto’o quem aproveitou passe do Zanetti para sacudir o barbante.

Depois deste início de grande eficiência, a Internazionale recuou esperando a oportunidade de explorar os contra-ataques. O Mazembe até se postou ofensivamente, porém não apresentou força para furar o sólido sistema defensivo da Inter. Ainda no 1º tempo, enquanto o Mazembe tentava e não conseguia superar Lúcio, Córdoba e companhia, dois contra-golpes da Inter poderiam ter fechado o caixão africano, porém Diego Milito estava em péssima jornada e desperdiçou duas claras chances de gol. Se na etapa inicial, após colocar 2 x 0 no placar, a Inter diminuiu bastante seu volume, após o intervalo o fez ainda mais. O lateral-direito Maicon até acertou uma bola na trave aos 14 minutos, mas o fato é que a Inter desistiu completamente de atacar. Bem menos incisivo do que nos duelos anteriores contra o Pachuca e o Internacional, o Mazembe só conseguiu assustar o brazuca Júlio César aos 29 e 34 minutos, ambas jogadas criadas pelo ponta-direita Kabangu e mal finalizadas pelo centroavante Kaluyituka. Se uma destas bolas parasse no fundo do gol a situação dos italianos poderia ficar ruim, porém não foi o que ocorreu. Pelo contrário, aos 39 minutos, em excelente assistência do Stankovic, Biabiany driblou o arqueiro Kidiaba, marcou um bonito gol e deu números finais à partida.

Para os brasileiros que estavam torcendo pelo Internacional de Porto Alegre, ficou a alegria de ver, após o apito final, Júlio César, Maicon, Lúcio, Thiago Motta e Philippe Coutinho abraçados e comemorando esta importantíssima conquista.

PARABÉNS, INTERNAZIONALE!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

BIBLIOTECA DO FUTEBOLA

Uma das figuras mais importantes da história do futebol brasileiro merecia um livro a sua altura. E, felizmente, o grande escritor André Ribeiro foi o encarregado de escrever esta que é a biografia do “Mestre” Telê Santana. Esta obra conta absolutamente tudo da maravilhosa carreira de Telê como jogador e como treinador. Uma das melhores biografias esportivas já produzidas.



Fio de Esperança
Autor: André Ribeiro
Editora: Gryphus

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

PAPO CABEÇA - UNIFICAÇÃO DOS TÍTULOS NACIONAIS

Olá amigos do FUTEBOLA!

A partir do próximo dia 22 de dezembro os Campeões da Taça Brasil (1959-1968) e do Roberto Gomes Pedrosa (1967-1970) serão considerados, também, Campeões Brasileiros pela CBF. Esta é uma questão que vem ocupando grande espaço na mídia já faz um bom tempo, como mostra o fato de alguns jornais terem estampado que o Fluminense, com a conquista do Brasileirão de 2010, teria se sagrado Tricampeão, incluindo assim o Roberto Gomes Pedrosa de 1970 como Campeonato Brasileiro.

Não resta dúvida de que esta decisão tomada pela CBF irá gerar sensações de revolta em uns e de alegria em outros. No entanto, não seria correto alguém defender sua posição de felicidade só por estar vendo seu time ser considerado um “novo” Campeão Brasileiro ou, por outro lado, discordar da decisão da CBF somente por seu clube nunca ter vencido uma Taça Brasil ou um Robertão. Sendo assim, o FUTEBOLA irá apresentar argumentos para aqueles defendem e também para aqueles que são contra a unificação dos títulos.

Por que os Campeões da Taça Brasil e do Robertão devem SIM ser considerados Campeões Brasileiros?

- A Taça Brasil foi criada em 1959 para decidir qual clube representaria o país na Copa Libertadores da América, que seria disputada pela primeira vez em 1960. O torneio contava com Campeões de quase todos os estados – foram 16 no torneio de 1959 – e era disputado no formato de mata-mata, onde primeiramente ocorriam as disputadas regionais para depois quatro equipes se enfrentarem nas semi finais e, consequentemente, decidirem quem seria o Campeão e o representante do Brasil na Libertadores. Portanto, para aqueles que querem defender a Taça Brasil como Campeonato Brasileiro, creio que não existe melhor argumento do que ser a Taça Brasil um torneio disputado pelos melhores de cada Estado e cujo vencedor iria representar o país na mais importante competição da América do Sul.

- Em 1967, foi criado o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, que neste ano foi disputado por equipes do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, e que nas edições seguintes também ganharia clubes de Pernambuco e da Bahia. Diferente da Taça Brasil, toda disputada em jogos eliminatórios, o Robertão possuía uma primeira fase onde os clubes se dividiam em dois grupos e os dois primeiros colocados de cada grupo se classificavam para um quadrangular final. Em 1971, a criação daquele que hoje é chamado Campeonato Brasileiro gerou poucas modificações no formato do Robertão de 1970, apenas a entrada de mais três clubes, englobando também o estado do Ceará, e o surgimento de uma nova fase de grupos. O Brasileiro de 1971 foi disputado por 20 clubes divididos em dois grupos de 10. Cada grupo classificava os seis primeiros colocados para uma segunda fase, onde os 12 clubes classificados se organizavam em três grupos de quatro. O vencedor de cada um destes três grupos garantia vaga no triangular final. Resumo da ópera: a única diferença entre o Robertão de 1970 e o Brasileiro de 1971 foi o acréscimo de três clubes e uma modificação no formato de tabela. Amigos, convenhamos, se aumentar o número de participantes ou realizar modificações na tabela servissem como motivos para não chamar um torneio de Campeonato Brasileiro, em que setor estaria classificado o Brasileirão de 1979, que contou com nada menos do que 96 clubes? E a Copa João Havelange de 2000, que vale como Campeonato Brasileiro e em sua fórmula de disputa colocou clubes das primeira, segunda e terceira divisões se enfrentando? Portanto, se você quer defender o o Campeão do Roberto Gomes Pedrosa como um Campeão Brasileiro, saiba que as diferenças regulamentares entre ambas as competições devem ser desconsideradas e que o Robertão tem toda a cara de Brasileirão.

Por que os Campeões da Taça Brasil e do Robertão NÃO devem ser considerados Campeões Brasileiros?

- Neste recém terminado Campeonato Brasileiro de 2010, o meia argentino Conca foi o jogador mais elogiado de todos. E os elogios não foram só por sua gigantesca qualidade técnica ou pelo seu profissionalismo fora das quatro-linhas, mas também por ele ter conseguido a façanha de disputar todas as 38 cansativas rodadas da competição. Diante desta maratona que o Fluminense enfrentou para ser Campeão, dá para imaginar uma equipe levantando o caneco do Brasileirão disputando apenas 4 jogos? Ou, ainda mais assustador: vocês imaginam uma equipe Pentacampeã Brasileira com um total de 24 jogos? Pois é, estes são os números do Santos na conquista do Penta da Taça Brasil entre 1961 e 1965. Foram 5 jogos em 1961, 5 jogos em 1962, 4 jogos em 1963, 6 jogos em 1964 e 4 jogos em 1965. Como critério de comparação, para uma equipe brasileira ser Pentacampeã Brasileira, atualmente, necessitará disputar 190 jogos.

- Ninguém pode constestar a dificuldade que era vencer um Robertão. Era uma época onde os nossos craques – e não eram poucos, vide a Seleção Brasileira Campeã do Mundo em 1970 – atuavam por aqui e quem vencesse o torneio era realmente a melhor equipe do país. No entanto, ser a melhor equipe do país não significa ser Campeã de um torneio que ainda não existia. O Campeonato Brasileiro surgiu em 1971 e o Robertão teve um papel importantíssimo como embrião, porém não era o Campeonato Brasileiro. Da mesma maneira que a Taça Brasil era a Taça Brasil, e não o Campeonato Brasileiro. Se a Taça Brasil e o Robertão se equivalem e equivalem ao Brasileirão, por que ambos foram disputados no ano de 1967 e 1968? Se a unificação for aceita, teremos o Botafogo (Taça Brasil) e o Santos (Robertão) como Campeões Brasileiros de 68. E pior, teremos o Palmeiras (Taça Brasil e Robertão) como Bicampeão Brasileiro no mesmo ano de 1967!!! Todo torneio tem a sua importância. Ninguém pode desmerecer o Bahia, Campeão da Taça Brasil de 1959 e primeiro brasileiro a disputar uma Libertadores, porque seu título não é chamado de Campeonato Brasileiro. Ninguém pode duvidar da força do Cruzeiro, que sapecou o Santos na final da Taça Brasil de 1966 por 6 x 2, no Mineirão, e 3 x 2, no Pacaembu, porque seu título não é chamado de Campeonato Brasileiro. Ninguém seria louco de diminuir o Fluminense de 1970, Campeão da principal competição nacional no ano em que a Seleção Brasileira encantou o mundo da bola, porque seu título não é chamado de Campeonato Brasileiro. Ninguém pode falar um pingo do Palmeiras de 1967, Campeão da Taça Brasil e do Robertão, porque estes títulos não eram chamados de Campeonato Brasileiro. São todos títulos inesquecíveis para os jogadores, dirigentes, técnicos e torcedores. Porém, são títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. O Campeonato Brasileiro só surgiu em 1971.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA 2010 - SEMI FINAL

Seongnam (KOR) 0 x 3 Internazionale (ITA) – Estádio Sheikh Zayed, Abu Dhabi (UAE)

Sem precisar se esforçar muito, a Internazionale bateu o Seongnam por 3 x 0, espantou a zebra sul-coreana e garantiu a vaga na final do Mundial de Clubes.

É difícil dizer que a Internazionale, que perdeu por contusão o holandês Sneijder, ainda nos primeiros segundos da partida, e mesmo assim foi para o intervalo vencendo por 2 x 0, não fez um grande 1º tempo. Porém, a meu ver, a Inter realizou uma etapa inicial apenas eficiente. Logo aos 2 minutinhos de jogo Stankovic aproveitou bobeada da defesa adversária e abriu o placar. O gol marcado tão cedo deu indícios de que a Inter iria engolir os sul-coreanos, porém não foi o que ocorreu. Com a vantagem no marcador a equipe italiana decidiu por recuar e privilegiar o sistema defensivo, não fazendo nenhuma questão de atacar. No entanto, como o Seongnam encontrava enorme dificuldades para arquitetar boas jogadas ofensivas, o jogo se tornou morno e muito pobre em chances de gols. As boas qualidades apresentadas pelo Seongnam na goleada sobre o Al-Wahda, como a velocidade ofensiva e a intensa participação do Molina com mobilidade e passes, não apareceram e os sul-coreanos não assustavam o goleiro brazuca Júlio César. O jogo caminhava neste ritmo lento e de nenhuma produtividade ofensiva quando Zanetti arrancou pela direita, tabelou com o Diego Milito e marcou um golaço, colocando o 2 x 0 no marcador. Foi somente com dois gols de desvantagem que o Sengonam conseguiu levar perigo ao Júlio César. Se com a pelota rolando estava difícil, os sul-coreanos aproveitaram três jogadas de bola parada, todas elas cobradas pelo Molina, sendo dois cruzamentos e um arremate direto para o gol, para dar trabalho ao goleiro interista.

Após o intervalo o duelo não mudou de ritmo. A Internazionale até se postou um pouco mais ofensivamente, mas foi muito pouco mesmo. A sensação de que os italianos poderiam ampliar a vantagem no momento em que quisessem se confirmou aos 27 minutos, quando Diego Milito aproveitou rebote em chute do Eto’o e fechou o placar. Daí em diante o jogo que já era morno esfriou ainda mais, e a única jogada que merece ser destacada é uma cobrança de falta do zagueiro Ognenovski que o Júlio César rebateu mal para o meio da área e o Radoncic quase sacudiu o filó.

Para aqueles que esperavam uma Internazionale com dificuldades para avançar à final do Mundial – como este que vos fala – os italianos conseguiram cumprir sua missão com gigantesca facilidade. Agora o duelo será contra o carismático Mazembe e, novamente dando meu pitaco, acredito que a Inter terá que jogar com muito mais ímpeto para conquistar o caneco.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA 2010 - SEMI FINAL

Internacional (BRA)0 x 2 Mazembe (CGO) – Estádio Al Jazira Mahammed Bin Zayed, Abu Dhabi (UEA)

Fim do sonho vermelho. O Mazembe bateu o Internacional por 2 x 0 e pela primeira vez na história do Mundial Interclubes um clube sul-americano não vai disputar a decisão.

O Internacional foi à campo escalado em m 4-4-2 com Renan; Nei, Bolívar, Índio e Kléber; Wilson Matias, Guiñazu, D’Alessandro e Tinga; Rafael Sóbis e Alecsandro. No meio-campo, Wilson Matias e Guiñazu eram responsáveis pela proteção à linha de 4 defensores enquanto D’Alessandro e Tinga, as vezes auxiliados pelo Rafael Sóbis que recuava e fazia a função de um meia aberto pela esquerda, tinham a missão de arquitetar as jogadas ofensivas. Já os africanos do Mazembe adentraram o gramado no já esperado esquema 4-3-3, semelhante ao apresentado na vitória sobre o Pachuca. O goleiro era Kidiaba, a figura mais carismática do Mundial. Nkulukuta, Kimwaki, Mihayo e Kasusula compunham a linha de quatro defensores. Bedi, de primeiro volante, Ekanga e Kazongo formavam o tripé no meio-campo, o ataque contava com Kabangu de ponta-direita, Singuluma de ponta-esquerda e Kaluyituka de centroavante.

O Internacional iniciou a partida aceso e com menos de um minuto já havia chegado à área rival em jogada do Tinga com o Rafael Sóbis. Se a idéia do Colorado era pressionar o Mazembe e não deixar os africanos gostarem da partida, a missão foi cumprida com sucesso quase integral. O que faltou ao Inter? O gol. Enquanto o Mazembe não conseguia encaixar os seus velozes ataques, o Inter criava oportunidades de gols em profusão. Em pouco mais de 20 minutos, Wilson Matias, Rafael Sóbis, Índio e Tinga tiveram boas chances de sacudir o barbante, principalmente o Sóbis, que livre, leve e solto chutou em cima do goleiro uma perfeita assistência do Alecsandro. No entanto, na segunda metade da 1ª etapa, o Mazembe conseguiu se encontrar no jogo, o Internacional diminuiu o ritmo alucinante e não conseguiu assustar mais o goleiro Kidiaba. Apesar da queda de produção ofensiva, Celso Roth decidiu por não alterar a equipe e o Inter voltou igual para o 2º tempo.

A etapa final começou com o Mazembe apresentando mais ímpeto ofensivo, criando uma boa jogada logo aos 2 minutos e conseguindo abrir o placar aos 8. O gol africano surgiu a partir dos dois principais pontos positivos mostrados pela equipe no jogo anterior, diante do Pachuca: o avanço de um dos volantes e a qualidade técnica muito acima da média do Kabangu. Se contra o Pachuca o gol surgiu em uma linda assistência do Kabangu para o volante Bedi, desta vez foi o volante Ekanga quem deu ótimo passe, de cabeça, para Kabangu aproveitar a bobeada do Bolívar e colocar com categoria no fundo do gol. Provavelmente o Internacional ficou muito mais nervoso com a desvantagem no marcador, porém as chances de empatar o duelo surgiram aos montes. No intervalo entre 14 e 33 minutos, o Colorado criou cinco grandes chances de balançar as redes, mas o goleiro Kidiaba estava impossível. As defesas do goleirão congolês nos arremates do Rafael Sóbis e do Giuliano (que entrara no lugar do Tinga) foram sensacionais e essenciais para a vitória africana. Se o Internacional pecou – e muito! – nas finalizações, o mesmo não fez o centroavante Kaluyituka, que aos 40 minutos colocou o Guiñazu para dançar, bateu no cantinho para marcar o segundo gol do Mazembe e fechou o caixão colorado.

É óbvio que a derrota vermelha me surpreendeu. No entanto, diante do que a equipe congolesa apresentou contra o Pachuca e contra o Internacional, seria uma falta de respeito enorme desmerecer os africanos. Não foi o Internacional que perdeu o jogo, foi o Mazembe que venceu.

PREMIER LEAGUE 2010/2011 - 17ª RODADA



* O Manchester United possui um jogo a menos

RESULTADOS

Aston Villa 2 - 1 West Bromwich
Everton 0 - 0 Wigan
Fulham 0 - 0 Sunderland
Stoke City 0 - 1 Blackpool
West Ham 1 - 3 Manchester City
Newcastle 3 - 1 Liverpool
Bolton 2 - 1 Blackburn
Wolverhampton 1 - 0 Birmingham
Tottenham 1 - 1 Chelsea
Manchester United 1 - 0 Arsenal

ARTILHEIROS

11 gols
Dimitar Berbatov (Manchester United)

10 gols
Carlos Tévez (Manchester City)
Andy Carrol (Newcastle)


COMENTÁRIOS

Tottenham 1 x 1 Chelsea – White Hart Lane

Chelsea e Tottenham fizeram um jogo bastante equilibrado e terminaram empatados em 1 x 1, resultado que foi ruim para ambos, já que o Chelsea atingiu sua quinta partida seguida sem vitória na competição e o Tottenham perdeu a oportunidade de, jogando em casa, se aproximar do topo da tabela. Desde os primeiros minutos do confronto, o Chelsea tentou controlar as ações ofensivas e até conseguiu bons lances, porém foram os mandantes que abriram o placar com um gol do russo Pavlyuchenko após falha da defesa azul, principalmente do Terry. Contando com um tripé de meias formado por Mikel, Essien e o brasileiro Ramires, que novamente fez uma partida abaixo do que se espera dele, o Chelsea sentiu a ausência de um jogador mais criativo e forçou as jogadas pelas laterais, conseguindo, na 1ª etapa, três cabeçadas do Kalou sem sucesso. Após o intervalo os “Blues” voltaram com o Drogba no lugar do volante Mikel, fato que, como era de se esperar, aumentou o poder de fogo da equipe. O motivo do marfinense Drogba estar no banco? Acreditem, deficiência técnica (nos últimos 8 jogos ele havia marcado apenas um gol, e de pênalti). Se quem iniciou o 2º tempo levando perigo foi o Tottenham, com Defoe quase ampliando a vantagem, o Chelsea rapidamente ganhou o controle do jogo. Depois de Droba, em chute longo, e o volante Palacios, de cabeça contra o próprio gol, darem enorme trabalho ao goleiro brasileiro Gomes, o Chelsea chegou ao empate aos 24 minutos. Drogba aproveitou um balão do campo defensivo, venceu o duelo com o zagueiro Dawson e arrematou para falha gigante do brasileiro Gomes. Vale ressaltar que tanto Dawson quanto Terry tiveram boas atuações, porém as falhas nos dois gols comprometeram os zagueiros. Falando em comprometer, Gomes quase entregou a vitória de bandeja ao Chelsea cometendo pênalti em Ramires aos 46 minutos, contudo Drogba bateu mal, o goleiro conseguiu defender e o placar terminou mesmo em 1 x 1.

Manchester United 1 x 0 Arsenal – Old Trafford

Diante de sua torcida, o Manchester United conseguiu uma excelente vitória por 1 x 0 sobre o Arsenal e assumiu a liderança da Premier League, mesmo com um jogo a menos do que os rivais na parte de cima da tabela. A 1ª etapa do esperado duelo foi morna, com o jogo muito concentrado no meio de campo e uma grande ausência de criatividade em ambas as equipes. Se pelo lado do Manchester United, Nani e Anderson tentavam levar a equipe ao ataque, apesar de não estarem inspirados, no Arsenal a situação era pior, já que Nasri não conseguia repetir o bom futebol das recentes partidas e Arshavin e Rosicky estavam completamente sumidos em campo. De todos os meias ofensivos em campo, coube ao que possui mais preocupações defensivas balançar as redes. Aos 40 minutos, Nani arrancou pela direita, arrematou ao gol, a pelota desviou na defesa do Arsenal e o sul-coreano Park abriu o placar. Na 2ª etapa o Arsenal voltou com maior ímpeto ofensivo, mas realmente os “Gunners” não estavam em boa jornada e encontraram enormes dificuldades para superar o sistema defensivo dos “Diabos Vermelhos”, principalmente a excelente dupla de zaga Ferdinand/Vidic, que esteve impecável. Quem também esteve bem defensivamente no Manchester foi o lateral-direito brasileiro Rafael, atuando os 90 minutos sem cometer uma falha. Se aproveitando da postura mais ofensiva do Arsenal, o United ainda criaria oportunidades de ampliar a vantagem, chegando a desperdiçar um pênalti – Clichy colocou a mão na bola dentro da área – cobrado de maneira muito estranha pelo Rooney, aos 27 minutos. Antes disso, o brasileiro Anderson já havia obrigado o goleiro Szczesny a realizar duas ótimas defesas e o Nani desperdiçara um grande contra-ataque arrematando para fora uma bola que poderia ter rolado para o Ronney. Nem mesmo as entradas de Fábregas, Van Persie e Walcott melhoraram ofensivamente o Arsenal, que ainda viu o Rooney quase marcar um golaço de cobertura aos 40 minutos. Nos acréscimos, Walcott chutou para fora uma das duas chances que o Arsenal teve de empatar a partida em toda a etapa final, a outra havia sido um chute do Nasri aos 10 minutos. Muito pouco para a equipe que entrou em campo como líder do campeonato. Com a vitória o Manchester United se enche de moral para o próximo duelo contra o Chelsea, outro jogo importantíssimo para quem quer conquistar o caneco.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

DE OLHO NO QUADRO NEGRO - MAZEMBE

Olá amigos do FUTEBOLA!

Amanhã é dia de o Internacional de Porto Alegre estrear no Mundial de Clubes da FIFA contra o Mazembe, do Congo. Vamos ver, então, como se comporta taticamente e quais são os pontos fortes e fracos dos africanos.

Gostaria também de mandar um grande abraço para o meu amigo Gabriel, aniversariante da semana e fã número 1 do “De Olho no Quadro Negro”.

video

domingo, 12 de dezembro de 2010

PRÊMIO FUTEBOLA BRASILEIRÃO 2010

RESULTADO DO PRÊMIO FUTEBOLA BRASILEIRÃO 2010:

1º lugar: Conca(Fluminense) – 82,5% dos votos
2º lugar: Elias (Corinthians) – 7,5% dos votos
3º lugar: Montillo (Cruzeiro) e Jonas (Grêmio) – 5% dos votos cada

SELEÇÃO FUTEBOLA BRASILEIRÃO 2010

Goleiro: Fábio (Cruzeiro)
Pouco a pouco o goleiro Fábio vai escrevendo seu nome entre os grandes do futebol brasileiro na posição. E não é só por ser um gigante debaixo das traves, mas também pela identificação com o torcedor cruzeirense e por sua liderança perante os companheiros. Um número que representa a importância de Fábio na grande campanha da “Raposa” no Brasileirão: Das 20 vitórias do Cruzeiro, nove foram por 1 x 0, ou seja, aproximadamente 40% dos 69 pontos conquistads pelo Cruzeiro foram possíveis, entre outros fatores, pelo Fábio ter fechado o gol.

Lateral-Direito: Mariano (Fluminense)
Que ano para o latral-direito tricolor! Melhor na posição no Campeonato Carioca, convocação para a Seleção Brasileira e, por fim, unânimidade como o melhor camisa 2 do Brasileirão 2010. Não foram raros os jogos onde o Fluminense teve em Mariano sua principal válvula de escape da defesa e também a sua maior arma ofensiva. Se manter o ritmo em 2011, tem tudo para se firmar na Seleção Brasileira.

Zagueiro-Central: Dedé (Vasco)
Sem dúvidas uma das grandes surpresas do Brasileirão. Em diversas partidas do campeonato o zagueirão vacaíno foi impecável, ganhando todos os duelos e, prinicipalmente, sem cometer faltas. Os boatos são de que alguns clubes europeus já estão de olho em seu bom futebol e a minha torcida é para que o Dedé continue atuando em nossos gramados e possa evoluir ainda mais.

Quarto-Zagueiro: Miranda (São Paulo)
Já faz tempo que o Miranda é o melhor zagueiro do país. Se nos últimos anos ele se destacou conquistando o Tri pelo São Paulo (06/07/08) e brigando pelo título até a última rodada em 2009, desta vez foi diferente. Durante todo o Brasileirão de 2010 o São Paulo não foi nem sombra dos últimos anos, conseguindo apenas alguns bons momentos. Porém, o Miranda continuou uma muralha, um zagueiro de impressionante solidez. É outro que torcemos para que continue aqui pelo Brasil em 2011.

Lateral-Esquedo: Roberto Carlos (Corinthians)
Quem achou que o já consagrado Roberto Carlos voltaria ao Brasil apenas para ganhar mais uma graninha e se aposaentar errou feio. O lateral-esquerdo Pentacampeão em 2002 voltou jogando uma bola redondinha e nas vésperas da Copa do Mundo deste ano não foram poucos os que o queriam na Seleção Brasileira. A volta do Roberto Carlos ao Brasil fez bem ao jogador, ao Corinthians e aos que gostam do bom futebol.

Primeiro-Volante: Jucilei (Corinthians)
Em minha opinião, Jucilei já possui o caminho do sucesso desenhado. Com apenas 22 anos o volante é um dos principais jogadores do Corinthians, começa sua carreira pela Seleção Brasileira e parece ser excelente profissional. Dizem que os volantes modernos devem possuir preparo físico excelente, saber marcar e ter qualidade com a bola nos pés. O Jucilei tem tudo isso.

Segundo-Volante: Elias (Corinthians)
Ora atuando como volante, ora atuando como meia, Elias jogou uma barbaridade neste Brasileirão. Pode-se dizer até que foi o melhor meio-campo brasileiro no torneio, pois os poucos que jogaram mais do que ele são argentinos. Talvez o principal ponto positivo do trabalho do Mano Menezes neste ano de 2010, em que comandou o Corinthians e a Seleção Brasileira, tenha sido a importante participação na formação da dupla Jucilei/Elias.

Meia-Direita: Montillo (Cruzeiro)
Quando um jogador troca de equipe e em seus primeiros meses no novo clube não rende o esperado, o principal argumento para defendê-lo é sempre o mesmo: “o jogador ainda não está habituado ao novo clube”. Pois o argentino Montillo ignorou este tal período de habituação e em cinco meses se tornou não somente o principal jogador cruzeirense, mais um dos melhores do país. Sua qualidade para arquitetar jogadas ofensivas é imensa e se o Cruzeiro venceu 12 dos seus 19 jogos no 2º turno, muito se deve às grandes atuações deste genial argentino.

Meia-Esquerda: Conca (Fluminense) – O VENCEDOR DO PRÊMIO FUTEBOLA BRASILEIRÃO 2010
Este merecia um livro de elogios. Falando em livro, a partir de agora toda obra que se propor a contar a história do Campeonato Brasileiro deverá ter um capítulo dedicado a este pequeno gigante. Neste tempo onde muitos craques fazem sua parte dentro das quatro-linhas, mas deixam o profissionalismo de lado quando estão fora dos gramados, Conca é um exemplo que deve ser seguido por todos aqueles que dão os primeiros passos no futebol. Fica difícil saber o que mais encanta neste argentino. Seria o modo de tratar a pelota, que parece sorrir quando está sob seu dominío? Seria a inacreditável entrega que o fez jogar todas as 38 partidas do campeonato mesmo sentindo dores que fariam muitos jogadores no país – para não dizer todos – passarem um tempo no departamento médico? Seria a humildade que o faz dizer, após ganhar todos os prêmios possíveis de melhor do Brasil, que se não está na Seleção Argentina é porque ainda precisa melhorar? Bom, o principal ponto positivo do Conca eu não posso afirmar, mas não tenho a menor dúvida em dizer que este argentino é o melhor jogador do Brasileirão 2010. Parabéns, Conca!

Segundo-Atacante: Emerson (Fluminense)
Tenho certeza que muitos vão discordar da escolha do Emerson para a SELEÇÃO FUTEBOLA BRASILEIRÃO 2010 alegando que o craque tricolor jogou apenas 11 partidas na competição. Pois bem, vamos supor que, ao invés do Fluminense, o Corinthians tivesse se sagrado Campeão Brasileiro com o Ronaldo fazendo o gol do título. Não tenho dúvidas de que o “Fenômeno” estaria em todas as Seleções do Campeonato (inclusive na do FUTEBOLA), mesmo tendo jogado os mesmos 11 jogos do Emerson. Agora, voltemos à realidade onde o Campeão Brasileiro de 2010 foi o Fluzão. Na metade final do 1º turno (entre a 11ª e 19ª rodada), que colocou o Tricolor na liderança, o “Sheik” marcou sete gols em nove jogos e, após um período contundido, voltou para marcar o gol do título. Assim sendo, pela enorme garra que demonstrou nas partidas que atuou, pelos tentos que foram essenciais para colocar o Flu na ponta do Brasileiro ainda no 1º turno e pelo histórico gol do título, o Emerson está aqui na SELEÇÃO FUTEBOLA BRASILEIRÃO 2010.

Centroavante: Jonas (Grêmio)
Que o treinador Renato Gaúcho foi essencial para o Grêmio realizar a melhor campanha do Brasileirão no 2º turno, com incríveis 14 vitórias em 19 jogos, é unânimidade. Porém, a arrancada do Tricolor Gaúcho não seria possível sem os perfeitos arremates do atacante Jonas. Se no 1º turno Jonas foi bem, tendo balançado as redes oito vezes, no 2º ele foi espetacular, marcando nada menos do que 15 gols e se sagrando artilheiro do Brasileirão com um total de 23 tentos. Se Jonas continuar calibrado no próximo ano, o Grêmio será um forte candidato ao título continental.

Treinador: Muricy Ramalho (Fluminense)
Em minha opinião, o Muricy Ramalho teve mais trabalho para conquistar esse caneco de 2010 com o Fluzão do que qualquer um dos três que levantou com o São Paulo. O motivo? As inúmeras contusões sofridas por importantes peças no elenco Flu. Os volantes Diogo e Diguinho, os meias Marquinho e Deco, os atacantes Fred e Emerson... Não foram poucos os problemas médicos tricolores. No entanto, o trabalho do Muricy foi de suma importância para o Fluminense passar 23 das 38 rodadas na liderança da competição e em seu fim levantar o troféu.

Revelação: Bruno César (Corinthians)
Depois de se destacar na campanha que deu ao Santo André o Vice-Campeonato Paulista, Bruno Céar chegou ao Corinthians e continuou mostrando seu ótimo futebol. Com muita categoria no toque de bola e bastante precisão nos chutes longos, o meia foi uma peça muito importante na boa campanha do “Timão”.

Escalação
1 – Fábio (Cruzeiro)
2 – Mariano (Fluminense)
3 – Dedé (Vasco)
4 – Miranda (São Paulo)
5 – Jucilei (Corinthians)
6 – Roberto Carlos (Corinthians)
7 – Emerson (Fluminense)
8 – Elias (Corinthians)
9 – Jonas (Grêmio)
10 – Montillo (Cruzeiro)
11 – Conca (Fluminense)


sábado, 11 de dezembro de 2010

MUNDIAL DE CLUBES DA FIFA 2010 - QUARTAS DE FINAL

RESULTADOS

Mazembe (CGO) 1 x 0 (MEX) Pachuca
Al-Wahda (UAE) 1 x 4 (KOR) Seongnam

Olá amigos do FUTEBOLA!

Já estão definidos os adversários de Internacional (BRA) e Internazionale (ITA) na fase semifinal do Mundial de Clubes da FIFA. Os brasileiros enfrentarão o surpreendente Mazembe, do Congo, enquanto os italianos deverão ter trabalho contra os sul-coreanos do Seongnam.

COMENTÁRIOS

Mazembe (CGO) 1 x 0 (MEX) Pachuca – Estádio Al Jazira Mahammed Bin Zayed, Abu Dhabi (UEA)

O Campeão Africano Mazembe conquistou a vaga na semifinal após bater o favorito Pachuca por 1 x 0. Não que o Pachuca fosse amplo favorito e o resultado possa ser considerado uma zebra histórica, porém pelos níveis do futebol mexicano – que acabou de ter o Chivas na final da Libertadores – e do nível do futebol congolês, o resultado pode sim ser considerado uma surpresa. Como também surpreendeu o 1º tempo dos congoleses no confronto. Organizados em um 4-3-3, o Mazembe iniciou o jogo à 200Km/h e deixou o Pachuca perdido em campo. Contando com o ímpeto, a velocidade e a habilidade dos pontas Singuluma e Kabangu, o Mazembe abriu o placar aos 20 minutos com o volante Bedi, que apareceu de surpresa no ataque, recebeu linda assistência do Kabangu e finalizou com força. Até o fim do 1º tempo, os africanos não recuaram e quase ampliaram a vantagem em belo contra-golpe. Contudo, na primeira metade da 2ª etapa, o Mazembe recuou mais do que deveria e chamou o Pachuca para o jogo, atitude que poderia ter prejudicado a equipe. O Pachuca cresceu sob o comando do meia argentino Manso, que diga-se de passagem havia realizado boa 1ª etapa, sendo o único jogador da equipe mexicana a criar algo produtivo em termos ofensivos e chegando a acertar a trave em um belo arremate. Para lembrar, o Manso é aquele mesmo que jogou um bolão pela LDU na Libertadores e no Mundial de 2008. Porém, nesta primeira metade do 2º tempo que o Pachuca conseguiu se postar melhor ofensivamente, as jogadas bem trabalhadas não surgiram e os mexicanos conseguiram apenas uma bomba do Martinez no travessão em chute longo. Nos últimos 20 minutos o Mazembe voltou para o jogo e assustou o rival com contra-ataques e chutes longos. A briga pela classificação durou até os minutos finais, com o Mazembe e o Pachuca criando chances de balançar as redes e as desperdiçando. Sendo assim, os estilosos congoleses conseguiram a vaga para enfrentar o Internacional e mostraram que não são criativos apenas nos penteados, mas também com a bola nos pés.

Al-Wahda (UAE) 1 x 4 (KOR) Seongnam – Estádio Sheikh Zayed, Abu Dhabi (UAE)

A partida que classificou o Seongnam para enfrentar a Internazionale na semifinal do Mundial de Clubes mostrou que os sul-coreanos realmente estão evoluindo no futebol. Na Copa do Mundo da África do Sul, a Coréia do Sul apresentou um futebol interessante, com organização tática, contra-ataques bem trabalhados e qualidade na troca de passes. Nada espetacular, mas bem mais do que eram capazes de apresentar algumas décadas atrás. E neste mesmo ritmo, com estas mesmas qualidades, o Seongnam sapecou 4 x 1 no Al-Wahda e estragou a festa da torcida local. O torcedor brasileiro que ligou a TV esperando ver o trio de brazucas do Al-Wahda, Magrão, Hugo e Fernando Baiano, se destacar, assistiu um colombiano, também conhecido aqui no Brasil, acabar com o jogo. Comandando a equipe com belos passes e sempre perigoso nas bolas paradas, o meia Molina, que teve boa passagem pelo Santos, bateu um bolão. Na 1ª etapa, Molina abriu o placar aos 3 minutinhos e cobrou o córner que originou o gol do zagueiro Ognenovski, aos 29 minutos, poucos minutos depois de Fernando Baiano empatar em cabeçada perfeita. Na 2ª etapa, quando o Al-Wahda dominava as ações ofensivas e estava próximo de empatar o confronto, Molina reapareceu, cobrou falta na cabeça do centroavante Cho e iniciou contra-ataque finalizado pelo volante Choi, jogadas que colocaram o 4 x 1 no marcador. Sobre os brasileiros: Magrão esteve perdido em campo, Hugo não teve sucesso em arquitetar jogadas ofensivas e Fernando Baiano sacudiu o filó quando lhe colocaram em condições de finalizar. Não tenho dúvidas de que a Internazionaleé favorita no duelo contra os sul-coreanos, porém, e até pela péssima fase vivida pelos interistas, é bom tratar o jogo com seriedade.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

UMA IMAGEM...


Para a torcida do Fluminense, é sem dúvidas “o argentino mais querido do Brasil.”
Foto: Fernando Soutello

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PAPO CABEÇA - CHUTE CERTO DA PRESIDENTE DILMA.

Olá amigos do FUTEBOLA!

Como ocorre com todos os Presidentes eleitos, Dilma Rousseff está tendo trabalho para montar sua, digamos, máquina pública. Escolher os ministros e os comandantes das estatais, por exemplo, não é tarefa das mais fáceis. É partido querendo o Ministério X ou reclamando mais pastas do que a Presidente pretende dar, tem senador eleito cobrando pelo apoio dado na campanha eleitoral, tem quem apoiou o candidato derrotado dizendo que isso é coisa do passado e querendo uma vaguinha...

No meio deste intenso jogo político, a Presidente Dilma parece que está marcando o seu primeiro gol, antes mesmo de subir a rampa em Brasília. Explico o porquê. Sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016, o Brasil precisa urgentemente de investimentos em infra-estrutura aeroviária. O nível atual dos nossos aeroportos está longe, mas muito longe do ideal para a realização de eventos do porte de um Mundial e das Olimpíadas. Por este motivo, a Infraero, estatal responsável pela administração de praticamente todos os nossos grandes aeroportos, terá no ano de 2011 um orçamento de R$ 1,2 bilhão. Diante deste panorama, muitos políticos cresceram o olho para o comando da estatal e ela passou a ser mais valorizada na montagem da máquina política de Dilma.

No entanto, a Presidente está mais do que inclinada a escolher para o comando da Infraero um executivo com as devidas qualidades para colocar ordem na casa, ou seja, o comando da Infraero não fará parte do jogo político citado linhas acima. A Infraero será um dos principais pilares para organizarmos eventos esportivos com a qualidade que eles merecem e, para isso, precisa ser liderada por alguém que entenda do assunto, não ser utilizada como moeda de troca com políticos que não possuem as qualidades profissionais que o cargo exige. Esperamos que a Presidente escolha um nome que tenha todos os atributos que o cargo necessita e que o dinheiro seja bem utilizado.

COPA SUL-AMERICANA 2010 - FINAL JOGO 2

Independiente 3 (5) x (4) 1 Goiás – Estadio Libertadores de América, Avellaneda (ARG)

O título não veio, mas o Goiás foi digno de muitos aplausos. Atuando em um lotado Avellaneda, o Goiás bobeou no 1º tempo, conseguiu se recuperar e esteve muito próximo de levantar o caneco. No entanto, a força do tradicional Independiente prevaleceu na disputa de pênaltis e os argentinos ficaram com o troféu.

Apenas dois minutinhos após o apito inicial o Goiás encaixou um veloz ataque com Rafael Moura e Douglas e deu a sensação de que conseguiria ameaçar o rival nos contra-ataques constantemente. Nem mesmo o gol do zagueiro Velásquez aos 19 minutos, após dormida no ponto da defesa verde, abateu os goianos, já que três minutos depois Rafael Moura aproveitou cruzamento perfeito de Wellington Saci e empatou o escore. No entanto, o Goiás praticamente parou em campo, diminui o volume sem a mínima explicação e assistiu o Independiente marcar duas vezes com o bom centroavante Parra, aos 27 e 33 minutos, e conseguir o placar que levava o duelo para a prorrogação. Desde o empate com o Fluminense no Engenhão pelo Brasileirão, que quase complicou a vida do Flu, passando pelos duelos contra o Palmeiras e o próprio Independiente, o Goiás vinha mostrando um sólido sistema defensivo, com seu tripé de zagueiros (Ernando, Rafael Tolói e Marcão) e a dupla de volantes (Carlos Alberto e Amaral) mostrando muita segurança. Contudo, nesta partida em solo argentino a defesa goiana não funcionou e deu muita liberdade para o Independiente organizar jogadas, para o Parra finalizar e não soube como anular a bola parada rival.

Depois de quase ver os argentinos marcarem o quarto gol, novamente com o Parra, no início da 2ª etapa, enfim o Goiás conseguiu entrar no jogo. Enquanto o Independiente dava claros sinais de que o cansaço estava batendo, o Goiás começou a se postar melhor ofensivamente e a criar as melhores oportunidades de gols. Até o final do 2º tempo, a equipe brasileira marcou dois gols, anulados pela arbitragem por impedimento, quase fez um dos gols mais bonitos do ano, após o Rafael Moura tabelar com o Amaral, deixar dois zagueiros no chão e chutar para boa defesa do Navarro, e ainda chegou perto de balançar as redes mais duas vezes, ambas com o Rafael Moura. Veio a prorrogação e o Goiás continuou atacando o esgotado rival. Em dois excelentes passes do Rafel Moura, Felipe e Rafael Tolói quase deram o título ao Goiás, porém o goleiro Navarro e a trave impediram. Vale elogiar aqui a atuação do Rafael Moura, um leão em campo e o principal jogador da equipe brasileira. Das sete oportunidades de gols criadas pelos goianos, Rafael Moura esteve presente em seis.

Não resta dúvida de que o Goiás jogou um ótimo futebol na 2ª etapa e na prorrogação da decisão. Porém, isso não quer dizer que os goianos mereciam ser campeões. Sempre digo e não vou cansar de repetir: a justiça no futebol é a justiça nos gols. O Independiente em 33 minutos marcou seus três gols. O Goiás teve mais de uma hora para marcar seu segundo gol e não conseguiu, mesmo jogando muito bem. Resultado: a decisão foi para a disputa de penalidades, Felipe acertou a trave pelos goianos, o Independiente foi perfeito em suas cobranças e conquistou a Sul-Americana. Foi o quinto título dos argentinos na Sul-Americana, enquanto o Brasil só tem um caneco, levantado pelo Internacional em 2008. Talvez a festa feita pela torcida do Independiente ao final da decisão, uma festa digna de uma Copa do Mundo, seja uma das explicações para o sucesso dos argentinos nesta competição. Lá eles levam a Sul-Americana a sério, como nós daqui deveríamos sempre fazer.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

RADINHO NO OUVIDO

1984 - Fluminense 1 x 0 Vasco, Maracanã (RJ)

Narração: Edson Mauro

Olá amigos do FUTEBOLA!

Há algum tempo blog vem homenageando os grandes fotógrafos do futebol, como por exemplo os inesquecíveis Domício Pinheiro e J. B. Scalco, na seção “Uma Imagem...”. Os maiores cronistas de todos os tempos, como o inadjetivável Nelson Rodrigues, também possuem o seu espaço que é intitulado “Gênios das Palavras”. Agora é a vez dos nomes que marcaram o rádio brasileiro ganharem o seu cantinho aqui no FUTEBOLA.

E vamos começar no embalo do Fluzão, o Campeão Brasileiro de 2010. Para homenagear o Fluminense, a narração que inaugura a seção “Radinho no Ouvido” apresenta o grande Edson Mauro narrando o gol do craque tricolor Romerito, no primeiro jogo da final do Brasileirão de 1984 contra o Vasco. Com este gol do paraguaio, o Flu venceu o duelo por 1 x 0 e, após empatar o segundo jogo por 0 x 0, levantou o caneco.

video

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

PREMIER LEAGUE 2010/2011 - 16ª RODADA



* O Manchester United possui um jogo a menos.

OLÁ AMIGOS DO FUTEBOLA!

ATÉ O DIA 13 DE DEZEMBRO, O FUTEBOLA CONTA COM A SUA PARTICIPAÇÃO PARA ESCOLHER O VENCEDOR DO PRÊMIO FUTEBOLA BRASILEIRÃO 2010. NÃO DEIXEM DE VOTAR NAQUELE QUE, EM SUA OPINIÃO, É O CRAQUE DO CAMPEONATO. SUA PARTICIPAÇÃO É DE GIGANTE IMPORTÂNCIA.

RESULTADOS

Arsenal 2 - 1 Fulham
Birmingham 1 - 1 Tottenham
Blackburn 3 - 0 Wolverhampton
Chelsea 1 - 1 Everton
Manchester City 1 - 0 Bolton
Wigan 2 - 2 Stoke City
Blackpool - Manchester United (adiado)
West Bromwich 3 - 1 Newcastle
Sunderland 1 - 0 West Ham
Liverpool 3 - 0 Aston Villa

ARTILHEIROS

11 gols
Dimitar Berbatov (Manchester United)

10 gols
Carlos Tévez (Manchester City)

9 gols
Andy Carrol (Newcastle)

COMENTÁRIOS

Liverpool 3 x 0 Aston Villa – Anfield Road, Liverpool

Antes do início da partida, o torcedor do Liverpool tinha todos os motivos para acreditar em um difícil duelo contra o Aston Villa, afinal Carragher, Gerrard e Fernando Torres, simplesmente as três peças mais importantes da equipe, não estariam em campo. No entanto, o Aston Villa desta temporada vem se mostrando um time muito frágil e, mesmo com os desfalques, o Liverpool não encontrou problemas para garantir os três pontos. Antes mesmo dos 20 minutos da 1ª etapa o placar já apontava 2 x 0 para os Reds, gols dos atacantes Ngog e Babel, o segundo após lindo passe do volante brasileiro Lucas. Vale ressaltar que mais uma vez o Lucas realizou uma grande partida. Além da assistência, o brazuca esteve impecável defensivamente. Não resta dúvidas de que este é o melhor momento vivido pelo Lucas na “Terra dos Beatles”. O confronto foi para o intervalo e ficou difícil de saber qual setor do Aston Villa foi pior no 1º tempo, já que a defesa foi uma verdadeira peneira, o meio-campo não apresentou um pingo de criatividade e no ataque o Agbonlahor estava mais sozinho do que o Tom Hanks em “Náufrago”. Para a 2ª etapa o Aston Villa voltou um pouco mais animado e começou a colocar as manguinhas de fora, principalmente com os ataques pelos flancos. Contudo, a alegria dos visitantes durou muito pouco e, aos 10 minutos, Maxi Rodríguez recebeu ótima bola do goleiro Reina, puxou o contra-ataque, abriu a pelota para o Babel e entrou na área para concluir o lance com perfeição. Foi um daqueles contra-golpes dignos de video-aula. Com a vantagem de três gols no marcador, restou ao Liverpool apenas esperar o tempo acabar, pois o Aston Villa não demonstrava a mínima condição de reagir. O Liverpool ainda irá disputar quatro partidas pela Premier League em 2010. Em minha opinião, elas serão decisivas para mostrar se os Reds irão brigar por uma das vagas na Champions League.

domingo, 5 de dezembro de 2010

CAMPEONATO BRASILEIRO 2010 - 38ª RODADA

OLÁ AMIGOS DO FUTEBOLA!

ATÉ O DIA 13 DE DEZEMBRO, O FUTEBOLA CONTA COM A SUA PARTICIPAÇÃO PARA ESCOLHER O VENCEDOR DO PRÊMIO FUTEBOLA BRASILEIRÃO 2010. NÃO DEIXEM DE VOTAR NAQUELE QUE, EM SUA OPINIÃO, É O CRAQUE DO CAMPEONATO. SUA PARTICIPAÇÃO É DE GIGANTE IMPORTÂNCIA.

Prudente 0 X 3 Internacional
Vasco 2 X 0 Ceará
Atlético-PR 1 X 0 Avaí
São Paulo 4 X 0 Atlético-MG
Goiás 1 X 1 Corinthians
Cruzeiro 2 X 1 Palmeiras
Fluminense 1 X 0 Guarani
Santos 0 X 0 Flamengo
Vitória 0 X 0 Atlético-GO
Grêmio 3 X 0 Botafogo

Fluminense 1 x 0 Guarani – Engenhão, Rio de Janeiro (RJ)

Fluzão Campeão!!! Foi duro, apertado, muito mais difícil do que o imaginado, mas enfim, depois de 26 anos, o Fluminense pode bater no peito e gritar: “Somos os melhores do Brasil”.

Para quem achava que o duelo contra o Guarani seria uma festa, alguns dirigentes chegaram a pensar em um show do também tricolor Paulo Ricardo antes da partida – idéia muito bem rechaçada pelo vice de futebol Alcides Antunes, afinal jogo é jogo e festa é festa – a equipe de Campinas deu um baita trabalho ao Flu. Na realidade, quem mais atrapalhou o Tricolor foi o nervosismo apresentado pela equipe, com Emerson e Mariano deixando escapar bolas fáceis, Diguinho errando passes de centímetros, Fred cabeceando sem a mínima concentração... O Fluminense só não foi para o intervalo mais nervoso ainda porque Corinthians e Cruzeiro encontravam enormes dificuldades em seus respectivos jogos e também foram para o intervalo empatando. O grito de gol tricolor só seria dado pelos já desesperados torcedores, que mesmo com o coração na mão não pararam de cantar um segundo, aos 17 minutos. Carlinhos foi até a linha de fundo, passou pelo zagueiro Aislan, que fazia muito boa partida, e alçou a pelota na área para Emerson empurrar pro fundo do gol depois de leve desvio de Washington. Não vou dizer que o gol do Flu saiu em boa hora porque toda hora é boa para balançar as redes, porém a partida começava a se encaminhar para aquele período onde o nervosismo passa a se tornar incontrolável e o tento do “Sheik” praticamente pôs fim ao Campeonato. É claro que o Fluminense não iria bobear e relaxar após abrir o placar, até porque o Guarani colocou mais dois atacantes em campo e qualquer mole tricolor poderia ser irreversível, porém os últimos 30 minutos foram muito mais tranquilos do que a primeira hora da partida.

Apesar de o argentino Dario Conca ter comido a bola durante literalmente toda a competição, afinal este baixinho imparável e impagável jogou simplesmente todas as 38 partidas, seria um exagero e um pecado colocar o caneco tricolor apenas na sua conta. O próprio Emerson, autor de 8 gols em 11 jogos incluindo o do título, que poderia aceitar o rótulo de herói da conquista foi pefeito ao declarar: “está todo mundo de parabéns”. Como não bater palmas para o trabalho do já multi-campeão Muricy Ramalho, que mesmo enfrentando diversos problemas de desfalques quase sempre apresentou uma equipe com excelente padrão tático? E a dupla de zaga Gum e Leandro Euzébio, simplesmente a defesa menos vazada do Brasileirão? E os laterais Carlinhos e Mariano, jogadores que mostraram nível para vestir a camisa da Seleção Brasileira? E o raçudo e ótimo volante Diguinho, sem dúvidas o jogador cujas ausências foram as mais sentidas pela equipe? Todos, todos os tricolores que trabalharam dentro e fora de campo por esta histórica conquista merecem ser elogiados. Continuando dentro das quatro linhas, Washington merece receber liberdade pelos gols perdidos e ser abraçado pelos gols marcados. Ricardo Berna e Tartá, que entraram na equipe quando o Campeonato estava na sua fase mais importante, corresponderam em dobro a confiança recebida. Rodriguinho não pode ser esquecido, e duvido que seja, pelos gols marcados sobre o eterno rival Flamengo. Aplausos também para Fred e Deco, que poderiam ter sido mais importantes não fossem os problemas médicos. Fernando Henrique, Rafael, Julio Cesar, Marquinho, André Luís, Valencia, Fernando Bob, Diogo...

Dentre os ensinamentos deixados pelo Fluminense-2010, gostaria de destacar dois que não deveriam nunca ser esquecidos. O primeiro deles está personificado em Dario Conca. O cartaz levado ao Engenhão com os dizeres “Conca, o argentino mais querido do Brasil” foi de enorme felicidade. Poucas vezes vi no meio do futebol tamanhas humildade e profissionalismo como as encontradas neste gênio da bola. Um verdadeiro exemplo para qualquer garoto que está dando os primeiros passos no futebol. O segundo importante ensinamento que gostaria de citar é que, mais do que nunca, foi provado que um título se conquista com um elenco forte. Se Fred, Deco, Emerson, Diogo, Marquinho, Diguinho e outros mais sofreram com contusões, o elenco se superou. A prova principal está no fato de o Flu ter permanecido 23 das 38 rodadas na liderança. Ou melhor, a prova principal está no mais do que merecido grito de “É CAMPEÃO!!! É CAMPEÃO!!! É CAMPEÃO!!!”

PARABÉNS, FLUZÃO!!!

sábado, 4 de dezembro de 2010

UMA IMAGEM...


A Seleção Brasileira comemora um dos gols da vitória sobre o Peru na Copa do Mundo de 1978, do qual seria eliminada sem perder um único jogo.
Foto: J. B. Scalco

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

PELA ESTRADA AFORA - “CAMPEÕES DO GELO” 1950

Na segunda metade do ano de 1950, o futebol brasileiro estava triste. A perda de uma Copa do Mundo em pleno Maracanã foi um golpe muito duro nos torcedores de todo o país. Entretanto, como diz o velho ditado, “toda moeda tem dois lados”. Se em termos de futebol nos sentíamos os piores possíveis, os fracassados, os maiores derrotados do planeta, por outro lado, lá na Europa, nossa imagem como potência futebolística começava a se consolidar. Em 1938, na última Copa do Mundo pré-2ª Guerra Mundial, havíamos terminado na honrosa 3ª colocação e apresentado nosso futebol arte através dos pés de craques como Leônidas da Silva e Domingos da Guia, e, agora, no primeiro Mundial pós-2ª Guerra, nos sagrávamos vice-Campeões do Mundo humilhando a Espanha e a Suécia com goleadas astronômicas. E foi neste panorama de crescimento da imagem do futebol canarinho que o Atlético Mineiro foi convidado para realizar uma excursão pelo “Velho Continente”, se tornando o primeiro clube brazuca a viajar para a Europa depois da implantação do profissionalismo no futebol nacional.

Em 23 de outubro partia de Belo Horizonte com destino à Alemanha o Esquadrão Alvinegro que entraria não só para a história do Galo, mas também do futebol brasileiro. Disse “Esquadrão” pois a equipe atleticana era realmente sensacional. Só como um exemplo de força, dos onze Campeonatos Mineiros disputados entre 1946 e 1956, o Atlético conquistou nada menos do que nove canecos. E vale ressaltar que, diferente dos dias atuais, as equipes mineiras de menor porte, como o América e o Vila Nova, eram adversários duríssimos. Esta verdadeira Seleção Alvinegra começava, como todo grande time, por um grande goleiro. Servindo o Atlético desde 1935 o arqueiro Kafunga já havia escrito seu nome na história do clube antes mesmo dessa excursão pela Europa. Na conquista do Torneio Campeão dos Campeões de 1937, quando o Galo superou o Fluminense-RJ, a Portuguesa-SP e o Rio Branco-ES, Kafunga já era o responsável pela meta atleticana, responsabilidade esta que só iria largar em 1954, com quase 20 anos de clube. Vejamos a palavra do atacante Vavá (não o “Leão da Copa”, Bi-Campeão do Mundo com o Brasil em 58/62), parceiro de Kafunga no Atlético: “Eu joguei contra Barbosa, eu joguei contra Gilmar, eu joguei contra Castilho. Mas o Kafunga era excelente, ele tinha uma precisão em bola cruzada alta, saía na hora certa, saltava, pegava a bola com uma firmeza impressionante, uma colocação ótima”*. Além de excelente debaixo dos paus, Kafunga, com seu grande carisma e jeito brincalhão, também se tornou um grande líder fora das quatro-linhas. Na viagem pela Europa, a missão de proteger o gol do Galo ficou dividida entre Kafunga e Mão de Onça, outro grande goleiro, que possuía este apelido por contar com gigantescas mãos, sendo capaz, segundo os que o conheciam, de desamassar carros sem ferramentas.

Compondo a defesa, o Atlético não poderia mais contar com o espetacular Murilo, um dos maiores jogadores da história do clube, que havia se transferido para o Corinthians. Entretanto, a presença do sempre raçudo Afonso, que vestiu o manto alvinegro por mais de 10 anos e sempre deixando muito suor em campo, e o surgimento de Oswaldo, que se tornaria um dos pilares da equipe Penta Estadual entre 52 e 56, deixavam a defesa atleticana ainda muito forte. Formando a linha média desta saudosa equipe se revezavam jogadores com algum tempo de casa, como Juca e Moreno, e jovens recém-saídos dos juniores como Haroldo, que começava sua longa saga honrando a tradição do Galo dentro de campo e, mais tarde, fora dele, como médico do clube. Outro médio que bateria um bolão em campos europeus era o Barbatana, que fora emprestado pelo Metalusina-MG para a excursão. Vale lembrar que Barbatana se tornaria treinador do Atlético anos mais tarde, tendo sido o comandante da invicta equipe vice-Campeã Brasileira de 1977 que contava com João Leite, Toninho Cerezo, Reinaldo e Paulo Isidoro. Comparando esta linha média atleticana com um daqueles maravilhosos bolos confeitados, está na hora de falarmos sobre a cereja. Está na hora de falarmos de um dos maiores craques que o futebol brasileiro já viu: Zé do Monte. Poucos são os jogadores que defenderam com tamanho respeito e dedicação as cores de um clube. As entradas no gramado com um galo debaixo do braço e as seguidas declarações dizendo “meu futebol é só do Atlético”**, quando procurado por outros clubes, são apenas dois exemplos da ligação entre Zé do Monte e Atlético Mineiro. Dentro das quatro-linhas, seu futebol vistoso e contagiante garra, chegou a atuar contra o rival Cruzeiro com nove pontos no supercílio, estiveram a serviço do Galo durante 10 anos e nada menos do que 8 títulos estaduais. Devido a um problema grave no joelho, Zé do Monte encerrou sua brilhante carreira precocemente, aos 27 anos, porém o tempo que esteve em campo foi mais do que o suficiente para colocá-lo em um lugar de destaque na galeria de ídolos atleticanos.

E ofensivamente, com quem este “Esquadrão Alvinegro” contaria na Europa? Bom, assim como no gol, na defesa e na linha-média o Galo era farto em craques, no ataque não poderia ser diferente. Pelos lados do campo, o Atlético contava com dois nomes de altíssimo quilate: Lucas Miranda e Nívio, ambos presentes na lista dos dez maiores artilheiros do clube. O ponta-direita Lucas Miranda era daqueles jogadores que sempre estava no lugar certo na hora certa, tendo balançado as redes por diversas vezes nos acréscimos das partidas. Se o Galo estivesse perdendo ou empatando e o fim do jogo se aproximava, a esperança era sempre depositada em Lucas Miranda. E mais... além dos gols salvadores, Lucas marcou nada menos do que 19 tentos contra o Cruzeiro, sendo o segundo atleticano com mais gols marcados contra o maior rival, atrás apenas do lendário Guará. Pelo outro lado, na ponta-esquerda, Nívio apresentava todas as qualidades necessárias para um grande ponta. Velocidade, habilidade, drible e chute forte estavam no cardápio oferecido por Nívio aos rivais. Depois de deixar o Atlético em 1951, Nívio atuaria ao lado de Zizinho no Bangu, tendo marcado nada menos do que 140 gols pelo Alvirubro Carioca, marca que o coloca como terceiro maior artilheiro do clube. Atuações como a que teve na sapecada de 8 x 1 sobre a Portuguesa-SP, quando estabeleceu o recorde de gols marcados em uma única partida com a camisa do Bangu, com 5 tentos assinalados, e na vitória de 4 x 0 sobre o poderoso Bayern de Munique, em uma excursão à Europa quando marcou todos os gols da partida, fizeram de Nívio um enorme ídolo banguense. Completando este grande Atlético de 1950, o treinador uruguaio Ricardo Diez iniciava sua trajetória pelo clube mineiro que se tornaria inesquecível também pelo Tri Mineiro em 52/53/54. Neste início dos anos 50, Diez já era um treinador importante, principalmente no Rio Grande do Sul, onde através dos seus conceitos sobre preparação física ficou marcado no Internacional da década de 40, conhecido como “Rolo Compressor”, apesar da curta passagem pelo clube.

Depois de aproximadamente 30 horas de viagem, a delegação atleticana enfim chegou a Frankfurt, na Alemanha, e logo descobriram que seus adversários sempre contariam com um 12º jogador: o frio. Se fora de campo os craques brazucas se divertiam com bolas e bonecos de neve, na hora de treinar e de jogar o frio se tornava um baita adversário. O primeiro desafio do Atlético Mineiro em terreno europeu era a “Taça de Inverno”(Turnier Deutschen Winters), onde duelaria com as fortes equipes alemãs do Munique 1860, Hamburgo e Werder Bremen. Logo na estréia, jogando em Munique sob um frio de 4 graus negativos, o Galo conquistou sua primeira vitória da excursão ao bater o Munique 1860 por 4 x 3. O gol da vitória atleticana foi assinalado nos últimos momentos da partida pelo Vaguinho, um excelente atacante com passagem de 5 anos pelo Flamengo e que havia sido emprestado ao Galo pelo rival América-MG para esta viagem. Na segunda partida, o Atlético realizaria aquela que talvez tenha sido sua melhor atuação no “Velho Continente”. O adversário era o Hamburgo, que contava com Josef Posipal, um dos grandes zagueiros da Europa na época. Desde jovem Posipal já apresentava grande solidez defensiva, se mostrando uma verdadeira muralha. Uma história bastante curiosa envolve este grande zagueiro. Em 1950, o lendário treinador alemão Sepp Herberger convocou Posipal para aquele que seria a primeira partida da Seleção Alemã pós-2ª Guerra Mundial. Contudo, por ter nascido na Romênia e não ser considerado um alemão puro, Posipal não pôde atuar nesta partida. Entretanto, não demoraria muito tempo para Posipal se tornar um dos gigantes que já vestiram a camisa alemã, tendo feito parte, simplesmente, da Seleção que bateu a Hungria de Puskas e se tornou Campeã do Mundo em 1954. Mas nem mesmo a presença de Posipal foi capaz de impedir Nívio, Lucas Miranda e companhia de, em jornada inspiradíssima, golearem o Hamburgo em seus próprios domínios por 4 x 0. E esta goleada teve um sabor ainda melhor. Como havia um navio brasileiro atracado em Hamburgo, o Galo teve o apoio de alguns torcedores, que fizeram uma imensa festa ao fim da partida, com direito à invasão de campo e volta olímpica com a bandeira do Brasil.

Devido a alguns erros de planejamento cometidos pela delegação do Atlético e pelo empresário organizador da excursão, Eden Kaltenecker, o Galo teve que atuar no dia seguinte da vitória sobre o Hamburgo. E, para piorar, seria necessário viajar até Bremen para a realização da partida. Completamente esgotados os alvinegros não conseguiram segurar o Werder Bremen e perderam por 3 x 1. Contudo, mesmo com a derrota, o Atlético se sagrou Campeão da “Taça de Inverno”. Convenhamos, uma equipe que realizava a primeira excursão para a Europa da era do futebol profissional no nosso país conseguir conquistar um torneio de inverno na Alemanha, tendo que enfrentar poderosas equipes e um rigoroso frio, é um fato digno de muitos aplausos.

Uma semana de folga após a conquista da “Taça de Inverno”, o já devidamente descansado Atlético voltaria aos gramados para vencer sem dificuldades o Schalke 04 por 3 x 1. Sobre este duelo, uma história cômica veio a ocorrer do outro lado do Atlântico, aqui no Brasil. A notícia sobre mais um triunfo do Galo em terras européias não pôde ser dada por completo pela Rádio Continental do Rio de Janeiro. O motivo? Ninguém sabia como se pronunciava Gelsenkirchen, local onde ocorrera a vitória sobre o Schalke 04. No confronto seguinte, em Viena, o Alvinegro Mineiro não conseguiu segurar o poderoso Rapid Viena e teve sua última derrota na excursão. No início dos anos 50, a Áustria se colocava entre as potências do futebol europeu, fato que se comprovaria pouco tempo depois com a 3ª colocação da Seleção Austríaca na Copa do Mundo de 1954. Para dar uma melhor idéia da força do adversário do Galo, nada menos do que sete jogadores que fizeram parte da Áustria no Mundial estiveram em campo contra os atleticanos. Os destaques austríacos eram numerosos. Na retaguarda, aos 25 anos, Ernst Happel apresentava diversos atributos defensivos e adquiria a experiência que o faria se tornar, mais tarde, um treinador multi-campeão e considerado um dos pioneiros da idéia do “Futebol Total”, que teve na Seleção Holandesa seu principal expoente. Dentre as principais conquistas de Happel como treinador estão duas Copa dos Campeões da Europa (Feyenoord em 1970 e Hamburgo em 1983) e um vice-Mundial com a Seleção da Holanda em 1978. Outro destaque do Rapid Viena e também da Seleção Austríaca era o meia Gerhard Hanappi, que possui no currículo mais de 300 partidas pelo clube, tendo conquistado sete títulos nacionais, e 93 partidas pela Seleção, incluindo todas as oito disputadas nos Mundiais de 54 e 58. No entanto, era na linha de ataque que os austríacos do Rapid apresentavam seu ponto forte. Os irmãos Alfred e Robert Körner faziam excelente companhia à Robert Dienst e Erich Probst, respectivamente o maior artilheiro do Rapid Viena na história do Campeonato Austríaco com 307 gols e o vice-artilheiro da Copa do Mundo de 1954 com 6 gols. Sem dúvida alguma o Galo Mineiro foi derrotado por um timaço.

Na sequência da excursão vieram duas grandes vitórias sobre o alemão Sarrebruck (2 x 0) e sobre o forte Anderlech, em Bruxelas. Certamente o mais poderoso clube belga da época, tendo conquistado nada menos do que sete títulos do Campeonato Nacional entre 1946 e 1956, o Anderlech foi um duro adversário para o Galo Mineiro. Dos citados sete canecos belgas conquistados pelo clube, um jogador esteve presente em todos os triunfos e merece grande destaque: Joseph Mermans. Apelidado de “The Bomber”, Mermans é o segundo maior artilheiro da história do Campeonato Belga e o quarto goleador de sua Seleção em todos os tempos. Contra o Atlético, Mermans conseguiu superar o goleirão Kafunga e balançar as redes, no entanto, com uma atuação magistral de Vaguinho, autor de dois gols, o Alvinegro saiu de campo com mais uma bela vitória por 2 x 1. De volta à Alemanha, o Galo empatou em 3 x 3 com o Eintreicht Brauschweig para depois viajar até Luxembugo e empatar, pelo mesmo placar, com a Seleção Anfitriã. Por fim, naquela que viria a ser a última partida da excursão, o Atlético enfrentou o Stade Français no famoso Parc de Princes, em Paris. Neste duelo, os craques atleticanos enfrentaram condições climáticas inimagináveis para nós, brasileiros. Em um campo branco, tamanha a quantidade de neve, um frio de rachar a pele e, para piorar, chovendo, o Galo provou que esquadrão que se preze supera todas as adversidades e venceu o confronto por 2 x 1. Duas imagens desta partida entraram para os anais do futebol brasileiro. Uma delas foi o goleiro Kafunga passar a maior parte do jogo com as mãos dentro de uma bolsa de água quente, para não congelar seus dedos. A outra, que poderia ter se tornado uma tragédia, foi uma crise de hipotermia sofrida pelo meia Barbatana diante de tão baixa temperatura.

Em grupos, os atleticanos deixaram aos poucos a Europa e retornaram ao Brasil para receber as homenagens pela mais que vitoriosa excursão. Da imprensa mineira, veio o reconhecimento que entraria para a história: o título de “Campeões do Gelo”. Da torcida, o craque Vavá nos conta: “A recepção em Belo Horizonte foi indescritível. Da rodoviária atual até a prefeitura, lotado de gente. A população deveria ser de 300 mil, 400 mil, no máximo. Praticamente a população toda estava lá. Ocupou aquele espaço todo. O Atlético é uma coisa fantástica.”*.

Equipe-base: Kafunga; Afonso e Osvaldo; Juca, Zé do Monte e Barbatana; Lucas Miranda, Lauro, Vaguinho, Alvinho e Nívio.
Também atuaram: Mão de Onça, Márcio, Moreno, Haroldo, Vicente Peres, Murilinho, Zezinho e Vavá.

* – GALO - Uma Paixão Centenária. Editora Gutenberg
** – Raça e Amor. Autor: Ricardo Galuppo. Editora DBA.