sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Grandes Clássicos - Fluminense x Vasco 1976

Grandes Clássicos - Fluminense x Vasco 1976

Olá amigos!

Chegamos enfim ao primeiro clássico do Campeonato Carioca 2009. Diferente do ano passado quando os clássicos nada valiam na fase de grupos, desta vez o jogo é quente. Vasco x Fluminense farão um jogo importante para suas pretensões no torneio.

Semana de clássico é semana de reviver clássicos no FUTEBOLA. Em 1976 a decisão do título estadual foi sensacional, daquelas que provam que o jogo só termina quando o juiz apita. Contarei agora para vocês como foi esta inesquecível partida.

O tricolor das Laranjeiras contava, em 1976, com um elenco que se participasse de uma Copa do Mundo, entraria como um dos favoritos à conquista. Era a segunda versão da lendária “Máquina Tricolor”. Digo segunda versão pois, com o famoso troca-troca realizado pelo presidente tricolor Fancisco Horta, o time era muito diferente do que conquistara o Campeonato Carioca de 1975. Duas histórias ilustram a força desta verdadeira seleção de três cores. A primeira ocorreu em Paris durante o mês de junho de 1976, em um torneio que contaria com Fluminense, Seleção Brasileira olímpica, PSG e um combinado europeu. Este combinado europeu contaria com os melhores jogadores do continente, segundo a revista France Football. Entre os destaques europeus, os mais extraordinários eram Acimovic, capitão da Seleção Iuguslava e o holândes vice-campeão mundial em 1974, Rensenbrink. Não teve pra ninguém. O Fluzão ficou com a Taça, uma miniatura da Torre Eiffel, que já vi pessoalmente e é, realmente, uma das mais lindas taças já feita. Na vitória final contra o combinado do velho continente por 3 a 1 a torcida aplaudia até os raros lançamentos errados de Rivelino, tamanho era o show proporcionado pelo tricolor.

Já pelo Campeonato Carioca de 1976, tivemos uma cômica história ocorrida no jogo Fluminense x Goytacaz no Maracanã. O tricolor dava um baile no time de Campos e havia acabado de colocar 9 a 0 no placar quando os auto-falantes do estádio anunciaram: “A SUDERJ informa: o marcador não tem 10”. Claro que todo o estádio inteiro caiu em risadas. O placar não deu problemas pois o jogo terminou mesmo no 9 a 0.

Imaginem o que passa pelas cabeças dos defensores que entravam em campo para enfrentar o ataque tricolor. Comecemos por Paulo César Caju e um fato irá adjetivar sua categoria. Um dos maiores jogos da história das Copas do Mundo foi Brasil 1 x 0 Inglaterra, em 1970. Jogo duríssimo contra os “pais do futebol”. Sabem quem foi eleito o melhor jogador em campo na nossa vitória? Pois é, Paulo César Caju. Além desta fera, havia também a velocidade de Gil, conhecido como “Búfalo Gil” tamanha sua força ofensiva, o dinamismo de Dirceu que não parava de se movimentar um minuto em campo e o oportunismo do galã argentino Doval, que possuía, na mesma proporção, raça, técnica e faro de gol. Acabou? Ainda não. “Só” falta um dos maiores jogadores do mundo. Neste time tão estrelado havia sim uma estrela maior. Era Rivelino. Não é possível identificar sua maior qualidade. Como dizer que é o chute depois de ver seu elástico sobre o vascaíno Alcir Portela? Como dizer que é o drible após ver seus gols de falta? Eram tantas qualidades que se uma imagem vale como mil palavras, precisaremos de mil imagens para descrever Rivelino. Muitos jornalistas falaram neste início de 2009 que a contratação de Ronaldo pelo Corinthians foi a maior da história do Brasil e eu discordo completamente. Nenhuma transferência no cenário nacional se compara com a chegada de Riva ao Fluminense, vindo do Corinthians. Mas será que com tantos jogadores ofensivos o time não era frágil em sua defesa? A dupla de zaga contava com ninguém menos que o “Capita” Carlos Alberto Torres e o ex-vascaíno Miguel ( adquirido a peso de ouro, na transação onde o Vasco recebeu, por ele, Abel, Marco Antônio e Zé Mário ) e esta dupla ainda era protegida por Carlos Alberto Pintinho. Nada frágil né?

O Estadual de 1976 contou com 3 turnos e uma fase final. Vasco ( vencedor do 1º), Botafogo ( vencedor do 2º ), Fluminense ( vencedor do 3º ) e América ( vencedor da repescagem ) chegaram a fase final. Após todos os 4 se enfrentarem, Vasco e Fluminense terminaram com o mesmo número de pontos e ainda empataram em 2 a 2 nesta fase. Com o que o Vasco contava para se encontrar em nível tão parelho com a constelação tricolor? Simples. Com um jovem jogador que aos 20 anos já havia se sagrado campeão e artilheiro do Campeonato Brasileiro em 1974. Seu nome? Roberto. O apelido? Dinamite. Uma das provas da qualidade gigantesca de Dinamite ocorreu neste mesmo carioca de 1976 do qual falamos. Pelo primeiro turno ( Taça Guanabara ), ele fez um dos gols mais belos da história do Maracanã, ao, contra o Botafogo, matar a bola no peito, aplicar um lençol espetacular no zagueiro Osmar e concluir de virada para o gol.

Não poderíamos falar que o Vasco era um time de estrelas, mas era sim uma ótima equipe. O goleiro Mazarópi era excelente nos pênaltis e já havia mostrado isso na decisão da Taça Guanabara contra o Flamengo quando defendeu cobranças de Zico e Geraldo, dando o título do turno ao time de São Januário. Na zaga Abel jogava com duas estrelas no peito. Uma era a cruz de malta, a outra, aquela que todo xerife possui, tamanha sua autoridade e liderança. No meio de campo, Zé Mário era o motor do time. Zé não parava de correr um minuto, e quando tinha a bola nos pés sabia muito bem o que fazer. Além da qualidade, ele possuía a experiência de ter conquistado os dois últimos Campeonatos Estaduais. Em 1974 pelo Flamengo e em 1975 pelo Fluminense.

Domingo, dia 3 de outubro de 1976 estes gigantes cariocas se enfrentaram. O Maracanã contava com mais de 120 mil torcedores, em sua maioria tricolores. O Fluminense, apesar do favoritismo sabia que não podia bobear, principalmente com Dinamite. Talvez por este motivo o time tenha entrado em campo totalmente concentrado. Com apenas 10 minutos de jogo Rivelino já havia colocado uma bola na trave. A superioridade tricolor era grande e ficou mais visível ainda no 2º tempo. Durante a etapa final o Fluminense criou várias chances e jogava o mesmo futebol ofensivo que encantou os europeus. Velocidade nas pontas, tabelinhas pelo meio e chutes longos. O time tentava de tudo mas a bola não entrava. Chegou a prorrogação e, talvez com medo de enfrentar Mazarópi nos pênaltis, o tricolor não parava de atacar. O Vasco era até valente, porém, apenas se defendia. Dizem que um time de estrelas não tem gana, raça, garra, vontade. Tudo isto o Fluminense teve, o tempo todo. A prova é que aos 13 minutos do segundo tempo da prorrogação, após um cruzamento de Paulo César Caju, Doval de orelha colocou a bola na rede. Gol de artilheiro. Gol do artilheiro do campeonato. Gol do título. Mais um título para o Fluminese. Mais um título para Rivelino, que havia saído do Corinthians por não conquistar troféus. Agora ídolo tricolor, ele manda sua mensagem ao presidente de seu antigo time: “E o senhor, seu Matheus ( Vicente Matheus, lendário presidente corintiano ), vai continuar na fila guardando esse rico dinheirinho?”. Nota: O Corinthians não conquistava o Campeonato Paulista desde 1954.

Fluminense 1 x 0 Vasco
3 de outubro de 1976
Maracanã – Público: 127052 torcedores
Gol: 2º tempo da prorrogação: Doval ( Flu ) aos 13´
Fluminense: Renato; Rubens Galaxe, Carlos Alberto, Miguel e Rodrigues Neto; Carlos Alberto Pintinho, Paulo César caju e Rivelino; Gil, Doval e Dirceu
Vasco: Mazarópi; Toninho, Abel, Renê e Luiz Augusto; Zé Mário, Gaúcho e Luiz Carlos; Dé ( Luís Fumanchu ), Roberto Dinamite e Galdino

6 comentários:

  1. Fred no Fluzão, segura essa.
    Abraços

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  2. Parabéns pelo texto!

    Hoje levo fé no Fluminense, com a volta de Thiago Neves. Se vencer, vai embolar o grupo, já que Cabofriense goleou o Tigres e já possui 7 pontos marcados. Vai ficar ainda mais interessante se do jogo entre Resende e Duque de Caxias, ambos com 4 pontos, sair uma vitória. Já o Vasco se vencer pode abrir 3 pontos em relação ao Americano e colocar uma mão na vaga para as semi-finais.

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  3. FABIANO DE ALENCAR DA CONCEIÇÃO11 de fevereiro de 2009 18:09

    Diano gostei da História da final de 1976 que culminou no bicampeoanato da fantástica Máquina Tricolor comandanda pelo maior jogador da história do Fluminense: Roberto Rivelino.

    Queria que o Fluminense montasse um time a nível da Máquina tricolor e o time de 1984.

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  4. vasco na milha opiniao e o melhor time do brasil

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  5. Faltou comentar que este 1X0 foi um jogo extra disputado 30 dias depois do quadrangular final que terminou com o Vasco e Fluminense empatados com 4 pontos. O último jogo do quadrangular, que poderia ter decidido o campeonato, acabou 2X2. O Flu abriu 2X0 e o Vasco empatou no segundo tempo.

    29/08/1976
    Arbitro : Armando Marques
    Público : 127.123

    Gols: Gil (Fluminense 3/1ºT) e Erivelto (Fluminense 8/2ºT), Roberto Dinamite (Vasco 13/2ºT) e Toninho (Vasco 38/2ºT)

    Este último um frango de Renato num chute da intermediária.

    O detalhe é que aos 42 minutos do segundo tempo, Roberto recebeu um lançamento e partiu sozinho para fazer o gol da virada e do campeonato, mas seu ex-companheiro de clube Miguel deu-lhe uma sonora rasteira.

    Armando Marques aplicou o cartão vermelho no zagueiro que foi para o sacrifício. Mais de 30 dias depois, Miguel ainda assim jogou a partida extra.

    (Ouça o gol do título, com narração de Jorge Cury http://www.flumania.com.br/sons/dovvas76.ra)

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