quarta-feira, 20 de maio de 2009

PELA ESTRADA AFORA - TORNEIO INTERNACIONAL DE PARIS 1976

Em 1957, para comemorar os 25 anos do Racing Club de France Paris, foi criado o Torneio Internacional de Paris. Contando sempre com a presença de 4 clubes, a competição mostrava excepcionais duelos entre equipes sul-americanas e européias e os clubes brasileiros fizeram bonito em várias edições desta importante competição internacional. O Vasco sagrou-se campeão em 1957 ao vencer, por 4 a 3, o mais que podoroso Real Madrid de Alfredo Di Stefano. Em 1960 e 1961, o Santos de Pelé conquistou o Bi-campeonato e em 1963, o Botafogo de Garrincha também levou o troféu. Apesar de ser uma competição que sempre contava com a presença de grandes clubes e jogadores, o Torneio Internacional de Paris perdeu sua força após a criação da Copa Intercontinental, em 1960, onde os vencedores da Copa dos Campeões Europeus e da Taça Libertadores da América se enfrentavam. Entre 1967 e 1972, o Torneio Internacional de Paris permaneceu adormecido, voltando a ser realizado em 1973 sob organização do clube francês Paris Saint-Germain, o PSG. E foi assim que chegamos até a histórica edição de 1976.

Ao final de 1975, o presidente do Fluminense Francisco Horta deu inicio a um dos períodos mais históricos do futebol carioca, conhecido como “troca-troca”. Com intuito de promover o futebol no Rio e, claro, fortalecer o Fluminense, Horta realizou um verdadeiro escambo de craques entre os grandes clubes. O negócio com o Vasco rendeu ao Fluminense o forte e imponente zagueiro Miguel e o dinâmico Dirceu, um jogador que poderia falar sem medo de exagerar que corria o campo inteiro. Já na transação com o Flamengo, Horta conseguiu o excelente goleiro Renato, o completo lateral Rodrigues Neto, que atacava e defendia com muita competência, e o argentino Doval. Ídolo da torcida do Flamengo, Doval havia conquistado dois títulos estaduais com o rubro-negro, porém com toda sua raça e qualidade, também caiu nas graças da torcida tricolor. Somente o Botafogo não participou do “troca-troca”, pois não queria liberar o grande lateral Marinho Chagas, sonho de Horta, de maneira alguma.

Junte estes 5 recém chegados craques com ninguém menos que os Campeões do Mundo de 1970, Carlos Alberto Torres, Rivelino e Paulo César Caju. Torres havia chegado para liderar a equipe dentro e fora de campo, afinal muitos dos jogadores do elenco gostavam da noite carioca, e nada melhor que um líder como o “Capitão do Tri” para comandar e evitar exageros. Sobre Rivelino basta falar o seguinte: nesta época em que surgiam grandes craques no nosso país, como Zico, Falcão e Reinaldo, Rivelino ainda era o maior deles. E Paulo César Caju era o parceiro perfeito para o “Patada Atômica”, como Rivelino era conhecido. Bem mais experiente do que o garoto que em 1971 havia colocado a faixa de Campeão Carioca antes da hora, quando jogava pelo Botafogo e perdeu o título para o próprio Fluminense, o Caju permanecia infernal com a bola nos pés. Resumindo: não havia defensor que dormisse nas vésperas de enfrentar a dupla Rivelino/Caju.

A edição de 1976 do Torneio Internacional de Paris contou com, como sempre, 4 participantes. Foram eles: Seleção Olímpica Brasileira, PSG, Combinado Europeu e Fluminense. Os duelos que decidiram os finalistas foram Fluminense x PSG e Seleção Olímpica Brasileira x Combinado Europeu.

Nossa Seleção Olímpica contava com jogadores que realmente mostraram, com o passar do tempo, ser grandes craques. O seguro goleiro Carlos, o técnico zagueiro Edinho, o impetuoso lateral Júnior e o grande volante Batista, são os que participaram da lendária Seleção Brasileira de 1982 e ilustram a força desta equipe de jovens. Porém, ao enfrentar o poderoso Combinado Europeu, formado por jogadores eleitos pela revista France Football como os melhores do “Velho Continente”, nossa Seleção perdeu a chance de disputar a final ao ser derrotada por 3 a 2, em um jogo duríssimo. O destaque do Combinado Europeu era o trio formado pelos holandeses, vice-campeões do Mundo em 1974, Suurbier, Van Hannegen e Rensenbrink. Além deste excelente trio, os europeus contavam com a segurança do goleiro iuguslavo Petrovic, que era considerado por muitos o melhor do mundo. Se levarmos em consideração a experiência e qualidade desta equipe, veremos que nossa Seleção Olímpica fez um grande papel ao endurecer demais o jogo.

Já a outra partida foi um verdadeiro show do Fluminense. Com Rivelino em um dia inspirado, os franceses do PSG não conseguiram segurar o Tricolor. A vitória de 2 a 0 do Fluzão, com dois gols de Riva, encantou a torcida francesa, que já sabia pra quem torcer na decisão. Um trecho da crônica da Revista Placar, contando sobre o duelo final entre Fluminense x Combinado Europeu, nos dá a exata admiração que o torcedor francês tinha para com o Tricolor. “Finalmente ia começar a partida decisiva do torneio – e a consagração impressionante de Rivelino. Os jogadores alinharam-se diante da tribunal especial. Iam sendo anunciados os nomes: Renato, Rubens Galaxe, Carlos Alberto, Miguel, Rodrigues Neto, Carlos Alberto Pintinho, Paulo César. E aí ouviria mais nada – sequer o nome completo do Riva. Foi uma explosão nas arquibancadas, talvez os mais longos e entusiásticos aplausos da história do Parc de Princes.”*

A empolgação da torcida francesa foi correspondida em campo. Se no 1º tempo a partida foi equilibrada, com Paulo César marcando um golaço para empatar o jogo em 1 a 1, após o intervalo o que se viu foi um banho de bola tricolor. Com os europeus caminhando em campo, sofrendo com o calor de 30 graus, Rivelino e Doval acabaram com o jogo. Primeiro Riva sofreu pênalti (só com falta era possível pará-lo) que Carlos Alberto converteu. Apenas 3 minutos depois, aos 26, Doval dá um lindo drible no goleirão Petrovic e coloca números finais no placar. Com a bélissima vitória por 3 a 1, o Fluzão levou para as Laranjeiras um dos troféus mais lindos que um clube brasileiro possui.

Equipe-base: Renato; Rubens Galaxe, Carlos Alberto, Miguel e Rodrigues Neto; Carlos Alberto Pintinho, Paulo César e Rivelino; Dirceu, Luís Alberto e Doval.
Também atuaram: Edval, Kléber, Carlinhos e Gil

*Revista Placar – Grandes Reportagens de Placar - Fluminense

segunda-feira, 18 de maio de 2009

CAMPEONATO BRASILEIRO 2009 - 2ª RODADA

SÉRIE A
Coritiba 2x4 Santo André
Atlético Mineiro 2x1 Grêmio
Flamengo 0x0 Avaí
Santos 3x3 Goiás
São Paulo 2x2 Atlético Paranaense
Barueri 0x0 Fluminense
Internacional 2x0 Palmeiras
Botafogo 0 x 0 Corinthians
Vitória 1x0 Sport
Náutico 2x0 Cruzeiro

SÉRIE B

Portuguesa 2x1 Fortaleza
Atlético Goianiense 3x1 Bragantino
Paraná 0x0 Ponte Preta
Duque de Caxias 4x2 Juventude
ABC 0x3 Figueirense
São Caetano 2x1 Bahia
Ceará 0x2 Vasco
Guarani 1x0 América
Ipatinga 4x0 Vila Nova
Brasiliense 2x1 Campinense

Olá amigos do FUTEBOLA!

Enquanto o Vasco segue firme e forte na sua tarefa de retornar à elite do futebol brasileiro e o Duque de Caxias surpreende todos com duas vitórias em dois jogos, os times cariocas que disputam a Série A não deram sequer uma alegria aos seus torcedores no fim de semana. Flamengo, Fluminense e Botafogo não conseguiram balançar as redes e todos empataram seus jogos em 0 x 0. Vamos aos comentários dos jogos que eu consegui assistir:

Ceará 0x2 Vasco – Castelão, Fortaleza (CE)
Flamengo 0x0 Avaí – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Barueri 0x0 Fluminense – Arena Barueri, Barueri (SP)

MANDOU BEM!

- Que o Carlos Alberto faz uma falta impressionante ao time do Vasco, todos nós sabemos, porém que o ataque cruzmaltino perderia muito com a ausência de Rodrigo Pimpão, foi uma novidade. Junte estes problemas com as péssimas atuações ofensivas de Léo Lima e Nílton, com o primeiro perdendo muitas bolas no meio-de-campo e o segundo completamente ausente das organizações das jogadas, que veremos como o lateral-esquerdo Ramón merece aplausos. Além de, como sempre, estar bem na defesa, Ramon colocou debaixo do braço a responsabilidade de decidir o jogo. O Vasco até começou bem na partida, com Paulo Sérgio e Enrico tendo chances de abrir o placar, entretanto o Ceará se arrumou em campo e terminou a 1ª etapa pressionando a equipe carioca. Após o intervalo, esperava-se que o Ceará continuasse empolgado no ataque, mas um golaço de Ramon diminuiu o ímpeto cearense. Com a vantagem no placar, o Vasco decidiu recuar o time e explorar os contra-ataques, porém quando os passes saiam certos, Edgar e Élton não conseguiam manter a posse de bola. O Ceará era só ataque e o empate não seria nenhuma surpresa, quando, uma vez mais, Ramon deu as cartas. O lateral organizou um lindo contra-ataque, como manda o figurino, e deixou Léo Lima livre para fechar o jogo. Após ter feito um Campeonato Carioca excelente, Ramon, cada dia mais, se consolida com um dos jogadores mais importantes do Vasco.

- O goleiro vascaíno Tiago sofreu uma sérissima contusão e eu lhe desejo toda a sorte possível para retornar logo aos gramados. Porém, ao voltar da contusão, é provável que seu lugarzinho debaixo das traves vascaínas tenha um novo e competente dono. O goleiro Fernando Prass, que está substituindo Tiago, começou a mostrar nesta última partida que não será um simples “tapa-buraco”. Nos momentos que o Ceará conseguia criar boas jogadas, principalmente quando seu camisa 10, Geraldo, comandava as ações, Fernando se mostrou uma verdadeira muralha. As defesas do goleirão vascaíno, assim como a qualidade de Ramon, foram os principais contribuidores da vitória do Vasco.

MANDOU MAL!

- Pelo terceiro jogo consecutivo, o Flamengo teve sua atuação comprometida pela falta da qualidade para finalizar as jogadas. Justiça seja feita, o problema da conclusão de jogadas não é exclusividade dos centroavantes rubro-negros, vide a chances que o time perdeu, com Íbson e Juan, em um contra-ataque iniciado por Bruno. Porém, outra justiça sendo feita, Josiel não pode perder 4 oportunidades de balançar as redes em um mesmo jogo. Existe uma teoria que diz que em um time de futebol existem 9 atletas e duas profissões: o goleiro e o centroavante. Assim como Dadá Maravilha dizia que não sabia jogar bola, mas sim como fazer gols. Claro que um jogador completo, como tem se mostrado o Nilmar e “Gladiador” Kléber, é o ideal, mas o mínimo que se pode exigir de um centroavante é saber fazer gols. É isso que está fazendo muita falta ao Flamengo, não é de agora. Para vocês terem uma idéia, o meia Petkovic, no Brasileirão de 2000, foi o último rubro-negro a figurar entre os 5 artilheiros do torneio nacional e o “Capetinha” Edílson foi o último flamenguista a ser goleador do Carioca, 2001. Apesar de achar que no caso do Adriano deve ser dado um passo por vez, para não prejudicar o atleta, entendo aqueles que já querem ver o “Imperador” em campo.

- Sei que não é de uma hora para a outra que um treinador consegue dar sua cara ao time que comanda, porém o Fluminense está muito longe de ter a cara do Parreira. Nesta partida contra o Barueri, o Fluminense passou o jogo inteiro com menor posse de bola do que o adversário, o que mostra total falta de sintonia com a principal característica de seu treinador. Além da falta de valorização da posse de bola, pode-se contar nos dedos as vezes em que o tricolor saiu para o jogo de maneira organizada. Com exceção de uns 15 minutos, a partir da metade da 2ª etapa, quando conseguiu levar perigo ao Barueri com chutes longos e bolas alçadas na área, o Fluminense teve uma atuação muito distante do que se espera de um favorito à, pelo menos, uma vaga na Taça Libertadores. E sabem o que eu realmente não entendo? Como que um time que está em formação e com clara falta de identidade tática se dá ao luxo de poupar 6 titulares.

ENQUANTO ISSO NA ALEMANHA...

Praticamente todos os torneios nacionais europeus conheceram seus campeões, nesta rodada de fim de semana. Manchester United, Inter de Milão, Barcelona e Porto já colocaram mais um troféu na coleção, porém na França e na Alemanha nada está definido. Na Alemanha, desde a queda de rendimento do Hoffenheim, claramente causada pela contusão do atacante Ibisevic, que já era esperado um final de campeonato espetacular. Espetacular também está sendo o líder Wolfsburg. Desta vez a vítima foi o Hannover, disparado pior sistema defensivo da Bundesliga, que foi triturado pela sensacional dupla Dzeko / Grafite (está acabando os adjetivos para elogiar esta dupla). Com 3 gols do bósnio e 2 gols do brasileiro, o Wolfsburg se manteve na liderança e só depende de seus próprios esforços para levantar o inédito caneco.

Nesta rodada, os concorrentes ao título resolveram colaborar com o Wolfsburg. O Bayern de Munique empatou com o combalido Hoffenheim, enquanto o Hertha Berlim, em casa, empatou com o Schalke 04. Somente o Stuttgart, de concorrente ao troféu, venceu seu duelo, contra o desesperado Energie Cottbus.

Porém, se o Wolfsburg tropeçar na última rodada, o Bayern de Munique e o Stuttgart estão logo atrás, com apenas 2 pontinhos a menos, e tudo poderá acontecer. Vocês podem estar pensando que ambos os times estão desanimados, pois o Wolfsburg não perdeu uma partida em casa, onde jogará contra um Werder Bremen concentrado nas decisões da Copa da Uefa e da Copa da Alemanha. Eu concordaria com vocês se o fator sorte não tivesse colaborado com a Bundesliga. Uma incrível coincidência nos brindou com o seguinte duelo na última rodada: Bayern de Munique x Stuttgart. Quem vencer conquista a vaga na próxima Champions League e quem perder terá que torcer contra o Hertha Berlim. Resumindo: Se o Wolfsburg perder, o campeão pode sair deste duelo e, caso o Wolfsburg vença, o que passa a valer é a vaga na Champions League. Imperdível, não?

Resultados

1899 Hoffenheim 2 x 2 Bayern Munique
Hertha Berlim 0 x 0 Schalke 04
Hannover 0 x 5 Wolfsburg
Stuttgart 2 x 0 Energie Cottbus

Classificação

1 – Wolfsburg 66 pontos
2 – Bayern de Munique 64 pontos
3 – Stuttgart 64 pontos
4 – Hertha Berlim 63 pontos

Próximos e últimos duelos

Bayern de Munique x Stuttgart
Wolfsburg x Werder Bremen
Karlsruher x Hertha Berlim

sábado, 16 de maio de 2009

FIGURINHA CARIMBADA - ROBERTO COSTA



Nome: Roberto Costa Cabral

Data de nascimento: 8 de dezembro de 1954

Posição: goleiro

Seleção Brasileira – 1 jogo e 2 gols sofridos*

Clubes:

Santos (1973 a 1976)
Criciúma (1976 a 1977)
Atlético – PR (1978 a 1981, 1982 a 1983 e 1986 a 1987)
Coritiba (1981)
Vasco (1983 a 1985)
Internacional (1985)
América – SP (1986)
Noroeste – SP (1988)
Esportivo – MG (1988)
Flamengo – MG (1989)
Taguatinga – DF (1989)
Caldense (1990)

Títulos:

Campeonato Paranaense – 1982 e 1983 – Atlético Paranaense
Campeonato Brasiliense – 1989 – Taguatinga

Destaques:

- César Sampaio, Toninho Cerezo, Zico e Falcão são jogadores de meio-campo, craques consagrados do futebol nacional, e atuaram em Copas do Mundo pela Seleção Brasileira. E o que o goleiro Roberto Costa tem em comum com eles? São os únicos jogadores a conquistarem dois prêmios Bola de Ouro, dado pela revista Placar ao melhor jogador do Campeonato Brasileiro em cada ano. O primeiro deles o “Mão de Anjo” ganhou após espetacular campanha com o Atlético Paranaense no Brasileiro de 1983, enquanto o segundo veio com o Vasco Vice-Campeão Brasileiro de 1984.

- No início dos anos 80, Roberto fez parte de um dos maiores esquadrões do Atlético Paranaense em todos os tempos. A equipe rubro-negra contava com um ataque que viria a fazer história no Brasil: Washington e Assis, o famoso casal 20.

Após conquistar o Paranaense de 1982, o Furacão fez uma campanha sensacional no Brasileirão de 1983. Apesar de vitórias importantes como as contra Grêmio, América-RJ e o rival Colorado, nos três primeiros turnos, o Rubro-Negro Paranaense só atingiu o status de destaque do torneio na fase de quartas-de-final. Nesta, Roberto Costa começou a se consagrar como um dos grandes goleiros da história do futebol brasileiro. O adversário era o São Paulo, e o primeiro jogo, realizado em Curitiba, terminou com uma importante vitória rubro-negra por 2 a 1. Era uma boa vantagem para o jogo de volta, mas o São Paulo precisaria apenas de uma vitória mínima no Morumbi. Com Careca em seu ataque, o São Paulo tinha uma força e tanto, mas contra o "Mão de Anjo" em seu melhor dia, a missão tricolor se tornou impossível. Mesmo diante da enorme pressão são-paulina, Roberto não deixou passar sequer um gomo da bola por entre suas mãos. Um gol de Assis, aos 30 minutos do segundo tempo, fechou o caixão tricolor e selou a classificação atleticana.

No primeiro jogo da fase semi-final, o time paranaense sentiu o peso de enfrentar o Flamengo, já Campeão do Mundo, em um Maracanã com 110 mil torcedores, e, com mais uma atuação de gala de Zico,  os cariocas venceram por 3 a 0. Uma derrota dessas desanimou o torcedor atleticano e a equipe entrou cabisbaixa para o jogo de volta, certo? Errado! Completamente errado! Mais de 65 mil torcedores lotaram o Couto Pereira - maior público da história do estádio - e o Atlético, que precisava repetir a diferença de 3 gols imposta pelo Flamengo no jogo de ida, fez um primeiro tempo magnífico, abrindo 2 a 0 no placar com dois gols de Washington. No segundo tempo, o Flamengo se defendeu com unhas e dentes, e o Atlético, apesar de não conseguir a classificação, saiu de campo sob infinitos aplausos.

Após imenso destaque obtido nos jogos contra São Paulo e Flamengo, Roberto foi eleito pela conceituada revista Placar como o melhor jogador do campeonato. Convenhamos que ser eleito o número 1 em um campeonato que contou com Zico, Careca, Sócrates e Roberto Dinamite, só para citar alguns dos nossos craques, não era pouca coisa.

- O sucesso no Atlético Paranaense levou Roberto Costa ao Vasco da Gama, que contava com o letal Roberto Dinamite. O time vascaíno era muito ofensivo, tendo marcado 51 gols ao longo do Brasileiro de 1984, no qual nenhuma outra equipe ultrapassou os 40 tentos marcados. E tem mais! Os dois artilheiros do torneio foram cruzmaltinos: Dinamite, com 16 gols, e Arthurzinho, com 14. Para um time mostrar esta capacidade ofensiva, só mesmo confiando muito na sua defesa. E o Vasco podia contar sempre com o “Mão de Anjo”. Apesar de derrotado na final para o Fluminense, esta equipe vascaína ficou marcada pelo belo futebol que jogava. E Roberto Costa, por receber sua segunda Bola de Ouro.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

QUARTA RODADA DA COPA DO BRASIL - PARTE 1

Vasco 4 x 0 Vitória – São Januário, Rio de Janeiro (RJ)
Flamengo 0 x 0 Internacional – Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Corinthians 1 x 0 Fluminense – Pacaembu, São Paulo (SP)

Olá amigos do FUTEBOLA!

A rodada da Copa do Brasil deste meado de semana mobilizou o torcedor carioca. Além de dois grandes clássicos do nosso futebol, como foram Flamengo x Internacional e Corinthians x Fluminense, o Vasco atropelou o Vitória em São Januário. Mesmo sem poder contar com os, teoricamente, cinco clubes mais fortes do país, que disputam a Taça Libertadores, a Copa do Brasil está mostrando um excelente nível este ano. Vamos aos destaques dos jogos que eu consegui assistir desta importante rodada.

MANDOU BEM!

- Pode parecer estranho, mas o Vasco não teve uma atuação de gala contra o Vitória. A goleada por 4 a 0 foi sim inquestionável, porém a equipe vascaína esteve longe mostrar um belo futebol. O que saltou aos olhos foi a eficiência do time nas jogadas de bola parada e em aproveitar os erros da defesa do Vitória. A falha de Leandro Almeida no gol marcado por Carlos Alberto, o primeiro do Vasco, chegou a ser cômica. Já no gol seguinte, de Élton, toda a defesa baiana não conseguiu cortar um simples escanteio, onde a bola ficou pipocando na área. Após o intervalo, o Vasco selou sua classificação em aproximadamente 15 minutos. Se no início do ano, Paulo Sérgio e Nílton surpreenderam com o primeiro sempre acertando os cruzamentos para o segundo balançar as redes de cabeça, nesta partida eles mostraram a qualidade no chute direto para o gol. Em duas cobranças de falta, na entrada da área, eles decidiram o jogo, e a classificação vascaína. Chovendo no molhado, acredito que para disputar a longa Série B o Vasco precisará de um elenco homogêneo, onde os reservas podem virar titulares da noite para o dia. No momento atual, Nílton e Léo Lima dão uma maior consistência ao meio-de-campo vascaíno do que Mateus e Jeférson, que, no entanto, serão muito úteis ao longo do ano. O mesmo raciocínio poderá ser aplicado ao Élton, que deverá ser o barrado quando Aloísio possuir condições de jogo.

- Que o Flamengo não conseguiu um bom resultado ao empatar sem gols com o Internacional, em pleno Maracanã, é fato. Porém, a equipe rubro-negra atuou os 90 minutos em busca da vitória, e isso deve ser elogiado. Se o problema da falta de poder de finalização do time flamenguista é visível, a capacidade de pressionar o adversário e criar oportunidades de gols é enorme. Nesta partida contra o Internacional, o Flamengo tentou de tudo quanto é maneira furar a retranca colorada, mas quando se junta a falta de qualidade nas conclusões com a falta de sorte, não há como balançar as redes. Foram tantas chances criadas, que os pequeninos Éverton e Juan conseguiram, de cabeça, carimbar as traves do goleiro Lauro. Por falar em Lauro, o que foi a defesa que ele realizou após chute de Angelim, à queima-roupa? Realmente não era (mais uma vez) o dia de a bola entrar. E ainda teve mais duas belas finalizações do Kleberson, uma de cabeça, depois de bom passe de Éverton, e um chute que passou raspando a trave após excepcional assistência de Íbson. Estranho o fato de nenhuma das claras oportunidades que o Flamengo criou ter passado pelos pés dos centroavantes? Em se tratando do Flamengo, não.

- Gostei, e muito, da formação defensiva utilizada pelo Cuca nesta partida. O Aírton se saiu muito bem atuando na cobertura, assim como Willians de zagueiro-direito (mesmo que depois ele tenha sido deslocado para acompanhar o D´Alessandro, foi como beque-direito que ele começou o jogo). As excelentes e importantes ultrapassagens que Ronaldo Angelim realiza pelo lado esquerdo, foram vistas, principalmente no 1º tempo, com Willians pela direita. Se o Cuca sempre disse que o Willians possui bom poder ofensivo, acredito que fazer a função semelhante à do Angelin, seja mesmo o papel adequado para ele. Sobre a presença do Toró como titular, os aplausos da torcida, após sua saída por cansaço, ilustram sua boa atuação. Em minha opinião, o Toró é muito pouco aproveitado pelo Cuca, porém acredito que após esta atuação terá mais oportunidades de mostrar seu futebol. Fechando o sistema defensivo rubro-negro, o cada dia mais sensacional goleiro Bruno. Realmente não tenho palavras para comentar sobre sua defesa em cabeçada do Nilmar, aos 41 minutos do 2º tempo. Somente Bruno, em todo o país, conseguiria salvar o lance que exigiu reflexo e habilidade com os pés, de outro mundo.

- Não acompanho o Campeonato Argentino com a frequência que desejava, até pela questão do horário, já que muitos jogos são simultâneos aos do Brasileirão. Por este motivo, não posso ser convicto em afirmar se o técnico da Seleção Argentina, o Maradona, possui um certo preconceito com os jogadores que não atuam na Europa. Já sobre o nosso treinador Dunga, possuo toda a certeza possível que ele não vê com bons olhos os que atuam em nossos gramados. Por que motivo estou falando sobre este assunto? Simples. Por causa da dupla de argentinos do Internacional, D´Alessandro e Guiñazu. Se D´Alessandro foi completamente anulado pela marcação do Flamengo, nesta partida, a atuação de Guiñazu foi daquelas de se gravar em dvd e vender com o título “Como ser um grande volante”. Guiñazu é daqueles jogadores que podem afirmar, ao final de uma partida, que correu por 90 minutos. E mais, correu pelo campo inteiro. Assistí-lo jogar. é realmente uma aula de como marcar e sair para o jogo com qualidade. Sei que D´Alessandro já vem merecendo uma convocação para a Seleção Argentina faz um tempinho, mas meu lobby desta vez vai para o Guiñazu, apesar de ter a leve impressão de que o Maradona não está nem aí para ele.

MANDOU MAL!

- Amigos, eu sei que não se pode analisar uma equipe somente por uma partida assistida. Mas observem o caso. Desde o início do ano que estou esperando para poder assistir ao Internacional atuar. Cada goleada que o Colorado aplicava no Campeonato Gaúcho, cada vitória sobre o Grêmio, cada roubada de bola do Guiñazu, cada assistência do D´Alessandro, cada gol do Nilmar, o último gol do Nilmar, me fizeram acreditar que o Internacional é uma das melhores equipes do mundo. Sendo sincero, ainda acredito. Porém, este fato não me impede de ficar decepcionado com a atuação colorada no Maracanã. Armado em um verdadeiro ferrolho, de fazer inveja a qualquer treinador retranqueiro, o Internacional, em momento algum, se preoucupou em mostrar a qualidade que possui. Será que o Colorado sentiu a pressão de enfrentar um time tão ofensivo (em intensidade, não em qualidade) quanto ele? Repito, continuo acreditando ser o Internacional favorito à todos os títulos que disputar no ano, mas esperava muito mais da equipe, no Maracanã.

- Muito dura é a briga para saber quem foi pior jogador desta rodada da Copa do Brasil. O atacante do Flamengo Obina ou o defensor do Vitória Luciano Almeida? A cada jogo que passa, percebe-se mais que Obina não está em condições de jogar no Flamengo. Nesta partida contra o Internacional, além de não criar sequer uma perigosa jogada ofensiva, atrapalhou muito o time com as faltas que constantemente cometia. Já o zagueiro/lateral Luciano Almeida fez uma jogada digna de filme dos Trapalhões. Após cobrança de falta do vascaíno Nílton, a bola parou em seus pés, dentro de sua área. O que ele fez? Entregou-a nos pés de Carlos Alberto, que abriu o placar para o Vasco. E teve mais. Com o placar mostrando 3 a 0 para o Vasco, Luciano inventou de cortar uma bola com a mão na entrada da área. Além de ser expulso, a infração resultou no gol de falta de Nílton, fechando a goleada vascaína.


ENQUANTO ISSO EM RECIFE…

Simplesmente monumental o duelo entre Sport e Palmeiras, válido pelo segundo jogo das oitavas-de-final da Taça Libertadores. O Sport havia perdido o primeiro jogo por 1 a 0 e, jogando na pulsante Ilha do Retiro, já era de se imaginar a pressão que iria impor ao Palmeiras. Surpreendente foi a atitude do Verdão de abdicar completamente do ataque para tentar segurar o ímpeto do Leão. Com exceção de uma escapulida pela esquerda do Keirrison e um chute de fora da área do Maurício Ramos, o 1º tempo foi dominado integralmente pelo Sport. Em minhas contas, o time pernambucano teve nada menos do que seis claríssimas chances de abrir o placar, mas encontrou do outro lado ou goleiro Marcos. Ou melhor, São Marcos. Não tem como não chamá-lo de santo após as duas defesas que realizou em conclusões de Paulo Baier. Na primeira, o camisa 10 do Sport cabeceou a bola a queima roupa e Marcos mostrou um reflexo único para salvar. Já na segunda, Paulo Baier recebeu açucarado passe e, quase na pequena área, chutou em cima do goleiro/milagroso. Como não existe santo sem sorte, na terceira vez que Paulo Baier pintou na área palmeirense e conseguiu ultrapassar Marcos, a bola saiu lentamente à esquerda da trave. Resumo da ópera: o 1º tempo foi um verdadeiro ataque x defesa onde Marcos impediu Paulo Baier de entrar na galeria de ídolos do Sport.

Após o intervalo, nada de diferente no ritmo do jogo. Com 10 minutos, o Palmeiras não preocupava nem um pouco o goleiro Magrão e já havia feito seu torcedor prender a respiração por duas vezes. Porém, os jogadores do Sport são humanos e, como tais, ficam nervosos com o tic-tac do relógio. O tempo passava e a retranca palmeirense, apoiada em zagueiros que não perdiam uma bola pelo alto, meias que não paravam de marcar por 1 só minuto e um goleiro inadjetivável, não era furada. Aos poucos os perigosos ataques pernambucanos foram perdendo a força e o placar parecia mesmo que terminaria inalterado. Mas como o futebol não tem um pingo de lógica, no momento em que o Sport não conseguia se organizar, nem nada organizar, Luciano Henrique fez linda jogada pela esquerda e cruzou para Wilson balançar a rede. A Ilha do Retiro veio abaixo. Restavam aproximadamente 10 minutos para o final e o Sport voltou a atacar com tudo e com todos. Aos 48 o lance que ficará marcado para sempre na história do Leão. Após mais uma boa jogada de Luciano Henrique, o excelente atacante Ciro recebe a bola na entrada da área, gira sobre o zagueiro e manda o chute certeiro. Com a mesma divindade com que se abre um mar ou se anda sobre a água, Marcos voa para, com um leve toque, fazer a bola explodir na trave. Inacreditável!

Decisão de pênaltis! A maior crueldade que pode existir para o coração de um torcedor. A maior glória que pode existir para um goleiro. A cada cobrança que Marcos defendia, mais eu percebia o quanto ele é iluminado. Ao defender o terceiro e derradeiro pênalti, que deu a vaga ao Verdão, eu tive a certeza. O torcedor palmeirense deve, todo dia antes de dormir, ajoelhar-se e rezar para São Marcos.

ENQUANTO ISSO NA ALEMANHA...

O Borussia Dortmund veio para o jogo, contra o Wolfsburg, embalado pelas 7 vitórias consecutivas e pela chance de se aproximar da zona de classificação para a Champions League. Um ponto interessante do duelo foi que um time era exatamente o espelho do outro, ambos formados por uma linha de 4 defensores, um losango no meio de campo e uma dupla de ataque. Porém, se as táticas (não a organização tática, mas o esquema tático) das equipes se assemelham, a diferença técnica vista em campo foi enorme, mesmo com o excelente meia organizador e camisa 10 do Wolfsburg, Misimovic, mostrando um futebol muito abaixo do que vinha apresentando. A responsabilidade de decidir o jogo, e fazer o Wolfsburg dar um passo enorme rumo ao inédito título, esteve nos pés de Grafite e Dzeko. Quem não acompanha a Bundesliga pode achar que estou exagerando, entretanto poucas duplas de ataque no mundo tem mostrado o entrosamento e a eficiência de Grafite/Dzeko. Para se ter uma idéia desta afinidade, é preciso apenas descrever os gols da belíssima vitória do Wolfsburgo por 3 a 0, que pôs fim à arrancada do Borussia Dortmund. Josué faz linda tabela com Grafite e passa para Dzeco abrir o placar, aos 15 minutos do 1º tempo. Apenas 2 minutos após o intervalo, a zaga do Borussia bobeia e Dzeko deixa Grafite na cara do gol. 2 a 0 Wolfsburg. O jogo se encaminhava para o final quando, aos 39 minutos, Grafite faz espetacular jogada e retribui a assistência para Dzeko colocar números finais no jogo. Se você não está convencido, lhe darei um feito incrível alcançado pela dupla. Pela primeira vez na história da Bundesliga, dois jogadores da mesma equipe ultrapassam os 20 gols, cada. Grafite está na artilharia com 24 gols e Dzeko possui 22. Se esta dupla é a principal força do Wolfsburg para buscar o inédito título da Bundesliga, não podemos nos esquecer do fator casa, já que esta foi a 15ª vitória da equipe, em seus domínios, em 16 jogos (houve um empate).

O mais impressionante do Campeonato Alemão, é que mesmo com esta excelente campanha, os rivais não deixam o Wolfsburg disparar na ponta da tabela. Muito pelo contrário, o torneio está totalmente indefinido. Nesta rodada de meio de semana, dos 5 perseguidores do Wolfsburg, somente o Dortmund não venceu. A esta altura do campeonato, podemos falar que uma derrota, para qualquer time, significa o fim do sonho de ser campeão. Vamos aos resultados envolvendo os atuais 5 primeiros colocados, como eles estão na classificação e os próximos duelos.

Resultados
Bayern Munique 3 x 0 Bayer Leverkusen
Colônia 1 x 2 Hertha Berlim
Wolfsburg 3 x 0 Borussia Dortmund
Schalke 04 1 x 2 Stuttgart
Hamburgo 3 x 1 Bochum

Classificação
1 – Wolfsburg 63 pontos
2 – Bayern de Munique 63 pontos
3 – Hertha Berlim 62 pontos
4 – Stuttgart 61 pontos
5 – Hamburgo 58 pontos

Próximos jogos
1899 Hoffenheim x Bayern Munique
Hertha Berlim x Schalke 04
Hannover 96 x Wolfsburg
Stuttgart x Energie Cottbus
Hamburgo x Colonia

segunda-feira, 11 de maio de 2009

CAMPEONATO BRASILEIRO 2009 - 1ª RODADA

SÉRIE A
Sport 1x1 Barueri
Palmeiras 2x1 Coritiba
Avaí 2x2 Atlético Mineiro
Corinthians 0x1 Internacional
Fluminense 1x0 São Paulo
Cruzeiro 2x0 Flamengo
Atlético Paranaense 0x2 Vitória
Grêmio 1x1 Santos
Santo André 1x1 Botafogo
Goiás 3x3 Náutico

SÉRIE B
Bragantino 2x0 São Caetano
Campinense 1x2 Duque de Caxias
Ponte Preta 2x0 ABC
Figueirense 3x0 Ipatinga
Fortaleza 2x4 Guarani
Vila Nova 0x0 Portuguesa
Bahia 2x0 Paraná
Vasco 1x0 Brasiliense
Juventude 2x2 Ceará
América 1x2 Atlético Goianiense

Olá amigos do FUTEBOLA!

O Brasileirão 2009 começou com chave de ouro. Estádios lotados (não todos, claro), duelos emocionantes e gols antológicos, ou seja, tudo que o povo gosta. Ainda não possuo a impressionante capacidade do comentarista Paulo Vinícius Coelho, da ESPN Brasil, de analisar duas partidas simultaneamente e, como gosto de comentar apenas os jogos que assisti na íntegra, fica impossível opinar sobre todos os duelos. Vamos então aos destaques das partidas que acompanhei nesta 1ª rodada. São elas:

Vasco 1x0 Brasiliense
Cruzeiro 2x0 Flamengo
Grêmio 1x1 Santos

MANDOU BEM!

- O Vasco precisou de apenas 20 minutos de pressão sobre o Brasiliense para garantir a primeira vitória rumo à Série A. Após um 1º tempo relativamente equilibrado, onde o Brasiliense assustou bastante a defesa vascaína, inclusive com uma bola na trave, o treinador cruzmaltino Dorival Júnior deve ter pedido mais espírito de grandeza para sua equipe. Muitos dizem que uma equipe de tradição, que irá atuar na Série B, precisa se portar como uma equipe “pequena”. Concordo com esta opinião apenas em partes. Quando relacionada ao fato de o Vasco ter que mostrar garra, dedicação, esforços a mais nos treinamentos e humildade para saber que está em uma situação complicada, concordo com a opinião. Porém, acredito que em São Januário e com a torcida cantando durante todos os segundos, o Vasco não pode ser cauteloso. E foi o que ocorreu nos citados primeiros 20 minutos do 2º tempo. O Vasco engoliu o Brasiliense, adiantando seus jogadores, sempre rodeando o gol defendido pelo goleiro Guto e não permitindo ao adversário sair para o jogo. Com os laterais aparecendo, mesmo que Ramón só tenha aparecido por pouco tempo, Carlos Alberto e Léo Lima sendo incisivos, o primeiro nos dribles e o segundo nos passes, e Rodrigo Pimpão mostrando a raça e movimentação costumeira, o Vasco chegou ao gol. Aos 16 minutos, logo depois de o Brasiliense conseguir escapulir pela primeira vez após o intervalo, em um lindo chute de Fábio Júnior, o Vasco rodou a bola na entrada da área rival com perfeição, até encontrar o arremate certeiro de Pimpão. Com a vantagem no placar o Vasco diminuiu o ritmo e chegou a levar um sufoco nos minutos finais. Pelo lado do Brasiliense, fiquei muito feliz em ver que o meia Iranildo e o atacante Fábio Júnior ainda sabem bem o que fazer com a bola nos pés. Placar final: Vasco 1 x 0 Brasiliense e Torcida Vascaína 10 x 0 Desconfiança.

- Antes de elogiar o Cruzeiro, pela vitória com um homem a menos, e criticar o Flamengo, pela derrota com um homem a mais, queria comentar sobre dois jogadores que, em minha opinião, deveriam ser jogadores de Seleção Brasileira. Como jogam bola o meia rubro-negro Íbson e o centroavante azul Kléber. Tudo bem que Íbson passou por um período onde seu futebol não estava brilhando, mas qual grande jogador não passou por uma fase assim? Entretanto, desde o jogo contra o Fluminense, pela semi-final da Taça Rio, que o meia vem mostrando toda sua qualidade. Na verdade, está mostrando até mais qualidades. Além das belíssimas e imparáveis arrancadas, que sempre foram sua principal arma, Íbson está excelente nas bolas alçadas sobre área. Com 25 anos e muito tempo de futebol pela frente, Íbson está se tornando um jogador cada vez mais completo. Já o Kléber, realmente merece o apelido de “Gladiador”. Cada bola disputada pelo atacante cruzeirense é como se fosse, para ele, uma batalha contra leões. Junte esta vontade, que o tornaria ídolo de qualquer equipe no mundo, com uma impressionante capacidade de marcar gols e vocês entenderão o motivo de eu admirar tanto o futebol de Kléber. Mesmo que o técnico Dunga não olhe com bons olhos para os que atuam em nossos gramados, Íbson e Kléber são sim jogadores de nível de Seleção Brasileira.

- Em minha opinião, o árbitro Paulo César de Oliveira foi muito rigoroso ao expulsar o lateral cruzeirense Jancarlos, no lance que resultou no pênalti desperdiçado por Juan. Com um jogador a menos, o treinador Adílson Batista teve que trocar o atacante Thiago Ribeiro pelo volante Fabrício e o Cruzeiro teve que ser cauteloso em suas ações ofensivas. Mesmo assim, uma equipe que conta com a qualidade de Ramires, Wagner e Kléber, é forte até com um jogador a menos. Enquanto o Flamengo passou a partida inteira pressionando e rodeando a área do goleiro Fábio, sem sucesso nas finalizações, o Cruzeiro foi letal. Primeiro tempo, contra-ataque, bola no Kléber que abre no Wagner. Resultado: pênalti no Wagner e gol de Kléber. Final do 2º tempo, bola longa no Ramires que a domina de maneira magistral, supera dois zagueiros do Flamengo como se fossem juvenis e fecha o placar. Como ajuda quando um treinador conhece bem o seu o time, né? Com a saída de Kléber, por cansaço, o Ramires foi adiantado para ser a referência nos contra-ataques e, depois de passar o jogo quase inteiro somente defendendo, o camisa 8 cruzeirense ainda teve tempo de mostrar por que é um dos melhores jogadores do país.

- Jogão de bola no Olímpico, em Porto Alegre. O Grêmio, com jogadores de boa qualidade, mostrou que é sim um dos candidatos ao título, ainda mais depois que Paulo Autuori chegar para dar mais organização à equipe. Já o Santos provou que não chegou na final do Paulistão por acaso. A 1ª etapa mostrou um daqueles jogos que o 0 x 0 no placar é o de menos. O Grêmio criava claras oportunidades de balançar a rede, contando com o ímpeto do meia do meia Souza, os avanços do ala-esquerda Fábio Santos e o mais que participativo Máxi López. Impressionante o que corre o atacante argentino Máxi López, esteja o Grêmio com a bola ou não. Porém, o que deixou o jogo emocionante foi a atitude do Santos de sempre procurar agredir a defesa do Grêmio, mostrando que estava ali não somente para se defender. Apesar de Neymar não ter atuado bem e Kléber Pereira estar em uma fase péssima, o veloz Mádson aberto pela direita e o garoto Paulo Henrique, muito bem nos passes, deram muito trabalho ao goleiro gremista Vítor.

Após o intervalo, o jogo diminuiu um pouco de ritmo, até pelas substituições realizadas pelo Marcelo Rospide. O treinador gremista trocou os atacantes Jonas e Máxi López por, respectivamente, o volante Túlio e o centroavante Alex Mineiro, diminuindo um pouco a mobilidade ofensiva da equipe gaúcha. Até os 30 minutos da etapa final, somente uma cabeçada de Réver, após lindo cruzamento de Tcheco e uma bomba do meia Molina, que havia entrado no lugar de Neymar, fizeram a torcida mandar o famoso “Uhhhhhh”. Mas aí, mesmo com o jogo mais frio, os gols resolveram sair. Após bela trama envolvendo o meio-campo gremista, Réver passou voando pela esquerda e acertou um belo chute para abrir o placar. Sobre o zagueiro Réver, queria dizer que acho seu futebol excelente, tendo inclusive o escalado na minha Seleção do Brasileiro de 2008. Neste jogo ele apresentou, novamente, toda sua solidez defensiva e ainda arrumou um tempinho para marcar o gol da sua equipe. Faltando 5 minutos para o fim do jogo, o meia colombiano Molina decidiu mostrar que o suposto interesse do Grêmio em sua contratação, pode ser um tiro certeiro. Assim como foi certeira sua cobrança de falta, sem chances de defesa para o goleiro Vítor. Pelo que fez, principalmente no 1º tempo, o Santos realmente não merecia sair perdendo.

MANDOU MAL!

- Duas opções do treinador gremista Marcelo Rospide não me agradaram. A primeira delas é a liberdade dada ao meia Souza. Tudo bem que o ex-são paulino está jogando uma bola redondinha, porém com a liberdade ofensiva que está tendo, o Tcheco não está aparecendo muito para o jogo para não o Adílson, que é o primeiro volante tricolor. A precisão nos passes que o Tcheco possui, é uma arma que não deve ser só explorada nas bolas paradas. Outra escolha do Rospide que não me agradou, foram as já citadas substituições realizadas na 2ª etapa. Após o belo 1º tempo da equipe, qual a lógica de tirar o Máxi López, em minha opinião o mais perigoso da equipe, e trocar o atacante Jonas pelo volante Túlio?

- O Flamengo conseguiu mostrar, em sua partida de estréia no Brasileirão, todos seus problemas ofensivos e defensivos. Sei que a torcida rubro-negra admira jogadores raçudos, mas o Willians está prejudicando muito a equipe com sua deficiência na marcação. Já falei várias vezes aqui no blog sobre o banho de bola que o volante levou, quando foi designado para marcar o vascaíno Carlos Alberto (cometeu 6 faltas em 15 minutos e foi expulso) e o botafoguense Maicosuel, durante o Cariocão. Contra o Cruzeiro, com menos de 5 minutos de jogo, Willians já havia cometido dura falta em Ramires e recebido cartão amarelo, fazendo o treinador Cuca substituí-lo ainda no primeiro tempo. Já o zagueiro Wellinton mostrou que a torcida rubro-negra sentirá muitas saudades de Fábio Luciano. Foram muitos erros os cometidos pelo jovem zagueiro, entre eles o pênalti cometido no Wagner, uma bola invertida erradamente, que deixou o cruzeirense Athirson na cara do goleiro Bruno, e o drible que levou do Ramires no gol que acabou com as chances do Flamengo de conseguir um pontinho. Já ofensivamente, os problemas também foram os de sempre. Emerson e Josiel não conseguem acertar uma finalização, seja ela de cabeça ou com os pés, e Léo Moura não realiza uma boa jogada de linha de fundo faz tempos. O mais impressionante é que o lateral-esquerdo cruzeirense era o Gérson Magrão, que está longe de ser um bom marcador e, mesmo assim, Léo Moura não tentou duelar contra ele em nenhum momento do jogo.

JOGADA RÁPIDA!

- O gol marcado pelo Nilmar sobre o Corinthians é daqueles que merece uma pintura no museu do Internacional. Prefiro acreditar que todos os movimentos realizados pelo Nilmar foram por instinto, pois seria assustador se ele conseguisse pensar naquela velocidade e com um exército corinthiano sedento por tomar-lhe a pelota. Se Nilmar queria deixar o torcedor do Flamengo com a pulga atrás da orelha, para o confronto pela Copa do Brasil, ele teve muito sucesso.


ENQUANTO ISSO NA ALEMANHA...

Simplesmente espetacular a vitória do Stuttgart sobre o Wolfsburg por 4 a 1. Logo com 30 segundos de jogo, o Stuttgart mostrou seu cartão de visitas, com uma linda jogada. O brasileiro Cacau fez boa abertura para o meia-direita Hilbert, que em um lindo tique de calcanhar, deixou a pelota para o lateral Trasch cruzar na cabeça do centroavante Mário Gómez. Golaço! Menos de um minuto depois, um longo lançamento vindo da defesa encontrou novamente Mário Gómez, que desta vez chutou em cima do goleiro Benaglio. Pelo andar da carruagem, o jogo estava se tornando um verdadeiro massacre do Stuttgart sobre o líder Wolfsburg, entretanto a pressão inicial diminuiu de ritmo e o duelo tornou-se equilibrado até o fim da 1ª etapa. Jogada pela direita do Wolfsburg e Dzeco completa de primeira, em um belo chute, que o goleirão Lehmann defende. Sensacional tabela entre Hitzspelger e Cacau, que termina no fundo das redes após conclusão de Mário Gómez. Mais uma jogada aérea do Wolfsburg e Dzeco ajeita a pelota para Grafite, na pequena área, não conseguir mandar para as redes. Um raro avanço do lateral-esquerdo do Stuttgart, Magnin, resulta em belo cruzamento para Cacau, que tem três oportunidades para marcar, mas Benaglio salva o líder da Bundesliga. Aos 36 minutos, após cobrança de escanteio, enfim o Wolfsburg acerta uma conclusão. A bola alçada na área é desviada e cai nos pés de Dzeco, que diminui a vantagem do Stuttgart. Antes de chegarmos ao intervalo, ainda deu tempo de o Wolfsburg sofrer um problema digno do Botafogo. Num intervalo de menos de 2 minutos, o treinador Félix Magath é obrigado a tirar o volante Riether e o craque do time, Misimovic, por contusões. Que primeiro tempo!

Após o intervalo, o jogo não diminuiu de ritmo. Aos 10 e aos 12 minutos, o italiano Zaccardo perdeu duas chances de empatar o placar para o Wolfsburg, sendo a primeira delas sozinho e dentro da pequena área. Parece que esses gols perdidos foram sentidos pela equipe do Wolfsburg, pois o Stuttgart conseguiu dominar a partida pelos 20 minutos seguintes, criando quatro excelentes oportunidades ofensivas, com o iluminado Mário Gómez balançando as redes mais duas vezes. Isso mesmo, quatro gols de Mário Gómez, agora artilheiro da Bundesliga ao lado de Grafite, com 23 gols marcados. Com a goleada no placar, ainda restou tempo de o Wolfsburg tentar diminuir a derrota (o saldo de gols será importantíssimo na reta final do torneio) e o Stuttgart colocar uma bola na trave, porém, a esta altura, os torcedores só queriam saber de cerveja e de que estão a somente dois pontos da liderança.

Esta não foi a melhor atuação do Stuttgart que eu vi na temporada, mas a versatilidade ofensiva da equipe sempre me enche os olhos. Avanços de Hilbert pela direita, chutes certeiros e passes milimétricos de Hitzspelger, movimentação de Cacau por todo o ataque, Khedira sabendo a hora exata de defender e de dar assistências e, claro, Super Mário Gómez, que quando está no seu dia, sabe muito bem balançar as redes. Aliando estas muitas qualidades ofensivas, com uma defesa que disputa cada bola como se estivesse em uma Copa do Mundo, o Stuttgart se tornou um time muito forte. Só me resta parabenizar o jovem treinador Markus Babell, por conseguir fazer funcionar esta bela equipe. Placar Final: Stuttgart 4 x 1 Wolfsburg. Conselho de amigo: não ousem perder as últimas três rodadas da Bundesliga.

- Vamos acompanhar quais foram os resultados envolvendo os 6 primeiros colocados, como estão na classificação e seus próximos duelos.

Resultados
Energie Cottbus 1 x 3 Bayern Munique
Stuttgart 4 x 1 Wolfsburg
Hertha Berlim 2 x 0 Bochum
Werder Bremen 2 x 0 Hamburgo
Borussia Dortmund 4 x 0 Karlsruher

Classificação
1 – Wolfsburg 60 pontos
2 – Bayern de Munique 60 pontos
3 – Hertha Berlim 59 pontos
4 – Stuttgart 58 pontos
5 – Borussia Dortmund 55 pontos
6 – Hamburgo 55 pontos

Próximos duelos
Bayern Munique x Bayer Leverkusen
Colônia x Hertha Berlim
Wolfsburg x Borussia Dortmund
Schalke 04 x Stuttgart
Hamburgo x Bochum

domingo, 10 de maio de 2009

CHEGOU O BRASILEIRÃO 2009!!!

Olá amigos do FUTEBOLA!

Chegou o Brasileirão 2009! Para mostrar minha empolgação com o torneio que se inicia, vou expressar uma opinião minha que muitos, muitos, não concordam. Não acho que o futebol brasileiro seja “nivelado por baixo”, como a maioria costuma dizer e acredito que dois motivos me façam ter esta opinião.

O primeiro deles, pode ser explicado pelas belíssimas palavras do poeta Fernando Pessoa, que o jornalista Juca Kfouri foi perfeito em adotá-las para o futebol:

“O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”

Eu comecei a gostar de futebol por causa dos nossos clubes, nossos jogadores, nossos campeonatos. Da mesma maneira que você já ouviu várias senhoras de idade dizendo “vou assistir MINHA novela”, me sinto no direito de dizer “vai começar o MEU Campeonato”. Atualmente, existem muitas crianças, iniciando a vida de torcedor, que escolhem um time europeu para torcer. Não é de se assustar, tamanha quantidade de jogos internacionais que passam na tv fechada. Porém, este não é o meu caso. O máximo que eu conhecia do futebol europeu, quando criança, era a equipe da Juventus, pois meu pai havia me dado um revista com o pôster de cada jogador da Velha Senhora. Mas assistir jogadores como Ravanelli e Roberto Baggio, os meus pôsteres preferidos, era algo inimaginável para mim.

O segundo motivo, é uma comparação que sempre faço entre nossos clubes e os do “Velho Continente”. Não sou louco de falar que as equipes brasileiras estão no nível de um Barcelona, um Manchester United, um Milan ou um Chelsea. Agora, esqueçam os fatores extra-campo do nosso futebol como a violência nos estádios, a falta de sócios dos clubes ou o desrespeito ao torcedor na hora de comprar o ingresso, que são problemas da nossa sociedade, e não do esporte. Pensemos somente dentro de campo. Você acredita que times como o Sevilla (3º lugar no Campeonato Espanhol), a Fiorentina (4º lugar no Campeonato Italiano), o Hertha Berlim (3º lugar no Campeonato Alemão) ou o Everton (5º lugar no Campeonato Inglês) são superiores aos nossos? Em hipotéticos duelos entre Cruzeiro e Porto (líder do Campeonato Português e um dos 8 classificados para as quartas-de-final da Champions League) ou Grêmio e Olympique de Marseille (1º lugar no Campeonato Francês), só para citar dois exemplos, nossos clubes seriam azarões? Quando o Liverpool perdeu para o São Paulo, no Mundial Interclubes de 2005, Gerrard recebeu o prêmio de segundo melhor jogador do torneio com a cara de pouquíssimos amigos. Quando o Barcelona foi enfrentar o Internacional pelo mesmo torneio, em 2006, Ronaldinho Gaúcho, gremista assumido e de coração, era o craque do time espanhol. Vocês acreditam mesmo, que os europeus realmente não se importam com o Mundial Interclubes? Para todas as interrogações acima, minhas respostas são idênticas: não, não e não!

Portanto, se em todos o Brasileirões que estavam prestes a iniciar, sempre me enchi de boas expectativas, imaginem como me sinto com este que acabou de dar o pontapé inicial? Não tenho palavras para mostrar minha empolgação. Na verdade, tenho sim. São elas: Rogério Ceni, Marcos, Bruno, Léo Moura, Vítor, Sorín, Kléber, Juan, André Santos, Júnior, Miranda, Luiz Alberto, Fabiano Eller, Léo, Índio, Ronaldo Angelim, Juninho, Chicão, Edmílson, Hernanes, Thiago Neves, Ramires, D´Alessandro, Conca, Kleberson, Maiocosuel, Diego Souza, Tcheco, Leandro Guerreiro, Cleiton Xavier, Wagner, Guiñazu, Jorge Wagner, Íbson, Ronaldo, Fred, Keirrison, Felipe Reinaldo, Nilmar, Kléber, Washington, Diego Tardelli, Kléber Pereira, Maxi López, Dagoberto, Marcelinho Paraíba, Neymar, Taison, Ciro, Maicon, Adriano, Carlos Alberto Parreira, Vanderlei Luxemburgo, Paulo Autuori, Muricy Ramalho...

sábado, 9 de maio de 2009

FIGURINHA CARIMBADA - FEITIÇO



Nome: Luís Matoso

Data de nascimento: 9 de setembro de 1901

Faleceu em 23 de agosto de 1985

Posição: centroavante

Clubes:

Corinthians (1921 e 1932 a 1933)
São Bento – SP (1923 a 1925)
Santos (1926 a 1932)
Peñarol – URU (1933 a 1936)
Vasco (1936 a 1937)
Palestra Itália (1938)
São Cristóvão (1940)

Seleção Brasileira – 4 jogos e 6 gols*

Títulos:

Campeonato Paulista – 1925 – São Bento
Campeonato Carioca – 1936 – Vasco

Destaques:

- Experimente chegar em um lugar cheio, em qualquer lugar do mundo, e fazer a seguinte pergunta: “Quem é o jogador com maior média de gols da história do Santos?”. Aposto com você que quase todos irão encher os pulmões de ar e responder, com aquele ar de “essa foi moleza”, que foi o Pelé. Acreditem amigos, não foi. Com 216 gols em 151 jogos** Feitiço, possui a incrível média de 1,43 gols por jogo e fez parte de um dos maiores esquadrões já montados pelo Santos, o do 1927. Neste ano, a equipe santista contou com o famoso e espetacular “Ataque dos 100 gols”, como ficou conhecida a linha formada por Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista, por balançar as redes 1 centena de vezes em apenas 16 jogos. Vale ressaltar que foi a primeira vez na história do Campeonato Paulista que um equipe conseguiu este feito. Mas Feitiço não pôde jogar a final do Paulistão de 27, contra o Palestra, por um motivo incomum. Neste mesmo ano, a Seleção Paulista decidia contra a Seleção Carioca o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, no Estádio das Laranjeiras. O jogo estava empatado e o árbitro marcou pênalti para a equipe do Rio, revoltando os jogadores paulistas que decidiram impedir a cobrança de ser realizada. Quem assistia a partida das tribunas era o presidente da República, Washington Luís, que enviou um de seus oficiais ao gramado para obrigar a realização da cobrança da penalidade. O diálogo que se sucedeu foi o seguinte:

Oficial: “O excelentíssimo senhor doutor presidente da República mandou dizer aos paulistas que deixem bater o pênalti.”

Feitiço: “Pois diga ao excelentíssimo senhor doutor presidente da República que ele manda no Brasil, mas que quem manda no campo somos nós.”

A cobrança não foi realizada e o jogo encerrado, porém, por esta atitude, Feitiço recebeu uma punição do próprio Santos, desfalcando o time na decisão contra o Palestra. Sem contar com Feitiço, o Santos foi derrotado por 3 a 2 e deu adeus ao sonho de ser Campeão Paulista.

- O período de Feitiço no time praiano ainda contou com a tri-artilharia do Paulistão nos anos de 1929, 1930 e 1931. O mais impressionante, porém, é que a tri-artilharia alcançada por Feitiço não foi inédita. Nos anos de 1923, 1924 e 1925, o atacante conseguiu o mesmo feito pelo modesto São Bento. E tem mais! Em 1925, além da artilharia, Feitiço ajudou o São Bento a se sagrar Campeão Paulista.

- Em 1928, Feitiço estreou na Seleção Brasileira em um amistoso contra o Motherwell, uma equipe escocesa. E foi uma estréia digna de Feitiço, com o centroavante balançando a rede adversária nada menos que 4 vezes. Apesar da estréia monumental na Seleção Brasileira, foi com a camisa da Seleção Paulista que Feitiço fez história, marcando nada menos do que 30 gols.

*http://www.rsssfbrasil.com
**http://desenvolvimento.miltonneves.com.br/QFL/Conteudo.aspx?ID=61685