sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

ISSO QUE DÁ DEIXAR A DECISÃO NAS MÃOS DOS ENGRAVATADOS


Mês sim, outro também, pipocam debates acerca da utilização da tecnologia para decisões dentro das quatro linhas. É bola com chip, computador marcando impedimento, uso de replay... Esta automatização, que diminuiria consideravelmente a subjetividade das regras e o poder do árbitro, poderia começar a ser pensada também para resolver muitos dos casos que chegam ao STJD, infelizmente o nome mais falado no futebol brasileiro nos últimos dias.

À primeira vista, parece bem claro que Portuguesa e Flamengo merecem ser punidos pela escalação, na última rodada, de jogadores que estavam suspensos. Não importa a irrelevância do jogo entre do Flamengo e Cruzeiro ou que Héverton, escalado pela Lusa, nada tenha acrescentado em seus menos de 15 minutos em campo contra o Grêmio. Nada parece mais lógico do que um jogador previamente suspenso não poder estar em campo. No entanto...

Basta uma pequenina volta ao passado, coisa de meses, para encontrarmos casos parecidos – nunca iguais, pois para o Direito dois casos nunca são exatamente iguais – em que clubes que escalaram jogadores suspensos ou irregulares não foram punidos com a perda de pontos. Cria-se, assim, uma sensação de subjetividade bem maior do que deveria existir em casos do tipo e, junto com esta subjetividade, vêm os indícios de favorecimento do mais forte politicamente, do mais querido pela mídia, do mais poderoso financeiramente... Por que não uma punição automática para casos de uma mesma, digamos, categoria? Algo do tipo: todo o clube que escalar um jogador previamente suspenso ou irregular perderá x pontos. Tudo no automático. Sem apelação. Escalou, perdeu.

A mesma automatização poderia ser utilizada para decidir quantos jogos de suspensão um jogador pegaria após receber um cartão vermelho, lembrando que, atualmente, ainda existe a possibilidade de o jogador ir a julgamento mesmo sem ter sido expulso. Estamos diante de uma subjetividade ao quadrado. Primeiro, o juiz do jogo decide se um jogador receberá cartão e qual será a cor deste. Depois, nos tribunais, engravatados se encontram para definir a gravidade da infração cometida dentro do jogo, gravidade esta que já havia sido definida, anteriormente, pelo juiz.


Para os cartolas que comandam o futebol brasileiro na base da politicagem, é essencial o funcionamento de toda esta máquina jurídica, através da qual os clubes (todos eles!) ficam à espera de uma brecha para poder levar vantagem. E quanto mais poder de decisão os homens do STJD e outros engravatados tiverem, mais brechas vão aparecer, e menos veremos o jogo terminar quando o juiz apitar. 

Um comentário:

  1. Para quem manda a burocracia é um alimento gostoso. Muito racional esse seu artigo.

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