sábado, 14 de fevereiro de 2009

Grandes Clássicos - Flamengo x Botafogo 1995

Grandes Clássicos - Flamengo x Botafogo 1995

Olá pessoal!

Como vocês já estão se acostumando, semana de clássico no campo é semana de clássico no seu monitor. Neste domingo, Flamengo e Botafogo se enfrentarão. O jogo não tem caráter decisivo, visto que ambos já estão classificados para a fase semi-final do torneio. História diferente foi presenciada em 1995, quando o glorioso e o rubro-negro da Gávea se enfrentaram, decidindo o título da Taça Guanabara em um jogo onde a principal atração era o duelo de dois gênios da bola.

O ano de 1995 era especial para o Flamengo, pois o clube estava completando nada menos que 100 anos. Como presente para a torcida e com o objetivo de acabar com a hegemonia do tri-campeão Vasco, o presidente rubro-negro Kléber Leite contratou, simplesmente, o melhor jogador do mundo na época. Chegava ao Flamengo, após bem sucedida passagem pela Europa, o grande artilheiro Romário. Talvez no seu período de melhor equilíbrio físico/técnico, Romário conseguia aliar uma grande velocidade, demonstrada em arrancadas imparáveis, com a capacidade de finalização que o tornou um dos maiores centroavantes da história do futebol. E tem mais. Se esquecermos a parte técnica do baixinho e pensarmos na parte psicológica, ele estava nas nuvens. Não havia momento melhor para retornar ao Brasil. Romário voltava ao país mais ídolo do que nunca, logo após se sagrar campeão da Copa do Mundo de 1994. Sua participação no torneio foi de tão grande importância que alguns a comparam com a de Maradona em 1986 e de Garrincha em 1962.

Quem teria a missão e o privilégio de ser o parceiro de Romário no ataque? Vindo das divisões de base do clube, Sávio foi o escolhido para fazer dupla com o baixinho. Completamente adorado pela nação rubro-negra, um pouco até por sua semelhança física com Zico, Sávio tinha tudo pra ser o companheiro de ataque ideal de Romário. O tempo mostraria que o ego de Romário e a timidez de Sávio não foram feitos um para o outro, porém, o início da parceria trazia infinitas esperanças para o torcedor flamenguista. Claramente o ponto forte da equipe rubro-negra era o ataque, mas o time contava ainda com jogadores de muita experiência, que, comandados pelo já vitorioso Vanderlei Luxemburgo, formavam uma equipe competitiva. O sóbrio zagueiro Jorge Luís, o raçudo volante Charles Guerreiro e o extremamente técnico centrocampista Válber são exemplos desta experiente base rubro-negra.

Se 1995 era histórico para o Flamengo pelo seu centenário, os botafoguenses que tiveram o desejo de que o ano durasse para sempre, já que em dezembro, conquistariam pela primeira vez o Campeonato Brasileiro. O alvi-negro contava com uma das melhores espinhas da história clube e do futebol carioca, com Wilson Gottardo, Sérgio Manoel e Túlio Maravilha. Se o Maracanã fosse uma cidadezinha do velho oeste, poderíamos dizer que Wilson Gottardo seria o xerife, Sérgio Manoel o mensageiro e Túlio Maravilha o matador, o que torna até cômico o fato de, ao longo do ano, Túlio e Gottardo se desentenderem fora de campo. Wilson Gottardo era o tipo de zagueiro que dava segurança a toda equipe. Qualquer atacante, antes mesmo de a bola rolar, ao vê-lo tirar cara-ou-coroa, já devia ficar intimidado com sua autoridade. Sérgio Manoel era o responsável pela comunicação entre defesa e ataque. Sua ausência seria sentida tanto pelo setor defensivo, que sofreria ao tentar sair para o jogo, quanto pelo setor ofensivo, que não receberia as bolas redondas fornecidas pelo meia.

Túlio Maravilha é certamente um jogador especial. Seu carisma é tão grande que, no início de 1995, mesmo tendo conquistado apenas um tricampeonato goiano, ele rivalizava pelo posto de “Rei do Rio” com os multi-campeões Romário e Renato Gaúcho. Claro que não era só por ser extrovertido que Túlio era ídolo. Se os títulos eram raros em suas prateleiras, não se podia falar o mesmo em relação aos prêmios por artilharias. Duas vezes artilheiro do Campeonato Brasileiro ( em 1989 pelo Goiás e em 1994 pelo Botafogo ) ele sabia, como poucos, balançar as redes. Duas qualidades imprescindíveis para ser goleador ele possuía nos mais altos níveis: posicionamento dentro da área e finalização certeira.

O Campeonato Carioca de 1995 teve um fórmula de disputa complexa. Os 16 clubes foram divididos em 2 grupos onde jogariam entre si em dois turnos. Os 4 primeiros de cada grupo passariam para a fase final, sendo que o maior pontuador de cada grupo, em cada turno, receberia um ponto de bônus para essa última fase. Ao final dos dois turnos, Flamengo e Botafogo lideravam seus respectivos grupos e fariam a decisão da Taça Guanabara. Ao vencedor, além do troféu, mais um ponto de bônus na disputa da fase final. Nada simples, não é?

No dia 23 de março de 1995, o Maracanã seria palco de um jogo que envolvia, além dos dois gigantes Flamengo e Botafogo, dois dos maiores atacantes da história do futebol brasileiro. A idolatria da torcida flamenguista por Romário e da botafoguense por Túlio naquele momento era algo extraordinário.

O juiz apita o início do jogo. Os torcedores alvi-negros não imaginavam o tamanho do pesadelo que teriam durante a 1ª etapa da partida. Era dia de Romário e, quando o dia é dele, nada há para o adversário fazer. Com menos de 10 minutos, o baixinho entra na área e Gottardo só lhe consegue roubar a bola com uma rasteira. Falta. Pênalti. Gol de Romário. O Flamengo abre o placar e não recua. Aos 22 minutos, após jogada pela esquerda, o meia rubro-negro William cruza perfeita bola para uma, mais perfeita ainda, cabeçada de Romário. 2 a 0 Flamengo, e o Botafogo ainda sofreria mais no 1º tempo. Não mais um gol. Pior. Em uma discussão entre o zagueiro flamenguista Agnaldo e Túlio, ambos recebem o cartão vermelho. O Flamengo perdia um jogador e o Botafogo “o jogador”.

O jogo volta do intervalo e o torcedor botafoguense não sabia onde buscar esperanças. Sem Túlio em campo e, perdendo por 2 a 0, é provável que muito torcedores alvi-negros tivessem abandonado o estádio. Aqueles, porém, que sabem que futebol nunca termina no intervalo, permaneceram e viram o jovem meia Adriano, que havia substituído o também jovial Beto, colocar fogo na partida. Adriano era a esperança que o torcedor do Botafogo procurava. Aos 28 minutos ele, chutando de fora da área, diminuiu a vantagem rubro-negra. Apenas 6 minutos depois, em cobrança de pênalti, ele igualou o placar e colocou fogo no jogo.

Tudo estava indefinido, entretanto, não podemos esquecer do que já foi falado neste texto. Era dia de Romário. O narrador do famoso programa “Canal 100”, define com perfeitas palavras o que se sucedeu: “O Maracanã enlouquece, qualquer lance pode decidir a partida. Em um momento mágico, a bola procura Romário e o maior jogador do mundo, num chute furioso, faz o gol da vitória.”. O momento mágico é realmente inesquecível. Após um lançamento para frente, o zagueiro botafoguense Márcio Theodoro tenta recuar uma bola para o goleiro Wagner. A genialidade de Romário o faz perceber a tentativa do defensor. A qualidade de Romário o faz decidir o jogo. 3 a 2 Flamengo, o campeão da Taça Guanabara de 1995. O torcedor alvi-negro, a partir deste jogo, pensaria várias vezes antes de cantar “Urubu otário...Quem tem o Túlio não precisa do Romário...”, e a torcida flamenguista, com toda a alegria do mundo gritava “Márcio te adoro!!! Márcio te adoro!!!”.

Flamengo 3 x 2 Botafogo
23 de março de 1995
Maracanã – Público: 50865 torcedores
Gols: 1º tempo: Romário ( Fla ) aos 7’ e Romário ( Fla ) aos 22’; 2º tempo: Adriano ( Bot ) aos 28’, Adriano ( Bot ) aos 34’ e Romário ( Fla ) aos 37’.
Flamengo: Emerson; Fabinho, Jorge Luís, Agnaldo e Marcos Adriano; Charles Guerreiro, Válber, Marquinhos e William ( Nélio ); Sávio ( Mazinho ) e Romário
Botafogo: Wágner; Wilson Goiano, Wilson Gottardo, Márcio Theodoro e Jefferson; Jamir ( Guga ), Moisés, Beto ( Adriano ) e Sérgio Manoel; Narcízio e Túlio

2 comentários:

  1. Marcus Vinicius Macedo16 de fevereiro de 2009 12:58

    Grande Diano!
    Lembro perfeitamente de ouvir o Garotinho da Rádio Globo narrando este Fla x Bota de 1995.
    Romário, realmente foi "O Cara", como ele mesmo diz, naquele jogo. Mas, o "Márcio Te Adoro" foi o herói Rubro-Negro no jogo. Entregou aquela bola para o Baixinho e deu ao título ao Mengão.
    E o jogo de ontem? Bem a cara do Flamengo. Eu não tenho coração pra aguentar gol aos 48 minutos do segundo tempo mais. Chega! Hahaha!

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  2. Sou Flamengo, infelizmente isso acontece no futebol, não devemos crucufica-los pois o Emerson é um bom jogador as vezes por ter tanta determinação acontece isso, exemplo ao atacante que a bola sempre o procura. Sou amigo pessoal do Marcio Theodoro e posso dizer que foi um grande atleta, principalmente em Portugal, se fizer uma pesquisa no Google sobre Marcio Theodo vai ver.

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